sexta-feira, 20 de abril de 2012

Angola fala em português no Conselho de Segurança

A República Popular de Angola é o Estado que mais tem apoiada a língua portuguesa como língua internacional. Ouso mesmo dizer que o tem feito com maior determinação do que o Brasil, Moçambique, e até alguns governos portugueses. Ainda esta noite o representante de Luanda no Conselho de Segurança leu o seu discurso sobre a situação na Guiné-Bissau num português de lei.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O jogo das previsões

Bruxelas intima a Espanha a alcançar o défice de 3% já em 2013, a actual data fétiche da tecnocracia do Euro. O FMI fez as suas contas e acha impossível que Madrid alcance tal meta antes de...2018. Vai uma aposta sobre quem terá razão?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

PIM PAM PUM

Lembram-se de Paul, o polvo que adivinhava os resultados no Mundial de Futebol 2010? Acertava mais que este governo. Em Junho de 2011, Passos Coelho afirmava: "Faremos tudo para que o regresso aos mercados possa ser ainda mais rápido" do que os dois anos de intervenção externa. A 31 de Janeiro de 2012, o Primeiro-Ministro já dizia que a partir de 2013 Portugal "não precisa de pedir dinheiro para a economia crescer nem o Estado para se financiar". A 29 de Fevereiro, o Ministro das Finanças reafirmou que “não precisaremos nem de mais tempo nem de mais dinheiro”. A 19 de Março, Gaspar declarou que o regresso de Portugal “será a 23 de setembro de 2013”. Só faltava dizer a hora.
Mas a 7 do corrente mês, Passos Coelho disse que Portugal pode não voltar aos mercados em 2013. Nesse mesmo dia, o ministro-Adjunto dos Assuntos Parlamentares, garantiu que Portugal voltará aos mercados em Setembro de 2013. Ontem, o Primeiro-Ministro precisou que Setembro de 2013 «não significa uma data em absoluto» para o regresso aos mercados. É isso mesmo que está a pensar. Não se trata de um lapso mas de um colapso. E é molusco.

Notícias à moda de Bruxelas

Num bem curioso texto, a jornalista do Público Isabel Arriaga e Cunha faz-se eco das possíveis irreversibilidades que a ratificação do tratado orçamental por Portugal- a única até aqui entre os 25 assinantes- induz na vontade de François Hollande de rever esse tratado caso ganhe as eleições presidenciais.Só pergunto: mas quais serão as consequências para o dito tratado se a República Francesa não o ratificar? Em Bruxelas não há prospectiva?

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Espanha paga a sua soberania?

Pouco a pouco a dogmática pan-europeia expulsou a noção de soberania nacional da sua esfera de influência. Não há colonizado que não demonstre com a falsa erudição dos semi-sábios a irrelevância do conceito, se não os perigos que transporta, talvez para esconder outros bem mais actuantes nos dias de hoje. Ser «soberanista» tornou-se um anátema no sillabus centralista europeu em curso.
Ora desde que Rajoy ousou chamar a atenção para a reserva de soberania da Espanha na zona euro que a maldição persegue aquele nosso vizinho. Até o simpático- e a prazo irrelevante- Mário Monti quer engrandecer a Itália com críticas levianas, ou encomendadas, a Madrid. Pobres «periféricos» lançados «soberanamente» uns contra os outros...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Arrogância política ou ideológica?

Carlos Zorrinho, nas jornadas parlamentares do PS a decorrer, acusou o governo de «arrogância política». Mas eu pergunto:trata-se de arrogância política, ou antes arrogância ideológica? E como deve um partido socialista combater a arrogância ideológica da nova direita no poder? Só com política mansa?

domingo, 15 de abril de 2012

Falta de produtividade no futebol

Fará algum sentido parar todas as competições profissionais de futebol que envolvem 32 equipas para realizar a final da Taça da Liga com paragem de tesouraria para 3o clubes da mesma Liga? Não se podia jogar essa final a meio da semana, ou num feriado que subsista? Por uma questão de produtividade futebolística...

sábado, 14 de abril de 2012

Cabo Submarino

Hoje no Cabo Submarino analiso o erro da ratificação precoce do » Tratado sobre a Estabilidade,Coordenação e Governação na União Económica e Monetária». O facto de Portugal ter sido o primeiro a ratificá-lo é um exercício despudorado de fraqueza e hipocrisia, além de «cheirar» a frete nas vésperas da eleição presidencial e França.
Este tratado orçamental foi feito para dividir a UE não para a unir.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

TRABALHO LIBERTA

Já nos tinham impingido que a culpa da crise é dos cidadãos “de uma maneira geral” que “vivem acima das suas possibilidades”. Agora, segundo a troika, a culpa do aumento do desemprego é dos próprios trabalhadores que pedem para serem despedidos assim, à maluca. E, segundo o FMI, a culpa do descalabro da economia é dos reformados que, caprichosos, insistem em viver até mais tarde. A troika que, estranhamente, não esperava o aumento do desemprego consequente à austeridade, diz que os trabalhadores preferem ser despedidos mais cedo para escapar a futuras regras mais penosas dos subsídios. Já o FMI sugeriu aos governos que baixem as pensões considerando “o risco da longevidade” e, já que não há maneira da malta morrer, recomendam que a idade de reforma se aproxime da esperança média de vida.
Enfim, acham que num tempo em que encontrar emprego é mais difícil que apanhar água com a peneira, as pessoas perdem o seus postos  voluntariamente e que o melhor é trabalhar até morrer ou sobreviver na miséria. Querem convencer-nos que as pessoas que ainda têm emprego são suicidas e as que já estão reformadas mais valia suicidarem-se. Não se pode acabar com isto?

O país eufemístico

Nem novilíngua, nem admirável mundo novo. É uma velha tática. Quando se dizia: “Quanto mais canhões houver, mais duradoura será a paz”, deveria acrescentar-se, segundo Brecht, “Quanto mais sementes se semearem, menos cereais haverá; quanto mais gado for morto, menos carne teremos; quanto mais neve derreter nos montes, menos água correrá nos rios”. Vai daí, Passos Coelho clama “Empobrecer o país para sair da crise”, Crato afirma que “quanto mais escolas fecharmos, mais cultos seremos” e o país vive um novo acordo de vocabulário.
Adaptações são as exceções aos cortes nos subsídios na TAP ou na CGD. Medidas de racionalização no ensino significa redução do número de docentes. Colaboradores substitui trabalhadores. Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego representa facilitação dos despedimentos, diminuição das indemnizações, dos salários e de dias de férias ou feriados. Se os jovens quiserem fazer as malas, não podemos impedi-los quer dizer emigrem! Insuficiência alimentar traduz fome. Lapso substitui mentira. 2013 é o mesmo que 2015. E, claro: temporário significa permanente. 

you name it

Os opositores ao Acordo Ortográfico defendem a “preservação da língua”. Apesar da natural evolução e do bafio colonial, essa posição transformou o AO, supostamente um uniformizador, num divisor. Pelos vistos, agora, tanto dá escrever pré como pós novas normas ortográficas.
            E eis que chegou aquilo que o governo designa de branding das lojas do cidadão. A estação de metro do Chiado já se designa de PT Bluesation. Daqui a nada o rés-do-chão do Éden de Cassiano Branco pode intitular-se Loja Sonae. Exclamando a mesma marca em todo o país, talvez a nação venha a dar-se pelo nome de Portugal Bimby. Mas esta mercantilização já não parece picar o palato dos oponentes à putativa estatização da língua. Deve ser porque estes anúncios são um eventual contributo para a transparência do regime. O Ministério das Finanças poderá passar a Ministério BES e o Ministério da Economia a Ministério Three Gorges. Isso sim, seria um caso de publicidade não enganosa e, claro, de um português absolutamente rigoroso. 

O Presidente anulado?

Cavaco Silva foi cúmplice do governo na suspensão do recurso às reformas antecipadas integrando-se na política de segredo do governo e promulgando o decreto em data combinada com este. Também deixou de se pronunciar sobre os actos deste, mesmo quando não está de acordo, escaldado com as tontices próprias sobre a reforma pessoal que devia ter suspendido para optar pelo vencimento oficial da sua magistratura. Porém o PR vai ter que assumir em breve responsabilidades decisivas, por exemplo na apreciação das alterações das leis laborais. Não haverá desculpa para a inacção.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Faz algum sentido Portugal ser o primeiro a ratificar?

Portugal não deu qualquer contributo político para o projecto de tratado orçamental, e figura entre os Estados- pacientes candidatos a receber o tratamento de rigor nele previsto de que outros escaparão quando necessário. O calendário da assinatura do tratado teve a ver com a campanha de Sarkosy em França- o verdadeiro apoio dado por Merkel a este amigo especial. A ratificação pioneira e isolada de Portugal em plena campanha presidencial francesa é um atentado ao bom-senso e ao bom gosto nestas matérias

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O ensino pré-OCDE

O regresso do ensino em Portugal aos «bons velhos tempos» da escola de Nuno Crato enquanto menino não está a receber boas classificações no centro de excelência avaliativa da OCDE. Portugal aparece como um dos países com maior taxa de «reprovações», ultrapassando alegremente 30 dos 34 Estados dessa organização-um triste mas afeiçoado record doméstico. A reprovação é uma medida ineficaz e custosa e o ensino deve recentrar-se na aprendizagem e no aluno, defende o relatório em apreciação.O facto das reprovações aumentarem as despesas orçamentais deve motivar o governo a sair da sua postura educativa pré-OCDE...

Ensaio geral

O «método Passos», traçado no post anterior, recebe uma luz translúcida quando se lê a rubrica Charlemagne no último número do The Economist. A seguir os seus conselhos para a saída de um país da zona euro, o governo português já fez o ensaio geral com a armadilha do fim das reformas antecipadas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Corroer o pacto social

Passos Coelho quis explicar em Moçambique o «truque» do secretismo do fim das reformas antecipadas .Mas o nosso primeiro acha que cá em Portugal não se tinha percebido o «voo táctico» do governo desde quinta-feira santa?! O problema não é de esperteza primária. Trata-se de um problema mais sério e profundo de confiança entre as partes do pacto social. Que se está a esboroar. Mas isso o governo só perceberá pelos mercados e não pela política. Aqui em Portugal ou nos trópicos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Campeão em tudo, excepto no futebol

O Benfica acaba de perder com o SCP, e terá de lutar agora pelo 2º lugar na Liga que dá direito à entrada directa na «Champions». Depois de uma época tão prometedora o SLB arrisca-se a ganhar de novo a triste Taça da Liga.
Como prémio de consolação, não se sabe para quem, o Benfica é o campeão em Portugal das audiências televisivas e do número de espectadores nos campos de futebol. E certamente irá vender aqueles jogadores maravilhosos que hoje não acertaram uma, o que irá enriquecer os cofres patrimoniais da Luz. A alegria do adepto benfiquista-esse grande intruso- é que desaparece durante mais uns tempos.

Cabora Bassa e a dívida pública da República Portuguesa

Passos Coelho irá vender hoje, por 40 milhões de euros, informa o Público, os penúltimos 7,5% das acções que a República Portuguesa detém na hidroeléctrica de Cahora Bassa, um dos piores negócios de sempre do Estado. Quando se fizer a sério a história da dívida externa portuguesa desde os anos setenta do século passado no tempo do «Estado Novo», os encargos com essa barragem figurarão em grande destaque e ainda com maior complacência dos nossos Savoranolas das despesas sociais.

domingo, 8 de abril de 2012

Palavras de Nikias

Pedro Mexia, na Atual, cita Tabucchi, que invoca Borges, sobre textos curtos: «Se se pode dizer uma coisa em poucas palavras, para quê dizê-la em muitas?»
Como sabem estou plenamente de acordo. Mas isto não vem a propósito nem dos citados, nem dos meus textos aqui no blogue, mas das palavras de Nikias Skapinakis na inauguração da sua extraordinária Antológica no CCB-Museu Berardo em que se passa em retrospectiva 60 anos de muita pintura e de muita história cultural e social. Disse o cidadão:
«Já que falo em política, actividade que, conjuntamente com o ensino, abandonei há meio século para ser só pintor, lembro-me que, nos anos 50, no decorrer de uma reunião de políticos oposicionistas, mais ou menos desavindos, Jaime Cortesão, deu-me a palavra. Eu, que era o mais novo dos presentes, disse-lhes que se entendessem.» Na altura era o essencial.
A «Grande Antológica» reúne cerca de 260 obras de Nikias (muito trabalham os ociosos) e está aberta até 24 de Junho.

sábado, 7 de abril de 2012

Coisas minhas II

Hoje, sábado, como sempre no CM, a crónica O Cabo Submarino. Sobre o mau caminho que o governo está a seguir. Depois de ter ensaiado a divisão bolorenta entre «governantes e governados», começa a ensaiar o tratamento dos portugueses não como cidadãos de um Estado de Direito mas como súbditos de não se sabe que potência ou organismo multilateral. Este governo de Passos Coelho segue um caminho errado, e ainda por cima toma maus atalhos.

Coisas minhas

Já fui entrevistado na imprensa escrita pelos melhores:Mário Mesquita, Luís Osório, Maria João Avillez, Maria João Seixas, Anabela Mota Ribeiro. Por esta voltei agora a ser entrevistado para o Jornal de Negócios deste fim de semana, jornal que lhe deu realce. Tenho tido muito eco do que lá disse. As fotografias de Miguel Baltazar também ajudam...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Regresso à Prova das Nove da TVI-24

Regresso hoje ao programa moderado por Constança Cunha e Sá que conta com a participação conhecida de Pedro Santana Lopes, Fernando Rosas e Francisco Assis numa base de alternância de periodicidade quinzenal com este último, o que muito me agrada.

Peter Weiss é que é livre em Bruxelas

Onde parece reinar a mais completa liberdade de opinião sobre os mais graves assuntos internos dos Estados-membros é no interior da Comissão Europeia. Desde Gunther Oettinger a esta fino funcionário da direcção-geral dos Assuntos Económicos e Monetários, Peter Weiss, todos opinam sobre os remédios que gostariam de administrar aos países do sul, mesmo que sejam do oeste. O burocrata nem conhece os rudimentos constitucionais de Portugal e anulou para a eternidade o método de dividir por 14 mensalidades os vencimentos anuais da função pública, destapando os eufemismos púdicos que ainda cobrem o corpinho não-distributivo do governo de Passos Coelho. Esses membros da Comissão Europeia devem fazer essas declarações destemperadas para chamar a atenção do seu presidente de nacionalidade portuguesa...

Com Isabel Moreira

Não se percebe a «advertência» que o líder da bancada do PS ficou encarregado de fazer à deputada Isabel Moreira que votou contra a generalidade da proposta de revisão das leis laborais, pacote espúrio, e inconstitucional, - onde até se trata de uma matéria identitária da comunidade nacional como a eliminação de feriados! Acontece que se há matéria em que a liberdade de voto faz sentido, consignada nos estatutos e no regulamento parlamentar do PS- figura que muito honra esse partido - são os dispositivos insertos num código laboral tão volátil e oscilante nas diversas conjunturas. Andou mal a direcção da bancada parlamentar do PS, logo no dia seguinte à aprovação dos estatutos que consagraram « o princípio da liberdade de voto dos deputados», em diplomas como aquele em apreço.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Multas para o desemprego excessivo na UE

O desemprego atingiu os 10% de média nos países da UE. Portugal contribuiu com 15%, uma taxa desconhecida entre nós.
Apetece propor que o Tratado Compacto, a ratificar pelos parlamentos, só o seja depois de se juntar às multas por «défices excessivos» as multas por «desemprego excessivo».Digamos tudo que ultrapasse os 5%.Poupava-se a Alemanha e ainda se robustecia o orçamento comunitário...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Brincar aos comboios

A bitola europeia sempre foi a grande ausente das negociações portuguesas sobre os caminhos de ferro internacionais. Teria sido precisa muita pressão da Comissão de Bruxelas para influenciar Madrid e Paris numa concertação de fundos e calendários sobre a matéria quando as redes de transporte de alta velocidade receberam prioridade nas perspectivas financeiras do orçamento comunitário. Mas «inventar» com todas as peças uma linha de alta velocidade de bitola europeia na península ibérica ainda não tinha ocorrido a nenhum decisor com a importância de um primeiro-ministro. Passos Coelho brincou aos comboios de alta velocidade com aquela »coragem» das crianças entretidas...

sábado, 31 de março de 2012

Reformas estruturais nos partidos

No Correio da Manhã passo em revista a Semana dos Partidos. O PSD encheu a boca com a «coragem política» típica do início dos mandatos governamentais e evitou erguer a lucidez a critério da governação.Mesmo essa reclamada «coragem», até aqui só aplicada contra os mais fracos, precisa de ser aferida quando se tratar de seguir a troika no combate às «rendas excessivas» de certas empresas, e de renegociar com tino, e sentido do bem-comum, muitas das PPP.
Quanto ao PS, algumas das alterações aos estatutos, que cito no artigo, vão no sentido de abrir o partido à sociedade e à cidadania, o que é positivo. O pior foi ter calhado na semana em que a direcção da bancada parlamentar decidiu a disciplina de voto adventícia e injustificável na votação do pacote laboral...Quem pode assim tanto pode assim tanto dentro do PS estando fora?

sexta-feira, 30 de março de 2012

Aqui ao lado, mas diferente

Dia de greve geral em Espanha contra «o pacote laboral». Centenas de milhares nas ruas de Madrid e Barcelona. Aqui houve «distúrbios» a sério. Pudera, as comunidades autonómicas espanholas estão na linha da frente dos cortes orçamentais. O monetarismo invade a boa organização da sociedade política que permitiu 35 anos de democracia e paz social em Espanha. Há países que permitem que se brinque com eles. Outros a História diz-nos que não são para brincadeiras.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Pepinos e competitividade

Os primatas não gostam de desigualdade, informa-nos uma equipa de cientistas que lidou com macacos sem feriados, alimentados desigualmente com rodelas de pepino perante as mesmas tarefas desempenhadas. Parece que esses primatas se revoltaram contra os tratadores-cientistas, livres de qualquer preconceito. Por exemplo, não seria mau saber o nome dos verdadeiros autores das novas leis laborais. Não falo só dos que a vão votar, mas dos que a conceberam.Ao menos os cientistas deram a cara...

Prolongar o congresso do PSD

Passos Coelho anda a prolongar o congresso do PSD o mais que pode. Parece que gostou..

terça-feira, 27 de março de 2012

A noite mundial do Teatro

Antecipei-me à UNESCO e fui sábado 24 terminar a minha celebração privada do cinquentenário da probição do Dia do Estudante ao teatro Dona Maria ver a peça de Georg Buchner, A Morte de Danton, encenada pelo Jorge Silva Melo.Danton, um dos meus revolucionários moderados de referência.
E a peça? Cite-se JSM:
«Peça desequilibrada, insólita, premonitória, desarrumada, desalinhada, em que às cenas de multidão se sucedem as insónias mais íntimas, em que a história é vista como um pesadelo nocturno(...)Tenho-me encontrado sistematicamente com os primeiros textos daqueles que ainda não encontraram o equilíbrio formal, que ainda sagram. E A Morte de Danton é isso: as convulsões da História vistas por um rapaz perplexo, aflito, inseguro perante a morte.»

Melhor do que muitos gráficos

Excelente artigo de Paulo Morais hoje no Correio da Manhã sobre o poço sem fundo da PPP na Ponte Vasco da Gama. Com os dados que apresenta também eu sou favorável à expropriação da ponte devolvendo aos privados o que lá investiram.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A Itália desde a unificação que não quer ser a Espanha

Mário Monti, que até tem sido uma surpresa positiva, resolveu sermonear o governo espanhol por causa dos défices orçamentais, um abuso que lhe advém de ter sido comissário europeu, e não fazer ideia se alguma vez terá de disputar eleições. Esperemos que tenha sido um erro pessoal, e não um daqueles recados de políticos satélites. Era o que nos faltava este novo campeonato das diferenças entre a Itália e a Espanha. Todos diferentes, sim, mas todos mal. Querida Europa dos recados e das pressões.

Antonio Tabucchi 1943-2012

A minha amizade por Antonio Tabucchi foi desencadeada por termos netas que se conheceram no jardim de infância, há uns cinco anos. Depois, uma amiga comum convidou-nos a jantar. Rapidamente começámos a trocar ideias e livros. Um certo gosto por personagens inquietantes - reais ou ficcionais- ajudou a alimentar esse intercâmbio e uma tardo- amizade que tinha a envolvente do entendimento mútuo com a Maria José e a Maria Emília. Abruptamente veio a notícia de uma doença traiçoeira. Seguimos de perto essa evolução. Quando nos cruzávamos com a Maria José, ou com a filha Teresa- e até com a neta- percebíamos pelos seus olhares a emoção dos dias contados.
Antonio Tabucchi era um intelectual cosmopolita e «engagé» que não amava a humanidade em abstracto, mas causa a causa., país a país. Perdi um amigo e um interlocutor.

domingo, 25 de março de 2012

O bocejo analítico

O congresso do PSD obrigou os enviados especiais e os comentadores a ciclópicos trabalhos de detalhe. Mas o que ressaltou cá para fora um longo bocejo de dois dias sem nada para dizer. Um não-acontecimento monumental...

50 anos depois a RTP1 volta a silenciar O Dia do Estudante

O cinquentenário da crise estudantil desencadeada em 24 de Março de 1962 até teve bastante eco na imprensa escrita. Assim de repente, a revista Visão, a Única do Expresso, a Domingo do Correio da Manhã, o Jornal de Negócios deste fim de semana , o DN e o jornal I de sábado, trouxeram reportagens, entrevistas, enquadramentos históricos e actuais da problemática. No dia 23 a SIC generalista emitiu uma reportagem no seu principal jornal da noite. Mas a RTP1 repetiu a censura aos acontecimentos de há 50 anos...

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Terminal do TGV

As negociações bilaterais entre a Espanha e Portugal para a implementação do TGV ibérico foram mal concebidas desde o seu início, pois haveria de acautelar, entre muitos outros aspectos, uma harmonização com os trajectos e os calendários da extensão da Alta Velocidade ao coração da Europa, incluindo pelo menos mais um país como a França, e assim captando mais fundos comunitários e outros para estas redes de transportes. Depois foram os ypsilons domésticos no governo de Durão Barroso, e as obras apressadas no tempo de Sócrates, para tudo acabar agora no governo Passos Coelho no terminal do Tribunal de Contas...
Mais fundos que ficam retidos no orçamento comunitário.

O voluntarismo de Arménio Carlos

A greve de ontem foi mais um sinal de voluntarismo de Arménio Carlos nestes primeiros tempos de S-G da CGTP do que filha de uma táctica articulada com a capacidade de resistir às modificações que se anunciam nas leis laborais.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Debate pobre no Parlamento Europeu

Strauss-Kahn viu-se obrigado a anular a sua presença no PE em Bruxelas
numa conferência sobre as lições da crise financeira internacional,em que participaria conjuntamente com Jean-Claude Trichet e Jean-Claude Junker. Seria o único a participar que não se chamaria Jean-Claude, e alguém que tem ideias próprias, e positivas, sobre o tema em questão. Embora sem nenhuma condenação judicial, a sua imagem de «predador sexual» está a levá-lo ao silêncio nas questões onde ele é bom, mesmo indispensável.Uma deputada socialista belga acusa-o de «misturar política com sexo ao longo da sua carreira» e teme que ele «queira refazer a sua virgindade» no Parlamento Europeu, imaginem!
O PE, conjuntamente com a Comissão, são os dois órgãos da UE mais desvalorizados na presente crise, impotentes para cumprirem o que os cidadãos devem esperar deles.
O debate ficará mais pobre sem DSK. O que os Jean-Claudes deviam fazer era retirarem-se também do evento, por falta de pluralismo que mais não fosse.

terça-feira, 20 de março de 2012

Notícias do cinquentenário

No próximo sábado comemora-se os cinquenta anos da proibição do Dia do Estudante que marcou a ruptura entre a Universidade e o regime salazarista. Joana Lopes tem vindo a dar notícias do evento no seu magnífico blogue.
Entre-as-brumas da memória. A consultar.

Responsabilidades morais

O atentado anti-semita junto a uma escola de crianças de Toulouse tem o seu autor material a monte.A mesma arma que matou e feriu essas crianças já tinha sido utilizada para matar cinco soldados franceses de origem africana na mesma cidade dias antes. São episódios mais do que condenáveis que têm o seu contexto na campanha presidencial em curso com dois candidatos a «pescarem» no eleitorado racista e anti-imigração como Marine le Pen, e, pasme-se,Nicolau Sarkozy cuja família húngara emigrou para França em tempo oportuno.
Acresce que se comemora no exacto período eleitoral o cinquentenário dos Acordos de Évian que deram a independência à Argélia, um assunto «refoulé» que vem sempre ao de cima nessas datas comemorativas. Tudo razões para os candidatos terem em conta, caso não queiram arcar com as responsabilidades morais e políticas de actos criminosos como os mencionados.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Um renascimento para a Europa?

François Hollande do PSF, Sigmar Gabriel do SPD, e Luigi Bersani do Partido Democrático italiano , firmaram um pacto para reconstruir a ideia de Europa e dar luta à santa aliança de direita que encaminha a UE para a ruína e o abismo.Num comício em Paris, com a presença desses líderes de esquerda, foram feitas propostas para levar a UE a uma espécie de renascimento baseado numa coordenação de esforços no sentido de fazer avançar as reformas no BCE, de fazer regressar a solidariedade e a coesão entre os Estados-membros, e de procurar novas fontes de financiamento do orçamento comunitário. Nos próximos 18 meses esses três partidos podem estar à frente do destino de três países que constituem quase metade do PIB europeu e que somam 200 milhões de habitantes. O clube socialista declarou-se aberto a outros partidos, e já contará com o apoio dos espanhóis e dos belgas.Estaremos perante o fim de uma falta de comparência inexplicável?

domingo, 18 de março de 2012

O «Grupo de Genebra» reúne em Ponta Delgada...

Continua a festa com o Pátria Utópica- o livro sobre o exílio e o regresso do «Grupo de Genebra».Sexta-feira houve lançamento em Ponta Delgada com a presença de três dos cinco co-autores: António Barreto, Eurico Figueiredo e eu próprio. Como escreveu o jornal Açoriano Oriental «Grupo de Genebra reúne em Ponta Delgada». Foi uma jornada muito especial para mim que contou ainda com a apresentação excelente e sugestiva de Mário Mesquita e de Pilar Damião, professora da Universidade dos Açores. A sala do cinema Solmar estava cheia e amiga O evento foi organizado com mão de mestre pelo casal Helena e José Carlos Frias, verdadeiros produtores culturais da sociedade civil que animam o blogue Livraria Solmar.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Caminho Aberto

António Costa lança hoje o seu livro «Caminho Aberto», um belo título para um homem público que está a meio da sua actividade política. A obra refere-se em concreto à acção dos primeiros vinte anos, mas o que se espera de Antóno Costa é a capacidade de impulsionar a reforma da esquerda democrática nos próximos anos, mais do que continuar a dar os passos certos num caminho estreito.

Um erro evitado a tempo

Ontem o Diário de Notícias afirmava que «Olli Rehn exclui CGTP de reunião»E informava-se que, segundo o CES, o comissário europeu «decidiu encontrar-se apenas com os sindicatos e confederações patronais que assinaram o Acordo Tripartido». Guardei a notícia em carteira para a comentar no fim da visita. Porém acabo de ouvir que afinal Olli Rehn manterá o costume de receber os dirigentes da maior central sindical. Fez bem o comissário, falou mal Silva Penedos, precipitou-se Arménio Carlos ao resumir o que pretende dizer amanhá. Não cair em provocações requer treino. Talvez o comissário queira mesmo perceber o que se passa em Portugal.

terça-feira, 13 de março de 2012

A virtuosa Holanda prestes a cair em pecado

A virtude já não pode contar com a Holanda como outrora.O país vai provavelmente ultrapassar os 4% do défice orçamental este ano em que se assinou o tratado da intolerância zero aos deficitários. Veremos os argumentos para Haia evitar a multazinha.Pode servir de precedente depois de 2015...

Espanha convence o Eurogrupo

O governo espanhol estabeleceu unilateralmente a nova meta de 5,8 do défice para este ano em vez da anterior estimativa de 4,4%, e convenceu o Eurogrupo a oficializar o quantitativo. A isto se chama saber defender os interesses nacionais- e europeus- e travar o abuso dos poderes tecnocráticos centralizadores . Até Portugal será beneficiado por essa maior flexibilidade do orçamento espanhol.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Prefácio e Posfácio

Sobre o prefácio de Cavaco Silva está tudo dito e redito. O presidente ajustou umas contas que já estavam saldadas pelos acontecimentos e por aí o prefácio era dispensável. Mas se o prefácio apontar para o anúncio de um posfácio das relações com o governo de Passos Coelho será bom que este se acautele...

sábado, 10 de março de 2012

Às 23 h na SICN

Faço hoje a minha reaparição na televisão, após um interregno forçado, e logo no programa de entrevistas de António José Teixeira- Portugal 2012. Espero que apreciem. É a minha maneira de dizer que estou convosco ao serão.
Segunda-feira repete às 13H.

Que nota leva um árbitro que deixa um jogo atrasar-se 7 minutos em 45?

Pedro Emanuel tem responsabilidades no prolongamento de uns 4 minutos do jogo entre o Porto e a Académica na 2ª parte. Mas onde foi o foi o árbitro buscar um prolongamento de sete minutos em 45? Não há penalizações para esse laxismo durante o desenrolar de uma partida?Proponho que sempre que uma equipa de arbitragem permita uma queima de tempo desta grandeza seja chamada à pedra pela comissão de arbitragem.

O erro de Passos

No Cabo Submarino trato do erro de Passos Coelho em ter atribuído a Vítor Gaspar a supervisão da «Comissão Interministerial de Orientação Estratégica para a Gestão de Fundos Comunitários».Os fundos serão a única alavanca para o crescimento do PIB em Portugal nos próximos dois anos. A coincidência no mesmo ministro monetarista de duas metas diferenciadas- a do equilíbrio orçamental e a do crescimento económico- vai matar a necessária tensão entre propósitos da governação do país. A gestão dessa ponderação caberia a um verdeiro primeiro-ministro.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Feriados« teológicos»

Sempre me surpreendeu a disponibilidade da Conferência Episcopal Portuguesa em eliminar, por sua iniciativa, dois feriados, que foram encarados como «concordatários«.Tratou-se de uma posição da CEP sem referências teológicas próprias e apenas contratual. As hipótese oscilaram entre o feriado do Corpo de Deus, e alguns mais próximos do «culto mariano» como o da Imaculada Conceição ou o 15 de Agosto. Na história do catolicismo romano essas datas estiveram carregadas de lutas teológicas contra o protestantismo e outras religiões. Agora o representante da Santa Sé veio afirmar que o fim do feriado da Assunção da Virgem Maria (15 de Agosto) não está garantido, e que admite um adiamento da questão dos feriados para o ano de 2013. Isto fia mais fino para os lados de Roma. O governo e a CEP vão ter de esperar...

A Grécia vai à frente

Atenas conseguiu levar por diante a negociação da redução volumosa dos valores da sua dívida com os credores privados, uma proposta de Merkel que Sarkozy não aceitava.Os gregos ganham assim imediatamente nesse tabuleiro do «mercado», finalmente convencido da bondade da solução. E também conseguem ter acesso a um novo plano de resgate.Mas há quem continue a pensar que Atenas não serve de referência

quinta-feira, 8 de março de 2012

Carnaval no alto da ponte

O governo é muito teso a decidir para o telejornal, e sobre o joelho. Resolveu alterar unilateralmente o acordo passado com a Lusoponte sobre as portagens em Agosto. Não leu o acordo, nem antes nem depois. Pagou a indemnização à Lusoponte. Os automobilistas pagaram as portagens e perderam tempo nas filas.A receita perdeu-se nalgum cantinho das contas vagas das companhias majestáticas. Que importa isso ao governo sempre tolerante com as suas trapalhadas?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Um jogo que me correu bem

Boa resposta do SLB às aves de mau agoiro. Bom jogo, melhor passagem aos quartos de final. Dois golos de jogadores que afeiçoo: Maxi Pereira, representante do amor à camisola, e Nélson Oliveira. Nelson Oliveira, um misto de José Águas e José Augusto, que aparece como o sucessor português de Nuno Gomes no Benfica e na Selecção.Não foi por acaso que jogou contra a Polónia com o número 21 na camisola...

terça-feira, 6 de março de 2012

Globalização e poderes endógenos

À sua maneira Putine é um caso de culto da personalidade organizado como já se não conhecia no mundo globalizado, onde o verdadeiro culto é o da imagem. Mas a longa duração de Putine coloca aos poderes da globalização ocidental um outro problema: não é fácil mandar na Rússia do exterior.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Cuidados de presidenciável

Ontem Marcelo Rebelo de Sousa, no seu momento com Júlio Magalhães na TVI, recomendou ao movimento sindical que não «banalizasse as greves gerais», um conselho enternecedor vindo de quem vem. Foi um velho toque paternalista, reflexo do hábito de assim tratar os antigos sindicatos nacionais, ou tratou-se de uma legítima preocupação de um «presidente de todos os portugueses»?

domingo, 4 de março de 2012

O ministro da Economia

Cada época tem uma pasta ministerial que compensa:a dos Negócios Estrangeiros, quando havia acção na política externa; a das Obras Públicas quando havia mundos e fundos; a da Ciência quando os cientistas eram poucos e a investigação muita; a das Finanças em ano eleitoral. Depois há as crónicas impopulares: a da Educação,a do Interior e a da Justiça.
Uma pasta paira acima dessas contingências: a da Economia, vocacionada para apoios, ajudas, subsídios, estímulos, concursos, parcerias e negócios. Uma espécie de ministério da segurança social para empreendedores com rede. Qualquer candidato ao lugar fabrica clientes com perspectivas de futuro.Recomendo a qualquer principiante destas artes um estagiozinho nesse confortável mundo Porém parece que Santos Pereira está com dificuldades na área. Quase que simpatizo com ele.

sábado, 3 de março de 2012

A Europa empatada

Hoje no Correio da Manhã o artigo A Europa Empatada. Nele chamo a atenção para a formação de sub-alianças entre grupos de Estados membros da UE, e para as dificuldades de emendar o mentiroso Pacto de Estabilidade, sempre a errar na previsões dos défices orçamentais desde o início do século. Uma espécie de plano quinquenal para reincidentes. Teve toda a razão Rajoy em assinar o diktat ontem e em rasgá-lo acto contínuo.O Tratado sobre a Estabilidade, a Coordenação e a Governação na UEM não vai longe.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Doutores e honrarias

O semanário o Sol dá-nos a lista dos almoços ofertados à inteligência de Paul Krugman na sua passagem por Lisboa quando recebeu três doutoramentos «honoris causa» das nossas universidades públicas de Lisboa, creio que pelos mesmos motivos e obra. Não vejo porque também se não jumelaram os ofertantes, primeiro-Ministro, ministro das Finanças, governador do BdP num mesmo almoço. Foi o levantamento da ponta do véu da austeridade gastronómica, ou houve política de segredo entre essas três entidades tão independentes ?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Referendos na França e na Irlanda

O candidato Sarkosy promete referendos sobre várias matérias domésticas, mas foge como o diabo da cruz do referendo sobre o tratado que gizou com a sua parceira do eixo franco-alemão. Papandreu viu-se crucificado por ter ousado consultar em referendo o povo grego sobre os próprios sacrifícios, e recuou. Mas agora surgem os irlandeses com a receita do costume.Ainda salvam os bancos e fogem da disciplina orçamental forçada.São os efeitos desagregadores da Europa mal conduzida.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Detalhes positivos deste governo esta semana

Pareceu-me que o Primeiro Ministro inaugurou esta semana um novo modelo de recepção aos partidos políticos quando os consulta em vésperas das cimeiras europeias: em vez de os deixar a perorar de pé à saída da audiência, com os jornalistas aos magotes de instrumentos em riste, cedeu-lhes a sala de conferências onde cada delegação pode responder sentada, uma atitude que facilita o entendimento geral, e dá outra postura aos parceiros políticos e sociais. Se assim é, o governo merece nota positiva.
Também o facto de se ter terminado com as abusadoras conferências de imprensa dos membros da troika, quando nos visitam, merece realce, tanto mais que os comunicados sobre as avaliações produzidos por ela estão publicados, e podem servir sempre de verificação das conclusões e opiniões emitidas pelos nossos governantes e seus amplificadores.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A gala da Sociedade Portuguesa de Autores

Ontem assisti ao espectáculo oferecido pela SPA na RTP1. Foi um acontecimento diferente pelo ritmo, pelas distinções, pelos conteúdos.Serviço público efectivo, sem necessidade de teoria. Muito justo o Prémio atribuído a Mário Soares como escritor da sua própria obra como historiador, como político que escreve os seus discursos ( ainda me lembro como se fosse ontem da leitura que fez do Manifesto da Oposição Democrática em 1965, vibrante, muito bem escrito, melhor lido, em que defendíamos, dez anos antes do 25 de Abril, a necessidade do Estado português aceitar e organizar atempadamente a autodeterminação para as colónias), como jornalista de há décadas que não precisa de carteira.
Autor de muitos livros escreveu há pouco tempo um em que enfatiza a sua dimensão política. Mas o título Um Político Confessa-se faz ressoar o de Aquilino,
Um Escritor Confessa-se...
Também gostei muito do segundo fado do Carlos do Carmo, e das palavras sérias da Rita Blanco quando foi agradecer o seu prémio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vichy aqui tão perto?

O El País de domingo insere uma breve análise sobre os temas de campanha de Sarkosy, concluindo que o actual presidente francês está rodeado de publicistas de direita que ressuscitam slogans do regime capitulacionista de Vichy do género«La France Forte» tendo por base a trilogia pétanista da altura «Trabalho, Pátria, Família». O jornal madrileno apresenta ainda a genealogia dos responsáveis por essa campanha, destinada, ao que parece, a «comer» votos à estrema-direita de Marine Le Pen. Será só isso ?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ganhar o próximo jogo

O SLB não ganha há três jogos seguidos. Mesmo assim uma das prendas que mais gostei de receber no dia dos meus setenta anos foi uma camisola do Glorioso com o meu nome nas costas e os autógrafos de jogadores e equipa técnica, uma amiga iniciativa da Maria João Avillez e do António Costa, dois benfiquistas de todos os tempos, sobretudo dos menos fáceis. Já tenho a camisola vestida para vencer o próximo jogo!Nem interessa o nome do adversário...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A festa mais popular

Evidencio hoje no Correio da Manhã que o Carnaval é a festa mais popular entre os portugueses. Mesmo o Santo António e o S.João não passam de celebrações regionais se comparadas com a extensão e o vigor das actividades carnavalescas no território nacional. E se olharmos para o mundo lusófono não há outra festa tão participada como esta. Se houvesse um dia da CPLP consensual esse dia seria o do Carnaval. O governo de Passos Coelho está a precisar de um antropólogo, mesmo se formado na antiga Escola Colonial, para lhe explicar que até a desautorização pública sofrida por Passos Coelho faz parte do espírito de subversão controlada da quadra. Passos colaborou sem saber porquê, e já se prepara para ter tratamento igual para o ano, segundo o evangelista Relvas

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Um boa auditoria ao BPN

Não será demais indagar tudo o que possa eslarecer sobre o maior escândalo financeiro do regime. A auditoria do Tribunal de Contas é um bom método inicial. Mas ficará de fora certamente o mistério do «risco sistémico» apregoado em 2008 que cobriu a nacionalização do banco, assim como o desaparecimento desse risco por 40 milhões de euros em 2011 quando foi vendido com estímulos. No fundo, quanto custou a operação a um povo piegas, e porquê.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ordem do Dia-Um debate em crescimento

Tenha visto ultimamente com mais atenção o programa de debate da RTP-Informação-ORDEM do DIA-, moderado por Carlos Daniel e com a participação de Joana Amaral Dias, Cristina Azevedo e Paulo Rangel. O programa encontrou uma agenda, um tom, e um ritmo que fazem dele um dos melhores da televisão portuguesa.

Londres regressa acompanhada ao continente

Há três meses os continentalistas apontavam, com aquele contentamento néscio que os caracteriza, o isolamento do Reino Unido no projecto salvífico do próximo tratado sem nome, mas com calendário- a única meta que preenche essas mentes. Agora Londres, com a ajuda do primeiro-ministro italiano, reuniu à volta de um documento para- alternativo ao tratado inter-governamental de Merkel-Sarkosy, um significativo grupo de Estados membros como a Irlanda do resgate doce, a nossa vizinha Espanha das manifestações altaneiras , a latina e ladina Itália, as ortodoxas monetaristas como a Holanda e a Finlândia, as sempre resistentes República Checa e Suécia com as continhas em dia. Este grupo de aliados é mais do que uma testa de ponte política. É quase um cerco. Merkel e Sarkozy deixaram de estar à vontade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O marido da mulher de César

O jornal Público noticiou a ida de Orlando Figueira, procurador do caso «BES-Angola», para o banco BIC, uma marca angolana recentemente associada a um bom negócio unilateral com o governo português para a reprivatização do agora menos sistémico BPN. Eu até vejo com bons olhos estratégicos o entrosamento das economias luso-angolanas. Mas fico aterrado com o à vontade com que certas coisas se fazem, sem que se vejam precedentes, clima deletério, incompatibilidade legais ou funcionais, nessas transumâncias entre pastos afins. E considero demasiado desenvolta a resposta da PGR alegando que «ignora oficialmente a informação». Não se deve exigir ao marido da mulher de César menos do que se exige a esta...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Festejar 70 anos

Ontem completei 70 anos de vida. Preparava-me para uma comemoração em família quando fui conduzido por esta para a Estufa Real, onde me esperava uma multidão de amigos, mobilizada por um quinteto especial deles, Mário Mesquita, Eduardo Paz Ferreira, Cristina Albuquerque, Carmo Figueiredo e Inácia Rezola, por ordem de entrada cronológica no meu percurso de vida. É um quinteto de luxo. Quem o conseguir reunir pode alcançar metas insuspeitadas. Eu só comecei a suspeitar muito tarde porque a Maria Emília encobriu o jogo até eu receber um telefonema do Manuel Sérgio a pedir-me que adiasse a data do jantar para o dia seguinte, pois ele tinha de assistir ao Guimarães- Benfica de má memória... Jorge Sampaio também me telefonou do estrangeiro a dizer que só me podia dar parabéns por aquela via.
Foi para mim uma noite muito emocionante pela qualidade, pela quantidade e pelo clima festivo envolvente. Como não tive as palavras adequadas para responder à generosidade dos oradores- Paz Ferreira, Mário Soares, Ana Mesquita, Eurico Figueiredo, Jaime Gama, Mota Amaral, Joana Amaral Dias,Vasco Cordeiro que também leu uma mensagem de Carlos César, Ramalho Eanes- não fui suficientemente comedido nos agradecimentos como recomenda a cortesia. Embalado pela sala plena de amigos ultrapassei os limites temporais , e talvez não só, na minha resposta ditada pela emoção e pela felicidade. Espero que todos possam ter recuperado da hora extraordinária esta manhã.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prevejo o caos doméstico amanhã

Prevejo para amanhá o caos doméstico introduzido pelo mau método de decidir do governo sobre a intolerância de ponto na terça-feira de Carnaval.Crianças aos molhos em casa e nas repartições públicas.Autarquias em feriado municipal, etc Chumbo da leviandade mascarada de dureza.Para o ano se verá melhor a situação.

Igrejas Caeiro-Uma voz culta e amiga

Igrejas Caeiro começou por fazer parte do meu universo mítico através da rádio, ouvida com sofreguidão nos Açores de há mais de sessenta anos. Primeiro foram Os Companheiros da Alegria com os diálogos entre a Lélé e o Zequinha, e a popular «nota de quinhentos que não se pode deitar fora», com perguntas que valiam muito mais. Um espectáculo itinerante que chegou ao Teatro de Vila Franca do Campo quando eu tinha dez anos. Depois foi a rubrica radiofónica Perfil de um Artista em que Igrejas Caeiro entrevistava intelectuais, cientistas, personalidades das artes, geralmente progressistas e que eu ouvia ao sabor das oscilações da onda curta.Entretanto corriam histórias, à boca pequena, sobre o sua desassombrada oposição ao ditador Salazar que lhe valera ficar sem emprego na segura EN, e sem programa ao vivo no RCP.
E, com efeito, na campanha eleitoral para as eleições constituintes de 1975 fui companheiro de Igrejas Caeiro na lista de Lisboa do PS, e com ele fiz inúmeras sessões de esclarecimento e acções de rua. em que ele se mostrava um mestre mobilizando as populações mesmo em terras tidas então como muito difíceis como Vila Franca de Xira. Fizemos uma amizade espontânea que perdurou. Igrejas Caeiro, um cidadão, antes dos direitos plenos da cidadania.

Como encarar as manifestações?

Em poucos dias tivemos duas políticas comportamentais de titulares de orgãos de soberania perante manifestações. Cavaco Silva, perante os estudantes da artística escola António Arroio fez meia volta volver, cavando ainda mais o nível do seu prestígio. Não ficou bem na fotografia, mas não houve fotografia. Passos Coelho, este domingo, chegou a Gouveia e resolveu mostrar ao PR como enfrentar essas manifestações «à Mário Soares». Mas não é Mário Soares quem quer. As imagens lá estão a testemunhar a falta de persuasão do primeiro-ministro perante a muitidão, resgatado a meio da operação «vejam lá isto em Belém», por um grupo compacto de seguranças, quem sabe se em mobilidade para a presidência da República...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Filosofia da memória com adjectivos

Mário Soares tem discorrido abundantemente sobre velhos e antigos episódios da sua longa e rica carreira. Disseram-me que num recente programa da RTP1-que não vi- voltou à carga com uma interpretação especulativa sobre as razões do meu pedido de demissão de MNE, em Outubro de 1977, envolvendo também o PR Ramalho Eanes numa concertação de posições que não existiu. Já desmenti essa versão inquinada, por escrito e pessoalmente, junto de Mário Soares.Sem resultado, pelos vistos.
Agora na Figueira da Foz, Mário Soares resolveu dar conta dos termos de uma «discussão gravíssima» e de uma conversa «brutal» que terá tido com José Sócrates para o convencer a recorrer à ajuda externa em Abril do ano passado .Segundo Leonete Botelho no jqornal Público, uma fonte perto da nascente das frases de José Sócrates afirma que este só terá «memórias doces» das conversas com o fundador do PS. Prevejo que nem mesmo assim Mário Soares tomará boa nota do estilo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sem pontos de apoio

O meu artigo de hoje no Correio da Manhã parte da premissa da falta de pontos de apoio na sociedade portuguesa para esta se reconstruir e transformar. Nem política,nem económica, nem socialmente há forças estruturantes suficientes no montão de destroços à vista. Cavaco Silva dá tiros sucessivos no pé, perdendo vigor institucional, suscitando o gáudio sobretudo no pathos reaccionário da ala dos lusitos do PSD. Há sectores no mundo do trabalho que começam a ser refractários à filosofia do movimento sindical. Os nossos banqueiros, que dominaram o país nos últimos vinte anos, vêem-se agora gregos com as novas exigências europeias, sem crédito visível para dar e receber. Os nossos intelectuais só pedem reconhecimento geral. Estamos entregues às forças cegas do mercado...

Bill Clinton volta com o intervencionismo do Estado

Um perito novo-iorquino de finanças públicas, que participou numa dessas conferências organizada por Paz Ferreira, sintetizou o seu mal-estar perante a dívida externa dos USA não tanto por causa dos seus montantes mas porque as infra-estruturas norte-americanas continuavam obsoletas. E deu o exemplo das redes eléctricas, das redes de água, dos caminhos de ferro, etc. Ora Bill Clinton, no seu novo livro , defende um papel mais intervencionista dos poderes públicos no relançamento do crescimento económico, e propõe uma política de modernização dos portos, aeroportos, redes eléctricas, melhoria das vias rodoviárias, e assim por diante. Bill Clinton é um dos presidentes mais populares na história norte-americana.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sim, ou não, ao tratado intergovernamental?

Eduardo Paz Ferreira, catedrático de Finanças Públicas, tem vindo a animar a actividade de cidadania da Faculdade de Direito de Lisboa, com uma série de iniciativas tomadas no âmbito dos institutos que dirige, para além de uma presença cada vez mais marcante nos orgãos de comunicação social. Desta vez é o Instituto Europeu daquela Faculdade que organiza uma conferência sobre o futuro tratado intergovernamental.
Está farto do pensamento único? Dirija-se hoje à cidade universitária. Parece impossível, mas é verdade.

Solidariedade em Portugal para com o Povo Grego

Estava a faltar entre nós um grito de solidariedade para com o desesperado povo grego, em nome de um espírito europeu bem entendido. Portugal não é a Grécia, mas há paralelos que impressionam.Basta recordar que os dois países libertaram-se das respectivas ditaduras no mesmo ano de 1974, e que pediram a adesão à Comunidade Europeia empenhados num projecto democrático para o continente. Essa libertação não foi induzida do exterior como muitas outras depois da queda do muro de Berlim, e do fim da União Soviética.Solidariedade bem entendida pois, a de um grupo de individualidades diverso, a que tive a oportunidade de fazer parte.Sinto-me melhor com a minha consciência de cidadão europeu,num momento em que se pretende enterrar essa cidadania. A Europa dos cidadãos está a ser substituída pela velha Europa das chancelarias.Mau sinal.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A quinta da maioria

Começa a ser um tique desta maioria. Querem despedir quem discorda. Querem expulsar os críticos das profissões e posições que ocupavam antes deste governo chegar ao efémero poder.Um secretário de Estado da Juventude mandou emigrar os professores; o ministro da Defesa sugeriu que os militares descontentes com as medidas do governo saíssem das fileiras, onde construíram geralmente uma carreira de muitos anos com colocações em vários pontos do país, e até fora dele; agora um deputado do CDS, que não conhece outro mundo do que o oferecido pela jota partidária, opinou, sem bom-senso mas com despudor, que os funcionários públicos que não queiram submeter-se às regras de mobilidade que a maioria tem em mente, devem pedir a sua demissão, quem sabe se para dirigirem, em regime gracioso, algum clube desportivo na sua terra. Mas quem é esta gente que pensa que pode por e dispor das pessoas desta maneira? E só vamos em sete meses de folia...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O que se pretende que a Grécia faça?

O conselho de ministro do Eurogrupo, destinada a aprovar o plano de resgate grego, adiou a sua reunião marcada para hoje. Parece que há uns esclarecimentos a exigir por «Bruxelas» ao programa aprovado domingo em Atenas no meio do fogo e da desagregação partidária.Não há coragem no centro da Europa para assumir que se pretende a saída da Grécia da zona euro, e empurra-se para Atenas a responsabilidade da política de outros. Desta vez não há um lord Byron a defender a civilização helénica... A opiniãopublica europeia é bem mais fraca do que há dois séculos. Uma vergonha para tantos recursos humanos «well educated».

PRIVATIZAÇÃO DO AR


            PS e o BE queriam conhecer as explicações do ministro dos assuntos parlamentares sobre o caso de alegada censura na RDP, mas PSD e CDS-PP rejeitaram os respectivos requerimentos. O BE queria que Vítor Gaspar fosse à assembleia ser ouvido sobre o processo de reestruturação do BPN, nomeadamente acerca do aumento de capital de 600 milhões de euros (dinheiro público) e os deputados da maioria chumbaram esse agendamento. Alegaram que só o aceitariam no final do processo de privatização, ou seja, quando já não houver nada a fazer.
O PCP apresentou um requerimento potestativo - de carácter obrigatório - para que Passos Coelho prestasse esclarecimentos na Comissão de Assuntos Constitucionais sobre os serviços de informações, matéria que tutela directamente. Mas a Presidente da Assembleia da República torturou a constituição e o regime parlamentar de modo a que o primeiro-ministro não tivesse que prestar contas perante os deputados. Eis o que se passa com esta maioria: funciona acima da lei. Como diz o próprio Miguel Relvas, “não se pode fazer política com coisas tão sérias”. Não, não foram apenas direitos, salários ou pensões que foram cortados. O oxigénio do regime também foi racionado. Bem-vindos à asfixia democrática. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Espírito de empresa

Segui com uma certa atenção o que se foi passando na fábrica Cerâmica de Valadares, uma empresa dirigida por Galvão Lucas, que conheci como deputado do CDS e de quem guardo uma boa recordação da actividade parlamentar. Dos cerca de 400 trabalhadores mobilizou-se uma centena organizada à volta de um sindicato do sector e de uma comissão de trabalhadores da empresa para reivindicar o pagamento de salários em atraso.Várias vezes chegou-se perto de um entendimento com a administração para o pagamento faseado, mas os trabalhadores da fábrica não estiveram de acordo com os seus representantes e mantiveram a luta. Esta noite chegou-se finalmente a uma solução aceite por todos.Seguiram-se declarações dos empregados da Cerâmica Valadares muito favoráveis ao futuro da produção e da empresa.Lembrei-me da função social da empresa, vejam lá...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Treinadores portugueses

Em menos de cinco anos os clubes de futebol da I Liga renderam-se por completo aos treinadores portugueses.Em primeiro lugar, pela capacidade táctica de «lerem», rapidamente, o jogo, algo que escapava a muitos estrangeiros, mais lentos e desconhecedores das características do campeonato nacional, embora mais planificadores a prazo . Em segundo lugar, porque normalmente são bem mais baratos do que os treinadores importados. Tudo isto a propósito da demissão de Domingos Paciência de SCP, contra todas as expectativas. Quem excedeu as minhas expectativas foi o Jorge Jesus que ,após uma época menos conseguida e pontuada por alguns erros, teve a oportunidade de dar a volta este ano, e fabricou uma grande equipa.Quem sempre acreditou nele foi o meu amigo Manuel Sérgio, um dos responsáveis pelo êxito da escola portuguesa de treinadores.

Os partidos gregos assinam com os olhos em Abril

É sempre encantador ouvir um comentário especializado a garantir que «desta vez é que os gregos vão cumprir na íntegra o acordo». Duvido que tenha sido essa a intenção dos partidos em Atenas.Ora, com a votação de ontem, como Atenas a ferreo e fogo, os deputados compraram apenas a manutenção da realização de eleições gerais para o próximo mês de Abril.Só depois se poderão saber as reais prioridades estratégicas do PASOK e da Nova Democracia. Mas em Lisboa não há dúvidas. Foi assim que a banca embarcou na compra vertiginosa de títulos do tesouro grego há uns anitos...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Uma manifestação e peras

Foi muito grande a manifestação da CGTP ontem no Terreiro do Paço. Não consegui contar quantas pessoas estiveram presentes, mas para um bom entendedor meia manifestação daquelas já bastou para obrigar o governo a adiar o corte nos feriados para o próximo ano da graça,(com a ajuda da Igreja, pois claro!), assim como o encosto destes para os fins-de-semana, além de doutrinar sobre uma preciosa casuística anual da tolerância de ponto no Carnaval., quase um pedido de tréguas.
A manifestação revelou um Arménio Carlos mais cuidado no discurso, mais táctico,- separando o PS dos outros partidos da governação e da UGT,- e anunciando a internacionalização europeia da movimentação sindical, um dado futuro a ter em conta.

Uma bofetada de luva branca

Confesso que dei um pulo de satisfação quando soube que Alberto João Jardim ia convidar a senhora Merkel a visitar a RA da Madeira. É uma bofetada de luva branca atirada para várias direcções, de Berlim a Lisboa. Ninguém sente as orelhas a arder?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Merkel desembarca nas ilhas

Hoje no Correio da Manhã desenvolvo o tema das declarações de alguns políticos alemães sobre a política interna de vários Estados membros da UE, entre os quais se destaca Portugal .Relembro o triste precedente do quem «cala consente» passado no Verão passado com o comissário da Energia Oettinger nas barbas pouco duras do presidente da Comissão José Manuel Barroso, e acentuo o significado da aproximação à costa portuguesa, via Madeira, da senhora Merkel, cuja intervenção em nome do estímulo à «santíssima competitividade» me fez lembrar os bicentenários princípios europeus da Santa Aliança, quando esta intervinha nos assuntos internos dos países da «periferia» em nome da «Santíssima Trindade», um outro dogma muito em voga na matriz europeia da época. Mas com muitos apoiantes...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

entrudos

24 de Janeiro. O primeiro-ministro garantiu que Portugal não pedirá nem "mais tempo, nem mais dinheiro". 9 de Fevereiro. O ministro das finanças mostra ao seu homólogo alemão como anseia por um ajustamento ao programa português (não era a troika que decidia os planos?) . A conversa captada entre Gaspar e Schäuble não traz nada de novo. Já se conheciam as pieguices do governo perante a Alemanha e o silêncio depois das últimas declarações de Merkel confirmaram-nas. Há muito que se sabe que esta linha de resposta à crise é um falhanço total no qual se insiste através de soluções revistas e aumentadas. Desde o início que se percebe que sem renegociação da dívida Portugal não voltará aos mercados. O que o diálogo em causa revela é que o governo também sabe.
Mesmo sendo pública a outra cara de Jano, a usada para o exterior- oposta à destinada a consumo interno- o executivo procura não perder a face. Acontece que são os cidadãos que estão a pagar uma crise que não criaram, donde transparência e prestação de contas são serviços mínimos. Já numa democracia este episódio retirar-lhe-ia toda a credibilidade para desculpar-se com a troika. Quanto mais para “ir além da troika”. E se isso acontecesse, ao contrário de Gaspar, nem agradecíamos muito. Não seria essa a nossa obrigação. Apenas um direito.

Algumas palavras para uma imagem

Desde ontem que as imagens colhidas pela TVI de uma conversa entre Vítor Gaspar e o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble num momento morto do ECOFIN são um tema intensamente tratado durante o dia opinativo. Não entro no âmago da questão em termos de transparência governamental sobre as suas reais intenções em relação à negociação financeira da dívida e da ajuda externa. Há muito que não acredito numa palavra do que é dito em público sobre o assunto pelo governantes. Desde o Memorando de Entendimento que escrevo que Portugal não voltará em pleno aos mercados internacionais nos termos das medidas acordadas, dos montantes negociados, e dos prazos estabelecidos. Só tenho curiosidade sobre o momento em que tal será oficializado. Mas também discordo das mil palavras que afirmam que o ministro Vítor Gaspar está de «mão estendida», por estar de pé a falar com o ministro alemão que se desloca numa cadeira de rodas. Gaspar tem muitos defeitos ideológicos mas não creio que seja homem para «dobrar a espinha». Nada de exageros.

Intolerância positiva

A Federação Inglesa de Futebol manteve-se firme na decisão de retirar a braçadeira de capitão da respectiva selecção de futebol ao consagrado John Terry por este ter provocado outro jogador, Anton Ferdinand, com insultos racistas. A federação perdeu o capitão, perdeu agora o seleccionador Fabio Capello que pretendia manter o jogador do Chelsea naquela distinção, mas não recuou nem aceitou relativizar o assunto, como tanto se pratica entre nós nesta esfera.Não se devem por todas as intolerâncias no mesmo saco....

Martin Schulz ao menos deu explicações

Martin Schulz, social-democrata alemão e presidente do Parlamento Europeu, mostrou-se muito incomodado com uma viagem de Passos Coelho a Luanda durante a qual este fez um apelo ao investimento angolano em Portugal. Não se percebe onde queria chegar o presidente do PE, nem a relação entre saber cativar capitais estrangeiros e decadência, a não ser que se reescrevesse a história dos fluxos financeiros mundiais nos últimos 150 anos. Obscuridade àparte, Martin Schulz ao menos deu explicações públicas sobre o espírito da sua infeliz intervenção. Já Merkel não liga nenhuma às feridas que vai causando entre alguns Estados membros da UE, sobretudo porque quem cala consente...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O governo de Passos Coelho cala-se

As atrevidas declarações de Angela Merkel sobre a utilização dos fundos europeus na Madeira, muito prejudiciais aliás para a imagem de Portugal na UE, já mereceram reacções firmes dos presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. O governo de Passos Coelho, Paulo Portas incluído, cala-se. Está tudo dito.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O «centralismo -federal » da chancelerina

Merkel pronunciou-se sobre o detalhe da aplicação dos fundos comunitários na Madeira.Uma intromissão em nome da «competitividade». Mas o que a chancelerina está a ilustrar é o seu modelo de «centralismo-federal».Essa doutrina chegará ao Atlântico oriental e central? Duvido muito.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vinte anos depois...

A Comunidade Europeia viveu desde 1957 até 1992 com o mesmo Tratado-o de Roma- apenas acompanhado por um Acto Único em 1986. O Acto Único, uma espécie de Acto Adicional do nosso constitucionalismo monárquico, abriu as portas à unificação das Comunidades. Pretendia-se impulsionar o «Mercado Interno». Depois da unificação alemã o Tratado de Maastricht apontou novas metas como a da União Europeia e a União Económica e Monetária. Proclamaram-se as maiores esperanças, mas bem observado o tratado trazia em si a sua própria reversibilidade por incompleto e imperfeito. Entretanto os sucessivos alargamentos fizeram a UE perder o seu centro de gravidade anterior e levitar entre massas oscilantes. Sucederam-se os tratados de Amesterdão, Nice, o malogrado constitucional, e o de Lisboa , e já se prepara, para a campanha presidencial de Sarkosy, outro ainda mais obscuro. Uma «floresta Negra» política e jurídica que nos impede de festejar sem receio do futuro os 20 anos de Maastricht.

Quando a Grécia era credora da Alemanha

É verdade que na Grécia não há «eficiência fiscal», que os grandes proprietários, entre os quais a Igreja Ortodoxa, não pagam impostos, nem há cadastro organizado-et pour cause!- e que em Atenas se arrasta os pés na execução das medidas propostas pela troika. Mas talvez se perceba melhor a má vontade da senhora Merkel se nos lembrarmos que a Grécia já foi credora da Alemanha na sequência das duas guerras mundiais, e, mais do que isso,que esteve na primeira linha dos reclamantes em 1953 , na conferência internacional de Londres que reuniu muitos dos países credores da dívida externa alemã.Insatisfeitos com o resultado, os gregos voltaram à carga até 1972, altura em que um tribunal arbitral sentenciou o assunto sem dar inteira razão a Atenas.
As voltas que a História dá...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Passos Coelho está a falar em directo do dia de Carnaval

Passos Coelho está a falar em directo na Sic-N sobre o «ensino privado». mas já conseguiu voltar ao tema da extraordinária medida que tomou, de acordo com todo o governo, de não conceder tolerância de ponto no dia de Carnaval. Temos agenda política até 21 de Fevereiro, e puxada pelo primeiro-ministro!Por mim prevejo as repartições públicas muito animadas nessa quadra com as crianças do ensino particular que devem estar em férias...

UMA GRAÇA


Vasco Graça Moura sempre se opôs ao Acordo Ortográfico. Está no seu direito É a sua opinião. Mas ser nomeado para dirigir o CCB e tomar como primeira decisão a suspensão da aplicação desse diploma já não é um direito. Vasco Graça Moura não é dono e senhor da língua portuguesa e nem sequer é o CCB. Não pode confundir a sua pessoa com a instituição que dirige nem sobrepor a sua vontade à lei. Longe vão os tempos do Rei Sol, do absolutismo, da coincidência entre o Estado e os caprichos de quem o dirige. Caso contrário, imagine o que seria se cada recém-chegado a um cargo público ordenasse que se escrevesse consoante as suas preferências, por exemplo, com esta mesma ortografia anterior à revisão de 1911.
Desobediência civil, aclamam alguns, batendo palmas. Ai, pobre Henry David Thoreau dando voltas na tumba. Só que esta decisão de corajosa ou coerente nada tem. Pelo contrário. Coragem e coerência teriam existido se o ex-deputado europeu tivesse declinado o lugar, alegando incompatibilidade entre as suas posições quanto ao AO e o exercício de um cargo público. Em si mesmo, esse seria um acto de grande pressão, legítima, sobre o governo e o parlamento para a revogação do AO. Assim, a imposição do ex-deputado europeu é mera prepotência. É este tempo. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A.J. Seguro acaba de dar um passo importante

António José Seguro acaba de dar um passo importante ao declarar que discorda do Memorando de Entendimento em vários pontos concretos, entre os quais o respeitante à lista de privatizações. Um serviço ao PS e ao País.

Gosto