Creio que desde os anos da revolução em 1974-1975 que Portugal não despertava tanto a atenção do mundo internacional como desde que pediu o «resgate» à troika. Ficamos a saber pelo Expresso que o secretário-geral da ONU criou um
Observatório Económico e Social para os países do sul da Europa, incluindo Portugal nesse painel. A entrevista dada pelo seu coordenador, Artur Baptista da Silva, é desassombrada e muito informativa sobre o que nos espera se não houver actualização dos termos do «Memorando de Entendimento». Além da proposta sobre uma conferência internacional sobre o problema das dívidas soberanas, sobejamente sugerida por quem tem os pés assentes na terra e não é procurador da agiotagem, o grupo de Baptista da Silva chama a atenção para o facto de 41% da dívida soberana consolidada de Portugal se dever à comparticipação financeira do OE nos projectos comunitários aprovados pelos regulamentos dos fundos estruturais. Fico à espera que o meritório site Portugal Economy ( http://www.peprobe.com/ ) nos dê conhecimento dos principais estudos da ONU sobre Portugal que se venham a realizar por esta Observatório, ou outras entidades.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
As empresas e as famílias
«As empresas e as famílias» são muitas vezes atiradas pelos ideólogos da esfera privada contra o Estado. Mas ao saber-se que as empresas não querem contribuir monetáriamente para os estágios dos alunos da formação profissional, percebe-se que as famílias ficam mais sozinhas na educação dos filhos. Claro, mal acompanhadas pelos fundos sociais europeus no norte onde ainda se aplicam, e pela República Portuguesa no sul onde só o Estado paga o ensino profissional...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Pensões e seriedade
Mais um esclarecedor artigo de Bagão Félix no jornal Público sobre o tema das reformas, em que desmonta as «declarações infelizes e abusivas» de Passos Coelho diante de um auditório da sua juventude partidária como se estivesse a preparar uma «revolução cultural» dos jovens contra os idosos reformados. Cito Bagão Félix:
«Não nos esqueçamos que o regime Previdencial da Segurança Social, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário...» E adverte:
«A Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada.»
Mas o melhor é ler todo o artigo.
«Não nos esqueçamos que o regime Previdencial da Segurança Social, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário...» E adverte:
«A Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada.»
Mas o melhor é ler todo o artigo.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Reformas, caneladas e o futuro
Marcelo viu o primeiro-ministro dar uma canelada grossa no PR por causa das pensões de reforma e marcou-lhe falta. Por mim fico com imensa curiosidade sobre que tipo de plano de reforma anda Passos Coelho a fazer para si e os seus. O prazo não me parece distante...
sábado, 15 de dezembro de 2012
Citar Lincoln no Nobel
No artigo www.cmjornal.xl.ptO Nobel da Caridade chamo a atenção para o discurso de Van Rompuy na cerimónia de atribuição do prémio em Oslo. Nele Van Rompuy citou Abraão Lincoln sobre os benefícios da União entre Estados. A mensagem é ambivalente: o presidente dos States lutou contra o modelo social da escravatura mas também consagrou o fim da possibilidade dos Estados federados à secessão. E uma nova guerra para impor as convenções da OIT a nível global não tem adeptos poderosos enquanto a pressão para a baixa de preços mundial com origem na Ásia continuar...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O número de Outubro da Revista Militar
Qualquer estudioso, ou historiador, de assuntos de defesa conhece a multicentenária Revista Militar fundada em 1848 quando o Estado português se esforçava por se reconstituir. Hoje, no meio de novas dificuldades, a Revista, sob a direcção do General Pinto Ramalho, resolveu entrar no debate sobre a oportunidade, ou não, de revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, e convidou um significativo grupo de individualidades em Setembro a pronunciar-se sobre a matéria. Tendo sido um dos participantes não quero deixar de felicitar a direcção da revista pela iniciativa e de chamar a atenção para a excelente súmula do debate publicada no número de Outubro. E recomendar a leitura a todos a quem o assunto deva interessar.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Nomeações jornalísticas, demissões políticas?
A RTP, porque pública, sempre foi um óptimo laboratório para se observar como as sub-oligarquias apresentam a sua dominação no aparelho informativo. De uma maneira geral a escolha do director e da equipa de informação é apresentada como derivada do mérito e do critério jornalístico. Quando chega a demissão é sabido que o critério se apresenta como político, no princípio e no fim! Saiu agora Nuno Santos, entrou Paulo Ferreira. Não há heróis nem vilões na Marechal Gomes da Costa. Fora os que continuam sempre lá.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O Nobel salva a UE?
Foi triste a cerimónia da entregua do Nobel da Paz em Oslo à UE. Como se os circunstantes tivessem o sentimento que o prémio foi atribuído pelo passado e não pelo presente. Postumamente.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Nem Grécia, nem Espanha.
O Cabo Submarino deste sábado chama a atenção para o facto de não ser só a Grécia que beneficia de melhores taxas de juro dos fundos europeu do que Portugal. A Espanha, mesmo sem ser um «país de programa», conseguiu um empréstimo de 40 mil milhões de euros para refinanciar o seu sistema bancário a uma taxa de juro de 1%.
Parabéns, Mário Soares !
Do alto dos seus 88 anos de uma vida sem virar a cara nem a esconder-se no estatuto histórico que alcançou, Mário Soares ainda hoje incomoda muita gente como se nota na imprensa deste fim-de-semana. Sobretudo os instalados e os timoratos. Parabéns Mário Soares neste dia 8 de Dezembro. Precisamos de si nestes tempos terríveis.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Câmara Clara
Temos uma nova máxima cá em casa:«É bom? Deve estar para acabar!»
Chegou assim a vez do programa da Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, que nos acompanhava ao domingo no Canal 2. Um excelente programa de informação e debate sobre cultura. Ainda há dias deliciara-me a ouvir o José-Augusto França, perene nos seus noventa anos. Por lá passei uma vez a discutir o Império Romano e a União Europeia, à minha maneira. Recordo isso no dia em que recebi um e-mail a dar-me conta, elegantemente, do final do programa. Assim acontece...
Chegou assim a vez do programa da Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, que nos acompanhava ao domingo no Canal 2. Um excelente programa de informação e debate sobre cultura. Ainda há dias deliciara-me a ouvir o José-Augusto França, perene nos seus noventa anos. Por lá passei uma vez a discutir o Império Romano e a União Europeia, à minha maneira. Recordo isso no dia em que recebi um e-mail a dar-me conta, elegantemente, do final do programa. Assim acontece...
Para ganhar ou para vender?
Há muito que não escrevo aqui sobre futebol. Mas ontem ao ver o meu SLB a jogar contra o Barcelona B e a exibir os seus espanhóis como o Nolito e o Rodrigo fiquei com a impressão que o principal objectivo era mostrar a mercadoria para venda e não tanto a vitória, arredada psicologicamente em Camp Nou. Rodrigo bem o ilustrou, que com dois companheiros flagrantemente melhor colocados para marcar o golo rematou ingloriamente para o mercado...Não dizem nada ao rapazito?
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Países de programa
Foi Vítor Gaspar quem, na AR, usou a extraordinária expressão, de «países de programa» para os que poderiam beneficiar, sentados, do esforço negocial dos governantes e do povo da Grécia em termos de juros e de prazos no pagamento dos empréstimos, os da troika incluídos, desde que «intervencionados», sob «resgate», signatários de «memorandos de entendimento» e outros eufemismos. Portugal estaria à cabeça desse reduzidíssimo pelotão da retaguarda. O extraordinário Passos Coelho apareceu a seguir na TVI com o ar maroto de quem se sabe poupar na arena internacional. O presidente do eurogrupo afirmara que assim estava decidido nestes casos desde Junho. Mas bastou uma pergunta mal endereçada no PE ao ministro alemão em vésperas de congresso da CDU para fazer ruir o castelo de cartas dos nossos amadores negociadores europeus. Para aprenderem.Infelizmente à nossa custa.
Joaquim Benite (1943-2012 )
Acabo de saber do falecimento de Joaquim Benite, o grande promotor do Festival Internacional de Teatro de Almada do qual me tornei assíduo frequentador. Há uns anos que o Joaquim Benite aparecia numa cadeira de rodas mas solidário, enérgico e solar. Estive aliás numa homenagem em que o embaixador de França o condecorou este Verão. Ficamos mais pobres com o seu desaparecimento.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O bom aluno paga propinas
O deputado Diogo Feio, do mesmo partido do MNE, perguntou, no Parlamento Europeu, se Portugal teria os mesmos juros e facilidades de pagamento que a Grécia obteve a semana passada. Contrariamente à expectativa do bom aluno de Lisboa o ministro federal alemão das finanças deu-lhe uma rabecada escusada e até injusta. Mas nessa escola os bons alunos pagam propinas. Sobretudo quando levantam o dedo a pensar que sabem...
O banco central como símbolo
Scolari, o seleccionador das multidões, sabe mexer com a psicologia social. Mal foi nomeado treinador do Brasil disse que os jogadores que não aguentam a pressão deviam ir trabalhar para o banco central do Brasil!E o Banco do Brasil é um verdadeiro banco central e não um mero gabinete de estudos como alguns se tornaram na zona euro. Basta dizer que tem cerca de 160.000 funcionários...Sem pressão.
sábado, 1 de dezembro de 2012
O último orçamento
Passos Coelho não aprende nem com os erros dos outros e muito menos com os seus. Na entrevista à TVI este semana replicou o desastre do anúncio da subida da TSU para os empregados com o fim da gratuitidade do ensino público obrigatório.
O primeiro-ministro não dá mostras de querer alterar as opções políticas como os signatários da carta aberta que lhe foi entregue propõem. O orçamento para 2013 será pois o último da sua autoria.
O primeiro-ministro não dá mostras de querer alterar as opções políticas como os signatários da carta aberta que lhe foi entregue propõem. O orçamento para 2013 será pois o último da sua autoria.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A carta que o Córtex assinou
"Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,
Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.
À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.
O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.
A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.
É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.
PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.
Lisboa, 29 de Novembro de 2012"
MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista)
Debater as privatizações com Eduardo Paz Ferreira
http://youtu.be/dbupuqtjN40?hd-1 é o endereço onde podem ouvir o Professor Paz Ferreira convocar-vos para uma sessão de debate sobre as privatizações em curso. Quem diria que as empresas públicas ainda haviam de ajudar o Estado a saír do pântano? Mas o judo não é para todos... Vamos aprender com quem sabe.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A numeração no governo
Este governo não é bom em números. Engana-se frequentemente na macro. Mas que o seu primeiro-ministro nomeie, como o fez na TVI, o seu segundo e terceiro ministro sem critério revela um grande desconhecimento do papel dos membros do actual Executivo. A minha ordenação é bem diferente: Paulo Macedo é o número dois pelo mérito, o outro Macedo é o terceiro pelo trabalho que tem na pasta. Mas quem marcará a data das próximas eleições será Paulo Portas, que é o que faz o primeiro-ministro no governo de Sua Majestade Britânica...
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Notícias de Onésimo
Conheci Onésimo Teotónio de Almeida em 1979 na Universidade de New Hampshire- EUA, num colóquio sobre a revolução portuguesa. Os intelectuais idos de Lisboa, com os seus percursos de mentalidade clássica, mesmo que radical, tinham dificuldade em acompanhar o ritmo e a novidade do seu pensamento agitado.Fiquei cativado. «Temos aqui um objecto de estudo», pensei então. E de facto continuamos a ter neste universitário transatlântico um pensador diferente e multifacetado. Com o concurso de um confesso discípulo, João Maurício Brás, publica agora um diálogo ensaísta sobre o seu percurso filosófico Utopia em dói menor.São 40 anos de intervenção exigente e polémica no espaço público. Poucos contribuem tanto para a internacionalização dos intelectuais pátrios como este professor da Universidade de Brown.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
A Grécia à frente
Ninguém sabe como lidar com a dívida soberana grega, porque as razões que levaram ao actual modelo de assistência financeira internacional na zona euro estão datadas. O critério do pagamento integral da dívida é irrealista, e está ultrapassdo, embora fosse muito apelativo para os credores em plena crise dos pagamentos inter-bancários em 2009. O modelo de negociação com os credores mantendo os Estados sob-tutela criou a ilusão que não seria necessário renegociar com os credores o perfil da dívida, taxas de juro, maturidades, etc...
Esta noite percebeu-se mais uma vez que esse modelo só leva ao atraso das medidas que devem ser tomadas e que acabam por ser tomadas: baixa das taxas de juro, adiamento dos prazos, etc. Mas sempre às arrecuas, sem se passar à libertação negocial dos Estados. Assim isto vai acabar mal para o FMI, o Euro-Grupo e o BCE. Porque ninguém quer ser a Grécia quando a Grécia indica o caminho...
Esta noite percebeu-se mais uma vez que esse modelo só leva ao atraso das medidas que devem ser tomadas e que acabam por ser tomadas: baixa das taxas de juro, adiamento dos prazos, etc. Mas sempre às arrecuas, sem se passar à libertação negocial dos Estados. Assim isto vai acabar mal para o FMI, o Euro-Grupo e o BCE. Porque ninguém quer ser a Grécia quando a Grécia indica o caminho...
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A Catalunha entre soberanistas e republicanos
O referendo pela independência da Catalunha obliterou os espíritos sobre a análise dos resultados de ontem naquela Comunidade Autonómica.Madrid, com a maioria descendente dos conservadores de Artur Más e a subida significativa da Esquerda Republicana, em vez de ter ficado só com um problema agora tem dois!
domingo, 25 de novembro de 2012
Nos 90 anos da Seara Nova
Há quem porfie na publicação da Seara Nova e ontem encerrou-se um ciclo de conferências que celebrou os 90 anos da revista em que participei com o seu novo director Levy Baptista e o Vítor Dias, numa sala da Associação 25 de Abril muito cheia. O tema da conferência «Está a democracia em perigo?» repetiu as preocupações dos seareiros no início da publicação em 1921. Mas hoje há mais forças a perpetuar o regime democrático do que na véspera do 28 de Maio de 1926.
sábado, 24 de novembro de 2012
Brutas ou editadas?
De vez em quando descobrem-se coisas. Desta vez que a PSP- que na rua andava a melhorar- foi encontrada num vão de escada a visionar imagens não-editadas pela RTP. No meu artigo no Correio da Manhã apoio a ideia do João Gonçalves de se entregar o inquérito mandado instaurar pelo ministro Miguel Macedo à Inspecção Geral da Administração Interna(IGAI).
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Tantos orçamentos em Novembro!
Por estes dias discute-se na AR um orçamento rectificativo para 2012 que se adapta à triste realidade de um défice de 5%, o OE normal para 2013 que o estima em 4,5%, a estratégia desse extraordinário orçamento para 2014 que mergulhará o défice nas profundezas de um voluntarioso 2,5% , e as perspectivas financeiras da comunidade europeia até 2020 que Passos Coelho não quer ver reduzido em oitenta mil milhões de euros, São muitas contas ao mesmo tempo, mas claro que ninguém se enganará que isto não é um concurso de prognósticos!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Notícias da crise
A notação da Moody´s à França coloca de novo o euro em questão quer por efeitos directos quer indirectos. A moeda franco-alemã era isso mesmo: uma paridade política, depois da paridade cambial entre o marco ocidental e o marco de leste como consequência da reunificação alemã, ainda andavam os manifestantes a celebrar na rua. Veremos se desta vez as agências de «rating» não serão desmentidas.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
O euro francês sem o triplo A
The Economist já o havia anunciado este fim-de semana : a França de François Hollande e da «baguette» deverá render-se em breve à flexibilização do mercado do trabalho, e sabe-se lá que mais. Hoje a Moody`s retirou-lhe o «triple A». Em princípio o euro francês vai valer menos no mercado de capitais, e os juros vão subir. Agora na zona euro só 5 moedas valem o máximo: a alemã, a austríaca, a holandesa, a luxemburguesa e a finlandesa. Para quando a assinatura do armistício?
Dilma Rousseff em Espanha
Na cimeira ibero-americana realizada em Cádiz a voz mais forte foi a de Dilma Rousseff, a presidente do Brasil. No seu discurso oficial criticou a política de austeridade na zona euro e disse que as mesmas receitas na América Latina se cifraram em 10 anos de estagnação. Depois, numa conversa com Juan-Luis Cebrián, publicada no El País de domingo, voltou a criticar a política «disjuntiva» entre a inflação e o desenvolvimento, entre reduzir a despesa pública ou investir, entre optar pelo mercado interno ou exportar. Mas disse mais: que já o tinha afirmado diante de Merkel nas reuniões do G-20. E acrescentou: o milagre brasileiro assenta na baixa inflação, nas boas contas e na existência de reservas cambiais que colocam o seu país ao abrigo dos mercados financeiros internacionais. O mercantilismo monetário avança no meio da globalização desregrada...
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Corrida para leste
Ângela Merkel mal descolou de Figo Maduro foi a Moscovo passar uma noite e tratar com um Putine fortalecido com os seus excedentes financeiros que abrigam a Rússia dos célebres «mercados». François Hollande foi à Polónia para não deixar tudo à Alemanha, e mostrou-se confiante na futura adesão de Varsóvia à zona euro- une vue de l´esprit- embora no presente lhe interesse sobretudo a aliança em torno da PAC nas negociações sobre as «perspectivas financeiras» da UE. Coitados dos estados «periféricos»...
sábado, 17 de novembro de 2012
Os Caminhos da Senhora
A viagem de Merkel a Portugal serve de mote ao Cabo Submarino de hoje.A visita fica marcada pela ausência de contraditório, expressa no congelamento político do PR e na omissão de contactos com a oposição. Mas ao recordar que a chancelerina foi a primeira a propor, há mais de dois anos, que a banca privada participasse no esforço de resolução do problema das dívidas soberanas, pergunto-me para quando a procura de um ponto de equilíbrio entre os interesses dos credores e as necessidades dos países devedores. Quanto tempo durará a via crucis até à renegociação de juros, maturidades,metas e calendários? E como estaremos todos quando não se puder recusar mais a evidência?
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
As pedras da calçada
Um grupo de manifestantes mais violentos tem vindo a distinguir-se, ao fim da tarde, no propício larguinho frente ao parlamento. Já se percebeu que mais cedo ou mais tarde vai ali haver algum desastre. Mal os sindicatos desmobilizam emergem grupos com gente preparada para dar e levar. Uma coisa é certa: a PSP está cada vez mais bem treinada e começa a exercitar-se para o pior. Como cuidado preventivo acaba de propor que se retire a calçada nas imediações do Palácio de S.Bento. É a via pacífica...
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
A Lusa em castelhano ?
Enganei-me ou o ministro Miguel Relvas disse que pretendia refundar a agência Lusa aproveitando sinergias com a agência espanhola EFE? Os jogadores de futebol de língua castelhana presentes nas equipas portuguesas sem falar uma palavra na nossa língua, agradecem comovidos a atenção...
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Assinar por baixo
Passos Coelho no seu discurso no CCB afirmou que a UE deve voltar à saga da revisão dos tratados da UE, mas não balizou minimamente a coisa. Assim dita a afirmação é um endosso às propostas que Merkel pode fazer em breve, e uma delas é a da uniformalização da fiscalidade, pelo menos nos países do Euro, o que desviará o investimento de Portugal, e contraria o esforço ingénuo do seu ministro da Economia, às voltas com a baixa do IRC. São os perigos de assinar por baixo...
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Merkel não gosta de presidentes da República?
Conhecemos as dificuldades pessoais de Merkel nas suas relações com os últimos presidentes da República da Alemanha. Mas não era caso para passar só meia hora com o nosso sem direito a declarações! Foi um mínimo internacional. Ainda por cima parece que Cavaco Silva terá sido a única autoridade portuguesa a criticar esta política de austeridade em frente da chancelerina neste dia 12 de Novembro...
O BE gostava de ser o «verdadeiro PS»?
Poucas novidades na convenção do BE. Deixou de ser um movimento e age como um partido clássico, mesmo que seja de esquerda. Sonha em ter mais força do que o PS e já fala para este como se a tivesse. A nova direcção do Bloco vai ter que saber agir sem olhar muito para trás.
sábado, 10 de novembro de 2012
The best is yet to come
O discurso de vitória de Obama serve-me de referência para o artigo que escrevo hoje no Correio da Manhã . O presidente dos EUA, durante o seu primeiro mandato, não convocou só economistas, militares e juristas. Também ouviu frequentemente historiadores, uma prática que devia ser europeia nas altas esferas do continente. O resultado nota-se no discurso de vitória. Obama promete um progressismo realista no seu segundo mandato.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Mudar de regime e mudar o regime
Finalmente uma voz autorizada do círculo do poder, Vítor Bento, veio declarar o que se pretende com a «refundação» : mudar de regime. Mas é muito mais fácil dizê-lo do que fazê-lo...
Nota da redacção: Afinal Vítor Bento em Coimbra limitou-se a equacionar a possibilidade de «refundar o regime e rever a Constituição». É diferente, mas as dificuldades apontadas não serão menores...
Nota da redacção: Afinal Vítor Bento em Coimbra limitou-se a equacionar a possibilidade de «refundar o regime e rever a Constituição». É diferente, mas as dificuldades apontadas não serão menores...
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Continuar a meia-haste
O embaixador de Israel foi chamado ao MNE por ter criticado o facto do governo de Salazar ter decretado luto pela morte de Hitler em Abril de 1945. É caso para dizer que há quem continue com a bandeira a meia haste...
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Obama, naturalmente
Assisti às eleições presidenciais norte-americanas sem muitos estados de alma por estar convencido da vitória de Obama. Fui-me deitar pelas duas da manhã e dormi bem. De manhã tinha a notícia servida com toda a informação e despida daquelas sondagens e especulações tão próximas dos desejos subjectivos de tantos opinadores. Obama defendeu uma política de fomento económico para o mundo sair da crise financeira e manteve-se fiel a um papel activo dos poderes públicos nesses campo e no das políticas sociais. Não é um partidário da refundação...
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Também o mapa político europeu...
O mapa político europeu foi-se alterando pacatamente depois da reunificação alemã sobretudo nas margens da UE. Porém, em plena crise comunitária, somam-se agora sinais de transformação na fisionomia de alguns Estados membros como o Reino Unido, que já avançou para o referendo sobre a independência na Escócia, e como a Espanha, que mesmo ainda sem referendo autorizado já discute o binómio federalismo- independência para algumas comunidades autonómicas com particular relevo para a da Catalunha. Também na Alemanha os estados contribuintes líquidos, como a Baviera, o Hesse e Baden fazem pressão para diminuírem, ou suprimirem, as suas transferências para o fundo de coesâo federal que favorece Berlim ou Bremen. As questões decisivas nunca são agendadas a tempo.
domingo, 4 de novembro de 2012
LX 60
Quem afirma que o livro está ultrapassado como suporte cultural deve passar os olhos por LX 60, a obra de Joana Stichini Vilela e Nick Mrozowski que relata, pela palavra acertada e pela imagem gráfica refrescante, a vida em Lisboa de há cinquenta anos. O livro é um belo objecto editado pela D. Quixote e por ele também me dou conta de como fui deixando o meu nome por cafés, revistas, livrarias e acontecimentos que marcaram essa década plena de novidades.
sábado, 3 de novembro de 2012
Ninguém mais pede o «resgate»?
Hoje no Cabo Submarino chamo a atenção para o facto de, após Portugal ter pedido o «resgate» à troika em Maio de 2011, mais nenhum país da zona euro o ter feito, mesmo atravessando dificuldades como a Espanha e Chipre, mesmo depois do BCE ter colocado como pressuposto da compra de títulos de dívida no mercado secundário que esses países o façam. A «refundação» do memorando devia pois dirigir-se aos mais altos representantes internacionais da troika, e não tanto ao PS agora que o CDS se afasta da coligação...
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Refundar e afundar
Passos Coelho resolveu ontem dar uma interpretação restrita do que pretende «refundar». Trata-se de novo de pretender amarrar o PS ao destino da execução do memorando de entendimento reformado, quando o CDS se prepara para refundar a coligação. Refundar ou afundar?
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Refundar o PSD
Passos Coelho falou em refundação do memorando de entendimento nas extraordinárias jornadas parlamentares conjuntas dos partidos da coligação. Refundação significa renegociação dos termos, objectivos e calendários do histórico documento? Insinua um perdão de dívida à grega que já vai no segundo? Não, a interpretação autêntica do enigma aponta para um desafio-aparentemente destinado ao PS- de desmantelamento das funções sociais do Estado. O problema de Passos consiste em que todos pensam primeiro do que tudo em refundar o PSD e o governo...
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Telefona-me que já te digo
Para quando um número ensaiado sob o lema «Telefona-me, que já te digo.»? Ou do bom uso das escutas por gente treinada. Não é obrigatório o tratamento por «tu», uma possidoneira entre governantes da grande família europeia...
Volta, Francisco
Fora os problemas de saúde anunciados, foi uma alegria saber que o Francisco José Viegas se encontra de novo entre nós e pode deambular pela sociedade civil à vontade sem máquina de calcular nem votos de abstinência. Os amigos esperam-no nos sítios do costume, a começar pelo blogue A Origem das Espécies.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Jorge Sampaio- Uma Biografia
Foi lançado ontem na Gulbenkian o primeiro volume da monumental biografia de Jorge Sampaio escrita com talento e minúcia por José Pedro Castanheira. Embora este tenha dito na apresentação não se considerar um «historiador», o certo é que esta biografia vai servir de fonte para os que se venham a dedicar, no futuro, à história do Portugal político- e mesmo cultural - da segunda metade do século vinte, com Jorge Sampaio no centro, como é próprio do género biográfico. O biografado planta assim na república, muito à sua maneira, os arquivos pessoais que disponibilizou com franqueza e sem restrições ao biógrafo. Acompanhemos pois os desenvolvimentos dessa biografia.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Maria João Pica
De vez em quando é assim: da plateia há alguém que toma conta de um programa televisivo. Hoje foi a estudante do secundário Maria João Pica nos Prós e Contras: gosto literário, capacidade de argumentação, firmeza de convicções, crítica das metas curriculares actuais, excelente presença e dicção.Um regalo!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
O estado da opinião
Lido no Le Monde de ontem:
«Le conseil européen des 17 et 18 octobre n´a rien donné.Au fond c´est rassurant.»
«Le conseil européen des 17 et 18 octobre n´a rien donné.Au fond c´est rassurant.»
sábado, 20 de outubro de 2012
Vencer nos Açores
Vencer nos Açores é o título do meu artigo de hoje no Correio da Manhã. Nele destaco o concurso de personalidades e de políticas que fazem do PS-Açores o melhor partido político nacional. Carlos César e José Contente abriram o caminho à renovação atempada do governo regional e Vasco Cordeiro conseguiu ganhar as eleições por maioria absoluta. Existe um conjunto de responsáveis com capacidade política, sentido institucional e experiência governativa cidadã que pode servir de exemplo a nível nacional.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
O Nobel da compaixão
O Prémio Nobel da Paz, por natureza o mais político desses prémios, às vezes seguido pelo do da Literatura, foi atribuído à União Europeia com mais de dez anos de atraso, pelo menos se se tiver em conta algumas das razões apontadas pelo comité Nobel. Lá figuram a pacificação entre inimigos, a entrada da Grécia, Portugal e Espanha depois de se terem desembaraçado dos respectivos regimes ditatoriais, o alargamento aos países do leste depois da reunificação da Alemanha e da consequente retracção russa Tudo isso foi muito meritório na altura. Mas o Nobel da Paz é atribuído quando a UE atravessa a sua pior crise de sempre e não encontra respostas para os problemas do dia. Um prémio de consolação, pois.E um encorajamento para gente desanimada.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Hollande ratifica e perde uma arma
A Assembleia Nacional da República Francesa aprovou esta semana a ratificação do tratado orçamental que Hollande havia criticado durante a campanha presidencial, propondo um acto adicional que contemplasse simultâneamente disposições indutoras de crescimento na zona euro. Hollande perde assim uma arma negocial de peso para persuadir Merkel a avançar nessa direcção tão necessária. Para além disso o governo francês estafou-se a reduzir o número de deputados dispostos a votar contra o tratado que servira também para espaldar Sarkosy eleitoralmente. Que pensará Laurent Fabius, que votou contra o tratado constitucional em 2005, de tudo isto?
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Discutir o Orçamento com Paz Ferreira
Muito oportuna a iniciativa de Eduardo Paz Ferreira de convocar uma discussão séria sobre o futuro OE para 2013 no seu Instituto da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Podem desde já visitar o site da inédita iniciativa em www.Oe2013.com
e depois participar.
e depois participar.
Para memória futura
Esta noite no programa da SIC-N conduzido por Ana Lourenço, recordei um artigo do professor de Economia da Universidade de Munique, Hans-Werner Sinn, publicado no jornal Le Monde a 1 de Agosto pp, em que o autor avança com a probabilidade dos países da zona euro sob resgate correrem riscos de assistirem a guerras civis caso queiram preencher as condições que lhes são ditadas para se manterem na moeda comum. Como não tinha presente a devida referência, e esta foi-me pedida por várias famílias, aqui a deixo para os devidos efeitos. Quem sabe se para memória futura...
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Mário Soares presente
Excelente artigo de Mário Soares hoje no Diário de Notícias Não só sobre os acontecimentos do 5 de Outubro último como sobretudo sobre a maneira de ultrapassar a agonia política deste governo que arrasta o país para o abismo. Já que não está em Belém Soares indica o rumo ao PR.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
O PS -Açores renova-se
O PS-Açores encetou um processo de renovação inédito no nosso sistema partidário, cujos principais protagonistas são Carlos César que sai de presidente do Governo Regional e Vasco Cordeiro, que tudo indica será o próximo, sem esquecer José Contente que se empenhou na transição. A campanha eleitoral para a Assembleia Legislativa entra na última semana com sondagens favoráveis a esta renovação tranquila. Um exemplo a nível nacional.
sábado, 6 de outubro de 2012
Manobras políticas
Tudo indica que o governo tem os dias contados depois da aprovação do OE. mas como explico no Cabo Submarino de hoje até pode cair mais cedo do que o esperado. Mesmo sem haver alternativas preparadas. Há um descontrolo generalizado na vida política portuguesa, o pior governo de sempre e nada de novo no horizonte.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Celebrações da República
Dos discursos proferidos na CML retenho a análise de António Costa à Europa e o compromisso de celebrar no futuro o 5 de Outubro que, quanto a mim, deve funcionar como feriado municipal até à retoma desta data como feriado nacional obrigatório. Cavaco Silva elegeu o tema da educação e chumbou as políticas de Nuno Crato.Não foram discursos estéreis e podem ser recordados em breve.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Pudera!
O ministro Santos Pereira declarou que não fará mais alterações às leis laborais. Pudera! Depois das manifestações de rua o Álvaro começa finalmente a conhecer o duro «métier» de governante...
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Passos Coelho não celebra a República
Passos Coelho não gosta de festejar a implantação da República em Portugal. Evitou estar presente na abertura das celebrações do centenário em 2010, eliminou o 5 de Outubro da lista dos feriados nacionais obrigatórios para efeitos laborais, e agora vai a Bratislava, no coração do sacro império romano-germânico, participar num curso sobre «coesão» na data portuguesa que o aborrece .Ora aqui está um cidadão que professa uma coerência silenciosa. A República já treme!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Durão Barroso já é o PR de Portugal?
Durão Barroso apareceu ontem na TV todo inchado por saber primeiro do que ninguém em Portugal quais as medidas que o governo vai apresentar em termos orçamentais para substituir uma medida que nunca existiu. O governo de Passos responde perante quem? Ou Durão Barroso já é o presidente da República Portuguesa sem ter sido eleito?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Quem mexeu na TSU?
Jorge Braga de Macedo disse na televisão, este fim-de-semana, não interessar saber quem tinha tido a ideia de alterar os termos da contribuição da TSU aumentando a participação dos trabalhadores. Ora, num contexto em que o governo se faz rodear de eminências pardas, que aliás o prejudicam ainda mais, seria salutar e vantajoso conhecer os agentes dos processos de decisão que envolvam gente até aqui ao abrigo do escrutínio público. O anonimato não gera bons conselhos.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O plano bilateral
Hoje, no jornal Público, o Embaixador dos USA em Lisboa, Allan Katz, escreve um importante artigo intitulado Fortalecer as relações entre os EUA e Portugal ,acentuando o plano bilateral e o papel da Comissão Permanente saída do acordo de 1995. Até se pode dar o caso de o artigo ter sido motivado por alguma reunião daquela comissão, mas não há dúvida que se há momento favorável ao aprofundamento das relações bilaterais é este que atravessamos.
O Segredo dos Pássaros
Numa noite de lançamento de livros em Lisboa, coube-me fazer a apresentação do romance de Vítor Serpa O Segredo dos Pássaros, a convite do autor e da Cristina Ovídio directora do Clube do Livro. O romance, «um jogo entre a história e a ficção», mistura muito bem personagens reais com personagens ficcionadas e desenrola-se durante a II Guerra Mundial em dois teatros principais, nas minas de S.Domingos no Alentejo e em Lisboa até ao Estoril. Gostei de ler o livro, e se bem que me tenham convidado por causa do contexto histórico, confesso que até já tive a tentação de ser crítico literário...
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
O «momento federal» europeu passou?
Manuel Maria Carrilho, que vai lançar o livro Pensar o Mundo, acaba de levantar, na SIC-N, a hipótese do «momento federal europeu» já ter passado. Tenho a mesma dúvida.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
«Uma Federação de Nações»?
Durão Barroso gosta de fórmulas. No Parlamento europeu avançou a destempo com a ideia de uma «federação de nações» para a UE. A Catalunha entretanto avança para um processo de auto-determinação que não deixará em repouso o mapa político europeu e ibérico. Ninguém quer entender como tudo isto foi desencadeado, e muito menos como pode acabar.
Alternativas só para a TSU?
O governo das soluções únicas anunciou ontem aos «parceiros sociais» que está a trabalhar para encontrar alternativas à medida que havia proposto para o aumento da contribuição dos trabalhadores para a TSU. No ano passado a descida da TSU para os patrões estava ligada ao aumento do IVA. Agora dirige-se para o IRS. Mas se o problema é fiscal entregue-se o caso ao ministro Paulo Macedo que deve ser quem mais percebe de impostos no Conselho de Ministros. O governo, porém, terá de procurar alternativas muito para além da questão da TSU.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Os juros da Grécia descem....
Os juros das maturidades gregas a 10 anos estão a descer nos mercados de capitais. Não é a primeira vez desde as medidas anunciadas pelo BCE de compra de dívida soberana nos mercados secundários...Mesmo sem a conclusão da actual auto-avaliação da troika...
sábado, 22 de setembro de 2012
O governo embalsamado
Cavaco Silva embalsamou o governo como previ no Cabo Submarino de hoje. O governo terá os dias contados depois de apresentar a proposta orçamental que muitas dores de cabeça dará ao que se seguir.Prevê-se desafios ao Tribunal Constitucional, artimanhas de técnicos anónimos, a cedência cínica no caso da TSU, algumas receitas extraordinárias retiradas à ANA pública antes da privatização suculenta,etc. Mas Cavaco Silva não tenciona oficializar uma segunda crise política no primeiro terço do seu segundo mandato... Cuidado no entanto com a rua!
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Conselhos ao Conselho
O Conselho de Estado, embora feito para o PR, deve aconselhar Passos Coelho a não afrontar o Tribunal Constitucional na questão dos salários e das pensões no próximo OE, e deve motivar Vítor Gaspar a mudar de atitude negocial perante a troika. Estes conselhos valem ouro...
Os Notários já perceberam
Muitos dos notários que passaram para o privado querem regressar à tutela do Estado. O que vem a ser isto? A desautorização do Borges?
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Só por causa da TSU ?
Acham que o clamor que se levanta no país se deve apenas ao truque do financiamento da TSU ? Mas esta gente vive aonde ?
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Um governo a prazo
Este governo está esgotado por razões internas e externas. Mesmo assim ainda pode vir a apresentar a proposta orçamental, e o rectificativo anunciado, caso o PR resolva canalizar a reunião do Conselho de Estado para aumentar a sua margem de influência política junto da coligação. Mas tratar-se-á apenas de um adiamento da certidão de óbito do governo de Passos Coelho.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
O debate Vítor Gonçalves - A J Seguro
Pode-se dizer que Vítor Gonçalves perdeu o debate com António José Seguro.
domingo, 16 de setembro de 2012
Manifestações que obrigam a repensar
Só pela televisão se pode apreciar a amplidão da descida à rua do Portugal sofredor. Passos Coelho estava a pedi-las. Nem com o parceiro de coligação dialogava. Pelo seu lado a troika estava a precisar de sentir que há quem defenda a capacidade negocial externa do Estado: a população na rua de norte a sul. Estas manifestações obrigam a repensar medidas, e até modos de governação
sábado, 15 de setembro de 2012
Fronda geral
Fronda geral, chama a atenção do isolamento do governo na frente interna, com a passagem da classe média e da pequena burguesia para a oposição activa onde já se encontravam as classes trabalhadoras, os desempregados, pensionistas e reformados. O governo deve explicar muito bem quais as medidas foram propostas por ele, e as que foram impostas pela troika. Como escrevi no artigo « os organismos internacionais também terão de responder pelos seus erros, mesmo que consentidos por governos frágeis.»
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Ainda vale a pena ouvir Passos Coelho?
Estive a ouvir Passos Coelho. Não respondeu nem às perguntas dos jornalistas nem às muitas críticas que lhe endereçaram de todos os quadrantes da opinião nos últimos dias. Fez bem A.J.Seguro em antecipar uma hora antes da entrevistas o voto contra o Orçamento por parte do PS, com uma eventual moção de censura no horizonte. A vida política descongela-se.
Entretanto em França...
François Hollande anunciou medidas de austeridade mas insiste num imposto para as grandes fortunas e isenta o sector da Educação da austeridade, mantendo o propósito de lhe aumentar as verbas. Claro, há muita gente a desejar que ele falhe...
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Velhas medidas, novas datas
A doutrina não muda.O Sol continua a rodar à volta da Terra. Postos perante a prova dos factos governo e troika empurram com as barrigas grávidas de enganos as datas sacrossantas que celebraram até ontem. O défice orçamental fica ordenado com o mesmo rigor tecnocrático e o fétiche da exactidão profética de sempre: este ano reza-se para não ultrapassar os 5%; os intocáveis 4,5% do PIB em 2012 são adiados para 2013; em 2014 espera-se a desmultiplicação do défice para uma cifra inferior a 3% para manter as aparências da doutrina. Chamam a este exercício formal o ajustamento da «trajectória do défice orçamental». Seja. Mas mudem as medidas, além das datas. Se não terão de refazer o calendário, e são demasiado bem pagos só para tal burocracia.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Os trabalhadores que paguem a crise e TC que se lixe
Passos Coelho aproveitou a estadia da troika em Portugal para responder, pela teimosia, às reticências gerais, e especialmente do PR, do PS e do CDS, às suas medidas de austeridade centradas sobre as mesmas vítimas, desafiando até o Acórdão do Tribunal Constitucional sobre as prestações do 13º e 14º mês da função pública e reformados desta. O expediente anunciado para a baixa da TSU para os patrões e a subida desta para os trabalhadores é simplesmente escandaloso.Este homem começa a ser perigoso para o bom funcionamento da sociedade.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
A independência do BCE
O BCE deu um passo importante para «acalmar os mercados» com o anúncio que vai comprar dívida soberana aos países da zona euro sob resgate financeiro. Foi a sua decisão mais importante desde que foi criado, e o seu verdadeiro atestado de independência perante os governos. Perante todos os governos da zona euro.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
O tricotar do CDS
O CDS anda a tricotar os temas da sua renegociação dos termos da aliança governamental e os temas para futuras campanha eleitorais, e já conseguiu enervar o primeiro-ministro. Tudo nas barbas da troika...
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Enchente em Braga
Paulo Bento anda a recrutar de preferência no S,C. de Braga. São seis os jogadores seleccionados, incluindo Éder o suplente de Lima! Prevejo uma enchente para o estádio da pedreira na próxima terça-feira contra o Azerbeijão...
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Esperar pela clemência da troika
O governo joga tudo na clemência dos mandantes da troika cujos funcionários estão de novo a «avaliar» os efeitos das medidas decretadas.Espera, calado, por mais tempo, e até por mais fundos que deixou escapar das receitas do Estado. É um jogo de submissão negocial bem arriscado. E um nadinha aviltante...
sábado, 1 de setembro de 2012
Serviço Público tem horror ao vazio
Hoje no Correio da Manhã chamo a atenção para as novas possibilidades que a Televisão Digital Terrestre abre ao serviço público como se demonstra pela iniciativa da TV-Parlamento começar a emitir num canal de sinal aberto a partir de 15 de Setembro próximo. O serviço público de televisão tem horror ao vazio...
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Salvar o serviço público de televisão
Não se percebe o papel de António Borges na questão da RTP e muito menos a sua intervenção sobre serviço público de televisão, matéria que lhe deve ser adversa. Mas defender o serviço público de televisão não significa manter a RTP das touradas.
sábado, 25 de agosto de 2012
Um homem e uma mulher
O novo ciclo na liderança do BE ocupa o Cabo Submarino no Correio da Manhã.Descrevo a fase que termina. Quando se apurar melhor a questão da próxima equipa dedicarei então um artigo ao futuro. Mas já declarei aqui o João Semedo como o melhor deputado da AR.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Publicidade à porta nas férias
Todos os anos leio as instruções da PSP e dos CTT sobre o que os cidadãos devem fazer antes de partirem para férias: assinalar às autoridades os períodos de ausência, assinar uns papéis nos correios, etc. Porém, quando regressamos a casa, os sinais mais evidentes e claríssimos de que se esteve fora uns dias são dados pela profusão de publicidade selvagem deixada nas caixas de correio a transbordar e mesmo debaixo das portas com rabo de fora. Sobre essa actividade do terciário é que não há nada a fazer. Não há por aí uma leizinha que discipline a coisa?
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Mudanças no BE
Soube da criação do Bloco de Esquerda por um dos seus fundadores que conhecia bem há muitos anos. Também conhecia vagamente alguns outros.Estávamos nos primeiros tempos da terceira-via em Portugal e na Europa. O BE iria certamente ganhar votos à esquerda, perdidos por um PS desvitalizado e impedir que o PCP crescesse com eles. Sendo uma federação de pequenas forças foi capaz no entanto de se cimentar com um líder destacado: Francisco Louçã. Louçâ foi primeiro um forte líder informal, e depois deram-lhe o título de «coordenador».Foi aí que começou a contagem decrescente para ele e para o BE. Agora anuncia-se a sua saída deste cargo e a sua substituição por um homem e uma mulher. Mas enquanto o BE não aceitar o desafio da governação na proporção dos seus votos não haverá género que o salve.
sábado, 18 de agosto de 2012
Cabo Submarino
Após umas curtas férias o Cabo Submarino regressa hoje. Como no Pontal Passos Coelho não se disse nada que valesse mais do que os telejornais da noite desse dia sem novidades, dedico-me ao rescaldo dos Jogos Olímpicos de Londres. Anoto que Portugal regressou aos tempos dos desportos náuticos tipo vela, remo, e canoagem. Não é por aqui que vamos dar o triplo salto da competitividade, da tecnologia e da inovação...
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Nem desporto escolar nem universitário
Acabaram os 30º Jogos Olímpicos da era moderna. Com a epidemia de lesões que atingiu os medalhados do costume, a participação portuguesa foi discreta, e sobretudo tristonha. Uma medalha de prata para a canoa do norte, alguns diplomas para pendurar no gabinete dos entendidos, muitos atletas eliminados antes das finais. Com o Estado a sair de tudo pela porta pequena, nem a perspectiva dos próximos jogos tropicais no Rio de Janeiro desperta a esperança de uma mudança na «vil tristeza». Como disse o presidente do Comité Olímpico Português:« Não temos desporto escolar, nem desporto universitário». Resta-nos a perspectiva das olimpíadas de matemática onde há um treinador encartado ao mais alto nível...
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Esperar pelo Verão
Lembrei-me hoje de um verso de Ruy Belo, «Espero pelo Verão como quem espera por uma nova vida.» Não sei se é textual, mas subscrevo!
domingo, 5 de agosto de 2012
Marilyn ressuscita sempre em Agosto
Todos os anos em Agosto o dia em que Marilyn Monroe se suicidou é antecedido de uma novena de artigos e da celebração ritual de filmes e de séries sobre o mais belo mito da história do cinema. Marilyn ressuscita sempre em Agosto. Este feriado da comunicação social ninguém nos tira.
sábado, 4 de agosto de 2012
Saber negociar na zona euro
Não me identifico em quase nada com o governo espanhol de Rajoy, mas aprecio o sentido de defesa dos interesses do seu país que demonstra. Acaba de devolver a decisão sobre um possível pedido de resgate ao BCE, exigindo a este que desenvolva o teor das medidas que estará a preparar no caso da Espanha seguir o caminho ordinário dos Estados em resgate. Frankfurt terá mesmo alguma resposta digna de nota?
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
O BCE sózinho
Com os órgãos da UE paralisados, o BCE aparece como a única instituição que ainda quer salvar a zona euro como ela existe. Mas não tem poderes para tal. O Bundesbank emerge de novo como o verdadeiro banco central da moeda continental.E como escreve Hans-Werner Sinn, influente professor da Universidade de Munique, só há duas vias para os países em dificuldades financeiras: ou aceitam as regras do resgate e aceitam uma forte «desvalorização interna» que pode levar aos limites de «uma guerra civil», ou «deixam a zona euro». ( Le Monde de 1 de Agosto). Perceberam?
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Novo Código sem prevenção
O novo código de trabalho, que entrou este mês em vigor, não foi submetido à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, um erro político-institucional do PR Cavaco Silva. Sem um acórdão clarificador está instalada a insegurança jurídica num sector de seu natural conflituoso. Agora serão os tribunais comuns a multiplicarem as interpretações de normas discutíveis, e algumas delas inconstitucionais, como o Prof. Monteiro Fernandes evidenciou num claro artigo publicado no jornal Público. Será assim até à fiscalização consecutiva do diploma. Mais uma falsa surpresa a caminho.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Gore Vidal
Faleceu Gore Vidal, o memorialista que muito prazer me deu ao lê-lo. Livros como Palimpsest e Point to Point Navigation deviam dar direito à imortalidade física enquanto o escritor pudesse continuar a contar histórias como na versão das
Mil e Uma Noites.
Relembro frequentemente dois episódios descritos por Gore Vidal: quando John Kennedy, então presidente , deixou o lugar vago ao lado de Sinatra num jantar de homenagem a este na própria Casa Branca; e a comparação feita das reacções de uma família conservadora londrina accionista do Daily Telegraph perante as vitórias de H Wilson e Tony Blair, quer dizer do susto de 1964 ao alívio de 1996...
Espero que haja um baú na casa italiana com inéditos.
Mil e Uma Noites.
Relembro frequentemente dois episódios descritos por Gore Vidal: quando John Kennedy, então presidente , deixou o lugar vago ao lado de Sinatra num jantar de homenagem a este na própria Casa Branca; e a comparação feita das reacções de uma família conservadora londrina accionista do Daily Telegraph perante as vitórias de H Wilson e Tony Blair, quer dizer do susto de 1964 ao alívio de 1996...
Espero que haja um baú na casa italiana com inéditos.
Konrad Adenauer
O canal ARTE transmitiu esta noite uma biografia de Konrad Adenauer, o chanceler da RFA de 1949 a 1963. Pena que não tenha focado a sua capacidade de negociação internacional durante a transição da Alemanha Ocidental sob ocupação militar até à CECA e à CEE. Sem isso não se percebe a história da Europa depois da II GM.
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