quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O voto no orçamento como salamaleque
O PS fez muito mal em abster-se na generalidade, e fará ainda pior em abster-se na votação geral final do orçamento remendado. Como escreve hoje Eduardo Cabrita no Correio da Manhã, «O governo de Passos Coelho fez quase tudo para não merecer a abstenção do PS». Ora se fez. Fez tudo e mais alguma coisa. Moral da história: o voto no orçamento não pode ser um salamaleque político.
Estados democráticos sob protectorado ditatorial?
Ontem, numa conferência internacional promovida por Eduardo Paz Ferreira sobre os 25 Anos de Adesão de Portugal à Comunidade Europeia, Freitas do Amaral fez uma intervenção extremamente dura sobre o papel«ditatorial» de Merkel e de Sarkosy na condução da crise do continente. E considerou que o funcionamento da dupla não tem base legal para actuar assim.
Além de não apresentarem verdadeiras soluções para o impasse monetário da zona euro...
Além de não apresentarem verdadeiras soluções para o impasse monetário da zona euro...
domingo, 27 de novembro de 2011
Eu e o Fado IV
Contei na altura à Margarida Figueiredo as minhas deambulações pelo mundo das casas de fado. A Margarida, com o seu «franc-parler», costumava avisar os amigos que estavam a baixar a guarda das suas exigências dizendo-lhes que estes pareciam a Amália a cantar «A casa da Mariquinhas». Perguntei-lhe«Mas, sem ser a Amália, quem é o nosso melhor fadista actual?». E a Margarida, firme, respondeu-me :.«O Carlos do Carmo».Ainda hoje ouço o Carlos do Carmo.
Confesso que me esforço por conhecer os novos valores e tons do fado, embora me esteja a distanciar dele, no exacto momento em que é consagrado pela Unesco.
Confesso que me esforço por conhecer os novos valores e tons do fado, embora me esteja a distanciar dele, no exacto momento em que é consagrado pela Unesco.
Eu e o Fado III
Quando cheguei a Lisboa as «avenidas novas» haviam-se deslocado mais para cima, e chamavam-se Avenida de Roma e dos EUA. Ainda fui a uma ou outra «casa de fado», mas, no género, gostava mais da variedade da «revista à portuguesa», e confesso que o Toni de Matos passou a ser para mim uma referência mais apelativa do «pathos» lisboeta.
Só voltei a entrar em casas de fado depois do 25 de Abril, no meio do anátema que já varrera o «nacional-canconetismo». As salas estavam praticamente desertas, os fadistas descriam do futuro, mas a comida melhorara.Há uma fotografia tirada na «Severa», que já apareceu numa entrevista pessoal do Artur Santos Silva, em que este, o António Barreto e eu próprio- três secretários de Estado do VI Governo Provisório, do Almirante Pinheiro de Azevedo-, ceávamos depois de algum conselho de ministros mais prolongado, o que era usual nesses tempos. A fotografia não mostra a desolação do ambiente, mas queríamos dizer alguma coisa com a nossa presença.
Só voltei a entrar em casas de fado depois do 25 de Abril, no meio do anátema que já varrera o «nacional-canconetismo». As salas estavam praticamente desertas, os fadistas descriam do futuro, mas a comida melhorara.Há uma fotografia tirada na «Severa», que já apareceu numa entrevista pessoal do Artur Santos Silva, em que este, o António Barreto e eu próprio- três secretários de Estado do VI Governo Provisório, do Almirante Pinheiro de Azevedo-, ceávamos depois de algum conselho de ministros mais prolongado, o que era usual nesses tempos. A fotografia não mostra a desolação do ambiente, mas queríamos dizer alguma coisa com a nossa presença.
Eu e o Fado II
O meu primeiro encontro com o Fado foi no Teatro Vilafranquense, na ilha de S.Miguel. O teatro pertencia à família Damião que resolvera adaptá-lo a cinema no final dos anos quarenta. O filme de estreia da sala de espectáculos assim recuperada foi «Fado-História de uma cantadeira», com Amália Rodrigues e Virgílio Teixeira, tenho a certeza absoluta. Quanto ao realizador já não ponho as mãos no fogo mas desconfio que era o Perdigão Queiroga.Tinha uns oito anitos mas ainda me lembro de ver muita gente chorar com as desgraças que se passavam nas ruelas lisboetas, enquanto a «cantadeira» da história fora viver, segundo constava junto dos amigos de um inconsolável Virgílio Teixeira, «para as avenidas novas», da capital.Prometi a mim próprio tirar a limpo, quando crescesse, o que haveria de sedutor em viver na Avenida da República.
Claro, os discos de vinil venderam-se mais em Vila Franca do Campo nos tempos subsequentes, rivalizando com os programas radiofónicos do tipo «Que quer ouvir?» em que o fado campeava.
(continua)
Claro, os discos de vinil venderam-se mais em Vila Franca do Campo nos tempos subsequentes, rivalizando com os programas radiofónicos do tipo «Que quer ouvir?» em que o fado campeava.
(continua)
Eu e o Fado
Em primeiro lugar parabéns aos promotores da candidatura do Fado a património imaterial da Humanidade. Há muitos aspectos de excelência e profissionalismo na candidatura. Creio que é justo abranger nestes parabéns o Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, Carlos do Carmo, Rui Vieira Nery.Agora só espero que os outros géneros musicais sobrevivam em Portugal.Explico-me já a seguir.
sábado, 26 de novembro de 2011
Repensar Portugal
Gostei de ver Ramalho Eanes admitir, no quadro da boa-fé entre as partes contratantes, uma renegociação atempada do Memorando de Entendimento, que está a ser promovido a novo livro sagrado para analfabetos.Até porque, como escrevi hoje no Correio da Manhã, «Cada um vê os erros da troika que lhe interessam, pois eles são variados.»!
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Os mercados ingratos
A Fitch leu as previsões «heroicas« do nosso governo, e do FMI, para 2012 e lá desceu o rating de Portugal. Uma ingratidão para Passos Coelho sempre a dizer que quer «voltar aos mercados». Tenho a impressão que esse prometido regresso já não será ele.
Provocações no dia da greve
O dia amanheceu com a novidade do lançamento de dois cocktail molotov contra as instalações envidraçadas de duas repartições de Finanças da periferia de Lisboa, um serviço público por enquanto ao abrigo de qualquer plano de encerramento por parte do governo. A notícia arrastou-se pelo dia todo, embora os lançadores tenham desaparecido como os morcegos e não tenham voltado a atacar depois das 8h da manhã.Devem ter ficado a ver televisão o resto do dia.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Novo Manifesto
Sou um dos signatários do manifesto POR UM NOVO RUMO que animou a opinião de manhã à noite. Numa época de manifestos e de abaixo-assinados, como aqueles que têm vindo a aparecer nas páginas dos jornais, não deixa de ser expressiva a vasta e variada reacção que este despertou. Para uns foi uma crítica à passividade da direcção do PS, para outros uma manifestação de solidariedade para com a greve geral marcada para hoje e um aviso ao governo seguidor e acelerador de uma política de depressão económica do país. E no entanto a pulsão afectiva do manifesto dirige-se sobretudo à defesa dos aflitos e indignados como os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores precarizados, a juventude sem perspectivas e convidada a emigrar.É muita gente. é a nossa gente.
São temas de outras eras como despudoramente ouvi repetir ao longo do dia pelos modernaços do comentário? Quem dera...
São temas de outras eras como despudoramente ouvi repetir ao longo do dia pelos modernaços do comentário? Quem dera...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Luta de gerações no interior do PSD
É cada vez mais nítida a luta de gerações no interior do PSD. Passos Coelho pensa tirar partido dessa disputa dando luz verde aos talibães mais novos. Na linha de mira a desorganização do regime, e como primeiro alvo Cavaco Silva, praxado consecutivamente nas campanhas sobre rendimentos das reformas e das pensões, tendo em conta que optou por estes em detrimento do vencimento de PR, mais escasso. Manuela Ferreira Leite riposta criticando as medidas radicais de ordem económica e social.Os ressabiados internos do consulado governamental cavaquista parecem estar a levar melhor.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Nem meia-hora
Os mercados não respeitaram a meia-hora pedida por Rajoy. São mesmo mais cegos do que a Justiça...
Fernando Martins
Foi um aluno rebelde num mestrado há vinte anos. Foi um investigador infatigável, e um historiador pioneiro e original da entrada de Portugal na ONU. Um espírito livre sempre. É um dos bloggers que mais leio. Agora com nome próprio: Fernando Martins.
Não chegou a ser notícia
A vitória do PP em Espanha não chegou a ser notícia. As sondagens há muito que a anunciavam. Mais uma vez um partido do socialismo democrático imolou-se no altar das medidas adversas e seguiu um guião que não era o seu à partida. Mesmo assim o PSOE não deixa a Espanha em pior situação europeia do que a Grécia da Nova Democracia, ou a Itália de Berlusconi. Ainda por cima sai com a anulação da ETA no seu activo, pouca coisa para néscios. e em votos.
Rajoy já deu o tom do seu mandato: pediu aos mercados meia-hora...
Rajoy já deu o tom do seu mandato: pediu aos mercados meia-hora...
domingo, 20 de novembro de 2011
Uma notícia de hoje e um artigo de 10 de Novembro de 2010
O Correio da Manhã publica este sábado uma notícia na página 29 em que se anuncia que «Portugal poupa 3,5 mil milhões de euros com as novas regras» da Comissão Europeia, agora previstas para cobrir 95% do cofinanciamento comunitário nos programas do QREN. Defendi há mais de um ano, em várias oportunidades públicas, entre as quais num artigo naquele jornal datado de 10 de Novembro de 2010, que esse seria um recurso realista para permitir executar o QREN até 2013, com as verbas disponíveis no orçamento da Comissão e sem obrigar o Estado a endividar-se no mercado nesta fase. Fico satisfeito com a racionalidade da medida que ajuda ao crescimento da economia.
sábado, 19 de novembro de 2011
O «cluster» do futebol
Não me lembro do mágico Porter ter apontado o «cluster» do futebol como um dos mais consistentes pontos de apoio para a excelência em Portugal. E, no entanto, já nos anos noventa que era assim. Quando nos dias de hoje se descobre que entre nós nem dramaturgos há ( e o investimento neste campo é etéreo...) merece relevo a persistência vencedora de uma actividade que move milhões e nos coloca no cimo de qualquer triploAAA. O «cluster do futebol», no Correio da Manhã.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Os governos da Santa Aliança
A uniformização de governos e ideologias a que se assiste na UE talvez só tenha paralelo nos anos restauracionistas da Santa Aliança depois das guerras napoleónicas, com a agravante das intervenções agora serem «sem rosto». A troika substituiu a «A Santíssima Trindade»...
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A «bem da nação» e o fim do 5 de Outubro
João Duque ressuscitou o «A bem da Nação» com que a ditadura substituiu a saudação «Saúde e Fraternidade» da I República. O governo dos Álvaros quer eliminar o feriado do 5 de Outubro, o que nem o salazarismo ousou em mais de 40 anos. Percebem o sentido que tudo isto faz? Mete-se pelos olhos dentros.O primeiro a tê-los bem abertos deve ser o Presidente da República. Esta malta vai embalada...
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Reconheça-se o papel do futebol
Num país que perdeu o sentido estratégico próprio, que se abandonou ao pensamento e até ao querer de outros em domínios do seu mais imediato e fundamental interesse, a competência demonstrada na equipa de futebol nacional merece ser saudada como um estímulo para desafios mais gerais.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Eduardo Lourenço e a Pátria Utópica
Pátria Utópica, o livro de cinco exilados políticos que regressaram a Portugal depois do 25 de Abril- António Barreto, Ana Benavente, Eurico Figueiredo, Valentim Alexandre, e eu próprio- mereceu hoje uma vasta reflexão de Eduardo Lourenço. Só por isso valeu a pena publicar o livro.
Eduardo Lourenço, o nosso maior intelectual vivo, ainda não tem sucessor. Nem se adivinha outro com a mesma capacidade de pensar uma pátria. Mesmo que utópica, mesmo que mítica, mas sempre necessária.
Eduardo Lourenço, o nosso maior intelectual vivo, ainda não tem sucessor. Nem se adivinha outro com a mesma capacidade de pensar uma pátria. Mesmo que utópica, mesmo que mítica, mas sempre necessária.
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