A propósito ainda de João de Almeida, todos sabemos como ele foi estridente a exigir o fim completo das pensões para os ex-detentores de cargos políticos, com a excepção dos ex-presidentes da República e pelo caminho de mais uma ou outra excepção que não levante dificuldades no Tribunal Constitucional. Por isso quando se assiste às nomeações de Vítor Gaspar para o FMI ( que falta de subtileza!), à candidatura «on-line» de Álvaro Santos Pereira para a burocracia tecnocrática de um serviço discreto na OCDE, e sobretudo ao recrutamento de José Luís Arnaut pela Goldman Sachs, percebe-se melhor como os políticos da área governamental vão remediar o resto das suas vidas e das suas pensões em dólares.
PS- Antes que haja qualquer mal-entendido, informo que em 2012 deixei de receber a paradoxal« pensão vitalícia», por ter percebido honorários por uma actividade marginal na área privada Quanto valerão no futuro os meninos de coro desta geração de jotas?
domingo, 12 de janeiro de 2014
Isto sem o João Almeida não vai ter a mesma graça...
Desde que Paulo Portas desistiu de se demitir do governo, em vésperas de um congresso virtual, para não perder o CDS, que este objectivo seria atingido sem sobressaltos. Dou-me agora conta que o porta-voz João de Almeida terá de ser substituído nestas funções, por entretanto ter sido nomeado para uma secretaria de Estado cuja designação exacta ainda não retive.Sem o João de Almeida, e suas guinadas ideológicas, o CDS terá menos graça.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Comprar dívida aos«periféricos»
Portugal, Espanha e Irlanda receberam por estes dias os favores do mercado financeiro como já não acontecia há muito. As taxas de juro que a Espanha conseguiu hoje foram as mais baixas desde a crise bancária. O Tesouro português já se deu por satisfeito por ter descido abaixo dos 5%, e o «mercado secundário» deu o seu aval à compra de dívida dos países recentemente sob suspeita de incumprimento. Até esta hora só falta algum analista de mercados- dos que sabem- explicar a preferência deste dia, e como os compradores se irão ressarcir.
Derramar «humildade» sobre Eusébio
Uma dos adjectivos mais usados para caracterizar Eusébio foi o de achar tratar-se de alguém «humilde», ou mesmo «muito humilde». Em princípio foram elogios em boca de quem não pratica demasiado aquela virtude nos meios onde circula, mas eu que convivi em raras circunstâncias sociais com o genial futebolista, tenho a certeza que ele não reconhecia critério a quem não o percebia o suficiente.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Cucos estratégicos
Há problemas de financiamento nas obras de alargamento do Canal do Panamá. A empresa SACYR, de capitais espanhóis, sub-estimou o valor dos custos e está em risco de suspender os trabalhos a partir de finais de Janeiro, pois só tem um seguro de 300 mil milhões de dólares, e precisa de captar um total de mais de cinco mil milhões até 2015 data prevista para o alargamento final do Canal do Panamá. Entretanto o governo dos EUA já acusou, em devido tempo, a empresa espanhola de receber «ajudas públicas», e relembra que o mecanismo de resolução de disputas pertence à jurisdição da Lei Federal norte-americana.
Ainda não é caso para se falar de «FIASCO no PANAMÁ», como o editorial do EL PAIS, mas era bom que os nossos visionários de grandes estratégias alheias percebessem que a Ásia pode não estar assim tão perto de Sines...Mas uns discursositos ninguém nos tira...
Ainda não é caso para se falar de «FIASCO no PANAMÁ», como o editorial do EL PAIS, mas era bom que os nossos visionários de grandes estratégias alheias percebessem que a Ásia pode não estar assim tão perto de Sines...Mas uns discursositos ninguém nos tira...
Machete parado no Inverno
Rui Machete terá declarado ontem, sem ser contraditado,« que o essencial da política externa portuguesa não muda desde o Estado Novo». Não sabemos o que é o «essencial da política externa», mas não deve ser a política de neutralidade durante a IIGM,nem as resistências à assinatura do Pacto do Atlântico, nem a defesa jurídica e tacanha das colónias como «províncias ultramarinas», nem a estratégia usada na «questão de Goa» que nos alienou o apoio de Londres, nem a desistência do pedido de conversações em 1962 para uma possível forma de cooperação com a CEE, e assim por diante, ou para trás.
Quem não muda é Rui Machete desde os tempos da Faculdade de Direito de Lisboa. Mas, na verdade,até fico à espera que ele recue até ao duque de Soveral. Seria mais conforme...
Um republicano entre duques e marqueses:
Chamam-me a atenção de que Soveral foi marquês e jamais duque.
Quem não muda é Rui Machete desde os tempos da Faculdade de Direito de Lisboa. Mas, na verdade,até fico à espera que ele recue até ao duque de Soveral. Seria mais conforme...
Um republicano entre duques e marqueses:
Chamam-me a atenção de que Soveral foi marquês e jamais duque.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Eusébio- 24 sobre 24. Nada sobre o Canal do Panamá...
Calma, eu até escrevo amanhã sobre a sobre a morte de Eusébio! Mas espanto-me que nem uma vez durante o dia a comunicação tivesse chamado a atenção para as dificuldades financeiras que o alargamento do Canal do Panamá está a atravessar... Logo o Canal do Panamá que era o TGV deste governo até ao Porto de Sines...
domingo, 5 de janeiro de 2014
A velocidade do pelotão
A velocidade do pelotão, mesmo quando medida pela média dos mais velozes, é sempre aquela que os mais atrasados imprimem. O semestre europeu começa com a presidência grega, sempre a poupar-se na maratona, e a Letónia acaba de aderir à zona euro, criando novas médias e comparações estatísticas que fazem as delícias dos económetras. Não me parece que haja grandes novidades na «frente leste» tão cedo. Houve, claro, quem pretendesse destituir o governo de Atenas do encargo da presidência semestral-que osTratados salvaguardam- mas ninguém levou a sério o fundamentalismo do castigo.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Candide de Voltaire por Léonard Bernstein
Mas já foi muito pertinente ter ido ao S. Carlos assistir à Gala de Ano Novo ouvir a versão concerto do Candide de Voltaire, com libreto de Hugh Wheeler e música de Léonard Bernstein. O hino ao optimismo beato não recebeu uma forte denúncia entre nós, e o
coro do S, Carlos e as vozes de Pangloss e Candide contribuíram para esse efeito geral, ontem à noite. O S. Carlos, cheio, e a aplaudir de pé da plateia ao balcão, antecipou um regresso à criação artística e à normalidade comunitária, como nenhum personagem ainda o tinha feito desde 2008.
coro do S, Carlos e as vozes de Pangloss e Candide contribuíram para esse efeito geral, ontem à noite. O S. Carlos, cheio, e a aplaudir de pé da plateia ao balcão, antecipou um regresso à criação artística e à normalidade comunitária, como nenhum personagem ainda o tinha feito desde 2008.
Uma mensagem para nada
Como previ aqui a 26 de Dezembro o PR não iria embaraçar a execução do OE para 2014 com qualquer nova iniciativa dirigida ao TC. Tive pena da brigada de comentadores a quem foi dado dissecar os objectivos da mensagem do PR. Ontem não havia nada para acrescentar, a não ser nada em cima de nada. Se é assim que se prepara o pós-troika, estamos bem arranjados. Que os 40 anos do 25 de Abril inspirem a grutinha de Belém...
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
A troika nem sempre existiu- por José Medeiros Ferreira
«O mesmo que
Portugal até aqui era, já ele não pode ser.»
Almeida
Garrett, Portugal na Balança da Europa
A sociedade
portuguesa não voltará a ser o que era, nem antes nem depois de 25 de Abril.
Nem antes nem depois da entrada na EU, cujo primeiro ciclo de 25 anos terminou
com a assinatura do Tratado Orçamental. Espera-nos o mar ignoto, por muitos
sextantes e bússolas que fixem alturas e direcções. Não o sabem os portugueses,
como não o sabem os governantes rotineiros, e os responsáveis dos organismos
internacionais como o FMI, a Comissão Europeia, o ECOFIN, o EUROGRUPO. Os
britânicos só o sabem um pouco mais porque são insulares e mantiveram intactos
os poderes do Banco de Inglaterra, com que contam para vencerem o referendo
sobre a independência da Escócia em Setembro.
Do Xeque Mate ao Cheque Ensino
Ainda antes de ser Ministro, na
sua dourada época de comentador, malsinando que a escola pública é facilitista
e o eduquês a sua linguagem, Nuno Crato, afirmou que o Ministério da Educação
devia ser implodido. Hélas! Três anos volvidos e, realmente, restam pouco mais
que escombros. As bombas que “Nuno, o pior do Crato” desembestou foram a drástica
diminuição das dotações orçamentais, turmas sobrelotadas com mais de 30 alunos
e vários níveis de ensino em simultâneo, encerramento de escolas, giga-agrupamentos,
corte cego em auxiliares, despedimentos economicistas de professores, fim do
Inglês obrigatório no primeiro ciclo, eliminação das Áreas de Projeto e
Educação Cívica, aulas em contentores, diminuição de apoios sociais. Ufa. E só
por exemplo. Fica óbvio aquilo que era evidente: o seu problema não era a suposta
falta de rigor da escola. A escola pública é mesmo a arqui-inimiga do Ministro.
E, assim, Crato passa a ser o inimigo público nº2.
Trinta ex-secretários de Estado
Este governo de Passos Coelho gasta muitos secretários de Estado. Parece que só neste ano de 2013 foram trinta, com o Rosalino já ao abrigo das intempéries no BdP, conjuntamente com o Vítor Gaspar. Sobre a colocação dos outros 28 ainda não veio a lista. O PR faz de conta que o seu papel é o de bater recordes de velocidades na duração dos actos de posse dos secretários de Estado. O de Paulo Portas é o dar abraços ao Miguel de Almeida, um próximo demissionário...
domingo, 29 de dezembro de 2013
Ser citado na blogosfera
A blogosfera recebeu este ano, em Portugal, uma forte concorrência em termos de Facebook, e ficaram activos apenas aqueles blogues cujos autores, como é o meu caso, se afeiçoaram de tal modo que consideram um dever manter o seu em actividade. De certa maneira desapareceram os que andavam cá por uma questão de moda e agora emigraram para sítios mais « fashionable».
Por isso neste ano ainda tem mais sabor ser citado por outros blogues que consideramos como os do João Gonçalves, e o do José Paulo Fafe.
Por isso neste ano ainda tem mais sabor ser citado por outros blogues que consideramos como os do João Gonçalves, e o do José Paulo Fafe.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Cavaco Silva não vai embaraçar o OE
Depois da Acórdão do TC sobre a lei dita da «convergência das pensões», creio que Cavaco Silva vai poupar o governo a qualquer iniciativa, mesmo consecutiva, sobre a constitucionalidade do OE para 2014, o último antes do após-troika, se assim me posso exprimir. Fica na varanda.
Uma cimeira de crianças
Ontem à noite foi dia da cimeira das crianças com laços de parentesco estreitos entre si: irmãos, primos em primeiro e segundo graus, e uma miscelânea de famílias por afinidade: avós, pais, tios, compadres. Nomes que se pegam: Catarinas, Joões, Joanas, Franciscos, Migueis, Alexandres. Como sempre uma espécie de espectáculo com recitativos e diálogos da autoria dos adultos mais chegados e das gerações emergentes. Entre estas alguns quadros a trabalhar em Londres, outras premiadas em Berlim, quase todas a pensar noutras paragens. A grande maioria das crianças com mais de dois anos...
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Paz na terra por falta de dinheiro
Ainda o escrevi. Ainda o disse em intervenções na Assembleia da União da Europa Ocidental (UEO), uma defunta organização - em plenos ardores da «arquitectura» de uma Política de Defesa europeia em 1999: a disciplina do Pacto de Estabilidade impediria o crescimento da PESC e da Política de Defesa. Na altura planificava-se por de pé um sistema de forças com 60.000 homens. Desde 2008 todo esse exercício de Estado-Maior foi por água-abaixo.
Na cimeira da UE da semana passada pretendeu-se voltar ao tema, sobretudo dada a orfandade da França na matéria, e os seus envolvimentos no Mali e na República Centro Africana. O resultado foi «minable»: fora a ideia copiada dos «drones», as ambições cifram-se agora na formação de dois «battles groups» de 1.500 soldados cada um. Como não assegurar a «PAZ na TERRA» quando se desiste de 60.000 homens?Ou estamos perante a oficialização de «cada um por si»? Não me admirava.
Na cimeira da UE da semana passada pretendeu-se voltar ao tema, sobretudo dada a orfandade da França na matéria, e os seus envolvimentos no Mali e na República Centro Africana. O resultado foi «minable»: fora a ideia copiada dos «drones», as ambições cifram-se agora na formação de dois «battles groups» de 1.500 soldados cada um. Como não assegurar a «PAZ na TERRA» quando se desiste de 60.000 homens?Ou estamos perante a oficialização de «cada um por si»? Não me admirava.
domingo, 22 de dezembro de 2013
A Alta Autoridade Bancária- alguns poderes, nenhum dinheiro
Existe agora uma nova forma de federalismo europeu com que a senhora Merkel inaugurou o seu novo mandato. Trata-se de sugerir uma revisão dos tratados - inclusive o de Lisboa dado à luz graças ao trabalho de parteira de chancelerina - num sentido aparentemente mais federalista mas sem verbas comunitárias, ou mesmo intergovernamentais. A primeira vítima dessa carência de vontade foi a nascitura Alta Autoridade Bancária a quem foram atribuídos alguns poderes de supervisão dos bancos da zona euro, mas não facultados meios para acorrer a casos «de emergência financeira». Se houver federalismo será a custo zero!
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Um governo à semelhança de Hélder Rosalino
Talvez não por mera coincidência, soube-se que o secretário de Estado da Função Pública, Hélder Rosalino, apresentou a sua demissão no dia em que o TC considerou, por unanimidade, inconstitucional o diploma que pretendia reger a convergência das pensões entre as da segurança social e as da CGA actualmente em vigor.
Hélder Rosalino era um recordista de medidas avulsas e inconstitucionais podendo dizer-se que não respeitou o compromisso que jurou ao tomar posse perante o PR. Mas há outros no governo a nível de ministro.
Hélder Rosalino era um recordista de medidas avulsas e inconstitucionais podendo dizer-se que não respeitou o compromisso que jurou ao tomar posse perante o PR. Mas há outros no governo a nível de ministro.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Cada vez mais sozinhos
A Espanha teve alta do plano de refinanciamento da banca, embora os seus bancos tenham de passar a prova de transparência financeira em Janeiro, como os congéneres portugueses, um dado que pouco se fala entre nós. A República da Irlanda saiu da situação de resgate e lança-se confiante nos mercados, o que enche de alegria todos os «austeritários unidos» que acham mais uma vez que a história acabou. O êxito da Irlanda permite agora à triste oligarquia europeia exibir os seus verdadeiros sentimentos em relação a um país como Portugal que vai sofrer por ter ficado sozinho encostado ao quadro negro dos exames primários dos equilíbrios macro. Ontem, até Mário Draghi se revelou excessivo e impertinente diante da eurodeputada Elisa Ferreira que o questionou sobre o confessado «erro inicial do desenho» por parte do FMI, e do qual se deve pedir responsabilidades ao mais alto nível. Que não houve nenhum erro, disse,-ele que não é do FMI- e que Lisboa vai precisar de ajuda para voltar aos mercados! Coitadinho de Portugal, encostado sozinho à ardósia. Muitas contas o vão obrigar a fazer. A Grécia, como sabemos, não conta!
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