quarta-feira, 9 de maio de 2012
O livro do desassossego
Anda muita gente em desassossego com as declarações de Mário Soares ao jornal I. O que será que incomoda tanta gente? Outras situações em que foram passivos, e só perceberam as coisas mais tarde, e até tarde de mais para a nossa sociedade?
terça-feira, 8 de maio de 2012
Acto Adicional
O secretário-geral do PS voltou a colocar sobre a mesa o projecto de um acto adicional ao infeliz tratado orçamental da dupla derrotada Merkel-Sarkosy. Veremos se o PSD aproveita o ensejo oferecido, e favorável aos objectivos europeus e portugueses, ou se prefere atrasar-se nos cantinhos ideologia passista para «ceder», enfim, às propostas que sobre o crescimento e o emprego virão certamente da zona euro.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A excepção Sarkosy
Há cinco anos só se falava no projecto de Sarkosy de ultrapassar a «excepção francesa» nas políticas internas e externas. Cinco anos depois, o «soberano» fez de Sarkosy uma excepção na história da V República. Não lhe renovou o mandato. Ainda ninguém se referiu a este «detalhe».E no entanto François Hollande deve ter esse dado bem presente como PRF. Os franceses e os europeus querem mais qualquer coisa. Pode não ser uma «excepção». mas terá que ser uma política independente e diferente.
sábado, 5 de maio de 2012
A geografia do escárnio
Entre a ordem estabelecida pelas centrais sindicais no Primeiro de Maio e o caos provocado pela abertura dos pontos de venda da cadeia Pingo Doce, declaro-me no Correio da Manhã do lado da ordem e da reivindicação racional promovida pelo sindicalismo português.A promoção do Pingo Doce foi um desafio ao Dia do Trabalhador, um medir de forças para uma viradeira qualquer, um escárnio para a dignidade de todos. Proponho um mea-culpa dos responsáveis por este acto que nem o presidente do grupo conhecia...
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Os cornos do serviço público de televisão
A ERC considerou que a exibição de touradas na RTP faz parte das obrigações específicas do serviço público, na medida em que se tratará na douta opinião « de uma parte relevante da tradição regional portuguesa». Lê-se e não se acredita. Uma tradição regional imposta a todo o país pela televisão pública? A ERC pôs os cornos ao serviço público de televisão. Esperemos que a gestão da compressão de despesas na RTP lave a testada da empresa.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
In Memoriam do meu amigo Fernando Lopes
Por uma dessas coincidências da vida estava no mesmo hospital quando faleceu Fernando Lopes, meu amigo de há cinquenta anos.Encontrámo-nos como dois não-lisboetas que gostavam de Lisboa e sua ilhas de liberdade num Portugal amordaçado. Para o Fernando, o Cinema, para mim as Associações de Estudantes, para os dois o mundo da cultura, da inovação e do convívio entre gente de qualidade. O local de encontro foi o VÁVÁ, esse café mágico dos anos sessenta, no cruzamento das avenidas dos EUA e de Roma onde se teceu a modernidade, e até a post-modernidade, entre estudantes subversivos, artistas rebeldes e publicítários criativos. Lembro-me como se fosse hoje, e especialmente hoje, da nossa partida do café para irmos, em grupo comandado pro essa agregadora chamada Milice Ribeiro dos Santos, à estreia do Belarmino em 1964. Um literal murro no estômago, com savoir-faire. E, depois, as noites da Lisboa dos cafés e dos restaurantes, desde o Monte Carlo e Monumental, à Ribadouro e ao Gambrinus. Uma amizade tecida entre notícias das novidades culturais e políticas, com muita emulação para agradar ao auditório feminino da emancipação emergente.
O meu exílio interrompeu esse convívio quotidiano por seis anos, durante os quais o Fernando se revelou aquele líder da organização do moderno cinema português que todos reconhecem.Mas o 25 de Abril voltou a reunir-nos de várias maneiras: estivemos juntos em alguns dos bons combates políticos do nosso tempo, e o Fernando produziu das melhores campanhas políticas, como as do General Ramalho Eanes. Sim, porque o Fernando Lopes não foi só um cineasta e um director de programas de referência- foi ele o responsável pela vinda do Sesame Street- e o que deu o selo de qualidade ao Canal 2 do seu melhor tempo. Ele foi sobretudo um cidadão e um homem de cultura inovador, muito à frente do seu tempo e das suas circunstâncias.
Um abraço continuado para a Maria João e filhos.
O meu exílio interrompeu esse convívio quotidiano por seis anos, durante os quais o Fernando se revelou aquele líder da organização do moderno cinema português que todos reconhecem.Mas o 25 de Abril voltou a reunir-nos de várias maneiras: estivemos juntos em alguns dos bons combates políticos do nosso tempo, e o Fernando produziu das melhores campanhas políticas, como as do General Ramalho Eanes. Sim, porque o Fernando Lopes não foi só um cineasta e um director de programas de referência- foi ele o responsável pela vinda do Sesame Street- e o que deu o selo de qualidade ao Canal 2 do seu melhor tempo. Ele foi sobretudo um cidadão e um homem de cultura inovador, muito à frente do seu tempo e das suas circunstâncias.
Um abraço continuado para a Maria João e filhos.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Pingo Doce abre as portas ao terceiro mundo
As imagens televisivas da abertura das portas da rede do Pingo Doce remetem-nos para o regresso ao terceiro mundo como ele já não deve existir nos países emergentes. Um vento de desvario colectivo apoderou-se de uma multidão sufocada pela austeridade e cuja propensão ao consumo nas grandes superfícies fez parte do modelo de despesa dos últimos vinte anos. O facto de os seus promotores terem escolhido o feriado do Primeiro de Maio deve merecer uma reflexão profunda por parte de um governo impotente e aventureiro. O escárnio não foi lançado só sobre «os mais desfavorecidos». Toda a sociedade portuguesa devia fazer três dias de luto pela dignidade ameaçada.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Quanto vale um feriado
Parece que a cadeia de super-mercados Pingo Doce abriu as portas no feriado laico do Primeiro de Maio, praticando um desconto de 50% nos seus produtos. Quase um pecado contra o mercado...
Deve ser a este tipo de consequências da política dos feriados nacionais do governo de Santos Pereira,suspensa pela Santa Sé, que Passos Coelho chama de «disputa social»? Ou está a olhar para o outro lado?
Deve ser a este tipo de consequências da política dos feriados nacionais do governo de Santos Pereira,suspensa pela Santa Sé, que Passos Coelho chama de «disputa social»? Ou está a olhar para o outro lado?
O Governo fala para o Primeiro de Maio
Passos Coelho e Vítor Gaspar falaram que se fartaram esta noite para o Primeiro de Maio, naquele estilo descarado de quem continua a fazer promessas à toa. João Proença está vingado.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Nem na Suiça os comboios andam a horas...
Fui comemorar o 25 de Abril à Suíça, país que me concedeu oficialmente o estatuto de refugiado político durante os últimos seis anos da ditadura. Não o fiz para estar ausente de quaisquer manifestações em Portugal, porque não vale a pena banalizar a indignação. Fi-lo para rever amigos e perceber melhor por dentro o caso singular da Federação Helvética na Europa turbulenta dos nossos dias. Como se sabe num estado federal alguns serviços públicos são emblemáticos como os correios e os comboios. Tudo bem para os correios, mas nas viagens que fiz de comboio houve sempre atrasos. E não é por falta de relógios, indústria de novo florescente no segmento popular e no segmento de luxo.Por outro lado já ninguém fala na adesão da Federação à União Europeia...
terça-feira, 24 de abril de 2012
Eleições em França, Grécia, Holanda....
Que mapa político-ideológico sairá das eleições previstas para França, Grécia e Holanda? E qual a responsabilidade do «visto prévio» de Bruxelas na elaboração dos orçamentos nacionais durante o chamado « semestre europeu» na nova instabilidade governamental continental ? E nas bolsas, já agora...
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O voto em alta
O voto esteve em alta em França com cerca de 80% de participação eleitoral. É sempre um sinal de esperança na manifestação da vontade democrática na condução do interesse geral dos povos, sobretudo nestes tempos dominados por forças cegas e irracionais.
Nada está resolvido em termos de segunda volta em França e na Europa. Serão 15 dias intensos e decisivos para o futuro da União Europeia.
Nada está resolvido em termos de segunda volta em França e na Europa. Serão 15 dias intensos e decisivos para o futuro da União Europeia.
sábado, 21 de abril de 2012
Quem Pára o Governo?
Quem Pára o Governo?, é o título do meu artigo no Correio da Manhã.
A pergunta, dramática perante as consequências do modo de governar atabalhoado do Executivo, prende-se com a anemia que se apossou do PR, após uma campanha frívola de escárneo e maldizer que o neutralizou na acção institucional ,e ao Tribunal Constitucional que demora a perceber, sob o pretexto de uma falsa «temporalidade», que as suspensões dos subsídios de salários e pensões são obviamente ilegais.
Será ainda a parte sensata da Troika (leia-se o FMI neste momento) que irá colocar um pouco de sensatez nos decisores nacionais e europeus? É o mundo às avessas...
A pergunta, dramática perante as consequências do modo de governar atabalhoado do Executivo, prende-se com a anemia que se apossou do PR, após uma campanha frívola de escárneo e maldizer que o neutralizou na acção institucional ,e ao Tribunal Constitucional que demora a perceber, sob o pretexto de uma falsa «temporalidade», que as suspensões dos subsídios de salários e pensões são obviamente ilegais.
Será ainda a parte sensata da Troika (leia-se o FMI neste momento) que irá colocar um pouco de sensatez nos decisores nacionais e europeus? É o mundo às avessas...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Angola fala em português no Conselho de Segurança
A República Popular de Angola é o Estado que mais tem apoiada a língua portuguesa como língua internacional. Ouso mesmo dizer que o tem feito com maior determinação do que o Brasil, Moçambique, e até alguns governos portugueses. Ainda esta noite o representante de Luanda no Conselho de Segurança leu o seu discurso sobre a situação na Guiné-Bissau num português de lei.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O jogo das previsões
Bruxelas intima a Espanha a alcançar o défice de 3% já em 2013, a actual data fétiche da tecnocracia do Euro. O FMI fez as suas contas e acha impossível que Madrid alcance tal meta antes de...2018. Vai uma aposta sobre quem terá razão?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
PIM PAM PUM
Lembram-se de Paul, o polvo que adivinhava os resultados no Mundial de Futebol 2010? Acertava mais que este governo. Em Junho de 2011, Passos Coelho afirmava: "Faremos tudo para que o regresso aos mercados possa ser ainda mais rápido" do que os dois anos de intervenção externa. A 31 de Janeiro de 2012, o Primeiro-Ministro já dizia que a partir de 2013 Portugal "não precisa de pedir dinheiro para a economia crescer nem o Estado para se financiar". A 29 de Fevereiro, o Ministro das Finanças reafirmou que “não precisaremos nem de mais tempo nem de mais dinheiro”. A 19 de Março, Gaspar declarou que o regresso de Portugal “será a 23 de setembro de 2013”. Só faltava dizer a hora.
Mas a 7 do corrente mês, Passos Coelho disse que Portugal pode não voltar aos mercados em 2013. Nesse mesmo dia, o ministro-Adjunto dos Assuntos Parlamentares, garantiu que Portugal voltará aos mercados em Setembro de 2013. Ontem, o Primeiro-Ministro precisou que Setembro de 2013 «não significa uma data em absoluto» para o regresso aos mercados. É isso mesmo que está a pensar. Não se trata de um lapso mas de um colapso. E é molusco.
Notícias à moda de Bruxelas
Num bem curioso texto, a jornalista do Público Isabel Arriaga e Cunha faz-se eco das possíveis irreversibilidades que a ratificação do tratado orçamental por Portugal- a única até aqui entre os 25 assinantes- induz na vontade de François Hollande de rever esse tratado caso ganhe as eleições presidenciais.Só pergunto: mas quais serão as consequências para o dito tratado se a República Francesa não o ratificar? Em Bruxelas não há prospectiva?
terça-feira, 17 de abril de 2012
A Espanha paga a sua soberania?
Pouco a pouco a dogmática pan-europeia expulsou a noção de soberania nacional da sua esfera de influência. Não há colonizado que não demonstre com a falsa erudição dos semi-sábios a irrelevância do conceito, se não os perigos que transporta, talvez para esconder outros bem mais actuantes nos dias de hoje. Ser «soberanista» tornou-se um anátema no sillabus centralista europeu em curso.
Ora desde que Rajoy ousou chamar a atenção para a reserva de soberania da Espanha na zona euro que a maldição persegue aquele nosso vizinho. Até o simpático- e a prazo irrelevante- Mário Monti quer engrandecer a Itália com críticas levianas, ou encomendadas, a Madrid. Pobres «periféricos» lançados «soberanamente» uns contra os outros...
Ora desde que Rajoy ousou chamar a atenção para a reserva de soberania da Espanha na zona euro que a maldição persegue aquele nosso vizinho. Até o simpático- e a prazo irrelevante- Mário Monti quer engrandecer a Itália com críticas levianas, ou encomendadas, a Madrid. Pobres «periféricos» lançados «soberanamente» uns contra os outros...
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Arrogância política ou ideológica?
Carlos Zorrinho, nas jornadas parlamentares do PS a decorrer, acusou o governo de «arrogância política». Mas eu pergunto:trata-se de arrogância política, ou antes arrogância ideológica? E como deve um partido socialista combater a arrogância ideológica da nova direita no poder? Só com política mansa?
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