quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O PR e o governo financeiro europeu

Só vi a segunda parte da entrevista de Cavaco Silva a Judite de Sousa. Parece que foi a melhor. De facto o PR tem vindo o tomar atitudes serenas, lúcidas e comedidas que contrastam com o desvario dos demissionistas nacionais sobre as questões monetárias e financeiras europeias. Sempre é um ponto de apoio contra o excesso de zelo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A pedagogia do capricho

O «melhor aluno» do ensino secundário sempre me pareceu uma arbitrariedade mais ou menos quantitativa, e muito variável em qualidade de escola para escola. Mas eliminar a distribuição dos prémios pecuniários já atribuídos este ano revela um desprezo pelo envolvimento de tantos professores e de tantos estudantee- para além de familiares e amigos dos contemplados- que só um espírito de implosão periférica pode sancionar. Um desastre pedagógico, um convite à mudança de regras sociais ao sabor dos poderes. Assim se ajuda a desfazer o espírito do Estado de Direito.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A esquerda senatorial

A crise será a mãe de grandes mudanças e alternâncias. Na Dinamarca a social-democracia ganhou as legislativas e irá governar depois de anos de oposição. Em França o PS tornou-se o partido maioritário no Senado, uma «première» desde o nascimento da V República em 1958. Vai ser preciso mais do que a Líbia para Sarkosy continuar presidente...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quem não reage ao Gunther merece ficar sem a bandeira

Ainda não li a última declaração da chancelerina alemã sobre perdas de soberania de Estados- membros da UE. Um tema que se está a tornar uma especialidade na CDU alemã. Mas estou de acordo num ponto: quem não protestou contra o Gunther das bandeiras a meia-haste deve levar com um pano encharcado até acordar do tropor em que vive. O que nos vale é a NATO, não?

A Catalunha passa para a frente

O fim das touradas na Catalunha é uma excelente medida que mais cedo ou mais tarde terá o apoio de todos os povos da Península Ibérica. De Barrancos à RTP.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cartas de Conforto no Marco do Correio

Parece que, afinal, só se soube dos empréstimos contraídos para obras na Madeira através da auditoria aos bancos efectuada pela brigada financeira da «troika». O esquema residia numa opaca simplicidade: as empresas contratadas acediam ao crédito bancário directo através da garantia espiritual de uma «Carta de Conforto» outorgada, para os efeitos tidos por convenientes, pelo governo regional da Madeira. Sempre a ideologia do risco à custa do contribuinte, em última rácio.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O Estado da Palestina

A votação para a admissão do Estado da Palestina como membro observador na ONU parece adquirida. Por muito que Washington disfarce esse passo é do seu interesse estratégico. Ter dois aliados no Médio-Oriente- sendo o outro Israel- é melhor do que ter só um, e renitente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cavaco e Passos falaram.Mas o que disseram?

Como previ Cavaco Silva falou da Madeira nos Açores quando devia ter usado da palavra em Lisboa sobre a falta de« credibilidade internacional» que o episódio das dívidas não reportadas ao INE pelo Funchal, e por consequência ao Eurostat, pode acarretar ao Estado. Quanto a Passos Coelho «demarcou-se» do governo regional da Madeira com o truque que agradou a todos-até a Alberto João Jardim- de se recusar a fazer campanha eleitoral na RAM. Mas alguma vez AJ Jardim lhe pediu para o fazer? Enfim...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Silêncio do PR sobre a Madeira

O PR perde altura moral se mantiver o silêncio sobre as contas da Madeira. E não vale aproveitar a visita aos Açores para fazer uma amálgama espúria entre as duas regiões autónomas. A prestação de contas é muito diferente entre as duas administrações. A começar pelo montante da dívida.

sábado, 17 de setembro de 2011

Demita-se o Gunther

Hoje volto à carga no Correio da Manhã com a demisão do Comissário Europeu Gunther Oettinger. Pasmo com a falta de reacção dos Estados.membros ultrajados pelas declarações do membros da CDU alemã sobre os atestados de impureza monetária hasteados nos edifícios comunitários. Durão Barroso terá ouvido, em confessionário ,as desculpas do Gunther, ele que foi um dos mais atingidos pelas declarações imbecis do responsável pelas energias europeias.Está tudo morto em Bruxelas. Façam ao menos uma petição internacional para correr com o Gunther.Há muitas formas de corrupção.A dos espíritos é das piores...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Risco de corrupção

O Conselho de Prevenção da Corrupção, presidido por Guilherme Oliveira Martins, veio ontem alertar para os riscos que o actual processo acelerado de privatizações pode acarretar. Recomenda a existência de um plano de prevenção de riscos para cada empresa a privatizar, e a criação de comissões de acompanhamento para cada processo de privatização. Não me admiraria que fosse aí que o governo começasse a cortar nas despesas...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A OCDE exige novos mínimos a Nuno Crato

Nuno Crato não se conforma com os números da OCDE sobre o programa
Novas Oportunidades.Parece que alguém chegou primeiro ao problema. Terá de se esforçar mais o ministro. O «cratês» não basta.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Mete dó o «acho mal» do SEAE

A declaração do secretário de Estado dos Assuntos Europeus , Miguel Morais Leitão, sobre a provocação das bandeiras nacionais a meia haste para alguns Estados membros da UE, lançada pelo comissário alemão Gunther Oettinger foi a de que «achava mal«!Mete dó o secretário governamental. O que ele devia exigir era que o comissário se retratasse, ou que alguém na Comissão, ou no Parlamento Europeu, o obrigue a retratar-se. No mínimo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Novas ideias para a esquerda

Participei, na tarde de ontem, no Forum organizado pelo BE, subordinado ao título«Novas Ideias para a Esquerda». Num ambiente propício ao debate e à troca de pontos de vista diferentes, fiz um apelo aos membros do BE para que possam aceitar uma aproximação às responsabilidades de uma futura governação alternativa, reformadora nos objectivos e gradualista no método. Estou convencido que Portugal vai precisar das novas ideia para a esquerda que este fim de semana estiveram em discussão no congresso do PS e no Forum de Coimbra do BE.

domingo, 11 de setembro de 2011

Um comissário cretino

O comissário europeu da energia, Gunther Oettinger, terá declarado à revista alemã Bild que os países da UE com dívidas soberanas problemáticas deviam ter as bandeiras nacionais a meia haste nos edifícios comunitários. Tenho a certeza que, quer o presidente da Comissão, quer os deputados do Parlamento Europeu, vão accionar os mecanismos para a demissão deste cretino.

sábado, 10 de setembro de 2011

Crianças na Luz

O Benfica joga hoje ainda de dia, uma raridade digna de registo. Os horários das transmissões pela televisão, normalmente à noite, evacuaram as crianças dos estádios.Pois a luz do dia trouxe de novo as crianças ao futebol com pais,tios ou avós, momentos familiares que trazem alegrias simples mas duradouras.

O discurso de Assis

Depois de se julgar obrigado a pagar um tributo político ao último ciclo da governação do PS, Francisco Assis fez um discurso vivo e inteligente, com alguns recados maliciosos para os que definem estratégias politicas pessoais a prazo.
Mas a crítica aos erros do PS governamental, quer no consulado Sócrates, quer no consulado Guterres, é fundamental para que o PS volte a ser uma alternativa de poder com utilidade para a sociedade portuguesa.

As «secretas» na AR

Hoje aproveito, no CM, as informações abertas publicadas na imprensa sobre as peripécias das fugas no SIEDM para retratar as dificuldades da Assembleia da República na fiscalização desses serviços. Não fora a rivalidade entre empresas de comunicação social, e a existência de liberdade de imprensa em Portugal, e os deputados estariam a léguas do fenómeno da privatização dos serviços de informação.

O discurso de Seguro

Na prática já disse o que tinha a dizer sobre o congresso do PS em dois artigos para o CORREIO da MANHÃ, e nas respostas desta semana a um questionário da VISÃO, além da apresentação que fiz do livro de António Brotas «Crítica e Criatividade-Contributos para um debate político no interior do PS».
Do discurso de abertura de A.J. Seguro retive a forma clara como marcou as diferenças com o governo de Passos Coelho. Era o mais relevante da agenda.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os caminhos da senhora

O Tribunal Constitucional alemão considerou ontem que o governo de Angela Merkel pode participar nas operações de resgate europeu em curso através do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, e de outras operações do género que se venham a efectuar.É um enorme passo em frente dado pela Alemanha, que funciona nestes dias como reserva federal. Leio umas reticências inconcebíveis pelo facto do Tribunal de Karlsruhe obrigar a que essas transferências do tesouro alemão sejam autorizadas pelo parlamento federal! Mas estão à espera de quê?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O camelo, a agulha e o imposto dos ricos

Durante anos o Professor de Finanças Públicas da Faculdade de Direito de Lisboa, Eduardo Paz Ferreira, remeteu-se aos seus trabalhos de jurista. Ultimamente, certamente preocupado com o estado geral do País, este meu querido amigo tem vindo a intervir publicamente, na televisão e na imprensa, com proveito para todos. e sempre numa perspectiva inovadora e de síntese de saberes acumulados.Hoje escreve no Jornal de Negócios um artigo notável sobre a tributação em tempo de crise da dívida soberana., no qual se refere a este blogue.

O regresso da Prova dos 9

Hoje a TVI-24 retoma, depois de umas justas férias, o programa Prova dos 9, animado pela Constança Cunha e Sá e com a participação de Pedro Santanas Lopes, Fernando Rosas e deste Bicho Carpinteiro!
Ás onze da noite.

Os arquivos do ex-SIS e do ex-SIED

Muitas notícias sobre inquéritos às «secretas», com apreensão de telemóveis e computadores nos respectivos serviços.O clima de desconfiança foi instalado.Como já aqui escrevi, o que se conhece publicamente das «secretas» é uma miséria. Dando um salto no tempo , para onde irão os arquivos do ex-SIS e do ex-SIED ?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Passos Coelho deve saber qualquer coisa...

Passos Coelho foi dos que não disse nada de relevante na Universidade de Verão do PSD-ou da JSD, não percebi bem-, talvez para não ofuscar os convidados.Mas não deixou de deixar a sua marca noutra localidade ao afirmar-se disposto a resistir por todos os meios à agitação de rua que as «redes» possam provocar. Deve ter sido informado pelas «secretas», imagino...
Noutros tempos o PSD clamava contra as «manifestações dos pregos» nas estradas.Portugal, apesar de tudo, moderniza-se...

sábado, 3 de setembro de 2011

Ao Sábado no Correio da Manhã

Retomo hoje a minha coluna na página dois do CM.Disserto sobre o golpe de judo dado pelo governo à taxação das grandes fortunas que se virou contra os que mais impostos já pagam. O fado vai aliás continuar, pese os protestos de Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e Vasco Graça Moura.O IMI irá disparar sobre a multidão pregada ao solo que ainda paga a prestação sob hipoteca do T2 ou T3 . Será o novo imposto sobre o luxo...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nem tudo é 25 de Abril

Passos Coelho declarou que os sucessos na Líbia eram «uma espécie de 25 de Abril».Presumo que só se referia à queda do regime, pois não há nada de mais díspare do que a decisiva intervenção estrangeira na Líbia e o desencadear endógeno do movimento do 25 de Abril em Portugal.Os únicos aviões militares que sobrevoaram os céus de Lisboa foram os que se dirigiram ao RALIS em 11 de Março de 1975.Eram da FAP e voltaram para trás.Nada de confusões.

O governo não conhece a riqueza dos portugueses

Como antevi a campanha para fazer tributar «os ricos» acabou às mãos do governo para ser aproveitada para aumentar os impostos dos que já mais pagam, normalmente quadros superiores cujas declarações de rendimentos já constam nas repartições das Finanças. Nem um novo contribuinte é recenseado pela nova pauta preguiçosa e oportunista, nem uma nova tributação é lançada sobre as mais-valias ou os dividendos do capital. No fundo este governo não faz a mínima ideia de como alargar o universo tributário.Só sabe aumentar os impostos dos que já pagam: O Terceiro- Estado com com a sua escala de honorários e a sua propensão ao consumo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A parte secreta...

Espero que a parte secreta das «secretas» seja bem melhor do que a parte pública.Porque esta é uma miséria...

domingo, 28 de agosto de 2011

Miguel Cadilhe

Leio sempre com muita atenção Miguel Cadilhe. Desde o tempo dos Reformadores.Desta vez trata-se da sua proposta sobre o lançamento de um imposto extraordinário sobre as grandes fortunas, fora do quadro doIRS.Tem a vantagem de ter princípio, meio e fim.E de não ter ido a reboque dos afortunados filantrópicos.

sábado, 27 de agosto de 2011

O novo imposto sobre os afortunadods

O novo imposto sobre os afortunados vai por à prova a percentagem de ética na vida pública portuguesa.E a capacidade de cobrança das Finanças.Fico a aguardar.Mas nada de confundir grandes fortunas com rendimentos médios do trabalho...Assim não vale!

Um mau jogo de futebol

A final da super taça europeia entre o Barcelona e o FCPorto foi um mau jogo de futebol, cheio de interrupções, e que acabou com duas expulsões de jogadores do Porto.Pois o nacionalismo futebolístico fecha os olhos a essas faltas e tudo cobre com o manto diáfano do resultado normal e dos pénalties habituais.Revejam o jogo sem comentários...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A vez dos ricos

Em 1976 a UDP lançou o slogan Os ricos que paguem a crise. Porém num dos cartazes de rua uma das fotografias era minha enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros numa cerimónia protocolar no Palácio das Necessidades! Percebi então que a análise social não era o forte daquela organização...
De facto durante muito tempo o poder político serviu de biombo ao poder económico.Agora chegou a vez de fazer «os ricos» pagarem de facto um pouco mais. A ideia nasceu de um afortunado e já cativou o sentido pragmático de Sarkosy.Até em Portugal se chama para as imagens uma teoria de homens de negócios que são sempre mais ou menos os mesmos.
Temo que seja mais um episódio para entreter o Zé Povinho.O tema dos políticos está em panne.Quanto mais se retiram proventos aos titulares de cargos políticos mais se fala de corrupção.
Os ricos ficam agora na primeira linha.
Desde já declaro que faço uma distinção entre actividades lucrativas mal taxadas e património pessoal que deve ser tributado pelas regras gerais.E não se enganem mais!

As imagens de Strauss-Kahn em NY

Não direi nada sobre o conteúdo do caso DSK.Não sei se alguém pode.Mas admira-me muito que se veja virtude na forma grosseira como os agentes de Justiça do Estado de NY tratam os suspeitos que não opõem resistência quando os prendem. Mesmo que sejam todos. Mesmo que libertem alguns por falta de provas ou por acusações infundadas.
Espero que o caso Strauss-Kahn sirva para menos aparato e algemas nas detenções de quem não se opõe a elas pela força em NY. O resto é conversa.E uma grande ferida na imagem internacional daquele Estado de que tantos gostam.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Líbia não é só Khadafi

Parece que a «questão Khadafi» estará resolvida na Líbia.Mas em termos internacionais e europeus foi um triste processo que não valida seja o que for para o futuro.Tudo foi mal feito, o mandato da ONU uma comédia na sua aplicação, a NATO, na versão pilar europeu, envergonhada do seu próprio papel, os «rebeldes» uma incógnita.De certa maneira é o nasserismo que está a acabar no mundo árabe.Veremos o que nos trazem os novos poderes.Quando o forem.Mas há muita gente a por as mãos no fogo...

domingo, 21 de agosto de 2011

O prolongamento foi fatal

Foi uma excelente final. O Brasil ganhou bem. Portugal merece a medalha da bravura e inteligência de meios.Mas finalista derrotado sofre que se farta.Boa noite.

Prolongamento

Empatados. Lá vamos para o prolongamento. Confesso que adoro a cena dos pénalties. Ou seja, depois dos 90 minutos só devia haver pénalties. Assim ia a horas mais ou menos cristães para a cama...

Empate ao intervalo

Temo que haja prolongamento. E estes brasileiros não parecem cansados. Como eu a esta hora...Gostei de ver o Rui Caçador na equipa técnica.Anda nisto há muitos anos.

A «selecção coragem»

Esta «selecção coragem» de futebol sub-20 tem algo que me agrada. É uma equipa que joga como tal.Poucas ou nenhumas vedetas, nenhum culto da imagem, e uma gestão por resultados extraordinária. Até o portista Ilídio do Vale tem o meu reconhecimento como o anti-treinador narcísico perfeito.Sabe o que tem entre mãos e não promete nada, excepto jogo colectivo e dignidade individual.
A final joga-se daqui a uma hora em Bogotá.Até o João Gonçalves está de vigília.Nessun Dorma.

sábado, 20 de agosto de 2011

O PR tem razão

Pena que tenha sido no bling facebook. Mas a rápida reacção de Cavaco Silva à proposta de Merkel e Sarkosy sobre a constitucionalizão dos limites do défice orçamental resgata Portugal de uma crescente e oportunista cultura de colonizados, e é coerente com a realidade económica e financeira.Além de ser corajosa e digna.Não se pode quere rever a constituição por ela ser demasiado programática e depois deformá-la com manifestos de rendição.Já estamos obrigados aos 3% do défice e aos 60% da dívida pelo TUM e pelo Pacto de Estabilidade.O convite à redundância é o maior sinal de impotência da actual liderança europeia

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A agave só floresce uma vez

O meu Amigo Eurico Figueiredo é um homem do Douro e das arábias. Depois de ser líder estudantil, e dos que fez tremer a ditadura, depois de ter inovado na prática psiquiátrica na Suíça, depois de ter denunciado no Alentejo as derivas do PREC e de ter sido um deputado com iniciativa e influência até 1999-tanta que não foi reconduzido no cargo!-, criou uma marca de vinho numa quinta perto de Foz Côa- o Solar do Prado-, e não contente com tudo isso lançou-se na escrita de ficção.Primeiro foi o Guerrilheiro Sentimental, agora inicia um ciclo duriense com A Agave Só Floresce Uma Vez.
A agave, fiquei a saber pelo livro, é uma espécie de pita algarvia.Só floresce uma vez e depois morre. Aqui não há novas oportunidades.

Jorge Silva Melo no nosso bairro

Um dos rituais dos dias de eleições consiste em encontrarmos o foragido do bairro Jorge Silva Melo na Rua da Escola Politécnica.Ele já descreveu a cena melhor do que eu o faria numa das suas magníficas, e perdidas, crónicas do jornal Público. Pois agora, numa subversora entrevista a esse mesmo jornal, JSM anuncia que vem ocupar, com a sua companhia Artistas Unidos, o espaço do Teatro da Politécnica: «Os poderes políticos acharam que era um teatrinho para o Jorge Silva Melo. Agora haverá um teatrinho estilo sepulcro para o Jorge Silva Melo.»
Toda a entrevista é um desassossego pessoal, e um desespero comunitário. De um ponto de vista egoísta fico regalado com esta nova vizinhança do irredento intelectual.Ele fará do «teatrinho» um lugar de cultura viva.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As touradas na RTP1 estão a acabar?

A comissão que vai iluminar o governo sobre o que seja o «serviço público de televisão» tem gente para todos os gostos.Por mim preferiria uma presidida por Manuel Maria Carrilho- que tem o melhor artigo na imprensa sobre o assunto- que começasse pelo óbvio e poupasse nos prazos.Para ver se temos menos touradas na pantalha.

Daniel Bessa e a TSU

Deixo as páginas de Economia para os domingos e feriados. Por muito efémeros que sejam os saberes económicos presumo que resistam aos dias úteis.Neste fim de semana prolongado gostei especialmente do artigo de Daniel Bessa no suplemento do Expresso sobre a sua mudança de posição no grau de desvalorização fiscal da TSU. Bem sei que o estudo encomendado pelo governo explica muito claramente os prós e contras da medida, e esse também foi um bom serviço à transparência e à racionalidade .Mas é sempre admirável assistir a um ponderado exercício de seriedade intelectual como foi a explicação de Daniel Bessa sobre a sua nova posição no caso da redução da taxa social global em Portugal.Além da ironia do último parágrafo do artigo...

sábado, 13 de agosto de 2011

Equilíbrio instável

O artigo de hoje no CM chama a atenção para os efeitos perversos do neo-liberalismo anglo-saxão a prazo. O desmantelamento da força sindical britânica deu origem à anarquia actual em que a violência gratuita nem reivindicações apresenta.O unilateralismo de Washington levou os EUA para uma guerra de usura lhe faz perder o controlo da globalização, como se nota pela dimensão e notação da dívida.O que a Standard&Poor`s revelou foi a completa privatização da globalização financeira. E abriu caminho para a falência das instituições internacionais de regulação económica mundial.Más notícias portanto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A TSU e a força da ideologia em Catroga e Álvaro

O recente estudo encomendado pelo governo veio demonstar como eram ideológicas as percentagens da baixa da TSU defendidas pelos eminentes economistas Eduardo Datroga e Álvaro Santos Pereira.O perigo continua já que o segundo é ministro...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Agosto perigoso

As bolsas por um lado, as ruas de Londres por outro, o mundo de vez em quando fica perigoso. Bases instáveis.

domingo, 7 de agosto de 2011

PS crítico

São José Almeida apresenta hoje no Público um elaborado trabalho sobre a crise da social-democracia como ela é entendida na Europa que a criou originalmente. Deu especial enfoque a personalidades, bem diferentes entre si, que não se eximiram a criticar o modo de governar do PS em Portugal nos últimos anos, e que perspectivam um novo papel para a esquerda em termos portugueses e internacionais.Sou suspeito porque sou lá citado. Mas vale muito a pena ler.

sábado, 6 de agosto de 2011

Governo de Verão

O meu artigo de hoje no Correio da Manhã não é um artigo estival, embora trate das características deste Governo de Verão, que tem aprofundado os maus costumes do regime, ou seja exrece o pior serviço que podia prestar ao dito.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Estado servidor

O Estado, com o aumento leonino das tarifas dos transportes públicos, facilita a vida à privatização do sector. Ou o Estado como fiel servidor de interesses privados em potência.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O escândalo do BPN

O escândalo do BPN ainda não saiu à rua. Não há responsabilidades apuradas da gestão fraudulenta dois anos depois da falência amparada. Pelos vistos os dois mil e quinhentos milhões de euros ainda não é o último balanço do descomunal esforço que o tesouro português foi obrigado a fazer para evitar não se sabe o quê. A nacionalização do BPN foi uma das medidas mais polémicas e inexplicadas do regime democrático. Curioso que o agente da compra do banco em questão ,a preço irrisório e rodeado de garantias estatais, seja o mesmo que saldou os activos da República Portuguesa na barragem de Cahora Bassa, uma aventura maior -esta iniciada no «regime anterior»- que saiu muito cara a Portugal em termos de dívida externa durante dezenas de anos.

domingo, 31 de julho de 2011

Uma entrevista oportuna do PR

Cavaco Silva aproveitou bem a entrevista de Luísa Meireles ao Expresso para recentrar o seu discurso sobre as questões europeias muito vagabundo nas declarações avulsas que foi fazendo nos últimos tempos.A entrevista esclarece certos pontos pouco tratados pelos nossos especialistas. Como tenho defendido que já existem eurobondes em vários artigos no
Correio da Manhã, nomeadamente o penúltimo ,cito o PR nesta matéria:
« O abaixamento das taxas de juro e o alargamento do prazo dos empréstimos pelo menos para 15 anos, mas podendo ir até 30 e com um período de carência de 10 anos, significa que afinal se aceitou os eurobonds para os países com assistência financeira.O Fundo emite no mercado internacional obrigações com garantias dos Estados e depois empresta, praticamente à mesma taxa, aos países em crise».
O Presidente devia falar mais vezes sentado, como a presidência indica. Pelos vistos dá bons resultados!A entrevista do PR recomenda-se...

sábado, 30 de julho de 2011

Os cinco desafios do PS

Hoje no Correio da Manhã apresento cinco dos desafios que o PS terá de enfrentar para fazer jus às intenções de António José Seguro de inaugurar um Novo Ciclo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

À procura de um pretexto

O governo ainda não fixou o seu álibi para a hora em que decidiu invadir parte do 13º mês.Primeiro foi o nobre princípio de precaução, depois o clássico passa culpas da alternância sobre «desvio colossal» e «trabalho colossal», agora a notícia posta a correr que certos ministérios estariam na iminência de não poderem pagar aos seus funcionários, cujos pelo seu lado não iriam descontar nesses meses terminais para o IRS, a ADSE, e aquelas rubricas sobre solidariedade e montepio, o que obrigaria de novo a elaborar mapas sobre receitas estimadas... É definitivamente um governo sob suspeita!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Maria Lúcia Lepecki

Esta blogue anda um pouco irregular.Mas tenho de fazer uma referência a Maria Lúcia Lepecki.Sempre muito cordial, quase terna, era uma das críticas literárias que lia com atenção e respeito. Fui um seu leitor constante quando o
Diário de Notícias tinha uma página literária de referência, ressuscitada pelo Mário Mesquita.A perda da página empobreceu a literatura adulta em Portugal.Lúcia Lepecki demonstrava que o gosto tinha a sua explicação.

domingo, 24 de julho de 2011

Novo ciclo ?

António José Seguro ganhou folgadamente as eleições a Francisco Assis.Seguro apresentou-se sob o signo de um novo ciclo para o PS, mais livre e desembaraçado do consulado de José Sócrates. Assis pretendeu uma «mudança na continuidade» mais próxima da recente herança governamental do PS. Os resultados estão à vista ,mas só o futuro dirá se entramos num «Novo Ciclo», ou se a herança guterrista acabará por consolidar uma certa hierarquia hegemónica como a que dominou o partido nas últimas passagens pelo poder.Lá se ia a «refundação do PS» proclamada por Mário Soares.

Volta o perigo à social-democracia?

A social-democracia europeia já viveu momentos perigosos no final do século XIX, e nos meados do século XX.Volta a ser ameaçada no início do XXI? e logo a norte onde primeiro triunfou? A tese do neo-nazi solitário na Noruega faz tocar todas as campainhas. Tanto adubo dá que pensar.

sábado, 23 de julho de 2011

Ganhar sem jogar

Portugal tem sido um dos Estados mais passívos na procura de soluções gerais e graduais para os problemas que se colocam à zona euro.Refugiado a meio do pelotão dos Estados da UE seria interessante conhecer o teor da participação dos nossos maiores nos diferentes conselhos: Europeu, de ministros, cimeiras extraordinárias, cimeiras da-hoc como esta última que trouxe algumas respostas poitivas aos problemas da Grécia, e por tabela a Portugal e à Irlanda.Como analiso no CM, é o que se chama Ganhar sem jogar. Ainda há dias o nosso ministro das Finanças dava por prematura a hipótese de uma baixa de juros do fundo de resgate europeu!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ser adido de imprensa na livre Inglaterra

Watergate foi uma história de amadores americanos perante o que já se sabe na livre Inglaterra sobre escutas ilegais promovidas, ou aproveitadas, pelo jornal News of the World. David Cameron recrutou um assessor de imprensa bem por dentro do que se ouvia na boa sociedade britânica.Cameron chegou ontem à conclusão que tinha sido um erro essa sua nomeação.Nenhum serviço secreto avisou o inocente?

Grã-Cruz da Ordem de Cristo

Agora também se percebe melhor a atribuição da Grã-Cruz da Ordem de Cristo a Manuela Ferreira Leite no último 10 de Junho.Foi uma espécie de graduação antes de ser nomeada Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais. Armada Cavaleira, pois.A vida palaciana segue sem interrupções.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Uma distância discreta

Passou despercebido o pedido de demissão de Mota Amaral de Chanceler das Ordens Honoríficas Nacionais.Renomeado em Abril pelo PR depois da tomada de posse deste, Mota Amaral pediu agora a demissão por motivos que caberá aos próprios esclarecer.Mas que o antigo presidente da AR tomou as suas distâncias em relação ao querer do Palácio de Belém isso merece nota política.Mesmo que tenha sido discreto.Discreto tem aliás um significado muito particular nos Açores.

Prever a corrupção

O combate à corrupção de que João Cravinho e AJ Seguro se têm feito arautos encontrou eco numa associação cívica Transparência e Integridade que alerta para as oportunidades de favores que a execução do programa da troika pode induzir, na área das privatizações e a na renegociação das PPP.O picante da coisa está em que aquela associação entregou o aviso aos elementos da troika...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quanto valeram as golden-shares ?

O governo anunciou, naquele seu estilo impreciso e vago, que tinha abdicado das golden-shares que o Estado detinha como accionista em várias empresas que tinham sido privatizadas com aquela cautela e posição. Sabíamos que a Comissão de Bruxelas há muito que pretendia acabar com essa situação, e que aproveitou o Memorando de Entendimento para arrumar com o assunto.Entretanto Joe Berardo veio a público dizer que tinha oferecido, no tempo do interesse estratégico nacional, 200 milhões de euros pelas acções douradas na PT.Pergunta-se: o governo pretende manter as acções que o Estado possui nessas empresas, ou vai vendê-las agora que elas foram banalizadas e valem menos? Quem serão os felizes compradores? E sobre o pagamento da dívida externa o governo não pretende gerar receitas com pelo menos parte dessas acções ,que já foram «robustas»na linguagem de outro ilusionista?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Conselho de Fiscalização

O presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação da República, Marques Júnior,veio declarar que os directores dos respectivos serviços lhe tinham garantido não ter recebido qualquer solicitação nem ter procedido a qualquer investigação a Bernardo Bairrão.O ministro Miguel Relvas também já veio desmentir a notícia do Espresso.Tudo bem.Mas como se averigua um caso destes?

domingo, 17 de julho de 2011

Sempre era um Tribunal...

No tempo do «Regime anterior» creio que era o Supremo Tribunal de Justiça quem passava uma espécie de Atestado aos candidatos a eleições, mesmo que estas não fossem livres.Agora leio no Expresso, um concorrente do Diário da República em versão impressa, que um relatório das «secretas» pode ser apreciado para fins de nomeação governamental, como terá acontecido com Bernardo Bairrão.Isto é mesmo assim? Ninguém chama ninguém à AR? Os serviços de fiscalização dos serviços de informação não dão de si? Ou também há relatórios sobre os membros que devem fazer essa fiscalização?

sábado, 16 de julho de 2011

O PS em debate

Hoje no Correio da Manhã foco a atenção nas eleições para SG que estão a decorrer no PS.Embora esteja distanciado da vida interna do partido, não concordo com a subalternização destas eleições na agenda política.É verdade que tudo indica que o PS será oposição nos próximos dois anos.Mas estas eleições são as mais abertas no interior do PS desde a axial de 1992-há vinte anos!- entre Guterres e Sampaio.Desde a sucessão de Guterres em 2002 que a a oligarquia formada no guterrismo governamental indicava uma espécie de candidato oficial com vitória amplamente assegurada.
A desvalorização do actual acto eleitoral é pois ssuspeita e não tem em conta a meta que Mário Soares apontou ao PS de se refundar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Os novos fracturantes

O Homem Novo desta maioria viaja em económica, não usa gravata para agradar ao Ambiente, e leva a namorada na mota à praia ao fim-de-semana.Cada um tem a agenda fracturante que está ao seu alcance.Parabéns ao Alberto de Carvalho.Percebeu antes de todos aquela coisa da gravata e do ar condicionado nos estúdios de televisão.

Onde devia ter sido apresentado o corte no subsídio de Natal?

Alguém devia ter explicado ao primeiro-ministro que o corte no subsídio de Natal não era uma mera hipérbole literária como o termo «colossal», e que mais valia( perdão, não é essa!) ter esperado pela proposta orçamental, mesmo que rectificativa, sobre os vencimentos da função pública para apresentar essa meta.Teria sido mais transparente e rigoroso.O que temos agora é o alastramento da injustiça, coberta com mais uns milhões de receita fiscal.Como sempre só paga o Terceiro Estado...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Impostos a olho

Anuncia-se uma grande trapalhada com a fórmula «técnuca» que dará corpo ao acrescento tributário anunciado por Passos Coelho na parte livre da sua intervenção no programa do governo.Será assim a metodologia trifásica: trapalhada, desigualdade, inconstitucionalidade?

Preocupações de um benfiquista

A pré-época futebolística normalmente deixa-me indiferente.Mas a insistência com que os resultados do SLB na Suiça são explicados pelos erros da defesa deixa-me «menente», como se diz em S.Miguel.Bastava ter visto parte dos jogos com o Servette e o Dijon para se perceber que o problema residiu no facto da equipa ter perdido a bola a meio-campo.E sem meio campo não há defesa nem ataque...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não defendo uma agência de rating «europeia»

Admito com a maior facilidade que este «oligopólio» das agências de rating é perverso e merece estar sob suspeita.Estou à vontade porque nunca me entusiasmei quando essas agências distribuíam o triplo A a tudo que mexia em Portugal, e havia corretores a angariar clientes para estes receberem o garantido AAA com que se endividaram alegremente. Mas acrescentar a esse cortejo de encomendas mais uma «agência europeia», tão suspeita ou mais do que as instaladas, e cuja credibilidade internacional seria nula, dá a ideia da desorientação selectiva de que alguns responsáveis europeus dão sobejas provas.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Agências de Comunicação

Manuel Maria Carrilho, agora ilibado num processo judicial pela Relação de Lisboa, chamou estridentemente a atenção para a existência das «agências de comunicação», levantando questões pertinentes sobre o modo de funcionamento dessas agências, no seu livro Sob o Signo da Verdade. Todos os agentes agiram como se o problema não tivesse sido levantado, desde o legislador aos directores de jornais, desde os jornalistas e seus órgãos representativos à ERCS.Todos preferiram tolerar a obscuridade do tema.Cheguei a sugerir que os órgãos de comunicação social procedessem similarmente como é uso quando se citam as
agências de informação, tipo Lusa, AFP, Reuters, etc e que revelassem a matéria que lhe é fornecida pelas agências de comunicação, do tipo daquelas «pessoas colectivas» que Manuel Maria Carrilho atacou.Mas ninguém pegou na ideia...Era só um pequeno passo!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Festival Internacional de Teatro de Almada

Regressado doa Açores mergulhei ontem no Festival de Teatro de Almada, cuja 28ª edição se prolonga até dia 18 deste mês, sob a orientação segura do Joaquim Benite.Recomendo a todos.Só a cultura nos salvará.

domingo, 10 de julho de 2011

Semana Cultural em Ponta Delgada

Acabo sempre as minhas aulas no Mestrado de Relações Internacionais naUniversidade dos Açores com uma semana de sessões em que são apresentados e discutidos os trabalhos dos mestrandos.É um momento forte dessas post-graduações, tendo já citado alguns desses trabalhos no meu recente livro sobre
Os Açores na Política Internacional.Desta vez essa semana coincidiu com uma série de realizações culturais nas noites de Ponta Delgada.Tudo começou com uma peça muito original de teatro do grupo Despe-te Que Suas, Credos, na Galeria Arco 8, com encenação de Nelson Cabral.Depois fomos à Galeria Fonseca Macedo ver a exposição de Urbano, o pintor de o Terceiro Dia , centrado sobre a criação do Mundo.E a Maria Emanuel Albergaria entreabriu-nos as portas da sua instalação Uma Casa na Floresta que estará aberta ao público a partir de 19 de Julho.Qualidade criativa insular.Uma semana ímpar.

sábado, 9 de julho de 2011

Murros no estômago

No CM já havia alertado Passos Coelho para a excessiva frequência com que apresentara um «rápido regresso aos mercados» como um dos seus principais objectivos de governo.Não perceber que o actual mercado financeiro global está orientado para se refinanciar da crise de 2008 espremendo ao máximo os produtos relacionados com as dívidas soberanas, é nada entender do que se está a passar.Os agentes dessa estratégia levarão esse refinanciamento até às fronteiras do insuportável e da tranquilidade internacionais.O resto é ideologia e ilusionismo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Manifestações de repúdio

Sou do tempo em que Cavaco Silva achava que não valia a pena lançar anátemas sobre os mercados e seus agentes. Mas desde que a Moody's deu um soco no estômago de Passos Coelho as «forças vivas da nação» perderam as estribeiras e lançaram-se na senda das manifestações de repúdio, uma velha tradição. Mudar de estratégia nem lhes passa pela cabeça.Preferem dar com ela na parede.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em Memória de Maria José Nogueira Pinto

Conheci melhor Maria José Nogueira Pinto quando coincidimos como deputados na Assembleia da República.Mesmo exibindo com garbo a sua forte ideologia, era fácil dialogar , e até dava prazer terçar armas com ela. Lembro-me particularmente de uma viagem presidencial com Jorge Sampaio à China em que Maria José, sempre Senhora, conviveu com alegria com a comitiva, chegando a tomar a iniciativa de ir buscar o deputado comunista Octávio Teixeira para dançar no histórico Hotel da Paz em Xangai.Era uma realizadora, uma qualidade rara entre nós.É inesquecível, pela personalidade,pela acção, por algumas frases escolhidas arrazadoras para os adversários.Tudo nos separava, mas com alguma simetria.Não quero também esquecer a sua Família neste momento.

O clero paga imposto sobre o subsídio de Natal?

Acabo de ouvir D. José Policarpo, presidente da Conferência Episcopal, bordar sobre a taxa que vai recair, em sede de IRS, sobre os portugueses que recebem subsídio de Natal.Desconheço se o clero ficará abrangido pelo imposto, ou se fica ao abrigo de algum normativo da Concordata.As tolerantes declarações do Cardeal mereciam que alguém da Igreja esclarecesse qual o esforço fiscal dos seus membros na actual conjuntura portuguesa.Deduções incluídas.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Pilar da ponte do tédio

Fernando Nobre estava posto em sossego no seu «pilar da cidadania» quando saltou para o pilar das candidaturas altas: à presidência da República, à liderança da lista do PSD por Lisboa, à presidência da Assembleia da República.Do alto do seu pilar da soberba humana acaba de renunciar ao mandato de deputado com indisfarçável desdém pelos seus eleitores e pares.Ninguém saberá o que se chocava num ovo de cuco como este.Mas houve várias chocadeiras na ascenção e queda de Fernando Nobre entre o pilar da cidadadia e o pilar do tédio.

domingo, 3 de julho de 2011

Affaire Dreyfus em New York?

A rocambolesca prisão de DSK a bordo de um avião no aeroporto Kennedy, a pressa com que o puritano FMI aceitou o pedido de demissão do detido sem culpa formada, o facto da sua substituição por Madame Lagarde ter ocorrido um dia antes da sua libertação por iniciativa do Procurador do Estado de NY, o contra relógio em andamento para as primárias socialistas em França, tudo isso concorre para alimentar as teorias da conspiração num caso desses.Agora que a espionagem militar perdeu o seu glamour infamante o Affaire Dreyfus regressa na versão emocional e internacional da «guerra dos sexos»?

sábado, 2 de julho de 2011

O trifásico Passos Coelho

O País Quer Acreditar é o título do meu artigo hoje no Correio da Manhã.Embora os primeiros sinais de Passos Coelho não sejam animadores os portugueses ainda acreditam que podem sair por cima deste aperto. O primeiro-ministro tem agido num registo quase permanente de ensaio, erro, e correcção. Também se pode ver em tudo trapalhadas: no organograma do governo, nos governos -civis sem governadores e sem lei, na fiscalidade ad-hoc, cuja «tecnicidade» fica entregue à intendência. O «princípio da precaução» aplicado à invasão de metade do território do subsídio de natal é o equivalente interno à «guerra preventiva» internacional.Um abuso de direito.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Qual é a lógica?

Leio que nem o BE nem o PCP avançam com qualquer moção de censura ao programa de governo, mesmo tendo em conta o anexo A ao programa apresentado sobre a tributação atribulada do subsídio de Natal em sede de IRS, uma confusão «técnica» não muito longe da inconstitucionalidade.Não percebo.Sem compromissos com o programa da troika, tendo votado contra o último PEC, não defrontando sequer o mínimo risco de queda imediata do governo, qual é a lógica da desistência daqueles partidos que contribuíram para as eleições antecipadas?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Menos Estado, mais contribuintes

Menos Estado, mais contribuintes, uma síntese dos «novos tempos» em Portugal?

«Este é um Tempo Novo»

Ouço mais uma vez na apresentação de um programa de governo na AR a expressão bíblica sobre a chegada «de um tempo novo».É uma pretensão messiânica sempre desmentida pelo século político.Nada cai do céu.Por muita fé que se exiba.Não é por aí o caminho da verdade.

Perdas e ganhos

Dois articulistas do Correio da Manhã foram chamados ao governo de Passos Coelho:Paula Teixeira da Cruz e Francisco José Viegas, que assim interropem a respectiva colaboração naquele jornal que operou uma revolução silenciosa no seu corpo de opinião nos últimos anos.No caso de Francisco José Viegas fica a esperança, ténue, que mantenha a Origem das Espécies.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Nuno Gomes entregue ao Sporting de Braga

Há dois anos que Jorge Jesus queria ver Nuno Gomes pelas costas.Talvez porque o antigo capitão não oferecesse mais valias, talvez porque marcasse golos sem ser de livre ou de pénalti, havia qualquer coisa que não entrava nos esquemas laboriosos e artificiosos do actual treinador.
Tudo indica que Nuno Gomes vai fazer a próxima época no Braga.É uma opção racional em termos dos seus objectivos desportivos: marcar golos e manter-se no radar dos selecionáveis.Só merece a maior sorte na continuação da sua carreira de desportista.

terça-feira, 28 de junho de 2011

São tudo independentes?

Além do recrutamente intensivo em faixas etárias post-estágio, a coligação apresenta um número elevado de governantes independentes. Mas serão tudo independentes, ou há muito pessoal que apenas desesperava de ver os partidos de direita na oposição sem valimento político ?

11-25-35 (36)

Sempre achei um problema mal posto aquele do número de ministros, ministérios com leis orgânicas, secretários de Estado com conta peso e medida.Mas já que o primeiro-ministro deu tanta guita à questão quando o número de secretários de Estado estava fixado em 25, não nos quererá dar uma palavrinha sobre a derrapagem em mais de dez figuras dessas? Em termos de leis orgânicas que seja.Ou de qualquer critério que leve a eliminar a nomeação de um Secretário de Estado sem se dar pela sua substituião.Qualquer coisa que nos oriente, enfim.E seja tangível.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Vindo do Canadá para a feira do artesanato

O ministro Álvaro Santos Pereira gravou o seu nome proprio na visita que fez a uma feira do artezanato.Impressionado com a informalidade com que certos professores universitários, no estrangeiro, se apresentam aos estudantes , declinando o seu nome próprio, e tendo constatado ,com naturalidade, que o seu ainda não era conhecido na feira, ergueu bem alto o de Álvaro.Esse nome já o ganhou.Politicamente.O de ministro segue imediatamente.

domingo, 26 de junho de 2011

A demência da Europa

Todos os últimos conselhos europeus podem ser contados assim: “Correu muito bem porque não somos a Grécia. Os nossos parceiros fizeram-nos muitos elogios. Ainda assim, devem ser aplicadas medidas adicionais.” Ou seja, não foi surpresa ver Passos Coelho a afirmar que “do ponto de vista de Portugal não podia ter corrido melhor” enquanto, simultaneamente, anunciava um novo PEC.

Mas nesta reunião havia alguma coisa que poderia dar para o torto para o “nosso lado”? Mesmo que houvesse, não são os sorrisos de Merkel ou as palmadinhas de Sarkozy que resolvem o que quer que seja. Ou já esqueceram as loas da Alemanha a Sócrates? Face aos programas de austeridade, os líderes europeus batem sempre palmas. As questões surgem depois: quando se trata de os executar. Sobretudo, de avaliar os seus resultados. Enfim, “A UE parece ter adoptado uma nova regra: se um plano não está a funcionar, é preciso cumpri-lo.” Quem o diz não é um perigoso radical extremista de esquerda. É a insuspeita revista The Economist, que acrescenta que “O estado de negação da Europa tornou-se insustentável”. Exacto. É esse estado que faz com que os conselhos europeus sejam sempre um sucesso. E que seja a realidade a falhar.

Publicado no Correio da Manhã

sábado, 25 de junho de 2011

Primeiros Passos

Passos Coelho foi debutar a Bruxelas, um clube onde se dança cada vez menos.O entusiasmo pelas cimeiras atingiu o seu ponto mais baixo, e todos calculam apenas como podem perder o menos possível.A presença de Passos Coelho só pode ter contado para a fotografia.Daqui a dias já ninguém quer ser tradado por tu nessas andanças.Os Primeiros Passos do primeiro-ministro apenas indicaram uma mudança interna na hierarquia do PSD, e uma enorme vontade de desmantelar o Estado português como ele se foi construindo desde a Regeneração.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aos comandos do Estado de Direito

Estes tempos vão obrigar a grandes cautelas sobre o respeito das normas do Estado de Direito.Não é só o programa da troika que pode trazer problemas. Alguém terá de cuidar de limpar os pés do primeiro.ministro depois do anúncio deste de que não nomeará governadores civís.Ficamos com os secretários, uma versão «classe económica» da administração? Mas é só isso?Ou apenas coisas mal-feitas?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Uma viagem em económica

Não me impressiona nada que Passos Coelho queira viajar em económica.Acho pouco adequado, é tudo.As condições oferecidas pela TAP são cada vez piores para o geral dos passageiros nessa classe geral.Já não há refeição quente, e se o primeiro-ministro se defrontar com um obeso como parceiro de viagem, fica mais amachucado do que o normal.Admito que ele vá a Bruxelas tratar dos interesses nacionais num tom mais autêntico do que as arengas paternalísticas de Durão Barroso.Tenho por isso o direito de exigir boas condições de circulação de oxigénio na cabecinha do primeiro-ministro antes das cimeiras em que participa para defender um país frágil.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Assunção Esteves não é só uma Mulher

A eleição de Assunção Esteves constituíu uma expressiva vitória de Passos Coelho, depois do imbróglio Fernando Nobre.Como não podia deixar de ser o facto de se ter pela primeira vez uma Mulher na presidência da Assembleia da República concentrou os comentários do dia.Mas convém ver mais fundo. Com essa escolha da transmontana, sua patrícia, Passos Coelho salta por cima dos «senadores» insulares, e reformula uma nova hierarquia no interior do PSD, com expressão institucional.Ser mulher apenas ajudou à operação.

Índice de situacionismo

A mentalidade Situacionista faz Portugal chegar tarde a tudo, e da pior maneira, como se ningém tivesse culpa de nada.Felicito pois o Pacheco Pereira por manter o seu Índice de Situacionismo nesta nova legislatura.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Não houve novidade nos discursos

Não me parece que os discursos da Ajuda tenham saído do registo dos últimos meses.Talvez o Primeiro-ministro tenha dado um passo arrojado com aquela ideia de promover um movimento para os cidadãos se libertarem das teias em que o Estado os envolve , e que pelos vistos os embaraçam nos seus movimentos empreendedores.Mas talvez seja melhor assegurarem-se dos novos estímulos que o Ministério da Economia dispensará à coluna de voluntários...

FALSA PARTIDA

Não se sabe como é que realmente foram as negociações entre PSD- CDS. Certo é que relativamente ao substantivo assunto da segunda figura de Estado, não correram bem, talvez porque as contrapartidas exigidas por Paulo Portas fossem onerosas. Mas, depois de Passos Coelho ter prometido a presidência da Assembleia da República a Fernando Nobre, em troca de o médico encabeçar a lista por Lisboa, uma coisa ficou demonstrada: antes de ganharem nas urnas, já os sociais-democratas se julgavam proprietários do aparelho de Estado, prometendo lugares. Ainda por cima, fazendo essa oferenda a pessoas sem o perfil certo. Afinal, como é que alguém com um passado político incoerente, sobre quem pairará sempre a dúvida de franco-atirador, que conquistou votos com um discurso anti-partidos e não tem experiência parlamentar, pode presidir aos respectivos trabalhos e substituir o Presidente da República em caso de impedimento ou vacatura do cargo?

Como Nobre não se afasta pelo seu próprio pé, é assim que Passos Coelho começa. Mal. Inicia rompendo com uma boa tradição de presidência da Assembleia da República e arriscando uma derrota política. Nobre e Passos Coelho desqualificaram o parlamento e expuseram-no a uma humilhação. Agora poderão ser eles os vencidos e vexados. Azar.

Publicado no Correio da Manhã.

Assunção-um nome que leva ao céu

Se há nomes que marcam «gerações»-um produto na moda- vamos entrar na era das Assunções.É meio caminho para o céu...

Alguém sabe a quanto monta a cláusula de rescissão de Jorge Jesus?

Antes que a política tome conta dos noticiários, alguém sabe a quanto monta a cláusula de rescisão de Jorge Jesus?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Uma velha regra em vigor

Lembrei-me agora daquela sábia prevenção aos incautos: há convites que mais obrigam quem os recebe de quem os faz.

Quanto vale o partido mais votado?

Os «institucionalistas» inventaram que o PSD tinha o direito a indicar o nome do Presidente da Assembleia República.É uma posição simples que os deputados da maioria não seguiram para além de um número insuficiente.É tudo muito institucional, mas o que está em causa é se se vai formar rapidamente uma nova oligarquia indicada pelo «chefe», ou se os deputados da maioria vão marcar pontos, mesmo que a lógica seja meramente parlamentar.Que é como quem diz «institucional». mas não no sentido de uma disciplina concertada por «coteries».Uma maçada para futuras negociações« entre poucos». como diria um fundador da democracia moderna, Madison...

Gosto