Faleceu o escritor Daniel de Sá na sua casa da freguesia da Maia em S.Miguel. Era um escritor que não escrevia para seduzir, que não escrevia para o êxito comercial, que não escrevia para a crítica, e que talvez nem para os amigos chegados escrevesse. O seu livro «Ilha Grande Fechada» é uma obra prima de dor e ternura. Apresentei outro livro dele «O Pastor das Casas Mortas»,uma epopeia campestre, num fim de tarde cheio de graça e sol no centro cultural da Caloira. A sala estava cheia. Havia algo de mágico em toda aquela beleza da costa sul da ilha de S.Miguel Era já raro que Daniel de Sá saísse da «sua» Maia. Não foi só o Daniel que se finou agora, mas sim um certo tipo de culto íntimo dos livros.
NB- João Gonçalves, no seu blogue Portugal dos Pequeninos ilustra esse momento na Caloura com o Daniel de Sá e com a envolvência daquele instante. Vale a pena ver.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Motricidade Humana e futebol
Ontem tive o gosto de assistir às conferências inaugurais da série « Motricidade Humana e Futebol» ministradas pelo meu amigo Manuel Sérgio, e pelo selecionador de Cabo Verde, Lúcio Antunes. As duas conferências complementaram-se perfeitamente dentro de uma dimensão motivacional, intencional e humana que Lúcio Antunes ilustrou com a preparação de um clima de missão alegre para promover as novas realidades da República de Cabo Verde. Nações antigas e nações novas. O que interessa é perceber
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Pior do que perder tudo
Há anos que temo pelas derradeiras jornadas da época futebolística do SLB. Desta vez foi ainda pior do que o costume porque ontem a equipa desfez-se diante de todos. Houve uma mentalidade de pré-vencedor sem critério na volta dos jogadores ao estádio dos Barreiros e com os adeptos mais contaminados pela propaganda interna e externa a concentrarem-se no Marquês de Pombal para festejar a época, já tudo estava por fios. Mas mau, mesmo muito mau, foi ver ontem mais do que o fim de uma época o fim de uma equipa. Vai haver muito trabalho pela frente. E sem organização no departamento de futebol não vamos lá.
sábado, 25 de maio de 2013
O Conselho de Estado não é a Academia das Ciências
Como acentuo no Cabo Submarino de hoje, Cavaco Silva não queria de todo discutir as condições políticas vigentes em Portugal. Pena que o PR tenha pretendido manipular o Conselho de Estado e o tivesse confundido com uma secção da Academia das Ciências. A próxima reunião do Conselho de Estado terminará por um Parecer sobre a dissolução da AR, e não com um comunicado omisso sobre os temas discutidos durante sete horas.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Aliança Progressista
Participei de alguns momentos bons da Internacional Socialista nomeadamente no início do processo das transições democráticas na América Latina em simultâneo com o estabelecimento de regimes democráticos em Portugal e Espanha. Depois, já no Parlamento Europeu, o que conheci do Partido Socialista Europeu deixava adivinhar a passividade perante a ofensiva neo-liberal do chamado «consenso de Washington» e as cumplicidades electivas da terceira via.
A crise destes modelos terá impulsionado agora a criação de uma Aliança Progressista no âmbito da IS, composta não só por partidos dessa área ,mas ainda por movimentos sindicais, movimentos sociais e outros protagonistas do «arco do progresso». Sempre é uma resposta nova ao imobilismo de mais de vinte anos. A minha intervenção no congresso do PS, no Coliseu de Lisboa, em 1999 creio, foi sobre este tema da paralizia da IS e do Partido Socialista Europeu, que estavam a falhar os seus deveres humanistas na globalização. Como foi o «congresso do Tino de Rans», a imprensa escolheu o que se sabe.
A crise destes modelos terá impulsionado agora a criação de uma Aliança Progressista no âmbito da IS, composta não só por partidos dessa área ,mas ainda por movimentos sindicais, movimentos sociais e outros protagonistas do «arco do progresso». Sempre é uma resposta nova ao imobilismo de mais de vinte anos. A minha intervenção no congresso do PS, no Coliseu de Lisboa, em 1999 creio, foi sobre este tema da paralizia da IS e do Partido Socialista Europeu, que estavam a falhar os seus deveres humanistas na globalização. Como foi o «congresso do Tino de Rans», a imprensa escolheu o que se sabe.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
No canal 8 do MEO
Ontem à noite, na CMTV, fui concordante com Ângelo Correia sobre a reunião do Conselho de Estado ter sido uma oportunidade perdida para o bom funcionamento das instituições. Com efeito parece que o Comunicado emitido pela presidência omite, mais do que esclarece, as discussões que lá tiveram lugar e os reais conselhos que foram dados ao PR. Tudo indica que a próxima reunião do Conselho de Estado terá uma agenda marcada pela crise política.E que em vez de um comunicado teremos um Parecer.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Os caminhos da Senhora
Já não retomava esta série há tempos. Mas da Alemanha chegam ecos de um mal-estar com as consequências da execução das políticas de austeridade, e Berlim sente-se casa vez mais isolada na zona euro e mesmo na UE, embora tenha ganho todas as batalhas. Daí que comece a criticar a Comissão Europeia pela rigidez com que esta continua a interpretar a regras comunitárias, sobretudo em matéria da aplicação dos fundos estruturais.
Ora, desde cedo, que sugeri que uma forma de promover o crescimento nos países sob resgate seria uma flexibilização das regras desses fundos por forma a transferir e concentrar montantes e assim reduzir a contribuição financeira dos Estados sob troika para essess projectos sem sequer se necessitar de aumentar o orçamento comunitário.
Parece aliás que se arrasta por Lisboa, há dois anos, uma brigada de «federais» da comissão para orientar o governo a reorientar a aplicação desses fundos. Mas nenhum resultado foi anunciado.
Ora, desde cedo, que sugeri que uma forma de promover o crescimento nos países sob resgate seria uma flexibilização das regras desses fundos por forma a transferir e concentrar montantes e assim reduzir a contribuição financeira dos Estados sob troika para essess projectos sem sequer se necessitar de aumentar o orçamento comunitário.
Parece aliás que se arrasta por Lisboa, há dois anos, uma brigada de «federais» da comissão para orientar o governo a reorientar a aplicação desses fundos. Mas nenhum resultado foi anunciado.
Neste tempo de consenso decretado
Tenho aproveitado a situação de consenso decretado pelo PR para ir ao teatro e ao cinema. Comecei pela peça de J.M. Synge «O campeão do Mundo Ocidental» encenada pelo Jorge Silva Melo no D.Maria II, com imensa energia, graça e completa direcção de autores. O protagonista é um mentiroso, está tudo dito.
Depois fui ao cinema ver um filme anti-consenso, o chileno NO, sobre o referendo a favor ou contra Pinochet em 1988, que tive a oportunidade de assistir então, integrado nas delegações de fiscalização internacionais enquanto deputado do Parlamento Europeu. Não tive dúvidas que a transição para a democracia no Chile seria imparável depois do voto. E não tinha visto os tempos de antena do NO...
Depois fui ao cinema ver um filme anti-consenso, o chileno NO, sobre o referendo a favor ou contra Pinochet em 1988, que tive a oportunidade de assistir então, integrado nas delegações de fiscalização internacionais enquanto deputado do Parlamento Europeu. Não tive dúvidas que a transição para a democracia no Chile seria imparável depois do voto. E não tinha visto os tempos de antena do NO...
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O PR e o Conselho de Estado
O PR não chega em forma a este Conselho de Estado. Demasiado preocupado com a manutenção do governo, as últimas declarações de Cavaco Silva desde o discurso de 25 de Abril são no sentido de impedir qualquer análise institucional ao actual estado da nação que leve à urgência de mudar de governo. Depois as medidas da troika empurram os países sob resgate, e aparentados, a colocarem-se na situação dilemática de continuarem, ou não, na zona euro, dado que há uma equivalência entre prós e contras perante a continuação da austeridade. Nada disto será discutido hoje em Belém. A não ser por algum espírito livre de agendas políticas e com alguma informação estratégica internacional...
sábado, 18 de maio de 2013
A herança da troika
No meu artigo de sábado no Correio da Manhã lanço um tema para debate no Conselho de Estado: o papel da troika na criação de Estados débeis da peninsula balcânica à peninsula ibérica.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Liderança e fuhrung
O pingue-pongue entre Barroso e Merkel sobre quem conduz a austeridade que leva à recessão não ficará para os anais desta enquanto a zona euro não der de si. Mas depois desta troca de responsabilidades fiquei a matutar no termo que Ulrich Beck ressuscitou no seu livro German Europe : fuhrung. Eu sei que lhe falta o trema, e o assumir de Merkel. Mas o termo leadership está desactualizado em Bruxelas.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Treinadores portugueses,jogadores intercontinentais
A liga portuguesa de futebol não tem um único treinador estrangeiro.Tal não acontece na Espanha, na Inglaterra, na Itália, etc. Há anos passou pelo Benfica o actual treinador do Bayern de Munique mas não provou «conhecer por dentro a nossa liga», uma indicação só para iniciados. Em compensação os treinadores portugueses trabalham cercados de jogadores estrangeiros que devem saber muita coisa dela. Tudo indica ainda que dois dos melhores treinadores, Jesualdo Ferreira e Peseiro, deixarão as equipas do SCP e do Braga porque os presidentes querem experimentar outros enquanto compram e vendem jogadores em todas as estações do mercado.Veremos o que acontece a Jesus
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Uma boa exibição, um mau resultado
Não me tenho pronunciado muito sobre o Benfica nesta fase da época. Fiquei sempre à espera desta para acreditar nas melhoras aparentes que a equipa apresentava. Que Jorge Jesus aproveita muito bem os jogadores que lhe chegam às mãos vindos da América do Sul ou do Seixal não deixa dúvidas. Que os valoriza no mercado das transferências também não é uma novidade. Que aperta com eles nos jogos dá para ver no estádio e na televisão. Que nos últimos tempos alguns deles estão mais individualistas e menos tácticos, como o Gaitan, mete-se pelos olhos dentro. ´Que me custou imenso estas duas últimas derrotas na praia dos descontos, custou. Como a pedra custou a Sísifo. Porque desistir é proibido.
Ontem na CMTV
Ontem na CMTV espantei-me com as declarações tipo ayatola de Cavaco Silva sobre Fátima e o encerramento da 7ª avaliação da Troika, uma coisa destituída de tino mesmo numa zona euro a precisar de milagres económicos.
Uma narrativa mais racional foi-nos dada pelo Banco de Portugal com a entrega ao Estado da distribuição dos dividendos de 2012 no valor record de 359 milhões de euros, para além do pagamento dos impostos. Sempre defendi que nesta emergência o BdP devia contribuir mais para o accionista Estado. Para não falar das aplicações das reservas de ouro agora estimadas em 15,5 mil milhões pelo simples efeito da sua valorização inerte no mercado. Seja como for o governador não ficou só a ralhar com a sociedade portuguesa
Uma narrativa mais racional foi-nos dada pelo Banco de Portugal com a entrega ao Estado da distribuição dos dividendos de 2012 no valor record de 359 milhões de euros, para além do pagamento dos impostos. Sempre defendi que nesta emergência o BdP devia contribuir mais para o accionista Estado. Para não falar das aplicações das reservas de ouro agora estimadas em 15,5 mil milhões pelo simples efeito da sua valorização inerte no mercado. Seja como for o governador não ficou só a ralhar com a sociedade portuguesa
terça-feira, 14 de maio de 2013
Os criadores da troika
A troika foi uma criação ad-hoc impulsionada pela chanceler Merkel há 3 anos. Aos olhos de espíritos impressionáveis parece uma entidade secular, com estatutos e jurisprudência, quando é mais um híbrido de um mundo europeu sem regras. A troika vai levar a maior parte dos países sob resgate, e aparentados, a uma situação de equivalência em termos de prós e contras sobre a manutenção na zona euro, ou a saída dela. Não é essa a agenda do próximo Conselho de Estado proposta pelo PR. O Portugal pós-troika de Cavaco Silva está submerso no aprofundamento da união monetária. E nem vê a crise política que se aproxima antes do fim desta troika.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Compromisso ou mentira?
Ontem foi um dia negro para o governo. Ou porque o corte das pensões foi apresentado à troika como uma mentira para consumo internacional ( como aconteceu durante dez anos com as contas apresentadas a Bruxelas no âmbito do Pacto de Estabilidade), ou porque o lado «facultativo» da medida se destinou a «salvar a face» do ministro Paulo Portas. Em ambos os casos o governo enfraquece-se ainda mais.
sábado, 11 de maio de 2013
Em dia de sondagens eloquentes
Ainda irá Paulo Portas a tempo de evitar acompanhar o PSD na derrota que se avizinha? Que fará o lider do CDS se Passos for para a frente com novo corte das pensões com efeitos retroactivos? Perguntas que deixo no ar no Cabo Submarino de hoje. Quando o PS nas sondagens já tem mais intenções de votos do que toda a coligação governamental. O caso de Cavaco Silva merece tratamento à parte. Mas o homem não está sintonizado com o país.Ou não percebe para onde pende o consenso.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Na Cinemateca
Ontem participei na Cinemateca no ciclo organizado pela Anabela Mota Ribeiro «Noite e Nevoeiro-Portugal e o Holocausto» onde se retoma a necessidade de«Aprender com o Passado, Ensinar para o Futuro». O mote foi dado pelo João Canijo cujo filme FANTASIA LUSITANA foi-lhe ditado pelo facto do filho lhe ter aparecido em casa mal informado sobre o passado. O debate foi muito vivo e participado, desde a mesa com o Daniel Oliveira à plateia. Acabou tarde...
NOTA:
O tema da neutralidade portuguesa durante a IIGM é um dos temas mais mitificados pelo salazarismo. Basta dizer que enquanto a neutralidade foi apelidada pelo regime de «colaborante», os britânicos caracterizavam-na como uma mera «neutralidade continental», outros de «neutralidade benevolente», e já nos anos noventa surgiu a tese nos EUA segundo a qual, Portugal perante os acontecimentos em Timor e nos Açores, se limitara a ser um Estado «não-beligerante».
NOTA:
O tema da neutralidade portuguesa durante a IIGM é um dos temas mais mitificados pelo salazarismo. Basta dizer que enquanto a neutralidade foi apelidada pelo regime de «colaborante», os britânicos caracterizavam-na como uma mera «neutralidade continental», outros de «neutralidade benevolente», e já nos anos noventa surgiu a tese nos EUA segundo a qual, Portugal perante os acontecimentos em Timor e nos Açores, se limitara a ser um Estado «não-beligerante».
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Na CMTV
Ontem à noite recordei os termos da carta de Passos Coelho enviada à troika a 3 de Maio, dois dias antes de Portas a ter interpretado politicamente:
«De forma a permitir a construção do consenso, está previsto que algumas medidas sejam substituídas por outras de semelhante qualidade e efeito orçamental. Acresce que o valor global agora apresentado é superior ao necessário...»
Medidas de austeridade superiores ao necessário ! A discussão do orçamento rectificativo promete...
«De forma a permitir a construção do consenso, está previsto que algumas medidas sejam substituídas por outras de semelhante qualidade e efeito orçamental. Acresce que o valor global agora apresentado é superior ao necessário...»
Medidas de austeridade superiores ao necessário ! A discussão do orçamento rectificativo promete...
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O que vem a ser isto?
Paulo Portas falou ontem em diferido do conselho de ministro. Deu alguma informação positiva sobre o desenrolar das negociações com a troika, e assumiu que foram tomadas «medidas suplementares do Estado consigo próprio», entre as anunciadas com pompa por Passos Coelho. Portas não votará a «tsu dos pensionistas». Gaspar fica avisado. Mas se isto já está assim para o orçamento intercalar de 2013 qual será o estado do governo por altura da proposta do OE para 2014?Ou cai a prepará-lo?
sábado, 4 de maio de 2013
Cabo Submarino
Olhar para Itália, é o título.
Ainda ninguém disse não querer ser como a Itália, mesmo quando ela tem uma superpercentagem de dívida pública, mesmo quando provoca eleições antecipadas sucessivas, mesmo quando os partidos se engalfinham em antagonismos nada consensuais, mesmo quando precisa de dois meses para se dotar de um governo tido por impossível pelos peritos do mundo. Como em Roma não vigora a doxa comunicacional portuguesa segundo a qual o chefe de governo é eleito pessoalmente nas legislativas, há agora um governo de grande coligação que pode sacudir a UE.
Ainda ninguém disse não querer ser como a Itália, mesmo quando ela tem uma superpercentagem de dívida pública, mesmo quando provoca eleições antecipadas sucessivas, mesmo quando os partidos se engalfinham em antagonismos nada consensuais, mesmo quando precisa de dois meses para se dotar de um governo tido por impossível pelos peritos do mundo. Como em Roma não vigora a doxa comunicacional portuguesa segundo a qual o chefe de governo é eleito pessoalmente nas legislativas, há agora um governo de grande coligação que pode sacudir a UE.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
As quintas-feiras europeias
O Benfica voltou esta quinta-feira a uma final europeia com mérito , e «limpinho» no que lhe diz respeito. Sou do tempo em que esses apuramentos ocorriam às quartas para os lados do estádio da Luz. Mas não me vou fazer esquisito! Venha a taça!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Na CMTV às terças pelas 22h
Todas as terças encontram-me no canal 8 da MEO às 22h no programa Esquerda-Direita conduzido por José Carlos Castro e com a participação de Ângelo Correia. Desta vez o programa durou uma hora quando o previsto é meia. E ainda por cima o Real Madrid acabara de jogar, o que costuma incendiar a televisão por cabo...
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Marchar hoje contra os que querem um grande Bangladesh
O Papa denunciou a prática de salários de 30 euros por mês no Bangladesh, considerando tratar-se de trabalho escravo. Pois é à remuneração desse trabalho que muitos chamam ganhos de competitividade e baixa do custo unitário do factor trabalho...Hoje, dia 1 de Maio, o Papa Francisco fez mais contra o dumping social na globalização do que o sistema inteiro das nações unidas. Contra o trabalho escravo marchar, marchar, devia ser a próxima missão militar da ONU. Podia chamar-se «operação Lincoln»...
terça-feira, 30 de abril de 2013
O discurso de Enrico Letta
O primeiro-ministro de Itália é europeísta e disse: «A UE não tem legitimidade nem eficácia». Veremos o que fica para os críticos.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Grande coligação em Itália
Das dificuldades em formar um qualquer governo, a Itália passou facilmente, se bem que não rapidamente!, à formação de uma grande coligação entre as duas forças antagónicas, e ainda recolheu alguns elementos da equipa Monti. De notar a presença de Emma Bonino nos Estrangeiros. Como a política em Itália costuma ir um pouco à frente nas novidades e nas surpresas convém manter a atenção fixada. E o nosso PR devia mandar para lá alguém estudar de perto como se governa sem consenso numa grande coligação.
domingo, 28 de abril de 2013
PS unido e governo em dissenso
Poucos dias depois do discurso de Cavaco Silva o panorama político que conta é o seguinte: o PS sai unido e reforçado, o governo não se entende em conselho de ministros.
Gostei da afirmação de Seguro no final do congresso: mesmo com uma possível maioria absoluta o PS procurará apoios mais amplos para governar. De facto um Novo Rumo só é possível com um novo género de governo. E será na formação de um novo género de governo que António José Seguro passará a sua prova de fogo. Quanto ao programa muito já foi avançado hoje no congresso do PS.
Gostei da afirmação de Seguro no final do congresso: mesmo com uma possível maioria absoluta o PS procurará apoios mais amplos para governar. De facto um Novo Rumo só é possível com um novo género de governo. E será na formação de um novo género de governo que António José Seguro passará a sua prova de fogo. Quanto ao programa muito já foi avançado hoje no congresso do PS.
sábado, 27 de abril de 2013
Consenso e dissenso
Hoje, no Cabo Submarino, afirmo que mais vale um dissenso político do que um consenso à volta de erros técnicos. É mesmo saudável deixar uma parte da representação do País com as mãos livres desses «desenhos» que se estão a revelar mal feitos. Para melhor negociar futuros consensos. Se necessário.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Bem representado por Elisa Ferreira
Também me senti bem representado no Parlamento Europeu onde Elisa Ferreira não se acanhou diante do comissário Olly Rehn e deu-lhe uma rabecada em português e em inglês por este ter tirado os auscultadores da interpretação simultânea quando ela o responsbilizava directamente pela persistência na via austeriana e nos seus resultados negativos.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
O excelente discurso de Alberto Costa
O discurso de Cavaco Silva não nos pode fazer esquecer a excelente intervenção de Alberto Costa neste 25 de Abril. Uma maneira política de ver o passado que leva a uma forma culta e clara de denunciar os perigos do futuro, em Portugal e na Europa. Sem citações mas com pensamento próprio e apropriado. Justa a referência a António Marques Júnior, tenente de Abril.
Um mau discurso de Cavaco Silva
Foi péssimo politicamente o discurso de Cavaco Silva e não contribui em nada para o objectivo do «consenso». Dividiu em vez de unir.De salientar ainda uma frase muito escondida sobre a eventualidade de alteração das datas eleitorais...
Kant, Jaspers, Habermas...
Comecei a ver há minutos as comemorações na AR e já ouvi citar Shakespeare, Kant, Jaspers, Habermas, entre outros. Não é por falta de erudição que estamos onde estamos...
O dia do regime
Trinta e nove anos depois o dia 25 de Abril subsiste como o dia do regime democrático.Até este governo, que ousou banir o 5 de Outubro dos feriados nacionais obrigatórios, manteve-o. E não deve ter sido por convicção...
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Ontem no CMTV
Ontem às 22h no canal 8 do MEO debateu-se o grau de intervencionisno governamental nas indicações quantitativas dadas à CGD para conceder crédito nos anos de 2013 e 2014. A mim pareceu-me demais a precisão feita pelo ministro Santos Pereira sobre os mil milhões e os dois mil e quinhentos milhões. Ou a concretização destinava-se a mostrar músculo em relação ao ministro Vítor Gaspar ?!
Testemunhos de fraqueza política II
Afinal a fraqueza política de Durão Barroso ainda é maior e mais grave do que imaginava. Após um porta-voz do partido de Merkel se ter declarado «profundamente irritado» com as declarações do presidente da Comissão abaixo mencionadas, este veio esclarecer o que efectivamente terá dito, e que não foi nada daquilo que a imprensa internacional tinha reportado em primeira mão como sendo um aviso de Barroso aos limites da austeridade. Ainda não se sabe se a «irritação» do porta-voz da CDU já passou...
terça-feira, 23 de abril de 2013
Testemunhos da fraqueza política
Ontem o presidente da Comissão Europeia declarou que a austeridade está no limite. O Presidente da República Portuguesa também já o disse antes várias vezes sem qualquer consequência nas políticas praticadas. Estamos assim perante meros testemunhos da fraqueza dos titulares desses cargos.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
O governo desfaz-se
O governo de Passos desfaz-se por dentro e por fora. Este fim-de-semana foi por dentro: dois secretários de Estado ligados a péssima gestão de «derivados financeiros» no Metro foram à vida. No total este governo já mudou 14 «ajudantes». É obra. Mesmo em Belém não devem achar isto normal.
sábado, 20 de abril de 2013
Cabo Submarino
Hoje no Cabo Submarino analiso o trajecto do CDS para se tornar um partido de produtores contra o PSD que se tornou na correia de transmissão da troika desorientada em Portugal. A luta será feroz no interior da coligação.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
O regime da carta
Desde que se percebeu que a troika não leva a carta a Garcia que chovem cartas políticas. A última é esta de Passos Coelho endereçada improtocolarmente ao «Senhor drº António José Seguro» a convidá-lo para um encontro com menos de 24 horas de antecedência. A «ordem de trabalhos» parece-se com a agenda da próxima campanha eleitoral ...
Uma pergunta tipo forúm
O facto de Margaret Thatcher ter vivido os seus últimos anos, doente, no hotel Ritz em Londres não despertou em ninguém aquela pergunta tipo fórum:
-« Quem lhe pagava a diária?».
A Segurança Social, que ela tanto combateu, não deve ter sido. Talvez uns fundos do partido. Talvez algum admirador abonado.Talvez a gerência do hotel.
Claro, esta questão não está na ordem do dia.Ah, se fosse um ex-primeiro-ministro português!
-« Quem lhe pagava a diária?».
A Segurança Social, que ela tanto combateu, não deve ter sido. Talvez uns fundos do partido. Talvez algum admirador abonado.Talvez a gerência do hotel.
Claro, esta questão não está na ordem do dia.Ah, se fosse um ex-primeiro-ministro português!
No canal 8 do MEO
Esta noite, como todas as terça-feiras às 22h, estive na CMTV a comentar a agenda do dia. O atentado de Boston ocupou grande parte do debate com Ângelo Correia. A hipótese «doméstica» foi posta sobre a mesa. Mas essa hipótese alberga inúmeras incógnitas. Não seremos os primeiros a saber o suficiente nesta matéria.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Uma noite com Boston
Estava a seguir o Benfica-Paços de Ferreira quando li uma legenda na Sport-TVsobre «explosões na maratona de Boston». Percorri várias estações, e as primeiras imagens do acontecimento foram transmitidas em Portugal, que eu visse, pela SIC-N no início do seu programa desportivo «Prolongamento».
Depois fiz «zaping» entre os canais estrangeiros.
Por vários motivos Boston é a minha cidade norte-americana preferida. Mais uma razão para condenar «as explosões», «as bombas», «os potentes engenhos», «os actos de terror», «os ataques terroristas», como foram sendo chamados os acontecimentos do dia feriado em Boston. Esta noite não se saberá mais nada de concreto sobre como devem ficar conhecidos aqueles actos. Mas pode-se já condená-los.
Depois fiz «zaping» entre os canais estrangeiros.
Por vários motivos Boston é a minha cidade norte-americana preferida. Mais uma razão para condenar «as explosões», «as bombas», «os potentes engenhos», «os actos de terror», «os ataques terroristas», como foram sendo chamados os acontecimentos do dia feriado em Boston. Esta noite não se saberá mais nada de concreto sobre como devem ficar conhecidos aqueles actos. Mas pode-se já condená-los.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Prioridades..
Há dias o governador do BdP alertou o sistema financeiro em Portugal para ter cuidado com a proveniência do «dinheiro» que procura os nossos bancos e os nossos títulos. Deve ser um indicador positivo sobre o « bom capital » que estará a entrar na nossa economia...
sábado, 13 de abril de 2013
Cabo Submarino
O governo está prisioneiro de Vítor Gaspar e mais dependente de Cavaco Silva. A remodelação governamental no sector ocupado pelo PSD só revela embaraço.Paulo Portas nem apareceu.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Beneficiar o infractor
Uma sondagem a publicar amanhã revela uma queda aparatosa dos partidos da coligação governamental. O PS já irá em 36% de intenções de voto e o PC e o BE somam 20%. Mas há quem tire a seguinte conclusão: como o CDS baixa o PS não tem condições para ser governo! O melhor é aguentar este governo em que os partidos da coligação caem punemente...Mas durante quanto tempo acham que a situação é suportável?
Portas fala do Ecofin
Paulo Portas ainda não se referiu à substituição de Miguel Relvas no governo. Preferiu fazer de conta que estava em Dublin a negociar os prazos de extensão das maturidades dos títulos portugueses e irlandeses. Quem sabe se ainda não virá anunciar que o prazo concedido no Ecofin será maior do que os sete anos propostos por uma equipa de negociação júnior a mando do FEEF, do MEEF, do BCE, e da CE ? Caso a presidência irlandesa consiga uns nove anos de moratória dos 15 requeridos...
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Governo parado
Como disse 3ª feira à noite na CMTV nada se sabe das propostas que o governo leva a Dublin esta sexta. Nem as derivadas da adaptação às rubricas do OE chumbadas, nem as associadas à extensão das maturidades dos empréstimos contraídos nas instâncias europeias no âmbito do resgate estimada entre 15 e 7anos por fontes irlandesas. Pode ser uma táctica mas inclino-me para que seja o resultado de uma incapacidade. O governo está parado no seu inverno.
terça-feira, 9 de abril de 2013
O Provedor de Justiça
Não concordando com todas as posições de Alfredo José de Sousa, é preciso reconhecer que tem feito o lugar. Prometeu ser persistente e impulsionador. Cumpre.
Provedor de Justiça quer conhecer consequências da inspeção à rede do metro de Lisboa
Provedor de Justiça: Cortes nos rendimentos dos reformados «brutais»
Provedor de Justiça recomenda ao Parlamento clarificação sobre lei dos mandatos
Gente acidental
O desfile de patetas que falam «em nome da Europa» tem aumentado. Sem mandato, ou com mandato mas sem ideias,todos sem qualquer visão do futuro em conjunto, serão certamente os coveiros da solidariedade europeia a breve prazo. Ainda por cima temos um governo sem gravidade nem autoridade que só agrava a nossa posição perante este desaforo. Tendo a concordar com o conhecido sociólogo da Universidade de Munique, Ulrich Beck, quando este afirma que a Alemanha criou este império sobre a Europa acidentalmente, « sem plano algum». Quem nos ajuda a sair deste «acidente» e a introduzir de novo alguma racionalidade nos objectivos da UE?
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Da Necessidade de um Plano para a Nação
Faz por estes dias 40 anos que enviei uma «tese» para o III Congresso de Aveiro intitulada «Da Necessidade de um Plano para a Nação». Nela chamava a atenção para o papel que as Forças Armadas podiam ter no derrube da ditadura e apontava como metas descolonizar, democratizar, socializar e desenvolver «que se deviam alcançar simultâneamente». Um ano antes do 25 de Abril essa tese não teve muitos adeptos- que a alternativa também tem a sua dogmática!-, mas é um gosto lê-la ainda hoje nas edições Seara Nova de 1974, e vê-la citada em tantas obras actuais sobre o período.Estamos é mesmo a precisar de um novo plano para a Nação...
domingo, 7 de abril de 2013
O conforto do Presidente
Menos de 24h depois do acórdão do Tribunal Constitucional Passos Coelho foi a Belém pedir conforto a Cavaco Silva. Este declarou, compassivo, que o governo tem condições para continuar. Segue-se a intermédia remodelação do Executivo. Passos Coelho fica cada vez mais dependente do PR de quem nunca gostou e que pretendeu anular por várias vezes. Até quando?
sábado, 6 de abril de 2013
Tempo de vésperas
Hoje no Correio da Manhã analiso o recuo do governo quanto à sua demissão caso o Tribunal Constitucional fizesse o que fez. Passos Coelho gostaria de ser «chefe» de um regime governamentalista sem interferências das competências da AR, do PR e do TC. Por isso procura antídotos domésticos para anular a acção de quem pode garantir a separação de poderes. Mas a desagregação é o que espera este governo.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O Estado Fiscal
Vou dedicar umas horas a ler por alto o acórdão do TC. Para já fiquei impressionado com a salvaguarda integral da estratégia fiscal do governo, e portanto do lado europeu da troika. O CDS retórico não se fica a rir. Para mudar tal estratégia agora só mudando de governo. E ainda assim. Só se pagam dívidas com receitas. O défice é mais flexível...
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Demissão, remodelação, desagregação
Recebo um telefonema «Vê a televisão. O Miguel Relvas demitiu-se»
Vejo e ouço. Miguel Relvas limpa o campo para Passos Coelho poder remodelar o governo. Mas o processo não vai parar aí. Seguir-se-á a desagregação do governo e fim da maioria. Que as instituiçoes funcionem, e que ninguém se esconda.
Vejo e ouço. Miguel Relvas limpa o campo para Passos Coelho poder remodelar o governo. Mas o processo não vai parar aí. Seguir-se-á a desagregação do governo e fim da maioria. Que as instituiçoes funcionem, e que ninguém se esconda.
Organizar internamente a renegociação externa
Em vez do alarido estúpido sobre «falta de alternativas» algum órgão do Estado devia começar a organizar a estratégia, os objectivos e as propostas de renegociação do «resgate». Por exemplo, a exigência de reembolso dos lucros obtidos pelo BCE com as operações de compra de dívida soberana. Até aqui o BCE já teria lucrado mais de 4 mil milhões de euros com essas vendas no «mercado secundário» de títulos da dívida portuguesa! Essa proposta foi ontem tornada pública pelo PS . Alguém que tome nota. Para que tudo se não resuma a discursos.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Um excerto da moção de censura do PS
Ontem tive a ocasião de frisar na CMTV, perante Ângelo Correia, este trecho da moção de censura que se discute hoje na AR.
« Há um novo consenso político e social em Portugal. Só um novo governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional, renegociar ( ao nível europeu ) uma estratégia credível de ajustamento e proceder ao relanceamento sustentável da nossa economia»
Estou deveras interessado em perceber que política de alianças se irá deduzir deste «novo consenso nacional».
« Há um novo consenso político e social em Portugal. Só um novo governo, democraticamente legitimado, com forte apoio popular, estará em condições de interpretar e protagonizar o novo consenso nacional, renegociar ( ao nível europeu ) uma estratégia credível de ajustamento e proceder ao relanceamento sustentável da nossa economia»
Estou deveras interessado em perceber que política de alianças se irá deduzir deste «novo consenso nacional».
terça-feira, 2 de abril de 2013
No canal 8 do MEO
Regresso esta noite à televisão ao abrigo de um convite da direcção do CMTV, no canal 8 do MEO, às 22h. Por enquanto ainda não é exigida a carteira profissional de comentador...
A lista de candidatos a Presidente da República
Ontem, Pedro Santana Lopes, no seu novo programa no CMTV, acrescentou o nome de Paulo Portas à extensa lista de candidatos ao próximo mandato a PR. Pasmo com tanto engodo por um cargo afeiçoado à paciência e ao silêncio, quando Portugal do que verdadeiramente precisa urgentemente é de governantes laboriosos e um bocadinho acima da média...
O chefe do governo...
Esta noite na televisão ouço Passos Coelho referir-se a si próprio como «chefe do governo», uma figura que não existe no nosso regime constitucional. O que existe é a figura do «primeiro-ministro» que substituiu a de «presidente do Conselho» que o regime anterior afagava com idolatria. Quando se muda, retoricamente. o nome de um cargo tão central não admira que se cometam muitos erros constitucionais...
domingo, 31 de março de 2013
Horas velhas e horas novas
Há pelo menos sessenta anos, sempre que havia mudança de hora em S. Miguel, estabelecia-se uma diferença automática entre horas velhas e horas novas. As «horas velhas» mantinham-se nas freguesias rurais, cujas actividades continuavam a ser pautadas pelo toque do sino das trindades que garantia o labor agrícola de «sol a sol», mesmo sem troika. Já as «horas novas», ou «hora de verão», vigoravam oficialmente na vida urbana, no liceu, no horário de trabalho na cidade, nos transportes e nos espectáculos. Criança, fiquei logo adepto das horas novas, que ainda por cima poupariam energia . Adulto, retomo à minha maneira, sempre que muda a hora, aquele verso de Ruy Belo «Espero pelo verão como por uma nova vida». Embora hoje a chuva não tenha permitido celebrar a mudança. Talvez amanhã ao fim da tarde.
sexta-feira, 29 de março de 2013
O cerne da questão
O PS apresentou a sua moção de censura ao governo e no texto declara que «Portugal precisa de um novo governo e de uma nova política.» Este é o cerne da questão. O resto são distracções.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Falta de sentido nacional
Todos viram pelas televisões os prejuízos causados pelos temporais nas ilhas dos Açores. O governo regional estimou em cerca de 38 milhões de euros os danos causados pelos elementos em fúria. O executivo de Passos Coelho deliberou só canalizar recursos para as autarquias que irão a votos em Outubro, como se os prejuízos causados não tivessem afectado em cerca de 90% áreas de competência do governo açoriano.Gente pequenina essa que está perdida na vastidão do Terreiro do Paço.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Marina Costa Lobo
Agora que se fala tanto de personalidades e comentadores,e esta noite se tratou tanto do passado, a minha atenção foi para uma fina análise de Marina Costa Lobo sobre a evolução do regime post-partidário em Portugal assente na televisão. Independentemente da chegada de José Sócrates à RTP, Portugal é o pais em que a procissão já saiu do adro e se dirige não se sabe bem para onde. As instituições estão a contar menos.
As Armas de Papel
Dei hoje um grande passeio pelo Chiado. Fui parar, é claro, às livrarias. Sopesei as «novidades», e comprei o livro do Pacheco Pereira As Armas de Papel. Esta obra de Pacheco Pereira é notável. Trata-se de um monumento à investigação cultural individual, pois o objecto da investigação tinha tudo para dar aso a não-sei-quantos projectos tipo FCT. Mas não. Como o autor explica:
«O projecto nasceu fora da universidade, continuou fora da universidade e vai acabar fora da universidade, mas vai para a frente enquanto puder.É um trabalho individual, com recursos próprios como agora se diz,«sem apoios».
É um imenso, utilíssimo, e inteligente trabalho de recolha, sistematização e enquadramente de publicações clandestinas e do exílio ligadas a movimentos radicais de esquerda cultural e política, entre 1963 e 1974. São 600 páginas para adultos.
«O projecto nasceu fora da universidade, continuou fora da universidade e vai acabar fora da universidade, mas vai para a frente enquanto puder.É um trabalho individual, com recursos próprios como agora se diz,«sem apoios».
É um imenso, utilíssimo, e inteligente trabalho de recolha, sistematização e enquadramente de publicações clandestinas e do exílio ligadas a movimentos radicais de esquerda cultural e política, entre 1963 e 1974. São 600 páginas para adultos.
terça-feira, 26 de março de 2013
In Memoriam de Jean-Claude Favez ( 1938- 2013 )
Recebi hoje, vinda da Suíça, a notícia do falecimento do meu antigo Professor e Reitor da Université de Genève, Jean-Claude Favez. Chorei. Foi nas suas extraordinárias e vibrantes aulas que me formei na mentalidade intelectual que a disciplina da História Contemporânea requer muito exigentemente. Fiquei seu aluno por opção até ao fim da licenciatura. Foi o meu orientador do «Mémoire de Licence», fui seu assistente, entusiasmou-me a prosseguir os estudos para o doutoramento,e proporcionou-me as condições para o efeito, que interrompi depois de 25 de Abril de 1974.Mantive com ele uma relação de amizade e respeito pela vida fora.A Universidade com ele era outra coisa.Tenho comigo grande parte da sua obra de investigador e historiador. Quando digo que devo muita da minha formação académica e pessoal à cidade de Genève estou a dizer que devo muito a Jean-Claude Favez. Uma luz que se apaga, mas uma referência que fica
Literatura económica
Sempre gostei de ler literatura económica. Lembro-me dos boletins da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada nos anos sessenta, dos relatórios anuais em papel do Banco de Portugal tão bem encadernados e comedidos nas suas análises, de alguns clássicos da economia política mundial em que me deixava seguir pelos caminhos do método dedutivo e das teorias escassas.
Hoje as necessidades são outras.Procuro muitas outras análises, procuro nomes em que tenha confiança: leio os Ladrões de Bicicletas, leio o Luis Filipe Salgado Matos, leio o Pedro Laíns, e alguns outros na blogosfera. Como o website http://www.peprobe.com/ que me dá notícias há um ano
Hoje as necessidades são outras.Procuro muitas outras análises, procuro nomes em que tenha confiança: leio os Ladrões de Bicicletas, leio o Luis Filipe Salgado Matos, leio o Pedro Laíns, e alguns outros na blogosfera. Como o website http://www.peprobe.com/ que me dá notícias há um ano
segunda-feira, 25 de março de 2013
O governo no mercado político
O PS vai apresentar uma moção de censura, e até alertou as chancelarias para o efeito. Membros da comissão política do CDS pedem em plena praça Adelino Amaro da Costa a remodelação do governo. Tudo indica que o TC vai declarar inconstitucional as medidas orçamentais especiais para pensionistas e reformados. O representante do FMI chama de novo a atenção para a impotência do executivo quanto à necessária diminuição das «rendas excessivas» na energia e nas PPP. O «desenho» do memorando começa a confundir Passos Coelho e Vítor Gaspar, seus incansáveis copiadores. Como previ em Novembro: este governo já não apresenta a proposta orçamental para 2014. É uma diferença de análise que mantenho com Marcelo Rebelo de Sousa.
sábado, 23 de março de 2013
Cartão amarelo
Tenho vindo a observar uma queda na qualidade de liderança de Paulo Bento na selecção, o que se reflecte numa baixa ainda maior do empenhamento e discernimento de muitos jogadores durante os jogos. Ontem, o capitão Ronaldo, que terá rivalizado em popularidade em Israel com Obama segundo a imprensa desportiva do coração!, sofreu um cartão amarelo infantil ainda Portugal perdia a partida, e assim não poderá jogar terça-feira com o Azerbeijão. Não vejo porque fica na comitiva. O que tem ele de positivo para transmitir nessa ociosidade?
sexta-feira, 22 de março de 2013
Debates e comentários
Não aprecio José Sócrates politicamente. Não sou néscio ao ponto de não perceber o que significa a televisão pública oferecer um programa de comentário livre a qualquer personalidade pública ao domingo à noite em canal aberto. A história da perversão do regime passará pela descoberta dos mecanismos desses favores que já beneficiaram mais do que um candidato a primeiro-ministro e a presidente da República, ou tão só ao politicamente indolor. Mas vamos lá a ter calma. Deixem o homem falar.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Um desastre para todos
A Assembleia da República preferiu entregar aos tribunais a interpretação da lei sobre o limite dos mandatos autárquicos. Foi um acto de oportunismo e de cobardia política que há-de manchar ainda mais esta desgraçada legislatura, não por falta de soberania externa mas pela abdicação voluntária da soberania interna. Uma época de «fracos-espertos». Uma desligitimação de todos. A «procissão» dos recursos só irá agravar este triste espectáculo. Só assistir a isto custa muito.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Nas ilhas fia mais fino
Quem diria que seria num Estado-Ilha da Europa que o unilateralismo da Troika seria desautorizado pela primeira vez por um parlamento nacional? Mas se a História explicar mais do que a Economia percebe-se melhor porque tal aconteceu em Chipre. O avião inglês com os meios financeiros a bordo para garantir a integridade dos depósitos bancários de salários e pensões para os seus funcionários das bases militares cipriotas deve fazer pensar muita gente no continente europeu. Por enquanto a negociação continua.Mas a contestação aos mandantes da troika vai aumentar. Mesmo que seja ao nível eufemístico do «desenho» do «memorando»...
terça-feira, 19 de março de 2013
Quem ficará com os euros ?
Aumentar impostos requer um procedimento prévio democrático-parlamentar que julgaríamos assegurado em qualquer parte da UE. As taxas financeiras em Chipre podem oscilar para cima e para baixo, às vezes conforme «os mercados», outras vezes não. O que a «zona euro» não pode fazer é dar a entender que se houver saídas da moeda «única» uns ficarão com os euros e outros não, sem prazos de transição e de um momento para o outro ao fim-de semana- ou num dia feriado que ainda haja para o efeito. Isso é que será uma guerra civil europeia.A primeira.
domingo, 17 de março de 2013
Crónicas de Anos de Chumbo
Agora que Chipre encontrou a sua via cruxi - mesmo assim sem mexer nas pensões, seguindo o exemplo espanhol - temos mais uma razão para aguardar com a maior expectativa e esperança o livro das Edições 70 que o Professor Paz Ferreira lança esta terça-feira dia 19 na reitoria da Universidade de Lisboa pelas 18h e 30, intitulado
Crónicas de Anos de Chumbo. Eduardo Paz Ferreira tem vindo a revelar-se neste período como um dos universitários mais anti-dogmáticos e críticos dos remédios para as finanças públicas europeias propostas pela troika. Foi dele que partíu a libertadora ideia de patrocinar uma série de conferências subordinada ao tema
Vamos avaliar a Troika.
O livro terá a apresentação do Reitor Sampaio da Nóvoa, e uma intervenção rara mas necessária do General Ramalho Eanes. Os três juntos representam o espírito de realismo libertador de que a sociedade portuguesa está cada vez mais carente.
Crónicas de Anos de Chumbo. Eduardo Paz Ferreira tem vindo a revelar-se neste período como um dos universitários mais anti-dogmáticos e críticos dos remédios para as finanças públicas europeias propostas pela troika. Foi dele que partíu a libertadora ideia de patrocinar uma série de conferências subordinada ao tema
Vamos avaliar a Troika.
O livro terá a apresentação do Reitor Sampaio da Nóvoa, e uma intervenção rara mas necessária do General Ramalho Eanes. Os três juntos representam o espírito de realismo libertador de que a sociedade portuguesa está cada vez mais carente.
sexta-feira, 15 de março de 2013
O sexo dos calendários europeus
Jacques Delors inventou o método do calendário para fazer avançar o mercado interno entre 1985 e 1992. Deu algum resultado, embora já alterado pelo Tratado de Maastricht. A partir daí qualquer meta passou a ser acompanhada pelo arbítrio de um calendário qualquer. Por exemplo: a meta dos 3% nos défices orçamentais foi anunciada desde 1998 com um rigor só comparável à sua constante dilação desde o início do século. Todos os anos debate-se com afinco a nova data. Assim chegamos a 2015. Ainda há quem pense que é um problema de constituição!
quinta-feira, 14 de março de 2013
As maratonas do Parlamento Europeu
Leio a notícia de que o deputado grego vice-presidente do Parlamento Europeu teve um ataque de coração quando presidia a uma maratona de votações. Lembro-me bem dessa metodologia em Estrasburgo. «No meu tempo» era a quinta-feira o dia dedicado ao pacote e nunca se sabia ao certo quantas horas demoraria, caso houvesse guerra de procedimentos. Embora no PE quem dirige essas sessões esteja assessorado por um corpo de funcionários - e não só pelos deputados secretários- o certo é que o máximo de atenção é exigido ao presidente. E inevitavelmente lembrei-me de um comentário recorrente do meu vizinho de bancada- o canarino professor de direito constitucional Medina y Ortega, que me repetia vezes sem conta nessas ocasiões «José- todo o esforço inútil tende para a melancolia!»
O deputado grego foi vítima de algo bem mais grave e objectivo.
O deputado grego foi vítima de algo bem mais grave e objectivo.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Tantos sinais
Não me quero antecipar ao que dirão os «vaticanistas», nem pretendo ser mais do que um fragmentado estudioso de teologia protestante na minha Universidade-Mãe-,a de Genève, mas sempre fui um observador político que não aprecia o «ruído comunicacional» quando este é puro vazio. Mas este bispo de Buenos-Aires, agora bispo de Roma, distribuiu sinais de sobra em directo para o mundo em 10 minutos. A começar pela ressurreição do povo como sede da benção silenciosa suscitada por FranciscoI.E a saudação delicada à «bela cidade de Roma.»
E vou agora ler o oportuno poema de Jorge-Luis Borges sobre a sua vivência de Buenos.Aires- pulicado hoje por Francisco José Viegas no seu blogue A Origem das Espécies.
E vou agora ler o oportuno poema de Jorge-Luis Borges sobre a sua vivência de Buenos.Aires- pulicado hoje por Francisco José Viegas no seu blogue A Origem das Espécies.
terça-feira, 12 de março de 2013
O Estranho Dever do Cepticismo
Mário Mesquita lança amanhã o seu livro O Estranho Dever do Cepticismo, uma edição Tinta da-China.
O título é bem dele e define-o no seu aspecto de homem que pensa criticamente tudo. Poderia ter escolhido um percurso de intelectual- ou de pedagogo- mas viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir. Mário Mesquita ficou precocemente configurado ao seu papel de notável fazedor de jornais e de pensador de referência do poder dos média, que designou de « Quarto Equívoco», numa das suas obras mais citadas.
Talvez por ter entendido que eu próprio terei ficado também desde a juventude preso a uma imagem de «político», o meu Amigo Mário Mesquita gosta de recordar alguns conselhos que dei aos «happy few» das tertúlias dos cafés atlânticos, e na generosa dedicatória que me faz neste livro recorda ter-lhe sugerido o padre Manuel Bernardes como leitura para uma língua de lei.
O livro que é lançado amanhã por um alexandrino como Eduardo Paz Ferreira tem ainda o prefácio literário de Lídia Jorge.
No Corte-Inglês em Lisboa às 18e30.
O título é bem dele e define-o no seu aspecto de homem que pensa criticamente tudo. Poderia ter escolhido um percurso de intelectual- ou de pedagogo- mas viu-se envolvido desde cedo no compromisso com a luta tenazmente filosófica pela liberdade dos outros e de si próprio num país velhacamente descrente de tudo que o faça progredir. Mário Mesquita ficou precocemente configurado ao seu papel de notável fazedor de jornais e de pensador de referência do poder dos média, que designou de « Quarto Equívoco», numa das suas obras mais citadas.
Talvez por ter entendido que eu próprio terei ficado também desde a juventude preso a uma imagem de «político», o meu Amigo Mário Mesquita gosta de recordar alguns conselhos que dei aos «happy few» das tertúlias dos cafés atlânticos, e na generosa dedicatória que me faz neste livro recorda ter-lhe sugerido o padre Manuel Bernardes como leitura para uma língua de lei.
O livro que é lançado amanhã por um alexandrino como Eduardo Paz Ferreira tem ainda o prefácio literário de Lídia Jorge.
No Corte-Inglês em Lisboa às 18e30.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Que fazer com estas manifestações?
Mais um desfilar de gente nas ruas de Portugal. O povo apresenta-se cada vez mais de corpo inteiro a pedir aos seus representantes que o defendam. Pedem a demissão deste governo e esta acontecerá mais cedo ou mais tarde. Entretanto o governo pode, se quiser, aproveitar a força destas manifestações para convencer o FMI, a Comissão Europeia e o BCE, que está na hora de uma renegociação do «Memorando de Entendimento». Ao mesmo tempo deve tentar estender o perfil do serviço da dívida no tempo. Se conseguir isso, quando cair não haverá só ruínas como agora.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Filhos de amigos que emigram
Por coincidência encontro no espaço de 24 horas três amigos aqui perto de casa. Todos referem que os filhos únicos, nos trintas, emigraram: um para França, outro para Inglaterra, a mais recente para a Noruega. Todos «well educated». A « ordem para emigrar» continua no dia-a-dia. Saberá a troika avaliar esse efeito das suas medidas? Quererá ao menos saber?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O criador e a criatura
A AR, ou a maioria que manda, não quer «clarificar» a lei sobre a limitação de mandatos autárquicos. Prefere que a criatura ande por aí confusa e autónoma da vontade do legislador, entregue aos tribunais. É uma confissão de irresponsabilidade e de comodismo que não a prestigia.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
A Itália está mais ingovernável?
Acompanho com interesse a vida política da República Italiana há pelo menos 50 anos. Por isso não concordo com o ponto de vista «europeu» sobre a «ingovernabilidade» da Itália depois destas eleições. Não será mais difícil do que anteriormente encontrar uma maioria que governe a partir de Roma. Desde que não haja uma lista de proscritos editada a norte.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Monti no mercado eleitoral
Ainda não é possível medir todo o alcance dos resultados eleitorais em curso na Itália. Mas uma coisa é certa: Monti impressiona muito os mercados, menos o eleitoral. Como muitos que se refugiam no condomínio da finança não se revelou um homem capaz de reunir os meios da sua política. Se não for útil como aliado de Bersani não servirá para nada em Itália nos próximos tempos.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
As segundas câmaras
Portugal é dos poucos países cujo regime democrático não tem uma segunda câmara. Os constituintes assim o quiseram em 1976 e nunca mais se falou disso. Antes pelo contrário. Quem por vezes faz de segunda câmara é o PR com os vetos, os pedidos de fiscalização, as mensagens sobre diplomas endereçadas à AR. Depois temos o Tribunal Constitucional a ser empurrado para essa função, como na momentosa questão da interpretação da lei sobre os mandatos autárquicos. Mas o momento máximo desse papel de «segunda leitura» chegou com os poderes do revisor de texto da Imprensa Nacional! O de e o da do nosso descontentamento. Um «must» burocrático no nosso processo legislativo. Claro que ninguém quer pensar no assunto. Fica para a próxima constituição.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Atenção à península
A Península oscila, e está em desassossego como nunca esteve depois das «transições» para a democracia . Mas enquanto nos anos setenta a evolução política fez-se separadamente no tempo e nos processos, actualmente a crise é simultânea. O que se canta em Lisboa é entoado umas notas acima em Madrid, onde se fala cada vez mais de «regeneração» do regime democrático. Ora uma agitação geral na Península sem solução política pode reconfigurar a União Europeia. Convém olhar para a casa do vizinho.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
A pedido de várias famílias, mas de uma em particular
Ontem, num debate na RTP i, Luís Menezes disse que a frase "Je désapprouve ce que vous dites, mais je défendrai à la mort votre droit à le dire” é de Voltaire. Embora se tratasse de um assunto claramente marginal num debate sobre a gravíssima situação do país e dos portugueses, respondi que a autoria estava errada. LM, em pleno debate, decidiu aceder ao google, e concluiu que era mesmo de Voltaire, acrescentando qualquer coisa como "ao menos nisso tinha razão". Não tinha, como podem ver aqui, aqui e aqui. Certo é, para meu espanto, hoje tinha vários mails de mui ilustres pessoas do PSD teimando que eu não tinha razão neste ponto, como se fosse isso que interessasse. Já lhes respondi pessoalmente, mas como parece que este assunto cafeína muito as sinapses dos austeritaristas, fica o esclarecimento público.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Ontem, dia de aniversário
Fiz ontem 71 anos. Com a ajuda de jornais que publicam essas efemérides recebi muitos votos amigos, inclusive pelo facebook, que manejo parcimoniosamente e sem ter em conta todas as valências. Aprendi aos setenta que cada ano conta. Obrigado a todos os que perceberam isso.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Mário Soares enquanto MNE
Manuela Franco, a directora do Instituto Diplomático, teve a ideia de por antigos ministros dos Negócios Estrangeiros a falar de outros antigos ministros dessa importante pasta, e convidou-me para uma conferência sobre Mário Soares enquanto MNE dos três primeiros governos provisórios.
A tarefa era delicada mas aliciante. Conheci Mário Soares há 50 anos quando era dirigente estudantil, fui seu companheiro nas listas da Oposição Democrática em 1965 quando defendemos-dez anos antes dessa evidência nacional- que a guerra não era solução para a questão colonial, mais tarde encontrámo-nos no mesmo lado da barricada na génese do regime democrático-pluralista, e fui inclusive MNE do I Governo Constitucional presidido por ele. Depois afastámo-nos, e até nos degladiámos entre 1979 e 1986. Com a segunda volta das presidenciais em 1986 iniciamos um caminho de reaproximação livre que se consolidou nos anos noventa e dura até agora.
Com tudo isso em mente aceitei o desafio e ontem, perante uma audiência «gourmet», no dizer da directora do Instituto, lá estive a falar dos nove meses de Ministro dos Estrangeiros de Mário Soares entre Maio de 1974 e Março de 1975. Gostei.
A tarefa era delicada mas aliciante. Conheci Mário Soares há 50 anos quando era dirigente estudantil, fui seu companheiro nas listas da Oposição Democrática em 1965 quando defendemos-dez anos antes dessa evidência nacional- que a guerra não era solução para a questão colonial, mais tarde encontrámo-nos no mesmo lado da barricada na génese do regime democrático-pluralista, e fui inclusive MNE do I Governo Constitucional presidido por ele. Depois afastámo-nos, e até nos degladiámos entre 1979 e 1986. Com a segunda volta das presidenciais em 1986 iniciamos um caminho de reaproximação livre que se consolidou nos anos noventa e dura até agora.
Com tudo isso em mente aceitei o desafio e ontem, perante uma audiência «gourmet», no dizer da directora do Instituto, lá estive a falar dos nove meses de Ministro dos Estrangeiros de Mário Soares entre Maio de 1974 e Março de 1975. Gostei.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Carta à troika
Andou bem António José Seguro em ter escrito uma carta à troika antes da 7ª vinda a Portugal da sobejamente conhecida delegação técnica que abanca com estrondo em Lisboa perante a passividade negocial do executivo de Passos Coelho. Com efeito, tem de se elevar o nível da avaliação do «Memorando de Entendimento» do plano técnico para o plano político. Caso contrário, Agostinho da Silva volta a ter razão quando escreveu, em 1959, que Lisboa como sede de governo tem tido « o papel de impor o estrangeiro ao resto do País.»
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O SLB e o recomeço das competições europeias
Nos últimos anos é sempre a mesma história: com o recomeço das competições europeias o Benfica estremece nas competições nacionais. Claro que este ano houve o castigo simultâneo a Matic e Cardoso, mas que há qualquer coisa que atrapalha a segunda parte do campeonato lá isso há.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Cabo Submarino
Hoje no Correio da Manhã discorro sobre o gesto de Bento XVI. Com a sua resignação Ratzinger mostrou ao mundo o esplendor da condição humana. Recordei o filme de Nanni Moretti em que um recém-eleito Papa, interpretado por Michel Piccoli, desaparece do Vaticano e hesita em assumir o mandato pontifício. Muitas vezes a ficção apenas antecipa a realidade.
Renunciando à infalibilidade papal- um aspecto ainda não aflorado pelos vaticanistas- Ratzinger voltou a ser alguém que «não tem onde reclinar a cabeça». Como escreveu Eduardo Lourenço ontem no Público, a renúncia ao poder de Bento XVI «é a mais enigmática e crucial para o Ocidente.»
Renunciando à infalibilidade papal- um aspecto ainda não aflorado pelos vaticanistas- Ratzinger voltou a ser alguém que «não tem onde reclinar a cabeça». Como escreveu Eduardo Lourenço ontem no Público, a renúncia ao poder de Bento XVI «é a mais enigmática e crucial para o Ocidente.»
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Prova dos 9
Muitas pessoas amigas telefonam-me quando não apareço na Prova dos 9 da TVI-24. Devo assim esclarecer que deixei de participar naquele programa de debate político coordenado pela Constança Cunha e Sá que já foi à terça, depois à quarta e agora é à quinta. Gostei muito de ter participado num dos melhores espaços de debate plural na televisão, mas para mim tudo tem o seu tempo. Desejo sinceramente muitas felicidades ao programa que merece ter futuro, e daqui saúdo amigavelmente a Constança, o Fernando Rosas, o Francisco Assis e o Pedro Santana Lopes. Quanto a mim «vou andar por aí», mas em breve estarei noutro canal.Obrigado pela vossa atenção.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
O discurso de Obama
Mais uma boa intervenção de Obama neste início de segundo mandato. Disse com clareza que a redução drástica do défice orçamental não constitui por si só uma qualquer política económica. Mostrou-se favorável ao papel dos poderes públicos no relançamento da economia, defendeu o investimento na educação, especialmente na pré-primária, e no estímulo da inovação.Aos que davam por findo o ciclo europeu na política norte-americana surpreendeu com a proposta da negociação de um acordo comercial com a UE. Deste modo em 2016 pode haver dois tratados de livre-comércio ao mesmo tempo: o transpacífico e o transatlântico. A seguir.
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