terça-feira, 12 de novembro de 2013

Calai-vos uns aos outros

O ministro Paulo Portas, num assomo de ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, mandou calar o seu sucessor quanto às fases incógnitas que hão-de conduzir o país «aos mercados». Segundo o homem da linha vermelha «Portugal tem data marcada para sair do Programa de Assistência, não taxa de juro.» Porém, um porta-voz qualquer da Comissão Europeia mandou dizer que ainda é cedo para fórmulas à Portas, pois «continua muito trabalho para fazer em Portugal». E no BCE, e no ECOFIN, e no Euro-grupo, acrescento eu. Ou não?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rui Machete não pode abrir a boca?

Para que convidaram Rui Machete para MNE? O homem não pode abrir a boca. A taxa de juro de 4,5 apontada por ele na India é especulativa? Claro que é. Mas quando o BCE reduz a sua taxa de referência para 0,2% tudo que o Tesouro Português pagar a mais de uns 2% não é agiotagem permitida pela complacência do poder político da zona euro?

Sem água da EPAL, tão perto do aqueduto

Ontem foi todo o dia sem água fornecida pela EPAL. A retoma do fio estava anunciada para as 18h, mas só demos por ela barrenta cá em casa perto da meia-noite. Hoje, logo às 7h já não havia pingo nas torneiras. Desde 5ª feira que são estas fantásticas «rupturas na via pública», jamais anunciadas aos utentes com antecedência. Os serviços prometem agora restabelecer o contracto às 13h. Vou ver o que se passa na rua Cecílio de Sousa. Deve ser uma obra de engenharia hidráulica tipo construção do canal do Panamá...

domingo, 10 de novembro de 2013

Água da companhia às pinguinhas

Esta semana, sem qualquer aviso prévio, a Epal interrompeu por longos períodos nocturnos o abastecimento em certas zonas do Príncipe Real, na quinta e na sexta. Hoje domingo, em versão diurna, voltou a interromper o seu serviço na mesma zona, alegadamente «por roturas na via pública». Água às pinguinhas como nos velhos tempos do lavadouro!

«Os Justos» de Albert Camus desapareceram?

O centenário do nascimento de Albert Camus aí está a ser celebrado com novas palavras, sempre menos rebeldes das que empregues pelo autor do Estrangeiro, da Queda, do Mito de Sísifo ou do Calígula. Tinha 15 anos quando foi atribuído o Prémio Nobel ao panfletário, ao dramaturgo, ao romancista. Li-o quase todo em Ponta Delgada naquelas edições Miniatura da Livros do Brasil. A Queda foi então o meu preferido. Quando li, já em francês  a peça «Les Justes», recebi talvez a maior lição sobre as relações entre as questões éticas e o recurso à violência política contra os déspotas. Vejo sem surpresa que é uma obra ausente do mausoléu onde se enterram os pensamentos vivos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O jurisconsulto e a política de lesa-pátria

Luís Marques Guedes deve ser um bom jurisconsulto. Anda no processo legislativo há muitos anos e como lhe sobra prudência  e perfil baixo foi nomeado governante para limitar os desastres de redacção das leis emanadas do Conselho de Ministros. Quase tudo a favor dele. Hoje borra a pintura de uma forma que só se explica pela fúria do PSD-Passos Coelho em colonizar todos os agentes decisivos do processo político em Portugal.Depois de Cavaco e de Durão falta-lhes em carteira o PS. Daí o deslize tão autoritário num homem de boas famílias republicanas ao declarar hoje no semanário Sol, que« O actual rumo da direcção do PS é uma política de lesa-pátria».Mas porquê? Estes governantes, fora o mimetismo norte-americano da bandeirinha na lapela, cuja regulamentação oficial de uso não existe, já deram alguma prova de quererem formar um governo de ampla representação patriótica sem lesões?

Passos Coelho partidariza Durão Barroso

 Passos Coelho conseguiu partidarizar Durão Barroso , presidente da Comissão Europeia, na defesa sem emendas  da proposta  governamental do OE para 2014, como já havia anexado Cavaco Silva na crise gerada pelas demissões de Vítor Gaspar, e na borrada de Paulo Portas no seguimento desta. Mas o certo é que foi a Bruxelas assinar um comunicado conjunto para efeitos de poder interno. Calculo que Durão Barroso, em operações de regresso a Portugal, venha a pagar caro em termos de presidenciais esta forma de conseguir apoios para uma eventual candidatura. Pois fica provado que só militantes do PSD nesses cargos não deixam respirar em liberdade a sociedade portuguesa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A apresentação do livro por Pedro Lains

Ontem , na Almedina-Saldanha, foi um dia de festa para mim . Rodeado de muita gente amiga tive direito a uma apresentação empática-não isenta de distância crítica!- do livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» por Pedro Lains, um dos poucos economistas portugueses com a profundidade histórica necessária para enquadrar os dias de hoje numa perspectiva do devir nacional e internacional. O livro está agora no mercado. De certa maneira as interpretações que se possam tecer sobre ele já não me pertencem.Mas posso vir a contrariar algumas delas...
É muito agradável publicar livros depois dos setenta anos...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

programa de festas


Esta quarta-feira, às 18.30, lançamento na Almedina do Atrium Saldanha.

A OIT é indispensável à globalização

Há anos que defendo um papel mais activo da OIT na governança da mundialização, e volto a ela no meu próximo livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» a ser lançado esta semana pelas Edições 70.
A globalização neo-com assente no desregramento financeiro, na competitividade de salários asiáticos sem protecção de direitos sociais só foi possível pela quebra de influência da OIT no sistema das Nações Unidas, com o reforço paralelo do FMI, e com
 a emergência forçada da Organização Mundial do Comércio (OMC), muito saudosa dos tempos da competitividade do trabalho forçado como factor dos preços baixos no mercado mundial e da domesticação da inflação. Deste modo as conquistas sociais europeias são mantidas na defensiva tanto mais que desapareceu o «o império do mal».
Pois bem, parece que a OIT quer começar por Portugal um novo ciclo na sua vida internacional. É bem vinda.Mas para já nenhum estudo da OIT  consta das Fontes utilizadas no guião de Paulo Portas!

domingo, 3 de novembro de 2013

Zona de intervenção da Reforma Agrária e Bolsa de Terras

Leio, meio divertido, a notícia no Expresso-Economia, sobre o fiasco absoluto de uma ideia aparentemente sedutora promovida pela inefável ministra Assunção Cristas. Tratava-se de colocar numa base de dados prédios agrícolas não cultivados, fossem públicos fossem de particulares. Em perspectiva só está agora a criação do «Comissário da Bolsa de Terras», um job certamente a tempo inteiro! Mas o mais engraçado, num país «que não pode ter terras abandonadas», é que com todas as diferenças de filosofia e de dimensão, os únicos casos apresentados se situam na antiga «Zona de Intervenção da Reforma Agrária»...
 Emparcelamento, reforma agrária, cooperativas de produção. Bolsa de Terras pode ter mais apeal, mas só serve para ilustrar que há problemas de aproveitamento agrícola que estão para ser resolvidos desde as lutas liberais...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O guião e a procissão

O governo apresentou «uma proposta» de «guião da reforma do Estado», aprovada em Conselho de Ministros, em cima da discussão e votação do diploma orçamental que corre neste momento na AR. Não se percebe de que tipo de iniciativa política-legislativa se trata. Não é uma resolução, não desce à AR, não tem natureza legislativa. É um longo artigo de opinião cujo fim é o objectivo milenar de «modernizar o Estado». Uma coisa é certa ninguém volta a assediar Paulo Portas com a «reforma do Estado». É o único português que exibe uma bula nesse domínio. Escrita em latim do Baixo-Império...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uns dias em Bruxelas e...

Estive uns dias em Bruxelas onde o clima europeu ainda é um pouco pior do que o que se suspeita. Claro que todos se desculpam com o processo de formação do governo de Berlim, depois de se terem entretido com a espera das eleições federais na Alemanha. Fosse em Itália que um governo de coligação levasse tanto tempo a ver o dia e Roma já teria tido direito àquelas impressionantes capas do The Economist que podem preparar guerras justas... Mas com Berlim não se brinca às caricaturas. De Setembro a Novembro ninguém se queixou na UE. Foi até um descanso.Vejamos o que vem a seguir...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Segundo Resgate, Programa Cautelar, ou «outra coisa»

O guião da «reforma do estado» já vai na décima tentativa de ensaio filosófico. Entretanto os murmúrios vindos das profundezas dos mercados soam como um imperativo para a continuação da assistência financeira internacional pública a Portugal após o fim do actual exercício da troika. Ninguém tem ideias claras nesse mundo nebuloso sobre o tipo de apoio de que Portugal beneficiará. O primeiro-ministro ao dissertar sobre as probabilidades de haver um segundo resgate à grega senão um programa cautelar à irlandesa,  acrescentou de sua autoria a  novidade de uma «outra coisa» à portuguesa. O PR ainda não percebeu que o governo está esgotado e já não passa de uma «coisa»?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O meu professor Manuel Medeiros (1936-2013 )

Soube hoje pelo DN da morte de Manuel Medeiros, «o Livreiro Velho que foi professor e padre», nos dizeres do obituário do jornal.
Fui seu aluno no Liceu de Ponta Delgada, onde, mesmo nas aulas de Religião e Moral mantinha a existência de um salutar espírito crítico, de que fui um dos beneficiados, e só isso é uma dívida que lhe devo. Mais tarde soube que tinha optado pelo professorado e casado, tendo-se estabelecido em Setúbal onde deu vida à
 Livraria Culsete. Foi nessa livraria que o vi pela última vez aquando de uma amiga homenagem que me prestaram, com a participação do Onésimo Teotónio de Almeida e do Mário Mesquita. Tenho a certeza de que a Fátima Medeiros, assim como os filhos, continuarão a obra cultural do idealista que sempre foi Manuel Medeiros.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quem paga a promoção do Turismo?

Num congresso sobre Hotelaria e Turismo, a decorrer no Algarve, pois onde havia de ser!, parece que ninguém ficou contente com o acréscimo de turistas e dormidas em Portugal neste ano de crise geral noutros sectores. Os empresários queixam-se do preço das diárias, o secretário de Estado do Turismo já promete novas acções de promoção do «destino Portugal». Só quem não imagina os rios de dinheiro gastos sem grandes formalidades com essas acções de promoção pode ficar tranquilo quanto ao destino último dessas generosidades do Estado. O sector do turismo tem empresários capazes de, nas suas associações, chamarem a si os encargos com «uma maior visibilidade da marca Portugal»! Ou querem mais Estado num sector tão florescente?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um começo de conversa

Entrevistado por André Macedo, o presidente do BESI, José Maria Ricciardi, fez a declaração política mais importante deste fim-de-semana ao falar sobre o serviço da dívida pública do Estado português, ao fim e ao cabo a questão mais momentosa da nossa agenda. Sugere o banqueiro um período de carência para o pagamento dos juros relacionados com as celebradas PPP por um ou dois anos, o que daria ao Tesouro a possibilidade de diluir no tempo os 1166 milhões de euros nas parcerias com os transportes. Um, ou dois anos, parece pouco, mas é um bom começo de conversa para se chegar a um compromisso realista e responsável perante a comunidade. Boas ideias precisam-se.

Apoios de Pirro

Mesmo essa grande jogada de ter apoiado Rui Moreira no Porto está a esfumar-se com a coligação estabelecida entre os independentes e o PS-Porto. É o que se chama um apoio de Pirro. Mas fez um vistão na noite das autárquicas!

Patético.

Paulo Portas perdeu o pé desde a falhada demissão do governo de Passos Coelho. A sua credibilidade desce a cada intervenção que faz. Mas esta de nos dizer que «os pobres não se manifestam», além de ousado e imprevidente, remete-nos para o pior do assistencialismo anti-social. Descanse uns tempos e volte mais tarde, se tiver oportunidade.

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma manifestação diferente

Que grande resposta deu o movimento sindical ao governo e aos seus serviços de segurança nesta manifestação impressionante e executada na forma mais ordeira, quer na Ponte 25 de Abril quer na curiosa e compósita mobilização do norte do país. O ministro Miguel Macedo não dorme esta noite tanta foi a ordem endógena das manifestações. Ordem já há a necessária. Agora falta o Progresso.

Gosto