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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bloco das tangas


Passos Coelho revelou que numa noite abdicou de contrariar o aumento de impostos, em troca do Governo adiar algumas obras públicas que defendia. Rápida mudança de convicções. E em menos de 24 horas o PSD alterou a sua ameaça de uma moção de censura (caso a Comissão de Inquérito concluísse que Sócrates mentiu), para a formalização do fim desses trabalhos. Aliás, o presidente social-democrata especializou-se em ser oposição de manhã e vice-primeiro-ministro à tardinha. Ou seja, o Bloco Central encontra-se numa relação do tipo é só uma noite (de cada vez). E não assume um compromisso.
É um laço tenso. Sócrates quer liderar os passos. Mas precisa do par e arrisca-se a que pareça que já não governa. O líder do PSD quer dois passos à frente e um atrás: tanto as piscadelas e a imagem de responsabilidade, como a imputação apenas ao governo das pisadelas aos portugueses. Mas ainda tropeça na pirueta. Enfim, até às presidenciais, haverá mesmo um tango, coreografia dura de rostos virados, braço de ferro bailado, em que ambos farão uma prova de resistência.
 Depois, PS e PSD ou vão do tango ao Kung Fu, ou oficializam a aliança. Mas nessa altura o país já estará de tanga. A não ser que, entretanto, uma outra resistência venha para a rua dançar.

Publicado aqui.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O soninho dos coelhos

Em diversas ocasiões, já tive oportunidade de manifestar a minha repulsa pelo "tributo solidário" proposto por Passos Coelho.  Esta sua "ideia" pretende que os beneficiários de apoios estatais - como o subsídio de desemprego e o Rendimento Social de Inserção - "devolvam esse benefício em trabalho social ou com outra forma de retribuição à sociedade". 
Ou seja, "vai trabalhar, malandro", para as ONG's, juntas de freguesia, etc. 
Enfim, esta proposta é escravatura. Isso mesmo, escravatura.

Primeiro, os que recebem subsídio de desemprego não estão a ganhar uma esmolinha caridosa e tão queriducha pela qual se devem sentir humildemente gratos. Nem são criminosos ou parasitas que ao não trabalharem estão a destruir a sociedade, logo tem que ser castigados, para ver se aprendem a lição, indo para centros reeducativos à la soviética/chinesa. Os desempregados são beneficiários que deram a sua parte à sociedade. E, em determinada altura das suas vidas, estão a receber um direito. 

Segundo, o desemprego e a pobreza não são produto da indolência súbita que assola o país e que necessita de ser domada e disciplinada. São antes o resultado de políticas que Passos Coelho não quer (e se calhar não sabe) discutir. 

Terceiro, das duas, uma. Se há trabalho para os desempregados,  dêem-lhes esse emprego e eles deixam de receber o subsídio que tanto incomoda esta direita ultra liberal. Se não há, continua-se a receber essa prestação. Colocar estas pessoas a trabalhar por tuta e meia não só é exploração como, ainda por cima, não cria emprego. Logo, não contribui para o desenvolvimento e crescimento do país.

Quarto. Surpresa! As fraudes a estas prestações combatem-se com rigor na atribuição e fiscalização durante período beneficiário. As fraudes não se resolvem com vexame e abuso.

Quinto. Chamar a isto "tributo solidário", como se estas pessoas, primeiro diminuídas pelo desemprego, depois espezinhadas ao serem tratadas como fungos delinquentes, se enaltecessem ao ir para a jorna por metade e outros tantos, está muito abaixo da linha de água. Claro que a designação é novinlíngua, manipuladora e hipócrita. Sobretudo, revela como já não lhes chega tirar a carne aos pobres, deixando-os escanzelados. Agora, querem levar-lhes também os ossos.

Mas, mesmo assim, Passos Coelho pode dormir descansado. Em Portugal, só existem quatro presos preventivos por exploração laboral.

Gosto