sábado, 25 de fevereiro de 2012

A festa mais popular

Evidencio hoje no Correio da Manhã que o Carnaval é a festa mais popular entre os portugueses. Mesmo o Santo António e o S.João não passam de celebrações regionais se comparadas com a extensão e o vigor das actividades carnavalescas no território nacional. E se olharmos para o mundo lusófono não há outra festa tão participada como esta. Se houvesse um dia da CPLP consensual esse dia seria o do Carnaval. O governo de Passos Coelho está a precisar de um antropólogo, mesmo se formado na antiga Escola Colonial, para lhe explicar que até a desautorização pública sofrida por Passos Coelho faz parte do espírito de subversão controlada da quadra. Passos colaborou sem saber porquê, e já se prepara para ter tratamento igual para o ano, segundo o evangelista Relvas

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um boa auditoria ao BPN

Não será demais indagar tudo o que possa eslarecer sobre o maior escândalo financeiro do regime. A auditoria do Tribunal de Contas é um bom método inicial. Mas ficará de fora certamente o mistério do «risco sistémico» apregoado em 2008 que cobriu a nacionalização do banco, assim como o desaparecimento desse risco por 40 milhões de euros em 2011 quando foi vendido com estímulos. No fundo, quanto custou a operação a um povo piegas, e porquê.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ordem do Dia-Um debate em crescimento

Tenha visto ultimamente com mais atenção o programa de debate da RTP-Informação-ORDEM do DIA-, moderado por Carlos Daniel e com a participação de Joana Amaral Dias, Cristina Azevedo e Paulo Rangel. O programa encontrou uma agenda, um tom, e um ritmo que fazem dele um dos melhores da televisão portuguesa.

Londres regressa acompanhada ao continente

Há três meses os continentalistas apontavam, com aquele contentamento néscio que os caracteriza, o isolamento do Reino Unido no projecto salvífico do próximo tratado sem nome, mas com calendário- a única meta que preenche essas mentes. Agora Londres, com a ajuda do primeiro-ministro italiano, reuniu à volta de um documento para- alternativo ao tratado inter-governamental de Merkel-Sarkosy, um significativo grupo de Estados membros como a Irlanda do resgate doce, a nossa vizinha Espanha das manifestações altaneiras , a latina e ladina Itália, as ortodoxas monetaristas como a Holanda e a Finlândia, as sempre resistentes República Checa e Suécia com as continhas em dia. Este grupo de aliados é mais do que uma testa de ponte política. É quase um cerco. Merkel e Sarkozy deixaram de estar à vontade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O marido da mulher de César

O jornal Público noticiou a ida de Orlando Figueira, procurador do caso «BES-Angola», para o banco BIC, uma marca angolana recentemente associada a um bom negócio unilateral com o governo português para a reprivatização do agora menos sistémico BPN. Eu até vejo com bons olhos estratégicos o entrosamento das economias luso-angolanas. Mas fico aterrado com o à vontade com que certas coisas se fazem, sem que se vejam precedentes, clima deletério, incompatibilidade legais ou funcionais, nessas transumâncias entre pastos afins. E considero demasiado desenvolta a resposta da PGR alegando que «ignora oficialmente a informação». Não se deve exigir ao marido da mulher de César menos do que se exige a esta...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Festejar 70 anos

Ontem completei 70 anos de vida. Preparava-me para uma comemoração em família quando fui conduzido por esta para a Estufa Real, onde me esperava uma multidão de amigos, mobilizada por um quinteto especial deles, Mário Mesquita, Eduardo Paz Ferreira, Cristina Albuquerque, Carmo Figueiredo e Inácia Rezola, por ordem de entrada cronológica no meu percurso de vida. É um quinteto de luxo. Quem o conseguir reunir pode alcançar metas insuspeitadas. Eu só comecei a suspeitar muito tarde porque a Maria Emília encobriu o jogo até eu receber um telefonema do Manuel Sérgio a pedir-me que adiasse a data do jantar para o dia seguinte, pois ele tinha de assistir ao Guimarães- Benfica de má memória... Jorge Sampaio também me telefonou do estrangeiro a dizer que só me podia dar parabéns por aquela via.
Foi para mim uma noite muito emocionante pela qualidade, pela quantidade e pelo clima festivo envolvente. Como não tive as palavras adequadas para responder à generosidade dos oradores- Paz Ferreira, Mário Soares, Ana Mesquita, Eurico Figueiredo, Jaime Gama, Mota Amaral, Joana Amaral Dias,Vasco Cordeiro que também leu uma mensagem de Carlos César, Ramalho Eanes- não fui suficientemente comedido nos agradecimentos como recomenda a cortesia. Embalado pela sala plena de amigos ultrapassei os limites temporais , e talvez não só, na minha resposta ditada pela emoção e pela felicidade. Espero que todos possam ter recuperado da hora extraordinária esta manhã.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prevejo o caos doméstico amanhã

Prevejo para amanhá o caos doméstico introduzido pelo mau método de decidir do governo sobre a intolerância de ponto na terça-feira de Carnaval.Crianças aos molhos em casa e nas repartições públicas.Autarquias em feriado municipal, etc Chumbo da leviandade mascarada de dureza.Para o ano se verá melhor a situação.

Igrejas Caeiro-Uma voz culta e amiga

Igrejas Caeiro começou por fazer parte do meu universo mítico através da rádio, ouvida com sofreguidão nos Açores de há mais de sessenta anos. Primeiro foram Os Companheiros da Alegria com os diálogos entre a Lélé e o Zequinha, e a popular «nota de quinhentos que não se pode deitar fora», com perguntas que valiam muito mais. Um espectáculo itinerante que chegou ao Teatro de Vila Franca do Campo quando eu tinha dez anos. Depois foi a rubrica radiofónica Perfil de um Artista em que Igrejas Caeiro entrevistava intelectuais, cientistas, personalidades das artes, geralmente progressistas e que eu ouvia ao sabor das oscilações da onda curta.Entretanto corriam histórias, à boca pequena, sobre o sua desassombrada oposição ao ditador Salazar que lhe valera ficar sem emprego na segura EN, e sem programa ao vivo no RCP.
E, com efeito, na campanha eleitoral para as eleições constituintes de 1975 fui companheiro de Igrejas Caeiro na lista de Lisboa do PS, e com ele fiz inúmeras sessões de esclarecimento e acções de rua. em que ele se mostrava um mestre mobilizando as populações mesmo em terras tidas então como muito difíceis como Vila Franca de Xira. Fizemos uma amizade espontânea que perdurou. Igrejas Caeiro, um cidadão, antes dos direitos plenos da cidadania.

Como encarar as manifestações?

Em poucos dias tivemos duas políticas comportamentais de titulares de orgãos de soberania perante manifestações. Cavaco Silva, perante os estudantes da artística escola António Arroio fez meia volta volver, cavando ainda mais o nível do seu prestígio. Não ficou bem na fotografia, mas não houve fotografia. Passos Coelho, este domingo, chegou a Gouveia e resolveu mostrar ao PR como enfrentar essas manifestações «à Mário Soares». Mas não é Mário Soares quem quer. As imagens lá estão a testemunhar a falta de persuasão do primeiro-ministro perante a muitidão, resgatado a meio da operação «vejam lá isto em Belém», por um grupo compacto de seguranças, quem sabe se em mobilidade para a presidência da República...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Filosofia da memória com adjectivos

Mário Soares tem discorrido abundantemente sobre velhos e antigos episódios da sua longa e rica carreira. Disseram-me que num recente programa da RTP1-que não vi- voltou à carga com uma interpretação especulativa sobre as razões do meu pedido de demissão de MNE, em Outubro de 1977, envolvendo também o PR Ramalho Eanes numa concertação de posições que não existiu. Já desmenti essa versão inquinada, por escrito e pessoalmente, junto de Mário Soares.Sem resultado, pelos vistos.
Agora na Figueira da Foz, Mário Soares resolveu dar conta dos termos de uma «discussão gravíssima» e de uma conversa «brutal» que terá tido com José Sócrates para o convencer a recorrer à ajuda externa em Abril do ano passado .Segundo Leonete Botelho no jqornal Público, uma fonte perto da nascente das frases de José Sócrates afirma que este só terá «memórias doces» das conversas com o fundador do PS. Prevejo que nem mesmo assim Mário Soares tomará boa nota do estilo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sem pontos de apoio

O meu artigo de hoje no Correio da Manhã parte da premissa da falta de pontos de apoio na sociedade portuguesa para esta se reconstruir e transformar. Nem política,nem económica, nem socialmente há forças estruturantes suficientes no montão de destroços à vista. Cavaco Silva dá tiros sucessivos no pé, perdendo vigor institucional, suscitando o gáudio sobretudo no pathos reaccionário da ala dos lusitos do PSD. Há sectores no mundo do trabalho que começam a ser refractários à filosofia do movimento sindical. Os nossos banqueiros, que dominaram o país nos últimos vinte anos, vêem-se agora gregos com as novas exigências europeias, sem crédito visível para dar e receber. Os nossos intelectuais só pedem reconhecimento geral. Estamos entregues às forças cegas do mercado...

Bill Clinton volta com o intervencionismo do Estado

Um perito novo-iorquino de finanças públicas, que participou numa dessas conferências organizada por Paz Ferreira, sintetizou o seu mal-estar perante a dívida externa dos USA não tanto por causa dos seus montantes mas porque as infra-estruturas norte-americanas continuavam obsoletas. E deu o exemplo das redes eléctricas, das redes de água, dos caminhos de ferro, etc. Ora Bill Clinton, no seu novo livro , defende um papel mais intervencionista dos poderes públicos no relançamento do crescimento económico, e propõe uma política de modernização dos portos, aeroportos, redes eléctricas, melhoria das vias rodoviárias, e assim por diante. Bill Clinton é um dos presidentes mais populares na história norte-americana.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sim, ou não, ao tratado intergovernamental?

Eduardo Paz Ferreira, catedrático de Finanças Públicas, tem vindo a animar a actividade de cidadania da Faculdade de Direito de Lisboa, com uma série de iniciativas tomadas no âmbito dos institutos que dirige, para além de uma presença cada vez mais marcante nos orgãos de comunicação social. Desta vez é o Instituto Europeu daquela Faculdade que organiza uma conferência sobre o futuro tratado intergovernamental.
Está farto do pensamento único? Dirija-se hoje à cidade universitária. Parece impossível, mas é verdade.

Solidariedade em Portugal para com o Povo Grego

Estava a faltar entre nós um grito de solidariedade para com o desesperado povo grego, em nome de um espírito europeu bem entendido. Portugal não é a Grécia, mas há paralelos que impressionam.Basta recordar que os dois países libertaram-se das respectivas ditaduras no mesmo ano de 1974, e que pediram a adesão à Comunidade Europeia empenhados num projecto democrático para o continente. Essa libertação não foi induzida do exterior como muitas outras depois da queda do muro de Berlim, e do fim da União Soviética.Solidariedade bem entendida pois, a de um grupo de individualidades diverso, a que tive a oportunidade de fazer parte.Sinto-me melhor com a minha consciência de cidadão europeu,num momento em que se pretende enterrar essa cidadania. A Europa dos cidadãos está a ser substituída pela velha Europa das chancelarias.Mau sinal.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A quinta da maioria

Começa a ser um tique desta maioria. Querem despedir quem discorda. Querem expulsar os críticos das profissões e posições que ocupavam antes deste governo chegar ao efémero poder.Um secretário de Estado da Juventude mandou emigrar os professores; o ministro da Defesa sugeriu que os militares descontentes com as medidas do governo saíssem das fileiras, onde construíram geralmente uma carreira de muitos anos com colocações em vários pontos do país, e até fora dele; agora um deputado do CDS, que não conhece outro mundo do que o oferecido pela jota partidária, opinou, sem bom-senso mas com despudor, que os funcionários públicos que não queiram submeter-se às regras de mobilidade que a maioria tem em mente, devem pedir a sua demissão, quem sabe se para dirigirem, em regime gracioso, algum clube desportivo na sua terra. Mas quem é esta gente que pensa que pode por e dispor das pessoas desta maneira? E só vamos em sete meses de folia...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O que se pretende que a Grécia faça?

O conselho de ministro do Eurogrupo, destinada a aprovar o plano de resgate grego, adiou a sua reunião marcada para hoje. Parece que há uns esclarecimentos a exigir por «Bruxelas» ao programa aprovado domingo em Atenas no meio do fogo e da desagregação partidária.Não há coragem no centro da Europa para assumir que se pretende a saída da Grécia da zona euro, e empurra-se para Atenas a responsabilidade da política de outros. Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opiniãopublica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated».

PRIVATIZAÇÃO DO AR


            PS e o BE queriam conhecer as explicações do ministro dos assuntos parlamentares sobre o caso de alegada censura na RDP, mas PSD e CDS-PP rejeitaram os respectivos requerimentos. O BE queria que Vítor Gaspar fosse à assembleia ser ouvido sobre o processo de reestruturação do BPN, nomeadamente acerca do aumento de capital de 600 milhões de euros (dinheiro público) e os deputados da maioria chumbaram esse agendamento. Alegaram que só o aceitariam no final do processo de privatização, ou seja, quando já não houver nada a fazer.
O PCP apresentou um requerimento potestativo - de carácter obrigatório - para que Passos Coelho prestasse esclarecimentos na Comissão de Assuntos Constitucionais sobre os serviços de informações, matéria que tutela directamente. Mas a Presidente da Assembleia da República torturou a constituição e o regime parlamentar de modo a que o primeiro-ministro não tivesse que prestar contas perante os deputados. Eis o que se passa com esta maioria: funciona acima da lei. Como diz o próprio Miguel Relvas, “não se pode fazer política com coisas tão sérias”. Não, não foram apenas direitos, salários ou pensões que foram cortados. O oxigénio do regime também foi racionado. Bem-vindos à asfixia democrática. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Espírito de empresa

Segui com uma certa atenção o que se foi passando na fábrica Cerâmica de Valadares, uma empresa dirigida por Galvão Lucas, que conheci como deputado do CDS e de quem guardo uma boa recordação da actividade parlamentar. Dos cerca de 400 trabalhadores mobilizou-se uma centena organizada à volta de um sindicato do sector e de uma comissão de trabalhadores da empresa para reivindicar o pagamento de salários em atraso.Várias vezes chegou-se perto de um entendimento com a administração para o pagamento faseado, mas os trabalhadores da fábrica não estiveram de acordo com os seus representantes e mantiveram a luta. Esta noite chegou-se finalmente a uma solução aceite por todos.Seguiram-se declarações dos empregados da Cerâmica Valadares muito favoráveis ao futuro da produção e da empresa.Lembrei-me da função social da empresa, vejam lá...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Treinadores portugueses

Em menos de cinco anos os clubes de futebol da I Liga renderam-se por completo aos treinadores portugueses.Em primeiro lugar, pela capacidade táctica de «lerem», rapidamente, o jogo, algo que escapava a muitos estrangeiros, mais lentos e desconhecedores das características do campeonato nacional, embora mais planificadores a prazo . Em segundo lugar, porque normalmente são bem mais baratos do que os treinadores importados. Tudo isto a propósito da demissão de Domingos Paciência de SCP, contra todas as expectativas. Quem excedeu as minhas expectativas foi o Jorge Jesus que ,após uma época menos conseguida e pontuada por alguns erros, teve a oportunidade de dar a volta este ano, e fabricou uma grande equipa.Quem sempre acreditou nele foi o meu amigo Manuel Sérgio, um dos responsáveis pelo êxito da escola portuguesa de treinadores.

Os partidos gregos assinam com os olhos em Abril

É sempre encantador ouvir um comentário especializado a garantir que «desta vez é que os gregos vão cumprir na íntegra o acordo». Duvido que tenha sido essa a intenção dos partidos em Atenas.Ora, com a votação de ontem, como Atenas a ferreo e fogo, os deputados compraram apenas a manutenção da realização de eleições gerais para o próximo mês de Abril.Só depois se poderão saber as reais prioridades estratégicas do PASOK e da Nova Democracia. Mas em Lisboa não há dúvidas. Foi assim que a banca embarcou na compra vertiginosa de títulos do tesouro grego há uns anitos...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma manifestação e peras

Foi muito grande a manifestação da CGTP ontem no Terreiro do Paço. Não consegui contar quantas pessoas estiveram presentes, mas para um bom entendedor meia manifestação daquelas já bastou para obrigar o governo a adiar o corte nos feriados para o próximo ano da graça,(com a ajuda da Igreja, pois claro!), assim como o encosto destes para os fins-de-semana, além de doutrinar sobre uma preciosa casuística anual da tolerância de ponto no Carnaval., quase um pedido de tréguas.
A manifestação revelou um Arménio Carlos mais cuidado no discurso, mais táctico,- separando o PS dos outros partidos da governação e da UGT,- e anunciando a internacionalização europeia da movimentação sindical, um dado futuro a ter em conta.

Uma bofetada de luva branca

Confesso que dei um pulo de satisfação quando soube que Alberto João Jardim ia convidar a senhora Merkel a visitar a RA da Madeira. É uma bofetada de luva branca atirada para várias direcções, de Berlim a Lisboa. Ninguém sente as orelhas a arder?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Merkel desembarca nas ilhas

Hoje no Correio da Manhã desenvolvo o tema das declarações de alguns políticos alemães sobre a política interna de vários Estados membros da UE, entre os quais se destaca Portugal .Relembro o triste precedente do quem «cala consente» passado no Verão passado com o comissário da Energia Oettinger nas barbas pouco duras do presidente da Comissão José Manuel Barroso, e acentuo o significado da aproximação à costa portuguesa, via Madeira, da senhora Merkel, cuja intervenção em nome do estímulo à «santíssima competitividade» me fez lembrar os bicentenários princípios europeus da Santa Aliança, quando esta intervinha nos assuntos internos dos países da «periferia» em nome da «Santíssima Trindade», um outro dogma muito em voga na matriz europeia da época. Mas com muitos apoiantes...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

entrudos

24 de Janeiro. O primeiro-ministro garantiu que Portugal não pedirá nem "mais tempo, nem mais dinheiro". 9 de Fevereiro. O ministro das finanças mostra ao seu homólogo alemão como anseia por um ajustamento ao programa português (não era a troika que decidia os planos?) . A conversa captada entre Gaspar e Schäuble não traz nada de novo. Já se conheciam as pieguices do governo perante a Alemanha e o silêncio depois das últimas declarações de Merkel confirmaram-nas. Há muito que se sabe que esta linha de resposta à crise é um falhanço total no qual se insiste através de soluções revistas e aumentadas. Desde o início que se percebe que sem renegociação da dívida Portugal não voltará aos mercados. O que o diálogo em causa revela é que o governo também sabe.
Mesmo sendo pública a outra cara de Jano, a usada para o exterior- oposta à destinada a consumo interno- o executivo procura não perder a face. Acontece que são os cidadãos que estão a pagar uma crise que não criaram, donde transparência e prestação de contas são serviços mínimos. Já numa democracia este episódio retirar-lhe-ia toda a credibilidade para desculpar-se com a troika. Quanto mais para “ir além da troika”. E se isso acontecesse, ao contrário de Gaspar, nem agradecíamos muito. Não seria essa a nossa obrigação. Apenas um direito.

Algumas palavras para uma imagem

Desde ontem que as imagens colhidas pela TVI de uma conversa entre Vítor Gaspar e o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble num momento morto do ECOFIN são um tema intensamente tratado durante o dia opinativo. Não entro no âmago da questão em termos de transparência governamental sobre as suas reais intenções em relação à negociação financeira da dívida e da ajuda externa. Há muito que não acredito numa palavra do que é dito em público sobre o assunto pelo governantes. Desde o Memorando de Entendimento que escrevo que Portugal não voltará em pleno aos mercados internacionais nos termos das medidas acordadas, dos montantes negociados, e dos prazos estabelecidos. Só tenho curiosidade sobre o momento em que tal será oficializado. Mas também discordo das mil palavras que afirmam que o ministro Vítor Gaspar está de «mão estendida», por estar de pé a falar com o ministro alemão que se desloca numa cadeira de rodas. Gaspar tem muitos defeitos ideológicos mas não creio que seja homem para «dobrar a espinha». Nada de exageros.

Intolerância positiva

A Federação Inglesa de Futebol manteve-se firme na decisão de retirar a braçadeira de capitão da respectiva selecção de futebol ao consagrado John Terry por este ter provocado outro jogador, Anton Ferdinand, com insultos racistas. A federação perdeu o capitão, perdeu agora o seleccionador Fabio Capello que pretendia manter o jogador do Chelsea naquela distinção, mas não recuou nem aceitou relativizar o assunto, como tanto se pratica entre nós nesta esfera.Não se devem por todas as intolerâncias no mesmo saco....

Martin Schulz ao menos deu explicações

Martin Schulz, social-democrata alemão e presidente do Parlamento Europeu, mostrou-se muito incomodado com uma viagem de Passos Coelho a Luanda durante a qual este fez um apelo ao investimento angolano em Portugal. Não se percebe onde queria chegar o presidente do PE, nem a relação entre saber cativar capitais estrangeiros e decadência, a não ser que se reescrevesse a história dos fluxos financeiros mundiais nos últimos 150 anos. Obscuridade àparte, Martin Schulz ao menos deu explicações públicas sobre o espírito da sua infeliz intervenção. Já Merkel não liga nenhuma às feridas que vai causando entre alguns Estados membros da UE, sobretudo porque quem cala consente...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O governo de Passos Coelho cala-se

As atrevidas declarações de Angela Merkel sobre a utilização dos fundos europeus na Madeira, muito prejudiciais aliás para a imagem de Portugal na UE, já mereceram reacções firmes dos presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. O governo de Passos Coelho, Paulo Portas incluído, cala-se. Está tudo dito.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O «centralismo -federal » da chancelerina

Merkel pronunciou-se sobre o detalhe da aplicação dos fundos comunitários na Madeira.Uma intromissão em nome da «competitividade». Mas o que a chancelerina está a ilustrar é o seu modelo de «centralismo-federal».Essa doutrina chegará ao Atlântico oriental e central? Duvido muito.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vinte anos depois...

A Comunidade Europeia viveu desde 1957 até 1992 com o mesmo Tratado-o de Roma- apenas acompanhado por um Acto Único em 1986. O Acto Único, uma espécie de Acto Adicional do nosso constitucionalismo monárquico, abriu as portas à unificação das Comunidades. Pretendia-se impulsionar o «Mercado Interno». Depois da unificação alemã o Tratado de Maastricht apontou novas metas como a da União Europeia e a União Económica e Monetária. Proclamaram-se as maiores esperanças, mas bem observado o tratado trazia em si a sua própria reversibilidade por incompleto e imperfeito. Entretanto os sucessivos alargamentos fizeram a UE perder o seu centro de gravidade anterior e levitar entre massas oscilantes. Sucederam-se os tratados de Amesterdão, Nice, o malogrado constitucional, e o de Lisboa , e já se prepara, para a campanha presidencial de Sarkosy, outro ainda mais obscuro. Uma «floresta Negra» política e jurídica que nos impede de festejar sem receio do futuro os 20 anos de Maastricht.

Quando a Grécia era credora da Alemanha

É verdade que na Grécia não há «eficiência fiscal», que os grandes proprietários, entre os quais a Igreja Ortodoxa, não pagam impostos, nem há cadastro organizado-et pour cause!- e que em Atenas se arrasta os pés na execução das medidas propostas pela troika. Mas talvez se perceba melhor a má vontade da senhora Merkel se nos lembrarmos que a Grécia já foi credora da Alemanha na sequência das duas guerras mundiais, e, mais do que isso,que esteve na primeira linha dos reclamantes em 1953 , na conferência internacional de Londres que reuniu muitos dos países credores da dívida externa alemã.Insatisfeitos com o resultado, os gregos voltaram à carga até 1972, altura em que um tribunal arbitral sentenciou o assunto sem dar inteira razão a Atenas.
As voltas que a História dá...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Passos Coelho está a falar em directo do dia de Carnaval

Passos Coelho está a falar em directo na Sic-N sobre o «ensino privado». mas já conseguiu voltar ao tema da extraordinária medida que tomou, de acordo com todo o governo, de não conceder tolerância de ponto no dia de Carnaval. Temos agenda política até 21 de Fevereiro, e puxada pelo primeiro-ministro!Por mim prevejo as repartições públicas muito animadas nessa quadra com as crianças do ensino particular que devem estar em férias...

UMA GRAÇA


Vasco Graça Moura sempre se opôs ao Acordo Ortográfico. Está no seu direito É a sua opinião. Mas ser nomeado para dirigir o CCB e tomar como primeira decisão a suspensão da aplicação desse diploma já não é um direito. Vasco Graça Moura não é dono e senhor da língua portuguesa e nem sequer é o CCB. Não pode confundir a sua pessoa com a instituição que dirige nem sobrepor a sua vontade à lei. Longe vão os tempos do Rei Sol, do absolutismo, da coincidência entre o Estado e os caprichos de quem o dirige. Caso contrário, imagine o que seria se cada recém-chegado a um cargo público ordenasse que se escrevesse consoante as suas preferências, por exemplo, com esta mesma ortografia anterior à revisão de 1911.
Desobediência civil, aclamam alguns, batendo palmas. Ai, pobre Henry David Thoreau dando voltas na tumba. Só que esta decisão de corajosa ou coerente nada tem. Pelo contrário. Coragem e coerência teriam existido se o ex-deputado europeu tivesse declinado o lugar, alegando incompatibilidade entre as suas posições quanto ao AO e o exercício de um cargo público. Em si mesmo, esse seria um acto de grande pressão, legítima, sobre o governo e o parlamento para a revogação do AO. Assim, a imposição do ex-deputado europeu é mera prepotência. É este tempo. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A.J. Seguro acaba de dar um passo importante

António José Seguro acaba de dar um passo importante ao declarar que discorda do Memorando de Entendimento em vários pontos concretos, entre os quais o respeitante à lista de privatizações. Um serviço ao PS e ao País.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Cabo Sumarino regressa ao Correio da Manhã

Volto hoje às páginas do Correio da Manhã com um artigo sobre o contexto nacional e internacional da sucessão de Carvalho da Silva por Arménio Carlos à frente da CGTP. Mais basismo, mais militantes, mais luta de classes , para além da que o governo e os poderes da direcção europeia bi-acéfala impõem. Mas só quem tiver uma resposta menos sectária e mais abrangente conseguirá um novo equilíbrio estável para a sociedade nacional e internacional.

Cavaco Silva e Passos Coelho finalmente de acordo

Finalmente Passos Coelho inspira-se no cavaquismo governamental. Também ele mostra o nervo anunciando que não haverá tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval! Mas copiar não vale...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Passos Coelho desmentido pelos mestres

Poul Thomsen, o representante do FMI na troika, declarou a um jornal grego que «temos de abrandar um pouco no que diz respeito ao ajustamento orçamental e andar mais depressa na implementação das reformas estruturais», segundo o Diário de Notícias.Recessão, desemprego e crise europeia conjugam-se para alterar a medicina prescrita pela troika, defende o depositário da fórmula da austeridade.Pelo seu lado António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, prevê que será desastroso «voltar aos mercados» em 2013». Passos Coelho parece cada vez mais um daqueles soldados japoneses abandonados numa ilha sem comunicações com o exterior. Ou, como afirmou, João Rodrigues ao mesmo jornal«Quando temos um responsável do FMI e um membro de um governo nacional com os papéis invertidos, é surreal.Diz-nos que este governo é feito por gente ideologicamente fanatizada.»

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Exigir o veto presidencial ao diploma dos feriados

Sou subscritor de um abaixo-assinado de historiadores contra a proposta governamental sobre a eliminação de feriados que há-de dar entrada na AR. Espero que muitos deputados, mesmo da maioria, não deixem o seu nome associado a essa vergonha política e cultural. Mas sobretudo espero que o Presidente da República vete o diploma quando este chegar a Belém.Aqui não há estado de necessidade a invocar. Aqui só há sentido de Estado a defender.

Um social-democrata no PSD

Chegou-me ao conhecimento uma intervenção de Mota Amaral na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa na última sessão de Janeiro, em que aquele deputado do PSD e presidente da delegação parlamentar da AR, faz uma rigorosa crítica à deriva neo-liberal europeia,condena as medidas anti-sociais promovidas nos últimos anos e denuncia a cativação do poder político pelo poder financeiro. Podem-nos parecer familiares essas declarações, mas não tenho visto mais ninguém do PSD a manter a chama da social-democracia dentro e fora do País.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Estado de Direito e Direitos adquiridos

O discurso do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, foi o mais importante dos proferidos ontem na abertura do Ano Judicial. Despido de retórica, também nisso contrastando com os demais, Noronha do Nascimento alertou para a lógica política-jurídica da afirmação oportunista e perversa de que não há direitos adquiridos. Embora o actual alvo dessa doutrina caótica sejam os direitos sociais, o alerta do Presidente do Supremo Tribunal tem toda a razão de ser como foi demonstrado pelo próprio, e eu estou há muito convicto
«Dizer que não há direitos adquiridos-produto de uma civilização avançada-é dizer que todos eles, mas todos,podem ser atingidos»
Retirei a citação do Correio da Manhã. Outros jornais não retiveram a frase nas sua reportagens ...Mas sim, é o Estado de Direito que pode estar em causa.

O nosso comissário em Lisboa

Passos Coelho empolgou-se na apresentação de mais um novo programa do PSD, jurando que aplica o Memorando de Entendimento por convicção pessoal e não por necessidade de respeitar o plano de ajuda financeira da troika.Isso no dia em que o desemprego-essa suprema forma de competitividade internacional!- ultrapassava já em Janeiro a previsão máxima do governo para todo o ano de 2012. A senhora Markel escusa de procurar outro comissário. Passos Coelho já «fez o dom da sua pessoa», como diria Pétain, para ocupar o cargo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

27, 26, 25...

A Grande Europa está a minguar. O próximo tratado não será assinado pelo Reino Unido e pela República Checa, que nunca gostaram de comissários indicados por Berlim. Depois das ratificações nacionais ainda haverá o saldo dos Estados alinhados pelo acordo circunstancial Merkel-Sarkosy. Quando a Croácia puder assinar soma-se mais um alinhado do costume.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A intersindical no seu elemento III

Arménio Carlos, o novo líder da CGTP, chega num momento agónico para o modelo de equilíbrio social em que se viveu durante trinta anos. Diga-se desde já que não foi o movimento sindical quem tomou a iniciativa de iniciar o processo de alteração das regras estabelecidas.A troika, e o governo Passos Coelho, estão num desatino sem limites. Deste ponto de vista Arménio Carlos, e o seu discurso ideológico, constituiu a resposta simétrica aos poderes ideológicos que nos governam. Ele não precisava de carregar no tópico da luta de classes. O governo já o faz. A sociedade portuguesa dará a vitória a quem for mais abrangente na resposta global aos problemas do momento, e não a quem for o mais sectário.

A Intersindical no seu elemento II

Caso a memória me não falhe, Carvalho da Silva sucedeu a José Luis Judas na direcção da Intersindical. Se, como Mário Soares me disse em 1977, Judas «era um interlocutor», os 25 anos de Carvalho da Silva vieram consolidar o papel da CGTP como central dos trabalhadores, e aperfeiçoaram o seu papel de racionalizador nas decisões sobre matérias laborais, e mesmo sociais lato senso. Os 25 anos de Carvalho da Silva também correspondem ao período de maior estabilidade da dimensão social do Estado, para além de terem acompanhado o fenómeno da integração na política europeia dentro da metodologia da concertação social e do diálogo, período agora agónico. De certa maneira Carvalho da Silva sai no fim de uma era nacional e internacional. Ele foi o garante de uma CGTP combativa e reivindicativa, mas pautada por critérios próprios de ordem e não violência.A sua sucessão merece ser analisada à parte.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Intersindical no seu elemento I

Quem conheceu a Intersindical antes do 25 de Abril sabe muito bem que ela cresceu no marcelismo apoiada por militantes comunistas, por sindicalistas católicos provenientes em grande parte da JOC e da LOC, e por quadros e juristas de Direito do Trabalho. Era uma verdadeira estrutura unitária, nos moldes da oposição ao corporativismo, à probição do direito à greve, e à repressão policial. Averbou vitórias no domínio da contratação colectiva, mesmo não estando legalizada.Conheci em Genebra alguns dos principais dirigentes da Inter no âmbito das actividades da OIT.Recordo em especial o sindicalista católico Manuel Lopes.Depois com a unicidade sindical decretada por lei, a Inter perdeu muita da credibilidade nacional que havia conquistado. Manteve contudo a matriz plural aqui assinalada, independentemente da luta travada pela hegemonia sindical. . Tem alternado coordenadores comunistas com coordenadores católicos. Carvalho da Silva conseguiu sintetizar as duas condições, num híbrido ainda pouco analisado, tendo em conta o estado voluntarioso da nossa ciência política.
A Inter volta agora, nessa espécie de pacto genético rotativo , a dotar-se de um coordenador mais ligado ao PCP, e cujo discurso e entrevistas merecem atenção.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Dar força ao 5 de Outubro

Plenamente de acordo com o Tomás Vasques. Esta tontice do corte nos feriados vai levar a uma maior politização e moblização em certas datas, como o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro.Olá se vai!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um ministro fora da suas competências

Ainda ninguém do governo explicou porque a questão dos feriados está a ser tratada pelo ministro da economia, transportes,comunicações e emprego. Uma bizarria que só tem o mérito de evidenciar a mesquinhês dos objectivos nacionais da maioria. Daqui não pode sair nada de bom nem de sério sobre feriados e comunidade política. Passe a pasta dos cultos caro Álvaro.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Três governos perante a troika

A negociação entre o governo da República e o governo regional da Madeira merece mais do que um tipo de análise sobre o que está em jogo entre duas gerações de governantes do PSD. Para já nota-se um empolgamento de Passos Coelho em relação a Alberto João Jardim, que ele evita empregar com os seus autarcas endividados. Conviria perceber porquê.
Quem sai bem de toda esta história é a Região Autónoma dos Açores, cujo governo preventivamente tem apresentado as suas contas sem precisar de recorrer aos bons ofícios do governo central, bons ofícios que seriam nesta circunstânca da intervenção da troika mais do que duvidosos. Aliás nós temos em Portugal três Executivos com comportamentos políticos diferenciados em relação ao Memorando de Entendimento.Sem ninguém dar por isso.

Barcelona-Real Madrid

Um dos grandes prazeres dou últimos tempos tem sido ver os jogos de futebol entre o Barcelona e o Real Madrid. Trata-se de um dos melhores espectáculos mundiais em qualquer modalidade e género. Noite de jogo é dia de reunião aqui na sala com o meu filho. Ele mais solidário com Mourinho, Coentrão e Ronaldo. Eu mais sensível ao lado identitário do Barcelona, à sua aposta na escola de formação, à sua forma colectiva de jogar sem limitar o talento individual mas sem depender de vedetas. Estava quase a desenhar o SLB dos meus sonhos...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Errar o alvo vai custar muitas moedas

Cavaco Silva, em quem nunca votei, é , neste momento, o melhor garante da liberdade possível do comunidade política portuguesa. Comete muitos erros e omissões.Mas há muito que não vejo quem possa, com influência, travar a deriva abdicacionista dos titulares nacionais perante os poderes exteriores destemperados , assim como perante os excessos governamentais e a demagogia interna . Hoje haverá uma manifestação. que vai atirar moedas ao PR. A escolha do alvo a desacreditar diz tudo sobre a leviandade política destes condutores para o abismo. Acho melhor guardarem as moedas para outros alvos, aliás mais evidentes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sem paciência

Não prestei grande atenção à inauguração de Guimarães capital da cultura.Desde os anos noventa-quando se inventou a EXPO-98 que dei um remate conceptual ao que aí vinha, englobando excelência, repetição,mediocridade, derrapagens orçamentais e salários altos sem vaias, como o dia a dia de um Portugal pais de eventos. Só a nossa incontida auto-estima não cifrada levou ao endeusamento dos seus promotores. O modelo, em moldes industriais e standartizados, até faz sentido no Portugal dos hoteis e do turismo. Mas nunca acreditei numa palavra sobre as intenções épicas desse eventos. Desejo muitas entradas e camas vendidas durante o certame. A auto-estima ficou muito cara e sem ninguém para dar a cara.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O PR paga a racionalidade orçamental

Há um ano, quando o PR optou pelas reformas a que já teve direito e prescindiu do vencimento de função, , escrevi a 27 de Janeiro que havia algo que estava errado nisso. Para mim foi sempre claro que Cavaco Silva devia ter optado pelos honorários de Presidente, tendo em conta o cargo que ocupa com as inerências que lhe são simbólicas. Ficasse a ganhar ou a perder rendimentos. Parece que os meninos da JSD, e demais frustados socias.democratas do cavaquismo governamental, conceberam uma patifariazinha para cortar nas reformas do PR.Tive pena que Cavaco Silva não tivesse mantido o ordenado dos presidentes da República. Mas ao ver a parada de ódio, demagogia e oportunismo dos nossos «opinion makers» sobre o assunto, prefiro ficar ao lado de Cavaco Silva na ocorrência. Há algo de mais são.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Descansar uns dias

Tenho andado com más cores. É um bom motivo para parar uns dias.

Esta lei do arrendamento urbano...

Esta lei do arrendamento urbano vai dar uma grande confusão. Óptima para prazos, procedimentos, impugnações, indemnizações. Um paraíso para casuísticos. Um pesadelo para as pessoas em transição.

Rúben Amorim contra a meia- hora

O caso «Rubén Amorim» prefigura uma desobediêncis civil contra a meia-hora de trabalho extra avançada pelo governo?! Mesmo que seja só a dar umas voltas para aquecer contra vontade.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Agora, o IMI

A compra de casa foi nestas últimas décadas uma forma defensiva de aplicação das poupanças individuais, uma forma em betão familiar dos certificados de aforro, hoje desaparecidos na voragem do jogo de interesses. Depois foi fomentada por uma política de crédito agressiva e a juros oscilantes. A compra de casa raramente foi um investimento visto do lado da procura, pelo menos nos últimos vinte anos. O Estado teve essa percepção que criou um imposto-o IMI- orientado para a habitação e taxou-o nessa proporção. A «troika»percebeu que havia aqui uma contribuição a explorar em países de universo fiscal reduzido ao «terceiro estado», como a Grécia e Portugal, e em breve a Espanha.
Aí está um bem não circulante, difícil de transacionar em momentos de crise. Basta subir o IMI,e a receita cai electronicamente na repartição de finanças.A menos que os hipotecados de todo o mundo vendam os seus apartamentos, não se vê bem a quem, banca incluída.Perfeita armadilha

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tolerância de ponto e tolerância de ponte

O facto do dia 25 ter sido um domingo levantou uma grande questão mal explicada e pouco comentada do espírito com que se olha para certas medidas: como passar o feriado de um domingo para um dia de semana? Pelo sossego desta manhã aqui no bairro percebi que foi a «oitava da festa» o dia escolhido para manter uma certa ordem nas coisas. Pode não haver tolerância de ponto, mas há sempre maneira de estabelecer uma tolerância de ponte

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma geração com netos

A consoada celebrava-se na casa grande da minha sogra em Campo de Ourique. Espaçosa, abrigava a geração que nos antecedeu com sobriedade republicana e abria as suas portas a um sólido núcleo familiar que não faltava às festividades da quadra compostas por um menu tradicional,e por uns «números » de entretenimento dos nossos filhos dentro de uma filosofia mais criativa do que disciplinada pela imitação. O tempo foi passando, a Mãe da Maria Emília declinando suavemente pelos seus mais do que noventa anos, recitando muitas vezes as estrofes do «D. João»de Tomáz Ribeiro que incendiara a polémica entre Antero e Feliciano de Castilho. A polémica já nada dizia aos nossos filhos, mas disse muito ao Portugal novecentista e à história dos feriados , quando estes estavam entregues a gente culta.


Após um curto período de errância sobre a nova sede da família para a reunião da consoada, ontem ter-se-à consolidado o espaço de uma sobrinha cuja prole cresce impetuosa e que deslocou a corte para algures no Alto do Lumiar. A vasta sala foi concebida para um aumento da natalidade sustentada e permitiu-me dar-me conta da plena ascenção da geração dos netos. Refira-se que o antigo apartamento de Campo de Ourique foi recordado com intensidade num filme fortíssimo realizado por um jovem da geração dos filhos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Anuário 2011

A célebre entrevista do primeiro-ministro dada aos directores do Correio da Manhã foi publicada no Anuário de 2011 desse jornal. Nesse anuário escrevo sobre a crise do euro, chamando a atenção para o facto do euro ter sido concebido como uma moeda interna ao mercado comum não estando minimamente preparada par o embate com o mercado financeiro global. A crise das dívidas soberanas europeias foi a crise da sua moeda meramente continental.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Os alemães corromperam-se entre si...

Os alemães fabricam os submarinos, e depois corrompem-se entre si para os venderem ao estrangeiro próximo. No fundo fazem tudo. Os compradores só navegam...

Em Espanha, as pensões não entram nos cortes da despesa.

O governo Rajoy apresentou-se ontem ao parlamento espanhol. Anunciou cortes nas despesas do Estado mas não cortes nas pensões, honrando o contrato para os que tiveram uma longa vida contributiva. Cá é mais o género « És pensionista,então estás mesmo à mão».

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ordem para emigrar

Ordem para emigrar foi o título de um meu artigo para o Correio da Manhã, publicado a 4 de Junho deste ano, em que analisava a economia social patente do «Memorando de Entendimento», assim como os mecanismos de mercado da zona euro. Mas nunca pensei que o governo tivesse de explicitar essa ordem imanente ao sistema. Pois Passos Coelho ontem, também no Correio da Manhã, veio seguir à letra o mandamento da circulação de pessoas para a zona especial da língua portuguesa. Desde a emigração para o Brasil, ou para África, que não se ouvia essa ladainha.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Lúcio, Sacuntala, e Álvaro Miranda

A história vista por pessoas que a viveram impede-nos de grandes arrebatamentos épicos. Só havia um goês em S.Miguel: o reputado professor liceal de matemática Lúcio de Miranda. Sempre aprumado e elegante casou com uma menina micaelense e tiveram. dois filhos O meu Pai falara-me várias vezes das perseguições que Sacuntala, mais velha do que eu, fora vítima em Lisboa. Álvaro era da minha geração liceal. Um dia o Drº Lúcio de Miranda desapareceu de Ponta Delgada. Constara que era um defensor da independência de Goa, Damão e Diu. Recentemente soube pelas memórias da filha que, asilado em Londres, comoveu-se deveras com a a invasão de Goa há 50 anos.Dias depois caiu doente na cama. Morreu sem regressar a Goa.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Leis transaccionáveis

Na minha rubrica Cabo Submarino no CM aponto as consequências mercantis da compra a eito de câmaras de videovigilância, dado que a autorização meramente governamental se for genérica será muito flexível e amiga da indústria e se for casuística será muito clientelar. Abre-se assim caminho para um grande negócio.

Cerimónia de posse do novo Reitor da UA

Na minha qualidade de presidente do Conselho Geral da Universidade Aberta proferi um discurso sobre o papel dos conselhos gerais na governança universitária, e a ajuda que tem dado na ultrapassagem da proclamada endogamia dos estabelecimentos de ensino superior. Mas a verdadeira prova dessa evolução deveu-se à eleição do novo Reitor. o Professor Paulo Dias, provindo da Universidade do Minho.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eduardo Lourenço-Prémio Pessoa

Já houve de tudo na atribuição do Prémio Pessoa inventado pelo Expresso: amiguismo,snobismo, intriguismo, oportunismo, e algumas distinções adequadas. O prémio hoje atribuído a Eduardo Lourenço, no ano em que a Gulbenkian está a publicar a obra completa do grande ensaísta, redime muitos pecados cometidos em Seteais.

A ligação siamesa entre credores e devedores

Uma das irracionalidades do actual estádio da resolução do problemas das «dívidas soberanas» reside na ausência de diálogo e negociação, directa ou mediada, entre credores e devedores.Foi uma das boas práticas que permitiu ultrapassar muitas situações semelhantes no século XX, mas que nesta emergência foi afastada, pela apatia dos governos e pela natureza dos seguros financeiros derivados. Só a senhora Merkel tentou chamar à razão os credores, e de certa maneira conseguiu o seu contributo relutante no caso da Grécia. E no entanto não se vê outra maneira realista para salvar o funcionamento da economia europeia.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Que nome para as câmaras de video-vigilância?

Vem aí mais um gordo negócio: a venda de câmaras de video-vigilância em cada esquina, e até nas florestas desabrigadas. Nem falo na questão da protecção de dados, pois não vale argumentar com quem não conhece a questão.Remeto para o Tribunal Constitucional essa vigilância. Gostava era de dar um nome aos aparelhos que vão entrar na proximidade das nossas vidas. Proponho Pina Manique ou angélicas...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A caminho do Prémio Nobel nas ciências

Depois de ter visto ontem parte do programa da RTP sobre a Educação Superior é legítimo ficar à espera de um prémio Nobel para as ciências em Portugal. Já houve um em Medicina sem tanta parceria...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Do «Directório» ao «Eixo»

Não tem sido muito analisado a passagem do Directório Europeu, composto teoricamente pela Alemanha, França, Itália e Reino Unido, para o Eixo Berlim-Paris. Mas foi uma operação que ocorreu sob os olhos de centenas de especialistas: a Itália foi eliminada por más contas, o Reino Unido por não pertencer à zona euro. A Espanha nunca fez verdadeiramente parte. O próximo candidato ao directório é a Polónia.Veremos o que lhe acontece.
Já nem falo das instituições comunitárias nesta fase aparentemente inter-governamental.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Luis Francisco Rebelo

Em 1959, Cerqueira da Rocha,um estudante da Faculdade de Direito de Lisboa que fora colocado em S.Miguel no tempo do serviço militar obrigatório, travou conhecimento comigo e emprestou-me vários livros que trouxera para ocupar as horas livres. Um deles foi a «História do Teatro Moderno» de Luis Francisco Rebelo, recém editado por um Círculo do Livro entretanto desaparecido. Essa obra, de vasta respiração cosmopolita, foi um clarão nos meus horizontes insulares. Na altura só havia livros, cinema, rádio e alguma música nos concertos da Pró Arte para um adolescente interessado na cultura. O teatro era raro e distante. Pois apaixonei-me por essa forma de expressão, na sua versão literária. Mais tarde, em Maio de 1961, fui prendado com um prémio de Teatro nuns jogos florais estudantis da Universidade do Porto.E frequento com persistência as salas de teatro ainda hoje. Devo essa paixão ao livro de Luis Francisco Rebelo.Lembrei-me disto na hora da sua morte.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os tratados maltratados

Do que escrevi abaixo infere-se o título do meu artigo para o CM
-Tratados Maltratados.
A única nota relativamente positiva da cimeira foi o papel atribuído ao BCE na gestão do do FEEF e do futuro Mecanismo de Estabilização Financeira. O resto é conversa.

O Direito na Cimeira

O Direito não esteve ausente das preocupações da cimeira. Nem sempre da maneira mais simples. Vejam este trecho da Declaração Final dos Chefes da zona euro.
«Algumas medidas acima descritas podem ser decididas através do direito derivado.(---)as outras medidas devem fazer parte do direito primário. Dada a falta de unanimidade entre os Estados-membros da UE decidiram (os chefes...) adoptá-las por via de um acordo internacional a assinar em Março, ou em data anterior. O objectivo continua a ser incorporar essas disposições nos Tratados da União o mais rapidamente possível».
Isto promete.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Uma adesão sem Hino da Alegria

A Croácia lá assinou, depois da Eslovénia mas antes da Sérvia, o seu tratado de adesão à UE. Teve grandes apoios fácticos que não chegam para resolver os problemas europeus mas chegam para estes «pequenos passos».O ambiente actual não condiz, no entanto, com a vibração do Hino à Alegria...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Falta de sorte

A UE teve muita falta de sorte com a concidência das lideranças em Berlim e Paris. Ainda por cima dão o seu pior quando começam a dispor das regras para novos tratados. O de Lisboa, assente no receio da participação cidadã, infelizmente seguido cegamente pelos pacientes dos costume, não resistiu aos seus favores mais de um lustre, e a bem dizer nunca chegou a entrar em vigor.Agora querem outro para judicializar os termos já expressos do Pacto de Estabilidade que, sem outras medidas, está na base da actual desgraça económica europeia. Tudo isto é frouxo, tudo isto é triste.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um empresário verdadeiro

Nas páginas interiores do jornal Público o empresário Rui Miguel Nabeiro perante uma pergunta do jornalista responde «Não vamos resolve o problema de uma economia tornando as leis laborais mais flexíveis».
É desta maneira que se percebe quais os empresários que têm futuro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Marcelo faz doutrina sobre grupos parlamentares

De regresso de uma ida a Vila Real e ao Porto para apresentar, com Eurico Figueiredo e António Barreto, o livro A PÁTRIA UTÓPICA, apanhei na TVI Marcelo Rebelo de Sousa a dissertar sobre como deve um líder partidário lidar com o seu grupo parlamentar, no caso em apreço António José Seguro e os deputados socialistas. O professor, que antes havia mergulhado no emergente mundo da assistência social com imensa piedade, mostrou-se um Torquemada a inspeccionar a declaração de voto do grupo parlamentar do PS contaminada pelas doutrinas dissolutas da colegialidade, filhas de um início de século desvairado . E o do PSD só se salvou porque os deputados da Madeira não fizeram fitas no orçamento, embora possam ter feito figas. Está imparável o comentador.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Os sindicatos ressuscitam na Grã-Bretanha

A nossa comunicação social não está a prestar atenção aos movimentos sociais na Grã-Bretanha, com greves e manifestações de uma amplidão sem precedentes. Já se fala numa ressurreição dos sindicatos britânicos refeitos dos anos Thatcher-Blair. Há quem passe e há quem fique.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O último Primeiro de Dezembro?

Afeiçoei-me ao Primeiro de Dezembro. Sempre achei que tinha, mais tarde, poupado umas bombas na península, e dispensado os nossos estimados escritores de serem bilingues como Don Francisco Manuel de Melo. Podia não ser feriado, como o dia da batalha de Aljubarrota não o é. Tornou-se aliás um feriado envergonhado depois da queda da dinastia de Bragança e do fim bélico do Estado Novo. Creio que só os funcionários públicos o respeitam hoje em dia, e o homem dos jornais aqui do bairro. Temo é que o espirito de independência dos portugueses seja substituído por uma qualquer campanha publicitária sobre a auto-estima da produtividade. Já vejo candidatos laboriosos e bem pagos para o efeito.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O voto no orçamento como salamaleque

O PS fez muito mal em abster-se na generalidade, e fará ainda pior em abster-se na votação geral final do orçamento remendado. Como escreve hoje Eduardo Cabrita no Correio da Manhã, «O governo de Passos Coelho fez quase tudo para não merecer a abstenção do PS». Ora se fez. Fez tudo e mais alguma coisa. Moral da história: o voto no orçamento não pode ser um salamaleque político.

Estados democráticos sob protectorado ditatorial?

Ontem, numa conferência internacional promovida por Eduardo Paz Ferreira sobre os 25 Anos de Adesão de Portugal à Comunidade Europeia, Freitas do Amaral fez uma intervenção extremamente dura sobre o papel«ditatorial» de Merkel e de Sarkosy na condução da crise do continente. E considerou que o funcionamento da dupla não tem base legal para actuar assim.
Além de não apresentarem verdadeiras soluções para o impasse monetário da zona euro...

domingo, 27 de novembro de 2011

Eu e o Fado IV

Contei na altura à Margarida Figueiredo as minhas deambulações pelo mundo das casas de fado. A Margarida, com o seu «franc-parler», costumava avisar os amigos que estavam a baixar a guarda das suas exigências dizendo-lhes que estes pareciam a Amália a cantar «A casa da Mariquinhas». Perguntei-lhe«Mas, sem ser a Amália, quem é o nosso melhor fadista actual?». E a Margarida, firme, respondeu-me :.«O Carlos do Carmo».Ainda hoje ouço o Carlos do Carmo.
Confesso que me esforço por conhecer os novos valores e tons do fado, embora me esteja a distanciar dele, no exacto momento em que é consagrado pela Unesco.

Eu e o Fado III

Quando cheguei a Lisboa as «avenidas novas» haviam-se deslocado mais para cima, e chamavam-se Avenida de Roma e dos EUA. Ainda fui a uma ou outra «casa de fado», mas, no género, gostava mais da variedade da «revista à portuguesa», e confesso que o Toni de Matos passou a ser para mim uma referência mais apelativa do «pathos» lisboeta.
Só voltei a entrar em casas de fado depois do 25 de Abril, no meio do anátema que já varrera o «nacional-canconetismo». As salas estavam praticamente desertas, os fadistas descriam do futuro, mas a comida melhorara.Há uma fotografia tirada na «Severa», que já apareceu numa entrevista pessoal do Artur Santos Silva, em que este, o António Barreto e eu próprio- três secretários de Estado do VI Governo Provisório, do Almirante Pinheiro de Azevedo-, ceávamos depois de algum conselho de ministros mais prolongado, o que era usual nesses tempos. A fotografia não mostra a desolação do ambiente, mas queríamos dizer alguma coisa com a nossa presença.

Eu e o Fado II

O meu primeiro encontro com o Fado foi no Teatro Vilafranquense, na ilha de S.Miguel. O teatro pertencia à família Damião que resolvera adaptá-lo a cinema no final dos anos quarenta. O filme de estreia da sala de espectáculos assim recuperada foi «Fado-História de uma cantadeira», com Amália Rodrigues e Virgílio Teixeira, tenho a certeza absoluta. Quanto ao realizador já não ponho as mãos no fogo mas desconfio que era o Perdigão Queiroga.Tinha uns oito anitos mas ainda me lembro de ver muita gente chorar com as desgraças que se passavam nas ruelas lisboetas, enquanto a «cantadeira» da história fora viver, segundo constava junto dos amigos de um inconsolável Virgílio Teixeira, «para as avenidas novas», da capital.Prometi a mim próprio tirar a limpo, quando crescesse, o que haveria de sedutor em viver na Avenida da República.
Claro, os discos de vinil venderam-se mais em Vila Franca do Campo nos tempos subsequentes, rivalizando com os programas radiofónicos do tipo «Que quer ouvir?» em que o fado campeava.
(continua)

Eu e o Fado

Em primeiro lugar parabéns aos promotores da candidatura do Fado a património imaterial da Humanidade. Há muitos aspectos de excelência e profissionalismo na candidatura. Creio que é justo abranger nestes parabéns o Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, Carlos do Carmo, Rui Vieira Nery.Agora só espero que os outros géneros musicais sobrevivam em Portugal.Explico-me já a seguir.

sábado, 26 de novembro de 2011

Repensar Portugal

Gostei de ver Ramalho Eanes admitir, no quadro da boa-fé entre as partes contratantes, uma renegociação atempada do Memorando de Entendimento, que está a ser promovido a novo livro sagrado para analfabetos.Até porque, como escrevi hoje no Correio da Manhã, «Cada um vê os erros da troika que lhe interessam, pois eles são variados.»!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os mercados ingratos

A Fitch leu as previsões «heroicas« do nosso governo, e do FMI, para 2012 e lá desceu o rating de Portugal. Uma ingratidão para Passos Coelho sempre a dizer que quer «voltar aos mercados». Tenho a impressão que esse prometido regresso já não será ele.

Provocações no dia da greve

O dia amanheceu com a novidade do lançamento de dois cocktail molotov contra as instalações envidraçadas de duas repartições de Finanças da periferia de Lisboa, um serviço público por enquanto ao abrigo de qualquer plano de encerramento por parte do governo. A notícia arrastou-se pelo dia todo, embora os lançadores tenham desaparecido como os morcegos e não tenham voltado a atacar depois das 8h da manhã.Devem ter ficado a ver televisão o resto do dia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Novo Manifesto

Sou um dos signatários do manifesto POR UM NOVO RUMO que animou a opinião de manhã à noite. Numa época de manifestos e de abaixo-assinados, como aqueles que têm vindo a aparecer nas páginas dos jornais, não deixa de ser expressiva a vasta e variada reacção que este despertou. Para uns foi uma crítica à passividade da direcção do PS, para outros uma manifestação de solidariedade para com a greve geral marcada para hoje e um aviso ao governo seguidor e acelerador de uma política de depressão económica do país. E no entanto a pulsão afectiva do manifesto dirige-se sobretudo à defesa dos aflitos e indignados como os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores precarizados, a juventude sem perspectivas e convidada a emigrar.É muita gente. é a nossa gente.
São temas de outras eras como despudoramente ouvi repetir ao longo do dia pelos modernaços do comentário? Quem dera...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Luta de gerações no interior do PSD

É cada vez mais nítida a luta de gerações no interior do PSD. Passos Coelho pensa tirar partido dessa disputa dando luz verde aos talibães mais novos. Na linha de mira a desorganização do regime, e como primeiro alvo Cavaco Silva, praxado consecutivamente nas campanhas sobre rendimentos das reformas e das pensões, tendo em conta que optou por estes em detrimento do vencimento de PR, mais escasso. Manuela Ferreira Leite riposta criticando as medidas radicais de ordem económica e social.Os ressabiados internos do consulado governamental cavaquista parecem estar a levar melhor.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nem meia-hora

Os mercados não respeitaram a meia-hora pedida por Rajoy. São mesmo mais cegos do que a Justiça...

Fernando Martins

Foi um aluno rebelde num mestrado há vinte anos. Foi um investigador infatigável, e um historiador pioneiro e original da entrada de Portugal na ONU. Um espírito livre sempre. É um dos bloggers que mais leio. Agora com nome próprio: Fernando Martins.

Não chegou a ser notícia

A vitória do PP em Espanha não chegou a ser notícia. As sondagens há muito que a anunciavam. Mais uma vez um partido do socialismo democrático imolou-se no altar das medidas adversas e seguiu um guião que não era o seu à partida. Mesmo assim o PSOE não deixa a Espanha em pior situação europeia do que a Grécia da Nova Democracia, ou a Itália de Berlusconi. Ainda por cima sai com a anulação da ETA no seu activo, pouca coisa para néscios. e em votos.
Rajoy já deu o tom do seu mandato: pediu aos mercados meia-hora...

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma notícia de hoje e um artigo de 10 de Novembro de 2010

O Correio da Manhã publica este sábado uma notícia na página 29 em que se anuncia que «Portugal poupa 3,5 mil milhões de euros com as novas regras» da Comissão Europeia, agora previstas para cobrir 95% do cofinanciamento comunitário nos programas do QREN. Defendi há mais de um ano, em várias oportunidades públicas, entre as quais num artigo naquele jornal datado de 10 de Novembro de 2010, que esse seria um recurso realista para permitir executar o QREN até 2013, com as verbas disponíveis no orçamento da Comissão e sem obrigar o Estado a endividar-se no mercado nesta fase. Fico satisfeito com a racionalidade da medida que ajuda ao crescimento da economia.

sábado, 19 de novembro de 2011

O «cluster» do futebol

Não me lembro do mágico Porter ter apontado o «cluster» do futebol como um dos mais consistentes pontos de apoio para a excelência em Portugal. E, no entanto, já nos anos noventa que era assim. Quando nos dias de hoje se descobre que entre nós nem dramaturgos há ( e o investimento neste campo é etéreo...) merece relevo a persistência vencedora de uma actividade que move milhões e nos coloca no cimo de qualquer triploAAA. O «cluster do futebol», no Correio da Manhã.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os governos da Santa Aliança

A uniformização de governos e ideologias a que se assiste na UE talvez só tenha paralelo nos anos restauracionistas da Santa Aliança depois das guerras napoleónicas, com a agravante das intervenções agora serem «sem rosto». A troika substituiu a «A Santíssima Trindade»...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A «bem da nação» e o fim do 5 de Outubro

João Duque ressuscitou o «A bem da Nação» com que a ditadura substituiu a saudação «Saúde e Fraternidade» da I República. O governo dos Álvaros quer eliminar o feriado do 5 de Outubro, o que nem o salazarismo ousou em mais de 40 anos. Percebem o sentido que tudo isto faz? Mete-se pelos olhos dentros.O primeiro a tê-los bem abertos deve ser o Presidente da República. Esta malta vai embalada...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reconheça-se o papel do futebol

Num país que perdeu o sentido estratégico próprio, que se abandonou ao pensamento e até ao querer de outros em domínios do seu mais imediato e fundamental interesse, a competência demonstrada na equipa de futebol nacional merece ser saudada como um estímulo para desafios mais gerais.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Eduardo Lourenço e a Pátria Utópica

Pátria Utópica, o livro de cinco exilados políticos que regressaram a Portugal depois do 25 de Abril- António Barreto, Ana Benavente, Eurico Figueiredo, Valentim Alexandre, e eu próprio- mereceu hoje uma vasta reflexão de Eduardo Lourenço. Só por isso valeu a pena publicar o livro.


Eduardo Lourenço, o nosso maior intelectual vivo, ainda não tem sucessor. Nem se adivinha outro com a mesma capacidade de pensar uma pátria. Mesmo que utópica, mesmo que mítica, mas sempre necessária.

Manifestações

Já se percebeu: as manifestações vão engrossar nas ruas de Portugal. Foram o acontecimento deste fim-de-semana e anunciam resistência à falta de folgas e almofadas. O caso dos militares merece ser tratado com cuidado. Não vejo no governo sabedoria para o efeito. Gostam de levar a eito coisas que não são para brincadeiras de adolescentes políticos.

Gosto