O Acordão do Tribunal Constitucional 353/2012 é um monumento de criatividade política desse tribunal, sobretudo no respeitante à restrição dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade das normas do OE sobre a suspensão do pagamento das prestações dos subsídios de férias e de natal.Se as normas são inconstitucionais, das duas, uma: ou o governo era obrigado a restituir todo o valor do confisco desde Janeiro, ou, pelo menos, devia pagar o próximo subsídio a contar da data da decisão sobre a matéria submetida a esse Tribunal por um grupo avulso de deputados. As considerações de análise política do TC para adiar para 2013 a plena observância da CRP são um acto de cinismo que o desacredita. O «grupo de deputados» que impugnou o OE sai de cabeça erguida. De cabeça baixa ficam os grupos parlamentares do PS e do PCP, mais o PR passa-culpas.
O governo, é claro, sente o terreno favorável para responder nivelando o «princípio da igualdade» aos trabalhadores da «privada». Mas não se fie muito nas aparências...
sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Física ou Metafísica?
A Humanidade está estremecer com a partícula que confere massa às outras, o «bosão de Higgs», um cientista britânico que vinha a defender a teoria há anos. Como por encanto a partícula que terá sido detectada no CERN em Genève foi baptizada de «Partícula de Deus».Cuidado com o proselitismo religioso associado à ciência, mesmo que na vertente da publicidade...
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Depois das juventudes uma licenciatura
Porque será que jovens políticos profissionais, depois de terem feito os seus percursos precoces nas jotas, correm para as universidades para obterem um diploma de licenciatura? Se é para aprenderem alguma coisa que lhes seja útil muito bem.Se é só para lhes chamarem «doutores» é ridículo. Nos países de tradição democrática ninguém trata os políticos pelo título académico.Nem por «você». No «senhor fulano» está todo o respeito de tratamento. Em Portugal, depois dos duques e marqueses no absolutismo vieram os conselheiros na monarquia constitucional, com a ditadura apareceram os dérres, com o actual regime os «professores doutores» também.A nova geração deveria dar o exemplo e abandonar essas possidoneiras de um país esclerosado em hierarquias que preparam as maiores desigualdades sociais do mundo ocidental.Estamos a precisar de ir todos para a escola!
terça-feira, 3 de julho de 2012
Festival de Teatro de Almada
Sou um fã do Festival Internacional de Teatro de Almada que acompanho há alguns anos com lugar cativo na agenda do dia-a-dia. Sempre sob a direcção de Joaquim Benite o festival já vai na sua 29ª edição. Este ano realiza-se de 4 a 18 de Julho com a mesma capacidade de atracção e qualidade, apesar das dificuldades e da crise. Corra já a reservar os bilhetes.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Convenção do PS-Açores
Participei este fim-de-semana na Convenção do PS-Açores que contribuiu para o programa governamental de Vasco Cordeiro, candidato a presidente do executivo açoriano, um jovem brilhante com ideias próprias que gosta de se apoiar na experiência.
O PS-Açores é o melhor que há no nosso desvitalizado sistema partidário nacional.A renovação anunciada por Carlos César está em marcha e é caso único nos anais da passagem das lideranças partidárias em Portugal. Tive oportunidade de ouvir e conversar com muitos desses participantes e representantes de uma nova vaga de protagonistas e regresso com um sentimento que já não conhecia na vida política há uns anos: o da esperança.
O PS-Açores é o melhor que há no nosso desvitalizado sistema partidário nacional.A renovação anunciada por Carlos César está em marcha e é caso único nos anais da passagem das lideranças partidárias em Portugal. Tive oportunidade de ouvir e conversar com muitos desses participantes e representantes de uma nova vaga de protagonistas e regresso com um sentimento que já não conhecia na vida política há uns anos: o da esperança.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Liga do Sul
Finalmente dois Estadoa-membros tidos por periféricos, Espanha e Itália, uniram-se ontem em Bruxelas para terem uma voz activa nas soluções que lhes dizem respeito directamente.E conseguiram obrigar à tomada de algumas medidas concretas de apoio ao refinanciamento com taxas de juro moderadas. Dos passivos não reza a história...
Pedro Proença na final
Afinal o português que estará na final do Euro-2012 será o árbitro Pedro Proença. Sem alardes, sem campanhas, mesmo sem muitos apoios internos. Como este ano vi mais futebol estrangeiro do que habitualmente sei que a arbitragem portuguesa não é tão má como se pensa e é muito melhor do que se vê além fronteiras.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Psicologia nos penáltis
Contrariamente à cantiga da roleta do desempate por penáltis, a marcação destes é sempre um momento de alta competição nesses jogos de futebol. O que está a mais é o prolongamento de 30 minutos, que acabará por desaparecer.
A marcação dos penáltis foi a única nota de emoção intensa no jogo de ontem entre Portugal e a Espanha. Empatámos na táctica mas perdemos na psicologia. Ronaldo devia ter sido o primeiro, Os passinhos de Moutinho revelaram a infantilidade do remate, a troca da ordem entre Nani e Bruno Alves só podia enervar este que ainda atirou ao poste. A marcação de penaltis começa na cabeça.
Com A Psicologia dos Penáltis termino a rubrica Pontapé de Canto no
Correio da Manhã sobre o Euro-2012.
A marcação dos penáltis foi a única nota de emoção intensa no jogo de ontem entre Portugal e a Espanha. Empatámos na táctica mas perdemos na psicologia. Ronaldo devia ter sido o primeiro, Os passinhos de Moutinho revelaram a infantilidade do remate, a troca da ordem entre Nani e Bruno Alves só podia enervar este que ainda atirou ao poste. A marcação de penaltis começa na cabeça.
Com A Psicologia dos Penáltis termino a rubrica Pontapé de Canto no
Correio da Manhã sobre o Euro-2012.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Agora é do lado da receita
O governo não vai cumprir o défice anunciado para 2012. Desde o início do século que se justifica as derrapagens pelo lado da despesa. Vítor Gaspar deparou-se com a natural diminuição da receita fiscal num país em recessão. Parece surpreendido e impotente. Mas há-de aprender. Por exemplo, a pedir mais tempo para equilibrar as contas, como outros já fizeram.É melhor começar a preparar o terreno.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Cinco em dezassete
Doente a doente o hospital da zona euro já alberga cinco países dos 17 do clube, todos diferentes uns dos outros no passado mas todos com maleitas monetárias e financeiras na actualidade. Só nas últimas 24 horas entraram dois, a Espanha e o Chipre. Outros poderiam já lá estar, ou acabarão por lá cair se houver camas disponíveis tanto mais que ninguém sabe quando sairão os primeiros. Esta epidemia não encontra vacina no mercado...
segunda-feira, 25 de junho de 2012
O debate melhor do que o consenso
O consenso entre o PS e o PSD em política europeia abafou o debate sobre as estratégias e as opções de Portugal na UE, e não acrescentou nada ao decidido de antemão nem teve jamais qualquer relevância em termos exteriores. Ainda bem que desta vez não chegaram a acordo. Pode ser que algum dos partidos queira discutir a sério as questões europeias.Nestas, prefiro o debate ao consenso. Há anos.
sábado, 23 de junho de 2012
Chefe de Estado?
Hoje no Cabo Submarino volto à questão da promulgação da «terceira revisão» do Código do Trabalho, protestando com o facto do PR não ter enviado o diploma em apreço para o ocioso Tribunal Constitucional, impedindo assim a fiscalização preventiva e aumentando as probabilidades de insegurança jurídica dessa lei tão importante para regular as relações entre partes tendencialmente litigiosas.
Um Presidente da República que assiste à anulação de feriados nacionais, como o de 5 de Outubro ou do 1º de Dezembro, enfraquece-se a si mesmo. Torna-se um híbrido como no tempo da ditadura. Nesta, os inimigos do regime republicano inventaram a designação de «Chefe de Estado» para a invalidez política do «mais alto magistrado da nação». Cavaco Silva nem esse tratamento hipócrita terá se continuar passivo a rubricar.
Um Presidente da República que assiste à anulação de feriados nacionais, como o de 5 de Outubro ou do 1º de Dezembro, enfraquece-se a si mesmo. Torna-se um híbrido como no tempo da ditadura. Nesta, os inimigos do regime republicano inventaram a designação de «Chefe de Estado» para a invalidez política do «mais alto magistrado da nação». Cavaco Silva nem esse tratamento hipócrita terá se continuar passivo a rubricar.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
A chama
Só com a passagem às meias-finais se acendeu o entusiasmo dos portugueses à volta da selecção. Castigados pelas medidas de austeridade a chama acendeu-se como escrevo no CM quando o êxito começou a ser uma coisa séria. Ninguém está para brincadeiras.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Lições de democracia...e de economia.
Durão Barroso não está a gostar do que ouve na reunião do G-20 no México sobre a UE que devia ajudar a governar. As críticas devem-se ao facto da zona euro e o crescimento na UE serem nestes dias factores de crise mundial.Um atestado de incapacidade portanto. «Que a UE não recebe lições de democracia de ninguém», exaltou-se Barroso. Pois acho que estamos sempre a tempo de melhorar as nossas democracias, e de receber umas valentes lições de economia e finanças vindas de outras e melhores zonas monetárias....
terça-feira, 19 de junho de 2012
Um presidente fraquinho
A promulgação da revisão do código de trabalho foi mais um acto de fraqueza moral de Cavaco Silva, cuja popularidade é aquela que sabemos. As razões apresentadas para a promulgação são todas falaciosas e pretextuais. Até o mini - acordo de concertação social o embaraça na sua apreciação política do que está em jogo. Um Presidente da República que aceita o fim do 5 de Outubro como feriado nacional obrigatório não é nada na República que não sabe defender.
O silêncio dos silenciadores
Hoje no Pontapé de Canto critico as declarações de Paulo Bento sobre os «cachecois checos» e o silêncio vingativo dos jogadores na noite da vitória contra a Holanda que objectivamente só averbou derrotas! Os jogadores querem silenciar os críticos? Acham que chegar aos quartos-de-final foi só com eles? Mas desde 1996 que Portugal passa a fase de grupos com qualquer equipa ou treinador. Nada de deslumbramentos de ocasião
segunda-feira, 18 de junho de 2012
A Grécia no Euro, a França mais esquerda
A longa manobra política da Nova Democracia,- nenhum compromisso com o governo austeritário do PASOK, reivindicação de eleições antecipadas, recusa de formação de governo com os resultados de há um mês- deu os seus resultados em Grécia em plena crise dramatizada a preceito. A direita faz sempre política de poder, mesmo que os pensadores de esquerda não se apercebam.
A grande vitória do PSF e seus aliados com maioria absoluta deveu-se tanto ao «efeito Hollande» como ao modo de governo interno e exterior do governo. Euro e Crescimento, portanto.
A grande vitória do PSF e seus aliados com maioria absoluta deveu-se tanto ao «efeito Hollande» como ao modo de governo interno e exterior do governo. Euro e Crescimento, portanto.
No mercado global do futebol
Portugal, e a Grécia, continuam no mercado global do futebol, sem ajudas exteriores, pelo seu próprio talento, abertura ao exterior e capacidade de crescimento interno
domingo, 17 de junho de 2012
O capitão Karagounis
Num destes volte-faces em que o futebol é fértil, a Grécia derrotou a Rússia e passou aos quartos-de-final do EURO-2012. A alegria dos gregos explodiu no meio de tanta incerteza como povo. Mas o que mais me impressionou foi o papel liderante do veterano capitão Karagounis ( 35 anos, uma idade futebolística impossível em Portugal, onde tudo é novinho e tenrinho destinado à compra e venda...) que encheu o estádio com o seu entusiasmo durante e após o jogo- e, sim, com o amor à camisola- arrastou os companheiros para a festa com os adeptos. Não precisou de nenhuma bandeira para mobilizar o orgulho de um povo tão castigado.Ele foi a bandeira. Ele é o capitão
sábado, 16 de junho de 2012
Dose dupla
Para além de dedicar o meu Pontapé de Canto a Nuno Gomes, exemplo de desportivismo, escrevo o artigo de fundo sobre a «negociação permanente» na UE. Em si essa característica permite a cooperação entre Estados, embora possa minar aqui e ali o grau de confiança mútua e a estabilidade dos objectivos e procedimentos negociais. Veja-se o recente caso das facilidades financeiras acordadas entre o Eurogrupo e Espanha. Os desenvolvimentos das linhas decididas parecem mais importantes do que os objectivos pretendidos. Acho porém um erro os outros Estados-nomeadamente Portugal e a Irlanda- quererem intrometer-se a destempo nesse processo. Primeiro veja-se o que Madrid consegue. Só depois se deve agir caso haja melhorias que possam servir de precedente útil.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Técnicas de decisão
Anda muita gente a pressionar o governo espanhol a pedir um «resgate» à maneira. Deve haver dinheiro nalgum lado.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Vitória ao entardecer
O Portugal-Dinamarca era o fundamental, como o Bojador. Não foi um grande jogo de futebol, mas cinco golos em 90 minutos dá para entreter como diria o Quinito. A Vitória ao Entardecer deu mais alegria no dia das perdidas de Ronaldo. Portugal só depende de Portugal no EURO. Em futebol, entenda-se.
Entrevista luminosa
Vasco Vieira de Almeida foi entrevistado por Anabela Mota Ribeiro para o
Jornal de Negócios deste fim-de-semana. O resultado foi um texto excepcional, denso, informado e raro. O antigo financeiro recorre frequentemente à História para explicar os dias de hoje e de amanhã. A ler absolutamente.
Jornal de Negócios deste fim-de-semana. O resultado foi um texto excepcional, denso, informado e raro. O antigo financeiro recorre frequentemente à História para explicar os dias de hoje e de amanhã. A ler absolutamente.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Pêlo de cão
Há uns meses Mário Monti mandou uns recados encomendados ao governo espanhol quando este defendeu o adiamento dos prazos para atingir as metas do défice orçamental. Agora coube a vez de Monti receber um aviso da ministra das Finanças da Áustria, Maria Fekter, sobre a necessidade da Itália se submeter a um pedido de resgate. Estamos perante uma cadeia de solidariedade europeia muito especial que conta com a desunião dos aflitos.
Esperar para ver
Não estou de acordo com o frenesim que se apossou da oposição-e do governo irlandês-para reivindicar desde já as mesmas condições que terão sido estabelecidas entre Madrid e o Eurogrupo. Deixemos apurar o conteúdo do acordo e depois se estabelecerá um princípio geral de equidade com os outros países sob assistência, nomeadamente em termos de juros. Não estraguem o que ainda está a decorrer
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Saber negociar na UE
Ainda não se sabe ao certo qual será o plano de «resgate» financeiro para Espanha, mas já se percebeu que Madrid negociou muito melhor os termos de um eventual «memorando» com uma qualquer troika de ocasião. O novo híbrido de saneamento financeiro em perspectiva deve-se à capacidade política do governo espanhol, que começou por adiar unilateralmente o calendário da redução do défice orçamental e já vai na abertura de linhas de financiamento à banca privada em montantes astronómicos. Gregos, irlandeses e portugueses, todos pertencentes à primeira geração das cobaias da austeridade ética e ideológica, olham incrédulos para a diferença.Mesmo Monti deve ter engolido o que disse de Rajoy. Mas negociar internacionalmente requer mais «nervo» e saber do que a demonstrada pelos nossos representantes.
sábado, 9 de junho de 2012
Cabo Submarino e Pontapé de Canto
Neste sábado publico dois artigos no Correio da Manhã. o habitual Cabo Submarino sobre um ano de Governo Troiko, e o Pontape de Canto, diário nesta fase de grupos do EURO-2012.
No Cabo Submarino proponho que o governo altere as suas prioridades na execução do «Memorando« e passe a dar cumprimento ao fim das «rendas excessivas» e dos termos leoninos das PPP.
No Pontapé de Canto crítico Humberto Coelho por andar a fazer apelos «corporativos » à «família do futebol», uma família cheia de cumplicidades...
No Cabo Submarino proponho que o governo altere as suas prioridades na execução do «Memorando« e passe a dar cumprimento ao fim das «rendas excessivas» e dos termos leoninos das PPP.
No Pontapé de Canto crítico Humberto Coelho por andar a fazer apelos «corporativos » à «família do futebol», uma família cheia de cumplicidades...
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Platini contra o racismo
Só quem nunca esteve num estádio de futebol pode ignorar o racismo latente e explícito durante muitos jogos. Sempre me admirou a passividade das vítimas dessas manifestações. Quantas vezes não se impunha uma atitude drástica imediata contra a multidão ululante. Pois o presidente da UEFA, Michel Platini, acaba de encarregar os árbitros de interromper os jogos quando verificarem actos de racismo. O futebol não é só folclore, também serve para civilizar.
Conferências europeias na Lusófona
As conferências sobre os antecedentes da integração europeia que venho a proferir na Universidade Lusófona estão a revelar-se a minha actividade universitária favorita. Trata-se de um trabalho de investigação que reune muitos elementos inéditos. Ontem tratei das«Propostas Europeias durante a II Guerra Mundial »
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Ideologia pura
O comunicado da avaliação da troika detecta, como causa do aumento do desemprego em Portugal, a «rigidez das leis laborais»!Só gente de má-fé pode ter escrito essa barbaridade.Fiquem-se mas é pela análise das exportações...
terça-feira, 5 de junho de 2012
Pontapé de canto
A partir de hoje, e enquanto durar a presença portuguesa no EURO, volto ao futebol diariamente no Correio da Manhã com o Pontapé de canto que mantenho desde a fase final do Europeu de 2008. O que mudou na FPF?, é a minha pergunta para este início tão pouco entusiasmante da «selecção».
Mega KO técnico
O Prós e Contras de esta noite prendeu-me pela presença de Paula Romão, professora de uma escola do concelho da Maia. Sozinha bateu o governo na questão das «agregações de escolas» ou mega-agrupamentos. Não foi aos pontos.Foi por KO técnico. O país, com a ajuda do catedrático Adelino Costa, ficou ciente da borrada que se prepara no Ministério da Educação, ainda antes deste explodir às mãos da equipa de Nuno Crato...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Chipre, candidato à ratificação...
Chipre , após a Grécia, Irlanda e Portugal, apresenta-se como um próximo candidato ao pedido de resgate à troika, que bem podia já ter sido feito pela Espanha e pela Itália. Ora aí está outro país que vai ratificar o Pacto Orçamental, já a pensar no prolongamento dos empréstimos...
domingo, 3 de junho de 2012
Livraria Culsete,em Setúbal
Ontem foi dia de graça na livraria Culsete em Setúbal.Esta livraria cultural é dirigida há décadas por um meu antigo professor do Liceu de Ponta Delgada, Manuel Medeiros Pereira. Telefonou-me há cerca de um mês porque queria organizar uma sessão com alguns dos meus livros, nomeadamente os mais pessoais. Imediatamente começou a publicar textos no seu blogue Chapéu e Bengala, e a mobilizar gente interessada.Ontem estava cheia a livraria de gente amiga e de gente desconhecida. Apresentaram generosos escritos, Fátima Pereira, Manuel Medeiros, Onésimo Teotónio de Almeida e Mário Mesquita. Um percurso de vida e pensamento guiado por espíritos benignos. Saí conhecendo-me melhor.
sábado, 2 de junho de 2012
Cabo Submarino
Relvas e o resto, é o título do Cabo Submarino de hoje.
Relvas serviu para tapar a a peneira dos «serviços secretos» durante uns dias. Depois o PSD e Passos Coelho foram resgatá-lo, meio-morto,à AR.Mas o principal problema reside no actual estado de putrefacção dos serviços de informação, e seu sistema de auto-defesa. Está pois na hora de pôr à frente desses serviços personalidades com muito passado democrático, e muitos serviços prestados ao Estado. Exemplos: Barbosa de Melo,Laborinho Lúcio,Vera Jardim...
Relvas serviu para tapar a a peneira dos «serviços secretos» durante uns dias. Depois o PSD e Passos Coelho foram resgatá-lo, meio-morto,à AR.Mas o principal problema reside no actual estado de putrefacção dos serviços de informação, e seu sistema de auto-defesa. Está pois na hora de pôr à frente desses serviços personalidades com muito passado democrático, e muitos serviços prestados ao Estado. Exemplos: Barbosa de Melo,Laborinho Lúcio,Vera Jardim...
sexta-feira, 1 de junho de 2012
A selecção da Alemanha na área
Estive a ver o jogo de preparação da Alemanha com Israel. A Alemanha joga o mínimo pelos flancos e um máximo pelo centro do terreno.Mais, entra literalmente pela grande área dentro e marca golos à distância...O melhor é jogar contra a Macedónia...
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Operação Resgate na AR
Passos Coelho foi ontem à AR resgatar Relvas dos «serviços secretos» e os «serviços secretos» de Relvas e de mais umas coisas, como os relatórios sobre o administrador Bairrão da TVI, sobre Pinto Balsemão e o director do Expresso Ricardo Costa. Esta parte está toda por explicar. A não ser que haja mais relatórios sobre mais gente. E «serviços secretos» nem os há...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Pode-se perguntar?
No meio deste descalabro dos serviços de informação pode-se perguntar que fazem os responsáveis por eles, a começar pelo governo? Disfarçam, guardam a defensiva e a opacidade, atacam pela via da contra-informação? Pelos vistos podem escolher, pois ninguém os questiona. Por exemplo, a propósito do extenso SIEDM, houve algum relatório que tivesse alertado, em tempo útil, para o golpe na Guiné-Bissau. ou a desfilada naval mascarou tudo o que Portugal não sabia sobre o assunto? Bem sei que era um questão que dizia respeito ao Estado...
segunda-feira, 28 de maio de 2012
O estado ideal
Marcelo Rebelo de Sousa prevê que o ministro Relvas fique em estado semi-morto depois desta enorme confusão instalada. Admito. Mas o «estado semi-morto» tem ajudado a carreira de muita gente nos governos. Ou como diria o doutor Salazar «Se quiser ir longe faça-se morto».Semi-morto é uma nuance trazida pelo PSD...r
domingo, 27 de maio de 2012
Embaixador Sá Coutinho (1929-2012)
Quando tomei posse como Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Sá Coutinho era embaixador residente em Bissau e também acreditado na República de Cabo-Verde. Há meses que as duas repúblicas haviam enviado cada uma o seu embaixador residente para Lisboa sem que esta reagisse. Depois de se ter reparado a situação, Sá Coutinho ainda se manteve em Bissau algum tempo até ser nomeado, pelo I Governo Constitucional, para abrir a embaixada portuguesa em Luanda. Fê-lo com a maior discrição e eficácia, ajudado com muito profissionalismo e maturidade política por Vasco Valente, então um jovem diplomata no início da carreira.Posso testemunhar o que significava na altura para os diplomatas das Necessidades o exemplo de Sá Coutinho. Guardo dele a imagem de alguém que prestava serviços ao país por dever e convicção. Há poucos anos fui a Caminha onde o encontrei sereno, como sempre.
sábado, 26 de maio de 2012
Treino sem sentido
O jogo Portugal-Macedónia não fez sentido nenhum. Jogámos contra uma equipa sobre-defensiva. Porquê? Para quê? Estamos à espera que a Alemanha apresente algum autocarro Mercedes perante a nossa lentidão-agora acentuada ainda mais no meio campo? A Dinamarca perde as pernas nas cavalgadas? A Holanda acaba por se retraír perante a excelência dos nossos avançados, tão dispersos como um Postiga, um Quaresma, ou mesmo um Nélson Oliveira tão cedo lançado às feras do mercado? Foi um treino conjunto para as duas defesas que saíram imbatíveis da tarde de Leiria? Enfim. Nada disto faz sentido. O Paulo Bento terá de reagir, ou está tramado.E não é por críticos preventivos como eu.
Do império dual
Cabo Submarino trata hoje dos germens de mudança introduzidos pelas eleições francesas e gregas. Uma delas tem a ver com o esgotamento do modelo de império dual que Merkel e Sarkosy tinham esboçado depois da crise das dívidas soberanas, com resultados práticos nulos. Ora esses impérios só mantêm a sua hegemonia caso prestem serviços úteis aos povos que os rodeiam.Não há hegemonia durável para impérios egoístas e impreparados.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O Sol brilha
Na rubrica do sobe e desce do jornal Sol, o ministro Nuno Crato é brindado com um uma nota explicativa sobre a sua« bondosa» reacção referente ao programa desfeito das Novas Oportunidades. A preocupação do jornalista em louvar o ministro chega a ser um caso de estudo para os «livros de estilo».Ora aí está um governante que não precisa de telefonar ao director...
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Acto Adicional
O termo vem das revisões da Carta na Monarquia. Mas a iniciativa do grupo parlamentar do PS que aproveitou muito bem a desorientação dogmática da maioria, ao não ter sequer em conta os interesses da sociedade portuguesa, está destinada a ser lida no futuro em reforço das posições de uma UE do crescimento e da coesão. E não tanto da emigração de longa duração...
Passes longos
Paulo está a aburguesar-se nesta final do Europeu.Está mais sensível às conveniências publicitárias, à valoralização de certos jogadores lançados alguns minutos no fim do campeonato exactamente para esse objectivo, e agora no caso de Hugo Viana- uma longa campanha- cedeu. Não são bons sinais. Mantenha a teimosia pessoal, mister.O seu empreendorismo é outro.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A primeira cimeira Hollande
Veremos como corre hoje a primeira cimeira europeia com a participação de François Hollande. Patética foi a fotografia de Rajoy com Merkel num passeio turístico fluvial em Chicago. Estes conservadores ibéricos nem sabem definir uma política de alianças...
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Labaredas europeias
Na Grécia, a multidão sai das ruas e vai aos bancos para trazer as poupanças para casa.Para montar mini-casas de câmbio na eventualidade de uma saída da moeda continental? O empreendorismo é tramado!
Na Espanha, o vento sopra em todas as direcções,desde o sistema bancário com nacionalizações encapotadas até às altas taxas de juro para os empréstimos.
A situação está tão fora de controlo que a Itália faz agora figura de aluno exemplar...
Na Espanha, o vento sopra em todas as direcções,desde o sistema bancário com nacionalizações encapotadas até às altas taxas de juro para os empréstimos.
A situação está tão fora de controlo que a Itália faz agora figura de aluno exemplar...
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Confirmado
Como aqui se previu a França não irá ratificar o tratado orçamental enquanto não houver acordo sobre o futuro tratado sobre o crescimento O novo governo françês acaba de o explicitar através do novo ministro das Finanças Pierre Moscovici. Laurent Fabius, que fez campanha pelo Não ao defunto tratado constitucional, não poderá estar mais de acordo com isso, agora como ministro dos Negócios Estrangeiros.Juro que não tive acesso a «clippings»...
quarta-feira, 16 de maio de 2012
A Europa do Futuro
A Europa do Futuro é o título de um excelente artigo do Pró-Reitor da Universidade Aberta, Professor João Caetano, sobre as questões políticas e jurídicas que se colocam à UE. A ler no ultimo número do Jornal de Letras dirigida pelo José Carlos Vasconcelos.
Uma frase luminosa e precisa:
«A transferência de soberania pelos Estados foi feita não para a União Europeia mas para os Estados mais poderosos.»
Uma frase luminosa e precisa:
«A transferência de soberania pelos Estados foi feita não para a União Europeia mas para os Estados mais poderosos.»
Raios e Coriscos
Hollande, antes de viajar para Berlim, escolheu homenagear Jules Ferry,o governante de III República que decretou a escola pública laica e o ensino primário obrigatório e gratuito.Mas também foi o responsável pela política colonialista da França, na década de 80 do século XIX, em territórios tão diversos como a Tunísia, o Congo-Brazza. a Indochina. Para não haver dúvidas, o novo PRF condenou expressamente a política colonial de Jules Ferry do ponto de vista ético e político. Um político desses não se deixa atemorizar por raios e coriscos...
Hollande em Berlim
A ida a Berlim no dia da posse pode ser discutível, mas François Hollande foi impecável na conferência de imprensa conjunta com Merkel. A França não ratificará o tratado orçamental até à aprovação do tratado para o crescimento europeu.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Obras de Manuel Sérgio lidas por treinadores de top
O filósofo e meu amigo Manuel Sérgio, referência cultural de Mourinho, lança hoje mais um livro intitulado «Crítica da Razão Desportiva», que será apresentado por Vítor Serpa no Palácio Galveias. Por outro lado, a obra Filosofia do Futebol, na qual participo com um simples prefácio, foi agora editada em Espanha, e é leitura de treinadores de top como Pepe Guardiola. Manuel Sérgio prova que o futebol é demasiado importante para...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Paulo Bento na corrida
Há algo de bizarro na primeira convocatória dos seleccionados depois de Paulo Bento ter renovado o contrato com a FPF. Até aqui percebia-se a vontade soberana do selecionador, com os seus preferidos e os seus preteridos. Agora basta ler antes os anúncios da corrida pela selecção, e os suplentes que o FCPorto lança na última jornada...Ninguém tem saudades do Scolari?
Palpites em vez de estudos
O governo detesta ideologicamente programas como o da NOVAS OPORTUNIDADES que certifica com diplomas as aprendizagens feitas ao longo da vida por adultos. Disse, que certificavam a ignorância e que ia «mandar» fazer estudos. Pois suspendeu a participação de Portugal nos estudos da OCDE sobre a a formação de adultos, depois desta organização internacional insuspeita, ter relevado em relatórios anteriores o contributo positivo do Novas Oportunidades em Portugal! Muito educativo...
sábado, 12 de maio de 2012
Quanto vale o voto?
A campanha dos furiosos com a vitória de François Hollande, e os resultados na Grécia das eleições antecipadas provocadas pela direita da Nova Democracia desarranjaram as certezas instaladas nos apaniguados da dogmática Merkosy. No meu artigo de hoje no Correio da Manhã, critico as declarações de Durão Barroso em defesa do imobilismo e chamo a atenção para o facto de aqueles que anunciam o regresso dos coronéis a Atenas estão na prática a chamá-los para outros países.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Dito agora na AR
Francisco Louçã no debate quinzenal
Os serviços de informação, como estão, mais do que uma anedota são um perigo
Tem razão, e não é facturante.
Os serviços de informação, como estão, mais do que uma anedota são um perigo
Tem razão, e não é facturante.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Masoquismo
Portugal arrisca-se a apanhar uma multas depois da eventual entrada em vigor do chamado Tratado Orçamental. Não que acredite muito na sua execução nessa matéria, como noutras. Mas agora que o governo está nuzinho diante dos açoitantes faz pena vê-lo sozinho a tremer de frio sem companhia europeia alguma. Deve ser por puro masoquismo ideológico.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O livro do desassossego
Anda muita gente em desassossego com as declarações de Mário Soares ao jornal I. O que será que incomoda tanta gente? Outras situações em que foram passivos, e só perceberam as coisas mais tarde, e até tarde de mais para a nossa sociedade?
terça-feira, 8 de maio de 2012
Acto Adicional
O secretário-geral do PS voltou a colocar sobre a mesa o projecto de um acto adicional ao infeliz tratado orçamental da dupla derrotada Merkel-Sarkosy. Veremos se o PSD aproveita o ensejo oferecido, e favorável aos objectivos europeus e portugueses, ou se prefere atrasar-se nos cantinhos ideologia passista para «ceder», enfim, às propostas que sobre o crescimento e o emprego virão certamente da zona euro.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A excepção Sarkosy
Há cinco anos só se falava no projecto de Sarkosy de ultrapassar a «excepção francesa» nas políticas internas e externas. Cinco anos depois, o «soberano» fez de Sarkosy uma excepção na história da V República. Não lhe renovou o mandato. Ainda ninguém se referiu a este «detalhe».E no entanto François Hollande deve ter esse dado bem presente como PRF. Os franceses e os europeus querem mais qualquer coisa. Pode não ser uma «excepção». mas terá que ser uma política independente e diferente.
sábado, 5 de maio de 2012
A geografia do escárnio
Entre a ordem estabelecida pelas centrais sindicais no Primeiro de Maio e o caos provocado pela abertura dos pontos de venda da cadeia Pingo Doce, declaro-me no Correio da Manhã do lado da ordem e da reivindicação racional promovida pelo sindicalismo português.A promoção do Pingo Doce foi um desafio ao Dia do Trabalhador, um medir de forças para uma viradeira qualquer, um escárnio para a dignidade de todos. Proponho um mea-culpa dos responsáveis por este acto que nem o presidente do grupo conhecia...
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Os cornos do serviço público de televisão
A ERC considerou que a exibição de touradas na RTP faz parte das obrigações específicas do serviço público, na medida em que se tratará na douta opinião « de uma parte relevante da tradição regional portuguesa». Lê-se e não se acredita. Uma tradição regional imposta a todo o país pela televisão pública? A ERC pôs os cornos ao serviço público de televisão. Esperemos que a gestão da compressão de despesas na RTP lave a testada da empresa.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
In Memoriam do meu amigo Fernando Lopes
Por uma dessas coincidências da vida estava no mesmo hospital quando faleceu Fernando Lopes, meu amigo de há cinquenta anos.Encontrámo-nos como dois não-lisboetas que gostavam de Lisboa e sua ilhas de liberdade num Portugal amordaçado. Para o Fernando, o Cinema, para mim as Associações de Estudantes, para os dois o mundo da cultura, da inovação e do convívio entre gente de qualidade. O local de encontro foi o VÁVÁ, esse café mágico dos anos sessenta, no cruzamento das avenidas dos EUA e de Roma onde se teceu a modernidade, e até a post-modernidade, entre estudantes subversivos, artistas rebeldes e publicítários criativos. Lembro-me como se fosse hoje, e especialmente hoje, da nossa partida do café para irmos, em grupo comandado pro essa agregadora chamada Milice Ribeiro dos Santos, à estreia do Belarmino em 1964. Um literal murro no estômago, com savoir-faire. E, depois, as noites da Lisboa dos cafés e dos restaurantes, desde o Monte Carlo e Monumental, à Ribadouro e ao Gambrinus. Uma amizade tecida entre notícias das novidades culturais e políticas, com muita emulação para agradar ao auditório feminino da emancipação emergente.
O meu exílio interrompeu esse convívio quotidiano por seis anos, durante os quais o Fernando se revelou aquele líder da organização do moderno cinema português que todos reconhecem.Mas o 25 de Abril voltou a reunir-nos de várias maneiras: estivemos juntos em alguns dos bons combates políticos do nosso tempo, e o Fernando produziu das melhores campanhas políticas, como as do General Ramalho Eanes. Sim, porque o Fernando Lopes não foi só um cineasta e um director de programas de referência- foi ele o responsável pela vinda do Sesame Street- e o que deu o selo de qualidade ao Canal 2 do seu melhor tempo. Ele foi sobretudo um cidadão e um homem de cultura inovador, muito à frente do seu tempo e das suas circunstâncias.
Um abraço continuado para a Maria João e filhos.
O meu exílio interrompeu esse convívio quotidiano por seis anos, durante os quais o Fernando se revelou aquele líder da organização do moderno cinema português que todos reconhecem.Mas o 25 de Abril voltou a reunir-nos de várias maneiras: estivemos juntos em alguns dos bons combates políticos do nosso tempo, e o Fernando produziu das melhores campanhas políticas, como as do General Ramalho Eanes. Sim, porque o Fernando Lopes não foi só um cineasta e um director de programas de referência- foi ele o responsável pela vinda do Sesame Street- e o que deu o selo de qualidade ao Canal 2 do seu melhor tempo. Ele foi sobretudo um cidadão e um homem de cultura inovador, muito à frente do seu tempo e das suas circunstâncias.
Um abraço continuado para a Maria João e filhos.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Pingo Doce abre as portas ao terceiro mundo
As imagens televisivas da abertura das portas da rede do Pingo Doce remetem-nos para o regresso ao terceiro mundo como ele já não deve existir nos países emergentes. Um vento de desvario colectivo apoderou-se de uma multidão sufocada pela austeridade e cuja propensão ao consumo nas grandes superfícies fez parte do modelo de despesa dos últimos vinte anos. O facto de os seus promotores terem escolhido o feriado do Primeiro de Maio deve merecer uma reflexão profunda por parte de um governo impotente e aventureiro. O escárnio não foi lançado só sobre «os mais desfavorecidos». Toda a sociedade portuguesa devia fazer três dias de luto pela dignidade ameaçada.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Quanto vale um feriado
Parece que a cadeia de super-mercados Pingo Doce abriu as portas no feriado laico do Primeiro de Maio, praticando um desconto de 50% nos seus produtos. Quase um pecado contra o mercado...
Deve ser a este tipo de consequências da política dos feriados nacionais do governo de Santos Pereira,suspensa pela Santa Sé, que Passos Coelho chama de «disputa social»? Ou está a olhar para o outro lado?
Deve ser a este tipo de consequências da política dos feriados nacionais do governo de Santos Pereira,suspensa pela Santa Sé, que Passos Coelho chama de «disputa social»? Ou está a olhar para o outro lado?
O Governo fala para o Primeiro de Maio
Passos Coelho e Vítor Gaspar falaram que se fartaram esta noite para o Primeiro de Maio, naquele estilo descarado de quem continua a fazer promessas à toa. João Proença está vingado.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Nem na Suiça os comboios andam a horas...
Fui comemorar o 25 de Abril à Suíça, país que me concedeu oficialmente o estatuto de refugiado político durante os últimos seis anos da ditadura. Não o fiz para estar ausente de quaisquer manifestações em Portugal, porque não vale a pena banalizar a indignação. Fi-lo para rever amigos e perceber melhor por dentro o caso singular da Federação Helvética na Europa turbulenta dos nossos dias. Como se sabe num estado federal alguns serviços públicos são emblemáticos como os correios e os comboios. Tudo bem para os correios, mas nas viagens que fiz de comboio houve sempre atrasos. E não é por falta de relógios, indústria de novo florescente no segmento popular e no segmento de luxo.Por outro lado já ninguém fala na adesão da Federação à União Europeia...
terça-feira, 24 de abril de 2012
Eleições em França, Grécia, Holanda....
Que mapa político-ideológico sairá das eleições previstas para França, Grécia e Holanda? E qual a responsabilidade do «visto prévio» de Bruxelas na elaboração dos orçamentos nacionais durante o chamado « semestre europeu» na nova instabilidade governamental continental ? E nas bolsas, já agora...
segunda-feira, 23 de abril de 2012
O voto em alta
O voto esteve em alta em França com cerca de 80% de participação eleitoral. É sempre um sinal de esperança na manifestação da vontade democrática na condução do interesse geral dos povos, sobretudo nestes tempos dominados por forças cegas e irracionais.
Nada está resolvido em termos de segunda volta em França e na Europa. Serão 15 dias intensos e decisivos para o futuro da União Europeia.
Nada está resolvido em termos de segunda volta em França e na Europa. Serão 15 dias intensos e decisivos para o futuro da União Europeia.
sábado, 21 de abril de 2012
Quem Pára o Governo?
Quem Pára o Governo?, é o título do meu artigo no Correio da Manhã.
A pergunta, dramática perante as consequências do modo de governar atabalhoado do Executivo, prende-se com a anemia que se apossou do PR, após uma campanha frívola de escárneo e maldizer que o neutralizou na acção institucional ,e ao Tribunal Constitucional que demora a perceber, sob o pretexto de uma falsa «temporalidade», que as suspensões dos subsídios de salários e pensões são obviamente ilegais.
Será ainda a parte sensata da Troika (leia-se o FMI neste momento) que irá colocar um pouco de sensatez nos decisores nacionais e europeus? É o mundo às avessas...
A pergunta, dramática perante as consequências do modo de governar atabalhoado do Executivo, prende-se com a anemia que se apossou do PR, após uma campanha frívola de escárneo e maldizer que o neutralizou na acção institucional ,e ao Tribunal Constitucional que demora a perceber, sob o pretexto de uma falsa «temporalidade», que as suspensões dos subsídios de salários e pensões são obviamente ilegais.
Será ainda a parte sensata da Troika (leia-se o FMI neste momento) que irá colocar um pouco de sensatez nos decisores nacionais e europeus? É o mundo às avessas...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Angola fala em português no Conselho de Segurança
A República Popular de Angola é o Estado que mais tem apoiada a língua portuguesa como língua internacional. Ouso mesmo dizer que o tem feito com maior determinação do que o Brasil, Moçambique, e até alguns governos portugueses. Ainda esta noite o representante de Luanda no Conselho de Segurança leu o seu discurso sobre a situação na Guiné-Bissau num português de lei.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O jogo das previsões
Bruxelas intima a Espanha a alcançar o défice de 3% já em 2013, a actual data fétiche da tecnocracia do Euro. O FMI fez as suas contas e acha impossível que Madrid alcance tal meta antes de...2018. Vai uma aposta sobre quem terá razão?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
PIM PAM PUM
Lembram-se de Paul, o polvo que adivinhava os resultados no Mundial de Futebol 2010? Acertava mais que este governo. Em Junho de 2011, Passos Coelho afirmava: "Faremos tudo para que o regresso aos mercados possa ser ainda mais rápido" do que os dois anos de intervenção externa. A 31 de Janeiro de 2012, o Primeiro-Ministro já dizia que a partir de 2013 Portugal "não precisa de pedir dinheiro para a economia crescer nem o Estado para se financiar". A 29 de Fevereiro, o Ministro das Finanças reafirmou que “não precisaremos nem de mais tempo nem de mais dinheiro”. A 19 de Março, Gaspar declarou que o regresso de Portugal “será a 23 de setembro de 2013”. Só faltava dizer a hora.
Mas a 7 do corrente mês, Passos Coelho disse que Portugal pode não voltar aos mercados em 2013. Nesse mesmo dia, o ministro-Adjunto dos Assuntos Parlamentares, garantiu que Portugal voltará aos mercados em Setembro de 2013. Ontem, o Primeiro-Ministro precisou que Setembro de 2013 «não significa uma data em absoluto» para o regresso aos mercados. É isso mesmo que está a pensar. Não se trata de um lapso mas de um colapso. E é molusco.
Notícias à moda de Bruxelas
Num bem curioso texto, a jornalista do Público Isabel Arriaga e Cunha faz-se eco das possíveis irreversibilidades que a ratificação do tratado orçamental por Portugal- a única até aqui entre os 25 assinantes- induz na vontade de François Hollande de rever esse tratado caso ganhe as eleições presidenciais.Só pergunto: mas quais serão as consequências para o dito tratado se a República Francesa não o ratificar? Em Bruxelas não há prospectiva?
terça-feira, 17 de abril de 2012
A Espanha paga a sua soberania?
Pouco a pouco a dogmática pan-europeia expulsou a noção de soberania nacional da sua esfera de influência. Não há colonizado que não demonstre com a falsa erudição dos semi-sábios a irrelevância do conceito, se não os perigos que transporta, talvez para esconder outros bem mais actuantes nos dias de hoje. Ser «soberanista» tornou-se um anátema no sillabus centralista europeu em curso.
Ora desde que Rajoy ousou chamar a atenção para a reserva de soberania da Espanha na zona euro que a maldição persegue aquele nosso vizinho. Até o simpático- e a prazo irrelevante- Mário Monti quer engrandecer a Itália com críticas levianas, ou encomendadas, a Madrid. Pobres «periféricos» lançados «soberanamente» uns contra os outros...
Ora desde que Rajoy ousou chamar a atenção para a reserva de soberania da Espanha na zona euro que a maldição persegue aquele nosso vizinho. Até o simpático- e a prazo irrelevante- Mário Monti quer engrandecer a Itália com críticas levianas, ou encomendadas, a Madrid. Pobres «periféricos» lançados «soberanamente» uns contra os outros...
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Arrogância política ou ideológica?
Carlos Zorrinho, nas jornadas parlamentares do PS a decorrer, acusou o governo de «arrogância política». Mas eu pergunto:trata-se de arrogância política, ou antes arrogância ideológica? E como deve um partido socialista combater a arrogância ideológica da nova direita no poder? Só com política mansa?
domingo, 15 de abril de 2012
Falta de produtividade no futebol
Fará algum sentido parar todas as competições profissionais de futebol que envolvem 32 equipas para realizar a final da Taça da Liga com paragem de tesouraria para 3o clubes da mesma Liga? Não se podia jogar essa final a meio da semana, ou num feriado que subsista? Por uma questão de produtividade futebolística...
sábado, 14 de abril de 2012
Cabo Submarino
Hoje no Cabo Submarino analiso o erro da ratificação precoce do » Tratado sobre a Estabilidade,Coordenação e Governação na União Económica e Monetária». O facto de Portugal ter sido o primeiro a ratificá-lo é um exercício despudorado de fraqueza e hipocrisia, além de «cheirar» a frete nas vésperas da eleição presidencial e França.
Este tratado orçamental foi feito para dividir a UE não para a unir.
Este tratado orçamental foi feito para dividir a UE não para a unir.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
TRABALHO LIBERTA
Já nos tinham impingido que a culpa da crise é dos cidadãos “de uma maneira geral” que “vivem acima das suas possibilidades”. Agora, segundo a troika, a culpa do aumento do desemprego é dos próprios trabalhadores que pedem para serem despedidos assim, à maluca. E, segundo o FMI, a culpa do descalabro da economia é dos reformados que, caprichosos, insistem em viver até mais tarde. A troika que, estranhamente, não esperava o aumento do desemprego consequente à austeridade, diz que os trabalhadores preferem ser despedidos mais cedo para escapar a futuras regras mais penosas dos subsídios. Já o FMI sugeriu aos governos que baixem as pensões considerando “o risco da longevidade” e, já que não há maneira da malta morrer, recomendam que a idade de reforma se aproxime da esperança média de vida.
Enfim, acham que num tempo em que encontrar emprego é mais difícil que apanhar água com a peneira, as pessoas perdem o seus postos voluntariamente e que o melhor é trabalhar até morrer ou sobreviver na miséria. Querem convencer-nos que as pessoas que ainda têm emprego são suicidas e as que já estão reformadas mais valia suicidarem-se. Não se pode acabar com isto?
O país eufemístico
Nem novilíngua, nem admirável mundo novo. É uma velha tática. Quando se dizia: “Quanto mais canhões houver, mais duradoura será a paz”, deveria acrescentar-se, segundo Brecht, “Quanto mais sementes se semearem, menos cereais haverá; quanto mais gado for morto, menos carne teremos; quanto mais neve derreter nos montes, menos água correrá nos rios”. Vai daí, Passos Coelho clama “Empobrecer o país para sair da crise”, Crato afirma que “quanto mais escolas fecharmos, mais cultos seremos” e o país vive um novo acordo de vocabulário.
Adaptações são as exceções aos cortes nos subsídios na TAP ou na CGD. Medidas de racionalização no ensino significa redução do número de docentes. Colaboradores substitui trabalhadores. Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego representa facilitação dos despedimentos, diminuição das indemnizações, dos salários e de dias de férias ou feriados. Se os jovens quiserem fazer as malas, não podemos impedi-los quer dizer emigrem! Insuficiência alimentar traduz fome. Lapso substitui mentira. 2013 é o mesmo que 2015. E, claro: temporário significa permanente.
you name it
Os opositores ao Acordo Ortográfico defendem a “preservação da língua”. Apesar da natural evolução e do bafio colonial, essa posição transformou o AO, supostamente um uniformizador, num divisor. Pelos vistos, agora, tanto dá escrever pré como pós novas normas ortográficas.
E eis que chegou aquilo que o governo designa de branding das lojas do cidadão. A estação de metro do Chiado já se designa de PT Bluesation. Daqui a nada o rés-do-chão do Éden de Cassiano Branco pode intitular-se Loja Sonae. Exclamando a mesma marca em todo o país, talvez a nação venha a dar-se pelo nome de Portugal Bimby. Mas esta mercantilização já não parece picar o palato dos oponentes à putativa estatização da língua. Deve ser porque estes anúncios são um eventual contributo para a transparência do regime. O Ministério das Finanças poderá passar a Ministério BES e o Ministério da Economia a Ministério Three Gorges. Isso sim, seria um caso de publicidade não enganosa e, claro, de um português absolutamente rigoroso.
O Presidente anulado?
Cavaco Silva foi cúmplice do governo na suspensão do recurso às reformas antecipadas integrando-se na política de segredo do governo e promulgando o decreto em data combinada com este. Também deixou de se pronunciar sobre os actos deste, mesmo quando não está de acordo, escaldado com as tontices próprias sobre a reforma pessoal que devia ter suspendido para optar pelo vencimento oficial da sua magistratura. Porém o PR vai ter que assumir em breve responsabilidades decisivas, por exemplo na apreciação das alterações das leis laborais. Não haverá desculpa para a inacção.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Faz algum sentido Portugal ser o primeiro a ratificar?
Portugal não deu qualquer contributo político para o projecto de tratado orçamental, e figura entre os Estados- pacientes candidatos a receber o tratamento de rigor nele previsto de que outros escaparão quando necessário. O calendário da assinatura do tratado teve a ver com a campanha de Sarkosy em França- o verdadeiro apoio dado por Merkel a este amigo especial. A ratificação pioneira e isolada de Portugal em plena campanha presidencial francesa é um atentado ao bom-senso e ao bom gosto nestas matérias
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O ensino pré-OCDE
O regresso do ensino em Portugal aos «bons velhos tempos» da escola de Nuno Crato enquanto menino não está a receber boas classificações no centro de excelência avaliativa da OCDE. Portugal aparece como um dos países com maior taxa de «reprovações», ultrapassando alegremente 30 dos 34 Estados dessa organização-um triste mas afeiçoado record doméstico. A reprovação é uma medida ineficaz e custosa e o ensino deve recentrar-se na aprendizagem e no aluno, defende o relatório em apreciação.O facto das reprovações aumentarem as despesas orçamentais deve motivar o governo a sair da sua postura educativa pré-OCDE...
Ensaio geral
O «método Passos», traçado no post anterior, recebe uma luz translúcida quando se lê a rubrica Charlemagne no último número do The Economist. A seguir os seus conselhos para a saída de um país da zona euro, o governo português já fez o ensaio geral com a armadilha do fim das reformas antecipadas.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Corroer o pacto social
Passos Coelho quis explicar em Moçambique o «truque» do secretismo do fim das reformas antecipadas .Mas o nosso primeiro acha que cá em Portugal não se tinha percebido o «voo táctico» do governo desde quinta-feira santa?! O problema não é de esperteza primária. Trata-se de um problema mais sério e profundo de confiança entre as partes do pacto social. Que se está a esboroar. Mas isso o governo só perceberá pelos mercados e não pela política. Aqui em Portugal ou nos trópicos.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Campeão em tudo, excepto no futebol
O Benfica acaba de perder com o SCP, e terá de lutar agora pelo 2º lugar na Liga que dá direito à entrada directa na «Champions». Depois de uma época tão prometedora o SLB arrisca-se a ganhar de novo a triste Taça da Liga.
Como prémio de consolação, não se sabe para quem, o Benfica é o campeão em Portugal das audiências televisivas e do número de espectadores nos campos de futebol. E certamente irá vender aqueles jogadores maravilhosos que hoje não acertaram uma, o que irá enriquecer os cofres patrimoniais da Luz. A alegria do adepto benfiquista-esse grande intruso- é que desaparece durante mais uns tempos.
Como prémio de consolação, não se sabe para quem, o Benfica é o campeão em Portugal das audiências televisivas e do número de espectadores nos campos de futebol. E certamente irá vender aqueles jogadores maravilhosos que hoje não acertaram uma, o que irá enriquecer os cofres patrimoniais da Luz. A alegria do adepto benfiquista-esse grande intruso- é que desaparece durante mais uns tempos.
Cabora Bassa e a dívida pública da República Portuguesa
Passos Coelho irá vender hoje, por 40 milhões de euros, informa o Público, os penúltimos 7,5% das acções que a República Portuguesa detém na hidroeléctrica de Cahora Bassa, um dos piores negócios de sempre do Estado. Quando se fizer a sério a história da dívida externa portuguesa desde os anos setenta do século passado no tempo do «Estado Novo», os encargos com essa barragem figurarão em grande destaque e ainda com maior complacência dos nossos Savoranolas das despesas sociais.
domingo, 8 de abril de 2012
Palavras de Nikias
Pedro Mexia, na Atual, cita Tabucchi, que invoca Borges, sobre textos curtos: «Se se pode dizer uma coisa em poucas palavras, para quê dizê-la em muitas?»
Como sabem estou plenamente de acordo. Mas isto não vem a propósito nem dos citados, nem dos meus textos aqui no blogue, mas das palavras de Nikias Skapinakis na inauguração da sua extraordinária Antológica no CCB-Museu Berardo em que se passa em retrospectiva 60 anos de muita pintura e de muita história cultural e social. Disse o cidadão:
«Já que falo em política, actividade que, conjuntamente com o ensino, abandonei há meio século para ser só pintor, lembro-me que, nos anos 50, no decorrer de uma reunião de políticos oposicionistas, mais ou menos desavindos, Jaime Cortesão, deu-me a palavra. Eu, que era o mais novo dos presentes, disse-lhes que se entendessem.» Na altura era o essencial.
A «Grande Antológica» reúne cerca de 260 obras de Nikias (muito trabalham os ociosos) e está aberta até 24 de Junho.
Como sabem estou plenamente de acordo. Mas isto não vem a propósito nem dos citados, nem dos meus textos aqui no blogue, mas das palavras de Nikias Skapinakis na inauguração da sua extraordinária Antológica no CCB-Museu Berardo em que se passa em retrospectiva 60 anos de muita pintura e de muita história cultural e social. Disse o cidadão:
«Já que falo em política, actividade que, conjuntamente com o ensino, abandonei há meio século para ser só pintor, lembro-me que, nos anos 50, no decorrer de uma reunião de políticos oposicionistas, mais ou menos desavindos, Jaime Cortesão, deu-me a palavra. Eu, que era o mais novo dos presentes, disse-lhes que se entendessem.» Na altura era o essencial.
A «Grande Antológica» reúne cerca de 260 obras de Nikias (muito trabalham os ociosos) e está aberta até 24 de Junho.
sábado, 7 de abril de 2012
Coisas minhas II
Hoje, sábado, como sempre no CM, a crónica O Cabo Submarino. Sobre o mau caminho que o governo está a seguir. Depois de ter ensaiado a divisão bolorenta entre «governantes e governados», começa a ensaiar o tratamento dos portugueses não como cidadãos de um Estado de Direito mas como súbditos de não se sabe que potência ou organismo multilateral. Este governo de Passos Coelho segue um caminho errado, e ainda por cima toma maus atalhos.
Coisas minhas
Já fui entrevistado na imprensa escrita pelos melhores:Mário Mesquita, Luís Osório, Maria João Avillez, Maria João Seixas, Anabela Mota Ribeiro. Por esta voltei agora a ser entrevistado para o Jornal de Negócios deste fim de semana, jornal que lhe deu realce. Tenho tido muito eco do que lá disse. As fotografias de Miguel Baltazar também ajudam...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Regresso à Prova das Nove da TVI-24
Regresso hoje ao programa moderado por Constança Cunha e Sá que conta com a participação conhecida de Pedro Santana Lopes, Fernando Rosas e Francisco Assis numa base de alternância de periodicidade quinzenal com este último, o que muito me agrada.
Peter Weiss é que é livre em Bruxelas
Onde parece reinar a mais completa liberdade de opinião sobre os mais graves assuntos internos dos Estados-membros é no interior da Comissão Europeia. Desde Gunther Oettinger a esta fino funcionário da direcção-geral dos Assuntos Económicos e Monetários, Peter Weiss, todos opinam sobre os remédios que gostariam de administrar aos países do sul, mesmo que sejam do oeste. O burocrata nem conhece os rudimentos constitucionais de Portugal e anulou para a eternidade o método de dividir por 14 mensalidades os vencimentos anuais da função pública, destapando os eufemismos púdicos que ainda cobrem o corpinho não-distributivo do governo de Passos Coelho. Esses membros da Comissão Europeia devem fazer essas declarações destemperadas para chamar a atenção do seu presidente de nacionalidade portuguesa...
Com Isabel Moreira
Não se percebe a «advertência» que o líder da bancada do PS ficou encarregado de fazer à deputada Isabel Moreira que votou contra a generalidade da proposta de revisão das leis laborais, pacote espúrio, e inconstitucional, - onde até se trata de uma matéria identitária da comunidade nacional como a eliminação de feriados! Acontece que se há matéria em que a liberdade de voto faz sentido, consignada nos estatutos e no regulamento parlamentar do PS- figura que muito honra esse partido - são os dispositivos insertos num código laboral tão volátil e oscilante nas diversas conjunturas. Andou mal a direcção da bancada parlamentar do PS, logo no dia seguinte à aprovação dos estatutos que consagraram « o princípio da liberdade de voto dos deputados», em diplomas como aquele em apreço.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Multas para o desemprego excessivo na UE
O desemprego atingiu os 10% de média nos países da UE. Portugal contribuiu com 15%, uma taxa desconhecida entre nós.
Apetece propor que o Tratado Compacto, a ratificar pelos parlamentos, só o seja depois de se juntar às multas por «défices excessivos» as multas por «desemprego excessivo».Digamos tudo que ultrapasse os 5%.Poupava-se a Alemanha e ainda se robustecia o orçamento comunitário...
Apetece propor que o Tratado Compacto, a ratificar pelos parlamentos, só o seja depois de se juntar às multas por «défices excessivos» as multas por «desemprego excessivo».Digamos tudo que ultrapasse os 5%.Poupava-se a Alemanha e ainda se robustecia o orçamento comunitário...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Brincar aos comboios
A bitola europeia sempre foi a grande ausente das negociações portuguesas sobre os caminhos de ferro internacionais. Teria sido precisa muita pressão da Comissão de Bruxelas para influenciar Madrid e Paris numa concertação de fundos e calendários sobre a matéria quando as redes de transporte de alta velocidade receberam prioridade nas perspectivas financeiras do orçamento comunitário. Mas «inventar» com todas as peças uma linha de alta velocidade de bitola europeia na península ibérica ainda não tinha ocorrido a nenhum decisor com a importância de um primeiro-ministro. Passos Coelho brincou aos comboios de alta velocidade com aquela »coragem» das crianças entretidas...
sábado, 31 de março de 2012
Reformas estruturais nos partidos
No Correio da Manhã passo em revista a Semana dos Partidos. O PSD encheu a boca com a «coragem política» típica do início dos mandatos governamentais e evitou erguer a lucidez a critério da governação.Mesmo essa reclamada «coragem», até aqui só aplicada contra os mais fracos, precisa de ser aferida quando se tratar de seguir a troika no combate às «rendas excessivas» de certas empresas, e de renegociar com tino, e sentido do bem-comum, muitas das PPP.
Quanto ao PS, algumas das alterações aos estatutos, que cito no artigo, vão no sentido de abrir o partido à sociedade e à cidadania, o que é positivo. O pior foi ter calhado na semana em que a direcção da bancada parlamentar decidiu a disciplina de voto adventícia e injustificável na votação do pacote laboral...Quem pode assim tanto pode assim tanto dentro do PS estando fora?
Quanto ao PS, algumas das alterações aos estatutos, que cito no artigo, vão no sentido de abrir o partido à sociedade e à cidadania, o que é positivo. O pior foi ter calhado na semana em que a direcção da bancada parlamentar decidiu a disciplina de voto adventícia e injustificável na votação do pacote laboral...Quem pode assim tanto pode assim tanto dentro do PS estando fora?
sexta-feira, 30 de março de 2012
Aqui ao lado, mas diferente
Dia de greve geral em Espanha contra «o pacote laboral». Centenas de milhares nas ruas de Madrid e Barcelona. Aqui houve «distúrbios» a sério. Pudera, as comunidades autonómicas espanholas estão na linha da frente dos cortes orçamentais. O monetarismo invade a boa organização da sociedade política que permitiu 35 anos de democracia e paz social em Espanha. Há países que permitem que se brinque com eles. Outros a História diz-nos que não são para brincadeiras.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Pepinos e competitividade
Os primatas não gostam de desigualdade, informa-nos uma equipa de cientistas que lidou com macacos sem feriados, alimentados desigualmente com rodelas de pepino perante as mesmas tarefas desempenhadas. Parece que esses primatas se revoltaram contra os tratadores-cientistas, livres de qualquer preconceito. Por exemplo, não seria mau saber o nome dos verdadeiros autores das novas leis laborais. Não falo só dos que a vão votar, mas dos que a conceberam.Ao menos os cientistas deram a cara...
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