quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Alguém se lembra do tema da crise no PS?

Na manhã da noite em que se reuniria a Comissão Política do PS afirmei na TSF que António José Seguro e António Costa teriam de se entender tão inoportuna e vácua era a crise desencadeada. De facto, ao ler as declarações de ambos depois dessa reunião dir-se-ia que é só o passado que os divide. Terá este mais força do que o futuro?

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma voz nítida

Tive ontem a alegria de conversar com Mário Soares ao telefone: uma voz nítida, um tom robusto, um encontro aprazado para mais tarde falar sobre o presente e o futuro.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

No Congresso do PS-Açores

Estive este fim-de-semana no XV Congresso do PS-Açores e gostei do que vi e ouvi. O PS-Açores, já o disse, é o que de melhor há no sistema partidário português. Basta reparar na transição efectuada entre Carlos César e Vasco Cordeiro. Desta vez a grande novidade, para além da participação activa de muitos membros jovens, é o facto de na Comissão Regional eleita- o órgão máximo entre congressos- haver mais mulheres do que homens. Como escrevi nuns apontamentos durante a campanha eleitoral nos Açores em 1996: «Está a chegar a hora do domínio feminino na vida política.»

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O bifrontismo da coligação

Ontem o protagonista da coligação foi o número 2 do governo, Vítor Gaspar, com a «ida aos mercados», antes do regresso da troika em Fevereiro e do anunciado corte nas «funções sociais» do Estado. Hoje o vencedor do Conselho de Ministros foi o número 3, Paulo Portas, com a paralisia do processo de alienação da RTP. Relvas, cujo número se ignora, limitou-se a uma declaração de voto de vencido: a «reestruturação será dolorosa»! Crise adiada na coligação.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Crise de autorias

Quando Portugal se prepara para receber mais 4 mil milhões de euros da troika por causa das flutuações cambiais no mix das moedas dos direitos de saque especiais do FMI- ajustamento que o célebre Baptista da Silva anteviu na entrevista ao Expresso-, sabe-se que um dos credenciados co-autores do relatório técnico do FMI encomendado pelo governo de Passos Coelho, o espanhol Carlos Mulas, foi destituído do «Laboratório de Ideias» do PSOE acusado de falsa autoria de estudos para aquele partido... Venha o diabo e escolha.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Num dia como o de hoje

Num dia como o de hoje é bom ler o site peprobehttp://www.peprobe.com/, com informação séria e sóbria que permite a cada um formar melhor as suas opiniões.

O governo triunfa e a sociedade não?

A República Portuguesa vai voltar aos mercados gradualmente e com rede, e como o BCE indicou em Setembro, para este comprar a dívida assim emitida no mercado secundário. Mário Draghi atenuou assim uma das deficiências mais graves dos Estatutos do BCE. A revista TIME traça-lhe o perfil e realça-lhe o mérito de agir por frases curtas e apropriadas.
Também a Grécia - à frente em muitas das soluções necessárias para ultrapassar a crise das dívidas soberanas- deu uma ajuda com a extensão do calendário do vencimento das maturidades dos títulos da dívida. Desde que se fale mal do precedente grego este está a funcionar a favor dos outros países. Falta ainda ao governo português conseguir fazer baixar as taxas de juro dos empréstimos obtidos junto da troika. Chegará lá, possivelmente ajudado pela queda dos juros no mercado financeiro, apesar das agências de notação agora menos determinantes. A sociedade portuguesa espera que o governo lhe faça saber as consequências para ela de tudo isto.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O corte

 A operação de corte nas despesas do Estado tem recebido vários nomes de código que eufemísticamente transcendem o escopo da questão, como «reformas estruturais» à la FMI, ou como «refundação do Estado» ao modo Passos Coelho. Trata-se agora  de pretender cortar mais 5 mil milhões de euros no OE. Ora cortar 5 mil milhões de euros anuais vai dar origem a muitas epopeias doutrinárias entre nós. Mas o principal resume-se a estudar alínea por alínea o orçamento, modificar o perfil da dívida, e procurar soluções fora do «menu Gaspar».

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ADSE

Porque será que enquanto o Estado embolsou durante décadas os descontos para a CGA e para a ADSE- em média mais altos do que os exigidos para a segurança social - não apareceu nenhum teórico do nivelamento por baixo que tantos combateram há 40 anos? Tudo tão evidente...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Amílcar Cabral

Faz hoje 40 anos que Amílcar Cabral foi assassinado.Conheci-o em 1971 e
 entrevistei-o para a revista Polémica onde ele propunha um mapa para negociações sérias com Portugal. Estava preocupado com os efeitos perversos da luta armada no futuro. Muita falta nos fez no processo de descolonização. Teria sido um estadista e um dirigente internacional da mais alta qualidade. Um natural secretário-geral da ONU, se estes fossem «naturais». Quando tantos têm nostalgia dos «grandes líderes» convém recordar como alguns acabaram. e às mãos de quem.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Se as taxas de juro baixam...

Se as taxas de juro baixam por causa das pequenas frases de Mário Draghi ao ponto dos países «sob resgate» começarem a pagar taxas inferiores às praticadas pela «assistência financeira», temos mais um motivo para Reavaliar a Troika, como escrevo no CM.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

De São Mamede a Santo António

A freguesia de São Mamede em  Lisboa, onde moro há mais de 35 anos, foi «jumelada» com mais umas três divididas pela Avenida da Liberdade, e passa a chamar-se- para ciúme das demais?- de Santo António. Não sei se chore se ria, mas o que não tenciono é mudar de BI vitalício(coisas da idade) só para oficializar o pseudónimo...Quero é saber onde será a sede da futura Junta de Freguesia, e onde irei votar nas próximas eleições. Não me façam ir votar de ambulância, ou de táxi, quando antes ia a pé...Isto sem governador civil vai ser bonito aqui e  mais além.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Avaliar o FMI

O Jornal de Negócios relata que a Rádio Renascença recebeu uma nota dos serviços do FMI, esclarecendo os distraídos que, como é óbvio, cabe ao povo português decidir sobre o papel do Estado  e que cabe às autoridades nacionais decidir sobre o destino a dar ao relatório, informando ainda que o governo de Passos Coelho contribuiu com comentários para a versão final do relatório encomendado. Até o FMI é mais transparente do que este governo, porque ao fim e ao cabo ele também está em avaliação.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Líbia, Mali...

Quando a França perdeu peso na Europa de Bismark virou-se para a expansão colonial. Desde que Merkel guia a zona euro, Paris mostra-se particularmente activa nas questões da Líbia, da Síria, do Mali...Ao mesmo tempo prima pela falta de comparência na política europeia deixando a Alemanha sozinha a acabar o que começou. Até quando?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os juros do resgate

A República da Irlanda financiou-se por estes dias «nos mercados» a taxas inferiores às oferecidas pela troika àquele país. Eis um dado a ter em conta, caso a tendência se mantenha, e alastre aos outros países sob «assistência» como tudo parece indicar...

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Aliança Passos-técnicos do FMI

Passos não sabe como lançar, com efeitos úteis, o magno tema da reforma dos serviços do Estado.A aliança com os técnicos do FMI foi desfeita com a fuga de informação de um relatório qualquer.No artigo a Aliança Passos-FMI, lamento que ministros como Paulo Portas, Aguiar-Branco e Miguel Macedo não se tenham recusado ao exercício nas suas áreas. Este governo não tem condições para tal tipo de reformas, e a execução de um tal guia para a acção irá cavar divisões no interior do governo e entre os partidos da coligação. É só esperar, mas não sentado.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Avaliar a troika

Uma das boas iniciativas do Professor Paz Ferreira foi ter organizado em devido tempo um colóquio na reitoria da Universidade de Lisboa para «Avaliar a troika». Só a ideia vale ouro e deve merecer repetição a nível nacional e, sobretudo, internacional. Lá chegaremos.

Conversa na Almedina do Saldanha

Por iniciativa do meu amigo Eduardo Paz Ferreira, presidente do Instituto de Estudos Europeus da Universidade de Direito de Lisboa, estive esta noite na Livraria Almedina, numa longa conversa sobre o facto de não haver, desta vez, um novo mapa-cor-de-rosa para onde nos possamos evadir.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Os pedidos de fiscalização constitucional do OE

Desdoram-se os pedidos de fiscalização sucessiva do OE. Depois do PR veio o grupo parlamentar do PS levantar a questão, reforçando com argumentos substânciais a dúvida honesta sobre os 3 artigos anunciados por Belém . Seguiram-se os outros partidos, das regiões autónomas inclusive, e agora do Provedor de Justiça. Ainda podem aparecer mais. Em princípio a maioria na AR, e o Governo, contestarão os  pedidos de impugnação, com argumentos jurídicos de preferência, no prazo de 30 dias. Depois o TC dirá de sua justiça. A isso se chama « o regular funcionamento das instituições democrátias». Queixam-se de quê?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fora do caderno eleitoral voto no Mourinho

Assisti à atribuição dos prémios da FIFA para os melhores e as melhores do ano 2012. Sem direito a voto concordei com o Messi no esplendor das suas características únicas de jogador de equipa, um miúdo de 25 anos que não chega ao metro e setenta e marca mais de 80 golos sem ser egoísta e ainda menos é um ponta de lança à medida dos defesas centrais... Sobre o melhor treinador acho que o Del Bosque merecia o prémio «carreira», mas Mourinho merecia repetir o título de melhor treinador do mundo. Quando ele sair do Real Madrid vão ver a diferença...

sábado, 5 de janeiro de 2013

A Constituição defende os portugueses

Como não podia deixar de ser a Mensagem pensada do PR ocupa o meu artigo semanal no Correio da Manhã. A Mensagem de Cavaco Silva- sem dúvida a sua melhor peça política desde que é Presidente - tanto interpela o governo como os nossos parceiros internacionais que defendem e impõem um modelo sem saída para o crescimento. Mesmo quando envia os três artigos para a fiscalização da constitucionalidade ele está a avisar que as negociações com a troika têm de se conformar com a Constituição. Se governar fosse não não fazer caso do Estado de Direito os pretendentes a tirano seriam mais do que os filiados em partidos...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Sucessivamente...

Como era previsível o PR enviou o Orçamento de 2013 para a apreciação sucessiva do Tribunal Constitucional. Nem o podia ter deixado de o fazer desde que o ano passado deixou passar sem reparo o de 2012 que se revelou inconstitucional em certos pontos graça à iniciativa de vários deputados que honraram assim os seus deveres para com os cidadãos e que voltaram a anunciar que o fariam também para o de 2013, perante o à-vontade do governo com a lei fundamental.
A grande novidade foi o PR tê-lo feito num discurso de Ano Novo crítico em relação a este governo. E isso terá sucessivas consequências ...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Eu e o Facebook

Acordei com o e-mail cheio de «pedidos de amizade» para o Facebook. Muitos desses e-mails são de amigos, ou de gente que considero e de quem gosto. Mas gostava de dizer a todos que sou um facebooker não-praticante. Não levem a mal que vos não responda por essa via.

Marques Júnior- O bravo sensato

Primeiro a notícia do grave acidente vascular cerebral e o estado de coma. Dias depois a chegada do falecimento de António Marques Júnior, oficial do Exército, militar de Abril, deputado da nação, um cidadão de corpo inteiro. Nestes últimos dias estive com o pensamento nele, revendo o homem, o seu carácter, a sua acção. Conheci-o nos idos da génese do regime democrático, e depois na fundação do Partido Renovador Democrático. Acabada a experiência do PRD - onde nem sempre coincidimos - voltámo-nos a encontrar no PS - onde foram mais as coincidências do que as divergências. Homem de fortes convicções era um bravo sensato, um patriota sereno, a quem todas as missões podiam ser confiadas. E um camarada, mesmo quando já não há camaradas, e agora ainda menos.

Gosto