terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A troika nem sempre existiu- por José Medeiros Ferreira

«O mesmo que Portugal até aqui era, já ele não pode ser.»
Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa

A sociedade portuguesa não voltará a ser o que era, nem antes nem depois de 25 de Abril. Nem antes nem depois da entrada na EU, cujo primeiro ciclo de 25 anos terminou com a assinatura do Tratado Orçamental. Espera-nos o mar ignoto, por muitos sextantes e bússolas que fixem alturas e direcções. Não o sabem os portugueses, como não o sabem os governantes rotineiros, e os responsáveis dos organismos internacionais como o FMI, a Comissão Europeia, o ECOFIN, o EUROGRUPO. Os britânicos só o sabem um pouco mais porque são insulares e mantiveram intactos os poderes do Banco de Inglaterra, com que contam para vencerem o referendo sobre a independência da Escócia em Setembro.

Do Xeque Mate ao Cheque Ensino


Ainda antes de ser Ministro, na sua dourada época de comentador, malsinando que a escola pública é facilitista e o eduquês a sua linguagem, Nuno Crato, afirmou que o Ministério da Educação devia ser implodido. Hélas! Três anos volvidos e, realmente, restam pouco mais que escombros. As bombas que “Nuno, o pior do Crato” desembestou foram a drástica diminuição das dotações orçamentais, turmas sobrelotadas com mais de 30 alunos e vários níveis de ensino em simultâneo, encerramento de escolas, giga-agrupamentos, corte cego em auxiliares, despedimentos economicistas de professores, fim do Inglês obrigatório no primeiro ciclo, eliminação das Áreas de Projeto e Educação Cívica, aulas em contentores, diminuição de apoios sociais. Ufa. E só por exemplo. Fica óbvio aquilo que era evidente: o seu problema não era a suposta falta de rigor da escola. A escola pública é mesmo a arqui-inimiga do Ministro. E, assim, Crato passa a ser o inimigo público nº2.

Trinta ex-secretários de Estado

Este governo de Passos Coelho gasta muitos secretários de Estado. Parece que só neste ano de 2013 foram trinta, com o Rosalino já ao abrigo das intempéries no BdP, conjuntamente com o Vítor Gaspar. Sobre a colocação dos outros 28 ainda não veio a lista. O PR faz de conta que o seu papel é o de bater recordes de velocidades na duração dos actos de posse dos secretários de Estado. O de Paulo Portas é o dar abraços ao Miguel de Almeida, um próximo demissionário...

domingo, 29 de dezembro de 2013

Ser citado na blogosfera

A blogosfera recebeu este ano, em Portugal, uma forte concorrência em termos de Facebook, e ficaram activos apenas aqueles blogues cujos autores, como é o meu caso, se afeiçoaram de tal modo que consideram um dever manter o seu em actividade. De certa maneira desapareceram os que andavam cá por uma questão de moda e agora emigraram para sítios mais « fashionable».
Por isso neste ano ainda tem mais sabor ser citado por outros blogues que consideramos como os do João Gonçalves, e o do José Paulo Fafe.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Cavaco Silva não vai embaraçar o OE

Depois da Acórdão do TC sobre a lei dita da «convergência das pensões», creio que Cavaco Silva vai poupar o governo a qualquer iniciativa, mesmo consecutiva, sobre a constitucionalidade do OE para 2014, o último antes do após-troika, se assim me posso exprimir. Fica na varanda.

Uma cimeira de crianças

Ontem à noite foi  dia da cimeira das crianças com laços de parentesco estreitos entre si: irmãos, primos em primeiro e segundo graus, e uma miscelânea de famílias por afinidade: avós, pais, tios, compadres. Nomes que se pegam: Catarinas, Joões, Joanas, Franciscos, Migueis,  Alexandres. Como sempre uma espécie de espectáculo com recitativos e diálogos da autoria dos adultos mais chegados e das gerações emergentes. Entre estas alguns quadros a trabalhar em Londres, outras premiadas em Berlim, quase todas a pensar noutras paragens. A grande maioria das crianças com mais de  dois anos...

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Paz na terra por falta de dinheiro

Ainda o escrevi. Ainda o disse em intervenções na Assembleia da União da Europa Ocidental (UEO), uma defunta organização - em plenos ardores da «arquitectura» de uma Política de Defesa europeia em 1999: a disciplina do Pacto de Estabilidade impediria o crescimento da PESC e da Política de Defesa. Na altura planificava-se por de pé um sistema de forças com 60.000 homens. Desde 2008 todo esse exercício de Estado-Maior foi por água-abaixo. 
Na cimeira da UE da semana passada pretendeu-se voltar ao tema, sobretudo dada a orfandade da França na matéria, e os seus envolvimentos no Mali e na República Centro Africana. O resultado foi «minable»: fora a ideia copiada dos «drones», as ambições cifram-se agora na formação de dois «battles groups» de 1.500 soldados cada um. Como não assegurar a «PAZ na TERRA» quando se desiste de 60.000 homens?Ou estamos perante a oficialização de «cada um por si»? Não me admirava.

domingo, 22 de dezembro de 2013

A Alta Autoridade Bancária- alguns poderes, nenhum dinheiro

Existe agora uma nova forma de federalismo europeu com que a senhora Merkel inaugurou o seu novo mandato. Trata-se de sugerir uma revisão dos tratados - inclusive o de Lisboa dado à luz graças ao trabalho de parteira de chancelerina - num sentido aparentemente mais federalista mas sem verbas comunitárias, ou mesmo intergovernamentais. A primeira vítima dessa carência de vontade foi a nascitura Alta Autoridade Bancária a quem foram atribuídos alguns poderes de supervisão dos bancos da zona euro, mas não facultados meios para acorrer a casos «de emergência financeira». Se houver federalismo será a custo zero!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Um governo à semelhança de Hélder Rosalino

Talvez não por mera coincidência, soube-se que o secretário de Estado da Função Pública, Hélder Rosalino, apresentou a sua demissão no dia em que o TC considerou, por unanimidade, inconstitucional o diploma que pretendia reger a convergência das pensões entre as da segurança social e as da CGA actualmente em vigor.
 Hélder Rosalino era um recordista de medidas avulsas e inconstitucionais podendo dizer-se que não respeitou o compromisso que jurou ao tomar posse perante o PR. Mas há outros no governo a nível de ministro.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Cada vez mais sozinhos

A Espanha teve alta do plano de refinanciamento da banca, embora os seus bancos tenham de passar a prova de transparência financeira em Janeiro, como os congéneres portugueses, um dado que pouco se fala entre nós. A República da Irlanda saiu da situação de resgate e lança-se confiante nos mercados, o que enche de alegria todos os «austeritários unidos» que acham mais uma vez que a história acabou. O êxito da Irlanda permite agora à triste oligarquia europeia exibir os seus verdadeiros sentimentos em relação a um país como Portugal que vai sofrer por ter ficado sozinho encostado ao quadro negro dos exames primários dos equilíbrios macro. Ontem, até Mário Draghi se revelou excessivo e impertinente diante da eurodeputada Elisa Ferreira que o questionou sobre o confessado «erro inicial do desenho» por parte do FMI, e do qual se deve pedir responsabilidades ao mais alto nível. Que não houve nenhum erro, disse,-ele que não é do FMI- e que Lisboa vai precisar de ajuda para voltar aos mercados! Coitadinho de Portugal, encostado sozinho à ardósia. Muitas contas o vão obrigar a fazer. A Grécia, como sabemos, não conta!

Mário Soares, Personalidade do Ano 2013

A Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal acaba de distinguir Mário Soares como Personalidade do Ano pela sua enérgica actividade, sendo «uma das principais vozes da sociedade portuguesa« em 2013. Deve ser por isso que muita gente gostaria que estivesse «amordaçado»!Calculo como o prémio lhe deve ter caído bem no meio de tanta má-fé sobre o seu actual objectivo: obrigar Cavaco Silva a mudar o governo de Passos Coelho.
Parabéns, Mário Soares! Ainda o ouço, em 1965, dez anos antes das independências, a reclamar a preparação atempada do processo de autodeterminação para as colónias portuguesas. Houve quem não tivesse percebido...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um referendo na Alemanha

Ao fim de três meses está formado em Berlim o governo saído da negociação entre a CDU e o SPD. Desta vez há uma novidade de tomo que aliás serviu para atrasar um pouco mais o anúncio da «Grande Coligação»: Sigmar Gabriel fez anteceder a formalização do acordo com Merkel de um referendo partidário que teve a participação de 475.000 militantes. Destes, cerca de 76% deram o seu aval aos termos do que ficou acordado entre os dois partidos num texto de cem páginas com o detalhe de muitas das medidas negociadas e que assim ficarão sob vigilância dos membros do SPD. Sabendo do horror que os nossos constitucionalistas de formação jurídica germânica votam às formas referendárias muito gostava de saber o que pensam deste precedente.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Os recordes fizeram-se para serem batidos

Leio que o novo ministro dos Negócios Estrangeiros da Áustria tem 27 anos o que faz dele o MNE mais jovem de sempre do mundo civilizado. Não sei o que isso representará numa Viena que já organizou o «Congresso que dança» em 1814-1815, e o que isso representará actualmente na hierarquia da importância efectiva dos ministros dos Assuntos Exteriores no âmbito da UE e da zona euro. Por contraste devemos ter o MNE mais velho desses conclaves, Rui Machete, como já tivemos ministros com pouco mais de trinta anos. Em 1977, o britânico David Owen e eu próprio éramos os mais jovens nas cimeiras da NATO e nas outras reunião internacionais. Mas como diria o Ronaldo «Os recordes fizeram-se para serem batidos»!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma história de Bissau mal contada

A história dos 70 passageiros do império otomano que desembarcaram em Lisboa num voo da TAP vindos de Bissau com passaportes falsos merece uma comissão de inquérito internacional. Sim, ou não? Ou já estamos nesta versão do «visto económico»?

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Quanto vale a Ucrânia para a UE?

As manifestações sucedem-se em Kiev a favor da aproximação da Ucrânia da UE. Já se fazem contas de quanto custará a operação. Pode ser que a senhora Merkel queira oferecer a Ucrânia à UE.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Congresso de Aveiro há 40 anos

Um e-mail amigo dá-me conta de um colóquio realizado em Aveiro, ou em Coimbra não sei bem, este fim-de semana sobre o III Congresso da Oposição Democrática. Que eu teria sido muito citado, ou evocado. Há 40 anos foi política pura, hoje o congresso é, em grande parte, história. Quem me convenceu a enviar uma tese foi o Sottomayor Cardia no final de 1972, com o argumento de que o que eu estava a escrever na Seara Nova  e no República era muito diferente do tom dominante na oposição ao regime. Escrevi então, durante as férias de Natal uma «tese»- segundo os termos do regulamento do referido congresso- intitulada
 Da Necessidade de um Plano para a Nação em que elencava as metas mais urgentes que se deparavam à sociedade portuguesa: descolonizar, democratizar, socializar e desenvolver. E chamava a atenção para o possível papel das Forças Armadas no derrube da ditadura. Deu-me muito prazer intelectual escrever tudo isso do exílio.Agora sinto necessidade de um outro plano para a nação, lançado deste exílio interior.

A Grécia à presidência

A Grécia assumirá nos termos do rotativismo semestral a presidência da UE. Como o orçamento aprovado em Atenas não bate certo com as contas da troika, esta anda a adiar o pagamento de uma das suas tranches. Mas o ridículo reside na proposta que circula em alguns meios fundamentalista da União para que se suspenda a presidência grega que começa a 1 de Janeiro de 2014...Já não sabem o que fazer.

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Arouca não aparece na televisão

Fui convidado para um simpático jantar esta sexta-feira, razão pela qual fui sabendo da evolução do resultado na Luz por sms. Quando cheguei a casa, e liguei a televisão, tive a impressão de ter ouvido o treinador do Arouca, Pedro Emanuel, dizer que só havia surpresa no empate com o SLB pelo facto do Arouca não aparecer nas transmissões dos jogos. Não sei se estava a referir a algo mais do que a surpresa dos adeptos benfiquistas...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Mandela

Nos depoimentos que tenho vindo a prestar à comunicação social a propósito do falecimento de Nelson Mandela tenho vindo a sublinhar a dimensão política do lutador anti-apartheid e a capacidade de estadista do protagonista da transição democrática e da integração multi-racial na nova sociedade sul-africana. Outros preferem realçar as suas excepcionais qualidades humanas. Mas numa época onde tanto se deprecia a actividade política prefiro evidenciar que o seu génio foi excepcional por que ele tinha objectivos precisos nessa matéria, e como tinha lutado por eles soube reunir as vontades necessárias para o efeito.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

No melhor liberal aparece o cartel

A banca dos anos noventa não queria que os poderes públicos regulassem a sua excelentíssima actividade, sempre na iminência de provocarem um «risco sistémico» que o terceiro-estado pagaria . Há leis anti-cartéis, mesmo na Comunidade Europeia, porque fora o Moedas e o Maçães os governantes de todo o mundo conhecem as tentações de manipulação dos mercados pelos liberais.Desta vez o foco da manipulação estava nos entendimentos sobre as taxas de juro da Libor e da Euribor. Dez enormes bancos foram investigados pela Comissão Europeia que multou 8, entre estes o Deutsche Bank, a Société General, o Crédit Agrícole, o britânico HBSC.
Esta foi a primeira decisão de sempre da Comissão Europeia contra infracções às leis da concorrência no âmbito da actividade financeira.É um sinal, ou um álibi? 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O mapa azul e verde

Hoje no Diário de Notícias Patrícia de Jesus pergunta a Manuel Pinto de Abreu , Secretário de Estado do Mar:
«O que é o conceito de crescimento azul, muito presente na estratégia europeia?
-Corresponde à maritimização do crescimento verde.»

Ainda bem que temos especialistas nestas matérias do crescimento azul como crescimento verde! Quase que dá para fazer um novo mapa azul e verde !

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

«O esticão do euro»

Portugal vai perder mais de 130.000 nacionais residentes depois do «resgate» da troika, informa a Comissão Europeia, sendo mesmo o único país entre os «resgatados e aparentados« onde tal acontecerá. A comparação com Estados-membros fora da zona de acção da troika também não deixa nada a desejar com a Letónia e Estónia, a Bulgária, Croácia,Lituânia, Hungria e Roménia, a indicarem o mapa da divisão demográfica entre as europas . Ou no dizer do inefável ex-ministro das Finanças Braga de Macedo tratas-se do «esticão do euro», desde que nos dizeres do conselheiro de Passos Coelho«fomos seleccionados para o euro em 1998». Seleccionados? Quem não foi querendo? 

domingo, 1 de dezembro de 2013

VAVADIANDO- 50º jantar-tertúlia

Passei grande parte dos meus tempos livres no Café-Vá-Vá nos anos sessenta. Como escreveu Joana Stichini Vilela no seu excelente livro ilustrado LX-60:
«No Vá-Vá, cápsula de um tempo que aí vem, a nova geração pensa. discute,cria, namora, e faz oposição. No Vá-Vá vive-se uma nova Lisboa».
Pois ontem à noite, animei, a convite do Lauro António, o 50º jantar de uma tertúlia que se renova no tempo e nas pessoas. Uma verdadeira conversa de café como se quer num caso desses...

sábado, 30 de novembro de 2013

A derrota da UE na Ucrânia- Pagar para nada

Pagar para nada, podia ser o resultado das negociações para a associação com a Ucrânia, conduzidas do lado da UE pela Comissão Europeia. Desde 1991 que Bruxelas paga para seduzir Kiev a separar-se da união aduaneira com a Rússia. Sobretudo desde 2010 o esforço financeiro da Comissão, do BEI, do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, foi enorme, ao mesmo tempo que o FMI desembolsava sem barulho e sem muitas condições somas cada vez maiores que agora quer reaver.A Rússia aparece aqui como a vencedora pública desse torneio de guerra económica quente, mas que nos dá o pulso ao estado de falta de rumo da UE, e do verdadeiro tamanho dos seus dirigentes tão implacáveis com países como a Grécia e Chipre, e imprevisíveis com a Irlanda.
 Como o governo de Portugal não se queixa, não se deve rever nesse mau-trato de «burro mirandês»...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Um degrau a mais

Hoje viu-se bem o efeito do degrau a mais que a manifestação dos polícias deu na escadaria da AR. No dispositivo de segurança(?) à volta da saída das viaturas dos CTT houve um grande decréscimo de disciplina e contenção, como se todos tivessem perdido o treino, e o tino, que apesar de tudo deve ter dado muito trabalho a erguer numas forças policiais de um Estado de Direito. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os mercados assimilam tudo, até «idiossincracias»

Não dá para fazer de conta que a Itália não entrará em crise política em breve. A cisão interna do Partido da Liberdade, com uma parte a fazer de muleta do governo Letta, e a destituição de Berlusconi de senador indicam que vem aí borrasca, mais do que à italiana. Deve ser a isso que o governador do BCE, Mário Draghi, chama de «acontecimentos idiossincráticos» ao escrever num relatório que a crise que se anunciou em Portugal em Abril foi percepcionada pelos mercados nessa perspectiva super-identitária e super-subjectiva das sociedades que usam agora o Euro. Pois possivelmente vamos ter duas crises políticas no flanco sul da Europa, porque a portuguesa foi adiada na pior altura para o futuro do «regresso aos mercados, e a italiana vem a caminho...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Transformar lupen e proletariado em pobres

Ontem foi o «Dia da Honestidade» para Durão Barroso: 
«Vamos ser honestos: hoje a situação é pior», disse referindo-se aos mais de 6,7 milhões de de pessoas em risco de pobreza, gerados na UE desde 2010. Qual será a penitência para o José Manuel, desde que adoptou a linguagem evangélica para disfarçar a sua «opção» ideológica que o levou ao êxito pessoal e à ineficiência como governante de Portugal, e como presidente da Comissão Europeia? A leitura de um salmo, uma passagem célebre do Novo Testamento sobre o fenómeno»? Ou uma viragem  decidida na UE sobre política de emprego, jovem ou menos jovem?

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Homenagem ao General Ramalho Eanes

Hoje na FIL-Junqueira, ao fim-da-tarde, haverá uma homenagem mais do que merecida ao General Ramalho Eanes. Desde Setembro que fui posto ao corrente dela, ainda numa versão singela, e certamente mais próxima do espírito do primeiro PR eleito por esta Constituição. Haveria várias datas possíveis para uma homenagem nacional a Ramalho Eanes: a do dia do seu aniversário, a da data da sua eleição em Junho de 1976, a de 10 de Junho, entre outras. Alguém fez finca-pé no 25 de Novembro, olhando mais para o passado do que para os problemas do presente. Foi pena, mas não deu para diminuir o papel do personagem que engloba e ultrapassa a importância da data de hoje. Lá estarei entre outros, pois sei muito bem o que o general Ramalho Eanes representa. 

sábado, 23 de novembro de 2013

Algo que me diz respeito

Haverá muitos temas relevantes, ou momentosos, que se passaram nestas últimas horas, e dos quais não vou falar.Tendo em conta o barro humano que em todos sopra vou referir-me à homenagem com que ontem à noite fui presenteado pela direcção da Casa dos Açores em Lisboa durante um jantar em que cada um pagou o seu. Não podia ter querido melhor ambiente: casa cheia e a presença de dezenas de amigos e velhos conhecidos, alguns dos quais vieram propositadamente dos Açores, como Carlos César e Roberto Amaral. Também tive a distinção amiga e política da presença do meu líder de geração, Jorge Sampaio com quem me voltei a entender espontâneamente. Muitos amigos de cá como a Embaixadora Margarida Figueiredo, o Embaixador e colega de blogue- aliás muito bem feito- Francisco Seixas da Costa.Também esteve presente a minha família, várias caras e sorrisos que de uma forma ou de outra me aqueceram a vida. Não resisti e lancei-me em mais um daqueles longos discursos como no jantar de há dois anos que celebrou o meu 70º aniversário. É tão bom termos quem nos aprecia mesmo quando passamos à vida privada

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Livre-Trânsito

Ontem «apanhei» a manifestação das polícias confederadas no Largo de Camões. Desde o início que foi uma grande manifestação. O trânsito foi oportunamente desviado com critério, o que não impediu a terceira-idade de subir a pé o espinhaço da colina da colina que liga o Chiado ao Príncipe Real, dada a ausência de transportes públicos. Depois de ter ido ao lançamento do excelente livro  com as reproduções dos «Quartos imaginários» de Nikias Skapinakis, ao qual cheguei atrasado pelos motivos conhecidos, regressei a casa numa Lisboa que ainda se amontoava de carros em fila. Vi pela televisão a cena da transposição, sem resistência e sem violência, das barreiras de segurança da AR. Houve a vontade dos manifestantes transgredirem durante uns minutos. Mas tudo se passou num clima de livre-trânsito corporativo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um play-off enganador

Agora que chegámos à fase final do Brasil, e já exultámos o suficiente com os golos de Ronaldo- e mais discretamente com os passes de Moutinho- convinha que os nossos especialistas da «leitura de jogo»  analisassem os três erros cometidos pelas dispersas e adiantadas «linhas da Suécia» que permitiram as três cavalgadas do atleta solitário em metade do campo. Não estou a ver a repetição de tantas facilidades nos tempos mais próximos. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Cimeira de futebol no Brasil

Já temos entretenimento para Junho: Portugal encontrou à segunda tentativa o caminho para a fase final do Campeonato do Mundo de Futebol no Brasil. Muito Cristiano Ronaldo à solta, muito Moutinho a exemplificar o lado inteligente do jogo, um guarda-redes trapalhão que ainda assim defende o indefensável, mais um cheiro a trabalho e a balneário à Paulo Bento, e cá vamos nós.
Não vamos sozinhos. Nada de solipsismos...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O governo da República da Irlanda topa bem os seus parceiros do Euro-grupo

Michael Noonan, ministro das Finanças do governo irlandês, declarou ontem que receava que o processo negocial do eurogrupo para um programa cautelar para Dublin «acabasse por prejudicar a reputação do país.(...)Tinha medo de poder acabar em Bruxelas, às três da manhã, lá para Dezembro, com um caso de sucesso transformado numa espécie de crise irlandesa.» Perceberam melhor a objectividade desses defensores da zona euro, e as suas opiniões ad-hoc? Gostam do processo? Confiam nesta gente? Gostam de os tratar por tu?

domingo, 17 de novembro de 2013

O meu sobrinho Rui

O meu sobrinho Rui andou nos anos de brasa do PREC. Podia à vontade ter demonstrado os seus atributos de radicalismo político que estaria muito bem acompanhado por diversos bandos da destruição criadora. Mas não. Aderiu desde logo à Juventude Socialista onde chegou a ser um dos seus primeiros dirigentes. Engenheiro Eléctrico pelo IST  frequentou uma pós graduação em Inglaterra onde o visitei em 1981. Pelas conversas percebi que estava muito insatisfeito com as suas diferentes experiências e que pensava em expatriar-se. Foi para S. Paulo, montou uma empresa de electrónica e reconstituiu a sua família. Trinta anos depois uma das filhas é médica, a outra veterinária, e passam de vez em quando por cá. É sempre uma festa, uma comunhão de alegria, temperada mais para o fim do encontro com uma preocupação a que ninguém sabe responder:« Mas, afinal, onde falhámos em Portugal?»

sábado, 16 de novembro de 2013

Mais um para a galeria

Decididamente Cavaco Silva não daria um bom seleccionador de «empreendedores» portugueses. Agora surge o seu director de campanha presidencial de 2006, Alexandre Relvas , com problemas empresariais cifrados em dívidas à Caixa Geral de Depósitos. Nós sabemos que todos podem dever dinheiro à banca menos o Estado....

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cada vez mais sózinhos

O governo não estava minimamente ao corrente do que a República da Irlanda tencionava fazer se os seus juros no mercado secundário  se ficassem no ponto de referência dos 3,5%. Sempre fomos melhores na política de segredo, e de contra-informação, do que em boas recolha de fontes, ou simplesmente no exercício da dedução, muito mais barata para os cofres do Estado. Pois bem sairá a Irlanda da rede de «resgate», e sairá a Espanha do trapézio onde fez exercícios de aquecimento sem nunca ter feito um verdadeiro número. A partir de Dezembro Portugal estará mais só, sem ter muitas ideias de como sair do «resgate». Mais só e talvez mais próximo da Grécia...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Professores de Empreendedorismo

O ministro Pires de Lima não se revê como um auto didacta em matéria de «empreendedorismo»,e propôs que a escola nos dê um homem novo em inovação empresarial. O ministro Crato não gosta desses amadorismo e já manifestou reticências. Porém professores para essa ocupação de tempos livres não faltariam,e isentos de concurso de admissão: João Rendeiro, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, entre outros. Gente especializada em muitos negócios e produção de pouca riqueza.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Menos portugueses

Por um lado o fenómeno da expatriação, este novo ciclo de emigração que assina o desencanto e a falta de perspectivas oferecidas pelo modelo da prisão vivencial por dívida pública ; por outro lado, uma sociedade que só gerará oitenta mil bébés este ano, pela falta de esperança e vontade de mobilidade dos casais. Como dizia ontem a senhora Merkel, em plena reunião sobre o emprego jovem realizada em Paris!,« o Estado não gere empregos, só as empresas». Tem sido pouquinho.E para Portugal, um suicídio em directo.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Calai-vos uns aos outros

O ministro Paulo Portas, num assomo de ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, mandou calar o seu sucessor quanto às fases incógnitas que hão-de conduzir o país «aos mercados». Segundo o homem da linha vermelha «Portugal tem data marcada para sair do Programa de Assistência, não taxa de juro.» Porém, um porta-voz qualquer da Comissão Europeia mandou dizer que ainda é cedo para fórmulas à Portas, pois «continua muito trabalho para fazer em Portugal». E no BCE, e no ECOFIN, e no Euro-grupo, acrescento eu. Ou não?

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Rui Machete não pode abrir a boca?

Para que convidaram Rui Machete para MNE? O homem não pode abrir a boca. A taxa de juro de 4,5 apontada por ele na India é especulativa? Claro que é. Mas quando o BCE reduz a sua taxa de referência para 0,2% tudo que o Tesouro Português pagar a mais de uns 2% não é agiotagem permitida pela complacência do poder político da zona euro?

Sem água da EPAL, tão perto do aqueduto

Ontem foi todo o dia sem água fornecida pela EPAL. A retoma do fio estava anunciada para as 18h, mas só demos por ela barrenta cá em casa perto da meia-noite. Hoje, logo às 7h já não havia pingo nas torneiras. Desde 5ª feira que são estas fantásticas «rupturas na via pública», jamais anunciadas aos utentes com antecedência. Os serviços prometem agora restabelecer o contracto às 13h. Vou ver o que se passa na rua Cecílio de Sousa. Deve ser uma obra de engenharia hidráulica tipo construção do canal do Panamá...

domingo, 10 de novembro de 2013

Água da companhia às pinguinhas

Esta semana, sem qualquer aviso prévio, a Epal interrompeu por longos períodos nocturnos o abastecimento em certas zonas do Príncipe Real, na quinta e na sexta. Hoje domingo, em versão diurna, voltou a interromper o seu serviço na mesma zona, alegadamente «por roturas na via pública». Água às pinguinhas como nos velhos tempos do lavadouro!

«Os Justos» de Albert Camus desapareceram?

O centenário do nascimento de Albert Camus aí está a ser celebrado com novas palavras, sempre menos rebeldes das que empregues pelo autor do Estrangeiro, da Queda, do Mito de Sísifo ou do Calígula. Tinha 15 anos quando foi atribuído o Prémio Nobel ao panfletário, ao dramaturgo, ao romancista. Li-o quase todo em Ponta Delgada naquelas edições Miniatura da Livros do Brasil. A Queda foi então o meu preferido. Quando li, já em francês  a peça «Les Justes», recebi talvez a maior lição sobre as relações entre as questões éticas e o recurso à violência política contra os déspotas. Vejo sem surpresa que é uma obra ausente do mausoléu onde se enterram os pensamentos vivos

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O jurisconsulto e a política de lesa-pátria

Luís Marques Guedes deve ser um bom jurisconsulto. Anda no processo legislativo há muitos anos e como lhe sobra prudência  e perfil baixo foi nomeado governante para limitar os desastres de redacção das leis emanadas do Conselho de Ministros. Quase tudo a favor dele. Hoje borra a pintura de uma forma que só se explica pela fúria do PSD-Passos Coelho em colonizar todos os agentes decisivos do processo político em Portugal.Depois de Cavaco e de Durão falta-lhes em carteira o PS. Daí o deslize tão autoritário num homem de boas famílias republicanas ao declarar hoje no semanário Sol, que« O actual rumo da direcção do PS é uma política de lesa-pátria».Mas porquê? Estes governantes, fora o mimetismo norte-americano da bandeirinha na lapela, cuja regulamentação oficial de uso não existe, já deram alguma prova de quererem formar um governo de ampla representação patriótica sem lesões?

Passos Coelho partidariza Durão Barroso

 Passos Coelho conseguiu partidarizar Durão Barroso , presidente da Comissão Europeia, na defesa sem emendas  da proposta  governamental do OE para 2014, como já havia anexado Cavaco Silva na crise gerada pelas demissões de Vítor Gaspar, e na borrada de Paulo Portas no seguimento desta. Mas o certo é que foi a Bruxelas assinar um comunicado conjunto para efeitos de poder interno. Calculo que Durão Barroso, em operações de regresso a Portugal, venha a pagar caro em termos de presidenciais esta forma de conseguir apoios para uma eventual candidatura. Pois fica provado que só militantes do PSD nesses cargos não deixam respirar em liberdade a sociedade portuguesa.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A apresentação do livro por Pedro Lains

Ontem , na Almedina-Saldanha, foi um dia de festa para mim . Rodeado de muita gente amiga tive direito a uma apresentação empática-não isenta de distância crítica!- do livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» por Pedro Lains, um dos poucos economistas portugueses com a profundidade histórica necessária para enquadrar os dias de hoje numa perspectiva do devir nacional e internacional. O livro está agora no mercado. De certa maneira as interpretações que se possam tecer sobre ele já não me pertencem.Mas posso vir a contrariar algumas delas...
É muito agradável publicar livros depois dos setenta anos...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

programa de festas


Esta quarta-feira, às 18.30, lançamento na Almedina do Atrium Saldanha.

A OIT é indispensável à globalização

Há anos que defendo um papel mais activo da OIT na governança da mundialização, e volto a ela no meu próximo livro «Não há Mapa-Cor-de-Rosa» a ser lançado esta semana pelas Edições 70.
A globalização neo-com assente no desregramento financeiro, na competitividade de salários asiáticos sem protecção de direitos sociais só foi possível pela quebra de influência da OIT no sistema das Nações Unidas, com o reforço paralelo do FMI, e com
 a emergência forçada da Organização Mundial do Comércio (OMC), muito saudosa dos tempos da competitividade do trabalho forçado como factor dos preços baixos no mercado mundial e da domesticação da inflação. Deste modo as conquistas sociais europeias são mantidas na defensiva tanto mais que desapareceu o «o império do mal».
Pois bem, parece que a OIT quer começar por Portugal um novo ciclo na sua vida internacional. É bem vinda.Mas para já nenhum estudo da OIT  consta das Fontes utilizadas no guião de Paulo Portas!

domingo, 3 de novembro de 2013

Zona de intervenção da Reforma Agrária e Bolsa de Terras

Leio, meio divertido, a notícia no Expresso-Economia, sobre o fiasco absoluto de uma ideia aparentemente sedutora promovida pela inefável ministra Assunção Cristas. Tratava-se de colocar numa base de dados prédios agrícolas não cultivados, fossem públicos fossem de particulares. Em perspectiva só está agora a criação do «Comissário da Bolsa de Terras», um job certamente a tempo inteiro! Mas o mais engraçado, num país «que não pode ter terras abandonadas», é que com todas as diferenças de filosofia e de dimensão, os únicos casos apresentados se situam na antiga «Zona de Intervenção da Reforma Agrária»...
 Emparcelamento, reforma agrária, cooperativas de produção. Bolsa de Terras pode ter mais apeal, mas só serve para ilustrar que há problemas de aproveitamento agrícola que estão para ser resolvidos desde as lutas liberais...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O guião e a procissão

O governo apresentou «uma proposta» de «guião da reforma do Estado», aprovada em Conselho de Ministros, em cima da discussão e votação do diploma orçamental que corre neste momento na AR. Não se percebe de que tipo de iniciativa política-legislativa se trata. Não é uma resolução, não desce à AR, não tem natureza legislativa. É um longo artigo de opinião cujo fim é o objectivo milenar de «modernizar o Estado». Uma coisa é certa ninguém volta a assediar Paulo Portas com a «reforma do Estado». É o único português que exibe uma bula nesse domínio. Escrita em latim do Baixo-Império...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uns dias em Bruxelas e...

Estive uns dias em Bruxelas onde o clima europeu ainda é um pouco pior do que o que se suspeita. Claro que todos se desculpam com o processo de formação do governo de Berlim, depois de se terem entretido com a espera das eleições federais na Alemanha. Fosse em Itália que um governo de coligação levasse tanto tempo a ver o dia e Roma já teria tido direito àquelas impressionantes capas do The Economist que podem preparar guerras justas... Mas com Berlim não se brinca às caricaturas. De Setembro a Novembro ninguém se queixou na UE. Foi até um descanso.Vejamos o que vem a seguir...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Segundo Resgate, Programa Cautelar, ou «outra coisa»

O guião da «reforma do estado» já vai na décima tentativa de ensaio filosófico. Entretanto os murmúrios vindos das profundezas dos mercados soam como um imperativo para a continuação da assistência financeira internacional pública a Portugal após o fim do actual exercício da troika. Ninguém tem ideias claras nesse mundo nebuloso sobre o tipo de apoio de que Portugal beneficiará. O primeiro-ministro ao dissertar sobre as probabilidades de haver um segundo resgate à grega senão um programa cautelar à irlandesa,  acrescentou de sua autoria a  novidade de uma «outra coisa» à portuguesa. O PR ainda não percebeu que o governo está esgotado e já não passa de uma «coisa»?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O meu professor Manuel Medeiros (1936-2013 )

Soube hoje pelo DN da morte de Manuel Medeiros, «o Livreiro Velho que foi professor e padre», nos dizeres do obituário do jornal.
Fui seu aluno no Liceu de Ponta Delgada, onde, mesmo nas aulas de Religião e Moral mantinha a existência de um salutar espírito crítico, de que fui um dos beneficiados, e só isso é uma dívida que lhe devo. Mais tarde soube que tinha optado pelo professorado e casado, tendo-se estabelecido em Setúbal onde deu vida à
 Livraria Culsete. Foi nessa livraria que o vi pela última vez aquando de uma amiga homenagem que me prestaram, com a participação do Onésimo Teotónio de Almeida e do Mário Mesquita. Tenho a certeza de que a Fátima Medeiros, assim como os filhos, continuarão a obra cultural do idealista que sempre foi Manuel Medeiros.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Quem paga a promoção do Turismo?

Num congresso sobre Hotelaria e Turismo, a decorrer no Algarve, pois onde havia de ser!, parece que ninguém ficou contente com o acréscimo de turistas e dormidas em Portugal neste ano de crise geral noutros sectores. Os empresários queixam-se do preço das diárias, o secretário de Estado do Turismo já promete novas acções de promoção do «destino Portugal». Só quem não imagina os rios de dinheiro gastos sem grandes formalidades com essas acções de promoção pode ficar tranquilo quanto ao destino último dessas generosidades do Estado. O sector do turismo tem empresários capazes de, nas suas associações, chamarem a si os encargos com «uma maior visibilidade da marca Portugal»! Ou querem mais Estado num sector tão florescente?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um começo de conversa

Entrevistado por André Macedo, o presidente do BESI, José Maria Ricciardi, fez a declaração política mais importante deste fim-de-semana ao falar sobre o serviço da dívida pública do Estado português, ao fim e ao cabo a questão mais momentosa da nossa agenda. Sugere o banqueiro um período de carência para o pagamento dos juros relacionados com as celebradas PPP por um ou dois anos, o que daria ao Tesouro a possibilidade de diluir no tempo os 1166 milhões de euros nas parcerias com os transportes. Um, ou dois anos, parece pouco, mas é um bom começo de conversa para se chegar a um compromisso realista e responsável perante a comunidade. Boas ideias precisam-se.

Apoios de Pirro

Mesmo essa grande jogada de ter apoiado Rui Moreira no Porto está a esfumar-se com a coligação estabelecida entre os independentes e o PS-Porto. É o que se chama um apoio de Pirro. Mas fez um vistão na noite das autárquicas!

Patético.

Paulo Portas perdeu o pé desde a falhada demissão do governo de Passos Coelho. A sua credibilidade desce a cada intervenção que faz. Mas esta de nos dizer que «os pobres não se manifestam», além de ousado e imprevidente, remete-nos para o pior do assistencialismo anti-social. Descanse uns tempos e volte mais tarde, se tiver oportunidade.

domingo, 20 de outubro de 2013

Uma manifestação diferente

Que grande resposta deu o movimento sindical ao governo e aos seus serviços de segurança nesta manifestação impressionante e executada na forma mais ordeira, quer na Ponte 25 de Abril quer na curiosa e compósita mobilização do norte do país. O ministro Miguel Macedo não dorme esta noite tanta foi a ordem endógena das manifestações. Ordem já há a necessária. Agora falta o Progresso.

sábado, 19 de outubro de 2013

Que sorte para o BANIF: não conta para o défice!

Do Panamá, todo pimpão com o alargamento do canal- uma obra pública de se lhe tirar o chapéu enquanto se derretem os glaciares do círculo polar ártico-, Passos Coelho refez as contas do défice para este ano e voltou aos seus 5,5%, porque a despesa da República Portuguesa com o BANIF «não conta para o défice»! Que sorte para o espírito empreendedor do refinanciamento da banca. Acham que isto vai durar?

Dar-se ao respeito

Um funcionário da Comissão Europeia no Gabinete de Lisboa, aliás português, permitiu-se fazer considerações sobre o funcionamento das nossas instituições que levariam qualquer terceiro secretário de embaixada a ser declarado persona non grata e remetido para Bruxelas bem juntinho a Durão Barroso. Pelo contrário, este defendeu o seu protegido. A indignação nacional dirige-se mais para os trópicos. Velhos reflexos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Falar na Cinemateca

Ontem à noite fui à Cinemateca falar do filme de Jean Renoir «This Land is Mine»,(1943) na série promovida pela sua directora Maria João Seixas sobre o Carácter  Sempre tive uma costela escondida de filósofo-cinéfilo, e comecei com uma frase de Julho de 1943 do «colabo» francês Drieu la Rochelle no seu Diário:« Hitler não conseguiu vencer o cinema americano.» Este filme de Jean Renoir ajuda a perceber porquê. Dos seis personagens principais, três são professores, a Escola um objectivo cultural de resistência onde se transmite a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 26 de Agosto de 1789, onde se escreve no artigo 16º que.
«Qualquer sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação de poderes não tem constituição.» Leram bem.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O grupo de Portugal

Uma notícia de hoje no Público: Portugal é o 7º país da UE que menos gasta com o tratamento do cancro. A despesa só é inferior na Bulgária, Malta,Letónia, Roménia,Chipre e Lituânia, informa. Este é um grupo de qualificação directa para outro mundo. Sem play-off...

O acordo de concertação social ainda existe?

Nunca mais se falou naquele acordo de concertação social com que o governo enchia a boca e a troika não se cansava de citar como um caso sério de inovação no mundo europeu sob resgate! De repente o acordo desapareceu dos radares e ninguém corre para saber onde está. Já não interessa? Tornou-se um empecilho dada as novas relações de força que permitem aumentar os cortes nos salários e nas pensões e fazem descer a taxa do IRC ?Bem sei que a estimativas apontam para um aumento das receitas do IRC para 2014, mas ninguém põe as mãos no fogo por essas contas ideológicas, pois não?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Se este ano o défice for de 5,9%, para o ano será de...

O governo voltou a falhar no défice para 2013 em mais 0,5.Agora estima-se em 5,9%. Todos percebem o sofisma quantitativo que o défice de 4% previsto para 2014 representa. Desde a Troika aos troikanos.

Mas que perigo!

Quando a selecção de futebol promete muito e faz menos do que o mínimo há sempre quem grite aos microfones perante alguma jogada mais emocionante e quantas vezes estéril «Mas que perigo!» Assim nos vamos entretendo. Hoje ganhamos ao Luxemburgo com 11 contra dez. Não deu para dramatizar.

Ministro espanhol leva a marmita para a reunião de Bruxelas

Acabo de ouvir na TSF, não tenho mais pormenores: ministro espanhol leva a marmita do almoço para reunião ministerial em Bruxelas! Alguém está a ver a Maria Luís e o Paulo Portas chegarem a esse tratamento de choque? Uns meninos de coro...

O escudo regressa anónimo

As reduções de salários e os cortes nas pensões, pelo terceiro ano consecutivo, provam que o escudo está a regressar sob anonimato e de forma selectiva, já claramente fora da antiga serpente monetária, uma almofada cambial dos anos oitenta na CE. O euro, e outras moedas como o dólar, ficam para os bancos, para as seguradoras, e para os agentes económicos ligados à exportação.Mesmo assim com penalização nos juros. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Responsabilidade directa

Os cidadãos sentem-se desprotegidos perante as investidas do governo em relação à segurança do seu património. Fora a jurisprudência do TC desapareceram as figuras de defesa do cidadão perante a administração. Desde a substituição do último Provedor de Justiça que não se ouve falar do cargo, embora seja de esperar uma prova de vida deste para o final dos orçamentos. Por isso não é para admirar que grupos de cidadãos comecem a interpelar directamente a responsabilidade de altos funcionários públicos e dos autores materiais de muitas medidas que os afectam assimetricamente. Chegou agora a vez da administração da CGA ser responsabilizada pela eventual interpretação que fizer de futuras normas relacionadas com cortes de pensões em nome da «convergência» dos sistemas, como se viu ontem à noite nas reportagens da televisão.Isto já não está para brincadeiras. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Saber o que se quer com os Correios

O governo português podia, apesar de tudo, ter aproveitado melhor as necessidades decorrentes do resgate para conceber algumas medidas que a sua fraqueza e comprometimento não o autorizariam em tempos normais: estender o universo tributário a muitas actividades de organizações religiosas, reduzir as rendas excessivas de empresas como as ligadas à energia, renegociar as PPP e os swaps, etc. E sobretudo ter um plano estratégico para as privatizações forçadas pelos credores. 
Ainda ontem li no El País que a SEPI-Sociedade Estatal de Participações Industrias de Espanha- se prepara para se candidatar à compra do serviço postal português, com o objectivo de «estar presente nuns CORREOS IBÉRICOS, que abarque toda a península»
No meio da confusão governamental portuguesa há quem veja claro na fronteira e saiba o que quer. E isto com a Espanha também em crise!Que diferença entre as oligarquias...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Do alto da Ponte

O conselho de segurança da Ponte 25 de Abril deve estar à espera de uma grande manifestação no dia 19 de Outubro para ter dado um parecer alarmista sobre as consequentes falhas de segurança na ponte que podem ocorrer durante o desfile. Mas quais serão as verdadeiras motivações desse conselho de segurança depois de tantas meias maratonas no tabuleiro? Induzir receio, dissuadir os manifestantes e permitir ao ministro aparecer como um defensor extremo do direito de manifestação? A seguir.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Inside Information

O governo está a criar uma grande e propositada desigualdade entre os cidadãos quanto às informações que deve disponibilizar para todos. Há mesmo alguns comentadores que vivem dessa «inside information» recolhida a preceito e usada na propaganda do governo, ou na luta política dentro do bloco de poder. O que se passa com o que terá ficado estabelecido entre o governo e  troika quanto à próxima proposta orçamental é apenas o exemplo mais recente e desenvergonhado. Em troca a troika no seu «Press Release» de 3 de Outubro não se inibe de tomar parte contra o regular funcionamento das instituições ao considerar que os acórdãos do Tribunal Constitucional «inviabilizaram algumas medidas essenciais». Sádicos reafirmam que «A dívida pública mantêm-se sustentável». Sustentável para quem?

sábado, 5 de outubro de 2013

António Costa honra o 5 de Outubro

A cerimónia comemorativa do 5 de Outubro- a primeira depois da suspensão deste dia como feriado nacional obrigatório por um governo extraterritorial sem raízes- foi salva pelo Presidente da Câmara de Lisboa António Costa, que assim salvou o PR de uma situação embaraçosa de quem o quer fechado em Belém.Mas enquanto o discurso de Cavaco Silva foi curto, o de António Costa foi alternativo para a comunidade e mobilizador para os princípios democráticos. Muito justa a referência a Raul Rego e ao jornal República, perseguidos pela ditadura.Agora só falta que alguns municípios venham a adoptar o dia 5 de Outubro como feriado municipal, enquanto esta data não for restituída ao povo português como feriado nacional obrigatório.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um governo protegido

Paulo Portas fala muito, e mal, de Portugal como um protectorado. Mas o que de facto mais sobressai é a protecção que o governo de Passos-Porta tem vindo a receber do PR e da própria «troika». O PR marcou a data das eleições autárquicas conforme os desejos da coligação, a troika andou a vistoriar a 8ª e 9ª avaliações com uma barragem de fogo informativa e um calendário a preceito para facilitar o tpc do governo na próxima proposta orçamental. Uns queridos, fora a falta de oficialização da meta do défice, que fica para o Eurogrupo se ocupar mais tarde perante o irremediável.

Cavaco Silva no reino da EFTA

Cavaco Silva visita a Suécia, um antigo país da EFTA que sendo membro da UE ainda não aderiu à zona euro, e possivelmente só o fará caso haja um referendo favorável, o que nesta fase não parece nada provável. Que lições trará o PR desta revisitação de uma EFTA nórdica multifacetada composta de uma Suécia e de uma Dinamarca ambas na UE mas fora da zona euro, de uma Finlândia boa aluna aplicada  e professora exigente da ortodoxia comunitária, e de uma Noruega que permanece isolada?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Emergência partidária

Passos Coelho faz de conta que está tudo normal no PSD, embora tenha de antecipar as eleições internas. A verdadeira «emergência partidária» chegará com as eleições para o Parlamento Europeu em Maio, se o governo chegar lá. Tudo tempo perdido sem que Cavaco Silva dê por nada...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os caminhos da razão

João XXIII e João Paulo II vão ser canonizados em breve. O assunto interessa-me pouco, mas noto que enquanto o Papa polaco teve de passar pela prova dos dois milagres- ainda se falou numa portuguesa como receptáculo mas agora só vejo menção a uma francesinha- o Papa Francisco dispensou João XXIII dessas formalidades.É um bom caminho para a Igreja católica beatificar os seus numa época em que os milagres tendem a desaparecer.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rui Moreira foi eleito PR e António Costa «só» presidente da Câmara de Lisboa?

Longe de mim diminuir a importância e o significado da vitória de Rui Moreira no Porto contra Luís Filipe Menezes, ou seja contra o PSD de Passos Coelho.Quanto aos independentes deixemos o tempo apurar essa informalidade concebida por Rui Rio. Mas pelo entusiasmo até parece que entrou na corrida para as presidenciais. Já António Costa, que alcançou uma expressiva vitória sobre a aliança PSD-CDS na figura do inefável Fernando Seara, e não abriu nenhuma crise no PS, ficou pendurado no cabide da larga família de comentadores do PSD. E no entanto Costa deu um grande passo em frente em todas as direcções, inclusive a de uma futura candidatura presidencial.

A noite dos resultados longos

Quem diria que seria com os «moderninhos» da informática e da simplificação da «burocracia» que a duração das contagem das votações voltaria ao tempo das primeiras eleições do STAPE!A vitória clara do PS, e a subida do PCP, foram assim estendidas durante a noite até à avaria das máquinas nos serviços eleitorais do MAI. 
Agora é urgente que o PR se decida por novas eleições legislativas. Sem elas Portugal também avaria não tarda nada...

domingo, 29 de setembro de 2013

A boa cobertura da rádio e jornais

Do que li na imprensa escrita e ouvi nas rádios guardo uma ideia muito positiva desses meios da comunicação social na divulgação das questões do poder local durante este período em que as autárquicas estiveram em destaque.

Fui votar

Nunca faltei a uma eleição no regime democrático. Sabia muito bem em quem voltar a votar em Lisboa, e as televisões não me fizeram falta nenhuma com os seus pretextos, embora tivessem faltado ao seus deveres e transgredido não sei quantos compromissos para serem autorizadas a emitir. Esse aspecto passou despercebido ao actual PR, que apenas falou da lei eleitoral a rever. Mas cuidado com a futura falta de credibilidade de eleições pautadas pela lei das televisões.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Não há governo de salvação nacional sem novas eleições

O PR voltou à carga com o regresso ao governo de salvação nacional que só não está no horizonte porque Cavaco Silva deu a mão a Passos Coelho na crise Gaspar-Portas-Maria Luís.Temos por estes dias os líderes dos principais partidos a falarem de coisas gerais em plenas eleições locais como se estivessem em legislativas. Sua Excelência faz de conta que não percebe o que lhe estão a dizer: não há governo que nos salve sem novas eleições para a AR. E já não há muito tempo a perder desde que Passos Coelho perdeu os mercados ao virar da esquina.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Livros difíceis

Ontem voltei à Casa Fernando Pessoa, desta vez para falar da obra de Marguerite Yourcenar As Memórias de Adriano, na série que ali corre sobre livros difíceis, uma óptima ideia. A sala estava mais do que cheia, um regalo para qualquer orador, o que me levou a transgredir o tempo que me tinham destinado com tolerância geral.
As Memórias de Adriano foi um livro difícil, em primeiro lugar para a sua autora que descreve o processo de elaboração numas Notas e Apontamentos anexados quer na edição francesa quer na portuguesa da Ulisseia, cuja tradução é de Maria Lamas. Yourcenar teve o projecto entre mãos de 1924 até 1951 com as largas interrupções e hesitações que aponta. O livro em segundo lugar é difícil para o leitor. Mas a sua leitura é deslumbrante.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Passos Coelho perdeu o pé nos mercados

Há mais de dois anos que ouço Passos Coelho garantir que a República Portuguesa vai «votar aos mercados» em 2014, e até já os terá avistado em Maio de 2013. De repente o primeiro-ministro descrê na sua ciência  perante a subida das taxas a curto e a longo prazo. É sempre um choque ver uma crença que se desmorona

domingo, 22 de setembro de 2013

Os Caminhos da Senhora

Merkel alcançou mais de 40% de votos. O SPD ficou-se pelos 25%. A Alemanha não está em estado de salvação nacional, uma especialidade dos nossos consensualistas. Por isso só haverá uma «grande coligação» em Berlim caso a chancelar queira um pretexto para mudar a política externa, do euro à política internacional. De resto não faz sentido para as partes. Os verdes é que têm vocação para os arranjinhos internos, à falta dos liberais.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Da série «Os caminhos da Senhora»...

Nós conhecíamos Ângela Merkel vista do exterior. Das suas chegadas às cimeiras europeias sem um único papel na mão a contrastar com o peso das pastas dos governantes com menos poder. A sua palavra bastava para dar o tom à conversa. Agora, por causa da campanha eleitoral, sabemos que, na Alemanha, é menos assertiva, menos decisionária, mais prudente, mais «Estado Social». Pode ser que alguém perceba o porquê na Europa.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Da série «A Grécia vai à frente?»

Os gregos voltaram às ruas sem esperar pelas eleições alemães. Fala-se de novo de uma modificação do perfil da dívida pública e de um novo plano de apoio de 10 a 15 mil milhões de euros a Atenas para os anos de 2014 e 2015. Mesmo sem copiar a Grécia convém vê-la de longe. Pode ser que se veja melhor o futuro do que se imagina.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A linha vermelha de Portas ainda se enxerga?

O governo lançou contra os pensionistas da CGA uma operação de cerco e limpeza. Correia de Campos hoje no Público  recorda que a CGA foi obrigada a incorporar os fundos de reforma dos CTT, e depois da PT, e a seguir a dos bancários, acumulando dificuldades para o futuro.
 Sobre as reformas dos funcionários públicos propriamente ditos fazem-se contas dos financiamentos do Estado sem ponderar a contribuição devida à CGA como entidade patronal que o Estado também é. 
Hoje chega a troika  muito presumida nas suas receitas, com a «linha vermelha» de Portas muito esbatida para não dizer inexistente. Quem nos defende?

domingo, 15 de setembro de 2013

Os 360 graus da RTP

A RTP1 abriu hoje às 20h com Cristiano Ronaldo. O pretexto foi a assinatura de um novo contrato com o Real Madrid depois daquele clube ter dado mais dinheiro pela transferência de um outro jogador, Bale, esta época.Em compensação há quem festeje a sua ultrapassagem de Eusébio em golos na selecção, embora a média  por jogo não seja lisonjeira ao CR7 por comparação com o moçambicano. A mim tanto me faz. Prefiro o anti-vedetismo de Pauleta. Mas os critérios da RTP tinham tudo a ganhar se o seu ângulo de apreciação não fosse tão coincidente com certas campanhas publicitárias.

sábado, 14 de setembro de 2013

Os papéis dos swaps foram destruídos para não haver dúvidas

A Inspecção Geral de Finanças mandou destruir os papéis «de trabalho» que estavam associados às auditorias realizadas a 4 empresas subscritoras dos swaps e produtos derivados. Informa o jornal Público que ficará assim sem resposta o requerimento feito pelos socialistas na comissão parlamentar de inquérito aos swaps. Tudo muito eloquente e desenvergonhado.Há muita gente que se sente impune, daí este farrabadó.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Querida auto-estrada

Vejo ainda um grupo de 4 professoras de Vila Real que foram colocadas numa escola de Viana do Castelo. Tencionam organizar-se para viajar diariamente em conjunto. Queridas auto-estradas...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Qual será o futuro de Helder Rosalino?

Vejo Helder Rosalino a dispor das pensões dos funcionários públicos, a coberto da uniformização das reformas, por baixo, entre o «público» e o «privado», e pergunto-me qual será o futuro dele, e se se salva disto tudo voltando para o Banco de Portugal e o seu particular sistema de aposentações...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O condicionamento televisivo

No salazarismo havia o «condicionamento industrial», que ajudou a fortalecer alguns grupos económicos que não deixaram depois de mandar no governo. No regime actual emergiu o «condicionamento televisivo» com a escolha de dois canais privados generalistas, o rateio do mercado da publicidade com fortes limitações legais para a televisão pública, e a não abertura de mais canais generalistas em nome ainda da distribuição das receitas geradas pela «santa publicidade» que comanda o pluralismo. Os canais generalistas uniram-se agora contra um certo tipo de cobertura das eleições autárquicas, e vão impor a sua lei no território que ganharam aos poderes públicos. Não se percebe o que a RTP faz nesse conjunto. Talvez só queira entrevistar o primeiro-ministro antes do fim da campanha...
Fazem muita falta canais regionais nestas eleições autárquicas.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Judo diplomático

Ontem o ministro russo Sergei Lavrov marcou pontos na questão das armas químicas sírias ao propor a internacionalização destas. A proposta, se for por diante, ajuda a resolver uma questão à ONU, (como escreveu Ferreira Fernandes hoje, a guerra síria é um dilema, de um lado, um ditador, do outro, terroristas), e, em qualquer caso, altera o calendário das agendas de várias potências sobre o assunto, EUA incluídos. A Rússia começa a beneficiar da sua derrota na guerra-fria, de uma política externa muito profissional, da concentração dos seus meios e objectivos, das poupanças económicas e financeiras que tem feito entretanto. Um tema de futuro.

domingo, 8 de setembro de 2013

Não foi o Poiares Maduro

A ideia da entrevista a Passos Coelho na RTP antes das eleições autárquicas, e a Seguro depois destas, não foi de Poiares Maduro. Ele é contra qualquer interferência da tutela na estação pública. De quem terá sido a subtileza da ideia a que Passos Coelho aparentemente não resistiu? 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Os mais fortes do regime

Os autarcas são os agentes políticos mais fortes do regime. As competências do Poder Local e a Lei de Finanças Locais dão-lhes um poder sem paralelo no sistema, e mesmo os «troikos» não lhes tocam. Esse poder revelou-se na regra da perpetuação nos cargos que ocupavam, e que lhes multiplicava a influência e o poder de decisão em matérias muito sensíveis. Os deputados- sem influência que lhes seja comparável a não ser no imaginário catártico dos programas de opinião pública!- tentaram levar para a frente uma lei de limitação de mandatos, mas deixaram a obra a meio por fraqueza própria e cumplicidades partidárias. Agora o truque da demissão a meio do segundo mandato, ou da boa vizinhança com outros municípios vai proliferar rebentando com a lei.A não ser que o legislador não se deixe escarnecer e torne tudo muito claro.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Líbia, Mali, Síria...

Desde que perdeu para a Alemanha a liderança europeia-continental que a França se dotou de uma agenda ultramarina, desde a Líbia com Sarkosy ao Mali e à Síria já com Hollande. Foi o conselho que Bismarck deu a Paris depois da guerra franco-prussiana...
Ao menos agora a França ficou no lugar de parceiro especial dos EUA para a Síria.

Os parlamentos e a guerra

Os parlamentos das grandes democracias começam a reagir à facilidade com que os governos decidem levar por diante operações militares no estrangeiro sem uma real participação dos deputados. As falsas informações que estiveram na base da invasão do Iraque em 2003, o desastre militar, político e financeiro que se seguiu deixou marcas nas Câmaras. Onde elas existem e funcionam, claro.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Estou de férias enquanto houver temperaturas superiores a 30 gaus

Pasmo sempre quando vejo as crianças serem arrancadas às férias para entrarem numa escola com uma temperatura superior a 30 graus!Ficam logo treinadas para os trópicos. Por mim continuo de férias como os turistas alemães que nos visitam. Não trato pois de assuntos sérios, e há alguns. Mas dou-me por satisfeito por ter previsto aqui acima que o Jorge Jesus ia fazer entrar o Cardozo na segunda parte contra o Sporting.Quando a temperatura descer falo-vos do deserto, e da redescoberta das ilhas em termos de plataforma continental

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Primeiros e últimos minutos

Ontem, como há muitos anos, fui com o meu filho ver o primeiro jogo do SLB na Luz para a Liga. Pelo caminho fui-lhe dizendo que está na hora dele levar os seus filhos, agora que em boa hora os desafios vão disputar-se mais cedo. Guardo-me para a Europa. O jogo foi uma pepineira, que as crianças podem tolerar mas não dá para os sermões de Jorge Jesus aos adeptos.A casa estava aliás fraquita. Ficámos até ao empate, porque saímos sempre durante os descontos, um momento que tem sido traumatizante para os benfiquistas nos últimos tempos. Não teve nada a ver com desconfiança ou desconfiança. Todos sabemos que Jorge Jesus vai fazer entrar Cardozo na segunda parte do jogo com o Sporting...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O terceiro resgate da Grécia

Em plena campanha eleitoral na Alemanha, fala-se, do lado dos partidos do actual governo de um mais do que eventual terceiro «resgate» da Grécia, até ao fim do ano. A senhora Merkel já sabe que não perderá as eleições por causa dos «resgates». Mais importante será conhecer os novos parceiros para essa nova operação. O FMI fica? Sai? Quem entra, e em que montantes, com os novos empréstimos? Só o Mecanismo de Estabilidade Financeira Europeia?Haverá cortes na dívida por parte dos credores institucionais? A Grécia marca o ritmo da crise das dívidas soberanas? 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Mercantilismo financeiro

O Público cita hoje a revista Der Spiegel, segundo a qual um estudo oficial do ministério das Finanças alemão cifra em 41 mil milhões de euros os ganhos em juros com os empréstimos contraídos pelo tesouro federal desde o início da crise das «dividas soberanas» dos países periféricos da zona euro, desde 2010 até agora.
Além disso Berlim começou a repatriar o ouro que tinha depositado noutras praças estrangeiras, tornando-se assim um caso de entesouramente de meios monetários e financeiros sem precedentes na UE. Chama-se a isso ter os meios da sua política à disposição.

Começou a época das arbitragens

O SLB perdeu na Madeira. Com ou sem Cardozo será uma época de tensão entre dirigentes e adeptos. Com ou sem«comando».

Começou mal a época no campo das arbitragens, e não só com equipas «grandes». Quem viu certas passagens do Guimarães- Olhanense não pode deixar de ficar arrepiado com o que se possa passar entre candidatos a lugares europeus e candidatos à descida de divisão.O jogo mais notório ainda foi entre o Setúbal e o FCP. Paulo Fonseca, recrutado directamente das juventudes desportivas por Pinto da Costa, ainda não percebeu que cada penalti mal marcado a favor do FCP, cada golo duvidoso que o favoreça, só o diminui como treinador aos olhos de todos. O seu ataque a José Mota foi o de quem não sabe ainda o seu papel.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Uff, a pré época...

A pré -época desde 1 de Julho até meados de Agosto deve ser um dos maiores desperdícios de dinheiro para os clubes e mesmo para as SAD. Uns joguitos sem público, sem grandes receitas de televisão, sobretudo sem interesse nenhum, dão tempo para as manobras empresariais das transferências, o verdadeiro negócio da pré-época, mas este não é em directo. Há sempre a volta a Portugal em bicicleta para os tradicionalistas.
Por isso ontem vi os dois desafios de Portugal. Gostei dos sub-21, e do jovem Cavaleiro que marcou três golos sem direito a histerias.Quanto aos seniores estiveram quase todo o jogo a perder com a Holanda, mas os tambores rufaram quando o Ronaldo empatou e marcou o seu 40º golo na selecção, ficando a 1 e a 5  das marcas de Eusébio e de Pauleta. Dois insulares e um ultramarino, portanto. Ninguém pergunta porque os metropolitanos não chegam lá. Talvez porque o Cardoso só em Portugal tenha mercado neste momento...

Nada contra o crescimento

O governo não estaria à espera da subida do PIB neste trimestre, tanto se queixou dos efeitos do acórdão do Tribunal Constitucional que atenuou o radicalismo da austeridade.Mas eu não me vou queixar do crescimento mesmo que fraco, mesmo que seja alcançado com o auxílio das exportações da GALP, por excesso de produção, dada a míngua do nosso mercado interno na procura dos seus bens transaccionáveis com tudo o que isso significa. Afinal foi na guerra civil  de Espanha que os produtos derivados do petróleo começaram a ter esse papel na balança comercial portuguesa...Pode é não durar muito.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Soberanias entre recifes

Com a UE em férias, multiplicam-se os casos de afirmação de soberania. Neste caso o Presidente da República Portuguesa até foi o primeiro a dar o pontapé de saída com a visita às ilhas Selvagens,-uma questão resolvida com Madrid desde 1912- onde terá avaliado as potencialidades de expansão da plataforma continental, a pacífica biodiversidade, e o local mais a sul que Portugal fornece como «fronteira externa da UE.»... Agora são os espanhóis que disputam a construção de «recifes artificiais» no mar de Gibraltar em competição com os «recifes artificiais» britânicos noutra zona fronteiriça da UE. Soberania e fronteiras, um tema de verão, ou será para continuar sob o signo das «fronteiras externas» europeias?

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O motorista não usa retrovisor

Mais uma demissão de um secretário de Estado de uma pasta que mexe com dinheiros, desta vez apenas um mês depois de ter tomado posse. O secretário de Estado do Tesouro- aonde o «pote» está concentrado-, Pais Jorge pediu a demissão perante o silêncio inadmissível da ministra das Finanças, que o escolheu para a substituir no cargo!, do primeiro-ministro tão seguro da solidez pastosa do seu governo, e do PR tão entrincheirado no novo calendário da era de Bruxelas-Berlim. O governo chega a 2015? Nem pensar...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nuno Godinho de Matos

Nuno Godinho de Matos pediu a exoneração de membro e porta-voz da Comissão Nacional de Eleições que exercia há 17 anos e que fazia dele uma referência daquele órgão responsável pela seriedade e pela confiança que os portugueses ainda depositam no processo eleitoral. Membro fundador do PS, deputado constituinte e deputado reformador, Nuno Godinho de Matos foi dos que se afastou das lides partidárias cedo, certamente desapontado e desiludido. Agora, numa refrega menor sobre incompatibilidades, um correligionário de colheita mais recente colocou a credibilidade dele em causa. Nuno Godinho, do alto do seu entendimento, demitiu-se da CNE. Que pena que seja ele, e não outros noutras instâncias.

Teresa Amado

Quando regressei a Lisboa de uma férias intermitentes notei no meu bairro, ao entardecer, a circulação de várias caras amigas que não via há muito tempo. O mistério desfez-se ao chegar a casa: a nossa querida Teresa Amado havia falecido.Tínhamos sido da mesma direcção associativa da Faculdade de Letras na crise de 1962- onde aliás as mulheres estavam em maioria sem necessidade de quotas, a Benedita Vassalo, a Isabel Franco, a Yolanda Barbosa- num momento axial dos estudantes contra o regime da União Nacional. A Teresa Amado optou uma carreira universitária mas mantivemos sempre o contacto- que se acentuou nos últimos tempos- porque éramos vizinhos e ambos motivados pelo combate às nossas doenças de civilização. Sempre segura, sempre calma, sempre doce- não cheguei a perceber se alguma vez desesperou. Ontem os amigos estavam lá com ela.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A «União Nacional» de Passos Coelho na versão do PSD do Baixo-Douro

Passos Coelho gosta de expressões que fizeram história nas escolas da sua infância. «Chefe de Governo», e «União Nacional» foram das mais recentes que foi buscar aos compêndios. Mas mal saboreava o efeito desta última novidade perturbadora, eis que os seus corregelionários Rui Rio e Filipe Menezes se envolviam numa linguagem de desunião digna dos «inimigos da retaguarda» de antanho...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Finalmente, uma «perita em swaps»

O Tesouro português esbanjou-se em Parcerias Público-Privadas, socorro ao BPN, rendas excessivas, e mais recentemente veio à tona de água a questão dos «Swaps» e seus prejuízos estimados em três mil milhões de euros.Não abundam gráficos dessas despesas cativadas pelos defensores da austeridade para os outros. Tudo isto será pago com o suor dos portugueses sob a tutela da competitividade. Sobre os «swaps» havia a sensação de que nenhum dos excelentíssimos gestores que os assinaram dominava a hidra da cabeça financeira que vendia esses produtos através dos seus especialistas.Mas ontem, na AR, Vítor Gaspar declarou que Maria Luís Albuquerque « é uma pessoa que pode ser considerada perita nesta matéria». Uff, tinha a impressão de que não havia ninguém do lado dos serviços públicos...

Fernando Martins

Fernando Martins era um senhor com naturalidade. Encontrei-o a mais das vezes no seu Altis, desde as primeiras reuniões do grupo parlamentar do PS na Assembleia Constituinte, até aos inúmeros colóquios,conferências e noites eleitorais marcantes, umas legislativas, outras presidenciais. Lembro-me de ter lançado a 18 de Abril de 1979, com António Barreto, o «Manifesto Reformador»  numa das salas de um dos pisos superiores, e nesse período almocei por vezes com ele. Era um pluralista por vocação, mas com preferência nítida pelos bons combates. Benfiquista, e presidente do SLB, recebia com cavalheirismo os grandes rivais do Porto. Era um empreendedor extraordinário que nunca maçou ninguém com lições de «empreendorismo». 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Torpedeados

Paulo Portas torpedeou Santos Pereira. Santos Pereira retirou os torpedos aos submarinos de Portas. Portas vai ter de se habituar a este à-vontade de ministros e ex-ministros da àrea do PSD para com ele depois da demissão «irrevogável».

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ana Maria Bettencourt

Ana Maria Bettencourt sai por estes dias do cargo de Presidente do Conselho Nacional de Educação, eleita por larga maioria dos grupos parlamentares da AR. Manteve sempre um óptimo relacionamento com todos os agentes do mundo da instrução através de um diálogo discreto, de um debate aberto, e de uma grande proximidade das escolas. Ressalta  da sua presidência a elaboração de um estudo anual sobre O Estado da Educação em Portugal, que teve três edições, e onde se desmitifica algumas ideias preconceituosas sobre o desempenho do sistema educativo, nomeadamente em termos comparativos internacionais. Por motivos familiares posso testemunhar o grande esforço que dispensou nestes últimos quatro anos. Precisamos da Ana Maria Bettencourt em actividade.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Sol fica de prevenção ao Tribunal Constitucional

O semanário SOL informa-nos que o TC «não fecha para férias», e que «O medo do TC volta a assombrar o Governo», pois «Dois ou três chumbos inviabilizarão as metas e não temos alternativas», disse fonte governamental. É uma peça e peras. Tendo em conta a filosofia política do jornal não seria mau lerem numa reunião de direcção aquela frase de Alexis de Tocqueville, segundo a qual
o controlo judicial da constitucionalidade« é uma das barreiras mais poderosas levantadas contra a tirania das assembleias políticas.»

O Reitor da Universidade de Lisboa

Estive presente ontem, como membro do Conselho Geral, na tomada de posse do primeiro Reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, saída de um bem conduzido processo de fusão entre a Clássica e a Tecnica, cujos pricipais protagonistas foram de facto António da Nóvoa e António Cruz Serra. Fiquei bem impressionado com o que assisti, e como estamos todos viciados em notícias negativas, é salutar ver a Universidade Portuguesa a querer contribuir para emendar o País e ajudar ao seu progresso.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Haverá um homem forte no governo?

Hoje foi dia de avaliação do governo remodelado. Contrariamente aos que olham para Paulo Portas como o governante que sai reforçado, eu só vejo um vencedor neste torneio político de verão: Passos Coelho. Ultrapassou a crise aberta pela demissão havida por apocalíptica de Vítor Gaspar, e substituiu-o por uma amiga de longa data; meteu na algibeira a demissão «irrevogável» de Portas; não se misturou nas conversações tripartidas cenariadas pelo PR, atitude que António José Seguro não explorou;pagou a dívida política contraída junto de Cavaco Silva com uma moção de confiança que apresentaria mais cedo ou mais tarde; acabou por ter o líder do CDS onde o quer: a responsabilizar-se  pelas negociações com a troika sob o sorriso malandro do secretário Carlos Moedas,  e a estar presente com carácter permanente no Conselho de Ministros. Aumentou este para 14 membros com a mesma ligeireza com que havia defendido um governo com 11 ministros. A haver um homem forte na maioria é Passos Coelho. Pode não durar muito, mas é assim.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Alfredo de Sousa, um protector dos cidadãos

Acompanhei razoavelmente o mandato de Alfredo de Sousa enquanto Provedor de Justiça, cargo que não foi renovado por esta maioria parlamentar que se sentiu ofendida pela liberdade de opinião noutras matérias do Juiz Conselheiro, sem que a oposição tenha reagido. Perde-se assim um real defensor dos cidadãos. Não nos podemos esquecer que Alfredo de Sousa pediu ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva de alguns artigos do Orçamento de Estado para 2013.E opinou, sem defender especificamente, que a haver eleições antecipadas elas deveriam realizar-se na altura das autárquicas.Foi punido pela intolerância desta coligação. Há quem prefira fazer de conta não perceber o que está em curso e manter a aparência do «business as usual»...

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Grécia à frente de Portas no IVA da restauração

Um dos grandes debates nas negociações tripartidárias em Lisboa, foi a baixa, ou não, do «IVA da restauração»! O CDS,  partido governamental, já se havia pronunciado com pompa sobre a descida do imposto. Mas foi o governo grego que  tomou essa medida agora, e contra a Comissão Europeia, vejam lá. Há «protectorados» e «protectorados»...Fitas e fitas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Quanto tempo demorará Passos Coelho a apresentar a moção?

Passos Coelho tornou-se o Tarzan desta selva política. Vejam como enche o peito. Apoiado pela Comissão Europeia- leia-se Barroso-, terá prometido a Cavaco Silva a apresentação de uma Moção de Confiança na AR, para ilibar este de proteccionismo partidário. Mas será que apresenta a moção antes do final desta sessão legislativa, ou arrasta os pés até Setembro? Muito gostaria de saber a previsão de Barradas de Oliveira...

domingo, 21 de julho de 2013

Garantias adicionais e Moção de Confiança

O PR dará posse ao governo remodelado, depois de ter recebido «garantias adicionais» da coligação - que se desconhecem- e de Passos Coelho se ter comprometido em apresentar uma Moção de Confiança na AR.Fica na berlinda o CDS. Cavaco Silva fica de novo na varanda de Pilatos.

sábado, 20 de julho de 2013

Uma comédia

É precisa muita paciência para assistir às notícias sobre o malogro das negociações interpartidárias promovidas pelo PR como se fosse  uma «novidade».

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Na candidatura de António Costa a Lisboa

Gostei do discurso de candidatura de António Costa a presidente da CML, proferido num fim-de-tarde luminoso à beira-Tejo. Ele frisou, e muito bem, que governou em contraciclo a cidade de Lisboa:
«Foram quatro anos sempre em contraciclo.Reduzimos a dívida do município quando o endividamente do país aumentava, reforçámos o investimento quando tudo parava, demos prioridade à escola pública e aos apoios sociais contra o empobrecimento, baixámos os impostos quando todos aumentavam, estimulámos o emprego e apostámos nas empresas contra o desemprego e a recessão.»
Que tal um consenso sobre este modo de governar?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um acordo para renegociar com os credores ?

Jorge Sampaio sintetizou muito bem o único ponto positivo que eventualmente podia sair destas conversas inter-partidárias de iniciativa presidencial: reforçar o poder negocial da República perante a troika e restantes credores. Mas este não será manifestamente o destino desta «ronda».

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Imaginem!

Sabem porque o «acordo» PSD-CDS-PS não será possível? Pois porque a RTP ouve «os críticos» do PS e estes não o querem.Está instalada a «divisão» no PS, concluem.  no Telejornal das 20h. Tão simples, não acham? Os «críticos» no PSD e no CDS só serão chamados mais tarde.Quando efectivamente o «acordo» der no que terá de dar. À ordem, ou por ordem, logo se verá.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ao ritmo das negociações

Este blogue segue agora ao ritmo estival das negociações. De todas as negociações, desde a oitava avaliação da troika que foi adiada dentro do melhor entendimento do que pode ser a «emergência nacional», até esta sobre o calendário eleitoral das legislativas a coberto da ideia de um governo de salvação nacional.Em política nem tudo o que parece, é. Também escusam de me procurar na CMTV ou no Correio da Manhã. Ando a preparar a minha «rentrée» e tenho convites diferentes dos habituais.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Que grande embrulhada!

A contagem para novas eleições foi retardada com os procedimentos anunciados pelo PR mas irá ser retomada. O governo já está em gestão. As culpas de tudo isto diluídas entre «os parceiros» Só teremos governo de salvação nacional mais para a frente. Ou para trás...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tudo menos o Conselho de Estado

O PR irá falar hoje ao país depois de ouvir «os parceiroa políticos e sociais», mas sem ter convocado o Conselho de Estado. Esta é a versão assimilada de «protectorado».

terça-feira, 9 de julho de 2013

Sobre a «Deslealdade Institucional»

Cavaco Silva deve passar esta noite a debater-se com o fantasma da deslealdade institucional. Fará caso dela? Cederá à insignificância institucional que querem transmitir de alguns centros de decisão externos ? Uma noite decisiva para a sua personalidade

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Muito teatro

Passei o fim-de-semana no festival internacional de teatro de Almada. Os encenadores e actores eram profissionais. Mas nada de desmerecer os amadores mesmo quando se ouve o «ponto»...

sábado, 6 de julho de 2013

Comissão Administrativa

Começou o pós-troika à maneira de Passos e Portas. Nenhum quer governar com o outro, mas arranjam «esquemas» negociais para se mostrarem «responsáveis» e para atirarem a batata escaldante para as mãos do PR, que por sua vez a atira para a AR. Como escrevo no Cabo Submarino: «Não se pode manter em funções um governo como se este fosse uma comissão administrativa. Esta grave crise revela a putrefação da maioria.»

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Festival Internacional de Teatro de Almada

Nem tudo são coisas mal-feitas em Portugal, como estas a que temos assistido nos últimos dias. Hoje começa em Almada um grande festival internacional de Teatro  e que vai durar até ao dia18 de Julho espalhado por várias áreas desde a Escola D. António da Costa, Teatro Municipal de Almada, Teatro D. Luis, Dona Maria II, Culturgest, Maria Matos, Teatro da Politécnica, etc
Todos os anos tem sido uma festa da cultura. Este é o 30 festival. Este ano já não está connosco o seu fundador Joaquim Benite que será justamente homenageado. Mas Rodrigo Francisco, que nos habituamos a ver ao seu lado, reteve a inspiração e manteve o modo de produção de qualidade e diversidade.

Negociações póstumas

Quanto tempo o CDS subsistirá no governo sem Paulo Portas? E quanto tempo Passos Coelho irá reter o pedido de demissão do MNE?
Essas negociações póstumas entre o PSD e o CDS não dão força a ninguém.
Precisa-se de uma solução institucional clara e rápida. Os rodriguinhos tácticos pagam-se com juros. Altos.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Provas da existência da UE

Aqueles serviços norte-americanos que mudam de siglas e vasculham a sede da Comissão, a delegação da UE em Washington, e outros órgãos periféricos da Comunidade vieram provar que, afinal, a UE continua a existir. Também a entrada algo escondida da Croácia no grupo dos 28 serviu de consolação aos entusiastas da «Grande Europa» geográfica. Mas é hoje, em Berlim, que a UE
se dá conta do amontoado de desmpregados que fabricou nos últimos anos. Portugal vai receber um cheque de 180 milhões de euros para «impulsionar o emprego jovem». Quem escrutina?

Vítor Gaspar, Paulo Portas, Passos Coelho...

Passos Coelho, para além do seu amor ao País, deve abreviar a clarificação política do governo de que é primeiro-ministro porque esta crise governamental é a mais grave do regime. Ou apresenta a sua demissão ao PR, ou apresenta uma moção de confiança na AR. Mas como acabará por pedir a demissão a Cavaco Silva, não será de tomar já esse caminho? Admita-se que ainda queira ir a Berlim despedir-se de alguns ímpares. Mas não  deve colocar obstáculos ao « regular funcionamento das instituições democráticas» e dificultar a decisão que o PR terá de tomar para Portugal se dotarde um novo governo.
Outra questão será a de se saber se Passos Coelho ainda terá condições para liderar o PSD na próximas eleições.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Contagem decrescente

Vítor Gaspar demitiu-se e exortou Passos Coelho a reforçar a liderança. O resultado é a chamada de Maria Luis Albuquerque  para as Finanças.É uma falsa solução. A contagem decrescente para o fim deste governo começou à vista de todos. De quanto tempo vai precisar Cavaco Silva? 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Turismo chinês nos Açores

O embaixador da China em Portugal deslocou-se à RA dos Açores e foi recebido pelo presidente do governo regional Vasco Cordeiro. O facto merece atenção, tanto mais que o embaixador mostrou-se optimista em relação aos fluxos turísticos da China para os Açores. Já não é só o pequeno comércio...

sábado, 29 de junho de 2013

O declíno da concertação social e as greves

No Cabo Submarino sublinho o declínio da concertação social em Portugal- algo que funcionou razoavelmente durante a vinda do FMI em 1984-1985 com o governo do bloco central- e o surto de greves actual.Partidos da oposição, confederações patronais e movimento sindical isolam um governo dividido. O povo sente que terá de ser o protector de si mesmo.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Notícias da greve vindas do exterior

Numa primeira leitura as agências internacionais de notícias falam da greve em Portugal como tendo sido pacífica e enquadrada no debate europeu entre austeridade e crescimento. Perspectivas distantes da visão doméstica sobre o acontecimento.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Herberto Goulart

 Herberto Goulart era um abnegado militante da Intervenção Democrática que nos últimos anos fazia tudo para que a histórica revista Seara Nova se continuasse a publicar. Recebi inúmeros telefonenas dele- ainda com o eco de um suave sotaque insular- a pedir colaboração para certos números da revista. Às vezes tinha tantas coisas entre-mãos que era tentado a recusar. Mas o Herberto Goulart voltava sempre à carga.E eu acabava por enviar o artigo, sempre recebido por ele com alegria.  A última vez que estivémos juntos foi num colóquio sobre o 90º aniversário da Seara. Ainda acreditava na união das esquerdas.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Terminar uma greve de professores na véspera da greve geral

A prolongada negociação entre sindicatos de professores e o ministério da Educação sobre a mobilidade especial e a requalificação como forma de despedimento,- com uma greve às avaliações pelo meio que durou três semanas-, terminou ontem com a assinatura de uma «acta» que atesta os compromissos alcançados. O facto é relevante e pode dar força a estas formas de «concertação social». De notar que a greve sectorial dos professores foi levantada na véspera do dia marcado para a greve geral convocada pelas centrais sindicais. Talvez que nem todos estejam em condições de apreciar o esforço de racionalidade e de disciplina que tal implicou para os sindicalistas mais politizados. O ministro também não se sai mal no seio do que resta do governo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Durão Barroso na imprensa internacional

Os jornais portugueses estão cheios de «desagravos» a Durão Barroso, cuja carreira internacional se deve em parte a erros de decisão ou de execução, muito úteis para algumas potências do mundo. Bastaria citar Bicesse ou o Iraque. Por isso não creio que o seu futuro esteja em perigo com as desastradas declarações sobre a excepção cultural europeia. Mas aconselho os  «desagravadores» domésticos a lerem o último Charlemagne do The Economist sobre ele.  Até os britânicos o consideram um «fraco presidente». Mas isso não o deve impedir de ter um novo cargo à altura das conveniências. Preferem que ele tenha esse cargo em Portugal ou no largo mundo?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Troika, UEFA, FIFA...

As manifestações no Brasil começaram, já poucos se lembram, por protestos contra as despesas nos estádios de futebol impostas pela FIFA para a realização da Taça das Confederações este ano, e a Copa do Mundo no próximo. Muito se fala da troika, mas estes rapazes da FIFA e da UEFA não lhes ficam atrás em matéria de exigências e privilégios. Uns para o pão, outros para o circo...São todos poderes sem escrutínio.

sábado, 22 de junho de 2013

Mais um Cavaco?

Mais um Cavaco?, é o título do Cabo Submarino de hoje. Com efeito, na apresentação da moção para o próximo congresso do CDS, Paulo Portas, há meses a organizar ofensivamente o terreno das diferenças narcísicas com a equipa Passos Coelho- Gaspar, limitou-se a duplicar a posição defensiva de Cavaco Silva sobre o governo. O problema não é o do «protectorado», o problema é o de colaboracionismo.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Osvaldo de Castro- um exemplo de cidadania

Podia subscrever a página que a jornalista São José Almeida dedica hoje no jornal Público à vida e morte de Osvaldo de Castro. Mas o facto de o ter conhecido, sobretudo depois de 1995, leva-me a dar um testemunho pessoal sobre as suas grandes qualidades políticas. Numa época em que poucos se podem apontar como exemplares, Osvaldo de Castro era um desses: solidário, competente, sério, empenhado, crente nas virtudes da discussão colegial, era tão inteligente como os que gostam de brilhar, e ele não se importava de os deixar brilhar. Honrou a Assembleia da República e a nobre actividade política.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pigmeus

Seja por absurda incompetência, seja por perfídia (venha o diabo e escolha), certo é que o resultado que Passos Coelho alcançará com este desvario dos subsídios é uma demonstração de força, enxovalhando lei, Tribunal Constitucional, presidente da república e funcionários públicos.
Ler o resto aqui.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A Base das Lajes sobe ao Congresso dos EUA

Entretanto, há dias, a 14 de Junho, a Câmara de Representantes em Washington, aprovou uma proposta para dar mais tempo ao estudo do impacto da redução da dimensão da Base das Lajes como projectada,  até ser claro o impacto que essa medida pode ter no sistema de bases aéreas norte-americanas. A proposta segue agora para o Senado. Por um desses  inefáveis «critérios jornalísticos» a notícia ainda não circula em Lisboa e arredores.

Portas estagia para PR

Três canais informativos transmitiram em directo a apresentação da moção de Portas ao congresso do CDS durante mais de uma hora. Fiquei com a impressão  de haver dois Cavaco Silva de plantão à porta do «protectorado». Dois vigilantes cada vez mais apoiantes do governo de Passos Coelho com argumentos muito críticos mas desvalidos. Deve ser assim que se chega a presidente da República...

Baderna

terça-feira, 18 de junho de 2013

A Grécia vai à frente?

O encerramento abrupto da televisão pública grega tem tido consequências insuspeitadas. Nem falo da tensão política nas ruas e no governo em Atenas. Refiro-me à solidariedade manifestada pelas estações privadas gregas à ERT. Tal seria possível em  Portugal?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A greve e a opinião pública

A greve dos professores, que se está a realizar hoje, deu lugar a uma grande batalha pelo apoio da opinião pública, tendo muitos dos  episódios e argumentos usados pelo governo este fim de semana  tido apenas essa finalidade. Inclusive a intromissão absurda de Poiares Maduro. Isso significa que a greve conta. Como contou a manifestação de sábado.

domingo, 16 de junho de 2013

Governar em conflito

No meu artigo de ontem  no Correio da Manhã analiso o método de governar em conflito de Passos Coelho, e de alguns ministros mais dados ao mimetismo da sua liderança como Nuno Crato. Mesmo tendo a hipótese de resolver os diferendos pela via do entendimento, o executivo prefere mostrar o músculo que lhe há-de fazer falta em breve.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Marchas Populares

Raramente presto atenção às marchas populares mas descortinei neste desfile organizado pela CML na Avenida da Liberda