terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando a Grécia era credora da Alemanha

É verdade que na Grécia não há «eficiência fiscal», que os grandes proprietários, entre os quais a Igreja Ortodoxa, não pagam impostos, nem há cadastro organizado-et pour cause!- e que em Atenas se arrasta os pés na execução das medidas propostas pela troika. Mas talvez se perceba melhor a má vontade da senhora Merkel se nos lembrarmos que a Grécia já foi credora da Alemanha na sequência das duas guerras mundiais, e, mais do que isso,que esteve na primeira linha dos reclamantes em 1953 , na conferência internacional de Londres que reuniu muitos dos países credores da dívida externa alemã.Insatisfeitos com o resultado, os gregos voltaram à carga até 1972, altura em que um tribunal arbitral sentenciou o assunto sem dar inteira razão a Atenas.
As voltas que a História dá...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Passos Coelho está a falar em directo do dia de Carnaval

Passos Coelho está a falar em directo na Sic-N sobre o «ensino privado». mas já conseguiu voltar ao tema da extraordinária medida que tomou, de acordo com todo o governo, de não conceder tolerância de ponto no dia de Carnaval. Temos agenda política até 21 de Fevereiro, e puxada pelo primeiro-ministro!Por mim prevejo as repartições públicas muito animadas nessa quadra com as crianças do ensino particular que devem estar em férias...

UMA GRAÇA


Vasco Graça Moura sempre se opôs ao Acordo Ortográfico. Está no seu direito É a sua opinião. Mas ser nomeado para dirigir o CCB e tomar como primeira decisão a suspensão da aplicação desse diploma já não é um direito. Vasco Graça Moura não é dono e senhor da língua portuguesa e nem sequer é o CCB. Não pode confundir a sua pessoa com a instituição que dirige nem sobrepor a sua vontade à lei. Longe vão os tempos do Rei Sol, do absolutismo, da coincidência entre o Estado e os caprichos de quem o dirige. Caso contrário, imagine o que seria se cada recém-chegado a um cargo público ordenasse que se escrevesse consoante as suas preferências, por exemplo, com esta mesma ortografia anterior à revisão de 1911.
Desobediência civil, aclamam alguns, batendo palmas. Ai, pobre Henry David Thoreau dando voltas na tumba. Só que esta decisão de corajosa ou coerente nada tem. Pelo contrário. Coragem e coerência teriam existido se o ex-deputado europeu tivesse declinado o lugar, alegando incompatibilidade entre as suas posições quanto ao AO e o exercício de um cargo público. Em si mesmo, esse seria um acto de grande pressão, legítima, sobre o governo e o parlamento para a revogação do AO. Assim, a imposição do ex-deputado europeu é mera prepotência. É este tempo. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A.J. Seguro acaba de dar um passo importante

António José Seguro acaba de dar um passo importante ao declarar que discorda do Memorando de Entendimento em vários pontos concretos, entre os quais o respeitante à lista de privatizações. Um serviço ao PS e ao País.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Cabo Sumarino regressa ao Correio da Manhã

Volto hoje às páginas do Correio da Manhã com um artigo sobre o contexto nacional e internacional da sucessão de Carvalho da Silva por Arménio Carlos à frente da CGTP. Mais basismo, mais militantes, mais luta de classes , para além da que o governo e os poderes da direcção europeia bi-acéfala impõem. Mas só quem tiver uma resposta menos sectária e mais abrangente conseguirá um novo equilíbrio estável para a sociedade nacional e internacional.

Cavaco Silva e Passos Coelho finalmente de acordo

Finalmente Passos Coelho inspira-se no cavaquismo governamental. Também ele mostra o nervo anunciando que não haverá tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval! Mas copiar não vale...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Passos Coelho desmentido pelos mestres

Poul Thomsen, o representante do FMI na troika, declarou a um jornal grego que «temos de abrandar um pouco no que diz respeito ao ajustamento orçamental e andar mais depressa na implementação das reformas estruturais», segundo o Diário de Notícias.Recessão, desemprego e crise europeia conjugam-se para alterar a medicina prescrita pela troika, defende o depositário da fórmula da austeridade.Pelo seu lado António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, prevê que será desastroso «voltar aos mercados» em 2013». Passos Coelho parece cada vez mais um daqueles soldados japoneses abandonados numa ilha sem comunicações com o exterior. Ou, como afirmou, João Rodrigues ao mesmo jornal«Quando temos um responsável do FMI e um membro de um governo nacional com os papéis invertidos, é surreal.Diz-nos que este governo é feito por gente ideologicamente fanatizada.»

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Exigir o veto presidencial ao diploma dos feriados

Sou subscritor de um abaixo-assinado de historiadores contra a proposta governamental sobre a eliminação de feriados que há-de dar entrada na AR. Espero que muitos deputados, mesmo da maioria, não deixem o seu nome associado a essa vergonha política e cultural. Mas sobretudo espero que o Presidente da República vete o diploma quando este chegar a Belém.Aqui não há estado de necessidade a invocar. Aqui só há sentido de Estado a defender.

Um social-democrata no PSD

Chegou-me ao conhecimento uma intervenção de Mota Amaral na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa na última sessão de Janeiro, em que aquele deputado do PSD e presidente da delegação parlamentar da AR, faz uma rigorosa crítica à deriva neo-liberal europeia,condena as medidas anti-sociais promovidas nos últimos anos e denuncia a cativação do poder político pelo poder financeiro. Podem-nos parecer familiares essas declarações, mas não tenho visto mais ninguém do PSD a manter a chama da social-democracia dentro e fora do País.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Estado de Direito e Direitos adquiridos

O discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, foi o mais importante dos proferidos ontem na abertura do Ano Judicial. Despido de retórica, também nisso contrastando com os demais, Noronha do Nascimento alertou para a lógica política-jurídica da afirmação oportunista e perversa de que não há direitos adquiridos. Embora o actual alvo dessa doutrina caótica sejam os direitos sociais, o alerta do Presidente do Supremo Tribunal tem toda a razão de ser como foi demonstrado pelo próprio, e eu estou há muito convicto
«Dizer que não há direitos adquiridos-produto de uma civilização avançada-é dizer que todos eles, mas todos,podem ser atingidos»
Retirei a citação do Correio da Manhã. Outros jornais não retiveram a frase nas sua reportagens ...Mas sim, é o Estado de Direito que pode estar em causa.

O nosso comissário em Lisboa

Passos Coelho empolgou-se na apresentação de mais um novo programa do PSD, jurando que aplica o Memorando de Entendimento por convicção pessoal e não por necessidade de respeitar o plano de ajuda financeira da troika.Isso no dia em que o desemprego-essa suprema forma de competitividade internacional!- ultrapassava já em Janeiro a previsão máxima do governo para todo o ano de 2012. A senhora Markel escusa de procurar outro comissário. Passos Coelho já «fez o dom da sua pessoa», como diria Pétain, para ocupar o cargo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

27, 26, 25...

A Grande Europa está a minguar. O próximo tratado não será assinado pelo Reino Unido e pela República Checa, que nunca gostaram de comissários indicados por Berlim. Depois das ratificações nacionais ainda haverá o saldo dos Estados alinhados pelo acordo circunstancial Merkel-Sarkosy. Quando a Croácia puder assinar soma-se mais um alinhado do costume.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A intersindical no seu elemento III

Arménio Carlos, o novo líder da CGTP, chega num momento agónico para o modelo de equilíbrio social em que se viveu durante trinta anos. Diga-se desde já que não foi o movimento sindical quem tomou a iniciativa de iniciar o processo de alteração das regras estabelecidas.A troika, e o governo Passos Coelho, estão num desatino sem limites. Deste ponto de vista Arménio Carlos, e o seu discurso ideológico, constituiu a resposta simétrica aos poderes ideológicos que nos governam. Ele não precisava de carregar no tópico da luta de classes. O governo já o faz. A sociedade portuguesa dará a vitória a quem for mais abrangente na resposta global aos problemas do momento, e não a quem for o mais sectário.

A Intersindical no seu elemento II

Caso a memória me não falhe, Carvalho da Silva sucedeu a José Luis Judas na direcção da Intersindical. Se, como Mário Soares me disse em 1977, Judas «era um interlocutor», os 25 anos de Carvalho da Silva vieram consolidar o papel da CGTP como central dos trabalhadores, e aperfeiçoaram o seu papel de racionalizador nas decisões sobre matérias laborais, e mesmo sociais lato senso. Os 25 anos de Carvalho da Silva também correspondem ao período de maior estabilidade da dimensão social do Estado, para além de terem acompanhado o fenómeno da integração na política europeia dentro da metodologia da concertação social e do diálogo, período agora agónico. De certa maneira Carvalho da Silva sai no fim de uma era nacional e internacional. Ele foi o garante de uma CGTP combativa e reivindicativa, mas pautada por critérios próprios de ordem e não violência.A sua sucessão merece ser analisada à parte.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Intersindical no seu elemento I

Quem conheceu a Intersindical antes do 25 de Abril sabe muito bem que ela cresceu no marcelismo apoiada por militantes comunistas, por sindicalistas católicos provenientes em grande parte da JOC e da LOC, e por quadros e juristas de Direito do Trabalho. Era uma verdadeira estrutura unitária, nos moldes da oposição ao corporativismo, à probição do direito à greve, e à repressão policial. Averbou vitórias no domínio da contratação colectiva, mesmo não estando legalizada.Conheci em Genebra alguns dos principais dirigentes da Inter no âmbito das actividades da OIT.Recordo em especial o sindicalista católico Manuel Lopes.Depois com a unicidade sindical decretada por lei, a Inter perdeu muita da credibilidade nacional que havia conquistado. Manteve contudo a matriz plural aqui assinalada, independentemente da luta travada pela hegemonia sindical. . Tem alternado coordenadores comunistas com coordenadores católicos. Carvalho da Silva conseguiu sintetizar as duas condições, num híbrido ainda pouco analisado, tendo em conta o estado voluntarioso da nossa ciência política.
A Inter volta agora, nessa espécie de pacto genético rotativo , a dotar-se de um coordenador mais ligado ao PCP, e cujo discurso e entrevistas merecem atenção.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dar força ao 5 de Outubro

Plenamente de acordo com o Tomás Vasques. Esta tontice do corte nos feriados vai levar a uma maior politização e moblização em certas datas, como o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro.Olá se vai!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um ministro fora da suas competências

Ainda ninguém do governo explicou porque a questão dos feriados está a ser tratada pelo ministro da economia, transportes,comunicações e emprego. Uma bizarria que só tem o mérito de evidenciar a mesquinhês dos objectivos nacionais da maioria. Daqui não pode sair nada de bom nem de sério sobre feriados e comunidade política. Passe a pasta dos cultos caro Álvaro.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Três governos perante a troika

A negociação entre o governo da República e o governo regional da Madeira merece mais do que um tipo de análise sobre o que está em jogo entre duas gerações de governantes do PSD. Para já nota-se um empolgamento de Passos Coelho em relação a Alberto João Jardim, que ele evita empregar com os seus autarcas endividados. Conviria perceber porquê.
Quem sai bem de toda esta história é a Região Autónoma dos Açores, cujo governo preventivamente tem apresentado as suas contas sem precisar de recorrer aos bons ofícios do governo central, bons ofícios que seriam nesta circunstânca da intervenção da troika mais do que duvidosos. Aliás nós temos em Portugal três Executivos com comportamentos políticos diferenciados em relação ao Memorando de Entendimento.Sem ninguém dar por isso.

Barcelona-Real Madrid

Um dos grandes prazeres dou últimos tempos tem sido ver os jogos de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid. Trata-se de um dos melhores espectáculos mundiais em qualquer modalidade e género. Noite de jogo é dia de reunião aqui na sala com o meu filho. Ele mais solidário com Mourinho, Coentrão e Ronaldo. Eu mais sensível ao lado identitário do Barcelona, à sua aposta na escola de formação, à sua forma colectiva de jogar sem limitar o talento individual mas sem depender de vedetas. Estava quase a desenhar o SLB dos meus sonhos...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Errar o alvo vai custar muitas moedas

Cavaco Silva, em quem nunca votei, é , neste momento, o melhor garante da liberdade possível do comunidade política portuguesa. Comete muitos erros e omissões.Mas há muito que não vejo quem possa, com influência, travar a deriva abdicacionista dos titulares nacionais perante os poderes exteriores destemperados , assim como perante os excessos governamentais e a demagogia interna . Hoje haverá uma manifestação. que vai atirar moedas ao PR. A escolha do alvo a desacreditar diz tudo sobre a leviandade política destes condutores para o abismo. Acho melhor guardarem as moedas para outros alvos, aliás mais evidentes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sem paciência

Não prestei grande atenção à inauguração de Guimarães capital da cultura.Desde os anos noventa-quando se inventou a EXPO-98 que dei um remate conceptual ao que aí vinha, englobando excelência, repetição,mediocridade, derrapagens orçamentais e salários altos sem vaias, como o dia a dia de um Portugal pais de eventos. Só a nossa incontida auto-estima não cifrada levou ao endeusamento dos seus promotores. O modelo, em moldes industriais e standartizados, até faz sentido no Portugal dos hoteis e do turismo. Mas nunca acreditei numa palavra sobre as intenções épicas desse eventos. Desejo muitas entradas e camas vendidas durante o certame. A auto-estima ficou muito cara e sem ninguém para dar a cara.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O PR paga a racionalidade orçamental

Há um ano, quando o PR optou pelas reformas a que já teve direito e prescindiu do vencimento de função, , escrevi a 27 de Janeiro que havia algo que estava errado nisso. Para mim foi sempre claro que Cavaco Silva devia ter optado pelos honorários de Presidente, tendo em conta o cargo que ocupa com as inerências que lhe são simbólicas. Ficasse a ganhar ou a perder rendimentos. Parece que os meninos da JSD, e demais frustados socias.democratas do cavaquismo governamental, conceberam uma patifariazinha para cortar nas reformas do PR.Tive pena que Cavaco Silva não tivesse mantido o ordenado dos presidentes da República. Mas ao ver a parada de ódio, demagogia e oportunismo dos nossos «opinion makers» sobre o assunto, prefiro ficar ao lado de Cavaco Silva na ocorrência. Há algo de mais são.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Descansar uns dias

Tenho andado com más cores. É um bom motivo para parar uns dias.

Esta lei do arrendamento urbano...

Esta lei do arrendamento urbano vai dar uma grande confusão. Óptima para prazos, procedimentos, impugnações, indemnizações. Um paraíso para casuísticos. Um pesadelo para as pessoas em transição.

Rúben Amorim contra a meia- hora

O caso «Rubén Amorim» prefigura uma desobediêncis civil contra a meia-hora de trabalho extra avançada pelo governo?! Mesmo que seja só a dar umas voltas para aquecer contra vontade.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Agora, o IMI

A compra de casa foi nestas últimas décadas uma forma defensiva de aplicação das poupanças individuais, uma forma em betão familiar dos certificados de aforro, hoje desaparecidos na voragem do jogo de interesses. Depois foi fomentada por uma política de crédito agressiva e a juros oscilantes. A compra de casa raramente foi um investimento visto do lado da procura, pelo menos nos últimos vinte anos. O Estado teve essa percepção que criou um imposto-o IMI- orientado para a habitação e taxou-o nessa proporção. A «troika»percebeu que havia aqui uma contribuição a explorar em países de universo fiscal reduzido ao «terceiro estado», como a Grécia e Portugal, e em breve a Espanha.
Aí está um bem não circulante, difícil de transacionar em momentos de crise. Basta subir o IMI,e a receita cai electronicamente na repartição de finanças.A menos que os hipotecados de todo o mundo vendam os seus apartamentos, não se vê bem a quem, banca incluída.Perfeita armadilha

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tolerância de ponto e tolerância de ponte

O facto do dia 25 ter sido um domingo levantou uma grande questão mal explicada e pouco comentada do espírito com que se olha para certas medidas: como passar o feriado de um domingo para um dia de semana? Pelo sossego desta manhã aqui no bairro percebi que foi a «oitava da festa» o dia escolhido para manter uma certa ordem nas coisas. Pode não haver tolerância de ponto, mas há sempre maneira de estabelecer uma tolerância de ponte

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma geração com netos

A consoada celebrava-se na casa grande da minha sogra em Campo de Ourique. Espaçosa, abrigava a geração que nos antecedeu com sobriedade republicana e abria as suas portas a um sólido núcleo familiar que não faltava às festividades da quadra compostas por um menu tradicional,e por uns «números » de entretenimento dos nossos filhos dentro de uma filosofia mais criativa do que disciplinada pela imitação. O tempo foi passando, a Mãe da Maria Emília declinando suavemente pelos seus mais do que noventa anos, recitando muitas vezes as estrofes do «D. João»de Tomáz Ribeiro que incendiara a polémica entre Antero e Feliciano de Castilho. A polémica já nada dizia aos nossos filhos, mas disse muito ao Portugal novecentista e à história dos feriados , quando estes estavam entregues a gente culta.


Após um curto período de errância sobre a nova sede da família para a reunião da consoada, ontem ter-se-à consolidado o espaço de uma sobrinha cuja prole cresce impetuosa e que deslocou a corte para algures no Alto do Lumiar. A vasta sala foi concebida para um aumento da natalidade sustentada e permitiu-me dar-me conta da plena ascenção da geração dos netos. Refira-se que o antigo apartamento de Campo de Ourique foi recordado com intensidade num filme fortíssimo realizado por um jovem da geração dos filhos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Anuário 2011

A célebre entrevista do primeiro-ministro dada aos directores do Correio da Manhã foi publicada no Anuário de 2011 desse jornal. Nesse anuário escrevo sobre a crise do euro, chamando a atenção para o facto do euro ter sido concebido como uma moeda interna ao mercado comum não estando minimamente preparada par o embate com o mercado financeiro global. A crise das dívidas soberanas europeias foi a crise da sua moeda meramente continental.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os alemães corromperam-se entre si...

Os alemães fabricam os submarinos, e depois corrompem-se entre si para os venderem ao estrangeiro próximo. No fundo fazem tudo. Os compradores só navegam...

Em Espanha, as pensões não entram nos cortes da despesa.

O governo Rajoy apresentou-se ontem ao parlamento espanhol. Anunciou cortes nas despesas do Estado mas não cortes nas pensões, honrando o contrato para os que tiveram uma longa vida contributiva. Cá é mais o género « És pensionista,então estás mesmo à mão».

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ordem para emigrar

Ordem para emigrar foi o título de um meu artigo para o Correio da Manhã, publicado a 4 de Junho deste ano, em que analisava a economia social patente do «Memorando de Entendimento», assim como os mecanismos de mercado da zona euro. Mas nunca pensei que o governo tivesse de explicitar essa ordem imanente ao sistema. Pois Passos Coelho ontem, também no Correio da Manhã, veio seguir à letra o mandamento da circulação de pessoas para a zona especial da língua portuguesa. Desde a emigração para o Brasil, ou para África, que não se ouvia essa ladainha.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Lúcio, Sacuntala, e Álvaro Miranda

A história vista por pessoas que a viveram impede-nos de grandes arrebatamentos épicos. Só havia um goês em S.Miguel: o reputado professor liceal de matemática Lúcio de Miranda. Sempre aprumado e elegante casou com uma menina micaelense e tiveram. dois filhos O meu Pai falara-me várias vezes das perseguições que Sacuntala, mais velha do que eu, fora vítima em Lisboa. Álvaro era da minha geração liceal. Um dia o Drº Lúcio de Miranda desapareceu de Ponta Delgada. Constara que era um defensor da independência de Goa, Damão e Diu. Recentemente soube pelas memórias da filha que, asilado em Londres, comoveu-se deveras com a a invasão de Goa há 50 anos.Dias depois caiu doente na cama. Morreu sem regressar a Goa.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Leis transaccionáveis

Na minha rubrica Cabo Submarino no CM aponto as consequências mercantis da compra a eito de câmaras de videovigilância, dado que a autorização meramente governamental se for genérica será muito flexível e amiga da indústria e se for casuística será muito clientelar. Abre-se assim caminho para um grande negócio.

Cerimónia de posse do novo Reitor da UA

Na minha qualidade de presidente do Conselho Geral da Universidade Aberta proferi um discurso sobre o papel dos conselhos gerais na governança universitária, e a ajuda que tem dado na ultrapassagem da proclamada endogamia dos estabelecimentos de ensino superior. Mas a verdadeira prova dessa evolução deveu-se à eleição do novo Reitor. o Professor Paulo Dias, provindo da Universidade do Minho.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eduardo Lourenço-Prémio Pessoa

Já houve de tudo na atribuição do Prémio Pessoa inventado pelo Expresso: amiguismo,snobismo, intriguismo, oportunismo, e algumas distinções adequadas. O prémio hoje atribuído a Eduardo Lourenço, no ano em que a Gulbenkian está a publicar a obra completa do grande ensaísta, redime muitos pecados cometidos em Seteais.

A ligação siamesa entre credores e devedores

Uma das irracionalidades do actual estádio da resolução do problemas das «dívidas soberanas» reside na ausência de diálogo e negociação, directa ou mediada, entre credores e devedores.Foi uma das boas práticas que permitiu ultrapassar muitas situações semelhantes no século XX, mas que nesta emergência foi afastada, pela apatia dos governos e pela natureza dos seguros financeiros derivados. Só a senhora Merkel tentou chamar à razão os credores, e de certa maneira conseguiu o seu contributo relutante no caso da Grécia. E no entanto não se vê outra maneira realista para salvar o funcionamento da economia europeia.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Que nome para as câmaras de video-vigilância?

Vem aí mais um gordo negócio: a venda de câmaras de video-vigilância em cada esquina, e até nas florestas desabrigadas. Nem falo na questão da protecção de dados, pois não vale argumentar com quem não conhece a questão.Remeto para o Tribunal Constitucional essa vigilância. Gostava era de dar um nome aos aparelhos que vão entrar na proximidade das nossas vidas. Proponho Pina Manique ou angélicas...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A caminho do Prémio Nobel nas ciências

Depois de ter visto ontem parte do programa da RTP sobre a Educação Superior é legítimo ficar à espera de um prémio Nobel para as ciências em Portugal. Já houve um em Medicina sem tanta parceria...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Do «Directório» ao «Eixo»

Não tem sido muito analisado a passagem do Directório Europeu, composto teoricamente pela Alemanha, França, Itália e Reino Unido, para o Eixo Berlim-Paris. Mas foi uma operação que ocorreu sob os olhos de centenas de especialistas: a Itália foi eliminada por más contas, o Reino Unido por não pertencer à zona euro. A Espanha nunca fez verdadeiramente parte. O próximo candidato ao directório é a Polónia.Veremos o que lhe acontece.
Já nem falo das instituições comunitárias nesta fase aparentemente inter-governamental.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Luis Francisco Rebelo

Em 1959, Cerqueira da Rocha,um estudante da Faculdade de Direito de Lisboa que fora colocado em S.Miguel no tempo do serviço militar obrigatório, travou conhecimento comigo e emprestou-me vários livros que trouxera para ocupar as horas livres. Um deles foi a «História do Teatro Moderno» de Luis Francisco Rebelo, recém editado por um Círculo do Livro entretanto desaparecido. Essa obra, de vasta respiração cosmopolita, foi um clarão nos meus horizontes insulares. Na altura só havia livros, cinema, rádio e alguma música nos concertos da Pró Arte para um adolescente interessado na cultura. O teatro era raro e distante. Pois apaixonei-me por essa forma de expressão, na sua versão literária. Mais tarde, em Maio de 1961, fui prendado com um prémio de Teatro nuns jogos florais estudantis da Universidade do Porto.E frequento com persistência as salas de teatro ainda hoje. Devo essa paixão ao livro de Luis Francisco Rebelo.Lembrei-me disto na hora da sua morte.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os tratados maltratados

Do que escrevi abaixo infere-se o título do meu artigo para o CM
-Tratados Maltratados.
A única nota relativamente positiva da cimeira foi o papel atribuído ao BCE na gestão do do FEEF e do futuro Mecanismo de Estabilização Financeira. O resto é conversa.

O Direito na Cimeira

O Direito não esteve ausente das preocupações da cimeira. Nem sempre da maneira mais simples. Vejam este trecho da Declaração Final dos Chefes da zona euro.
«Algumas medidas acima descritas podem ser decididas através do direito derivado.(---)as outras medidas devem fazer parte do direito primário. Dada a falta de unanimidade entre os Estados-membros da UE decidiram (os chefes...) adoptá-las por via de um acordo internacional a assinar em Março, ou em data anterior. O objectivo continua a ser incorporar essas disposições nos Tratados da União o mais rapidamente possível».
Isto promete.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Uma adesão sem Hino da Alegria

A Croácia lá assinou, depois da Eslovénia mas antes da Sérvia, o seu tratado de adesão à UE. Teve grandes apoios fácticos que não chegam para resolver os problemas europeus mas chegam para estes «pequenos passos».O ambiente actual não condiz, no entanto, com a vibração do Hino à Alegria...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Falta de sorte

A UE teve muita falta de sorte com a concidência das lideranças em Berlim e Paris. Ainda por cima dão o seu pior quando começam a dispor das regras para novos tratados. O de Lisboa, assente no receio da participação cidadã, infelizmente seguido cegamente pelos pacientes dos costume, não resistiu aos seus favores mais de um lustre, e a bem dizer nunca chegou a entrar em vigor.Agora querem outro para judicializar os termos já expressos do Pacto de Estabilidade que, sem outras medidas, está na base da actual desgraça económica europeia. Tudo isto é frouxo, tudo isto é triste.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um empresário verdadeiro

Nas páginas interiores do jornal Público o empresário Rui Miguel Nabeiro perante uma pergunta do jornalista responde «Não vamos resolve o problema de uma economia tornando as leis laborais mais flexíveis».
É desta maneira que se percebe quais os empresários que têm futuro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Marcelo faz doutrina sobre grupos parlamentares

De regresso de uma ida a Vila Real e ao Porto para apresentar, com Eurico Figueiredo e António Barreto, o livro A PÁTRIA UTÓPICA, apanhei na TVI Marcelo Rebelo de Sousa a dissertar sobre como deve um líder partidário lidar com o seu grupo parlamentar, no caso em apreço António José Seguro e os deputados socialistas. O professor, que antes havia mergulhado no emergente mundo da assistência social com imensa piedade, mostrou-se um Torquemada a inspeccionar a declaração de voto do grupo parlamentar do PS contaminada pelas doutrinas dissolutas da colegialidade, filhas de um início de século desvairado . E o do PSD só se salvou porque os deputados da Madeira não fizeram fitas no orçamento, embora possam ter feito figas. Está imparável o comentador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os sindicatos ressuscitam na Grã-Bretanha

A nossa comunicação social não está a prestar atenção aos movimentos sociais na Grã-Bretanha, com greves e manifestações de uma amplidão sem precedentes. Já se fala numa ressurreição dos sindicatos britânicos refeitos dos anos Thatcher-Blair. Há quem passe e há quem fique.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O último Primeiro de Dezembro?

Afeiçoei-me ao Primeiro de Dezembro. Sempre achei que tinha, mais tarde, poupado umas bombas na península, e dispensado os nossos estimados escritores de serem bilingues como Don Francisco Manuel de Melo. Podia não ser feriado, como o dia da batalha de Aljubarrota não o é. Tornou-se aliás um feriado envergonhado depois da queda da dinastia de Bragança e do fim bélico do Estado Novo. Creio que só os funcionários públicos o respeitam hoje em dia, e o homem dos jornais aqui do bairro. Temo é que o espirito de independência dos portugueses seja substituído por uma qualquer campanha publicitária sobre a auto-estima da produtividade. Já vejo candidatos laboriosos e bem pagos para o efeito.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O voto no orçamento como salamaleque

O PS fez muito mal em abster-se na generalidade, e fará ainda pior em abster-se na votação geral final do orçamento remendado. Como escreve hoje Eduardo Cabrita no Correio da Manhã, «O governo de Passos Coelho fez quase tudo para não merecer a abstenção do PS». Ora se fez. Fez tudo e mais alguma coisa. Moral da história: o voto no orçamento não pode ser um salamaleque político.

Estados democráticos sob protectorado ditatorial?

Ontem, numa conferência internacional promovida por Eduardo Paz Ferreira sobre os 25 Anos de Adesão de Portugal à Comunidade Europeia, Freitas do Amaral fez uma intervenção extremamente dura sobre o papel«ditatorial» de Merkel e de Sarkosy na condução da crise do continente. E considerou que o funcionamento da dupla não tem base legal para actuar assim.
Além de não apresentarem verdadeiras soluções para o impasse monetário da zona euro...

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu e o Fado IV

Contei na altura à Margarida Figueiredo as minhas deambulações pelo mundo das casas de fado. A Margarida, com o seu «franc-parler», costumava avisar os amigos que estavam a baixar a guarda das suas exigências dizendo-lhes que estes pareciam a Amália a cantar «A casa da Mariquinhas». Perguntei-lhe«Mas, sem ser a Amália, quem é o nosso melhor fadista actual?». E a Margarida, firme, respondeu-me :.«O Carlos do Carmo».Ainda hoje ouço o Carlos do Carmo.
Confesso que me esforço por conhecer os novos valores e tons do fado, embora me esteja a distanciar dele, no exacto momento em que é consagrado pela Unesco.

Eu e o Fado III

Quando cheguei a Lisboa as «avenidas novas» haviam-se deslocado mais para cima, e chamavam-se Avenida de Roma e dos EUA. Ainda fui a uma ou outra «casa de fado», mas, no género, gostava mais da variedade da «revista à portuguesa», e confesso que o Toni de Matos passou a ser para mim uma referência mais apelativa do «pathos» lisboeta.
Só voltei a entrar em casas de fado depois do 25 de Abril, no meio do anátema que já varrera o «nacional-canconetismo». As salas estavam praticamente desertas, os fadistas descriam do futuro, mas a comida melhorara.Há uma fotografia tirada na «Severa», que já apareceu numa entrevista pessoal do Artur Santos Silva, em que este, o António Barreto e eu próprio- três secretários de Estado do VI Governo Provisório, do Almirante Pinheiro de Azevedo-, ceávamos depois de algum conselho de ministros mais prolongado, o que era usual nesses tempos. A fotografia não mostra a desolação do ambiente, mas queríamos dizer alguma coisa com a nossa presença.

Eu e o Fado II

O meu primeiro encontro com o Fado foi no Teatro Vilafranquense, na ilha de S.Miguel. O teatro pertencia à família Damião que resolvera adaptá-lo a cinema no final dos anos quarenta. O filme de estreia da sala de espectáculos assim recuperada foi «Fado-História de uma cantadeira», com Amália Rodrigues e Virgílio Teixeira, tenho a certeza absoluta. Quanto ao realizador já não ponho as mãos no fogo mas desconfio que era o Perdigão Queiroga.Tinha uns oito anitos mas ainda me lembro de ver muita gente chorar com as desgraças que se passavam nas ruelas lisboetas, enquanto a «cantadeira» da história fora viver, segundo constava junto dos amigos de um inconsolável Virgílio Teixeira, «para as avenidas novas», da capital.Prometi a mim próprio tirar a limpo, quando crescesse, o que haveria de sedutor em viver na Avenida da República.
Claro, os discos de vinil venderam-se mais em Vila Franca do Campo nos tempos subsequentes, rivalizando com os programas radiofónicos do tipo «Que quer ouvir?» em que o fado campeava.
(continua)

Eu e o Fado

Em primeiro lugar parabéns aos promotores da candidatura do Fado a património imaterial da Humanidade. Há muitos aspectos de excelência e profissionalismo na candidatura. Creio que é justo abranger nestes parabéns o Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, Carlos do Carmo, Rui Vieira Nery.Agora só espero que os outros géneros musicais sobrevivam em Portugal.Explico-me já a seguir.

sábado, 26 de novembro de 2011

Repensar Portugal

Gostei de ver Ramalho Eanes admitir, no quadro da boa-fé entre as partes contratantes, uma renegociação atempada do Memorando de Entendimento, que está a ser promovido a novo livro sagrado para analfabetos.Até porque, como escrevi hoje no Correio da Manhã, «Cada um vê os erros da troika que lhe interessam, pois eles são variados.»!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os mercados ingratos

A Fitch leu as previsões «heroicas« do nosso governo, e do FMI, para 2012 e lá desceu o rating de Portugal. Uma ingratidão para Passos Coelho sempre a dizer que quer «voltar aos mercados». Tenho a impressão que esse prometido regresso já não será ele.

Provocações no dia da greve

O dia amanheceu com a novidade do lançamento de dois cocktail molotov contra as instalações envidraçadas de duas repartições de Finanças da periferia de Lisboa, um serviço público por enquanto ao abrigo de qualquer plano de encerramento por parte do governo. A notícia arrastou-se pelo dia todo, embora os lançadores tenham desaparecido como os morcegos e não tenham voltado a atacar depois das 8h da manhã.Devem ter ficado a ver televisão o resto do dia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Novo Manifesto

Sou um dos signatários do manifesto POR UM NOVO RUMO que animou a opinião de manhã à noite. Numa época de manifestos e de abaixo-assinados, como aqueles que têm vindo a aparecer nas páginas dos jornais, não deixa de ser expressiva a vasta e variada reacção que este despertou. Para uns foi uma crítica à passividade da direcção do PS, para outros uma manifestação de solidariedade para com a greve geral marcada para hoje e um aviso ao governo seguidor e acelerador de uma política de depressão económica do país. E no entanto a pulsão afectiva do manifesto dirige-se sobretudo à defesa dos aflitos e indignados como os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores precarizados, a juventude sem perspectivas e convidada a emigrar.É muita gente. é a nossa gente.
São temas de outras eras como despudoramente ouvi repetir ao longo do dia pelos modernaços do comentário? Quem dera...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Luta de gerações no interior do PSD

É cada vez mais nítida a luta de gerações no interior do PSD. Passos Coelho pensa tirar partido dessa disputa dando luz verde aos talibães mais novos. Na linha de mira a desorganização do regime, e como primeiro alvo Cavaco Silva, praxado consecutivamente nas campanhas sobre rendimentos das reformas e das pensões, tendo em conta que optou por estes em detrimento do vencimento de PR, mais escasso. Manuela Ferreira Leite riposta criticando as medidas radicais de ordem económica e social.Os ressabiados internos do consulado governamental cavaquista parecem estar a levar melhor.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nem meia-hora

Os mercados não respeitaram a meia-hora pedida por Rajoy. São mesmo mais cegos do que a Justiça...

Fernando Martins

Foi um aluno rebelde num mestrado há vinte anos. Foi um investigador infatigável, e um historiador pioneiro e original da entrada de Portugal na ONU. Um espírito livre sempre. É um dos bloggers que mais leio. Agora com nome próprio: Fernando Martins.

Não chegou a ser notícia

A vitória do PP em Espanha não chegou a ser notícia. As sondagens há muito que a anunciavam. Mais uma vez um partido do socialismo democrático imolou-se no altar das medidas adversas e seguiu um guião que não era o seu à partida. Mesmo assim o PSOE não deixa a Espanha em pior situação europeia do que a Grécia da Nova Democracia, ou a Itália de Berlusconi. Ainda por cima sai com a anulação da ETA no seu activo, pouca coisa para néscios. e em votos.
Rajoy já deu o tom do seu mandato: pediu aos mercados meia-hora...

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma notícia de hoje e um artigo de 10 de Novembro de 2010

O Correio da Manhã publica este sábado uma notícia na página 29 em que se anuncia que «Portugal poupa 3,5 mil milhões de euros com as novas regras» da Comissão Europeia, agora previstas para cobrir 95% do cofinanciamento comunitário nos programas do QREN. Defendi há mais de um ano, em várias oportunidades públicas, entre as quais num artigo naquele jornal datado de 10 de Novembro de 2010, que esse seria um recurso realista para permitir executar o QREN até 2013, com as verbas disponíveis no orçamento da Comissão e sem obrigar o Estado a endividar-se no mercado nesta fase. Fico satisfeito com a racionalidade da medida que ajuda ao crescimento da economia.

sábado, 19 de novembro de 2011

O «cluster» do futebol

Não me lembro do mágico Porter ter apontado o «cluster» do futebol como um dos mais consistentes pontos de apoio para a excelência em Portugal. E, no entanto, já nos anos noventa que era assim. Quando nos dias de hoje se descobre que entre nós nem dramaturgos há ( e o investimento neste campo é etéreo...) merece relevo a persistência vencedora de uma actividade que move milhões e nos coloca no cimo de qualquer triploAAA. O «cluster do futebol», no Correio da Manhã.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os governos da Santa Aliança

A uniformização de governos e ideologias a que se assiste na UE talvez só tenha paralelo nos anos restauracionistas da Santa Aliança depois das guerras napoleónicas, com a agravante das intervenções agora serem «sem rosto». A troika substituiu a «A Santíssima Trindade»...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A «bem da nação» e o fim do 5 de Outubro

João Duque ressuscitou o «A bem da Nação» com que a ditadura substituiu a saudação «Saúde e Fraternidade» da I República. O governo dos Álvaros quer eliminar o feriado do 5 de Outubro, o que nem o salazarismo ousou em mais de 40 anos. Percebem o sentido que tudo isto faz? Mete-se pelos olhos dentros.O primeiro a tê-los bem abertos deve ser o Presidente da República. Esta malta vai embalada...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reconheça-se o papel do futebol

Num país que perdeu o sentido estratégico próprio, que se abandonou ao pensamento e até ao querer de outros em domínios do seu mais imediato e fundamental interesse, a competência demonstrada na equipa de futebol nacional merece ser saudada como um estímulo para desafios mais gerais.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eduardo Lourenço e a Pátria Utópica

Pátria Utópica, o livro de cinco exilados políticos que regressaram a Portugal depois do 25 de Abril- António Barreto, Ana Benavente, Eurico Figueiredo, Valentim Alexandre, e eu próprio- mereceu hoje uma vasta reflexão de Eduardo Lourenço. Só por isso valeu a pena publicar o livro.


Eduardo Lourenço, o nosso maior intelectual vivo, ainda não tem sucessor. Nem se adivinha outro com a mesma capacidade de pensar uma pátria. Mesmo que utópica, mesmo que mítica, mas sempre necessária.

Manifestações

Já se percebeu: as manifestações vão engrossar nas ruas de Portugal. Foram o acontecimento deste fim-de-semana e anunciam resistência à falta de folgas e almofadas. O caso dos militares merece ser tratado com cuidado. Não vejo no governo sabedoria para o efeito. Gostam de levar a eito coisas que não são para brincadeiras de adolescentes políticos.

sábado, 12 de novembro de 2011

A Igreja não se abstém

A Igreja não se abstém é o tema do meu artigo no CM. Porquê? Porque a «Mensagem Esperança em tempo de crise» é um documento impressionante na denúncia da injustiça social promovida pela crise e pelos «novos senhores sem rosto».Sendo laico não deixo de apreciar que os bispos tenham recordado a «doutrina social da Igreja», nestes tempos de caos neo-liberal. Pena que a CEP se tenha deixado arrastar para a barganha do corte de feriados. Mas sobre os feriados falaremos mais tarde.

Está tudo dito

Este orçamento foi anunciado como o« mais difícil» de sempre, mais coisa menos coisa, em termos da criação de um clima digno da «emergência nacional». Pois o debate na AR esteve longe de esgotar os tempos previstos para elucidação das dificuldades, seus remédios e medicinas alternativas. A presidente encurtou os procedimentos por falta de inscrições e antecipou para o meio-dia a votação da proposta orçamental prevista para a tarde. Está tudo dito sobre o assunto? O dramatismo da situação tornou-a inefável?

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tecnicidades

Acabou empatado a zero o jogo entre a atlética Bósnia e o Portugal tecnicista em futebol. O paradoxo residiu na péssima marcação dos cantos pelos artistas nacionais...

Almofadas...

Da discussão do OE fica-me a impressão que haverá redução do IVA para a restauração, mas que é improvável a redução dos sacrifícios para os funcionários públicos e os reformados da CGA. Curiosamente ninguém procura «almofadas» na redução das despesas do poder local. Muito podem os autarcas. Basta reparar na recente cedência do governo aos limites do endividamento das autarquias.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Menos informação no serviço público da RTP?

A constituição do « grupo de trabalho» sobre serviço público de televisão nomeado por este governo pouco ou nada teria a dizer sobre tudo o que já foi dito sobre essa matéria nos últimos 20 anos, pelo menos. Mas havia sempre a hipótese de uma boa sistematização. Mas não. Depois deste tempo todo, e das enormes certezas já manifestadas pelo ministro da tutela, parte do grupo chegou à conclusão que a RTP devia diminuir o espaço dedicado à informação! Logo onde a RTP se deve dedicar em termos de serviço público e dá cartas em termos de audiências! Mais uma gargalhada.

O CDS também se abstém na generalidade?

O silêncio do CDS desde a apresentação da proposta orçamental tem sido ensurdecedor. Ver-se-á no debate parlamentar os argumentos para o voto favorável na especialidade.Na generalidade absteve-se até agora.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Avaliar os 25 anos de adesão

O Professor Eduardo Paz Ferreira mantém uma actividade intensa na ligação da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa às questões actuais das finanças públicas e da sociedade portuguesa. Realiza uma celebração reflexiva sobre os 25 anos da adesão de Portugal à UE nos próximos dias 28, 29 e 30 de Novembro, e já há um site sobre o tema: http://www.25anosdeadesao.eu/
É para visitar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os políticos da ocasião

Em Atenas aponta-se um chefe de governo saido do mundo das organizações financeiras internacionais, ora do FMI, ora um ex-BCE, grego de aparência. Em Roma fala-se de alguém da colheita resguardada nas caves do banco central. Em Portugal ao menos ainda não se fala de ninguém do «perímetro» monetário. Só o ministro das Finanças veio de lá.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Suspender o juízo

A evolução política na Grécia tem dado os seus momentos de glória efémera a muitos comentadores. O pior são os desenvolvimentos de uma situação em plena mudança. O melhor é observar a realidade antes de a explicar.

sábado, 5 de novembro de 2011

Mais política

A UE está a precisar de mais política. Aliás ela desponta aqui e ali. A chanceler Merkel foi à cimeira do euro munida de um mandato imperativo do Bundestag. O primeiro-ministro grego pretendeu levar a referendo nacional os compromissos contraídos nela. É o regresso da política que analiso no
Cabo submarino.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Voto de confiança

Jorge Papandreou ganhou o voto de confiança que os media europeus intoxicados consigo próprios anunciavam incerto. Segue-se um complicado processo de consultas políticas para se formar um governo mais abrangente, esse sim pouco provável, tendo em conta os costumes partidários gregos, onde governo e oposição não brincam aos meninos bem comportados. A seguir por toda a UE.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PÁTRIA UTÓPICA

Já está nas livrarias e recomenda-se.  O grupo de Genebra- António Barreto, Ana Benavente, Eurico Figueiredo, Valentim Alexandre e, claro, José Medeiros Ferreira- fala do exílio. Não podia ser mais actual.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Não perder legitimidade

A UE já teve melhores dias económicos e mais prestígio internacional ( o caso da Líbia, com o assassinato de Khadafi e as suas vulnerabilidade, ainda lhe vai cair em cima). Financeiramente é o que se sabe, monetáriamente anda aos papéis, literalmente. Só lhe resta a legitimidade democrática dos seus membros para se fazer e refazer. Nada de brincadeiras proíbidas. Ao menos salvaguardar o velho espaço de liberdade e democracia.Como um santuário ortodoxo...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hoje agradeço assim

Seria uma hipocrisia dizer que os elogios não sabem bem, sobretudo quando partem de pessoas cultas e exigentes. Pois gostei especialmente do artigo de Carla Quevedo Sonhos Televisivos, no jornal Metro - e transcrito no blogue Bomba Inteligentehttp://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/ sobre o programa da TVI-24 Prova dos 9, moderado pela Constança Cunha e Sá e com a participação de Santana Lopes e Fernando Rosas. Hoje agradeço assim a apreciação que me faz.

O referendo grego era imprevisível

Confesso : previ antes de muitos o corte na dívida grega- a história ensina mais do que a economia nessas coisas-, mas o governo grego tem maiores recursos em termos políticos do que eu havia imaginado! A convocação do referendo na Grécia é mesmo um «coup de théatre» que faz de Atenas o palco inimaginável doa decisão europeia sobre o euro! Ou como diria um estratega, são os aliados mais fracos que desencadeiam as guerras...

Prognósticos só no fim

Afinal todos os peritos nacionais encartados previram o corte «inevitável» da dívida soberana da Grécia e a participação dos credores privados na solução, como Merkel defendeu isolada durante um ano, aborrecendo os mercados e a banca com a ideia ...

domingo, 30 de outubro de 2011

Passos Coelho anuncia renegociação

Afinal Passos Coelho veio dar razão a quantos consideram desejável e possível renegociar alguns aspectos do «Memorando de Entendimento», na versão Velho Testamento. Sempre abundei nesse sentido, embora desconfie do sentido para onde nos leva o primeiro-ministro. Mas era mais forte do que ele demonstrar que pode negociar melhor do que José Sócrates...

sábado, 29 de outubro de 2011

O BCE ausente da cimeira do Euro

Disserto hoje no CM sobre a cimeira do euro, na qual o grande ausente foi o BCE, embora se tenha garantido que zona monetária vai continuar com o reforço extra-comunitário do FEEF e com o ensaio do papel deste como segurador de títulos de dívida pública, para além do perdão de parte da dívida grega e da recapitalização da banca. Quanto às medidas sobre a «governação económica», europeia elas indicam um caminho mais centralista e burocrático do que federalista e político.Mas o melhor é ler o artigo.

As discussões sobre o orçamento

As discussões sobre o orçamento estão a tomar um rumo extra-parlamentar, não estão?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Que turma!

Duarte Lima, ex-líder do grupo parlamentar do PSD, foi acusado no Brasil de homicídio.Oliveira e Costa está cheio de sorte de ser arguido em Portugal, Dias Loureiro nem isso, mas foi uma espécie de chefe de turma desta geração de políticos empreendedores...Que turma!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Resultados, finalmente

Quer na terça, no ProgramaProva dos 9 da TVI-24 moderado por Constança Cunha e Sá, quer ontem na SICN no noticiário das 22h conduzido pela Ana Lourenço , defendi que esta CIMEIRA do EURO traria resultados palpáveis para a resolução da crise financeira e monetária. Muito para além do corte de 50% na dívida grega, e da participação da banca privada, do reforço do FEEF, da «governação económica» da UE, fica a certeza do empenhamento da Alemanha e da França na continuação da zona euro vinte anos depois da UEM. Essa ratificação do acordado entre Mitterrand e Khol há vinte anos recentra a UE na lógica anterior ao grande alargamento, mas tem em conta as consequências da unificação alemã entretanto desenvolvidas. Compete agora aos outros Estados membros portarem-se como adultos.Sem isso a opinião racional não vence.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em directo do Bundestag...

Várias cadeias internacionais de televisão transmitem o discurso de Merkel no Bundestag em Berlim. Ela distribui apreciações pelos diferentes Estados: a Grécia merece apoio pelo esforço dispendido, a Irlanda e a Espanha estão no bom caminho.Portugal «está convencido». Pois está.

Cimeira da zona euro

Hoje é um dia importante para a zona euro, essa moeda continental da qual fazemos parte há uma década, e que os membros do Conselho Estado ainda ontem mantinham a confusão com uma inexistente «moeda única» da UE. Aliás, o mais relevante na cimeira de hoje é a aceitação pela Alemanha de uma reunião deste género, separada das cimeiras da UE a 27. De certa maneira é um regresso a uma Europa continental sem os alargamentos a leste.Falta chegar aos resultados que possam voltar a dar ao Euro aquele papel concebido pela União Económica e Monetária depois da unificação alemã.Um teste, portanto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Subsídio de habitação

Mesmo quando fui deputado pelos Açores e havia ajudas de custo, e, depois se aprovou a adaptação fiscal na RAA que modelou em baixa o IRS, mantive a minha residência em Lisboa, onde moro há mais de 35 anos. Não precisei de guias espirituais para tomar aquelas decisões, sempre sem alarde moralista. Por isso, ao ver os ministros deste governo de principiantes a desistirem de uma subvenção de habitação a que teriam direito fiquei com pior opinião deles do que tinha antes.Porque das duas uma: ou tinham direito a essa subvenção, como outros servidores do Estado que até dependem dessas tutelas, ou nunca tiveram direito e nunca a deviam ter usufruído. Todos votam em Lisboa? Todos pagam os seus impostos em Lisboa?São todos lisboetas, afinal?

domingo, 23 de outubro de 2011

Da série, Os Caminhos da Senhora

Acabo de ver a conferência de imprensa de Angela Merkel e de Nicolau Sarkosy. Anunciaram que a banca europeia está a discutir os termos da sua participação na questão do pagamento das dívidas soberanas associada à da necessidade de recapitalização. Um caminho há muito proposto pela chancelerina. Desta vez Sarkosy achou que fazia sentido.

sábado, 22 de outubro de 2011

Mais meia-hora, menos feriados...

O governo não espera nada da inovação tecnológica, da organização e da gestão das empresas. A competitividade da economia portuguesa fica praticamente entregue à redução dos salários, à força braçal e ao arranjo dos feriados concordatários e civis. Tudo muito rudimentar neste
orçamento de principiantes, título do artigo no Correio da Manhã.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A carneirada precisa de cumplicidade

A carneirada está muito incomodada com o Presidente da Republica. Os rebanhos querem um seguro de silêncio e cumplicidade geral para o futuro das suas opções. Pelos vistos vão ter de se responsabilizar por sua conta e risco.

Teatro na Politécnica com Jorge Silva Melo

A Rua da Escola Politécnica e suas estreitas perpendiculares tornaram-se meras vias de acesso ao Bairro Alto nas noites de fim-de-semana.Pior, são a garagem dos carros sem parque nem pagamento que invadem o espaço para residentes sem contemplações .A rua tem excelentes lojas, cafés, esplanadas, padarias, antiquários, mas uma vida cultural noturna praticamente nula. Também por isso a chegada de Jorge Silva Melo e dos Artistas Unidos ao recém Teatro da Politécnica veio encher de esperança os que preferem o convívio com arte e cidadania. Ontem foi dia de estreia com uma provocação de tomo: Não se brinca com o amor, de Alfred Musset. Um divertimento que se pode levar a sério. Como o fizeram o encenador e os encenados.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O PR anda a tomar altura

Cavaco Silva está a ganhar espaço a nível externo e interno. Primeiro melhorou o seu discurso europeu, nomeadamente no respeitante ao papel do BCE na zona euro. Agora toma altura em relação ao governo do dia e à sua proposta orçamental esmagadora para a função pública.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

In Memoriam de António Praia

Faleceu António Praia, um carácter notável, cuja vontade de perfeição, de sabedoria e de justiça pude apreciar em várias fases da vida. Os primeiros discos dos Beatles ouvi-os em casa do Pai, António Borges Coutinho, em Ponta Delgada, nos primórdios dos anos sessenta quando os filhos regressaram de Inglaterra e os trouxeram como eco da modernidade. Mais recentemente António Praia foi um aluno dedicado e exemplar do Mestrado de Relações Internacionais da Universidade dos Açores, sempre presente, sempre atento, sempre participativo. Foi um universitário por gosto e opção. Estava a elaborar uma tese, que eu co-orientava, sobre a Oposição Democrática nos Açores, apoiado nos arquivos do Pai, figura chave dessa oposição. Tinha sofrido há anos um ataque de coração que lhe deixou marcas ma que ele vencia todos os dias. Até ao último.

Gosto