segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os jornais vão-me fazer muita falta

Acaba de ser publicado o último número em papel da revista Newsweek.
 O Le Monde noticiava ontem que mil postos de venda de jornais foram suprimidos em França nos últimos tempos. Por cá no dia de Natal e no primeiro de Janeiro há jornais que não se publicam e quiosques que não abrem. Voltamos aos ardinas, ou a imprensa escrita está mesmo a chegar ao fim? A falta que sinto de jornais e do tempo que me fazem perder!

domingo, 30 de dezembro de 2012

O Povo e os falsos profetas

É da Bíblia. Quando um povo está em cativeiro aparecem os profetas. Uns são falsos, os outros não se sabe. Maquiavel, um espírito laico, preferiu separá-los entre os armados e os desarmados, não augurando nada de bom a estes últimos.
Quanto ao povo, já Rousseau confessou não saber exactamente o que faz com que um povo seja efectivamente um povo, embora tivesse a certeza de que é nele que reside a origem da soberania. Não sei se se deixaria guiar pelo que escrevi este fim - de- semana no Correio da Manhã sobre estes temas, mas que o povo voltou a aparecer ao governo no ano de 2012, lá isso voltou.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Crescem os mortos e os desempregados...

No ano de 2012 houve mais mortes do que nascimentos em Portugal. É um défice alarmante pior do que os défices excessivos que preocupam os econometristas. A não ser que seja uma forma de diminuir os desempregados no futuro...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O meu amigo Mário Borges

Conheci o arquitecto portuense Mário Borges em Genebra em 1968. Exilado no princípio dos anos sessenta, passara por Londres e depois fixara-se na Suíça. Na altura em que o conheci já era mais um intelectual crítico do que um militante político.Muito céptico quanto aos «amanhãs que cantam», conversar com ele sem agenda nem finalidade era sempre um desafio: desde o urbanismo aos «Rencontres de Genève» que papávamos com afinco em Setembro nesses anos reanimados. Fiz uma referência a essas conversas no livro Pátria Utópica que um grupo de exilados que regressou a Portugal depois do 25 de Abril publicou.
Mário Borges não regressou. Deixou-se ficar quase sozinho na cidade de Calvino.Participou na concepção do novo edifício da Cruz Vermelha Internacional que mostrava com cuidados de pai. Quando vinha a Lisboa  era uma festa de ideias, debates, reencontros, e planos para o futuro. Há menos de um ano informou-nos que regressava ao Porto e que dizia adeus a Genebra. Estava doente. Ainda o fomos visitar ao Porto. De uma das vezes levei-lhe As Cartas a Lucílio de Séneca. Da outra disse-me que já não o podia ler porque o volume lhe pesava cada vez mais e se tornara incómodo.Lia Santo Agostinho. Faleceu em plena quadra natalícia e deixou uma pequena lista de nomes para notificar quando se desse o acontecimento. Mário Borges, um amigo para a vida e para a morte.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Assistencialismo nos feriados

O governo suspendeu com fanfarra uns quantos feriados nacionais obrigatórios à conta de um PIB que lhe não obedece em termos de crescimento. Implacável quanto a a algumas datas históricas, como o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro que não devem dizer muito à geração desses jotas, essse mesmo governo concedeu dois dias de tolerância de ponto nesta quadra assistencialista sendo um deles a imprescindível véspera de Natal, e o outro o dia 31 de Dezembro que tem o valor simbólico de uma «ponte» pagã oferecida pelos «governantes» aos «governados». Que sorte!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Monti, o florentino

Mário Monti pode não ser um político profissional, mas sabe usar a preceito a cultura florentina reinante em Itália. Não será candidato nas próximas eleições mas não se furtará a exercer de novo a chefia do governo em Roma se para isso for convidado pelos partidos vencedores...

sábado, 22 de dezembro de 2012

O fim do mundo

No Cabo Submarino de hoje chamo a atenção para as propostas da equipa de sete economistas do PNUD, coordenada pelo português Baptista da Silva. É muito significativo que o secretário-geral da ONU tenha chamado a si o tema da evolução social e económica dos países do sul da Europa prevista como potencialmente explosiva. Já não estamos sós nas propostas de actualização e renegociação dos termos do «Memorando de Entendimento». Há um outro mundo quando este acabar.
Aviso posterior ( a 24 de Dezembro ):
Parece haver dúvidas sobre os títulos com que Artur Baptista da Silva se apresentou quando discursou no Grémio Literário em Lisboa a 4 de Dezembro, quando deu a entrevista ao Expresso que foi objecto de um despacho da Reuters de 15 de Dezembro, e depois quando foi à TSF e à SIC-N, além de outras participações públicas. Mas não seria negativo continuar a ouvir as suas propostas na qualidade de simples cidadão.Por mim lamento que o tal Observatório não esteja a funcionar...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

The Newtown aftermath

Quando se disse que as «ideologias estão mortas» pensava-se em que termos? A mortandade de Newton demonstra que quase tudo se pode discutir em termos  micro-ideológicos ainda hoje. De um lado, os que acham que tudo se deve às doenças mentais e à sua despistagem e tratamento, por outro, os que só atacam a facilidade  com que se compram arsenais de armas automáticas em certos Estados dos States que é para onde me inclino. Mas as coisas serão assim tão dicotómicas? E o que faz com que as escolas sejam alvos preferenciais dessas mortandades nos EUA?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Portugal Economy

Creio que desde os anos da revolução em 1974-1975 que Portugal não despertava tanto a atenção do mundo internacional como desde que pediu o «resgate» à troika. Ficamos a saber pelo Expresso que o secretário-geral da ONU criou um
 Observatório Económico e Social para os países do sul da Europa, incluindo Portugal nesse painel. A entrevista dada pelo seu coordenador, Artur Baptista da Silva, é desassombrada e muito informativa sobre o que nos espera se não houver actualização dos termos do «Memorando de Entendimento». Além da proposta sobre uma conferência internacional sobre o problema das dívidas soberanas, sobejamente sugerida por quem tem os pés assentes na terra e não é procurador da agiotagem, o grupo de Baptista da Silva chama a atenção para o facto de 41% da dívida soberana consolidada de Portugal se dever à comparticipação financeira do OE nos projectos comunitários aprovados pelos regulamentos dos fundos estruturais. Fico à espera que o meritório site Portugal Economy ( http://www.peprobe.com/ ) nos dê conhecimento dos principais estudos da ONU sobre Portugal que se venham a realizar por esta Observatório, ou outras entidades.

As empresas e as famílias

«As empresas e as famílias» são muitas vezes atiradas pelos ideólogos da esfera privada contra o Estado. Mas ao saber-se que as empresas não querem contribuir monetáriamente para os estágios dos alunos da formação profissional, percebe-se que as famílias ficam mais sozinhas na educação dos filhos. Claro, mal acompanhadas pelos fundos sociais europeus no norte onde ainda se aplicam, e pela República Portuguesa no sul onde só o Estado paga o ensino profissional...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pensões e seriedade

Mais um esclarecedor artigo de Bagão Félix no jornal Público sobre o tema das reformas, em que desmonta as «declarações infelizes e abusivas» de Passos Coelho diante de um auditório da sua juventude partidária como se estivesse a preparar uma «revolução cultural» dos jovens contra os idosos reformados. Cito Bagão Félix:
«Não nos esqueçamos que o regime Previdencial da Segurança Social, além de constitucionalmente autónomo, até é superavitário...» E adverte:
«A Segurança Social de base contributiva caminha inexoravelmente para a destruição, engolida por um todo-poderoso Ministério das Finanças que tudo leva na enxurrada.»
Mas o melhor é ler todo o artigo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reformas, caneladas e o futuro

Marcelo viu o primeiro-ministro dar uma canelada grossa no PR por causa das pensões de reforma e marcou-lhe falta. Por mim fico com imensa curiosidade sobre que tipo de plano de reforma anda Passos Coelho a fazer para si e os seus. O prazo não me parece distante...

sábado, 15 de dezembro de 2012

Citar Lincoln no Nobel

No artigo www.cmjornal.xl.ptO Nobel da Caridade chamo a atenção para o discurso de Van Rompuy na cerimónia de atribuição do prémio em Oslo. Nele Van Rompuy citou Abraão Lincoln sobre os benefícios da União entre Estados. A mensagem é ambivalente: o presidente dos States lutou contra o modelo social da escravatura mas também consagrou o fim da possibilidade dos Estados federados à secessão. E uma nova guerra para impor as convenções da OIT a nível global não tem adeptos poderosos enquanto a pressão para a baixa de preços mundial com origem na Ásia continuar...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O número de Outubro da Revista Militar

Qualquer estudioso, ou historiador, de assuntos de defesa conhece a multicentenária Revista Militar fundada em 1848 quando o Estado português se esforçava por se reconstituir. Hoje, no meio de novas dificuldades, a Revista, sob a direcção do General Pinto Ramalho, resolveu entrar no debate sobre a oportunidade, ou não, de revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, e convidou um significativo grupo de individualidades em Setembro a pronunciar-se sobre a matéria. Tendo sido um dos participantes não quero deixar de felicitar a direcção da revista pela iniciativa e de chamar a atenção para a excelente súmula do debate publicada no número de Outubro. E recomendar a leitura a todos a quem o assunto deva interessar.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Nomeações jornalísticas, demissões políticas?

A RTP, porque pública, sempre foi um óptimo laboratório para se observar como as sub-oligarquias apresentam a sua dominação no aparelho informativo. De uma maneira geral a escolha do director e da equipa de informação é apresentada como derivada do mérito e do critério jornalístico. Quando chega a demissão é sabido que o critério se apresenta como político, no princípio e no fim! Saiu agora Nuno Santos, entrou Paulo Ferreira. Não há heróis nem vilões na Marechal Gomes da Costa. Fora os que continuam sempre lá.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Nobel salva a UE?

Foi triste a cerimónia da entregua do Nobel da Paz em Oslo à UE. Como se os circunstantes tivessem o sentimento que o prémio foi atribuído pelo passado e não pelo presente. Postumamente.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Nem Grécia, nem Espanha.

O Cabo Submarino deste sábado chama a atenção para o facto de não ser só a Grécia que beneficia de melhores taxas de juro dos fundos europeu do que Portugal. A Espanha, mesmo sem ser um «país de programa», conseguiu um empréstimo de 40 mil milhões de euros para refinanciar o seu sistema bancário a uma taxa de juro de 1%.

Parabéns, Mário Soares !

Do alto dos seus 88 anos de uma vida sem virar a cara nem a esconder-se no estatuto histórico que alcançou, Mário Soares ainda hoje incomoda muita gente como se nota na imprensa deste fim-de-semana. Sobretudo os instalados e os timoratos. Parabéns Mário Soares neste dia 8 de Dezembro. Precisamos de si nestes tempos terríveis.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Câmara Clara

Temos uma nova máxima cá em casa:«É bom? Deve estar para acabar
Chegou assim a vez do programa da Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, que nos acompanhava ao domingo no Canal 2. Um excelente programa de informação e debate sobre cultura. Ainda há dias deliciara-me a ouvir o José-Augusto França, perene nos seus noventa anos. Por lá passei uma vez a discutir o Império Romano e a União Europeia, à minha maneira. Recordo isso no dia em que recebi um e-mail a dar-me conta, elegantemente, do final do programa. Assim acontece...

Para ganhar ou para vender?

Há muito que não escrevo aqui sobre futebol. Mas ontem ao ver o meu SLB a jogar contra o Barcelona B e a exibir os seus espanhóis como o Nolito e o Rodrigo fiquei com a impressão que o principal objectivo era mostrar a mercadoria para venda e não tanto a vitória, arredada psicologicamente em Camp Nou. Rodrigo bem o ilustrou, que com dois companheiros flagrantemente melhor colocados para marcar o golo rematou ingloriamente para o mercado...Não dizem nada ao rapazito?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Países de programa

Foi Vítor Gaspar quem, na AR, usou a extraordinária expressão, de «países de programa» para os que poderiam beneficiar, sentados, do esforço negocial dos governantes e do povo da Grécia em termos de juros e de prazos no pagamento dos empréstimos, os da troika incluídos, desde que «intervencionados», sob «resgate», signatários de «memorandos de entendimento» e outros eufemismos. Portugal estaria à cabeça desse reduzidíssimo pelotão da retaguarda. O extraordinário Passos Coelho apareceu a seguir na TVI com o ar maroto de quem se sabe poupar na arena internacional. O presidente do eurogrupo afirmara que assim estava decidido nestes casos desde Junho. Mas bastou uma pergunta mal endereçada no PE ao ministro alemão em vésperas de congresso da CDU para fazer ruir o castelo de cartas dos nossos amadores negociadores europeus. Para aprenderem.Infelizmente à nossa custa.

Joaquim Benite (1943-2012 )

Acabo de saber do falecimento de Joaquim Benite, o grande promotor do Festival Internacional de Teatro de Almada do qual me tornei assíduo frequentador. Há uns anos que o Joaquim Benite aparecia numa cadeira de rodas mas solidário, enérgico e solar. Estive aliás numa homenagem em que o embaixador de França o condecorou este Verão. Ficamos mais pobres com o seu desaparecimento.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O bom aluno paga propinas

O deputado Diogo Feio, do mesmo partido do MNE, perguntou, no Parlamento Europeu, se Portugal teria os mesmos juros e facilidades de pagamento que a Grécia obteve a semana passada. Contrariamente à expectativa do bom aluno de Lisboa o ministro federal alemão das finanças deu-lhe uma rabecada escusada e até injusta. Mas nessa escola os bons alunos pagam propinas. Sobretudo quando levantam o dedo a pensar que sabem...

O banco central como símbolo

Scolari, o seleccionador das multidões, sabe mexer com a psicologia social. Mal foi nomeado treinador do Brasil disse que os jogadores que não aguentam a pressão deviam ir trabalhar para o banco central do Brasil!E o Banco do Brasil é um verdadeiro banco central e não um mero gabinete de estudos como alguns se tornaram na zona euro. Basta dizer que tem cerca de 160.000 funcionários...Sem pressão.

sábado, 1 de dezembro de 2012

O último orçamento

Passos Coelho não aprende nem com os erros dos outros e muito menos com os seus. Na entrevista à TVI este semana replicou o desastre do anúncio da subida da TSU para os empregados com o fim da gratuitidade do ensino público obrigatório.
O primeiro-ministro não dá mostras de querer alterar as opções políticas como os signatários da carta aberta que lhe foi entregue propõem. O orçamento para 2013 será pois o último da sua autoria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A carta que o Córtex assinou



"Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.

À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.

O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.

Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.

Perdeu-se toda e qualquer esperança.

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.

PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

Lisboa, 29 de Novembro de 2012"

MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ  (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista)

Debater as privatizações com Eduardo Paz Ferreira

http://youtu.be/dbupuqtjN40?hd-1 é o endereço onde podem ouvir o Professor Paz Ferreira convocar-vos para uma sessão de debate sobre as privatizações em curso. Quem diria que as empresas públicas ainda haviam de ajudar o Estado a saír do pântano? Mas o judo não é para todos... Vamos aprender com quem sabe.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A numeração no governo

Este governo não é bom em números. Engana-se frequentemente na macro. Mas que o seu primeiro-ministro nomeie, como o fez na TVI, o seu segundo e terceiro ministro sem critério revela um grande desconhecimento do papel dos membros do actual Executivo. A minha ordenação é bem diferente: Paulo Macedo é o número dois pelo mérito, o outro Macedo é o terceiro pelo trabalho que tem na pasta. Mas quem marcará a data das próximas eleições será Paulo Portas, que é o que faz o primeiro-ministro no governo de Sua Majestade Britânica...

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Notícias de Onésimo

Conheci Onésimo Teotónio de Almeida  em 1979 na Universidade de New Hampshire- EUA, num colóquio sobre a revolução portuguesa. Os intelectuais idos de Lisboa, com os seus percursos de mentalidade clássica, mesmo que radical, tinham dificuldade em acompanhar o ritmo e a novidade do seu pensamento agitado.Fiquei cativado. «Temos aqui um objecto de estudo», pensei então. E de facto continuamos a ter neste universitário transatlântico um pensador diferente e multifacetado. Com o concurso de um confesso discípulo, João Maurício Brás, publica agora um diálogo ensaísta sobre o seu percurso filosófico Utopia em dói menor.São 40 anos de intervenção exigente e polémica no espaço público. Poucos contribuem tanto para a internacionalização dos intelectuais pátrios como este professor da Universidade de Brown.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Grécia à frente

Ninguém sabe como lidar com a dívida soberana grega, porque as razões que levaram ao actual modelo de assistência financeira internacional na zona euro estão datadas. O critério do pagamento integral da dívida é irrealista, e está ultrapassdo, embora fosse muito apelativo para os credores em plena crise dos pagamentos inter-bancários em 2009. O modelo de negociação com os credores mantendo os Estados sob-tutela criou a ilusão que não seria necessário renegociar com os credores o perfil da dívida, taxas de juro, maturidades, etc...
Esta noite percebeu-se mais uma vez que esse modelo só leva ao atraso das medidas que devem ser tomadas e que acabam por ser tomadas: baixa das taxas de juro, adiamento dos prazos, etc. Mas sempre às arrecuas, sem se passar à libertação negocial dos Estados. Assim isto vai acabar mal para o FMI, o Euro-Grupo e o BCE. Porque ninguém quer ser a Grécia quando a Grécia indica o caminho...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Catalunha entre soberanistas e republicanos

O referendo pela independência da Catalunha obliterou os espíritos sobre a análise dos resultados de ontem naquela Comunidade Autonómica.Madrid, com a maioria descendente dos conservadores de Artur Más e a subida significativa da Esquerda Republicana, em vez de ter ficado só com um problema agora tem dois!

domingo, 25 de novembro de 2012

Nos 90 anos da Seara Nova

Há quem porfie na publicação da Seara Nova e ontem encerrou-se um ciclo de conferências que celebrou os 90 anos da revista em que participei com o seu novo director Levy Baptista e o Vítor Dias, numa sala da Associação 25 de Abril muito cheia. O tema da conferência «Está a democracia em perigo?» repetiu as preocupações dos seareiros no início da publicação em 1921. Mas hoje há mais forças a perpetuar o regime democrático do que na véspera do 28 de Maio de 1926.

sábado, 24 de novembro de 2012

Brutas ou editadas?

De vez em quando descobrem-se coisas. Desta vez que a PSP- que na rua andava a melhorar- foi encontrada num vão de escada a visionar imagens não-editadas pela RTP. No meu artigo no Correio da Manhã apoio a ideia do João Gonçalves de se entregar o inquérito mandado instaurar pelo ministro Miguel Macedo à Inspecção Geral da Administração Interna(IGAI).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tantos orçamentos em Novembro!

Por estes dias discute-se na AR um orçamento rectificativo para 2012 que se adapta à triste realidade de um défice de 5%, o OE normal para 2013 que o estima em 4,5%, a estratégia desse extraordinário orçamento para 2014 que mergulhará o défice nas profundezas de um voluntarioso 2,5% , e as perspectivas financeiras da comunidade europeia até 2020 que Passos Coelho não quer ver reduzido em oitenta mil milhões de euros, São muitas contas ao mesmo tempo, mas claro que ninguém se enganará que isto não é um concurso de prognósticos!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Notícias da crise

A notação da Moody´s à França coloca de novo o euro em questão quer por efeitos directos quer indirectos. A moeda franco-alemã era isso mesmo: uma paridade política, depois da paridade cambial entre o marco ocidental e o marco de leste como consequência da reunificação alemã, ainda andavam os manifestantes a celebrar na rua. Veremos se desta vez as agências de «rating» não serão desmentidas.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O euro francês sem o triplo A

The Economist já o havia anunciado este fim-de semana : a França de François Hollande e da «baguette» deverá render-se em breve à flexibilização do mercado do trabalho, e sabe-se lá que mais. Hoje a Moody`s retirou-lhe o «triple A». Em princípio o euro francês vai valer menos no mercado de capitais, e os juros vão subir. Agora na zona euro só 5 moedas valem o máximo: a alemã, a austríaca, a holandesa, a luxemburguesa e a finlandesa. Para quando a assinatura do armistício?

Dilma Rousseff em Espanha

Na cimeira ibero-americana realizada em Cádiz a voz mais forte foi a de Dilma Rousseff, a presidente do Brasil. No seu discurso oficial criticou a política de austeridade na zona euro e disse que as mesmas receitas na América Latina se cifraram em 10 anos de estagnação. Depois, numa conversa com Juan-Luis Cebrián, publicada no El País de domingo, voltou a criticar a política «disjuntiva» entre a inflação e o desenvolvimento, entre reduzir a despesa pública ou investir, entre optar pelo mercado interno ou exportar. Mas disse mais: que já o tinha afirmado diante de Merkel nas reuniões do G-20. E acrescentou: o milagre brasileiro assenta na baixa inflação, nas boas contas e na existência de reservas cambiais que colocam o seu país ao abrigo dos mercados financeiros internacionais. O mercantilismo monetário avança no meio da globalização desregrada...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Corrida para leste

Ângela Merkel mal descolou de Figo Maduro foi a Moscovo passar uma noite e tratar com um Putine fortalecido com os seus excedentes financeiros que abrigam a Rússia dos célebres «mercados». François Hollande foi à Polónia para não deixar tudo à Alemanha, e mostrou-se confiante na futura adesão de Varsóvia à zona euro- une vue de l´esprit- embora no presente lhe interesse sobretudo a aliança em torno da PAC nas negociações sobre as «perspectivas financeiras» da UE. Coitados dos estados «periféricos»...

sábado, 17 de novembro de 2012

Os Caminhos da Senhora

A viagem de Merkel a Portugal serve de mote ao Cabo Submarino de hoje.A visita fica marcada pela ausência de contraditório, expressa no congelamento político do PR e na omissão de contactos com a oposição. Mas ao recordar que a chancelerina foi a primeira a propor, há mais de dois anos, que a banca privada participasse no esforço de resolução do problema das dívidas soberanas, pergunto-me para quando a procura de um ponto de equilíbrio entre os interesses dos credores e as necessidades dos países devedores. Quanto tempo durará a via crucis até à renegociação de juros,  maturidades,metas e calendários? E como estaremos todos quando não se puder recusar mais a evidência?

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As pedras da calçada

Um grupo de manifestantes mais violentos tem vindo a distinguir-se, ao fim da tarde, no propício larguinho frente ao parlamento. Já se percebeu que mais cedo ou mais tarde vai ali haver algum desastre. Mal os sindicatos desmobilizam emergem grupos com gente preparada para dar e levar. Uma coisa é certa: a PSP está cada vez mais bem treinada e começa a exercitar-se para o pior. Como cuidado preventivo acaba de propor que se retire a calçada nas imediações do Palácio de S.Bento. É a via pacífica...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Lusa em castelhano ?

Enganei-me ou o ministro Miguel Relvas  disse que pretendia refundar a agência Lusa aproveitando sinergias com a agência espanhola EFE? Os jogadores de futebol de língua castelhana presentes nas equipas portuguesas sem falar uma palavra na nossa língua, agradecem comovidos a atenção...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Assinar por baixo

Passos Coelho no seu discurso no CCB afirmou que a UE deve voltar à saga da revisão dos tratados da UE, mas não balizou minimamente a coisa. Assim dita a afirmação é um endosso às propostas que Merkel pode fazer em breve, e uma delas é a da uniformalização da fiscalidade, pelo menos nos países do Euro, o que desviará o investimento de Portugal, e contraria o esforço ingénuo do seu ministro da Economia, às voltas com a baixa do IRC. São os perigos de assinar por baixo...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Merkel não gosta de presidentes da República?

Conhecemos as dificuldades pessoais de Merkel nas suas relações com os últimos presidentes da República da Alemanha. Mas não era caso para passar só meia hora com o nosso sem direito a declarações! Foi um mínimo internacional. Ainda por cima parece que Cavaco Silva terá sido a única autoridade portuguesa a criticar esta política de austeridade em frente da chancelerina neste dia 12 de Novembro...

O BE gostava de ser o «verdadeiro PS»?

Poucas novidades na convenção do BE. Deixou de ser um movimento e age como um partido clássico, mesmo que seja de esquerda. Sonha em ter mais força do que o PS e já fala para este como se a tivesse. A nova direcção do Bloco vai ter que saber agir sem olhar muito para trás.

sábado, 10 de novembro de 2012

The best is yet to come

O discurso de vitória de Obama serve-me de referência para o artigo que escrevo hoje no Correio da Manhã . O presidente dos EUA, durante o seu primeiro mandato,  não convocou só economistas, militares e juristas. Também ouviu frequentemente historiadores, uma prática que devia ser europeia nas altas esferas do continente. O resultado nota-se no discurso de vitória. Obama promete um progressismo  realista no seu segundo mandato.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mudar de regime e mudar o regime

Finalmente uma voz autorizada do círculo do poder, Vítor Bento, veio declarar o que se pretende com a «refundação» : mudar de regime. Mas é muito mais fácil dizê-lo do que fazê-lo...

Nota da redacção: Afinal Vítor Bento em Coimbra limitou-se a equacionar a possibilidade de «refundar o regime e rever a Constituição». É diferente, mas as dificuldades apontadas não serão menores...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Continuar a meia-haste

O embaixador de Israel foi chamado ao MNE por ter criticado o facto do governo de Salazar ter decretado luto pela morte de Hitler em Abril de 1945. É caso para dizer que há quem continue com a bandeira a meia haste...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obama, naturalmente

Assisti às eleições presidenciais norte-americanas sem muitos estados de alma por estar convencido da vitória de Obama. Fui-me deitar pelas duas da manhã e dormi bem. De manhã tinha a notícia servida com toda a informação e despida daquelas sondagens e especulações tão próximas dos desejos subjectivos de tantos opinadores. Obama defendeu uma política de fomento económico para o mundo sair da crise financeira e manteve-se fiel a um papel activo dos poderes públicos nesses campo e no das políticas sociais. Não é um partidário da refundação...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Também o mapa político europeu...

O mapa político europeu  foi-se alterando pacatamente depois da reunificação alemã sobretudo nas margens da UE. Porém, em plena crise comunitária, somam-se agora sinais de transformação na fisionomia de alguns Estados membros como o Reino Unido, que já avançou para o referendo sobre a independência na Escócia, e como a Espanha, que mesmo ainda sem referendo autorizado já discute o binómio federalismo- independência para algumas comunidades autonómicas com particular relevo para a da Catalunha. Também na Alemanha os estados contribuintes líquidos, como a Baviera, o Hesse e Baden fazem pressão para diminuírem, ou suprimirem, as suas transferências para o fundo de coesâo  federal que favorece Berlim ou Bremen. As questões decisivas nunca são agendadas a tempo.

domingo, 4 de novembro de 2012

LX 60

Quem afirma que o livro está ultrapassado como suporte cultural deve passar os olhos por LX 60, a obra de Joana Stichini Vilela e Nick Mrozowski  que relata, pela palavra acertada e pela imagem gráfica refrescante, a vida em Lisboa de há cinquenta anos. O livro é um belo objecto editado pela D. Quixote e por ele também me dou conta de como fui deixando o meu nome por cafés, revistas, livrarias e acontecimentos que marcaram essa década plena de novidades.

sábado, 3 de novembro de 2012

Ninguém mais pede o «resgate»?

Hoje no Cabo Submarino chamo a atenção para o facto de, após Portugal ter pedido o «resgate» à troika em Maio de 2011, mais nenhum país da zona euro o ter feito, mesmo atravessando dificuldades como a Espanha e Chipre, mesmo depois do BCE ter colocado como pressuposto da compra de títulos de dívida no mercado secundário que esses países o façam. A «refundação» do memorando devia pois dirigir-se aos mais altos representantes internacionais da troika, e não tanto ao PS agora que o CDS se afasta da coligação...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Refundar e afundar

Passos Coelho resolveu ontem dar uma interpretação restrita do que pretende «refundar». Trata-se de novo de pretender amarrar o PS ao destino da execução do memorando de entendimento reformado, quando o CDS se prepara para refundar a coligação. Refundar ou afundar?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Refundar o PSD

Passos Coelho falou em refundação do memorando de entendimento nas extraordinárias jornadas parlamentares conjuntas dos partidos da coligação. Refundação significa renegociação dos termos, objectivos e calendários do histórico documento? Insinua um perdão de dívida à grega que já vai no segundo? Não, a interpretação autêntica do enigma aponta para um desafio-aparentemente destinado ao PS- de desmantelamento das funções sociais do Estado. O problema de Passos consiste em que todos pensam primeiro do que tudo em refundar o PSD e o governo...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Telefona-me que já te digo

Para quando um número ensaiado sob o lema «Telefona-me, que já te digo.»? Ou do bom uso das escutas por gente treinada. Não é obrigatório o tratamento por «tu», uma possidoneira entre governantes da grande família europeia...

Volta, Francisco

Fora os problemas de saúde anunciados, foi uma alegria saber que o Francisco José Viegas se encontra de novo entre nós e pode deambular pela sociedade civil à vontade sem máquina de calcular nem votos de abstinência. Os amigos esperam-no nos sítios do costume, a começar pelo blogue A Origem das Espécies.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Jorge Sampaio- Uma Biografia

Foi lançado ontem na Gulbenkian o primeiro volume da monumental biografia de Jorge Sampaio escrita com talento e minúcia por José Pedro Castanheira. Embora este tenha dito na apresentação não se considerar um «historiador», o certo é que esta biografia vai servir de fonte para os que se venham a dedicar, no futuro, à história do Portugal político- e mesmo cultural - da segunda metade do século vinte, com Jorge Sampaio no centro, como é próprio do género biográfico. O biografado planta assim na república, muito à sua maneira, os arquivos pessoais que disponibilizou com franqueza e sem restrições ao biógrafo. Acompanhemos pois os desenvolvimentos dessa biografia.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Maria João Pica

De vez em quando é assim: da plateia há alguém que toma conta de um programa televisivo. Hoje foi a estudante do secundário Maria João Pica nos Prós e Contras: gosto literário, capacidade de argumentação, firmeza de convicções, crítica das metas curriculares actuais, excelente presença e dicção.Um regalo!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O estado da opinião

Lido no Le Monde de ontem:
«Le conseil européen des 17 et 18 octobre n´a rien donné.Au fond c´est rassurant.»

sábado, 20 de outubro de 2012

Vencer nos Açores

Vencer nos Açores é o título do meu artigo de hoje no Correio da Manhã. Nele destaco o concurso de personalidades e de políticas que fazem do PS-Açores o melhor partido político nacional. Carlos César e José Contente abriram o caminho à renovação atempada do governo regional e Vasco Cordeiro conseguiu ganhar as eleições por maioria absoluta. Existe um conjunto de responsáveis com capacidade política, sentido institucional e experiência governativa cidadã que pode servir de exemplo a nível nacional.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Nobel da compaixão

O Prémio Nobel da Paz, por natureza o mais político desses prémios, às vezes seguido pelo do da Literatura, foi atribuído à União Europeia com mais de dez anos de atraso, pelo menos se se tiver em conta algumas das razões apontadas pelo comité Nobel. Lá figuram a pacificação entre inimigos, a entrada da Grécia, Portugal e Espanha depois de se terem desembaraçado dos respectivos regimes ditatoriais, o alargamento aos países do leste depois da reunificação da Alemanha e da consequente retracção russa Tudo isso foi muito meritório na altura. Mas o Nobel da Paz é atribuído quando a UE atravessa a sua pior crise de sempre e não encontra respostas para os problemas do dia. Um prémio de consolação, pois.E um encorajamento para gente desanimada.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Hollande ratifica e perde uma arma

A Assembleia Nacional da República Francesa aprovou esta semana a ratificação do tratado orçamental que Hollande havia criticado durante a campanha presidencial, propondo um acto adicional que contemplasse simultâneamente disposições indutoras de crescimento na zona euro. Hollande perde assim uma arma negocial de peso para persuadir Merkel a avançar nessa direcção tão necessária. Para além disso o governo francês estafou-se a reduzir o número de deputados dispostos a votar contra o tratado que servira também para espaldar Sarkosy eleitoralmente. Que pensará Laurent Fabius, que votou contra o tratado constitucional em 2005, de tudo isto?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Discutir o Orçamento com Paz Ferreira

Muito oportuna a iniciativa de Eduardo Paz Ferreira de convocar uma discussão séria sobre o futuro OE para 2013 no seu Instituto da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Podem desde já visitar o site da inédita iniciativa em www.Oe2013.com
e depois participar.

Para memória futura

Esta noite no programa da SIC-N conduzido por Ana Lourenço, recordei um artigo do professor de Economia da Universidade de Munique, Hans-Werner Sinn, publicado no jornal Le Monde a 1 de Agosto pp, em que o autor avança com a probabilidade dos países da zona euro sob resgate correrem riscos de assistirem a guerras civis caso queiram preencher as condições que lhes são ditadas para se manterem na moeda comum. Como não tinha presente a devida referência, e esta foi-me pedida por várias famílias, aqui a deixo para os devidos efeitos. Quem sabe se para memória futura...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mário Soares presente

Excelente artigo de Mário Soares hoje no Diário de Notícias Não só sobre os acontecimentos do 5 de Outubro último como sobretudo sobre a maneira de ultrapassar a agonia política deste governo que arrasta o país para o abismo. Já que não está em Belém Soares indica o rumo ao PR.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O PS -Açores renova-se

O PS-Açores encetou um processo de renovação inédito no nosso sistema partidário, cujos principais protagonistas são Carlos César que sai de presidente do Governo Regional e Vasco Cordeiro, que tudo indica será o próximo, sem esquecer José Contente que se empenhou na transição. A campanha eleitoral para a Assembleia Legislativa entra na última semana com sondagens favoráveis a esta renovação tranquila. Um exemplo a nível nacional.

sábado, 6 de outubro de 2012

Manobras políticas

Tudo indica que o governo tem os dias contados depois da aprovação do OE. mas como explico no Cabo Submarino de hoje até pode cair mais cedo do que o esperado. Mesmo sem haver alternativas preparadas. Há um descontrolo generalizado na vida política portuguesa, o pior governo de sempre e nada de novo no horizonte.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Celebrações da República

Dos discursos proferidos na CML retenho a análise de António Costa à Europa e o compromisso de celebrar no futuro o 5 de Outubro que, quanto a mim, deve funcionar como feriado municipal até à retoma desta data como feriado nacional obrigatório. Cavaco Silva elegeu o tema da educação e chumbou as políticas de Nuno Crato.Não foram discursos estéreis e podem ser recordados em breve.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pudera!

O ministro Santos Pereira declarou que não fará mais alterações às leis laborais. Pudera! Depois das manifestações de rua o Álvaro começa finalmente a conhecer o duro «métier» de governante...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Passos Coelho não celebra a República

Passos Coelho não gosta de festejar a implantação da República em Portugal. Evitou estar presente na abertura das celebrações do centenário em 2010, eliminou o 5 de Outubro da lista dos feriados nacionais obrigatórios para efeitos laborais, e agora vai a Bratislava, no coração do sacro império romano-germânico, participar num curso sobre «coesão» na data portuguesa que o aborrece .Ora aqui está um cidadão que professa uma coerência silenciosa. A República já treme!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Durão Barroso já é o PR de Portugal?

Durão Barroso apareceu ontem na TV todo inchado por saber primeiro do que ninguém em Portugal quais as medidas que o governo vai apresentar em termos orçamentais para substituir uma medida que nunca existiu. O governo de Passos responde perante quem? Ou Durão Barroso já é o presidente da República Portuguesa sem ter sido eleito?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quem mexeu na TSU?

Jorge Braga de Macedo disse na televisão, este fim-de-semana, não interessar saber quem tinha tido a ideia de alterar os termos da contribuição da TSU aumentando a participação dos trabalhadores. Ora, num contexto em que o governo se faz rodear de eminências pardas, que aliás o prejudicam ainda mais, seria salutar e vantajoso conhecer os agentes dos processos de decisão que envolvam gente até aqui ao abrigo do escrutínio público. O anonimato não gera bons conselhos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O plano bilateral

Hoje, no jornal Público, o Embaixador dos USA em Lisboa, Allan Katz, escreve um importante artigo intitulado Fortalecer as relações entre os EUA e Portugal ,acentuando o plano bilateral e o papel da Comissão Permanente saída do acordo de 1995. Até se pode dar o caso de o artigo ter sido motivado por alguma reunião daquela comissão, mas não há dúvida que se há momento favorável ao aprofundamento das relações bilaterais é este que atravessamos.

O Segredo dos Pássaros

Numa noite de lançamento de livros em Lisboa, coube-me fazer a apresentação do romance de Vítor Serpa O Segredo dos Pássaros, a convite do autor e da Cristina Ovídio directora do Clube do Livro. O romance, «um jogo entre a história e a ficção», mistura muito bem personagens reais com personagens ficcionadas e desenrola-se durante a II Guerra Mundial em dois teatros principais, nas minas de S.Domingos no Alentejo e em Lisboa até ao Estoril. Gostei de ler o livro, e se bem que me tenham convidado por causa do contexto histórico, confesso que até já tive a tentação de ser crítico literário...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O «momento federal» europeu passou?

Manuel Maria Carrilho, que vai lançar o livro Pensar o Mundo, acaba de levantar, na SIC-N, a hipótese do «momento federal europeu» já ter passado. Tenho a mesma dúvida.

Tudo a mexer

Está tudo a mexer, em Portugal, na Europa e no Mundo. Há poucos pontos fixos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

«Uma Federação de Nações»?

Durão Barroso gosta de fórmulas. No Parlamento europeu avançou a destempo com a ideia de uma «federação de nações» para a UE. A Catalunha entretanto avança para um processo de auto-determinação que não deixará em repouso o mapa político europeu e ibérico. Ninguém quer entender como tudo isto foi desencadeado, e muito menos como pode acabar.

Alternativas só para a TSU?

O governo das soluções únicas anunciou ontem aos «parceiros sociais» que está a trabalhar para encontrar alternativas à medida que havia proposto para o aumento da contribuição dos trabalhadores para a TSU. No ano passado a descida da TSU para os patrões estava ligada ao aumento do IVA. Agora dirige-se para o IRS. Mas se o problema é fiscal entregue-se o caso ao ministro Paulo Macedo que deve ser quem mais percebe de impostos no Conselho de Ministros. O governo, porém, terá de procurar alternativas muito para além da questão da TSU.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os juros da Grécia descem....

Os juros das maturidades gregas a 10 anos estão a descer nos mercados de capitais. Não é a primeira vez desde as medidas anunciadas pelo BCE de compra de dívida soberana nos mercados secundários...Mesmo sem a conclusão da actual auto-avaliação da troika...

sábado, 22 de setembro de 2012

O governo embalsamado

Cavaco Silva embalsamou o governo como previ no Cabo Submarino de hoje. O governo terá os dias contados depois de apresentar a proposta orçamental que muitas dores de cabeça dará ao que se seguir.Prevê-se desafios ao Tribunal Constitucional, artimanhas de técnicos anónimos, a cedência cínica no caso da TSU, algumas receitas extraordinárias retiradas à ANA pública antes da privatização suculenta,etc. Mas Cavaco Silva não tenciona oficializar uma  segunda crise política no primeiro terço do seu segundo mandato... Cuidado no entanto com a rua!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Conselhos ao Conselho

O Conselho de Estado, embora feito para o PR, deve aconselhar Passos Coelho a não afrontar o Tribunal Constitucional na questão dos salários e das pensões no próximo OE, e deve motivar Vítor Gaspar a mudar de atitude negocial perante a troika. Estes conselhos valem ouro...

Os Notários já perceberam

Muitos dos notários que passaram para o privado querem regressar à tutela do Estado. O que vem a ser isto? A desautorização do Borges?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Só por causa da TSU ?

Acham que o clamor que se levanta no país se deve apenas ao truque do financiamento da TSU ? Mas esta gente vive aonde ?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um governo a prazo

Este governo está esgotado por razões internas e externas. Mesmo assim ainda pode vir a apresentar a proposta orçamental, e o rectificativo anunciado, caso o PR resolva canalizar a reunião do Conselho de Estado para aumentar a sua margem de influência política junto da coligação. Mas tratar-se-á apenas de um adiamento da certidão de óbito do governo de Passos Coelho.

domingo, 16 de setembro de 2012

Manifestações que obrigam a repensar

Só pela televisão se pode apreciar a amplidão da descida à rua do Portugal sofredor. Passos Coelho estava a pedi-las. Nem com o parceiro de coligação dialogava. Pelo seu lado a troika estava a precisar de sentir que há quem defenda a capacidade negocial externa do Estado: a população na rua de norte a sul. Estas manifestações obrigam a repensar medidas, e até modos de governação

sábado, 15 de setembro de 2012

Fronda geral

Fronda geral, chama a atenção do isolamento do governo na frente interna, com a passagem da classe média e da pequena burguesia para a oposição activa onde já se encontravam as classes trabalhadoras, os desempregados, pensionistas e reformados. O governo deve explicar muito bem quais as medidas foram propostas por ele, e as que foram impostas pela troika. Como escrevi no artigo « os organismos internacionais também terão de responder pelos seus erros, mesmo que consentidos por governos frágeis.»

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ainda vale a pena ouvir Passos Coelho?

Estive a ouvir Passos Coelho. Não respondeu nem às perguntas dos jornalistas nem às muitas críticas que lhe endereçaram de todos os quadrantes da opinião nos últimos dias. Fez bem A.J.Seguro em antecipar uma hora antes da entrevistas o voto contra o Orçamento por parte do PS, com uma eventual moção de censura no horizonte. A vida política descongela-se.

Entretanto em França...

François Hollande anunciou medidas de austeridade mas insiste num imposto para as grandes fortunas e isenta o sector da Educação da austeridade, mantendo o propósito de lhe aumentar as verbas. Claro, há muita gente a desejar que ele falhe...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Velhas medidas, novas datas

A doutrina não muda.O Sol continua a rodar à volta da Terra. Postos perante a prova dos factos governo e troika empurram  com as barrigas grávidas de enganos as datas sacrossantas que celebraram até ontem. O défice orçamental fica ordenado com o mesmo rigor tecnocrático e o fétiche da exactidão profética de sempre: este ano reza-se para não ultrapassar os 5%; os intocáveis 4,5% do PIB em 2012 são adiados para 2013; em 2014 espera-se a desmultiplicação do défice para uma cifra inferior a 3% para manter as aparências da doutrina. Chamam a este exercício formal o ajustamento da «trajectória do défice orçamental». Seja. Mas mudem as medidas, além das datas. Se não terão de refazer o calendário, e são demasiado bem pagos só para tal burocracia.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os trabalhadores que paguem a crise e TC que se lixe

Passos Coelho aproveitou a estadia da troika em Portugal para responder, pela teimosia, às reticências gerais, e especialmente do PR, do PS e do CDS, às suas medidas de austeridade centradas sobre as mesmas vítimas, desafiando até o Acórdão do Tribunal Constitucional sobre as prestações do 13º e 14º mês da função pública e reformados desta. O expediente anunciado para a baixa da TSU para os patrões e a subida desta para os trabalhadores é simplesmente escandaloso.Este homem começa a ser perigoso para o bom funcionamento da sociedade.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A independência do BCE

O BCE deu um passo importante para «acalmar os mercados» com o anúncio que vai comprar dívida soberana aos países da zona euro sob resgate financeiro. Foi a sua decisão mais importante desde que foi criado, e o seu verdadeiro atestado de independência perante os governos. Perante todos os governos da zona euro.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O tricotar do CDS

O CDS anda a tricotar os temas da sua renegociação dos termos da aliança governamental e os temas para futuras campanha eleitorais, e já conseguiu enervar o primeiro-ministro. Tudo nas barbas da troika...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Enchente em Braga

Paulo Bento anda a recrutar de preferência no S,C. de Braga. São seis os jogadores seleccionados, incluindo Éder o suplente de Lima! Prevejo uma enchente para o estádio da pedreira na próxima terça-feira contra o Azerbeijão...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Esperar pela clemência da troika

O governo joga tudo na clemência dos mandantes da troika cujos funcionários estão de novo a «avaliar» os efeitos das medidas decretadas.Espera, calado, por mais tempo, e até por mais fundos que deixou escapar das receitas do Estado. É um jogo de submissão negocial bem arriscado. E um nadinha aviltante...

sábado, 1 de setembro de 2012

Serviço Público tem horror ao vazio

Hoje no Correio da Manhã chamo a atenção para as novas possibilidades que a Televisão Digital Terrestre abre ao serviço público como se demonstra pela iniciativa da TV-Parlamento começar a emitir num canal de sinal aberto a partir de 15 de Setembro próximo. O serviço público de televisão tem horror ao vazio...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Salvar o serviço público de televisão

Não se percebe o papel de António Borges na questão da RTP e muito menos a sua intervenção sobre serviço público de televisão, matéria que lhe deve ser adversa. Mas defender o serviço público de televisão não significa manter a RTP das touradas.

sábado, 25 de agosto de 2012

Um homem e uma mulher

O novo ciclo na liderança do BE ocupa o Cabo Submarino no Correio da Manhã.Descrevo a fase que termina. Quando se apurar melhor a questão da próxima equipa dedicarei então um artigo ao futuro. Mas já declarei aqui o João Semedo como o melhor deputado da AR.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Publicidade à porta nas férias

Todos os anos leio as instruções da PSP e dos CTT sobre o que os cidadãos devem fazer antes de partirem para férias: assinalar às autoridades os períodos de ausência, assinar uns papéis nos correios, etc. Porém, quando regressamos a casa, os sinais mais evidentes e claríssimos de que se esteve fora uns dias são dados pela profusão de publicidade selvagem deixada nas caixas de correio a transbordar e mesmo debaixo das portas com rabo de fora. Sobre essa actividade do terciário é que não há nada a fazer. Não há por aí uma leizinha que discipline a coisa?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mudanças no BE

Soube da criação do Bloco de Esquerda por um dos seus fundadores que conhecia bem há muitos anos. Também conhecia vagamente alguns outros.Estávamos nos primeiros tempos da terceira-via em Portugal e na Europa. O BE iria certamente ganhar votos à esquerda, perdidos por um PS desvitalizado e impedir que o PCP crescesse  com eles. Sendo uma federação de pequenas forças foi capaz no entanto de se cimentar com um líder destacado: Francisco Louçã. Louçâ foi primeiro um forte líder informal, e depois deram-lhe o título de «coordenador».Foi aí que começou a contagem decrescente para ele e para o BE. Agora anuncia-se a sua saída deste cargo e a sua substituição por um homem e uma mulher. Mas enquanto o BE não aceitar o desafio da governação na proporção dos seus votos não haverá género que o salve.

sábado, 18 de agosto de 2012

Cabo Submarino

Após umas curtas férias o Cabo Submarino regressa hoje. Como no Pontal Passos Coelho não se disse nada que valesse mais do que os telejornais da noite desse dia sem novidades, dedico-me ao rescaldo dos Jogos Olímpicos de Londres. Anoto que Portugal regressou aos tempos dos desportos náuticos tipo vela, remo, e canoagem. Não é por aqui que vamos dar o triplo salto da competitividade, da tecnologia e da inovação...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nem desporto escolar nem universitário

Acabaram os 30º Jogos Olímpicos da era moderna. Com a epidemia de lesões que atingiu os medalhados do costume, a participação portuguesa foi discreta, e sobretudo tristonha. Uma medalha de prata para a canoa do norte, alguns diplomas para pendurar no gabinete dos entendidos, muitos atletas eliminados antes das finais. Com o Estado a sair de tudo pela porta pequena, nem a perspectiva dos próximos jogos tropicais no Rio de Janeiro desperta a esperança de uma mudança na «vil tristeza». Como disse o presidente do Comité Olímpico Português:« Não temos desporto escolar, nem desporto universitário». Resta-nos a perspectiva das olimpíadas de matemática onde há um treinador encartado ao mais alto nível...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Esperar pelo Verão

Lembrei-me hoje de um verso de Ruy Belo, «Espero pelo Verão como quem espera por uma nova vida.» Não sei se é textual, mas subscrevo!

domingo, 5 de agosto de 2012

Marilyn ressuscita sempre em Agosto

Todos os anos em Agosto o dia em que Marilyn Monroe se suicidou é antecedido de uma novena de artigos e da celebração ritual de filmes e de séries sobre o mais belo mito da história do cinema. Marilyn ressuscita sempre em Agosto. Este feriado da comunicação social ninguém nos tira.

sábado, 4 de agosto de 2012

Saber negociar na zona euro

Não me identifico em quase nada com o governo espanhol de Rajoy, mas aprecio o sentido de defesa dos interesses do seu país que demonstra. Acaba de devolver a decisão sobre um possível pedido de resgate ao BCE, exigindo a este que desenvolva o teor das medidas que estará a preparar no caso da Espanha seguir o caminho ordinário dos Estados em resgate. Frankfurt terá mesmo alguma resposta digna de nota?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O BCE sózinho

Com os órgãos da UE paralisados, o BCE aparece como a única instituição que ainda quer salvar a zona euro como ela existe. Mas não tem poderes para tal. O Bundesbank emerge de novo como o verdadeiro banco central da moeda continental.E como escreve  Hans-Werner Sinn, influente professor da Universidade de Munique, só há duas vias para os países em dificuldades financeiras: ou aceitam as regras do resgate e aceitam uma forte «desvalorização interna» que pode levar aos limites de «uma guerra civil», ou «deixam a zona euro». ( Le Monde de 1 de Agosto). Perceberam?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Novo Código sem prevenção

O novo código de trabalho, que entrou este mês em vigor, não foi submetido à fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, um erro político-institucional do PR Cavaco Silva. Sem um acórdão clarificador está instalada a insegurança jurídica num sector de seu natural conflituoso. Agora serão os tribunais comuns a multiplicarem as interpretações de normas discutíveis, e algumas delas inconstitucionais, como o Prof. Monteiro Fernandes evidenciou num claro artigo publicado no jornal Público. Será assim até à fiscalização consecutiva do diploma. Mais uma falsa surpresa a caminho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gore Vidal

Faleceu Gore Vidal, o memorialista que muito prazer me deu ao lê-lo. Livros como Palimpsest e Point to Point Navigation deviam dar direito à imortalidade física enquanto o escritor pudesse continuar a contar histórias como na versão das
 Mil e Uma Noites.
Relembro frequentemente dois episódios descritos por Gore Vidal: quando John Kennedy, então presidente , deixou o lugar vago ao lado de Sinatra num jantar de homenagem a este na própria Casa Branca; e a comparação feita das reacções de uma família conservadora londrina accionista do Daily Telegraph perante as vitórias de H Wilson e Tony Blair, quer dizer do susto de 1964 ao alívio de 1996...
Espero que haja um baú na casa italiana com inéditos.

Konrad Adenauer

O canal ARTE transmitiu esta noite uma biografia de Konrad Adenauer, o chanceler da RFA de 1949 a 1963. Pena que não tenha focado a sua capacidade de negociação internacional durante a transição da Alemanha  Ocidental sob ocupação militar até à CECA e à CEE. Sem isso não se percebe a história da Europa depois da II GM.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Política de segredo para os JO

Domingo ao jantar um treinador de uma modalidade olímpica explicava-me que os atletas portugueses medalháveis que participaram em provas até há pouco tempo estariam demasiado expostos aos olhares dos concorrentes e dos outros treinadores. Estes teriam optado por menos provas públicas e mais treinos afim de se apresentarem nos Jogos Olímpicos com algumas novidades técnicas menos conhecidas. Achei que o meu interlocutor exagerava, mas ao ver a razia dos nossos atletas nos primeiros dias começo a pensar no que ele me dizia: houve muitas provas públicas e menos treinos à porta fechada...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Segurança alimentar

Induzida pelas medidas europeias de segurança alimentar a ASAE fez uma entrada retumbante num mundo difícil de fiscalizar e há muito tempo habituado à colher de pau.
No geral a acção da ASAE foi meritória e transmitiu a sensação que os portugueses estavam defendidos de muita porcaria alimentar que por aí circularia. O CDS, sempre ao lado dos castiços, desde a oposição que esteve contra esse aspecto moderno dos serviços públicos, e agora com a tutela desse tem vindo a reduzir o seu papel. E se um troiko tem alguma indigestão de alimentos?

sábado, 28 de julho de 2012

Verão Quente

No Cabo Submarino de hoje chamo a atenção para o facto de o BCE só poder salvar a zona euro caso transgrida os seus próprios estatutos...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Escolher a História

Estou a gostar da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em boa hora transmitida em directo pela RTP1. Embora produzido por um homem do cinema, Danny Boyle, o espectáculo foi orientado para nos dar uma visão da história inglesa em que se misturam as aplicações técnicas com as invenções sociais e a apresentação de uma sociedade que estima e defende as minorias frágeis. Ver o orgulho com que exibiram o seu National Health Service fez certamente corar de vergonha os que em Portugal querem destruir o equivalente SNS. Ouvir a leitura de trechos de Shakespeare acompanhada da versão em língua gestual dá a ideia de um pais que não quer abandonar nenhum cidadão.E não acredito que seja por não estarem na zona euro!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Do lado direito

Ainda Cavaco Silva. Marcou as eleições na RAA para o dia 14 de Outubro. O PS, que governa, e o PCP mais o BE tinham indicado a data de 21 desse mês para que os votantes já conhecessem a proposta de OE para 2013. PSD e CDS indicaram datas anteriores a 15 de Outubro. O PR, mais uma vez, inclinou-se para os desejos da direita. Parece que o que «Se lixem as eleições» de Passos Coelho não se aplica aos Açores...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O veto burocrático

Antes do segundo mandato de Cavaco Silva havia o veto político. Essa relíquia dos poderes presidenciais transformou-se agora no veto burocrático, aquele que serve de borracha aos erros legislativos da AR. Tudo por causa do Parque das Nações, objecto da maior tolerância política e administrativa dos decisores do regime. E Cavaco Silva bem pode ser considerado um amigo honorário do Parque Expo. Onde muitas derrapagens se derem. Basta recordar que o Pavilhão de Portugal está outra vez à venda sem comprador...

terça-feira, 24 de julho de 2012

«Que se lixem as eleições»

«Que se lixem as eleições», disse ontem Passos Coelho perante os aplausos dos deputados do seu partido.
A frase não augura nada de bom e só é original pelo tom desgravatado da expressão. De resto todos os eleitoralistas a dizem quando não há eleições no horizonte. Um líder sem o racional eleitoral ou é um aventureiro político, ou tem outros objectivos menos transparentes em vista. A menos que o primeiro-ministro só tivesse em mente as autárquicas e as europeias, e comece a preparar o PSD para o castigo que o espera...

Pedro Ramos de Almeida

Quando cheguei à Universidade de Lisboa Pedro Ramos de Almeida, militante do PCP, era um mito da luta anti-fascista. Preso em 1954 fora libertado em 1960 e trabalhara para a eleição da lista de Jorge Sampaio para a Associação de Direito. Todos me falavam dele, do seu comportamento digno na PIDE, do brilhantismo dos exames que fizera mesmo preso, da sua inteligência, e até do seu pendor sectário. Seria o mais parecido da nova geração com Álvaro Cunhal, e muitos previam que lhe sucederia.
Só o conheci melhor anos mais tarde. Fugazmente na Suíça, com mais tempo depois do 25 de Abril, e do seu desastre de viação, na pastelaria Alsaciana onde coincidíamos a tomar café. Falámos então longamente do rumo da sociedade portuguesa. Não era fácil concordar com ele mas era sempre enriquecedor e estimulante ouvi-lo.Citei os seus trabalhos sobre o colonialismo português a que se dedicou depois de abrandar a longa actividade política.

sábado, 21 de julho de 2012

Corrupção sem provas

Hoje dedico o meu artigo no Correio da Manhã às declarações de D. Januário Ferreira e às reacções que provocou. Uma das críticas aparentemente mais sensata é aquela  em que pede ao bispo a apresentação de provas sobre a corrupção de que falou.Mas quando a PGR tem tantas dificuldades em apresentar provas em tribunal será realista exigir a um cidadão que consiga ir mais além do que alertar para um fenómeno que parece crescer em cada dia que passa, ou em cada privatização que se anuncia? Ao menos que a opinião pública sirva de travão.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Que anuncia o FMI ?

O FMI há meses que dá mais importância às «reformas estruturais» de Estados sob «resgate» do que às metas e aos prazos do equilíbrio orçamental, uma obsessão propriamente «europeia». Chegou a vez do FMI produzir as suas dúvidas sobre os 4,5% do ministro Gaspar para 2012, sem dramatizar a previsão.As autoridades da zona euro, que andam a propor calendários irrealistas desde o início do século, já reagiram dogmaticamente à placidez do parceiro.  A troika só é monolítica vista de S.Bento...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma voz incómoda

Aprecio o testemunho cívico do bispo D.Januário Torgal Ferreira. Neste deserto de referências morais é uma voz incómoda para os instalados e os que gostam de se instalar.
 Assisti em directo à retumbante entrevista feita por Paulo Magalhães ao bispo na TVI-24, e até me dei conta que ela continuou um pouco para além do horário, o que só demonstra o interesse provocado. Gostei da primeira parte da entrevista, que considerei notável, e menos da parte final na qual detectei sinais de alguma fadiga momentânea de Januário Ferreira e que me pareceu mais divagadora.
Aguiar Branco deu o pior de si ao intimá-lo a optar por ser Bispo das Forças Armadas ou «comentador». Mais um convite oportunista ao silêncio na sociedade civil.Não se cale D.Januário Torgal Ferreira.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O governo sem créditos em Constitucional

O governo de Passos Coelho chumba repetidamente em Direito Constitucional. Não fora Cavaco Silva também insensível à matéria e antes da saída do Presidente do TC, Moura Ramos, já haveria mais diplomas impugnados como o do Código Laboral. Pode um governo que toma tantas liberdades poéticas com a CRP ser considerado «institucionalista» à maneira de Paulo Portas? Ou só quando Passos Coelho estiver de saída tal será possível?

sábado, 14 de julho de 2012

O Estado mais fraco, a sociedade mais pobre

Um ano depois do início da execução do Memorando de Entendimento, o Estado está mais fraco e a sociedade portuguesa mais pobre. No Cabo Submarino de hoje analiso o Silêncio dos Culpados sobre o estado da nação O silêncio e a desorientação.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estado da Nação ?

Não notei nenhuma diferença entre a discussão na AR sobre o Estado da Nação e um qualquer debate parlamentar quinzenal. E passei grande parte da tarde a ouvir...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Défices orçamentais soberanos na Ibéria

Afinal reconhecem a nossa especificidade ibérica nos orgãos da UE, para além dos formalismos de ocasião. Enquanto Madrid já conseguiu mais um ano pra fazer de conta que terá um défice orçamental de 3% em 2014, a República Portuguesa é mantida na ficção memorandística dos mesmos 3% mas uma ano mais cedo. Iremos à frente para desmentir a planificação neo-soviética da troika e partidos irmãos...

Um novo Comefin?

Quer a Grécia quer o Chipre-UE mostram-se interessados em captar o financiamento russo para as suas dificuldades orçamentais. Não sei se a Grécia será contemplada nesse apelo a Moscovo para liderar um novo mapa do «comefin» cristão- ortodoxo-estratégico, mas em Chipre a coisa parece mais tentadora: há aliados ( internos e externos, até europeus!), há hidrocarbonetos em perspectiva, há uma economia à medida. Só falta a tolerância de Washington.

sábado, 7 de julho de 2012

Formas de tratamento

Hoje no Cabo Submarino cito o livro do Professor Doutor Lindley Cintra sobre formas de tratamento social em Portugal. Entre a desigualdade patente nessas formas e a nivelação pela linha do esgoto, de um país de «vigaristas e chicos-espertos» com que o Professor Doutor Alberto Amaral rega a sociedade portuguesa hoje, através do alto-falante do Expresso, terá de haver um compêndio de dignidade e de bom senso na forma como nos dirigimos aos outros.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Direito Constitucional Criativo

O Acordão do Tribunal Constitucional 353/2012 é um monumento de criatividade política desse tribunal, sobretudo no respeitante à restrição dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade das normas do OE sobre a suspensão do pagamento das prestações dos subsídios de férias e de natal.Se as normas são inconstitucionais, das duas, uma: ou o governo era obrigado a restituir todo o valor do confisco desde Janeiro, ou, pelo menos, devia pagar o próximo subsídio a contar da data da decisão sobre a matéria submetida a esse Tribunal por um grupo avulso de deputados. As considerações de análise política do TC para adiar para 2013 a plena observância da CRP são um acto de cinismo que o desacredita. O «grupo de deputados» que impugnou o OE sai de cabeça erguida. De cabeça baixa ficam os grupos parlamentares do PS e do PCP, mais o PR passa-culpas.
O governo, é claro, sente o terreno favorável para responder nivelando o «princípio da igualdade» aos trabalhadores da «privada». Mas não se fie muito nas aparências...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Física ou Metafísica?

A Humanidade está estremecer com a partícula que confere massa às outras, o «bosão de Higgs», um cientista britânico que vinha a defender a teoria há anos. Como por encanto a partícula que terá sido detectada no CERN em Genève foi baptizada de «Partícula de Deus».Cuidado com o proselitismo religioso associado à ciência, mesmo que na vertente da publicidade...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Depois das juventudes uma licenciatura

Porque será que jovens políticos profissionais, depois de terem feito os seus percursos precoces nas jotas, correm para as universidades para obterem um diploma de licenciatura? Se é para aprenderem alguma coisa que lhes seja útil muito bem.Se é só para lhes chamarem «doutores» é ridículo. Nos países de tradição democrática ninguém trata os políticos pelo título académico.Nem por «você». No «senhor fulano» está todo o respeito de tratamento. Em Portugal, depois dos duques e marqueses no absolutismo vieram os conselheiros na monarquia constitucional, com a ditadura apareceram os dérres, com o actual regime os «professores doutores» também.A nova geração deveria dar o exemplo e abandonar essas possidoneiras de um país esclerosado em hierarquias que preparam as maiores desigualdades sociais do mundo ocidental.Estamos a precisar de ir todos para a escola!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Festival de Teatro de Almada

Sou um fã do Festival Internacional de Teatro de Almada que acompanho há alguns anos com lugar cativo na agenda do dia-a-dia. Sempre sob a direcção de Joaquim Benite o festival já vai na sua 29ª edição. Este ano realiza-se de 4 a 18 de Julho com a mesma capacidade de atracção e qualidade, apesar das dificuldades e da crise. Corra já a reservar os bilhetes.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Convenção do PS-Açores

Participei este fim-de-semana na Convenção do PS-Açores que contribuiu para o programa governamental de Vasco Cordeiro, candidato a presidente do executivo açoriano, um jovem brilhante com ideias próprias que gosta de se apoiar na experiência.
 O PS-Açores é o melhor que há no nosso desvitalizado sistema partidário nacional.A renovação anunciada por Carlos César está em marcha e é caso único nos anais da passagem das lideranças partidárias em Portugal. Tive oportunidade de ouvir e conversar com muitos desses participantes e representantes de uma nova vaga de protagonistas e regresso com um sentimento que já não conhecia na vida política há uns anos: o da esperança.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Liga do Sul

Finalmente dois Estadoa-membros tidos por periféricos, Espanha e Itália, uniram-se ontem em Bruxelas para terem uma voz activa nas soluções que lhes dizem respeito directamente.E conseguiram obrigar à tomada de algumas medidas concretas de apoio ao refinanciamento com taxas de juro moderadas. Dos passivos não reza a história...

Pedro Proença na final

Afinal o português que estará na final do Euro-2012 será o árbitro Pedro Proença.  Sem alardes, sem campanhas, mesmo sem muitos apoios internos. Como este ano vi mais futebol estrangeiro do que habitualmente sei que a arbitragem portuguesa não é tão má como se pensa e é muito melhor do que se vê além fronteiras.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Psicologia nos penáltis

Contrariamente à cantiga da roleta do desempate por penáltis, a marcação destes é sempre um momento de alta competição nesses jogos de futebol. O que está a mais é o prolongamento de 30 minutos, que acabará por desaparecer.
A marcação dos penáltis foi a única nota de emoção intensa no jogo de ontem entre Portugal e a Espanha. Empatámos na táctica mas perdemos na psicologia. Ronaldo devia ter sido o primeiro, Os passinhos de Moutinho revelaram a infantilidade do remate, a troca da ordem entre Nani e Bruno Alves só podia enervar este que ainda atirou ao poste. A marcação de penaltis começa na cabeça.
 Com A Psicologia dos Penáltis termino a rubrica Pontapé de Canto no
 Correio da Manhã sobre o Euro-2012.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Agora é do lado da receita

O governo não vai cumprir o défice anunciado para 2012. Desde o início do século que se justifica as derrapagens pelo lado da despesa. Vítor Gaspar deparou-se com a natural diminuição da receita fiscal num país em recessão. Parece surpreendido e impotente. Mas há-de aprender. Por exemplo, a pedir mais tempo para equilibrar as contas, como outros já fizeram.É melhor começar a preparar o terreno.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Cinco em dezassete

Doente a doente o hospital da zona euro já alberga cinco países  dos 17 do clube, todos diferentes uns dos outros no passado mas todos com maleitas monetárias e financeiras na actualidade. Só nas últimas 24 horas entraram dois, a Espanha e o Chipre. Outros poderiam já lá estar, ou acabarão por lá cair se houver camas disponíveis tanto mais que ninguém sabe quando sairão os primeiros. Esta epidemia não encontra vacina no mercado...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O debate melhor do que o consenso

O consenso entre o PS e o PSD em política europeia abafou o debate sobre as estratégias e as opções de Portugal na UE, e não acrescentou nada ao decidido de antemão nem teve jamais qualquer relevância em termos exteriores. Ainda bem que desta vez não chegaram a acordo. Pode ser que algum dos partidos queira discutir a sério as questões europeias.Nestas, prefiro o debate ao consenso. Há anos.

sábado, 23 de junho de 2012

Chefe de Estado?

Hoje no Cabo Submarino volto à questão da promulgação da «terceira revisão» do Código do Trabalho, protestando com o facto do PR não ter enviado o diploma em apreço para o ocioso Tribunal Constitucional, impedindo assim a fiscalização preventiva e aumentando as probabilidades de insegurança jurídica dessa lei tão importante para regular as relações entre partes tendencialmente litigiosas.
 Um Presidente da República que assiste à anulação de feriados nacionais, como o de 5 de Outubro ou do 1º de Dezembro, enfraquece-se a si mesmo. Torna-se um híbrido como no tempo da ditadura. Nesta, os inimigos do regime republicano inventaram a designação de «Chefe de Estado» para a invalidez política do «mais alto magistrado da nação». Cavaco Silva nem esse tratamento hipócrita terá se continuar passivo a rubricar.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A chama

Só com a passagem às meias-finais se acendeu o entusiasmo dos portugueses à volta da selecção. Castigados pelas medidas de austeridade a chama acendeu-se como escrevo no CM quando o êxito começou a ser uma coisa séria. Ninguém está para brincadeiras.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Lições de democracia...e de economia.

Durão Barroso não está a gostar do que ouve na reunião do G-20 no México sobre a UE que devia ajudar a governar. As críticas devem-se ao facto da zona euro e o crescimento na UE serem nestes dias factores de crise mundial.Um atestado de incapacidade portanto. «Que a UE não recebe lições de democracia de ninguém», exaltou-se Barroso. Pois acho que estamos sempre a tempo de melhorar as nossas democracias, e de receber umas valentes lições de economia e finanças vindas de outras e melhores zonas monetárias....

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um presidente fraquinho

A promulgação da revisão do código de trabalho foi mais um acto de fraqueza moral de Cavaco Silva, cuja popularidade é aquela que sabemos. As razões apresentadas para a promulgação são todas falaciosas e pretextuais. Até o mini - acordo de concertação social o embaraça na sua apreciação política do que está em jogo. Um Presidente da República que aceita o fim do 5 de Outubro como feriado nacional obrigatório não é nada na República que não sabe defender.

O silêncio dos silenciadores

Hoje no Pontapé de Canto critico as declarações de Paulo Bento sobre os «cachecois checos» e o silêncio vingativo dos jogadores na noite da vitória contra a Holanda que objectivamente só averbou derrotas! Os jogadores querem silenciar os críticos? Acham que chegar aos quartos-de-final foi só com eles? Mas desde 1996 que Portugal passa a fase de grupos com qualquer equipa ou treinador. Nada de deslumbramentos de ocasião

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Grécia no Euro, a França mais esquerda

A longa manobra política da Nova Democracia,- nenhum compromisso com o governo austeritário do PASOK, reivindicação de eleições antecipadas, recusa de formação de governo com os resultados de há um mês- deu os seus resultados em Grécia em plena crise dramatizada a preceito. A direita faz sempre política de poder, mesmo que os pensadores de esquerda não se apercebam.
A grande vitória do PSF e seus aliados com maioria absoluta deveu-se tanto ao «efeito Hollande» como ao modo de governo interno e exterior do governo. Euro e Crescimento, portanto.

No mercado global do futebol

Portugal, e a Grécia, continuam no mercado global do futebol, sem ajudas exteriores, pelo seu próprio talento, abertura ao exterior e capacidade de crescimento interno

domingo, 17 de junho de 2012

O capitão Karagounis

Num destes volte-faces em que o futebol é fértil, a Grécia derrotou a Rússia e passou aos quartos-de-final do EURO-2012. A alegria dos gregos explodiu no meio de tanta incerteza como povo. Mas o que mais me impressionou foi o papel liderante do veterano capitão Karagounis ( 35 anos, uma idade futebolística impossível em Portugal, onde tudo é novinho e tenrinho destinado à compra e venda...) que encheu o estádio com o seu entusiasmo durante e após o jogo- e, sim, com o amor à camisola- arrastou os companheiros para a festa com os adeptos. Não precisou de nenhuma bandeira para mobilizar o orgulho de um povo tão castigado.Ele foi a bandeira. Ele é o capitão

sábado, 16 de junho de 2012

Dose dupla

Para além de dedicar o meu Pontapé de Canto a Nuno Gomes, exemplo de desportivismo, escrevo o artigo de fundo sobre a «negociação permanente» na UE. Em si essa característica permite a cooperação entre Estados, embora possa minar aqui e ali o grau de confiança mútua e a estabilidade dos objectivos e procedimentos negociais. Veja-se o recente caso das facilidades financeiras acordadas entre o Eurogrupo e Espanha. Os desenvolvimentos das linhas decididas parecem mais importantes do que os objectivos pretendidos. Acho porém um erro os outros Estados-nomeadamente Portugal e a Irlanda- quererem intrometer-se a destempo nesse processo. Primeiro veja-se o que Madrid consegue. Só depois se deve agir caso haja melhorias que possam servir de precedente útil.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Técnicas de decisão

Anda muita gente a pressionar o governo espanhol a pedir um «resgate» à maneira. Deve haver dinheiro nalgum lado.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vitória ao entardecer

O Portugal-Dinamarca era o fundamental, como o Bojador. Não foi um grande jogo de futebol, mas cinco golos em 90 minutos dá para entreter como diria o Quinito. A Vitória ao Entardecer deu mais alegria no dia das perdidas de Ronaldo. Portugal só depende de Portugal no EURO. Em futebol, entenda-se.

Entrevista luminosa

Vasco Vieira de Almeida foi entrevistado por Anabela Mota Ribeiro para o
 Jornal de Negócios deste fim-de-semana. O resultado foi um texto excepcional, denso, informado e raro. O antigo financeiro recorre frequentemente à História para explicar os dias de hoje e de amanhã. A ler absolutamente.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Pêlo de cão

Há uns meses Mário Monti mandou uns recados encomendados ao governo espanhol quando este defendeu o adiamento dos prazos para atingir as metas do défice orçamental. Agora coube a vez de Monti receber um aviso da ministra das Finanças da Áustria, Maria Fekter, sobre a necessidade da Itália se submeter a um pedido de resgate. Estamos perante uma cadeia de solidariedade europeia muito especial que conta com a desunião dos aflitos.

Esperar para ver

Não estou de acordo com o frenesim que se apossou da oposição-e do governo irlandês-para  reivindicar desde já as mesmas condições que terão sido estabelecidas entre Madrid e o Eurogrupo. Deixemos apurar o conteúdo do acordo e depois se estabelecerá um princípio geral de equidade com os outros países sob assistência, nomeadamente em termos de juros. Não estraguem o que ainda está a decorrer

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Saber negociar na UE

Ainda não se sabe ao certo qual será o plano de «resgate» financeiro para Espanha, mas já se percebeu que Madrid negociou muito melhor os termos de um eventual «memorando» com uma qualquer troika de ocasião. O novo híbrido de saneamento financeiro em perspectiva deve-se à capacidade política do governo espanhol, que começou por adiar unilateralmente o calendário da redução do défice orçamental e já vai na abertura de linhas de financiamento à banca privada em montantes astronómicos. Gregos, irlandeses e portugueses, todos pertencentes à primeira geração das cobaias da austeridade ética e ideológica, olham incrédulos para a diferença.Mesmo Monti deve ter engolido o que disse de Rajoy. Mas negociar internacionalmente requer mais «nervo» e saber do que a demonstrada pelos nossos representantes.