quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Detalhes positivos deste governo esta semana

Pareceu-me que o Primeiro Ministro inaugurou esta semana um novo modelo de recepção aos partidos políticos quando os consulta em vésperas das cimeiras europeias: em vez de os deixar a perorar de pé à saída da audiência, com os jornalistas aos magotes de instrumentos em riste, cedeu-lhes a sala de conferências onde cada delegação pode responder sentada, uma atitude que facilita o entendimento geral, e dá outra postura aos parceiros políticos e sociais. Se assim é, o governo merece nota positiva.
Também o facto de se ter terminado com as abusadoras conferências de imprensa dos membros da troika, quando nos visitam, merece realce, tanto mais que os comunicados sobre as avaliações produzidos por ela estão publicados, e podem servir sempre de verificação das conclusões e opiniões emitidas pelos nossos governantes e seus amplificadores.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A gala da Sociedade Portuguesa de Autores

Ontem assisti ao espectáculo oferecido pela SPA na RTP1. Foi um acontecimento diferente pelo ritmo, pelas distinções, pelos conteúdos.Serviço público efectivo, sem necessidade de teoria. Muito justo o Prémio atribuído a Mário Soares como escritor da sua própria obra como historiador, como político que escreve os seus discursos ( ainda me lembro como se fosse ontem da leitura que fez do Manifesto da Oposição Democrática em 1965, vibrante, muito bem escrito, melhor lido, em que defendíamos, dez anos antes do 25 de Abril, a necessidade do Estado português aceitar e organizar atempadamente a autodeterminação para as colónias), como jornalista de há décadas que não precisa de carteira.
Autor de muitos livros escreveu há pouco tempo um em que enfatiza a sua dimensão política. Mas o título Um Político Confessa-se faz ressoar o de Aquilino,
Um Escritor Confessa-se...
Também gostei muito do segundo fado do Carlos do Carmo, e das palavras sérias da Rita Blanco quando foi agradecer o seu prémio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vichy aqui tão perto?

O El País de domingo insere uma breve análise sobre os temas de campanha de Sarkosy, concluindo que o actual presidente francês está rodeado de publicistas de direita que ressuscitam slogans do regime capitulacionista de Vichy do género«La France Forte» tendo por base a trilogia pétanista da altura «Trabalho, Pátria, Família». O jornal madrileno apresenta ainda a genealogia dos responsáveis por essa campanha, destinada, ao que parece, a «comer» votos à estrema-direita de Marine Le Pen. Será só isso ?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ganhar o próximo jogo

O SLB não ganha há três jogos seguidos. Mesmo assim uma das prendas que mais gostei de receber no dia dos meus setenta anos foi uma camisola do Glorioso com o meu nome nas costas e os autógrafos de jogadores e equipa técnica, uma amiga iniciativa da Maria João Avillez e do António Costa, dois benfiquistas de todos os tempos, sobretudo dos menos fáceis. Já tenho a camisola vestida para vencer o próximo jogo!Nem interessa o nome do adversário...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A festa mais popular

Evidencio hoje no Correio da Manhã que o Carnaval é a festa mais popular entre os portugueses. Mesmo o Santo António e o S.João não passam de celebrações regionais se comparadas com a extensão e o vigor das actividades carnavalescas no território nacional. E se olharmos para o mundo lusófono não há outra festa tão participada como esta. Se houvesse um dia da CPLP consensual esse dia seria o do Carnaval. O governo de Passos Coelho está a precisar de um antropólogo, mesmo se formado na antiga Escola Colonial, para lhe explicar que até a desautorização pública sofrida por Passos Coelho faz parte do espírito de subversão controlada da quadra. Passos colaborou sem saber porquê, e já se prepara para ter tratamento igual para o ano, segundo o evangelista Relvas

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um boa auditoria ao BPN

Não será demais indagar tudo o que possa eslarecer sobre o maior escândalo financeiro do regime. A auditoria do Tribunal de Contas é um bom método inicial. Mas ficará de fora certamente o mistério do «risco sistémico» apregoado em 2008 que cobriu a nacionalização do banco, assim como o desaparecimento desse risco por 40 milhões de euros em 2011 quando foi vendido com estímulos. No fundo, quanto custou a operação a um povo piegas, e porquê.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ordem do Dia-Um debate em crescimento

Tenha visto ultimamente com mais atenção o programa de debate da RTP-Informação-ORDEM do DIA-, moderado por Carlos Daniel e com a participação de Joana Amaral Dias, Cristina Azevedo e Paulo Rangel. O programa encontrou uma agenda, um tom, e um ritmo que fazem dele um dos melhores da televisão portuguesa.

Londres regressa acompanhada ao continente

Há três meses os continentalistas apontavam, com aquele contentamento néscio que os caracteriza, o isolamento do Reino Unido no projecto salvífico do próximo tratado sem nome, mas com calendário- a única meta que preenche essas mentes. Agora Londres, com a ajuda do primeiro-ministro italiano, reuniu à volta de um documento para- alternativo ao tratado inter-governamental de Merkel-Sarkosy, um significativo grupo de Estados membros como a Irlanda do resgate doce, a nossa vizinha Espanha das manifestações altaneiras , a latina e ladina Itália, as ortodoxas monetaristas como a Holanda e a Finlândia, as sempre resistentes República Checa e Suécia com as continhas em dia. Este grupo de aliados é mais do que uma testa de ponte política. É quase um cerco. Merkel e Sarkozy deixaram de estar à vontade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O marido da mulher de César

O jornal Público noticiou a ida de Orlando Figueira, procurador do caso «BES-Angola», para o banco BIC, uma marca angolana recentemente associada a um bom negócio unilateral com o governo português para a reprivatização do agora menos sistémico BPN. Eu até vejo com bons olhos estratégicos o entrosamento das economias luso-angolanas. Mas fico aterrado com o à vontade com que certas coisas se fazem, sem que se vejam precedentes, clima deletério, incompatibilidade legais ou funcionais, nessas transumâncias entre pastos afins. E considero demasiado desenvolta a resposta da PGR alegando que «ignora oficialmente a informação». Não se deve exigir ao marido da mulher de César menos do que se exige a esta...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Festejar 70 anos

Ontem completei 70 anos de vida. Preparava-me para uma comemoração em família quando fui conduzido por esta para a Estufa Real, onde me esperava uma multidão de amigos, mobilizada por um quinteto especial deles, Mário Mesquita, Eduardo Paz Ferreira, Cristina Albuquerque, Carmo Figueiredo e Inácia Rezola, por ordem de entrada cronológica no meu percurso de vida. É um quinteto de luxo. Quem o conseguir reunir pode alcançar metas insuspeitadas. Eu só comecei a suspeitar muito tarde porque a Maria Emília encobriu o jogo até eu receber um telefonema do Manuel Sérgio a pedir-me que adiasse a data do jantar para o dia seguinte, pois ele tinha de assistir ao Guimarães- Benfica de má memória... Jorge Sampaio também me telefonou do estrangeiro a dizer que só me podia dar parabéns por aquela via.
Foi para mim uma noite muito emocionante pela qualidade, pela quantidade e pelo clima festivo envolvente. Como não tive as palavras adequadas para responder à generosidade dos oradores- Paz Ferreira, Mário Soares, Ana Mesquita, Eurico Figueiredo, Jaime Gama, Mota Amaral, Joana Amaral Dias,Vasco Cordeiro que também leu uma mensagem de Carlos César, Ramalho Eanes- não fui suficientemente comedido nos agradecimentos como recomenda a cortesia. Embalado pela sala plena de amigos ultrapassei os limites temporais , e talvez não só, na minha resposta ditada pela emoção e pela felicidade. Espero que todos possam ter recuperado da hora extraordinária esta manhã.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prevejo o caos doméstico amanhã

Prevejo para amanhá o caos doméstico introduzido pelo mau método de decidir do governo sobre a intolerância de ponto na terça-feira de Carnaval.Crianças aos molhos em casa e nas repartições públicas.Autarquias em feriado municipal, etc Chumbo da leviandade mascarada de dureza.Para o ano se verá melhor a situação.

Igrejas Caeiro-Uma voz culta e amiga

Igrejas Caeiro começou por fazer parte do meu universo mítico através da rádio, ouvida com sofreguidão nos Açores de há mais de sessenta anos. Primeiro foram Os Companheiros da Alegria com os diálogos entre a Lélé e o Zequinha, e a popular «nota de quinhentos que não se pode deitar fora», com perguntas que valiam muito mais. Um espectáculo itinerante que chegou ao Teatro de Vila Franca do Campo quando eu tinha dez anos. Depois foi a rubrica radiofónica Perfil de um Artista em que Igrejas Caeiro entrevistava intelectuais, cientistas, personalidades das artes, geralmente progressistas e que eu ouvia ao sabor das oscilações da onda curta.Entretanto corriam histórias, à boca pequena, sobre o sua desassombrada oposição ao ditador Salazar que lhe valera ficar sem emprego na segura EN, e sem programa ao vivo no RCP.
E, com efeito, na campanha eleitoral para as eleições constituintes de 1975 fui companheiro de Igrejas Caeiro na lista de Lisboa do PS, e com ele fiz inúmeras sessões de esclarecimento e acções de rua. em que ele se mostrava um mestre mobilizando as populações mesmo em terras tidas então como muito difíceis como Vila Franca de Xira. Fizemos uma amizade espontânea que perdurou. Igrejas Caeiro, um cidadão, antes dos direitos plenos da cidadania.

Como encarar as manifestações?

Em poucos dias tivemos duas políticas comportamentais de titulares de orgãos de soberania perante manifestações. Cavaco Silva, perante os estudantes da artística escola António Arroio fez meia volta volver, cavando ainda mais o nível do seu prestígio. Não ficou bem na fotografia, mas não houve fotografia. Passos Coelho, este domingo, chegou a Gouveia e resolveu mostrar ao PR como enfrentar essas manifestações «à Mário Soares». Mas não é Mário Soares quem quer. As imagens lá estão a testemunhar a falta de persuasão do primeiro-ministro perante a muitidão, resgatado a meio da operação «vejam lá isto em Belém», por um grupo compacto de seguranças, quem sabe se em mobilidade para a presidência da República...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Filosofia da memória com adjectivos

Mário Soares tem discorrido abundantemente sobre velhos e antigos episódios da sua longa e rica carreira. Disseram-me que num recente programa da RTP1-que não vi- voltou à carga com uma interpretação especulativa sobre as razões do meu pedido de demissão de MNE, em Outubro de 1977, envolvendo também o PR Ramalho Eanes numa concertação de posições que não existiu. Já desmenti essa versão inquinada, por escrito e pessoalmente, junto de Mário Soares.Sem resultado, pelos vistos.
Agora na Figueira da Foz, Mário Soares resolveu dar conta dos termos de uma «discussão gravíssima» e de uma conversa «brutal» que terá tido com José Sócrates para o convencer a recorrer à ajuda externa em Abril do ano passado .Segundo Leonete Botelho no jqornal Público, uma fonte perto da nascente das frases de José Sócrates afirma que este só terá «memórias doces» das conversas com o fundador do PS. Prevejo que nem mesmo assim Mário Soares tomará boa nota do estilo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sem pontos de apoio

O meu artigo de hoje no Correio da Manhã parte da premissa da falta de pontos de apoio na sociedade portuguesa para esta se reconstruir e transformar. Nem política,nem económica, nem socialmente há forças estruturantes suficientes no montão de destroços à vista. Cavaco Silva dá tiros sucessivos no pé, perdendo vigor institucional, suscitando o gáudio sobretudo no pathos reaccionário da ala dos lusitos do PSD. Há sectores no mundo do trabalho que começam a ser refractários à filosofia do movimento sindical. Os nossos banqueiros, que dominaram o país nos últimos vinte anos, vêem-se agora gregos com as novas exigências europeias, sem crédito visível para dar e receber. Os nossos intelectuais só pedem reconhecimento geral. Estamos entregues às forças cegas do mercado...

Bill Clinton volta com o intervencionismo do Estado

Um perito novo-iorquino de finanças públicas, que participou numa dessas conferências organizada por Paz Ferreira, sintetizou o seu mal-estar perante a dívida externa dos USA não tanto por causa dos seus montantes mas porque as infra-estruturas norte-americanas continuavam obsoletas. E deu o exemplo das redes eléctricas, das redes de água, dos caminhos de ferro, etc. Ora Bill Clinton, no seu novo livro , defende um papel mais intervencionista dos poderes públicos no relançamento do crescimento económico, e propõe uma política de modernização dos portos, aeroportos, redes eléctricas, melhoria das vias rodoviárias, e assim por diante. Bill Clinton é um dos presidentes mais populares na história norte-americana.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sim, ou não, ao tratado intergovernamental?

Eduardo Paz Ferreira, catedrático de Finanças Públicas, tem vindo a animar a actividade de cidadania da Faculdade de Direito de Lisboa, com uma série de iniciativas tomadas no âmbito dos institutos que dirige, para além de uma presença cada vez mais marcante nos orgãos de comunicação social. Desta vez é o Instituto Europeu daquela Faculdade que organiza uma conferência sobre o futuro tratado intergovernamental.
Está farto do pensamento único? Dirija-se hoje à cidade universitária. Parece impossível, mas é verdade.

Solidariedade em Portugal para com o Povo Grego

Estava a faltar entre nós um grito de solidariedade para com o desesperado povo grego, em nome de um espírito europeu bem entendido. Portugal não é a Grécia, mas há paralelos que impressionam.Basta recordar que os dois países libertaram-se das respectivas ditaduras no mesmo ano de 1974, e que pediram a adesão à Comunidade Europeia empenhados num projecto democrático para o continente. Essa libertação não foi induzida do exterior como muitas outras depois da queda do muro de Berlim, e do fim da União Soviética.Solidariedade bem entendida pois, a de um grupo de individualidades diverso, a que tive a oportunidade de fazer parte.Sinto-me melhor com a minha consciência de cidadão europeu,num momento em que se pretende enterrar essa cidadania. A Europa dos cidadãos está a ser substituída pela velha Europa das chancelarias.Mau sinal.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A quinta da maioria

Começa a ser um tique desta maioria. Querem despedir quem discorda. Querem expulsar os críticos das profissões e posições que ocupavam antes deste governo chegar ao efémero poder.Um secretário de Estado da Juventude mandou emigrar os professores; o ministro da Defesa sugeriu que os militares descontentes com as medidas do governo saíssem das fileiras, onde construíram geralmente uma carreira de muitos anos com colocações em vários pontos do país, e até fora dele; agora um deputado do CDS, que não conhece outro mundo do que o oferecido pela jota partidária, opinou, sem bom-senso mas com despudor, que os funcionários públicos que não queiram submeter-se às regras de mobilidade que a maioria tem em mente, devem pedir a sua demissão, quem sabe se para dirigirem, em regime gracioso, algum clube desportivo na sua terra. Mas quem é esta gente que pensa que pode por e dispor das pessoas desta maneira? E só vamos em sete meses de folia...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O que se pretende que a Grécia faça?

O conselho de ministro do Eurogrupo, destinada a aprovar o plano de resgate grego, adiou a sua reunião marcada para hoje. Parece que há uns esclarecimentos a exigir por «Bruxelas» ao programa aprovado domingo em Atenas no meio do fogo e da desagregação partidária.Não há coragem no centro da Europa para assumir que se pretende a saída da Grécia da zona euro, e empurra-se para Atenas a responsabilidade da política de outros. Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opiniãopublica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated».

Gosto