sexta-feira, 26 de julho de 2013
O Reitor da Universidade de Lisboa
Estive presente ontem, como membro do Conselho Geral, na tomada de posse do primeiro Reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, saída de um bem conduzido processo de fusão entre a Clássica e a Tecnica, cujos pricipais protagonistas foram de facto António da Nóvoa e António Cruz Serra. Fiquei bem impressionado com o que assisti, e como estamos todos viciados em notícias negativas, é salutar ver a Universidade Portuguesa a querer contribuir para emendar o País e ajudar ao seu progresso.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Haverá um homem forte no governo?
Hoje foi dia de avaliação do governo remodelado. Contrariamente aos que olham para Paulo Portas como o governante que sai reforçado, eu só vejo um vencedor neste torneio político de verão: Passos Coelho. Ultrapassou a crise aberta pela demissão havida por apocalíptica de Vítor Gaspar, e substituiu-o por uma amiga de longa data; meteu na algibeira a demissão «irrevogável» de Portas; não se misturou nas conversações tripartidas cenariadas pelo PR, atitude que António José Seguro não explorou;pagou a dívida política contraída junto de Cavaco Silva com uma moção de confiança que apresentaria mais cedo ou mais tarde; acabou por ter o líder do CDS onde o quer: a responsabilizar-se pelas negociações com a troika sob o sorriso malandro do secretário Carlos Moedas, e a estar presente com carácter permanente no Conselho de Ministros. Aumentou este para 14 membros com a mesma ligeireza com que havia defendido um governo com 11 ministros. A haver um homem forte na maioria é Passos Coelho. Pode não durar muito, mas é assim.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Alfredo de Sousa, um protector dos cidadãos
Acompanhei razoavelmente o mandato de Alfredo de Sousa enquanto Provedor de Justiça, cargo que não foi renovado por esta maioria parlamentar que se sentiu ofendida pela liberdade de opinião noutras matérias do Juiz Conselheiro, sem que a oposição tenha reagido. Perde-se assim um real defensor dos cidadãos. Não nos podemos esquecer que Alfredo de Sousa pediu ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva de alguns artigos do Orçamento de Estado para 2013.E opinou, sem defender especificamente, que a haver eleições antecipadas elas deveriam realizar-se na altura das autárquicas.Foi punido pela intolerância desta coligação. Há quem prefira fazer de conta não perceber o que está em curso e manter a aparência do «business as usual»...
terça-feira, 23 de julho de 2013
A Grécia à frente de Portas no IVA da restauração
Um dos grandes debates nas negociações tripartidárias em Lisboa, foi a baixa, ou não, do «IVA da restauração»! O CDS, partido governamental, já se havia pronunciado com pompa sobre a descida do imposto. Mas foi o governo grego que tomou essa medida agora, e contra a Comissão Europeia, vejam lá. Há «protectorados» e «protectorados»...Fitas e fitas.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Quanto tempo demorará Passos Coelho a apresentar a moção?
Passos Coelho tornou-se o Tarzan desta selva política. Vejam como enche o peito. Apoiado pela Comissão Europeia- leia-se Barroso-, terá prometido a Cavaco Silva a apresentação de uma Moção de Confiança na AR, para ilibar este de proteccionismo partidário. Mas será que apresenta a moção antes do final desta sessão legislativa, ou arrasta os pés até Setembro? Muito gostaria de saber a previsão de Barradas de Oliveira...
domingo, 21 de julho de 2013
Garantias adicionais e Moção de Confiança
O PR dará posse ao governo remodelado, depois de ter recebido «garantias adicionais» da coligação - que se desconhecem- e de Passos Coelho se ter comprometido em apresentar uma Moção de Confiança na AR.Fica na berlinda o CDS. Cavaco Silva fica de novo na varanda de Pilatos.
sábado, 20 de julho de 2013
Uma comédia
É precisa muita paciência para assistir às notícias sobre o malogro das negociações interpartidárias promovidas pelo PR como se fosse uma «novidade».
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Na candidatura de António Costa a Lisboa
Gostei do discurso de candidatura de António Costa a presidente da CML, proferido num fim-de-tarde luminoso à beira-Tejo. Ele frisou, e muito bem, que governou em contraciclo a cidade de Lisboa:
«Foram quatro anos sempre em contraciclo.Reduzimos a dívida do município quando o endividamente do país aumentava, reforçámos o investimento quando tudo parava, demos prioridade à escola pública e aos apoios sociais contra o empobrecimento, baixámos os impostos quando todos aumentavam, estimulámos o emprego e apostámos nas empresas contra o desemprego e a recessão.»
Que tal um consenso sobre este modo de governar?
«Foram quatro anos sempre em contraciclo.Reduzimos a dívida do município quando o endividamente do país aumentava, reforçámos o investimento quando tudo parava, demos prioridade à escola pública e aos apoios sociais contra o empobrecimento, baixámos os impostos quando todos aumentavam, estimulámos o emprego e apostámos nas empresas contra o desemprego e a recessão.»
Que tal um consenso sobre este modo de governar?
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Um acordo para renegociar com os credores ?
Jorge Sampaio sintetizou muito bem o único ponto positivo que eventualmente podia sair destas conversas inter-partidárias de iniciativa presidencial: reforçar o poder negocial da República perante a troika e restantes credores. Mas este não será manifestamente o destino desta «ronda».
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Imaginem!
Sabem porque o «acordo» PSD-CDS-PS não será possível? Pois porque a RTP ouve «os críticos» do PS e estes não o querem.Está instalada a «divisão» no PS, concluem. no Telejornal das 20h. Tão simples, não acham? Os «críticos» no PSD e no CDS só serão chamados mais tarde.Quando efectivamente o «acordo» der no que terá de dar. À ordem, ou por ordem, logo se verá.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Ao ritmo das negociações
Este blogue segue agora ao ritmo estival das negociações. De todas as negociações, desde a oitava avaliação da troika que foi adiada dentro do melhor entendimento do que pode ser a «emergência nacional», até esta sobre o calendário eleitoral das legislativas a coberto da ideia de um governo de salvação nacional.Em política nem tudo o que parece, é. Também escusam de me procurar na CMTV ou no Correio da Manhã. Ando a preparar a minha «rentrée» e tenho convites diferentes dos habituais.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Que grande embrulhada!
A contagem para novas eleições foi retardada com os procedimentos anunciados pelo PR mas irá ser retomada. O governo já está em gestão. As culpas de tudo isto diluídas entre «os parceiros» Só teremos governo de salvação nacional mais para a frente. Ou para trás...
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Tudo menos o Conselho de Estado
O PR irá falar hoje ao país depois de ouvir «os parceiroa políticos e sociais», mas sem ter convocado o Conselho de Estado. Esta é a versão assimilada de «protectorado».
terça-feira, 9 de julho de 2013
Sobre a «Deslealdade Institucional»
Cavaco Silva deve passar esta noite a debater-se com o fantasma da deslealdade institucional. Fará caso dela? Cederá à insignificância institucional que querem transmitir de alguns centros de decisão externos ? Uma noite decisiva para a sua personalidade
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Muito teatro
Passei o fim-de-semana no festival internacional de teatro de Almada. Os encenadores e actores eram profissionais. Mas nada de desmerecer os amadores mesmo quando se ouve o «ponto»...
sábado, 6 de julho de 2013
Comissão Administrativa
Começou o pós-troika à maneira de Passos e Portas. Nenhum quer governar com o outro, mas arranjam «esquemas» negociais para se mostrarem «responsáveis» e para atirarem a batata escaldante para as mãos do PR, que por sua vez a atira para a AR. Como escrevo no Cabo Submarino: «Não se pode manter em funções um governo como se este fosse uma comissão administrativa. Esta grave crise revela a putrefação da maioria.»
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Festival Internacional de Teatro de Almada
Nem tudo são coisas mal-feitas em Portugal, como estas a que temos assistido nos últimos dias. Hoje começa em Almada um grande festival internacional de Teatro e que vai durar até ao dia18 de Julho espalhado por várias áreas desde a Escola D. António da Costa, Teatro Municipal de Almada, Teatro D. Luis, Dona Maria II, Culturgest, Maria Matos, Teatro da Politécnica, etc
Todos os anos tem sido uma festa da cultura. Este é o 30 festival. Este ano já não está connosco o seu fundador Joaquim Benite que será justamente homenageado. Mas Rodrigo Francisco, que nos habituamos a ver ao seu lado, reteve a inspiração e manteve o modo de produção de qualidade e diversidade.
Todos os anos tem sido uma festa da cultura. Este é o 30 festival. Este ano já não está connosco o seu fundador Joaquim Benite que será justamente homenageado. Mas Rodrigo Francisco, que nos habituamos a ver ao seu lado, reteve a inspiração e manteve o modo de produção de qualidade e diversidade.
Negociações póstumas
Quanto tempo o CDS subsistirá no governo sem Paulo Portas? E quanto tempo Passos Coelho irá reter o pedido de demissão do MNE?
Essas negociações póstumas entre o PSD e o CDS não dão força a ninguém.
Precisa-se de uma solução institucional clara e rápida. Os rodriguinhos tácticos pagam-se com juros. Altos.
Essas negociações póstumas entre o PSD e o CDS não dão força a ninguém.
Precisa-se de uma solução institucional clara e rápida. Os rodriguinhos tácticos pagam-se com juros. Altos.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Provas da existência da UE
Aqueles serviços norte-americanos que mudam de siglas e vasculham a sede da Comissão, a delegação da UE em Washington, e outros órgãos periféricos da Comunidade vieram provar que, afinal, a UE continua a existir. Também a entrada algo escondida da Croácia no grupo dos 28 serviu de consolação aos entusiastas da «Grande Europa» geográfica. Mas é hoje, em Berlim, que a UE
se dá conta do amontoado de desmpregados que fabricou nos últimos anos. Portugal vai receber um cheque de 180 milhões de euros para «impulsionar o emprego jovem». Quem escrutina?
se dá conta do amontoado de desmpregados que fabricou nos últimos anos. Portugal vai receber um cheque de 180 milhões de euros para «impulsionar o emprego jovem». Quem escrutina?
Vítor Gaspar, Paulo Portas, Passos Coelho...
Passos Coelho, para além do seu amor ao País, deve abreviar a clarificação política do governo de que é primeiro-ministro porque esta crise governamental é a mais grave do regime. Ou apresenta a sua demissão ao PR, ou apresenta uma moção de confiança na AR. Mas como acabará por pedir a demissão a Cavaco Silva, não será de tomar já esse caminho? Admita-se que ainda queira ir a Berlim despedir-se de alguns ímpares. Mas não deve colocar obstáculos ao « regular funcionamento das instituições democráticas» e dificultar a decisão que o PR terá de tomar para Portugal se dotarde um novo governo.
Outra questão será a de se saber se Passos Coelho ainda terá condições para liderar o PSD na próximas eleições.
Outra questão será a de se saber se Passos Coelho ainda terá condições para liderar o PSD na próximas eleições.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Contagem decrescente
Vítor Gaspar demitiu-se e exortou Passos Coelho a reforçar a liderança. O resultado é a chamada de Maria Luis Albuquerque para as Finanças.É uma falsa solução. A contagem decrescente para o fim deste governo começou à vista de todos. De quanto tempo vai precisar Cavaco Silva?
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Turismo chinês nos Açores
O embaixador da China em Portugal deslocou-se à RA dos Açores e foi recebido pelo presidente do governo regional Vasco Cordeiro. O facto merece atenção, tanto mais que o embaixador mostrou-se optimista em relação aos fluxos turísticos da China para os Açores. Já não é só o pequeno comércio...
sábado, 29 de junho de 2013
O declíno da concertação social e as greves
No Cabo Submarino sublinho o declínio da concertação social em Portugal- algo que funcionou razoavelmente durante a vinda do FMI em 1984-1985 com o governo do bloco central- e o surto de greves actual.Partidos da oposição, confederações patronais e movimento sindical isolam um governo dividido. O povo sente que terá de ser o protector de si mesmo.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Notícias da greve vindas do exterior
Numa primeira leitura as agências internacionais de notícias falam da greve em Portugal como tendo sido pacífica e enquadrada no debate europeu entre austeridade e crescimento. Perspectivas distantes da visão doméstica sobre o acontecimento.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Herberto Goulart
Herberto Goulart era um abnegado militante da Intervenção Democrática que nos últimos anos fazia tudo para que a histórica revista Seara Nova se continuasse a publicar. Recebi inúmeros telefonenas dele- ainda com o eco de um suave sotaque insular- a pedir colaboração para certos números da revista. Às vezes tinha tantas coisas entre-mãos que era tentado a recusar. Mas o Herberto Goulart voltava sempre à carga.E eu acabava por enviar o artigo, sempre recebido por ele com alegria. A última vez que estivémos juntos foi num colóquio sobre o 90º aniversário da Seara. Ainda acreditava na união das esquerdas.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Terminar uma greve de professores na véspera da greve geral
A prolongada negociação entre sindicatos de professores e o ministério da Educação sobre a mobilidade especial e a requalificação como forma de despedimento,- com uma greve às avaliações pelo meio que durou três semanas-, terminou ontem com a assinatura de uma «acta» que atesta os compromissos alcançados. O facto é relevante e pode dar força a estas formas de «concertação social». De notar que a greve sectorial dos professores foi levantada na véspera do dia marcado para a greve geral convocada pelas centrais sindicais. Talvez que nem todos estejam em condições de apreciar o esforço de racionalidade e de disciplina que tal implicou para os sindicalistas mais politizados. O ministro também não se sai mal no seio do que resta do governo.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Durão Barroso na imprensa internacional
Os jornais portugueses estão cheios de «desagravos» a Durão Barroso, cuja carreira internacional se deve em parte a erros de decisão ou de execução, muito úteis para algumas potências do mundo. Bastaria citar Bicesse ou o Iraque. Por isso não creio que o seu futuro esteja em perigo com as desastradas declarações sobre a excepção cultural europeia. Mas aconselho os «desagravadores» domésticos a lerem o último Charlemagne do The Economist sobre ele. Até os britânicos o consideram um «fraco presidente». Mas isso não o deve impedir de ter um novo cargo à altura das conveniências. Preferem que ele tenha esse cargo em Portugal ou no largo mundo?
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Troika, UEFA, FIFA...
As manifestações no Brasil começaram, já poucos se lembram, por protestos contra as despesas nos estádios de futebol impostas pela FIFA para a realização da Taça das Confederações este ano, e a Copa do Mundo no próximo. Muito se fala da troika, mas estes rapazes da FIFA e da UEFA não lhes ficam atrás em matéria de exigências e privilégios. Uns para o pão, outros para o circo...São todos poderes sem escrutínio.
sábado, 22 de junho de 2013
Mais um Cavaco?
Mais um Cavaco?, é o título do Cabo Submarino de hoje. Com efeito, na apresentação da moção para o próximo congresso do CDS, Paulo Portas, há meses a organizar ofensivamente o terreno das diferenças narcísicas com a equipa Passos Coelho- Gaspar, limitou-se a duplicar a posição defensiva de Cavaco Silva sobre o governo. O problema não é o do «protectorado», o problema é o de colaboracionismo.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Osvaldo de Castro- um exemplo de cidadania
Podia subscrever a página que a jornalista São José Almeida dedica hoje no jornal Público à vida e morte de Osvaldo de Castro. Mas o facto de o ter conhecido, sobretudo depois de 1995, leva-me a dar um testemunho pessoal sobre as suas grandes qualidades políticas. Numa época em que poucos se podem apontar como exemplares, Osvaldo de Castro era um desses: solidário, competente, sério, empenhado, crente nas virtudes da discussão colegial, era tão inteligente como os que gostam de brilhar, e ele não se importava de os deixar brilhar. Honrou a Assembleia da República e a nobre actividade política.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Pigmeus
Seja por absurda incompetência, seja por perfídia (venha o diabo e escolha), certo é que o resultado que Passos Coelho alcançará com este desvario dos subsídios é uma demonstração de força, enxovalhando lei, Tribunal Constitucional, presidente da república e funcionários públicos.
Ler o resto aqui.
Ler o resto aqui.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A Base das Lajes sobe ao Congresso dos EUA
Entretanto, há dias, a 14 de Junho, a Câmara de Representantes em Washington, aprovou uma proposta para dar mais tempo ao estudo do impacto da redução da dimensão da Base das Lajes como projectada, até ser claro o impacto que essa medida pode ter no sistema de bases aéreas norte-americanas. A proposta segue agora para o Senado. Por um desses inefáveis «critérios jornalísticos» a notícia ainda não circula em Lisboa e arredores.
Portas estagia para PR
Três canais informativos transmitiram em directo a apresentação da moção de Portas ao congresso do CDS durante mais de uma hora. Fiquei com a impressão de haver dois Cavaco Silva de plantão à porta do «protectorado». Dois vigilantes cada vez mais apoiantes do governo de Passos Coelho com argumentos muito críticos mas desvalidos. Deve ser assim que se chega a presidente da República...
terça-feira, 18 de junho de 2013
A Grécia vai à frente?
O encerramento abrupto da televisão pública grega tem tido consequências insuspeitadas. Nem falo da tensão política nas ruas e no governo em Atenas. Refiro-me à solidariedade manifestada pelas estações privadas gregas à ERT. Tal seria possível em Portugal?
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A greve e a opinião pública
A greve dos professores, que se está a realizar hoje, deu lugar a uma grande batalha pelo apoio da opinião pública, tendo muitos dos episódios e argumentos usados pelo governo este fim de semana tido apenas essa finalidade. Inclusive a intromissão absurda de Poiares Maduro. Isso significa que a greve conta. Como contou a manifestação de sábado.
domingo, 16 de junho de 2013
Governar em conflito
No meu artigo de ontem no Correio da Manhã analiso o método de governar em conflito de Passos Coelho, e de alguns ministros mais dados ao mimetismo da sua liderança como Nuno Crato. Mesmo tendo a hipótese de resolver os diferendos pela via do entendimento, o executivo prefere mostrar o músculo que lhe há-de fazer falta em breve.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Marchas Populares
Raramente presto atenção às marchas populares mas descortinei neste desfile organizado pela CML na Avenida da Liberdade uma energia no porte, uma alegria nas cores e no movimento que só podem ser vistas como uma reacção positiva da vontade popular a estes tristes tempos de chumbo.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A Grécia vai sempre à frente?
A Grécia foi o primeiro Estado a ser intervencionado pela Troika em 2010. Atenas protestou dramaticamente contra os primeiros erros «técnicos» da austeridade. O perdão de grande parte da dívida pelos credores também fez parte da história, e parece que seria por aí que se devia ter começado. Agora o governo fecha a televisão pública por decreto e despede mais de 2.500 funcionários. Aposto que entre os troikanos portugueses já há quem veja a Grécia como um exemplo...
Cheiro a pólvora no flanco sul
O governo português resolve não pagar em Junho o subsídio que o TC ordenou para 2013, enquanto Cavaco Silva disserta, ocasionalmente, contra a bomba atómica da dissolução parlamentar; em Istambul a multidão ocupa as ruas ; na Grécia a televisão pública é encerrada por decreto. Mesmo sem descobrir a pólvora o cheiro desta anda no ar...
terça-feira, 11 de junho de 2013
Bilderberg
Sempre que nos últimos anos há uma reunião do grupo de Bilderberg e dois portugueses são convidados, a cena repete-se: recebo muitos telefonemas da comunicação social pedindo-me para me pronunciar sobre o significado desses convites. Respondo que fui de facto convidado por duas vezes para essas reuniões: uma em 1977 era Ministro dos Negócios Estrangeiros, outra em 1980 quando já o não era.Nesses anos fui o único português presente em Inglaterra e na Alemanha. Mas deve haver gente mais recente a contactar...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Perder tempo
As cerimónias do 10 de Junho em Elvas mostraram o estado de desconsolo da nação. Se o PR pensa que com estes discursos banais está a ganhar tempo para encontrar melhores condições de actuação, engana-se. O PR deve antecipar os acontecimentos em vez de segui-los tristemente.Está a perder tempo.
sábado, 8 de junho de 2013
Afirma Delors
Afirma Delors, é o título do artigo de hoje.
Embora Delors seja um dos imprudentes autores da prioridade dada à moeda única no quadro do mercado interno, na Gulbenkian sublinhou que se devia ter esperado mais uns anos antes de a lançar. Delors propõe agora a introdução de um Fundo de Coesão com recursos próprios para gerir os chamados choques assimétricos na zona euro e que não dependa dos orçamentos dos Estados. É melhor apressarem-se pois o FMI dá sinais de se querer retirar da troika. Prefere trabalhar com o Banco Mundial.
Embora Delors seja um dos imprudentes autores da prioridade dada à moeda única no quadro do mercado interno, na Gulbenkian sublinhou que se devia ter esperado mais uns anos antes de a lançar. Delors propõe agora a introdução de um Fundo de Coesão com recursos próprios para gerir os chamados choques assimétricos na zona euro e que não dependa dos orçamentos dos Estados. É melhor apressarem-se pois o FMI dá sinais de se querer retirar da troika. Prefere trabalhar com o Banco Mundial.
Paulo Bento - Helder Postiga
Portugal ganhou por 1-0 à Rússia, vitória que se deve a uma equipa onde apenas um jogador do campeonato nacional jogou durante a primeira parte, numa partida sensata e pouco espectacular. O «tandem» Paulo Bento-Helder Postiga cumpriu o seu dever. Mais um pouco e a FIFA pode contar com Portugal na fase final do Mundial de Futebol no Brasil.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Afinal havia um português a mais no Real Madrid
Durante a época discuti várias vezes com o meu filho a situação de Mourinho no Real Madrid. Ele que era quase tudo resistência passiva dos castelhanos. Eu que o problema acabava por ser a colónia portuguesa de jogadores. Ontem Mourinho esclareceu que «Ronaldo pensa que sabe tudo». Vamos ver logo contra a Rússia. Talvez alguém mais sensato nos leve à vitória. O nosso mal são os génios.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Ouvir Jacques Delors
Fui esta tarde à Gulbenkian para ouvir a conferência de Jacques Delors. Num anfiteatro mais do que cheio de gente, que de uma forma ou de outra, participaram do processo de integração europeia, o ex-presidente da Comissão recordou que a esta cabe promover o «interesse geral» da UE, e que os nossos governantes não se devem comportar em Bruxelas como se os comissários dessem ordens. Mais do que isso, Delors fez algumas propostas para refundar a UEM que merecem outros considerações, a fazer em breve.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Reincidente
Sou um reincidente em Conselhos Gerais, esses novos órgãos de governo das Universidades portuguesas. A minha primeira experiência foi na Universidade Aberta. Hoje tomei posse como um dos elementos externos da Universidade de Lisboa, que acaba de ser criada pela junção da Universidade Clássica e da Universidade Técnica. Cerca de 50 anos depois foi um curioso regresso à sala do Senado da Reitoria na Cidade Universitária que conheci como dirigente estudantil, pois fiz toda a minha vida docente noutras universidades.
Duas culturas
O FC Porto ganhou o campeonato e vai mudar de treinador. O SLB perdeu todas as competições este ano e já renovou com Jorge Jesus para as próximas duas épocas. Há algo que me esteja a escapar sobre o estado anímico do início da próxima época? Não, não me estou a referir à pré-época...
terça-feira, 4 de junho de 2013
Construir novos consensos
O PS iniciou uma ronda de contactos com os outros partidos políticos que tem o mérito de abalar a agenda demasiado vazia do governo. Alguma coisa vai mudar na oposição?
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Vinte anos de Fórum Açoriano
Fui a S.Miguel comemorar os vinte anos do Fórum Açoriano, uma associação cívica que nasceu num momento em que havia uma democracia carente de debate democrático pluralista.Foi uma altura em que a grande questão era a integração da sociedade açoriana na UE. A iniciativa antecedeu uma viragem na vida política da Região Autónoma que pela primeira vez conheceu a alternância governamental. Beneficiando actualmente de um tempo de estabilidade política está na hora de diversas entidades se lançarem na via das propostas prospectivas e de se mobilizarem no espaço público para as darem a conhecer. Esse foi o papel de desbloqueador do Fórum na altura.Que reuniu um notável grupo de açorianos de vários e distintos quadrantes.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Feira do Livro de Lisboa
Ir à Feira do Livro é a minha romaria urbana anual. Ontem foi toda a família, com os netos à frente. Não foi difícil convencê-los a abandonar o canal 40 da televisão e ir bisbilhotar os pavilhões com livros «infanto-juvenis». Embora a feira este ano me pareça mais uma colecção de «fundos», não será pelos cá de casa que a «civilização do livro» acabará.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Na CMTV
Ontem o Jorge Jesus esteve na boca de tudo o que era canal. Fica, não-fica, entusiasma tanto como os golos tontos da final da Taça, e foram logo 3 a escarnecer do que deve ser uma jogada de futebol. Uma hora mais cedo do que o costume estive a recordar uma proposta atempada de Miguel Cadilhe feita há uns anos sobre a reestruturação da função pública com a ajuda de um fundo especial para não se matar ninguém à fome na operação de redução de funcionários, como agora um secretário de Estado com a cabeça cheia de brilhantina propõe com a maior leviandade e irresponsabilidade. O PR continua na casinha do consenso?
terça-feira, 28 de maio de 2013
Daniel de Sá (1944-2013 )
Faleceu o escritor Daniel de Sá na sua casa da freguesia da Maia em S.Miguel. Era um escritor que não escrevia para seduzir, que não escrevia para o êxito comercial, que não escrevia para a crítica, e que talvez nem para os amigos chegados escrevesse. O seu livro «Ilha Grande Fechada» é uma obra prima de dor e ternura. Apresentei outro livro dele «O Pastor das Casas Mortas»,uma epopeia campestre, num fim de tarde cheio de graça e sol no centro cultural da Caloira. A sala estava cheia. Havia algo de mágico em toda aquela beleza da costa sul da ilha de S.Miguel Era já raro que Daniel de Sá saísse da «sua» Maia. Não foi só o Daniel que se finou agora, mas sim um certo tipo de culto íntimo dos livros.
NB- João Gonçalves, no seu blogue Portugal dos Pequeninos ilustra esse momento na Caloura com o Daniel de Sá e com a envolvência daquele instante. Vale a pena ver.
NB- João Gonçalves, no seu blogue Portugal dos Pequeninos ilustra esse momento na Caloura com o Daniel de Sá e com a envolvência daquele instante. Vale a pena ver.
Motricidade Humana e futebol
Ontem tive o gosto de assistir às conferências inaugurais da série « Motricidade Humana e Futebol» ministradas pelo meu amigo Manuel Sérgio, e pelo selecionador de Cabo Verde, Lúcio Antunes. As duas conferências complementaram-se perfeitamente dentro de uma dimensão motivacional, intencional e humana que Lúcio Antunes ilustrou com a preparação de um clima de missão alegre para promover as novas realidades da República de Cabo Verde. Nações antigas e nações novas. O que interessa é perceber
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Pior do que perder tudo
Há anos que temo pelas derradeiras jornadas da época futebolística do SLB. Desta vez foi ainda pior do que o costume porque ontem a equipa desfez-se diante de todos. Houve uma mentalidade de pré-vencedor sem critério na volta dos jogadores ao estádio dos Barreiros e com os adeptos mais contaminados pela propaganda interna e externa a concentrarem-se no Marquês de Pombal para festejar a época, já tudo estava por fios. Mas mau, mesmo muito mau, foi ver ontem mais do que o fim de uma época o fim de uma equipa. Vai haver muito trabalho pela frente. E sem organização no departamento de futebol não vamos lá.
sábado, 25 de maio de 2013
O Conselho de Estado não é a Academia das Ciências
Como acentuo no Cabo Submarino de hoje, Cavaco Silva não queria de todo discutir as condições políticas vigentes em Portugal. Pena que o PR tenha pretendido manipular o Conselho de Estado e o tivesse confundido com uma secção da Academia das Ciências. A próxima reunião do Conselho de Estado terminará por um Parecer sobre a dissolução da AR, e não com um comunicado omisso sobre os temas discutidos durante sete horas.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Aliança Progressista
Participei de alguns momentos bons da Internacional Socialista nomeadamente no início do processo das transições democráticas na América Latina em simultâneo com o estabelecimento de regimes democráticos em Portugal e Espanha. Depois, já no Parlamento Europeu, o que conheci do Partido Socialista Europeu deixava adivinhar a passividade perante a ofensiva neo-liberal do chamado «consenso de Washington» e as cumplicidades electivas da terceira via.
A crise destes modelos terá impulsionado agora a criação de uma Aliança Progressista no âmbito da IS, composta não só por partidos dessa área ,mas ainda por movimentos sindicais, movimentos sociais e outros protagonistas do «arco do progresso». Sempre é uma resposta nova ao imobilismo de mais de vinte anos. A minha intervenção no congresso do PS, no Coliseu de Lisboa, em 1999 creio, foi sobre este tema da paralizia da IS e do Partido Socialista Europeu, que estavam a falhar os seus deveres humanistas na globalização. Como foi o «congresso do Tino de Rans», a imprensa escolheu o que se sabe.
A crise destes modelos terá impulsionado agora a criação de uma Aliança Progressista no âmbito da IS, composta não só por partidos dessa área ,mas ainda por movimentos sindicais, movimentos sociais e outros protagonistas do «arco do progresso». Sempre é uma resposta nova ao imobilismo de mais de vinte anos. A minha intervenção no congresso do PS, no Coliseu de Lisboa, em 1999 creio, foi sobre este tema da paralizia da IS e do Partido Socialista Europeu, que estavam a falhar os seus deveres humanistas na globalização. Como foi o «congresso do Tino de Rans», a imprensa escolheu o que se sabe.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
No canal 8 do MEO
Ontem à noite, na CMTV, fui concordante com Ângelo Correia sobre a reunião do Conselho de Estado ter sido uma oportunidade perdida para o bom funcionamento das instituições. Com efeito parece que o Comunicado emitido pela presidência omite, mais do que esclarece, as discussões que lá tiveram lugar e os reais conselhos que foram dados ao PR. Tudo indica que a próxima reunião do Conselho de Estado terá uma agenda marcada pela crise política.E que em vez de um comunicado teremos um Parecer.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Os caminhos da Senhora
Já não retomava esta série há tempos. Mas da Alemanha chegam ecos de um mal-estar com as consequências da execução das políticas de austeridade, e Berlim sente-se casa vez mais isolada na zona euro e mesmo na UE, embora tenha ganho todas as batalhas. Daí que comece a criticar a Comissão Europeia pela rigidez com que esta continua a interpretar a regras comunitárias, sobretudo em matéria da aplicação dos fundos estruturais.
Ora, desde cedo, que sugeri que uma forma de promover o crescimento nos países sob resgate seria uma flexibilização das regras desses fundos por forma a transferir e concentrar montantes e assim reduzir a contribuição financeira dos Estados sob troika para essess projectos sem sequer se necessitar de aumentar o orçamento comunitário.
Parece aliás que se arrasta por Lisboa, há dois anos, uma brigada de «federais» da comissão para orientar o governo a reorientar a aplicação desses fundos. Mas nenhum resultado foi anunciado.
Ora, desde cedo, que sugeri que uma forma de promover o crescimento nos países sob resgate seria uma flexibilização das regras desses fundos por forma a transferir e concentrar montantes e assim reduzir a contribuição financeira dos Estados sob troika para essess projectos sem sequer se necessitar de aumentar o orçamento comunitário.
Parece aliás que se arrasta por Lisboa, há dois anos, uma brigada de «federais» da comissão para orientar o governo a reorientar a aplicação desses fundos. Mas nenhum resultado foi anunciado.
Neste tempo de consenso decretado
Tenho aproveitado a situação de consenso decretado pelo PR para ir ao teatro e ao cinema. Comecei pela peça de J.M. Synge «O campeão do Mundo Ocidental» encenada pelo Jorge Silva Melo no D.Maria II, com imensa energia, graça e completa direcção de autores. O protagonista é um mentiroso, está tudo dito.
Depois fui ao cinema ver um filme anti-consenso, o chileno NO, sobre o referendo a favor ou contra Pinochet em 1988, que tive a oportunidade de assistir então, integrado nas delegações de fiscalização internacionais enquanto deputado do Parlamento Europeu. Não tive dúvidas que a transição para a democracia no Chile seria imparável depois do voto. E não tinha visto os tempos de antena do NO...
Depois fui ao cinema ver um filme anti-consenso, o chileno NO, sobre o referendo a favor ou contra Pinochet em 1988, que tive a oportunidade de assistir então, integrado nas delegações de fiscalização internacionais enquanto deputado do Parlamento Europeu. Não tive dúvidas que a transição para a democracia no Chile seria imparável depois do voto. E não tinha visto os tempos de antena do NO...
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O PR e o Conselho de Estado
O PR não chega em forma a este Conselho de Estado. Demasiado preocupado com a manutenção do governo, as últimas declarações de Cavaco Silva desde o discurso de 25 de Abril são no sentido de impedir qualquer análise institucional ao actual estado da nação que leve à urgência de mudar de governo. Depois as medidas da troika empurram os países sob resgate, e aparentados, a colocarem-se na situação dilemática de continuarem, ou não, na zona euro, dado que há uma equivalência entre prós e contras perante a continuação da austeridade. Nada disto será discutido hoje em Belém. A não ser por algum espírito livre de agendas políticas e com alguma informação estratégica internacional...
sábado, 18 de maio de 2013
A herança da troika
No meu artigo de sábado no Correio da Manhã lanço um tema para debate no Conselho de Estado: o papel da troika na criação de Estados débeis da peninsula balcânica à peninsula ibérica.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Liderança e fuhrung
O pingue-pongue entre Barroso e Merkel sobre quem conduz a austeridade que leva à recessão não ficará para os anais desta enquanto a zona euro não der de si. Mas depois desta troca de responsabilidades fiquei a matutar no termo que Ulrich Beck ressuscitou no seu livro German Europe : fuhrung. Eu sei que lhe falta o trema, e o assumir de Merkel. Mas o termo leadership está desactualizado em Bruxelas.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Treinadores portugueses,jogadores intercontinentais
A liga portuguesa de futebol não tem um único treinador estrangeiro.Tal não acontece na Espanha, na Inglaterra, na Itália, etc. Há anos passou pelo Benfica o actual treinador do Bayern de Munique mas não provou «conhecer por dentro a nossa liga», uma indicação só para iniciados. Em compensação os treinadores portugueses trabalham cercados de jogadores estrangeiros que devem saber muita coisa dela. Tudo indica ainda que dois dos melhores treinadores, Jesualdo Ferreira e Peseiro, deixarão as equipas do SCP e do Braga porque os presidentes querem experimentar outros enquanto compram e vendem jogadores em todas as estações do mercado.Veremos o que acontece a Jesus
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Uma boa exibição, um mau resultado
Não me tenho pronunciado muito sobre o Benfica nesta fase da época. Fiquei sempre à espera desta para acreditar nas melhoras aparentes que a equipa apresentava. Que Jorge Jesus aproveita muito bem os jogadores que lhe chegam às mãos vindos da América do Sul ou do Seixal não deixa dúvidas. Que os valoriza no mercado das transferências também não é uma novidade. Que aperta com eles nos jogos dá para ver no estádio e na televisão. Que nos últimos tempos alguns deles estão mais individualistas e menos tácticos, como o Gaitan, mete-se pelos olhos dentro. ´Que me custou imenso estas duas últimas derrotas na praia dos descontos, custou. Como a pedra custou a Sísifo. Porque desistir é proibido.
Ontem na CMTV
Ontem na CMTV espantei-me com as declarações tipo ayatola de Cavaco Silva sobre Fátima e o encerramento da 7ª avaliação da Troika, uma coisa destituída de tino mesmo numa zona euro a precisar de milagres económicos.
Uma narrativa mais racional foi-nos dada pelo Banco de Portugal com a entrega ao Estado da distribuição dos dividendos de 2012 no valor record de 359 milhões de euros, para além do pagamento dos impostos. Sempre defendi que nesta emergência o BdP devia contribuir mais para o accionista Estado. Para não falar das aplicações das reservas de ouro agora estimadas em 15,5 mil milhões pelo simples efeito da sua valorização inerte no mercado. Seja como for o governador não ficou só a ralhar com a sociedade portuguesa
Uma narrativa mais racional foi-nos dada pelo Banco de Portugal com a entrega ao Estado da distribuição dos dividendos de 2012 no valor record de 359 milhões de euros, para além do pagamento dos impostos. Sempre defendi que nesta emergência o BdP devia contribuir mais para o accionista Estado. Para não falar das aplicações das reservas de ouro agora estimadas em 15,5 mil milhões pelo simples efeito da sua valorização inerte no mercado. Seja como for o governador não ficou só a ralhar com a sociedade portuguesa
terça-feira, 14 de maio de 2013
Os criadores da troika
A troika foi uma criação ad-hoc impulsionada pela chanceler Merkel há 3 anos. Aos olhos de espíritos impressionáveis parece uma entidade secular, com estatutos e jurisprudência, quando é mais um híbrido de um mundo europeu sem regras. A troika vai levar a maior parte dos países sob resgate, e aparentados, a uma situação de equivalência em termos de prós e contras sobre a manutenção na zona euro, ou a saída dela. Não é essa a agenda do próximo Conselho de Estado proposta pelo PR. O Portugal pós-troika de Cavaco Silva está submerso no aprofundamento da união monetária. E nem vê a crise política que se aproxima antes do fim desta troika.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Compromisso ou mentira?
Ontem foi um dia negro para o governo. Ou porque o corte das pensões foi apresentado à troika como uma mentira para consumo internacional ( como aconteceu durante dez anos com as contas apresentadas a Bruxelas no âmbito do Pacto de Estabilidade), ou porque o lado «facultativo» da medida se destinou a «salvar a face» do ministro Paulo Portas. Em ambos os casos o governo enfraquece-se ainda mais.
sábado, 11 de maio de 2013
Em dia de sondagens eloquentes
Ainda irá Paulo Portas a tempo de evitar acompanhar o PSD na derrota que se avizinha? Que fará o lider do CDS se Passos for para a frente com novo corte das pensões com efeitos retroactivos? Perguntas que deixo no ar no Cabo Submarino de hoje. Quando o PS nas sondagens já tem mais intenções de votos do que toda a coligação governamental. O caso de Cavaco Silva merece tratamento à parte. Mas o homem não está sintonizado com o país.Ou não percebe para onde pende o consenso.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Na Cinemateca
Ontem participei na Cinemateca no ciclo organizado pela Anabela Mota Ribeiro «Noite e Nevoeiro-Portugal e o Holocausto» onde se retoma a necessidade de«Aprender com o Passado, Ensinar para o Futuro». O mote foi dado pelo João Canijo cujo filme FANTASIA LUSITANA foi-lhe ditado pelo facto do filho lhe ter aparecido em casa mal informado sobre o passado. O debate foi muito vivo e participado, desde a mesa com o Daniel Oliveira à plateia. Acabou tarde...
NOTA:
O tema da neutralidade portuguesa durante a IIGM é um dos temas mais mitificados pelo salazarismo. Basta dizer que enquanto a neutralidade foi apelidada pelo regime de «colaborante», os britânicos caracterizavam-na como uma mera «neutralidade continental», outros de «neutralidade benevolente», e já nos anos noventa surgiu a tese nos EUA segundo a qual, Portugal perante os acontecimentos em Timor e nos Açores, se limitara a ser um Estado «não-beligerante».
NOTA:
O tema da neutralidade portuguesa durante a IIGM é um dos temas mais mitificados pelo salazarismo. Basta dizer que enquanto a neutralidade foi apelidada pelo regime de «colaborante», os britânicos caracterizavam-na como uma mera «neutralidade continental», outros de «neutralidade benevolente», e já nos anos noventa surgiu a tese nos EUA segundo a qual, Portugal perante os acontecimentos em Timor e nos Açores, se limitara a ser um Estado «não-beligerante».
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Na CMTV
Ontem à noite recordei os termos da carta de Passos Coelho enviada à troika a 3 de Maio, dois dias antes de Portas a ter interpretado politicamente:
«De forma a permitir a construção do consenso, está previsto que algumas medidas sejam substituídas por outras de semelhante qualidade e efeito orçamental. Acresce que o valor global agora apresentado é superior ao necessário...»
Medidas de austeridade superiores ao necessário ! A discussão do orçamento rectificativo promete...
«De forma a permitir a construção do consenso, está previsto que algumas medidas sejam substituídas por outras de semelhante qualidade e efeito orçamental. Acresce que o valor global agora apresentado é superior ao necessário...»
Medidas de austeridade superiores ao necessário ! A discussão do orçamento rectificativo promete...
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O que vem a ser isto?
Paulo Portas falou ontem em diferido do conselho de ministro. Deu alguma informação positiva sobre o desenrolar das negociações com a troika, e assumiu que foram tomadas «medidas suplementares do Estado consigo próprio», entre as anunciadas com pompa por Passos Coelho. Portas não votará a «tsu dos pensionistas». Gaspar fica avisado. Mas se isto já está assim para o orçamento intercalar de 2013 qual será o estado do governo por altura da proposta do OE para 2014?Ou cai a prepará-lo?
sábado, 4 de maio de 2013
Cabo Submarino
Olhar para Itália, é o título.
Ainda ninguém disse não querer ser como a Itália, mesmo quando ela tem uma superpercentagem de dívida pública, mesmo quando provoca eleições antecipadas sucessivas, mesmo quando os partidos se engalfinham em antagonismos nada consensuais, mesmo quando precisa de dois meses para se dotar de um governo tido por impossível pelos peritos do mundo. Como em Roma não vigora a doxa comunicacional portuguesa segundo a qual o chefe de governo é eleito pessoalmente nas legislativas, há agora um governo de grande coligação que pode sacudir a UE.
Ainda ninguém disse não querer ser como a Itália, mesmo quando ela tem uma superpercentagem de dívida pública, mesmo quando provoca eleições antecipadas sucessivas, mesmo quando os partidos se engalfinham em antagonismos nada consensuais, mesmo quando precisa de dois meses para se dotar de um governo tido por impossível pelos peritos do mundo. Como em Roma não vigora a doxa comunicacional portuguesa segundo a qual o chefe de governo é eleito pessoalmente nas legislativas, há agora um governo de grande coligação que pode sacudir a UE.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
As quintas-feiras europeias
O Benfica voltou esta quinta-feira a uma final europeia com mérito , e «limpinho» no que lhe diz respeito. Sou do tempo em que esses apuramentos ocorriam às quartas para os lados do estádio da Luz. Mas não me vou fazer esquisito! Venha a taça!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Na CMTV às terças pelas 22h
Todas as terças encontram-me no canal 8 da MEO às 22h no programa Esquerda-Direita conduzido por José Carlos Castro e com a participação de Ângelo Correia. Desta vez o programa durou uma hora quando o previsto é meia. E ainda por cima o Real Madrid acabara de jogar, o que costuma incendiar a televisão por cabo...
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Marchar hoje contra os que querem um grande Bangladesh
O Papa denunciou a prática de salários de 30 euros por mês no Bangladesh, considerando tratar-se de trabalho escravo. Pois é à remuneração desse trabalho que muitos chamam ganhos de competitividade e baixa do custo unitário do factor trabalho...Hoje, dia 1 de Maio, o Papa Francisco fez mais contra o dumping social na globalização do que o sistema inteiro das nações unidas. Contra o trabalho escravo marchar, marchar, devia ser a próxima missão militar da ONU. Podia chamar-se «operação Lincoln»...
terça-feira, 30 de abril de 2013
O discurso de Enrico Letta
O primeiro-ministro de Itália é europeísta e disse: «A UE não tem legitimidade nem eficácia». Veremos o que fica para os críticos.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Grande coligação em Itália
Das dificuldades em formar um qualquer governo, a Itália passou facilmente, se bem que não rapidamente!, à formação de uma grande coligação entre as duas forças antagónicas, e ainda recolheu alguns elementos da equipa Monti. De notar a presença de Emma Bonino nos Estrangeiros. Como a política em Itália costuma ir um pouco à frente nas novidades e nas surpresas convém manter a atenção fixada. E o nosso PR devia mandar para lá alguém estudar de perto como se governa sem consenso numa grande coligação.
domingo, 28 de abril de 2013
PS unido e governo em dissenso
Poucos dias depois do discurso de Cavaco Silva o panorama político que conta é o seguinte: o PS sai unido e reforçado, o governo não se entende em conselho de ministros.
Gostei da afirmação de Seguro no final do congresso: mesmo com uma possível maioria absoluta o PS procurará apoios mais amplos para governar. De facto um Novo Rumo só é possível com um novo género de governo. E será na formação de um novo género de governo que António José Seguro passará a sua prova de fogo. Quanto ao programa muito já foi avançado hoje no congresso do PS.
Gostei da afirmação de Seguro no final do congresso: mesmo com uma possível maioria absoluta o PS procurará apoios mais amplos para governar. De facto um Novo Rumo só é possível com um novo género de governo. E será na formação de um novo género de governo que António José Seguro passará a sua prova de fogo. Quanto ao programa muito já foi avançado hoje no congresso do PS.
sábado, 27 de abril de 2013
Consenso e dissenso
Hoje, no Cabo Submarino, afirmo que mais vale um dissenso político do que um consenso à volta de erros técnicos. É mesmo saudável deixar uma parte da representação do País com as mãos livres desses «desenhos» que se estão a revelar mal feitos. Para melhor negociar futuros consensos. Se necessário.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Bem representado por Elisa Ferreira
Também me senti bem representado no Parlamento Europeu onde Elisa Ferreira não se acanhou diante do comissário Olly Rehn e deu-lhe uma rabecada em português e em inglês por este ter tirado os auscultadores da interpretação simultânea quando ela o responsbilizava directamente pela persistência na via austeriana e nos seus resultados negativos.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
O excelente discurso de Alberto Costa
O discurso de Cavaco Silva não nos pode fazer esquecer a excelente intervenção de Alberto Costa neste 25 de Abril. Uma maneira política de ver o passado que leva a uma forma culta e clara de denunciar os perigos do futuro, em Portugal e na Europa. Sem citações mas com pensamento próprio e apropriado. Justa a referência a António Marques Júnior, tenente de Abril.
Um mau discurso de Cavaco Silva
Foi péssimo politicamente o discurso de Cavaco Silva e não contribui em nada para o objectivo do «consenso». Dividiu em vez de unir.De salientar ainda uma frase muito escondida sobre a eventualidade de alteração das datas eleitorais...
Kant, Jaspers, Habermas...
Comecei a ver há minutos as comemorações na AR e já ouvi citar Shakespeare, Kant, Jaspers, Habermas, entre outros. Não é por falta de erudição que estamos onde estamos...
O dia do regime
Trinta e nove anos depois o dia 25 de Abril subsiste como o dia do regime democrático.Até este governo, que ousou banir o 5 de Outubro dos feriados nacionais obrigatórios, manteve-o. E não deve ter sido por convicção...
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Ontem no CMTV
Ontem às 22h no canal 8 do MEO debateu-se o grau de intervencionisno governamental nas indicações quantitativas dadas à CGD para conceder crédito nos anos de 2013 e 2014. A mim pareceu-me demais a precisão feita pelo ministro Santos Pereira sobre os mil milhões e os dois mil e quinhentos milhões. Ou a concretização destinava-se a mostrar músculo em relação ao ministro Vítor Gaspar ?!
Testemunhos de fraqueza política II
Afinal a fraqueza política de Durão Barroso ainda é maior e mais grave do que imaginava. Após um porta-voz do partido de Merkel se ter declarado «profundamente irritado» com as declarações do presidente da Comissão abaixo mencionadas, este veio esclarecer o que efectivamente terá dito, e que não foi nada daquilo que a imprensa internacional tinha reportado em primeira mão como sendo um aviso de Barroso aos limites da austeridade. Ainda não se sabe se a «irritação» do porta-voz da CDU já passou...
terça-feira, 23 de abril de 2013
Testemunhos da fraqueza política
Ontem o presidente da Comissão Europeia declarou que a austeridade está no limite. O Presidente da República Portuguesa também já o disse antes várias vezes sem qualquer consequência nas políticas praticadas. Estamos assim perante meros testemunhos da fraqueza dos titulares desses cargos.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
O governo desfaz-se
O governo de Passos desfaz-se por dentro e por fora. Este fim-de-semana foi por dentro: dois secretários de Estado ligados a péssima gestão de «derivados financeiros» no Metro foram à vida. No total este governo já mudou 14 «ajudantes». É obra. Mesmo em Belém não devem achar isto normal.
sábado, 20 de abril de 2013
Cabo Submarino
Hoje no Cabo Submarino analiso o trajecto do CDS para se tornar um partido de produtores contra o PSD que se tornou na correia de transmissão da troika desorientada em Portugal. A luta será feroz no interior da coligação.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
O regime da carta
Desde que se percebeu que a troika não leva a carta a Garcia que chovem cartas políticas. A última é esta de Passos Coelho endereçada improtocolarmente ao «Senhor drº António José Seguro» a convidá-lo para um encontro com menos de 24 horas de antecedência. A «ordem de trabalhos» parece-se com a agenda da próxima campanha eleitoral ...
Uma pergunta tipo forúm
O facto de Margaret Thatcher ter vivido os seus últimos anos, doente, no hotel Ritz em Londres não despertou em ninguém aquela pergunta tipo fórum:
-« Quem lhe pagava a diária?».
A Segurança Social, que ela tanto combateu, não deve ter sido. Talvez uns fundos do partido. Talvez algum admirador abonado.Talvez a gerência do hotel.
Claro, esta questão não está na ordem do dia.Ah, se fosse um ex-primeiro-ministro português!
-« Quem lhe pagava a diária?».
A Segurança Social, que ela tanto combateu, não deve ter sido. Talvez uns fundos do partido. Talvez algum admirador abonado.Talvez a gerência do hotel.
Claro, esta questão não está na ordem do dia.Ah, se fosse um ex-primeiro-ministro português!
No canal 8 do MEO
Esta noite, como todas as terça-feiras às 22h, estive na CMTV a comentar a agenda do dia. O atentado de Boston ocupou grande parte do debate com Ângelo Correia. A hipótese «doméstica» foi posta sobre a mesa. Mas essa hipótese alberga inúmeras incógnitas. Não seremos os primeiros a saber o suficiente nesta matéria.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Uma noite com Boston
Estava a seguir o Benfica-Paços de Ferreira quando li uma legenda na Sport-TVsobre «explosões na maratona de Boston». Percorri várias estações, e as primeiras imagens do acontecimento foram transmitidas em Portugal, que eu visse, pela SIC-N no início do seu programa desportivo «Prolongamento».
Depois fiz «zaping» entre os canais estrangeiros.
Por vários motivos Boston é a minha cidade norte-americana preferida. Mais uma razão para condenar «as explosões», «as bombas», «os potentes engenhos», «os actos de terror», «os ataques terroristas», como foram sendo chamados os acontecimentos do dia feriado em Boston. Esta noite não se saberá mais nada de concreto sobre como devem ficar conhecidos aqueles actos. Mas pode-se já condená-los.
Depois fiz «zaping» entre os canais estrangeiros.
Por vários motivos Boston é a minha cidade norte-americana preferida. Mais uma razão para condenar «as explosões», «as bombas», «os potentes engenhos», «os actos de terror», «os ataques terroristas», como foram sendo chamados os acontecimentos do dia feriado em Boston. Esta noite não se saberá mais nada de concreto sobre como devem ficar conhecidos aqueles actos. Mas pode-se já condená-los.
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