quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um play-off enganador

Agora que chegámos à fase final do Brasil, e já exultámos o suficiente com os golos de Ronaldo- e mais discretamente com os passes de Moutinho- convinha que os nossos especialistas da «leitura de jogo»  analisassem os três erros cometidos pelas dispersas e adiantadas «linhas da Suécia» que permitiram as três cavalgadas do atleta solitário em metade do campo. Não estou a ver a repetição de tantas facilidades nos tempos mais próximos. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Cimeira de futebol no Brasil

Já temos entretenimento para Junho: Portugal encontrou à segunda tentativa o caminho para a fase final do Campeonato do Mundo de Futebol no Brasil. Muito Cristiano Ronaldo à solta, muito Moutinho a exemplificar o lado inteligente do jogo, um guarda-redes trapalhão que ainda assim defende o indefensável, mais um cheiro a trabalho e a balneário à Paulo Bento, e cá vamos nós.
Não vamos sozinhos. Nada de solipsismos...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O governo da República da Irlanda topa bem os seus parceiros do Euro-grupo

Michael Noonan, ministro das Finanças do governo irlandês, declarou ontem que receava que o processo negocial do eurogrupo para um programa cautelar para Dublin «acabasse por prejudicar a reputação do país.(...)Tinha medo de poder acabar em Bruxelas, às três da manhã, lá para Dezembro, com um caso de sucesso transformado numa espécie de crise irlandesa.» Perceberam melhor a objectividade desses defensores da zona euro, e as suas opiniões ad-hoc? Gostam do processo? Confiam nesta gente? Gostam de os tratar por tu?

domingo, 17 de novembro de 2013

O meu sobrinho Rui

O meu sobrinho Rui andou nos anos de brasa do PREC. Podia à vontade ter demonstrado os seus atributos de radicalismo político que estaria muito bem acompanhado por diversos bandos da destruição criadora. Mas não. Aderiu desde logo à Juventude Socialista onde chegou a ser um dos seus primeiros dirigentes. Engenheiro Eléctrico pelo IST  frequentou uma pós graduação em Inglaterra onde o visitei em 1981. Pelas conversas percebi que estava muito insatisfeito com as suas diferentes experiências e que pensava em expatriar-se. Foi para S. Paulo, montou uma empresa de electrónica e reconstituiu a sua família. Trinta anos depois uma das filhas é médica, a outra veterinária, e passam de vez em quando por cá. É sempre uma festa, uma comunhão de alegria, temperada mais para o fim do encontro com uma preocupação a que ninguém sabe responder:« Mas, afinal, onde falhámos em Portugal?»

sábado, 16 de novembro de 2013

Mais um para a galeria

Decididamente Cavaco Silva não daria um bom seleccionador de «empreendedores» portugueses. Agora surge o seu director de campanha presidencial de 2006, Alexandre Relvas , com problemas empresariais cifrados em dívidas à Caixa Geral de Depósitos. Nós sabemos que todos podem dever dinheiro à banca menos o Estado....

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cada vez mais sózinhos

O governo não estava minimamente ao corrente do que a República da Irlanda tencionava fazer se os seus juros no mercado secundário  se ficassem no ponto de referência dos 3,5%. Sempre fomos melhores na política de segredo, e de contra-informação, do que em boas recolha de fontes, ou simplesmente no exercício da dedução, muito mais barata para os cofres do Estado. Pois bem sairá a Irlanda da rede de «resgate», e sairá a Espanha do trapézio onde fez exercícios de aquecimento sem nunca ter feito um verdadeiro número. A partir de Dezembro Portugal estará mais só, sem ter muitas ideias de como sair do «resgate». Mais só e talvez mais próximo da Grécia...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Professores de Empreendedorismo

O ministro Pires de Lima não se revê como um auto didacta em matéria de «empreendedorismo»,e propôs que a escola nos dê um homem novo em inovação empresarial. O ministro Crato não gosta desses amadorismo e já manifestou reticências. Porém professores para essa ocupação de tempos livres não faltariam,e isentos de concurso de admissão: João Rendeiro, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, entre outros. Gente especializada em muitos negócios e produção de pouca riqueza.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Menos portugueses

Por um lado o fenómeno da expatriação, este novo ciclo de emigração que assina o desencanto e a falta de perspectivas oferecidas pelo modelo da prisão vivencial por dívida pública ; por outro lado, uma sociedade que só gerará oitenta mil bébés este ano, pela falta de esperança e vontade de mobilidade dos casais. Como dizia ontem a senhora Merkel, em plena reunião sobre o emprego jovem realizada em Paris!,« o Estado não gere empregos, só as empresas». Tem sido pouquinho.E para Portugal, um suicídio em directo.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Calai-vos uns aos outros

O ministro Paulo Portas, num assomo de ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, mandou calar o seu sucessor quanto às fases incógnitas que hão-de conduzir o país «aos mercados». Segundo o homem da linha vermelha «Portugal tem data marcada para sair do Programa de Assistência, não taxa de juro.» Porém, um porta-voz qualquer da Comissão Europeia mandou dizer que ainda é cedo para fórmulas à Portas, pois «continua muito trabalho para fazer em Portugal». E no BCE, e no ECOFIN, e no Euro-grupo, acrescento eu. Ou não?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rui Machete não pode abrir a boca?

Para que convidaram Rui Machete para MNE? O homem não pode abrir a boca. A taxa de juro de 4,5 apontada por ele na India é especulativa? Claro que é. Mas quando o BCE reduz a sua taxa de referência para 0,2% tudo que o Tesouro Português pagar a mais de uns 2% não é agiotagem permitida pela complacência do poder político da zona euro?

Sem água da EPAL, tão perto do aqueduto

Ontem foi todo o dia sem água fornecida pela EPAL. A retoma do fio estava anunciada para as 18h, mas só demos por ela barrenta cá em casa perto da meia-noite. Hoje, logo às 7h já não havia pingo nas torneiras. Desde 5ª feira que são estas fantásticas «rupturas na via pública», jamais anunciadas aos utentes com antecedência. Os serviços prometem agora restabelecer o contracto às 13h. Vou ver o que se passa na rua Cecílio de Sousa. Deve ser uma obra de engenharia hidráulica tipo construção do canal do Panamá...

domingo, 10 de novembro de 2013

Água da companhia às pinguinhas

Esta semana, sem qualquer aviso prévio, a Epal interrompeu por longos períodos nocturnos o abastecimento em certas zonas do Príncipe Real, na quinta e na sexta. Hoje domingo, em versão diurna, voltou a interromper o seu serviço na mesma zona, alegadamente «por roturas na via pública». Água às pinguinhas como nos velhos tempos do lavadouro!

«Os Justos» de Albert Camus desapareceram?

O centenário do nascimento de Albert Camus aí está a ser celebrado com novas palavras, sempre menos rebeldes das que empregues pelo autor do Estrangeiro, da Queda, do Mito de Sísifo ou do Calígula. Tinha 15 anos quando foi atribuído o Prémio Nobel ao panfletário, ao dramaturgo, ao romancista. Li-o quase todo em Ponta Delgada naquelas edições Miniatura da Livros do Brasil. A Queda foi então o meu preferido. Quando li, já em francês  a peça «Les Justes», recebi talvez a maior lição sobre as relações entre as questões éticas e o recurso à violência política contra os déspotas. Vejo sem surpresa que é uma obra ausente do mausoléu onde se enterram os pensamentos vivos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O jurisconsulto e a política de lesa-pátria

Luís Marques Guedes deve ser um bom jurisconsulto. Anda no processo legislativo há muitos anos e como lhe sobra prudência  e perfil baixo foi nomeado governante para limitar os desastres de redacção das leis emanadas do Conselho de Ministros. Quase tudo a favor dele. Hoje borra a pintura de uma forma que só se explica pela fúria do PSD-Passos Coelho em colonizar todos os agentes decisivos do processo político em Portugal.Depois de Cavaco e de Durão falta-lhes em carteira o PS. Daí o deslize tão autoritário num homem de boas famílias republicanas ao declarar hoje no semanário Sol, que« O actual rumo da direcção do PS é uma política de lesa-pátria».Mas porquê? Estes governantes, fora o mimetismo norte-americano da bandeirinha na lapela, cuja regulamentação oficial de uso não existe, já deram alguma prova de quererem formar um governo de ampla representação patriótica sem lesões?

Passos Coelho partidariza Durão Barroso

 Passos Coelho conseguiu partidarizar Durão Barroso , presidente da Comissão Europeia, na defesa sem emendas  da proposta  governamental do OE para 2014, como já havia anexado Cavaco Silva na crise gerada pelas demissões de Vítor Gaspar, e na borrada de Paulo Portas no seguimento desta. Mas o certo é que foi a Bruxelas assinar um comunicado conjunto para efeitos de poder interno. Calculo que Durão Barroso, em operações de regresso a Portugal, venha a pagar caro em termos de presidenciais esta forma de conseguir apoios para uma eventual candidatura. Pois fica provado que só militantes do PSD nesses cargos não deixam respirar em liberdade a sociedade portuguesa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A apresentação do livro por Pedro Lains

Ontem , na Almedina-Saldanha, foi um dia de festa para mim . Rodeado de muita gente amiga tive direito a uma apresentação empática-não isenta de distância crítica!- do livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» por Pedro Lains, um dos poucos economistas portugueses com a profundidade histórica necessária para enquadrar os dias de hoje numa perspectiva do devir nacional e internacional. O livro está agora no mercado. De certa maneira as interpretações que se possam tecer sobre ele já não me pertencem.Mas posso vir a contrariar algumas delas...
É muito agradável publicar livros depois dos setenta anos...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

programa de festas


Esta quarta-feira, às 18.30, lançamento na Almedina do Atrium Saldanha.

A OIT é indispensável à globalização

Há anos que defendo um papel mais activo da OIT na governança da mundialização, e volto a ela no meu próximo livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» a ser lançado esta semana pelas Edições 70.
A globalização neo-com assente no desregramento financeiro, na competitividade de salários asiáticos sem protecção de direitos sociais só foi possível pela quebra de influência da OIT no sistema das Nações Unidas, com o reforço paralelo do FMI, e com
 a emergência forçada da Organização Mundial do Comércio (OMC), muito saudosa dos tempos da competitividade do trabalho forçado como factor dos preços baixos no mercado mundial e da domesticação da inflação. Deste modo as conquistas sociais europeias são mantidas na defensiva tanto mais que desapareceu o «o império do mal».
Pois bem, parece que a OIT quer começar por Portugal um novo ciclo na sua vida internacional. É bem vinda.Mas para já nenhum estudo da OIT  consta das Fontes utilizadas no guião de Paulo Portas!

domingo, 3 de novembro de 2013

Zona de intervenção da Reforma Agrária e Bolsa de Terras

Leio, meio divertido, a notícia no Expresso-Economia, sobre o fiasco absoluto de uma ideia aparentemente sedutora promovida pela inefável ministra Assunção Cristas. Tratava-se de colocar numa base de dados prédios agrícolas não cultivados, fossem públicos fossem de particulares. Em perspectiva só está agora a criação do «Comissário da Bolsa de Terras», um job certamente a tempo inteiro! Mas o mais engraçado, num país «que não pode ter terras abandonadas», é que com todas as diferenças de filosofia e de dimensão, os únicos casos apresentados se situam na antiga «Zona de Intervenção da Reforma Agrária»...
 Emparcelamento, reforma agrária, cooperativas de produção. Bolsa de Terras pode ter mais apeal, mas só serve para ilustrar que há problemas de aproveitamento agrícola que estão para ser resolvidos desde as lutas liberais...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O guião e a procissão

O governo apresentou «uma proposta» de «guião da reforma do Estado», aprovada em Conselho de Ministros, em cima da discussão e votação do diploma orçamental que corre neste momento na AR. Não se percebe de que tipo de iniciativa política-legislativa se trata. Não é uma resolução, não desce à AR, não tem natureza legislativa. É um longo artigo de opinião cujo fim é o objectivo milenar de «modernizar o Estado». Uma coisa é certa ninguém volta a assediar Paulo Portas com a «reforma do Estado». É o único português que exibe uma bula nesse domínio. Escrita em latim do Baixo-Império...

Gosto