sábado, 27 de abril de 2013

Consenso e dissenso

Hoje, no Cabo Submarino, afirmo que mais vale um dissenso político do que um consenso à volta de erros técnicos. É mesmo saudável deixar uma parte da representação do País com as mãos livres desses «desenhos» que se estão a revelar mal feitos. Para melhor negociar futuros consensos. Se necessário.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Bem representado por Elisa Ferreira

Também me senti bem representado no Parlamento Europeu onde Elisa Ferreira não se acanhou diante do comissário Olly Rehn e deu-lhe uma rabecada em português e em inglês por este ter tirado os auscultadores da interpretação simultânea quando ela o responsbilizava directamente pela persistência na via austeriana e nos seus resultados negativos.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O excelente discurso de Alberto Costa

O discurso de Cavaco Silva não nos pode fazer esquecer a excelente intervenção de Alberto Costa neste 25 de Abril. Uma maneira política de ver o passado que leva a uma forma culta e clara de denunciar os perigos do futuro, em Portugal e na Europa. Sem citações mas com pensamento próprio e apropriado. Justa a referência a António Marques Júnior, tenente de Abril.

Um mau discurso de Cavaco Silva

Foi péssimo politicamente o discurso de Cavaco Silva e não contribui em nada para o objectivo do «consenso». Dividiu em vez de unir.De salientar ainda uma frase muito escondida sobre a eventualidade de alteração das datas eleitorais...

Kant, Jaspers, Habermas...

Comecei a ver há minutos as comemorações na AR e já ouvi citar Shakespeare, Kant, Jaspers, Habermas, entre outros. Não é por falta de erudição que estamos onde estamos...

O dia do regime

Trinta e nove anos depois o dia 25 de Abril subsiste como o dia do regime democrático.Até este governo, que ousou banir o 5 de Outubro dos feriados nacionais obrigatórios, manteve-o. E não deve ter sido por convicção...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ontem no CMTV

Ontem às 22h no canal 8 do MEO debateu-se o grau de intervencionisno governamental nas indicações quantitativas dadas à CGD para conceder crédito nos anos de 2013 e 2014. A mim pareceu-me demais a precisão feita pelo ministro Santos Pereira sobre os mil milhões e os dois mil e quinhentos milhões. Ou a concretização destinava-se a mostrar músculo em relação ao ministro Vítor Gaspar ?!

Testemunhos de fraqueza política II

Afinal a fraqueza política de Durão Barroso ainda é maior e mais grave do que imaginava. Após um porta-voz do partido de Merkel se ter declarado «profundamente irritado» com as declarações do presidente da Comissão abaixo mencionadas, este veio esclarecer o que efectivamente terá dito, e que não foi nada daquilo que a imprensa internacional tinha reportado em primeira mão como sendo um aviso de Barroso aos limites da austeridade. Ainda não se sabe se a «irritação» do porta-voz da CDU já passou...

terça-feira, 23 de abril de 2013

Testemunhos da fraqueza política

Ontem o presidente da Comissão Europeia declarou que a austeridade está no limite. O Presidente da República Portuguesa também já o disse antes várias vezes sem qualquer consequência nas políticas praticadas. Estamos assim perante meros testemunhos da fraqueza dos titulares desses cargos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O governo desfaz-se

O governo de Passos desfaz-se por dentro e por fora. Este fim-de-semana foi por dentro: dois secretários de Estado ligados a péssima gestão de «derivados financeiros» no Metro foram à vida. No total este governo já mudou 14 «ajudantes». É obra. Mesmo em Belém não devem achar isto normal.

sábado, 20 de abril de 2013

Cabo Submarino

Hoje no Cabo Submarino analiso o trajecto do CDS para se tornar um partido de produtores contra o PSD que se tornou na correia de transmissão da troika desorientada em Portugal. A luta será feroz no interior da coligação.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O regime da carta

Desde que se percebeu que a troika não leva a carta a Garcia que chovem cartas políticas. A última é esta de Passos Coelho endereçada improtocolarmente ao «Senhor drº António José Seguro» a convidá-lo para um encontro com menos de 24 horas de antecedência. A «ordem de trabalhos» parece-se com a agenda da próxima campanha eleitoral ...

Uma pergunta tipo forúm

O facto de Margaret Thatcher ter vivido os seus últimos anos, doente, no hotel Ritz em Londres não despertou em ninguém aquela pergunta tipo fórum:
-« Quem lhe pagava a diária?».
 A Segurança Social, que ela tanto combateu, não deve ter sido. Talvez uns fundos do partido. Talvez algum admirador abonado.Talvez a gerência do hotel.
Claro, esta questão não está na ordem do dia.Ah, se fosse um ex-primeiro-ministro português!

No canal 8 do MEO

Esta noite, como todas as terça-feiras às 22h, estive na CMTV a comentar a agenda do dia. O atentado de Boston ocupou grande parte do debate com Ângelo Correia. A hipótese «doméstica» foi posta sobre a mesa. Mas essa hipótese alberga inúmeras incógnitas. Não seremos os primeiros a saber o suficiente nesta matéria.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Uma noite com Boston

Estava a seguir o Benfica-Paços de Ferreira quando li uma legenda  na Sport-TVsobre «explosões na maratona de Boston». Percorri várias estações, e as primeiras imagens do acontecimento  foram transmitidas em Portugal, que eu visse, pela SIC-N no início do seu programa desportivo «Prolongamento». 
Depois fiz «zaping» entre os canais estrangeiros.

Por vários motivos Boston é a minha cidade norte-americana preferida. Mais uma razão para condenar «as explosões», «as bombas», «os potentes engenhos», «os actos de terror», «os ataques terroristas», como foram sendo chamados os acontecimentos do dia feriado em Boston. Esta noite não se saberá mais nada de concreto sobre como devem ficar conhecidos aqueles actos. Mas pode-se já condená-los.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Prioridades..

Há dias o governador do BdP alertou o sistema financeiro em Portugal para ter cuidado com a proveniência do «dinheiro» que procura os nossos bancos e os nossos títulos. Deve ser um indicador positivo sobre o « bom capital » que estará a entrar na nossa economia...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Beneficiar o infractor

Uma sondagem a publicar amanhã revela uma queda aparatosa dos partidos da coligação governamental. O PS já irá em 36% de intenções de voto e o PC e o BE somam 20%. Mas há quem tire a seguinte conclusão: como o CDS baixa o PS não tem condições para ser governo! O melhor é aguentar este governo em que os partidos da coligação caem punemente...Mas durante quanto tempo acham que a situação é suportável?

Portas fala do Ecofin

Paulo Portas ainda não se referiu à substituição de Miguel Relvas no governo. Preferiu fazer de conta que estava em Dublin a negociar os prazos de extensão das maturidades dos títulos portugueses e irlandeses. Quem sabe se ainda não virá anunciar que o prazo concedido no Ecofin será maior do que os sete anos propostos por uma equipa de negociação júnior a mando do FEEF, do MEEF, do BCE, e da CE ? Caso a presidência irlandesa consiga uns nove anos de moratória dos 15 requeridos...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Governo parado

Como disse 3ª feira à noite na CMTV nada se sabe das propostas que o governo leva a Dublin esta sexta. Nem as derivadas da adaptação às rubricas do OE chumbadas, nem as associadas à extensão das maturidades dos empréstimos contraídos nas instâncias europeias no âmbito do resgate estimada entre 15 e 7anos por fontes irlandesas. Pode ser uma táctica mas inclino-me para que seja o resultado de uma incapacidade. O governo está parado no seu inverno.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Provedor de Justiça


Não concordando com todas as posições de Alfredo José de Sousa, é preciso reconhecer que tem feito o lugar. Prometeu ser persistente e impulsionador. Cumpre.


Provedor de Justiça quer conhecer consequências da inspeção à rede do metro de Lisboa

Gente acidental

O desfile de patetas que falam «em nome da Europa» tem aumentado. Sem mandato, ou com mandato mas sem ideias,todos sem qualquer visão do futuro em conjunto, serão certamente os coveiros da solidariedade europeia a breve prazo. Ainda por cima temos um governo sem gravidade nem autoridade que só agrava a nossa posição perante este desaforo. Tendo a concordar com o conhecido sociólogo da Universidade de Munique, Ulrich Beck, quando este afirma que a Alemanha criou este império sobre a Europa acidentalmente, « sem plano algum». Quem nos ajuda a sair deste «acidente» e a introduzir de novo alguma racionalidade nos objectivos da UE?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Da Necessidade de um Plano para a Nação

Faz por estes dias 40 anos que enviei uma «tese» para o III Congresso de Aveiro intitulada «Da Necessidade de um Plano para a Nação». Nela chamava a atenção para o papel que as Forças Armadas podiam ter no derrube da ditadura e apontava como metas  descolonizar, democratizar, socializar e desenvolver «que se deviam alcançar simultâneamente». Um ano antes do 25 de Abril essa tese não teve muitos adeptos- que a alternativa também tem a sua dogmática!-, mas é um gosto lê-la ainda hoje nas edições Seara Nova de 1974, e vê-la citada em tantas obras actuais sobre o período.Estamos é mesmo a precisar de um novo plano para a Nação...

domingo, 7 de abril de 2013

O conforto do Presidente

Menos de 24h depois do acórdão do Tribunal Constitucional Passos Coelho foi a Belém pedir conforto a Cavaco Silva. Este declarou, compassivo, que o governo tem condições para continuar. Segue-se a intermédia remodelação do Executivo. Passos Coelho fica cada vez mais dependente do PR de quem nunca gostou e que pretendeu anular por várias vezes. Até quando?

sábado, 6 de abril de 2013

Tempo de vésperas

Hoje no Correio da Manhã analiso o recuo do governo quanto à sua demissão caso o Tribunal Constitucional fizesse o que fez. Passos Coelho gostaria de ser «chefe» de um regime governamentalista sem interferências das competências da AR, do PR e do TC. Por isso procura antídotos domésticos para anular a acção de quem pode garantir a separação de poderes. Mas a desagregação é o que espera este governo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Estado Fiscal

Vou dedicar umas horas a ler por alto o acórdão do TC. Para já fiquei impressionado com a salvaguarda integral da estratégia fiscal do governo, e portanto do lado europeu da troika. O CDS retórico não se fica a rir. Para mudar tal estratégia agora só mudando de governo. E ainda assim. Só se pagam dívidas com receitas. O défice é mais flexível...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Demissão, remodelação, desagregação

Recebo um telefonema «Vê a televisão. O Miguel Relvas demitiu-se»
Vejo e ouço. Miguel Relvas limpa o campo para Passos Coelho poder remodelar o governo. Mas o processo não vai parar aí. Seguir-se-á a desagregação do governo e fim da maioria. Que as instituiçoes funcionem, e que ninguém se esconda.

Organizar internamente a renegociação externa

Em vez do alarido estúpido sobre «falta de alternativas» algum órgão do Estado devia começar a organizar a estratégia, os objectivos e as propostas de renegociação do «resgate». Por exemplo, a exigência de reembolso dos lucros obtidos pelo BCE com as operações de compra de dívida soberana. Até aqui o BCE já teria  lucrado mais de 4 mil milhões de euros com essas vendas no «mercado secundário» de títulos da dívida portuguesa! Essa proposta foi ontem tornada pública pelo PS . Alguém que tome nota. Para que tudo se não resuma a discursos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um excerto da moção de censura do PS

Ontem tive a ocasião de frisar na CMTV, perante Ângelo Correia, este trecho da moção de censura que se discute hoje na AR.
« Há um novo consenso político e social em Portugal. Só um novo governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional, renegociar ( ao nível europeu ) uma estratégia credível de ajustamento e proceder ao relanceamento sustentável da nossa economia»
Estou deveras interessado em perceber que política de alianças se irá deduzir deste «novo consenso nacional».

terça-feira, 2 de abril de 2013

No canal 8 do MEO

Regresso esta noite à televisão ao abrigo de um convite da direcção do CMTV, no canal 8 do MEO, às 22h. Por enquanto ainda não é exigida a carteira profissional de comentador...

A lista de candidatos a Presidente da República

Ontem, Pedro Santana Lopes, no seu novo programa no CMTV, acrescentou o nome de Paulo Portas à extensa lista de candidatos ao próximo mandato a PR. Pasmo com tanto engodo por um cargo afeiçoado à paciência e ao silêncio, quando Portugal do que verdadeiramente precisa urgentemente é de governantes laboriosos e um bocadinho acima da média...

O chefe do governo...

Esta noite na televisão ouço Passos Coelho referir-se a si próprio como «chefe do governo», uma figura que não existe no nosso regime constitucional. O que existe é a figura do «primeiro-ministro» que substituiu a de «presidente do Conselho» que o regime anterior afagava com idolatria. Quando se muda, retoricamente. o nome de um cargo tão central não admira que se cometam muitos erros constitucionais...

domingo, 31 de março de 2013

Horas velhas e horas novas

Há pelo menos sessenta anos, sempre que havia mudança de hora em S. Miguel, estabelecia-se uma diferença automática entre horas velhas e horas novas. As «horas velhas» mantinham-se nas freguesias rurais, cujas actividades continuavam a ser pautadas pelo toque do sino das trindades que garantia o labor agrícola de «sol a sol», mesmo sem troika. Já as «horas novas», ou «hora de verão», vigoravam oficialmente na vida urbana, no liceu, no horário de trabalho na cidade, nos transportes e nos espectáculos. Criança, fiquei logo adepto das horas novas, que ainda por cima poupariam energia . Adulto, retomo à minha maneira, sempre que muda a hora,  aquele verso de Ruy Belo «Espero pelo verão como por uma nova vida». Embora hoje a chuva não tenha permitido celebrar a mudança. Talvez amanhã ao fim da tarde.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O cerne da questão

O PS apresentou a sua moção de censura ao governo e no texto declara que «Portugal precisa de um novo governo e de uma nova política.» Este é o cerne da questão. O resto são distracções.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Falta de sentido nacional

Todos viram pelas televisões os prejuízos causados pelos temporais nas ilhas dos Açores. O governo regional estimou em cerca de 38 milhões de euros os danos causados pelos elementos em fúria. O executivo de Passos Coelho deliberou só canalizar recursos para as autarquias que irão a votos em Outubro, como se os prejuízos causados não tivessem afectado em cerca de 90% áreas de competência do governo açoriano.Gente pequenina essa que está perdida na vastidão do Terreiro do Paço.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Marina Costa Lobo

Agora que se fala tanto de personalidades e comentadores,e esta noite se tratou tanto do passado, a minha atenção foi para uma fina análise de Marina Costa Lobo sobre a evolução do regime post-partidário em Portugal assente na televisão. Independentemente da chegada de José Sócrates à RTP, Portugal é o pais em que a procissão já saiu do adro e se dirige não se sabe bem para onde. As instituições estão a contar menos.

As Armas de Papel

Dei hoje um grande passeio pelo Chiado. Fui parar, é claro, às livrarias. Sopesei as «novidades», e comprei o livro do Pacheco Pereira As Armas de Papel. Esta obra de Pacheco Pereira é notável. Trata-se de um monumento à investigação cultural individual, pois o objecto da investigação tinha tudo para dar aso a não-sei-quantos projectos tipo FCT. Mas não. Como o autor explica:
«O projecto nasceu fora da universidade, continuou fora da universidade e vai acabar fora da universidade, mas vai para a frente enquanto puder.É um trabalho individual, com recursos próprios como agora se diz,«sem apoios».
É um imenso, utilíssimo, e inteligente trabalho de recolha, sistematização e enquadramente de publicações clandestinas e do exílio ligadas a movimentos radicais de esquerda cultural e política, entre 1963 e 1974. São 600 páginas para adultos.

terça-feira, 26 de março de 2013

In Memoriam de Jean-Claude Favez ( 1938- 2013 )

Recebi hoje, vinda da Suíça, a notícia do falecimento do meu antigo Professor e Reitor da Université de Genève, Jean-Claude Favez. Chorei. Foi nas suas extraordinárias e vibrantes aulas que me formei na mentalidade intelectual que a disciplina da História Contemporânea requer muito exigentemente. Fiquei seu aluno por opção até ao fim da licenciatura. Foi o meu orientador do «Mémoire de Licence», fui seu assistente, entusiasmou-me a prosseguir os estudos para o doutoramento,e proporcionou-me as condições para o efeito, que interrompi depois de 25 de Abril de 1974.Mantive com ele uma relação de amizade e respeito pela vida fora.A Universidade com ele era outra coisa.Tenho comigo grande parte da sua obra de investigador e historiador. Quando digo que devo muita da minha formação académica e pessoal à cidade de Genève estou a dizer que devo muito a Jean-Claude Favez. Uma luz que se apaga, mas uma referência que fica

Literatura económica

Sempre gostei de ler literatura económica. Lembro-me dos boletins da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada nos anos sessenta, dos relatórios anuais em papel do Banco de Portugal tão bem encadernados e comedidos nas suas análises, de alguns clássicos da economia política mundial em que me deixava seguir pelos caminhos do método dedutivo e das teorias escassas.
Hoje as necessidades são outras.Procuro muitas outras análises, procuro nomes em que tenha confiança: leio os Ladrões de Bicicletas, leio o Luis Filipe Salgado Matos, leio o Pedro Laíns, e alguns outros na blogosfera. Como o website http://www.peprobe.com/ que me dá notícias há um ano

segunda-feira, 25 de março de 2013

O governo no mercado político

O PS vai apresentar uma moção de censura, e até alertou as chancelarias para o efeito. Membros da comissão política do CDS pedem em plena praça Adelino Amaro da Costa a remodelação do governo. Tudo indica que o TC vai declarar inconstitucional as medidas orçamentais especiais para pensionistas e reformados. O representante do FMI chama de novo a atenção para a impotência do executivo quanto à necessária diminuição das «rendas excessivas» na energia e nas PPP. O «desenho» do memorando começa a confundir Passos Coelho e Vítor Gaspar, seus incansáveis copiadores. Como previ em Novembro: este governo já não apresenta a proposta orçamental para 2014. É uma diferença de análise que mantenho com Marcelo Rebelo de Sousa.

sábado, 23 de março de 2013

Cartão amarelo

Tenho vindo a observar uma queda na qualidade de liderança de Paulo Bento na selecção, o que se reflecte numa baixa ainda maior do empenhamento e discernimento de muitos jogadores durante os jogos. Ontem, o capitão Ronaldo, que terá rivalizado  em popularidade em Israel com Obama segundo a imprensa desportiva do coração!, sofreu um cartão amarelo infantil ainda Portugal perdia a partida, e assim não poderá jogar terça-feira com o Azerbeijão. Não vejo porque fica na comitiva. O que tem ele de positivo para transmitir nessa ociosidade?

sexta-feira, 22 de março de 2013

Debates e comentários

Não aprecio José Sócrates politicamente. Não sou néscio ao ponto de não perceber o que significa a televisão pública oferecer um programa de comentário livre a qualquer personalidade pública ao domingo à noite em canal aberto. A história da perversão do regime passará pela descoberta dos mecanismos desses favores que já beneficiaram mais do que um candidato a primeiro-ministro e a presidente da República, ou tão só ao politicamente indolor. Mas vamos lá a ter calma. Deixem o homem falar.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um desastre para todos

A Assembleia da República preferiu entregar aos tribunais a interpretação da lei sobre o limite dos mandatos autárquicos. Foi um acto de oportunismo e de cobardia política que há-de manchar ainda mais esta desgraçada legislatura, não por falta de soberania externa mas pela abdicação voluntária da soberania interna. Uma época de «fracos-espertos». Uma desligitimação de todos. A «procissão» dos recursos só irá agravar este triste espectáculo. Só assistir a isto custa muito.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Nas ilhas fia mais fino

Quem diria que seria num Estado-Ilha da Europa que o unilateralismo da Troika seria desautorizado pela primeira vez por um parlamento nacional? Mas se a História explicar mais do que a Economia percebe-se melhor porque tal aconteceu em Chipre. O avião inglês com os meios financeiros a bordo para garantir a integridade dos depósitos bancários de salários e pensões para os seus funcionários das bases militares cipriotas deve fazer pensar muita gente no continente europeu. Por enquanto a negociação continua.Mas a contestação aos mandantes da troika vai aumentar. Mesmo que seja ao nível eufemístico do «desenho» do «memorando»...

terça-feira, 19 de março de 2013

Quem ficará com os euros ?

Aumentar impostos requer um procedimento prévio democrático-parlamentar que julgaríamos assegurado em qualquer parte da UE. As taxas financeiras em Chipre podem oscilar para cima e para baixo, às vezes conforme «os mercados», outras vezes não. O que a «zona euro» não pode fazer é dar a entender que se houver saídas da moeda «única» uns ficarão com os euros e outros não, sem prazos de transição e de um momento para o outro ao fim-de semana- ou num dia feriado que ainda haja para o efeito. Isso é que será uma guerra civil europeia.A primeira.

domingo, 17 de março de 2013

Crónicas de Anos de Chumbo

Agora que Chipre encontrou a sua via cruxi - mesmo assim sem mexer nas pensões, seguindo o exemplo espanhol - temos mais uma razão para aguardar com a maior expectativa e esperança o livro das Edições 70 que o Professor Paz Ferreira lança esta terça-feira dia 19 na reitoria da Universidade de Lisboa pelas 18h e 30, intitulado
Crónicas de Anos de Chumbo. Eduardo Paz Ferreira tem vindo a revelar-se neste período como um dos universitários mais anti-dogmáticos e críticos dos remédios para as finanças públicas europeias propostas pela troika. Foi dele que partíu a libertadora ideia de patrocinar uma série de conferências subordinada ao tema
Vamos avaliar a Troika.
O livro terá a apresentação do Reitor Sampaio da Nóvoa, e uma intervenção rara mas necessária do General Ramalho Eanes. Os três juntos representam o espírito de realismo libertador de que a sociedade portuguesa está cada vez mais carente.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Homem festeja o incêndio da sua casa ou V. Gaspar esta manhã

O sexo dos calendários europeus

Jacques Delors inventou o método do calendário para fazer avançar o mercado interno entre 1985 e 1992. Deu algum resultado, embora já alterado pelo Tratado de Maastricht. A partir daí qualquer meta passou a ser acompanhada pelo arbítrio de um calendário qualquer. Por exemplo: a meta dos 3% nos défices orçamentais foi anunciada desde 1998 com um rigor só comparável à sua constante dilação desde o início do século. Todos os anos debate-se com afinco a nova data. Assim chegamos a 2015. Ainda há quem pense que é um problema de constituição!

quinta-feira, 14 de março de 2013

As maratonas do Parlamento Europeu

Leio a notícia de que o deputado grego vice-presidente do Parlamento Europeu teve um ataque de coração quando presidia a uma maratona de votações. Lembro-me bem dessa metodologia em Estrasburgo. «No meu tempo» era a quinta-feira o dia dedicado ao pacote e nunca se sabia ao certo quantas horas demoraria, caso houvesse guerra de procedimentos. Embora no PE quem dirige essas sessões esteja assessorado por um corpo de funcionários - e não só pelos deputados secretários- o certo é que o máximo de atenção é exigido ao presidente. E inevitavelmente lembrei-me de um comentário recorrente do meu vizinho de bancada- o canarino professor de direito constitucional Medina y Ortega, que me repetia vezes sem conta nessas ocasiões «José- todo o esforço inútil tende para a melancolia!»
O deputado grego foi vítima de algo bem mais grave e objectivo.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tantos sinais

Não me quero antecipar ao que dirão os «vaticanistas», nem pretendo ser mais do que um fragmentado estudioso de teologia protestante na minha Universidade-Mãe-,a de Genève, mas sempre fui um observador político que não aprecia o «ruído comunicacional» quando este é puro vazio. Mas este bispo de Buenos-Aires, agora bispo de Roma, distribuiu sinais de sobra em directo para o mundo em 10 minutos. A começar pela ressurreição do povo como sede da benção silenciosa suscitada por FranciscoI.E a saudação delicada à «bela cidade de Roma.»
E vou agora ler o oportuno poema de Jorge-Luis Borges sobre a sua vivência de Buenos.Aires- pulicado hoje por Francisco José Viegas no seu blogue A Origem das Espécies.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Estranho Dever do Cepticismo

Mário Mesquita lança amanhã o seu livro O Estranho Dever do Cepticismo, uma edição Tinta da-China.
O título é bem dele e define-o no seu aspecto de homem que pensa criticamente tudo. Poderia ter escolhido um percurso de intelectual- ou de pedagogo- mas viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir. Mário Mesquita ficou precocemente configurado ao seu papel de notável fazedor de jornais e de pensador de referência do poder dos média, que designou de « Quarto Equívoco», numa das suas obras mais citadas.
Talvez por ter entendido que eu próprio terei ficado também desde a juventude preso a uma imagem de «político», o meu Amigo Mário Mesquita gosta de recordar alguns conselhos que dei aos «happy few» das tertúlias dos cafés atlânticos, e na generosa dedicatória que  me faz neste livro recorda ter-lhe sugerido o padre Manuel Bernardes como leitura para uma língua de lei.
O livro que é lançado amanhã por um alexandrino como Eduardo Paz Ferreira tem ainda o prefácio literário de Lídia Jorge.
No Corte-Inglês em Lisboa às 18e30.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Que fazer com estas manifestações?

Mais um desfilar de gente nas ruas de Portugal. O povo apresenta-se cada vez mais de corpo inteiro a pedir aos seus representantes que o defendam. Pedem a demissão deste governo e esta acontecerá mais cedo ou mais tarde. Entretanto o governo pode, se quiser, aproveitar a força destas manifestações para convencer o FMI, a Comissão Europeia e o BCE, que está na hora de uma renegociação do «Memorando de Entendimento». Ao mesmo tempo deve tentar estender o perfil do serviço da dívida no tempo. Se conseguir isso, quando cair não haverá só ruínas como agora.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Filhos de amigos que emigram

Por coincidência encontro no espaço de 24 horas três amigos aqui perto de casa. Todos referem que os filhos únicos, nos trintas, emigraram: um para França, outro para Inglaterra, a mais recente para a Noruega. Todos «well educated». A « ordem para emigrar» continua no dia-a-dia. Saberá a troika avaliar esse efeito das suas medidas? Quererá ao menos saber?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O criador e a criatura

A AR, ou a maioria que manda, não quer «clarificar» a lei sobre a limitação de mandatos autárquicos. Prefere que a criatura ande por aí confusa e  autónoma da vontade do legislador, entregue aos tribunais. É uma confissão de irresponsabilidade e de comodismo que não a prestigia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A Itália está mais ingovernável?

Acompanho com interesse a vida política da República Italiana há pelo menos 50 anos. Por isso não concordo com o ponto de vista «europeu» sobre a «ingovernabilidade» da Itália depois destas eleições. Não será mais difícil do que anteriormente encontrar uma maioria que governe a partir de Roma. Desde que não haja uma lista de proscritos editada a norte.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Monti no mercado eleitoral

Ainda não é possível medir todo o alcance dos resultados eleitorais em curso na Itália. Mas uma coisa é certa: Monti impressiona muito os mercados, menos o eleitoral. Como muitos que se refugiam no condomínio da finança não se revelou um homem capaz de reunir os meios da sua política. Se não for útil como aliado de Bersani não servirá para nada em Itália nos próximos tempos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As segundas câmaras

Portugal é dos poucos países cujo regime democrático não tem uma segunda câmara. Os constituintes assim o quiseram em 1976 e nunca mais se falou disso. Antes pelo contrário. Quem por vezes faz de segunda câmara é o PR com os vetos, os pedidos de fiscalização, as mensagens sobre diplomas endereçadas à AR. Depois temos o Tribunal Constitucional a ser empurrado para essa função, como  na momentosa questão da interpretação da lei sobre os mandatos autárquicos. Mas o momento máximo desse papel de «segunda leitura» chegou  com os poderes do revisor de texto da Imprensa Nacional! O de e o da do nosso descontentamento. Um «must» burocrático no nosso processo legislativo. Claro que ninguém quer pensar no assunto. Fica para a próxima constituição.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Atenção à península

A Península oscila, e está em desassossego como nunca esteve depois das «transições» para a democracia . Mas enquanto nos anos setenta a evolução política fez-se separadamente no tempo e nos processos, actualmente a crise é simultânea. O que se canta em Lisboa é entoado umas notas acima em Madrid, onde se fala cada vez mais de «regeneração» do regime democrático. Ora uma agitação geral na Península sem solução política pode reconfigurar a União Europeia. Convém olhar para a casa do vizinho.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A pedido de várias famílias, mas de uma em particular

Ontem, num debate na RTP i, Luís Menezes disse que a frase "Je désapprouve ce que vous dites, mais je défendrai à la mort votre droit à le dire” é de Voltaire. Embora se tratasse de um assunto claramente marginal num debate sobre a gravíssima situação do país e dos portugueses, respondi que a autoria estava errada. LM, em pleno debate, decidiu aceder ao google, e concluiu que era mesmo de Voltaire, acrescentando qualquer coisa como "ao menos nisso tinha razão". Não tinha, como podem ver aqui, aqui e aqui. Certo é, para meu espanto, hoje tinha vários mails de mui ilustres pessoas do PSD teimando que eu não tinha razão neste ponto, como se fosse isso que interessasse. Já lhes respondi pessoalmente, mas como parece que este assunto cafeína muito as sinapses dos austeritaristas, fica o esclarecimento público. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ontem, dia de aniversário

Fiz  ontem 71 anos. Com a ajuda de jornais que publicam essas efemérides recebi muitos votos amigos, inclusive pelo facebook, que manejo parcimoniosamente e sem ter em conta todas as valências. Aprendi aos setenta que cada ano conta. Obrigado a todos os que perceberam isso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mário Soares enquanto MNE

Manuela Franco, a directora do Instituto Diplomático, teve a ideia de por antigos ministros dos Negócios Estrangeiros a falar de outros antigos ministros dessa importante pasta, e convidou-me para uma conferência sobre Mário Soares enquanto MNE dos três primeiros governos provisórios.
A tarefa era delicada mas aliciante. Conheci Mário Soares há 50 anos quando era dirigente estudantil, fui seu companheiro nas listas da Oposição Democrática em 1965 quando defendemos-dez anos antes dessa evidência nacional- que a guerra não era solução para a questão colonial, mais tarde encontrámo-nos no mesmo lado da barricada na génese do regime democrático-pluralista, e fui inclusive MNE do I Governo Constitucional presidido por ele. Depois afastámo-nos, e até nos degladiámos entre 1979 e 1986. Com a segunda volta das presidenciais em 1986 iniciamos um caminho de reaproximação livre que se consolidou nos anos noventa e dura até agora.
Com tudo isso em mente aceitei o desafio e ontem, perante uma audiência «gourmet», no dizer da directora do Instituto, lá estive a falar dos nove meses de Ministro dos Estrangeiros de Mário Soares entre Maio de 1974 e Março de 1975. Gostei.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Carta à troika

Andou bem António José Seguro em ter escrito uma carta à troika antes da 7ª vinda a Portugal da sobejamente conhecida delegação técnica que abanca com estrondo em Lisboa perante a passividade negocial do executivo de Passos Coelho. Com efeito, tem de se elevar o nível da avaliação do «Memorando de Entendimento» do plano técnico para o plano político. Caso contrário, Agostinho da Silva volta a ter razão quando escreveu, em 1959, que  Lisboa como sede de governo tem tido « o papel de impor o estrangeiro ao resto do País.»

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O SLB e o recomeço das competições europeias

Nos últimos anos é sempre a mesma história: com o recomeço das competições europeias o Benfica estremece nas competições nacionais. Claro que este ano houve o castigo simultâneo a Matic e Cardoso, mas que há qualquer coisa que atrapalha a segunda parte do campeonato lá isso há.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cabo Submarino

Hoje no Correio da Manhã discorro sobre o gesto de Bento XVI. Com a sua resignação Ratzinger mostrou ao mundo o esplendor da condição humana. Recordei o filme de Nanni Moretti em que um recém-eleito Papa, interpretado por Michel Piccoli, desaparece do Vaticano e hesita em assumir o mandato pontifício. Muitas vezes a ficção apenas antecipa a realidade.
Renunciando à infalibilidade papal- um aspecto ainda não aflorado pelos vaticanistas- Ratzinger voltou a ser alguém que «não tem onde reclinar a cabeça». Como escreveu Eduardo Lourenço ontem no Público, a renúncia ao poder de Bento XVI «é a mais enigmática e crucial para o Ocidente.»

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Prova dos 9

Muitas pessoas amigas telefonam-me quando não apareço na Prova dos 9 da TVI-24. Devo assim esclarecer que deixei de participar naquele programa de debate político coordenado pela Constança Cunha e Sá que já foi à terça, depois à quarta e agora é à quinta. Gostei muito de ter participado num dos melhores espaços de debate plural na televisão, mas para mim tudo tem o seu tempo. Desejo sinceramente muitas felicidades ao programa que merece ter futuro, e daqui saúdo amigavelmente a Constança, o Fernando Rosas, o Francisco Assis e o Pedro Santana Lopes. Quanto a mim «vou andar por aí», mas em breve estarei noutro canal.Obrigado pela vossa atenção.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O discurso de Obama

Mais uma boa intervenção de Obama neste início de segundo mandato. Disse com clareza que a redução  drástica do défice orçamental não constitui por si só uma qualquer política económica. Mostrou-se favorável ao papel dos poderes públicos no relançamento da economia, defendeu o investimento na educação, especialmente na pré-primária, e no estímulo da inovação.Aos que davam por findo o ciclo europeu na política norte-americana surpreendeu com a proposta da negociação de um acordo comercial com a UE. Deste modo em 2016 pode haver dois tratados de livre-comércio ao mesmo tempo: o transpacífico e o transatlântico. A seguir.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sair e ficar

Vejo sempre as páginas do jornal Público sobre espectáculos. Ficar em casa ou sair é  uma opção. No Inverno. o «Ficar» é o mais apetecível. Mas aproveitando o espírito de Carnaval, impregnado nos Açores da minha infância, fui nestes dias ao cinema e ao teatro. Hoje quando saio vou mais ao teatro ( este post está a ficar parecido com uma página de facebook!) pois há muito bons espectáculos em Lisboa e arredores, com Almada no horizonte. Desta vez fui ao D.Maria ver a peça do
 Nuno Costa Santos
Condomínio de Rua, encenada pelo João Mota. A peça está muito bem escrita, o título ilumina o enquadramento social ,a tendência literária para os aforismos de Costa Santos está presente, os actores enchem o palco - às vezes com demasiada repetição de palavrões sonoros. Só falta a Nuno Costa Santos, um dramaturgo do quotidiano, sair mais das palavras para a acção.
Cena comovente: ao nosso lado sentaram-se estudantes de uma escola secundária da periferia de Lisboa convidados a irem ao teatro por uma professora que assim faz serviço cultural extra-horas...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval- O dia da descentralização administrativa

O governo «deu tolerância de ponto» nos dias 24 e 31 de Dezembro aos funcionários públicos. Se nos lembramos que 25 de Dezembro e 1 de Janeiro são feriados obrigatórios ficamos quase uma semana inteira com a «produtividade» em baixo. A intolerância do Executivo fixa-se na terça-feira de carnaval para os funcionários públicos. Mas as regiões autónomas, muitas câmaras municipais, e até empresas públicas decidem manter o feriado facultativo. O carnaval deve ser o dia em que se comemora em Portugal a «descentralização administrativa». Que é o dia em que se manda o governo à fava!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ratzinger- uma decisão humana e moderna

Empatizei com o cardeal Ratzinger desde que comecei a ler algumas das suas obras, nomeadamente a sua história reflexiva sobre a Europa. Fiquei sempre à espera que nos dissesse alguma coisa sobre o futuro do continente na emergência actual. Segui-o na atitude de humildade na procura do conhecimento, mesmo que este se aparentasse com a verdade. A sua resignação como Papa é uma revolução nos costumes, um acto humano de uma extrema modernidade numa Igreja tradicional. Espero que a sua reclusão num mosteiro não signifique o fim de uma intervenção intelectual no mundo.

Os portugueses primeiro

Muito acertadamente não houve sangue na comissão nacional do PS. Seguro e Costa concordaram que o tempo é de oposição ao governo de Passos Coelho e  não se deixaram arrastar por pressões exteriores. O documento de Coimbra, que tem ideias, teve um título de marketing. Estava encontrado o tema para o desvio da questão de fundo. Mas tendo em conta que «as pessoas estão primeiro» a moção devia ter tido por título «Os portugueses primeiro»...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Cabo Submarino

A cimeira europeia sobre as perspectivas financeiras 2014-2020 decorreu dentro dos padrões usuais da «negociação permanente» em Bruxelas. A aprovação dos septanatos financeiros foi feita sempre em duas cimeiras desde o seu início.Tal procedimento permite aos governos apresentarem-se  às respectivas opiniões nacionais como tendo conseguido, após luta prolongada, o máximo ao seu alcance. Passos Coelho assim fez.
O único problema é a falta de perspectivas de tudo isto. Pela primeira vez foram reduzidos os montantes do exercício...Valerá a pena esperar pelo que o Parlamento Europeu vai co-decidir?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Perspectivas financeiras 2014-2020

Ninguém sabe como estará a UE em 2020-cada vez mais parecida com o Sacro Império Romano-Germânico que ninguém soube quando acabou-, mas para já, o plano orçamental multilateral sobre a mesa em Bruxelas não é anticiclíco, antes pelo contrário. Quando mais se precisava de transferências financeiras entre regiões destinadas a programas de crescimento, o «egoísmo fiscal» voltou a atacar. Todas as consequências negativas desse retraimento na UE como um todo serão ainda reforçadas com particular intensidade no interior da zona euro. A «ordem para emigrar» continua. Quando o  factor capital não circula suficientemente circula o factor humano, sobretudo num espaço de livre circulação de pessoas e bens.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Volta às origens Paulo Bento

Paulo Bento chegou à selecção com esta em dificuldades. Vinha livre, decidido, motivado e motivador. Levou Portugal à fase final do europeu e assinou um novo contrato. A partir daí deixou-se enredar por preferências, eliminação de alguns jogadores, insistência noutros, e uma certa propensão para promover novos valores precocemente. Se Paulo Bento voltar a ter a cabeça limpa como quando chegou à FPF estaremos no Brasil em 2014. Se continuar nesta deriva é pouco provável.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Promoção do português a custo zero

Cabo Verde foi uma das revelações da CAN- Taça das Nações Africanas de futebol- onde chegou aos quartos-de-final. O seu treinador,Lúcio Antunes, cuja profissão de base é a de controlador aéreo, deu instruções para que nas conferências de imprensa os cabo-verdianos só utilizassem o português. E justificou:
« Um dos males da língua portuguesa não se afirmar internacionalmente é que gostamos de ser gentis com os estrangeiros e falamos a língua deles.»
Já Mourinho, o poliglota, fizera isso quando lhe foi atribuído o galardão de melhor treinador do mundo. Por cá é o que se sabe.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bem feito!

O governo arranjou um novo problema com a velocidade de um raio. Por um lado recrutou um gestor do grupo SLN- BPN, um símbolo do que há de pior  no regime, e que há-de inquietar Paulo Portas nas suas relações com Nuno Melo. Por outro lado a secretaria de Estado em questão chama-se parvamente do «empreendorismo» e que mas não é do que um convite à distribuição de dinheiros do OE entre os habilidosos do costume. Perdoa-lhes Schumpeter que eles não sabem o que fazem...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

As Bucólicas da maioria

O poeta Virgílio, quando Roma já era sobretudo uma metrópole imperial, cantou as delícias do campo nas Bucólicas para contrariar a concentração urbana e ajudar os poderes a fixar o romano no campo, disse-me o meu professor de latim no liceu.A ideia não surtiu efeito mas os versos perduraram. Parece que o que temos de mais parecido na nossa cultura pastoril recente é o histórico programa do engenheiro Veloso TV-Rural. Pois a maioria, à mingua de ideias, quer agora obrigar o serviço público de televisão a ressuscitar esse programa. Não consta que o ministro das Finanças queira pagar por ele um cêntimo à RTP. Deve ser do género «serviço televisivo obrigatório»...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A crise inoportuna

Hoje o Cabo Submarino trata da Crise inoportuna no PS.A coligação no poder sedimenta-se depois da tomada de posição sobre a RTP, Francisco Louçã prepara-se para regressar em força sob o desígnio do socialismo, enquanto o maior partido de oposição se debate com uma crise interna num país à deriva e insatisfeito com o governo. Uma situação paradoxal pouco tratada nos manuais da arte política.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O nível da dignidade política dos Secretários

Passos Coelho, para justificar a embrulhada em que esteve envolvido com a substituição de 6 membros do governo, afirmou que o caso não tinha dignidade política por se tratar apenas de secretários de Estado. Lembrei-me logo que o próprio Passos Coelho tinha sido secretário de Estado de um governo de Cavaco Silva...Será que isso explica muita coisa?

Errei:
Um sms amigo chama-me a atenção para o facto de Passos Coelho ter sido dirigente da JSD  mas nunca secretário de Estado da Juventude. A sua primeira experiência no governo foi assim logo como primeiro-ministro. A minha história tinha mais graça do que a realidade mas de facto não era verdadeira. Lamento

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Alguém se lembra do tema da crise no PS?

Na manhã da noite em que se reuniria a Comissão Política do PS afirmei na TSF que António José Seguro e António Costa teriam de se entender tão inoportuna e vácua era a crise desencadeada. De facto, ao ler as declarações de ambos depois dessa reunião dir-se-ia que é só o passado que os divide. Terá este mais força do que o futuro?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma voz nítida

Tive ontem a alegria de conversar com Mário Soares ao telefone: uma voz nítida, um tom robusto, um encontro aprazado para mais tarde falar sobre o presente e o futuro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

No Congresso do PS-Açores

Estive este fim-de-semana no XV Congresso do PS-Açores e gostei do que vi e ouvi. O PS-Açores, já o disse, é o que de melhor há no sistema partidário português. Basta reparar na transição efectuada entre Carlos César e Vasco Cordeiro. Desta vez a grande novidade, para além da participação activa de muitos membros jovens, é o facto de na Comissão Regional eleita- o órgão máximo entre congressos- haver mais mulheres do que homens. Como escrevi nuns apontamentos durante a campanha eleitoral nos Açores em 1996: «Está a chegar a hora do domínio feminino na vida política.»

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O bifrontismo da coligação

Ontem o protagonista da coligação foi o número 2 do governo, Vítor Gaspar, com a «ida aos mercados», antes do regresso da troika em Fevereiro e do anunciado corte nas «funções sociais» do Estado. Hoje o vencedor do Conselho de Ministros foi o número 3, Paulo Portas, com a paralisia do processo de alienação da RTP. Relvas, cujo número se ignora, limitou-se a uma declaração de voto de vencido: a «reestruturação será dolorosa»! Crise adiada na coligação.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Crise de autorias

Quando Portugal se prepara para receber mais 4 mil milhões de euros da troika por causa das flutuações cambiais no mix das moedas dos direitos de saque especiais do FMI- ajustamento que o célebre Baptista da Silva anteviu na entrevista ao Expresso-, sabe-se que um dos credenciados co-autores do relatório técnico do FMI encomendado pelo governo de Passos Coelho, o espanhol Carlos Mulas, foi destituído do «Laboratório de Ideias» do PSOE acusado de falsa autoria de estudos para aquele partido... Venha o diabo e escolha.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Num dia como o de hoje

Num dia como o de hoje é bom ler o site peprobehttp://www.peprobe.com/, com informação séria e sóbria que permite a cada um formar melhor as suas opiniões.

O governo triunfa e a sociedade não?

A República Portuguesa vai voltar aos mercados gradualmente e com rede, e como o BCE indicou em Setembro, para este comprar a dívida assim emitida no mercado secundário. Mário Draghi atenuou assim uma das deficiências mais graves dos Estatutos do BCE. A revista TIME traça-lhe o perfil e realça-lhe o mérito de agir por frases curtas e apropriadas.
Também a Grécia - à frente em muitas das soluções necessárias para ultrapassar a crise das dívidas soberanas- deu uma ajuda com a extensão do calendário do vencimento das maturidades dos títulos da dívida. Desde que se fale mal do precedente grego este está a funcionar a favor dos outros países. Falta ainda ao governo português conseguir fazer baixar as taxas de juro dos empréstimos obtidos junto da troika. Chegará lá, possivelmente ajudado pela queda dos juros no mercado financeiro, apesar das agências de notação agora menos determinantes. A sociedade portuguesa espera que o governo lhe faça saber as consequências para ela de tudo isto.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O corte

 A operação de corte nas despesas do Estado tem recebido vários nomes de código que eufemísticamente transcendem o escopo da questão, como «reformas estruturais» à la FMI, ou como «refundação do Estado» ao modo Passos Coelho. Trata-se agora  de pretender cortar mais 5 mil milhões de euros no OE. Ora cortar 5 mil milhões de euros anuais vai dar origem a muitas epopeias doutrinárias entre nós. Mas o principal resume-se a estudar alínea por alínea o orçamento, modificar o perfil da dívida, e procurar soluções fora do «menu Gaspar».

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ADSE

Porque será que enquanto o Estado embolsou durante décadas os descontos para a CGA e para a ADSE- em média mais altos do que os exigidos para a segurança social - não apareceu nenhum teórico do nivelamento por baixo que tantos combateram há 40 anos? Tudo tão evidente...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Amílcar Cabral

Faz hoje 40 anos que Amílcar Cabral foi assassinado.Conheci-o em 1971 e
 entrevistei-o para a revista Polémica onde ele propunha um mapa para negociações sérias com Portugal. Estava preocupado com os efeitos perversos da luta armada no futuro. Muita falta nos fez no processo de descolonização. Teria sido um estadista e um dirigente internacional da mais alta qualidade. Um natural secretário-geral da ONU, se estes fossem «naturais». Quando tantos têm nostalgia dos «grandes líderes» convém recordar como alguns acabaram. e às mãos de quem.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Se as taxas de juro baixam...

Se as taxas de juro baixam por causa das pequenas frases de Mário Draghi ao ponto dos países «sob resgate» começarem a pagar taxas inferiores às praticadas pela «assistência financeira», temos mais um motivo para Reavaliar a Troika, como escrevo no CM.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

De São Mamede a Santo António

A freguesia de São Mamede em  Lisboa, onde moro há mais de 35 anos, foi «jumelada» com mais umas três divididas pela Avenida da Liberdade, e passa a chamar-se- para ciúme das demais?- de Santo António. Não sei se chore se ria, mas o que não tenciono é mudar de BI vitalício(coisas da idade) só para oficializar o pseudónimo...Quero é saber onde será a sede da futura Junta de Freguesia, e onde irei votar nas próximas eleições. Não me façam ir votar de ambulância, ou de táxi, quando antes ia a pé...Isto sem governador civil vai ser bonito aqui e  mais além.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Avaliar o FMI

O Jornal de Negócios relata que a Rádio Renascença recebeu uma nota dos serviços do FMI, esclarecendo os distraídos que, como é óbvio, cabe ao povo português decidir sobre o papel do Estado  e que cabe às autoridades nacionais decidir sobre o destino a dar ao relatório, informando ainda que o governo de Passos Coelho contribuiu com comentários para a versão final do relatório encomendado. Até o FMI é mais transparente do que este governo, porque ao fim e ao cabo ele também está em avaliação.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Líbia, Mali...

Quando a França perdeu peso na Europa de Bismark virou-se para a expansão colonial. Desde que Merkel guia a zona euro, Paris mostra-se particularmente activa nas questões da Líbia, da Síria, do Mali...Ao mesmo tempo prima pela falta de comparência na política europeia deixando a Alemanha sozinha a acabar o que começou. Até quando?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os juros do resgate

A República da Irlanda financiou-se por estes dias «nos mercados» a taxas inferiores às oferecidas pela troika àquele país. Eis um dado a ter em conta, caso a tendência se mantenha, e alastre aos outros países sob «assistência» como tudo parece indicar...

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Aliança Passos-técnicos do FMI

Passos não sabe como lançar, com efeitos úteis, o magno tema da reforma dos serviços do Estado.A aliança com os técnicos do FMI foi desfeita com a fuga de informação de um relatório qualquer.No artigo a Aliança Passos-FMI, lamento que ministros como Paulo Portas, Aguiar-Branco e Miguel Macedo não se tenham recusado ao exercício nas suas áreas. Este governo não tem condições para tal tipo de reformas, e a execução de um tal guia para a acção irá cavar divisões no interior do governo e entre os partidos da coligação. É só esperar, mas não sentado.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Gosto