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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pastel de Belém


Os mercados arremessaram EUA e Europa para um crise inédita. Depois, conseguiram que grande parte da sua dívida fosse paga com dinheiro público. Não satisfeitos, continuam a extorquir nações. Perante o esbulho, que diz o Presidente da República? Desaconselha qualquer crítica. Recomenda que fiquemos caladinhos e quietos, deixando os saqueadores levarem o que quiserem. No primeiro mandato, Cavaco candidatou-se como grande economista capaz de resolver a crise do país. Vê-se. No segundo, alegou ir a eleições em nome de Portugal. Nota-se.
Mas se os demais candidatos a Belém são constantemente interpelados, Cavaco é permanentemente poupado. Se Alegre tem de opinar sobre o orçamento ou acerca das suas relações com o PS, a Cavaco é concedida uma moratória sine die, inclusive pelos socialistas, que já desistiram das presidenciais. Cavaco pode tentar enxovalhar a classe política, que não é confrontado com o seu longo passado de primeiro ministro; pode ter um representante nas negociações do Orçamento, que não é interrogado sobre as suas interferências no PSD; podem continuar os escândalos BPN, que não é questionado sobre a sua ligação à má moeda.
 Enfim, o conformismo do Presidente da República é um problema. Mas o conformismo do país perante Cavaco Silva não tem solução.

Publicado no Correio da Manhã

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O CANDIDATO DO OUTRO SÉCULO


  Para Cavaco Silva a prioridade sempre foi a popularidade. Por isso ignora o essencial ou insiste num discurso anti-políticos, falso (governou 10 anos) e perigoso. Mas, agora, o PR vive para escapar à crise e ser reeleito. Vejam-se as declarações do 10 de Junho.
Este outro candidato poeta e patriótico falou da identidade algarvia e do seu “abraço permanente com o  mar”, revelando um desfasamento do Algarve actual, da contemporaneidade, como sucedeu com a recente exaltação do turismo doméstico. Sobretudo, contradizendo-se já que clamou pela coesão, mas destacou uma só região e apelou à “repartição dos sacrifícios”, sabendo-se que os seus executivos muito aumentaram as desigualdades e que agora apoia os PEC. Aliás, o PR referiu-se à crise como inevitável, isentando de encargos os governantes (inclusive o próprio), como se a culpa fosse de (quase) todos em geral e de ninguém em particular. E afirmou, inconsequentemente, que "chegámos a uma situação insustentável", sem avançar soluções.
Eis um inquilino de Belém que defende férias “orgulhosamente sós”, mas Algarve para pesca, que não tem nem responsabilidades nem alternativas e cuja política é imobilista e eleitoralista. Na presente situação Portugal desespera por um PR. E apenas leva com um candidato dos anos 80. 

sábado, 2 de janeiro de 2010

AMBAS AS DUAS


Uma das histórias que ilustra os paradoxos na comunicação é a da mãe que oferece ao filho duas gravatas, uma azul outra verde. Ele agradece e coloca a primeira. A mãe pergunta-lhe se escolheu aquela porque não gostou da outra. O filho diz que não, tira a azul e põe a verde. A progenitora diz-lhe que, afinal, foi da azul que ele não gostou. Baralhado, o filho acaba por colocar as duas gravatas e sair assim para a rua. Foi disto que me lembrei ao ouvir o discurso de Cavaco Silva, além do que José Medeiros Ferreira já comentou aqui. Foi uma fala alarmista e em crescendo, feita de frases como:
“tenho a obrigação de alertar os Portugueses para a situação difícil em que o País se encontra; “A dívida do Estado tem vindo a crescer a ritmo acentuado e aproxima-se de um nível perigoso; “Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado."; “Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva.”; “Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente.”
No final, o que é que Cavaco Silva concluiu?
“Repito aos Portugueses o que lhes disse há precisamente um ano: não tenham medo.”

Nem todos querem o mesmo de 2010

O PR não se mostrou nada esperançoso na sua mensagem de Ano Novo.Colocou-se do lado dos urgentes na questão da limitação da dívida pública e da redução drástica do défice orçamental. Nada nos disse sobre o maior ou menor peso do serviço da dívida nestes tempos de juros baixos. Não sugeriu um grande empréstimo interno como o seu colega Sarkosy em França para «alavancar» o investimento público, e preferiu recomendar a paralizia deste em Portugal como remédio para o monetarismo que o guia. Ou seja, para Cavaco Silva, toda a austeridade orçamental deve estar concentrada em 2010, contrariamente à Comissão Europeia que aceita uma transição mais suave das medidas de equilíbrio orçamental entre 2010 e 2012. Veremos como o PSD interpreta essas palavras na votação do Orçamento.

Gosto