domingo, 7 de abril de 2013
O conforto do Presidente
Menos de 24h depois do acórdão do Tribunal Constitucional Passos Coelho foi a Belém pedir conforto a Cavaco Silva. Este declarou, compassivo, que o governo tem condições para continuar. Segue-se a intermédia remodelação do Executivo. Passos Coelho fica cada vez mais dependente do PR de quem nunca gostou e que pretendeu anular por várias vezes. Até quando?
sábado, 6 de abril de 2013
Tempo de vésperas
Hoje no Correio da Manhã analiso o recuo do governo quanto à sua demissão caso o Tribunal Constitucional fizesse o que fez. Passos Coelho gostaria de ser «chefe» de um regime governamentalista sem interferências das competências da AR, do PR e do TC. Por isso procura antídotos domésticos para anular a acção de quem pode garantir a separação de poderes. Mas a desagregação é o que espera este governo.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O Estado Fiscal
Vou dedicar umas horas a ler por alto o acórdão do TC. Para já fiquei impressionado com a salvaguarda integral da estratégia fiscal do governo, e portanto do lado europeu da troika. O CDS retórico não se fica a rir. Para mudar tal estratégia agora só mudando de governo. E ainda assim. Só se pagam dívidas com receitas. O défice é mais flexível...
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Demissão, remodelação, desagregação
Recebo um telefonema «Vê a televisão. O Miguel Relvas demitiu-se»
Vejo e ouço. Miguel Relvas limpa o campo para Passos Coelho poder remodelar o governo. Mas o processo não vai parar aí. Seguir-se-á a desagregação do governo e fim da maioria. Que as instituiçoes funcionem, e que ninguém se esconda.
Vejo e ouço. Miguel Relvas limpa o campo para Passos Coelho poder remodelar o governo. Mas o processo não vai parar aí. Seguir-se-á a desagregação do governo e fim da maioria. Que as instituiçoes funcionem, e que ninguém se esconda.
Organizar internamente a renegociação externa
Em vez do alarido estúpido sobre «falta de alternativas» algum órgão do Estado devia começar a organizar a estratégia, os objectivos e as propostas de renegociação do «resgate». Por exemplo, a exigência de reembolso dos lucros obtidos pelo BCE com as operações de compra de dívida soberana. Até aqui o BCE já teria lucrado mais de 4 mil milhões de euros com essas vendas no «mercado secundário» de títulos da dívida portuguesa! Essa proposta foi ontem tornada pública pelo PS . Alguém que tome nota. Para que tudo se não resuma a discursos.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Um excerto da moção de censura do PS
Ontem tive a ocasião de frisar na CMTV, perante Ângelo Correia, este trecho da moção de censura que se discute hoje na AR.
« Há um novo consenso político e social em Portugal. Só um novo governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional, renegociar ( ao nível europeu ) uma estratégia credível de ajustamento e proceder ao relanceamento sustentável da nossa economia»
Estou deveras interessado em perceber que política de alianças se irá deduzir deste «novo consenso nacional».
« Há um novo consenso político e social em Portugal. Só um novo governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional, renegociar ( ao nível europeu ) uma estratégia credível de ajustamento e proceder ao relanceamento sustentável da nossa economia»
Estou deveras interessado em perceber que política de alianças se irá deduzir deste «novo consenso nacional».
terça-feira, 2 de abril de 2013
No canal 8 do MEO
Regresso esta noite à televisão ao abrigo de um convite da direcção do CMTV, no canal 8 do MEO, às 22h. Por enquanto ainda não é exigida a carteira profissional de comentador...
A lista de candidatos a Presidente da República
Ontem, Pedro Santana Lopes, no seu novo programa no CMTV, acrescentou o nome de Paulo Portas à extensa lista de candidatos ao próximo mandato a PR. Pasmo com tanto engodo por um cargo afeiçoado à paciência e ao silêncio, quando Portugal do que verdadeiramente precisa urgentemente é de governantes laboriosos e um bocadinho acima da média...
O chefe do governo...
Esta noite na televisão ouço Passos Coelho referir-se a si próprio como «chefe do governo», uma figura que não existe no nosso regime constitucional. O que existe é a figura do «primeiro-ministro» que substituiu a de «presidente do Conselho» que o regime anterior afagava com idolatria. Quando se muda, retoricamente. o nome de um cargo tão central não admira que se cometam muitos erros constitucionais...
domingo, 31 de março de 2013
Horas velhas e horas novas
Há pelo menos sessenta anos, sempre que havia mudança de hora em S. Miguel, estabelecia-se uma diferença automática entre horas velhas e horas novas. As «horas velhas» mantinham-se nas freguesias rurais, cujas actividades continuavam a ser pautadas pelo toque do sino das trindades que garantia o labor agrícola de «sol a sol», mesmo sem troika. Já as «horas novas», ou «hora de verão», vigoravam oficialmente na vida urbana, no liceu, no horário de trabalho na cidade, nos transportes e nos espectáculos. Criança, fiquei logo adepto das horas novas, que ainda por cima poupariam energia . Adulto, retomo à minha maneira, sempre que muda a hora, aquele verso de Ruy Belo «Espero pelo verão como por uma nova vida». Embora hoje a chuva não tenha permitido celebrar a mudança. Talvez amanhã ao fim da tarde.
sexta-feira, 29 de março de 2013
O cerne da questão
O PS apresentou a sua moção de censura ao governo e no texto declara que «Portugal precisa de um novo governo e de uma nova política.» Este é o cerne da questão. O resto são distracções.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Falta de sentido nacional
Todos viram pelas televisões os prejuízos causados pelos temporais nas ilhas dos Açores. O governo regional estimou em cerca de 38 milhões de euros os danos causados pelos elementos em fúria. O executivo de Passos Coelho deliberou só canalizar recursos para as autarquias que irão a votos em Outubro, como se os prejuízos causados não tivessem afectado em cerca de 90% áreas de competência do governo açoriano.Gente pequenina essa que está perdida na vastidão do Terreiro do Paço.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Marina Costa Lobo
Agora que se fala tanto de personalidades e comentadores,e esta noite se tratou tanto do passado, a minha atenção foi para uma fina análise de Marina Costa Lobo sobre a evolução do regime post-partidário em Portugal assente na televisão. Independentemente da chegada de José Sócrates à RTP, Portugal é o pais em que a procissão já saiu do adro e se dirige não se sabe bem para onde. As instituições estão a contar menos.
As Armas de Papel
Dei hoje um grande passeio pelo Chiado. Fui parar, é claro, às livrarias. Sopesei as «novidades», e comprei o livro do Pacheco Pereira As Armas de Papel. Esta obra de Pacheco Pereira é notável. Trata-se de um monumento à investigação cultural individual, pois o objecto da investigação tinha tudo para dar aso a não-sei-quantos projectos tipo FCT. Mas não. Como o autor explica:
«O projecto nasceu fora da universidade, continuou fora da universidade e vai acabar fora da universidade, mas vai para a frente enquanto puder.É um trabalho individual, com recursos próprios como agora se diz,«sem apoios».
É um imenso, utilíssimo, e inteligente trabalho de recolha, sistematização e enquadramente de publicações clandestinas e do exílio ligadas a movimentos radicais de esquerda cultural e política, entre 1963 e 1974. São 600 páginas para adultos.
«O projecto nasceu fora da universidade, continuou fora da universidade e vai acabar fora da universidade, mas vai para a frente enquanto puder.É um trabalho individual, com recursos próprios como agora se diz,«sem apoios».
É um imenso, utilíssimo, e inteligente trabalho de recolha, sistematização e enquadramente de publicações clandestinas e do exílio ligadas a movimentos radicais de esquerda cultural e política, entre 1963 e 1974. São 600 páginas para adultos.
terça-feira, 26 de março de 2013
In Memoriam de Jean-Claude Favez ( 1938- 2013 )
Recebi hoje, vinda da Suíça, a notícia do falecimento do meu antigo Professor e Reitor da Université de Genève, Jean-Claude Favez. Chorei. Foi nas suas extraordinárias e vibrantes aulas que me formei na mentalidade intelectual que a disciplina da História Contemporânea requer muito exigentemente. Fiquei seu aluno por opção até ao fim da licenciatura. Foi o meu orientador do «Mémoire de Licence», fui seu assistente, entusiasmou-me a prosseguir os estudos para o doutoramento,e proporcionou-me as condições para o efeito, que interrompi depois de 25 de Abril de 1974.Mantive com ele uma relação de amizade e respeito pela vida fora.A Universidade com ele era outra coisa.Tenho comigo grande parte da sua obra de investigador e historiador. Quando digo que devo muita da minha formação académica e pessoal à cidade de Genève estou a dizer que devo muito a Jean-Claude Favez. Uma luz que se apaga, mas uma referência que fica
Literatura económica
Sempre gostei de ler literatura económica. Lembro-me dos boletins da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada nos anos sessenta, dos relatórios anuais em papel do Banco de Portugal tão bem encadernados e comedidos nas suas análises, de alguns clássicos da economia política mundial em que me deixava seguir pelos caminhos do método dedutivo e das teorias escassas.
Hoje as necessidades são outras.Procuro muitas outras análises, procuro nomes em que tenha confiança: leio os Ladrões de Bicicletas, leio o Luis Filipe Salgado Matos, leio o Pedro Laíns, e alguns outros na blogosfera. Como o website http://www.peprobe.com/ que me dá notícias há um ano
Hoje as necessidades são outras.Procuro muitas outras análises, procuro nomes em que tenha confiança: leio os Ladrões de Bicicletas, leio o Luis Filipe Salgado Matos, leio o Pedro Laíns, e alguns outros na blogosfera. Como o website http://www.peprobe.com/ que me dá notícias há um ano
segunda-feira, 25 de março de 2013
O governo no mercado político
O PS vai apresentar uma moção de censura, e até alertou as chancelarias para o efeito. Membros da comissão política do CDS pedem em plena praça Adelino Amaro da Costa a remodelação do governo. Tudo indica que o TC vai declarar inconstitucional as medidas orçamentais especiais para pensionistas e reformados. O representante do FMI chama de novo a atenção para a impotência do executivo quanto à necessária diminuição das «rendas excessivas» na energia e nas PPP. O «desenho» do memorando começa a confundir Passos Coelho e Vítor Gaspar, seus incansáveis copiadores. Como previ em Novembro: este governo já não apresenta a proposta orçamental para 2014. É uma diferença de análise que mantenho com Marcelo Rebelo de Sousa.
sábado, 23 de março de 2013
Cartão amarelo
Tenho vindo a observar uma queda na qualidade de liderança de Paulo Bento na selecção, o que se reflecte numa baixa ainda maior do empenhamento e discernimento de muitos jogadores durante os jogos. Ontem, o capitão Ronaldo, que terá rivalizado em popularidade em Israel com Obama segundo a imprensa desportiva do coração!, sofreu um cartão amarelo infantil ainda Portugal perdia a partida, e assim não poderá jogar terça-feira com o Azerbeijão. Não vejo porque fica na comitiva. O que tem ele de positivo para transmitir nessa ociosidade?
sexta-feira, 22 de março de 2013
Debates e comentários
Não aprecio José Sócrates politicamente. Não sou néscio ao ponto de não perceber o que significa a televisão pública oferecer um programa de comentário livre a qualquer personalidade pública ao domingo à noite em canal aberto. A história da perversão do regime passará pela descoberta dos mecanismos desses favores que já beneficiaram mais do que um candidato a primeiro-ministro e a presidente da República, ou tão só ao politicamente indolor. Mas vamos lá a ter calma. Deixem o homem falar.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Um desastre para todos
A Assembleia da República preferiu entregar aos tribunais a interpretação da lei sobre o limite dos mandatos autárquicos. Foi um acto de oportunismo e de cobardia política que há-de manchar ainda mais esta desgraçada legislatura, não por falta de soberania externa mas pela abdicação voluntária da soberania interna. Uma época de «fracos-espertos». Uma desligitimação de todos. A «procissão» dos recursos só irá agravar este triste espectáculo. Só assistir a isto custa muito.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Nas ilhas fia mais fino
Quem diria que seria num Estado-Ilha da Europa que o unilateralismo da Troika seria desautorizado pela primeira vez por um parlamento nacional? Mas se a História explicar mais do que a Economia percebe-se melhor porque tal aconteceu em Chipre. O avião inglês com os meios financeiros a bordo para garantir a integridade dos depósitos bancários de salários e pensões para os seus funcionários das bases militares cipriotas deve fazer pensar muita gente no continente europeu. Por enquanto a negociação continua.Mas a contestação aos mandantes da troika vai aumentar. Mesmo que seja ao nível eufemístico do «desenho» do «memorando»...
terça-feira, 19 de março de 2013
Quem ficará com os euros ?
Aumentar impostos requer um procedimento prévio democrático-parlamentar que julgaríamos assegurado em qualquer parte da UE. As taxas financeiras em Chipre podem oscilar para cima e para baixo, às vezes conforme «os mercados», outras vezes não. O que a «zona euro» não pode fazer é dar a entender que se houver saídas da moeda «única» uns ficarão com os euros e outros não, sem prazos de transição e de um momento para o outro ao fim-de semana- ou num dia feriado que ainda haja para o efeito. Isso é que será uma guerra civil europeia.A primeira.
domingo, 17 de março de 2013
Crónicas de Anos de Chumbo
Agora que Chipre encontrou a sua via cruxi - mesmo assim sem mexer nas pensões, seguindo o exemplo espanhol - temos mais uma razão para aguardar com a maior expectativa e esperança o livro das Edições 70 que o Professor Paz Ferreira lança esta terça-feira dia 19 na reitoria da Universidade de Lisboa pelas 18h e 30, intitulado
Crónicas de Anos de Chumbo. Eduardo Paz Ferreira tem vindo a revelar-se neste período como um dos universitários mais anti-dogmáticos e críticos dos remédios para as finanças públicas europeias propostas pela troika. Foi dele que partíu a libertadora ideia de patrocinar uma série de conferências subordinada ao tema
Vamos avaliar a Troika.
O livro terá a apresentação do Reitor Sampaio da Nóvoa, e uma intervenção rara mas necessária do General Ramalho Eanes. Os três juntos representam o espírito de realismo libertador de que a sociedade portuguesa está cada vez mais carente.
Crónicas de Anos de Chumbo. Eduardo Paz Ferreira tem vindo a revelar-se neste período como um dos universitários mais anti-dogmáticos e críticos dos remédios para as finanças públicas europeias propostas pela troika. Foi dele que partíu a libertadora ideia de patrocinar uma série de conferências subordinada ao tema
Vamos avaliar a Troika.
O livro terá a apresentação do Reitor Sampaio da Nóvoa, e uma intervenção rara mas necessária do General Ramalho Eanes. Os três juntos representam o espírito de realismo libertador de que a sociedade portuguesa está cada vez mais carente.
sexta-feira, 15 de março de 2013
O sexo dos calendários europeus
Jacques Delors inventou o método do calendário para fazer avançar o mercado interno entre 1985 e 1992. Deu algum resultado, embora já alterado pelo Tratado de Maastricht. A partir daí qualquer meta passou a ser acompanhada pelo arbítrio de um calendário qualquer. Por exemplo: a meta dos 3% nos défices orçamentais foi anunciada desde 1998 com um rigor só comparável à sua constante dilação desde o início do século. Todos os anos debate-se com afinco a nova data. Assim chegamos a 2015. Ainda há quem pense que é um problema de constituição!
quinta-feira, 14 de março de 2013
As maratonas do Parlamento Europeu
Leio a notícia de que o deputado grego vice-presidente do Parlamento Europeu teve um ataque de coração quando presidia a uma maratona de votações. Lembro-me bem dessa metodologia em Estrasburgo. «No meu tempo» era a quinta-feira o dia dedicado ao pacote e nunca se sabia ao certo quantas horas demoraria, caso houvesse guerra de procedimentos. Embora no PE quem dirige essas sessões esteja assessorado por um corpo de funcionários - e não só pelos deputados secretários- o certo é que o máximo de atenção é exigido ao presidente. E inevitavelmente lembrei-me de um comentário recorrente do meu vizinho de bancada- o canarino professor de direito constitucional Medina y Ortega, que me repetia vezes sem conta nessas ocasiões «José- todo o esforço inútil tende para a melancolia!»
O deputado grego foi vítima de algo bem mais grave e objectivo.
O deputado grego foi vítima de algo bem mais grave e objectivo.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Tantos sinais
Não me quero antecipar ao que dirão os «vaticanistas», nem pretendo ser mais do que um fragmentado estudioso de teologia protestante na minha Universidade-Mãe-,a de Genève, mas sempre fui um observador político que não aprecia o «ruído comunicacional» quando este é puro vazio. Mas este bispo de Buenos-Aires, agora bispo de Roma, distribuiu sinais de sobra em directo para o mundo em 10 minutos. A começar pela ressurreição do povo como sede da benção silenciosa suscitada por FranciscoI.E a saudação delicada à «bela cidade de Roma.»
E vou agora ler o oportuno poema de Jorge-Luis Borges sobre a sua vivência de Buenos.Aires- pulicado hoje por Francisco José Viegas no seu blogue A Origem das Espécies.
E vou agora ler o oportuno poema de Jorge-Luis Borges sobre a sua vivência de Buenos.Aires- pulicado hoje por Francisco José Viegas no seu blogue A Origem das Espécies.
terça-feira, 12 de março de 2013
O Estranho Dever do Cepticismo
Mário Mesquita lança amanhã o seu livro O Estranho Dever do Cepticismo, uma edição Tinta da-China.
O título é bem dele e define-o no seu aspecto de homem que pensa criticamente tudo. Poderia ter escolhido um percurso de intelectual- ou de pedagogo- mas viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir. Mário Mesquita ficou precocemente configurado ao seu papel de notável fazedor de jornais e de pensador de referência do poder dos média, que designou de « Quarto Equívoco», numa das suas obras mais citadas.
Talvez por ter entendido que eu próprio terei ficado também desde a juventude preso a uma imagem de «político», o meu Amigo Mário Mesquita gosta de recordar alguns conselhos que dei aos «happy few» das tertúlias dos cafés atlânticos, e na generosa dedicatória que me faz neste livro recorda ter-lhe sugerido o padre Manuel Bernardes como leitura para uma língua de lei.
O livro que é lançado amanhã por um alexandrino como Eduardo Paz Ferreira tem ainda o prefácio literário de Lídia Jorge.
No Corte-Inglês em Lisboa às 18e30.
O título é bem dele e define-o no seu aspecto de homem que pensa criticamente tudo. Poderia ter escolhido um percurso de intelectual- ou de pedagogo- mas viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir. Mário Mesquita ficou precocemente configurado ao seu papel de notável fazedor de jornais e de pensador de referência do poder dos média, que designou de « Quarto Equívoco», numa das suas obras mais citadas.
Talvez por ter entendido que eu próprio terei ficado também desde a juventude preso a uma imagem de «político», o meu Amigo Mário Mesquita gosta de recordar alguns conselhos que dei aos «happy few» das tertúlias dos cafés atlânticos, e na generosa dedicatória que me faz neste livro recorda ter-lhe sugerido o padre Manuel Bernardes como leitura para uma língua de lei.
O livro que é lançado amanhã por um alexandrino como Eduardo Paz Ferreira tem ainda o prefácio literário de Lídia Jorge.
No Corte-Inglês em Lisboa às 18e30.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Que fazer com estas manifestações?
Mais um desfilar de gente nas ruas de Portugal. O povo apresenta-se cada vez mais de corpo inteiro a pedir aos seus representantes que o defendam. Pedem a demissão deste governo e esta acontecerá mais cedo ou mais tarde. Entretanto o governo pode, se quiser, aproveitar a força destas manifestações para convencer o FMI, a Comissão Europeia e o BCE, que está na hora de uma renegociação do «Memorando de Entendimento». Ao mesmo tempo deve tentar estender o perfil do serviço da dívida no tempo. Se conseguir isso, quando cair não haverá só ruínas como agora.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Filhos de amigos que emigram
Por coincidência encontro no espaço de 24 horas três amigos aqui perto de casa. Todos referem que os filhos únicos, nos trintas, emigraram: um para França, outro para Inglaterra, a mais recente para a Noruega. Todos «well educated». A « ordem para emigrar» continua no dia-a-dia. Saberá a troika avaliar esse efeito das suas medidas? Quererá ao menos saber?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O criador e a criatura
A AR, ou a maioria que manda, não quer «clarificar» a lei sobre a limitação de mandatos autárquicos. Prefere que a criatura ande por aí confusa e autónoma da vontade do legislador, entregue aos tribunais. É uma confissão de irresponsabilidade e de comodismo que não a prestigia.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
A Itália está mais ingovernável?
Acompanho com interesse a vida política da República Italiana há pelo menos 50 anos. Por isso não concordo com o ponto de vista «europeu» sobre a «ingovernabilidade» da Itália depois destas eleições. Não será mais difícil do que anteriormente encontrar uma maioria que governe a partir de Roma. Desde que não haja uma lista de proscritos editada a norte.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Monti no mercado eleitoral
Ainda não é possível medir todo o alcance dos resultados eleitorais em curso na Itália. Mas uma coisa é certa: Monti impressiona muito os mercados, menos o eleitoral. Como muitos que se refugiam no condomínio da finança não se revelou um homem capaz de reunir os meios da sua política. Se não for útil como aliado de Bersani não servirá para nada em Itália nos próximos tempos.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
As segundas câmaras
Portugal é dos poucos países cujo regime democrático não tem uma segunda câmara. Os constituintes assim o quiseram em 1976 e nunca mais se falou disso. Antes pelo contrário. Quem por vezes faz de segunda câmara é o PR com os vetos, os pedidos de fiscalização, as mensagens sobre diplomas endereçadas à AR. Depois temos o Tribunal Constitucional a ser empurrado para essa função, como na momentosa questão da interpretação da lei sobre os mandatos autárquicos. Mas o momento máximo desse papel de «segunda leitura» chegou com os poderes do revisor de texto da Imprensa Nacional! O de e o da do nosso descontentamento. Um «must» burocrático no nosso processo legislativo. Claro que ninguém quer pensar no assunto. Fica para a próxima constituição.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Atenção à península
A Península oscila, e está em desassossego como nunca esteve depois das «transições» para a democracia . Mas enquanto nos anos setenta a evolução política fez-se separadamente no tempo e nos processos, actualmente a crise é simultânea. O que se canta em Lisboa é entoado umas notas acima em Madrid, onde se fala cada vez mais de «regeneração» do regime democrático. Ora uma agitação geral na Península sem solução política pode reconfigurar a União Europeia. Convém olhar para a casa do vizinho.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
A pedido de várias famílias, mas de uma em particular
Ontem, num debate na RTP i, Luís Menezes disse que a frase "Je désapprouve ce que vous dites, mais je défendrai à la mort votre droit à le dire” é de Voltaire. Embora se tratasse de um assunto claramente marginal num debate sobre a gravíssima situação do país e dos portugueses, respondi que a autoria estava errada. LM, em pleno debate, decidiu aceder ao google, e concluiu que era mesmo de Voltaire, acrescentando qualquer coisa como "ao menos nisso tinha razão". Não tinha, como podem ver aqui, aqui e aqui. Certo é, para meu espanto, hoje tinha vários mails de mui ilustres pessoas do PSD teimando que eu não tinha razão neste ponto, como se fosse isso que interessasse. Já lhes respondi pessoalmente, mas como parece que este assunto cafeína muito as sinapses dos austeritaristas, fica o esclarecimento público.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Ontem, dia de aniversário
Fiz ontem 71 anos. Com a ajuda de jornais que publicam essas efemérides recebi muitos votos amigos, inclusive pelo facebook, que manejo parcimoniosamente e sem ter em conta todas as valências. Aprendi aos setenta que cada ano conta. Obrigado a todos os que perceberam isso.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Mário Soares enquanto MNE
Manuela Franco, a directora do Instituto Diplomático, teve a ideia de por antigos ministros dos Negócios Estrangeiros a falar de outros antigos ministros dessa importante pasta, e convidou-me para uma conferência sobre Mário Soares enquanto MNE dos três primeiros governos provisórios.
A tarefa era delicada mas aliciante. Conheci Mário Soares há 50 anos quando era dirigente estudantil, fui seu companheiro nas listas da Oposição Democrática em 1965 quando defendemos-dez anos antes dessa evidência nacional- que a guerra não era solução para a questão colonial, mais tarde encontrámo-nos no mesmo lado da barricada na génese do regime democrático-pluralista, e fui inclusive MNE do I Governo Constitucional presidido por ele. Depois afastámo-nos, e até nos degladiámos entre 1979 e 1986. Com a segunda volta das presidenciais em 1986 iniciamos um caminho de reaproximação livre que se consolidou nos anos noventa e dura até agora.
Com tudo isso em mente aceitei o desafio e ontem, perante uma audiência «gourmet», no dizer da directora do Instituto, lá estive a falar dos nove meses de Ministro dos Estrangeiros de Mário Soares entre Maio de 1974 e Março de 1975. Gostei.
A tarefa era delicada mas aliciante. Conheci Mário Soares há 50 anos quando era dirigente estudantil, fui seu companheiro nas listas da Oposição Democrática em 1965 quando defendemos-dez anos antes dessa evidência nacional- que a guerra não era solução para a questão colonial, mais tarde encontrámo-nos no mesmo lado da barricada na génese do regime democrático-pluralista, e fui inclusive MNE do I Governo Constitucional presidido por ele. Depois afastámo-nos, e até nos degladiámos entre 1979 e 1986. Com a segunda volta das presidenciais em 1986 iniciamos um caminho de reaproximação livre que se consolidou nos anos noventa e dura até agora.
Com tudo isso em mente aceitei o desafio e ontem, perante uma audiência «gourmet», no dizer da directora do Instituto, lá estive a falar dos nove meses de Ministro dos Estrangeiros de Mário Soares entre Maio de 1974 e Março de 1975. Gostei.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Carta à troika
Andou bem António José Seguro em ter escrito uma carta à troika antes da 7ª vinda a Portugal da sobejamente conhecida delegação técnica que abanca com estrondo em Lisboa perante a passividade negocial do executivo de Passos Coelho. Com efeito, tem de se elevar o nível da avaliação do «Memorando de Entendimento» do plano técnico para o plano político. Caso contrário, Agostinho da Silva volta a ter razão quando escreveu, em 1959, que Lisboa como sede de governo tem tido « o papel de impor o estrangeiro ao resto do País.»
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O SLB e o recomeço das competições europeias
Nos últimos anos é sempre a mesma história: com o recomeço das competições europeias o Benfica estremece nas competições nacionais. Claro que este ano houve o castigo simultâneo a Matic e Cardoso, mas que há qualquer coisa que atrapalha a segunda parte do campeonato lá isso há.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Cabo Submarino
Hoje no Correio da Manhã discorro sobre o gesto de Bento XVI. Com a sua resignação Ratzinger mostrou ao mundo o esplendor da condição humana. Recordei o filme de Nanni Moretti em que um recém-eleito Papa, interpretado por Michel Piccoli, desaparece do Vaticano e hesita em assumir o mandato pontifício. Muitas vezes a ficção apenas antecipa a realidade.
Renunciando à infalibilidade papal- um aspecto ainda não aflorado pelos vaticanistas- Ratzinger voltou a ser alguém que «não tem onde reclinar a cabeça». Como escreveu Eduardo Lourenço ontem no Público, a renúncia ao poder de Bento XVI «é a mais enigmática e crucial para o Ocidente.»
Renunciando à infalibilidade papal- um aspecto ainda não aflorado pelos vaticanistas- Ratzinger voltou a ser alguém que «não tem onde reclinar a cabeça». Como escreveu Eduardo Lourenço ontem no Público, a renúncia ao poder de Bento XVI «é a mais enigmática e crucial para o Ocidente.»
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Prova dos 9
Muitas pessoas amigas telefonam-me quando não apareço na Prova dos 9 da TVI-24. Devo assim esclarecer que deixei de participar naquele programa de debate político coordenado pela Constança Cunha e Sá que já foi à terça, depois à quarta e agora é à quinta. Gostei muito de ter participado num dos melhores espaços de debate plural na televisão, mas para mim tudo tem o seu tempo. Desejo sinceramente muitas felicidades ao programa que merece ter futuro, e daqui saúdo amigavelmente a Constança, o Fernando Rosas, o Francisco Assis e o Pedro Santana Lopes. Quanto a mim «vou andar por aí», mas em breve estarei noutro canal.Obrigado pela vossa atenção.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
O discurso de Obama
Mais uma boa intervenção de Obama neste início de segundo mandato. Disse com clareza que a redução drástica do défice orçamental não constitui por si só uma qualquer política económica. Mostrou-se favorável ao papel dos poderes públicos no relançamento da economia, defendeu o investimento na educação, especialmente na pré-primária, e no estímulo da inovação.Aos que davam por findo o ciclo europeu na política norte-americana surpreendeu com a proposta da negociação de um acordo comercial com a UE. Deste modo em 2016 pode haver dois tratados de livre-comércio ao mesmo tempo: o transpacífico e o transatlântico. A seguir.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Sair e ficar
Vejo sempre as páginas do jornal Público sobre espectáculos. Ficar em casa ou sair é uma opção. No Inverno. o «Ficar» é o mais apetecível. Mas aproveitando o espírito de Carnaval, impregnado nos Açores da minha infância, fui nestes dias ao cinema e ao teatro. Hoje quando saio vou mais ao teatro ( este post está a ficar parecido com uma página de facebook!) pois há muito bons espectáculos em Lisboa e arredores, com Almada no horizonte. Desta vez fui ao D.Maria ver a peça do
Nuno Costa Santos
Condomínio de Rua, encenada pelo João Mota. A peça está muito bem escrita, o título ilumina o enquadramento social ,a tendência literária para os aforismos de Costa Santos está presente, os actores enchem o palco - às vezes com demasiada repetição de palavrões sonoros. Só falta a Nuno Costa Santos, um dramaturgo do quotidiano, sair mais das palavras para a acção.
Cena comovente: ao nosso lado sentaram-se estudantes de uma escola secundária da periferia de Lisboa convidados a irem ao teatro por uma professora que assim faz serviço cultural extra-horas...
Nuno Costa Santos
Condomínio de Rua, encenada pelo João Mota. A peça está muito bem escrita, o título ilumina o enquadramento social ,a tendência literária para os aforismos de Costa Santos está presente, os actores enchem o palco - às vezes com demasiada repetição de palavrões sonoros. Só falta a Nuno Costa Santos, um dramaturgo do quotidiano, sair mais das palavras para a acção.
Cena comovente: ao nosso lado sentaram-se estudantes de uma escola secundária da periferia de Lisboa convidados a irem ao teatro por uma professora que assim faz serviço cultural extra-horas...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Carnaval- O dia da descentralização administrativa
O governo «deu tolerância de ponto» nos dias 24 e 31 de Dezembro aos funcionários públicos. Se nos lembramos que 25 de Dezembro e 1 de Janeiro são feriados obrigatórios ficamos quase uma semana inteira com a «produtividade» em baixo. A intolerância do Executivo fixa-se na terça-feira de carnaval para os funcionários públicos. Mas as regiões autónomas, muitas câmaras municipais, e até empresas públicas decidem manter o feriado facultativo. O carnaval deve ser o dia em que se comemora em Portugal a «descentralização administrativa». Que é o dia em que se manda o governo à fava!
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Ratzinger- uma decisão humana e moderna
Empatizei com o cardeal Ratzinger desde que comecei a ler algumas das suas obras, nomeadamente a sua história reflexiva sobre a Europa. Fiquei sempre à espera que nos dissesse alguma coisa sobre o futuro do continente na emergência actual. Segui-o na atitude de humildade na procura do conhecimento, mesmo que este se aparentasse com a verdade. A sua resignação como Papa é uma revolução nos costumes, um acto humano de uma extrema modernidade numa Igreja tradicional. Espero que a sua reclusão num mosteiro não signifique o fim de uma intervenção intelectual no mundo.
Os portugueses primeiro
Muito acertadamente não houve sangue na comissão nacional do PS. Seguro e Costa concordaram que o tempo é de oposição ao governo de Passos Coelho e não se deixaram arrastar por pressões exteriores. O documento de Coimbra, que tem ideias, teve um título de marketing. Estava encontrado o tema para o desvio da questão de fundo. Mas tendo em conta que «as pessoas estão primeiro» a moção devia ter tido por título «Os portugueses primeiro»...
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Cabo Submarino
A cimeira europeia sobre as perspectivas financeiras 2014-2020 decorreu dentro dos padrões usuais da «negociação permanente» em Bruxelas. A aprovação dos septanatos financeiros foi feita sempre em duas cimeiras desde o seu início.Tal procedimento permite aos governos apresentarem-se às respectivas opiniões nacionais como tendo conseguido, após luta prolongada, o máximo ao seu alcance. Passos Coelho assim fez.
O único problema é a falta de perspectivas de tudo isto. Pela primeira vez foram reduzidos os montantes do exercício...Valerá a pena esperar pelo que o Parlamento Europeu vai co-decidir?
O único problema é a falta de perspectivas de tudo isto. Pela primeira vez foram reduzidos os montantes do exercício...Valerá a pena esperar pelo que o Parlamento Europeu vai co-decidir?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Perspectivas financeiras 2014-2020
Ninguém sabe como estará a UE em 2020-cada vez mais parecida com o Sacro Império Romano-Germânico que ninguém soube quando acabou-, mas para já, o plano orçamental multilateral sobre a mesa em Bruxelas não é anticiclíco, antes pelo contrário. Quando mais se precisava de transferências financeiras entre regiões destinadas a programas de crescimento, o «egoísmo fiscal» voltou a atacar. Todas as consequências negativas desse retraimento na UE como um todo serão ainda reforçadas com particular intensidade no interior da zona euro. A «ordem para emigrar» continua. Quando o factor capital não circula suficientemente circula o factor humano, sobretudo num espaço de livre circulação de pessoas e bens.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Volta às origens Paulo Bento
Paulo Bento chegou à selecção com esta em dificuldades. Vinha livre, decidido, motivado e motivador. Levou Portugal à fase final do europeu e assinou um novo contrato. A partir daí deixou-se enredar por preferências, eliminação de alguns jogadores, insistência noutros, e uma certa propensão para promover novos valores precocemente. Se Paulo Bento voltar a ter a cabeça limpa como quando chegou à FPF estaremos no Brasil em 2014. Se continuar nesta deriva é pouco provável.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Promoção do português a custo zero
Cabo Verde foi uma das revelações da CAN- Taça das Nações Africanas de futebol- onde chegou aos quartos-de-final. O seu treinador,Lúcio Antunes, cuja profissão de base é a de controlador aéreo, deu instruções para que nas conferências de imprensa os cabo-verdianos só utilizassem o português. E justificou:
« Um dos males da língua portuguesa não se afirmar internacionalmente é que gostamos de ser gentis com os estrangeiros e falamos a língua deles.»
Já Mourinho, o poliglota, fizera isso quando lhe foi atribuído o galardão de melhor treinador do mundo. Por cá é o que se sabe.
« Um dos males da língua portuguesa não se afirmar internacionalmente é que gostamos de ser gentis com os estrangeiros e falamos a língua deles.»
Já Mourinho, o poliglota, fizera isso quando lhe foi atribuído o galardão de melhor treinador do mundo. Por cá é o que se sabe.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Bem feito!
O governo arranjou um novo problema com a velocidade de um raio. Por um lado recrutou um gestor do grupo SLN- BPN, um símbolo do que há de pior no regime, e que há-de inquietar Paulo Portas nas suas relações com Nuno Melo. Por outro lado a secretaria de Estado em questão chama-se parvamente do «empreendorismo» e que mas não é do que um convite à distribuição de dinheiros do OE entre os habilidosos do costume. Perdoa-lhes Schumpeter que eles não sabem o que fazem...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
As Bucólicas da maioria
O poeta Virgílio, quando Roma já era sobretudo uma metrópole imperial, cantou as delícias do campo nas Bucólicas para contrariar a concentração urbana e ajudar os poderes a fixar o romano no campo, disse-me o meu professor de latim no liceu.A ideia não surtiu efeito mas os versos perduraram. Parece que o que temos de mais parecido na nossa cultura pastoril recente é o histórico programa do engenheiro Veloso TV-Rural. Pois a maioria, à mingua de ideias, quer agora obrigar o serviço público de televisão a ressuscitar esse programa. Não consta que o ministro das Finanças queira pagar por ele um cêntimo à RTP. Deve ser do género «serviço televisivo obrigatório»...
sábado, 2 de fevereiro de 2013
A crise inoportuna
Hoje o Cabo Submarino trata da Crise inoportuna no PS.A coligação no poder sedimenta-se depois da tomada de posição sobre a RTP, Francisco Louçã prepara-se para regressar em força sob o desígnio do socialismo, enquanto o maior partido de oposição se debate com uma crise interna num país à deriva e insatisfeito com o governo. Uma situação paradoxal pouco tratada nos manuais da arte política.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
O nível da dignidade política dos Secretários
Passos Coelho, para justificar a embrulhada em que esteve envolvido com a substituição de 6 membros do governo, afirmou que o caso não tinha dignidade política por se tratar apenas de secretários de Estado. Lembrei-me logo que o próprio Passos Coelho tinha sido secretário de Estado de um governo de Cavaco Silva...Será que isso explica muita coisa?
Errei:
Um sms amigo chama-me a atenção para o facto de Passos Coelho ter sido dirigente da JSD mas nunca secretário de Estado da Juventude. A sua primeira experiência no governo foi assim logo como primeiro-ministro. A minha história tinha mais graça do que a realidade mas de facto não era verdadeira. Lamento
Errei:
Um sms amigo chama-me a atenção para o facto de Passos Coelho ter sido dirigente da JSD mas nunca secretário de Estado da Juventude. A sua primeira experiência no governo foi assim logo como primeiro-ministro. A minha história tinha mais graça do que a realidade mas de facto não era verdadeira. Lamento
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Alguém se lembra do tema da crise no PS?
Na manhã da noite em que se reuniria a Comissão Política do PS afirmei na TSF que António José Seguro e António Costa teriam de se entender tão inoportuna e vácua era a crise desencadeada. De facto, ao ler as declarações de ambos depois dessa reunião dir-se-ia que é só o passado que os divide. Terá este mais força do que o futuro?
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Uma voz nítida
Tive ontem a alegria de conversar com Mário Soares ao telefone: uma voz nítida, um tom robusto, um encontro aprazado para mais tarde falar sobre o presente e o futuro.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
No Congresso do PS-Açores
Estive este fim-de-semana no XV Congresso do PS-Açores e gostei do que vi e ouvi. O PS-Açores, já o disse, é o que de melhor há no sistema partidário português. Basta reparar na transição efectuada entre Carlos César e Vasco Cordeiro. Desta vez a grande novidade, para além da participação activa de muitos membros jovens, é o facto de na Comissão Regional eleita- o órgão máximo entre congressos- haver mais mulheres do que homens. Como escrevi nuns apontamentos durante a campanha eleitoral nos Açores em 1996: «Está a chegar a hora do domínio feminino na vida política.»
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
O bifrontismo da coligação
Ontem o protagonista da coligação foi o número 2 do governo, Vítor Gaspar, com a «ida aos mercados», antes do regresso da troika em Fevereiro e do anunciado corte nas «funções sociais» do Estado. Hoje o vencedor do Conselho de Ministros foi o número 3, Paulo Portas, com a paralisia do processo de alienação da RTP. Relvas, cujo número se ignora, limitou-se a uma declaração de voto de vencido: a «reestruturação será dolorosa»! Crise adiada na coligação.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Crise de autorias
Quando Portugal se prepara para receber mais 4 mil milhões de euros da troika por causa das flutuações cambiais no mix das moedas dos direitos de saque especiais do FMI- ajustamento que o célebre Baptista da Silva anteviu na entrevista ao Expresso-, sabe-se que um dos credenciados co-autores do relatório técnico do FMI encomendado pelo governo de Passos Coelho, o espanhol Carlos Mulas, foi destituído do «Laboratório de Ideias» do PSOE acusado de falsa autoria de estudos para aquele partido... Venha o diabo e escolha.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Num dia como o de hoje
Num dia como o de hoje é bom ler o site peprobehttp://www.peprobe.com/, com informação séria e sóbria que permite a cada um formar melhor as suas opiniões.
O governo triunfa e a sociedade não?
A República Portuguesa vai voltar aos mercados gradualmente e com rede, e como o BCE indicou em Setembro, para este comprar a dívida assim emitida no mercado secundário. Mário Draghi atenuou assim uma das deficiências mais graves dos Estatutos do BCE. A revista TIME traça-lhe o perfil e realça-lhe o mérito de agir por frases curtas e apropriadas.
Também a Grécia - à frente em muitas das soluções necessárias para ultrapassar a crise das dívidas soberanas- deu uma ajuda com a extensão do calendário do vencimento das maturidades dos títulos da dívida. Desde que se fale mal do precedente grego este está a funcionar a favor dos outros países. Falta ainda ao governo português conseguir fazer baixar as taxas de juro dos empréstimos obtidos junto da troika. Chegará lá, possivelmente ajudado pela queda dos juros no mercado financeiro, apesar das agências de notação agora menos determinantes. A sociedade portuguesa espera que o governo lhe faça saber as consequências para ela de tudo isto.
Também a Grécia - à frente em muitas das soluções necessárias para ultrapassar a crise das dívidas soberanas- deu uma ajuda com a extensão do calendário do vencimento das maturidades dos títulos da dívida. Desde que se fale mal do precedente grego este está a funcionar a favor dos outros países. Falta ainda ao governo português conseguir fazer baixar as taxas de juro dos empréstimos obtidos junto da troika. Chegará lá, possivelmente ajudado pela queda dos juros no mercado financeiro, apesar das agências de notação agora menos determinantes. A sociedade portuguesa espera que o governo lhe faça saber as consequências para ela de tudo isto.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
O corte
A operação de corte nas despesas do Estado tem recebido vários nomes de código que eufemísticamente transcendem o escopo da questão, como «reformas estruturais» à la FMI, ou como «refundação do Estado» ao modo Passos Coelho. Trata-se agora de pretender cortar mais 5 mil milhões de euros no OE. Ora cortar 5 mil milhões de euros anuais vai dar origem a muitas epopeias doutrinárias entre nós. Mas o principal resume-se a estudar alínea por alínea o orçamento, modificar o perfil da dívida, e procurar soluções fora do «menu Gaspar».
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
ADSE
Porque será que enquanto o Estado embolsou durante décadas os descontos para a CGA e para a ADSE- em média mais altos do que os exigidos para a segurança social - não apareceu nenhum teórico do nivelamento por baixo que tantos combateram há 40 anos? Tudo tão evidente...
domingo, 20 de janeiro de 2013
Amílcar Cabral
Faz hoje 40 anos que Amílcar Cabral foi assassinado.Conheci-o em 1971 e
entrevistei-o para a revista Polémica onde ele propunha um mapa para negociações sérias com Portugal. Estava preocupado com os efeitos perversos da luta armada no futuro. Muita falta nos fez no processo de descolonização. Teria sido um estadista e um dirigente internacional da mais alta qualidade. Um natural secretário-geral da ONU, se estes fossem «naturais». Quando tantos têm nostalgia dos «grandes líderes» convém recordar como alguns acabaram. e às mãos de quem.
entrevistei-o para a revista Polémica onde ele propunha um mapa para negociações sérias com Portugal. Estava preocupado com os efeitos perversos da luta armada no futuro. Muita falta nos fez no processo de descolonização. Teria sido um estadista e um dirigente internacional da mais alta qualidade. Um natural secretário-geral da ONU, se estes fossem «naturais». Quando tantos têm nostalgia dos «grandes líderes» convém recordar como alguns acabaram. e às mãos de quem.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Se as taxas de juro baixam...
Se as taxas de juro baixam por causa das pequenas frases de Mário Draghi ao ponto dos países «sob resgate» começarem a pagar taxas inferiores às praticadas pela «assistência financeira», temos mais um motivo para Reavaliar a Troika, como escrevo no CM.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
De São Mamede a Santo António
A freguesia de São Mamede em Lisboa, onde moro há mais de 35 anos, foi «jumelada» com mais umas três divididas pela Avenida da Liberdade, e passa a chamar-se- para ciúme das demais?- de Santo António. Não sei se chore se ria, mas o que não tenciono é mudar de BI vitalício(coisas da idade) só para oficializar o pseudónimo...Quero é saber onde será a sede da futura Junta de Freguesia, e onde irei votar nas próximas eleições. Não me façam ir votar de ambulância, ou de táxi, quando antes ia a pé...Isto sem governador civil vai ser bonito aqui e mais além.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Avaliar o FMI
O Jornal de Negócios relata que a Rádio Renascença recebeu uma nota dos serviços do FMI, esclarecendo os distraídos que, como é óbvio, cabe ao povo português decidir sobre o papel do Estado e que cabe às autoridades nacionais decidir sobre o destino a dar ao relatório, informando ainda que o governo de Passos Coelho contribuiu com comentários para a versão final do relatório encomendado. Até o FMI é mais transparente do que este governo, porque ao fim e ao cabo ele também está em avaliação.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Líbia, Mali...
Quando a França perdeu peso na Europa de Bismark virou-se para a expansão colonial. Desde que Merkel guia a zona euro, Paris mostra-se particularmente activa nas questões da Líbia, da Síria, do Mali...Ao mesmo tempo prima pela falta de comparência na política europeia deixando a Alemanha sozinha a acabar o que começou. Até quando?
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Os juros do resgate
A República da Irlanda financiou-se por estes dias «nos mercados» a taxas inferiores às oferecidas pela troika àquele país. Eis um dado a ter em conta, caso a tendência se mantenha, e alastre aos outros países sob «assistência» como tudo parece indicar...
sábado, 12 de janeiro de 2013
A Aliança Passos-técnicos do FMI
Passos não sabe como lançar, com efeitos úteis, o magno tema da reforma dos serviços do Estado.A aliança com os técnicos do FMI foi desfeita com a fuga de informação de um relatório qualquer.No artigo a Aliança Passos-FMI, lamento que ministros como Paulo Portas, Aguiar-Branco e Miguel Macedo não se tenham recusado ao exercício nas suas áreas. Este governo não tem condições para tal tipo de reformas, e a execução de um tal guia para a acção irá cavar divisões no interior do governo e entre os partidos da coligação. É só esperar, mas não sentado.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Afastar este governo
Este governo deve ser afastado antes que seja tarde. Estou a dirigir-me aos partidos da coligação.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Avaliar a troika
Uma das boas iniciativas do Professor Paz Ferreira foi ter organizado em devido tempo um colóquio na reitoria da Universidade de Lisboa para «Avaliar a troika». Só a ideia vale ouro e deve merecer repetição a nível nacional e, sobretudo, internacional. Lá chegaremos.
Conversa na Almedina do Saldanha
Por iniciativa do meu amigo Eduardo Paz Ferreira, presidente do Instituto de Estudos Europeus da Universidade de Direito de Lisboa, estive esta noite na Livraria Almedina, numa longa conversa sobre o facto de não haver, desta vez, um novo mapa-cor-de-rosa para onde nos possamos evadir.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Os pedidos de fiscalização constitucional do OE
Desdoram-se os pedidos de fiscalização sucessiva do OE. Depois do PR veio o grupo parlamentar do PS levantar a questão, reforçando com argumentos substânciais a dúvida honesta sobre os 3 artigos anunciados por Belém . Seguiram-se os outros partidos, das regiões autónomas inclusive, e agora do Provedor de Justiça. Ainda podem aparecer mais. Em princípio a maioria na AR, e o Governo, contestarão os pedidos de impugnação, com argumentos jurídicos de preferência, no prazo de 30 dias. Depois o TC dirá de sua justiça. A isso se chama « o regular funcionamento das instituições democrátias». Queixam-se de quê?
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Fora do caderno eleitoral voto no Mourinho
Assisti à atribuição dos prémios da FIFA para os melhores e as melhores do ano 2012. Sem direito a voto concordei com o Messi no esplendor das suas características únicas de jogador de equipa, um miúdo de 25 anos que não chega ao metro e setenta e marca mais de 80 golos sem ser egoísta e ainda menos é um ponta de lança à medida dos defesas centrais... Sobre o melhor treinador acho que o Del Bosque merecia o prémio «carreira», mas Mourinho merecia repetir o título de melhor treinador do mundo. Quando ele sair do Real Madrid vão ver a diferença...
sábado, 5 de janeiro de 2013
A Constituição defende os portugueses
Como não podia deixar de ser a Mensagem pensada do PR ocupa o meu artigo semanal no Correio da Manhã. A Mensagem de Cavaco Silva- sem dúvida a sua melhor peça política desde que é Presidente - tanto interpela o governo como os nossos parceiros internacionais que defendem e impõem um modelo sem saída para o crescimento. Mesmo quando envia os três artigos para a fiscalização da constitucionalidade ele está a avisar que as negociações com a troika têm de se conformar com a Constituição. Se governar fosse não não fazer caso do Estado de Direito os pretendentes a tirano seriam mais do que os filiados em partidos...
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Sucessivamente...
Como era previsível o PR enviou o Orçamento de 2013 para a apreciação sucessiva do Tribunal Constitucional. Nem o podia ter deixado de o fazer desde que o ano passado deixou passar sem reparo o de 2012 que se revelou inconstitucional em certos pontos graça à iniciativa de vários deputados que honraram assim os seus deveres para com os cidadãos e que voltaram a anunciar que o fariam também para o de 2013, perante o à-vontade do governo com a lei fundamental.
A grande novidade foi o PR tê-lo feito num discurso de Ano Novo crítico em relação a este governo. E isso terá sucessivas consequências ...
A grande novidade foi o PR tê-lo feito num discurso de Ano Novo crítico em relação a este governo. E isso terá sucessivas consequências ...
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Eu e o Facebook
Acordei com o e-mail cheio de «pedidos de amizade» para o Facebook. Muitos desses e-mails são de amigos, ou de gente que considero e de quem gosto. Mas gostava de dizer a todos que sou um facebooker não-praticante. Não levem a mal que vos não responda por essa via.
Marques Júnior- O bravo sensato
Primeiro a notícia do grave acidente vascular cerebral e o estado de coma. Dias depois a chegada do falecimento de António Marques Júnior, oficial do Exército, militar de Abril, deputado da nação, um cidadão de corpo inteiro. Nestes últimos dias estive com o pensamento nele, revendo o homem, o seu carácter, a sua acção. Conheci-o nos idos da génese do regime democrático, e depois na fundação do Partido Renovador Democrático. Acabada a experiência do PRD - onde nem sempre coincidimos - voltámo-nos a encontrar no PS - onde foram mais as coincidências do que as divergências. Homem de fortes convicções era um bravo sensato, um patriota sereno, a quem todas as missões podiam ser confiadas. E um camarada, mesmo quando já não há camaradas, e agora ainda menos.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Os jornais vão-me fazer muita falta
Acaba de ser publicado o último número em papel da revista Newsweek.
O Le Monde noticiava ontem que mil postos de venda de jornais foram suprimidos em França nos últimos tempos. Por cá no dia de Natal e no primeiro de Janeiro há jornais que não se publicam e quiosques que não abrem. Voltamos aos ardinas, ou a imprensa escrita está mesmo a chegar ao fim? A falta que sinto de jornais e do tempo que me fazem perder!
O Le Monde noticiava ontem que mil postos de venda de jornais foram suprimidos em França nos últimos tempos. Por cá no dia de Natal e no primeiro de Janeiro há jornais que não se publicam e quiosques que não abrem. Voltamos aos ardinas, ou a imprensa escrita está mesmo a chegar ao fim? A falta que sinto de jornais e do tempo que me fazem perder!
domingo, 30 de dezembro de 2012
O Povo e os falsos profetas
É da Bíblia. Quando um povo está em cativeiro aparecem os profetas. Uns são falsos, os outros não se sabe. Maquiavel, um espírito laico, preferiu separá-los entre os armados e os desarmados, não augurando nada de bom a estes últimos.
Quanto ao povo, já Rousseau confessou não saber exactamente o que faz com que um povo seja efectivamente um povo, embora tivesse a certeza de que é nele que reside a origem da soberania. Não sei se se deixaria guiar pelo que escrevi este fim - de- semana no Correio da Manhã sobre estes temas, mas que o povo voltou a aparecer ao governo no ano de 2012, lá isso voltou.
Quanto ao povo, já Rousseau confessou não saber exactamente o que faz com que um povo seja efectivamente um povo, embora tivesse a certeza de que é nele que reside a origem da soberania. Não sei se se deixaria guiar pelo que escrevi este fim - de- semana no Correio da Manhã sobre estes temas, mas que o povo voltou a aparecer ao governo no ano de 2012, lá isso voltou.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Crescem os mortos e os desempregados...
No ano de 2012 houve mais mortes do que nascimentos em Portugal. É um défice alarmante pior do que os défices excessivos que preocupam os econometristas. A não ser que seja uma forma de diminuir os desempregados no futuro...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O meu amigo Mário Borges
Conheci o arquitecto portuense Mário Borges em Genebra em 1968. Exilado no princípio dos anos sessenta, passara por Londres e depois fixara-se na Suíça. Na altura em que o conheci já era mais um intelectual crítico do que um militante político.Muito céptico quanto aos «amanhãs que cantam», conversar com ele sem agenda nem finalidade era sempre um desafio: desde o urbanismo aos «Rencontres de Genève» que papávamos com afinco em Setembro nesses anos reanimados. Fiz uma referência a essas conversas no livro Pátria Utópica que um grupo de exilados que regressou a Portugal depois do 25 de Abril publicou.
Mário Borges não regressou. Deixou-se ficar quase sozinho na cidade de Calvino.Participou na concepção do novo edifício da Cruz Vermelha Internacional que mostrava com cuidados de pai. Quando vinha a Lisboa era uma festa de ideias, debates, reencontros, e planos para o futuro. Há menos de um ano informou-nos que regressava ao Porto e que dizia adeus a Genebra. Estava doente. Ainda o fomos visitar ao Porto. De uma das vezes levei-lhe As Cartas a Lucílio de Séneca. Da outra disse-me que já não o podia ler porque o volume lhe pesava cada vez mais e se tornara incómodo.Lia Santo Agostinho. Faleceu em plena quadra natalícia e deixou uma pequena lista de nomes para notificar quando se desse o acontecimento. Mário Borges, um amigo para a vida e para a morte.
Mário Borges não regressou. Deixou-se ficar quase sozinho na cidade de Calvino.Participou na concepção do novo edifício da Cruz Vermelha Internacional que mostrava com cuidados de pai. Quando vinha a Lisboa era uma festa de ideias, debates, reencontros, e planos para o futuro. Há menos de um ano informou-nos que regressava ao Porto e que dizia adeus a Genebra. Estava doente. Ainda o fomos visitar ao Porto. De uma das vezes levei-lhe As Cartas a Lucílio de Séneca. Da outra disse-me que já não o podia ler porque o volume lhe pesava cada vez mais e se tornara incómodo.Lia Santo Agostinho. Faleceu em plena quadra natalícia e deixou uma pequena lista de nomes para notificar quando se desse o acontecimento. Mário Borges, um amigo para a vida e para a morte.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Assistencialismo nos feriados
O governo suspendeu com fanfarra uns quantos feriados nacionais obrigatórios à conta de um PIB que lhe não obedece em termos de crescimento. Implacável quanto a a algumas datas históricas, como o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro que não devem dizer muito à geração desses jotas, essse mesmo governo concedeu dois dias de tolerância de ponto nesta quadra assistencialista sendo um deles a imprescindível véspera de Natal, e o outro o dia 31 de Dezembro que tem o valor simbólico de uma «ponte» pagã oferecida pelos «governantes» aos «governados». Que sorte!
domingo, 23 de dezembro de 2012
Monti, o florentino
Mário Monti pode não ser um político profissional, mas sabe usar a preceito a cultura florentina reinante em Itália. Não será candidato nas próximas eleições mas não se furtará a exercer de novo a chefia do governo em Roma se para isso for convidado pelos partidos vencedores...
sábado, 22 de dezembro de 2012
O fim do mundo
No Cabo Submarino de hoje chamo a atenção para as propostas da equipa de sete economistas do PNUD, coordenada pelo português Baptista da Silva. É muito significativo que o secretário-geral da ONU tenha chamado a si o tema da evolução social e económica dos países do sul da Europa prevista como potencialmente explosiva. Já não estamos sós nas propostas de actualização e renegociação dos termos do «Memorando de Entendimento». Há um outro mundo quando este acabar.
Aviso posterior ( a 24 de Dezembro ):
Parece haver dúvidas sobre os títulos com que Artur Baptista da Silva se apresentou quando discursou no Grémio Literário em Lisboa a 4 de Dezembro, quando deu a entrevista ao Expresso que foi objecto de um despacho da Reuters de 15 de Dezembro, e depois quando foi à TSF e à SIC-N, além de outras participações públicas. Mas não seria negativo continuar a ouvir as suas propostas na qualidade de simples cidadão.Por mim lamento que o tal Observatório não esteja a funcionar...
Aviso posterior ( a 24 de Dezembro ):
Parece haver dúvidas sobre os títulos com que Artur Baptista da Silva se apresentou quando discursou no Grémio Literário em Lisboa a 4 de Dezembro, quando deu a entrevista ao Expresso que foi objecto de um despacho da Reuters de 15 de Dezembro, e depois quando foi à TSF e à SIC-N, além de outras participações públicas. Mas não seria negativo continuar a ouvir as suas propostas na qualidade de simples cidadão.Por mim lamento que o tal Observatório não esteja a funcionar...
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Desde quando?
Passos Coelho disse que esta crise só é comparável à de 1974. Não se lembra da crise de 1973...
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
The Newtown aftermath
Quando se disse que as «ideologias estão mortas» pensava-se em que termos? A mortandade de Newton demonstra que quase tudo se pode discutir em termos micro-ideológicos ainda hoje. De um lado, os que acham que tudo se deve às doenças mentais e à sua despistagem e tratamento, por outro, os que só atacam a facilidade com que se compram arsenais de armas automáticas em certos Estados dos States que é para onde me inclino. Mas as coisas serão assim tão dicotómicas? E o que faz com que as escolas sejam alvos preferenciais dessas mortandades nos EUA?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Portugal Economy
Creio que desde os anos da revolução em 1974-1975 que Portugal não despertava tanto a atenção do mundo internacional como desde que pediu o «resgate» à troika. Ficamos a saber pelo Expresso que o secretário-geral da ONU criou um
Observatório Económico e Social para os países do sul da Europa, incluindo Portugal nesse painel. A entrevista dada pelo seu coordenador, Artur Baptista da Silva, é desassombrada e muito informativa sobre o que nos espera se não houver actualização dos termos do «Memorando de Entendimento». Além da proposta sobre uma conferência internacional sobre o problema das dívidas soberanas, sobejamente sugerida por quem tem os pés assentes na terra e não é procurador da agiotagem, o grupo de Baptista da Silva chama a atenção para o facto de 41% da dívida soberana consolidada de Portugal se dever à comparticipação financeira do OE nos projectos comunitários aprovados pelos regulamentos dos fundos estruturais. Fico à espera que o meritório site Portugal Economy ( http://www.peprobe.com/ ) nos dê conhecimento dos principais estudos da ONU sobre Portugal que se venham a realizar por esta Observatório, ou outras entidades.
Observatório Económico e Social para os países do sul da Europa, incluindo Portugal nesse painel. A entrevista dada pelo seu coordenador, Artur Baptista da Silva, é desassombrada e muito informativa sobre o que nos espera se não houver actualização dos termos do «Memorando de Entendimento». Além da proposta sobre uma conferência internacional sobre o problema das dívidas soberanas, sobejamente sugerida por quem tem os pés assentes na terra e não é procurador da agiotagem, o grupo de Baptista da Silva chama a atenção para o facto de 41% da dívida soberana consolidada de Portugal se dever à comparticipação financeira do OE nos projectos comunitários aprovados pelos regulamentos dos fundos estruturais. Fico à espera que o meritório site Portugal Economy ( http://www.peprobe.com/ ) nos dê conhecimento dos principais estudos da ONU sobre Portugal que se venham a realizar por esta Observatório, ou outras entidades.
As empresas e as famílias
«As empresas e as famílias» são muitas vezes atiradas pelos ideólogos da esfera privada contra o Estado. Mas ao saber-se que as empresas não querem contribuir monetáriamente para os estágios dos alunos da formação profissional, percebe-se que as famílias ficam mais sozinhas na educação dos filhos. Claro, mal acompanhadas pelos fundos sociais europeus no norte onde ainda se aplicam, e pela República Portuguesa no sul onde só o Estado paga o ensino profissional...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Pensões e seriedade
Mais um esclarecedor artigo de Bagão Félix no jornal Público sobre o tema das reformas, em que desmonta as «declarações infelizes e abusivas» de Passos Coelho diante de um auditório da sua juventude partidária como se estivesse a preparar uma «revolução cultural» dos jovens contra os idosos reformados. Cito Bagão Félix:
«Não nos esqueçamos que o regime Previdencial da Segurança Social, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário...» E adverte:
«A Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada.»
Mas o melhor é ler todo o artigo.
«Não nos esqueçamos que o regime Previdencial da Segurança Social, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário...» E adverte:
«A Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada.»
Mas o melhor é ler todo o artigo.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Reformas, caneladas e o futuro
Marcelo viu o primeiro-ministro dar uma canelada grossa no PR por causa das pensões de reforma e marcou-lhe falta. Por mim fico com imensa curiosidade sobre que tipo de plano de reforma anda Passos Coelho a fazer para si e os seus. O prazo não me parece distante...
sábado, 15 de dezembro de 2012
Citar Lincoln no Nobel
No artigo www.cmjornal.xl.ptO Nobel da Caridade chamo a atenção para o discurso de Van Rompuy na cerimónia de atribuição do prémio em Oslo. Nele Van Rompuy citou Abraão Lincoln sobre os benefícios da União entre Estados. A mensagem é ambivalente: o presidente dos States lutou contra o modelo social da escravatura mas também consagrou o fim da possibilidade dos Estados federados à secessão. E uma nova guerra para impor as convenções da OIT a nível global não tem adeptos poderosos enquanto a pressão para a baixa de preços mundial com origem na Ásia continuar...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O número de Outubro da Revista Militar
Qualquer estudioso, ou historiador, de assuntos de defesa conhece a multicentenária Revista Militar fundada em 1848 quando o Estado português se esforçava por se reconstituir. Hoje, no meio de novas dificuldades, a Revista, sob a direcção do General Pinto Ramalho, resolveu entrar no debate sobre a oportunidade, ou não, de revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, e convidou um significativo grupo de individualidades em Setembro a pronunciar-se sobre a matéria. Tendo sido um dos participantes não quero deixar de felicitar a direcção da revista pela iniciativa e de chamar a atenção para a excelente súmula do debate publicada no número de Outubro. E recomendar a leitura a todos a quem o assunto deva interessar.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Nomeações jornalísticas, demissões políticas?
A RTP, porque pública, sempre foi um óptimo laboratório para se observar como as sub-oligarquias apresentam a sua dominação no aparelho informativo. De uma maneira geral a escolha do director e da equipa de informação é apresentada como derivada do mérito e do critério jornalístico. Quando chega a demissão é sabido que o critério se apresenta como político, no princípio e no fim! Saiu agora Nuno Santos, entrou Paulo Ferreira. Não há heróis nem vilões na Marechal Gomes da Costa. Fora os que continuam sempre lá.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O Nobel salva a UE?
Foi triste a cerimónia da entregua do Nobel da Paz em Oslo à UE. Como se os circunstantes tivessem o sentimento que o prémio foi atribuído pelo passado e não pelo presente. Postumamente.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Nem Grécia, nem Espanha.
O Cabo Submarino deste sábado chama a atenção para o facto de não ser só a Grécia que beneficia de melhores taxas de juro dos fundos europeu do que Portugal. A Espanha, mesmo sem ser um «país de programa», conseguiu um empréstimo de 40 mil milhões de euros para refinanciar o seu sistema bancário a uma taxa de juro de 1%.
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