segunda-feira, 31 de maio de 2010

A mais-do- que-direita coloca Cavaco ao centro?

O Cardeal expressou-se mal sobre a contabilidade dos votos que Cavaco Silva teria ganho caso fosse mais coerente com os seus valores religiosos no caso da promulgação da lei sobre casamento entre pessoas do mesmo género. Com os Torquemadas à solta, Cavaco apareceu, imóvel, mais centrista.

domingo, 30 de maio de 2010

Um candidato de conveniência

Para quem, como eu, participou, há 5 anos, na campanha presidencial de Mário Soares, não é difícil prever o que se vai passar com a candidatura de Manuel Alegre, agora com o apoio dos dirigentes do PS.

sábado, 29 de maio de 2010

A caminho da Hungria

A sondagem do Diário Económico, que «dá» o PSD a caminho da maioria absoluta, e o PS a quedar-se nos 28%, leva-me a relembrar o que aqui escrevi sobre as últimas eleições na Hungria que deram uma vitória estrondosa à direita depois das medidas do FMI terem sido aplicadas com «coragem» por um governo socialista.Qual será então a recompensa para esses políticos tão bravos?

Nunca perder eleições

Os Ladrões de Bicicletas e o Politeia, dois blogues a ler sempre, exibem um video com uma importante intervenção de Cohn Bendit no PE. Este chama a atenção para a desrazoabilidade do que se está a pedir ao governo grego, e cita o exemplo de políticos que perderam eleições por muito menos.Aponta para Durão Barroso, que faz sinais, negando.« Não,Barroso nunca perdeu eleições.» enfatiza Cohn Bendit.Assim se mata um político.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Prova das 9

Estive quarta-feira no programa de debate da RTP-Açores, Prova das 9, excelentemente conduzido pelo jornalista Rui Goulart, e com a participação dos comentadores fixos Gilberta Rocha, Álvaro Borralho e Bastos e Silva.Há sempre um convidado diferente.Desta vez fui eu. O clima de cordialidade criado é um incentivo à troca de opiniões diversificadas.Raramente os intervenientes falam uns sobre os outros, sem deixarem de defender os seus pontos de vista com vigor.Um exemplo para muitos moderadores e para alguns programas do género.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Por o dedo na ferida

Uma dos destaques do relatório da Amnistia Internacional sobre os direitos humanos no mundo em 2009 para Portugal é violência contra mulheres e raparigas, onde constam os 16 mil casos registados no ano passado pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).
Ainda ontem, Teresa Magalhães, autora do livro "Violência e Abuso - Respostas simples para questões complexas" (que é hoje lançado) e responsável da Delegação Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal. recordava como ainda banal e contagioso este tipo de agressão: "Viram os pais fazerem às mães, os vizinhos a fazer às vizinhas, e acham que é assim que se tratam as mulheres"; “Há muitas mulheres que continuam a achar "normal apanharem dos maridos"."As nossas famílias são espaço frequente de violência".
Hoje, um estudo da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas conclui que raramente os tribunais recorrem à vídeo-conferência - prevista na lei de protecção de testemunhas nos casos de violência doméstica - obrigando as vítimas a testemunhar na presença dos agressores.

Acto falhado.

Por lapso, a primeira opção da sondagem à vossa esquerda ficou "Entre Julho e Outubro de 2010". Deveria ser 2011. Na verdade, o erro corresponde à minha própria preferência. Já está corrigido, mas a votação voltou à estaca zero. As minhas desculpas a todos os que já tinha votado. Podem repetir ; )

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando serão as legislativas?


A primeira sondagem do Córtex Frontal perguntava quem governa o país. A maioria (42%) respondeu que “Todos e Sócrates aos domingos, dias santos e feriados".  
A distribuição dos restantes votos foi a seguinte:
Mercados e agências de rating- 17%
Bruxelas- 13 %
Ninguém- 13%
O PSD- 2%

Agora, a nova sondagem pergunta quando serão as próximas legislativas.

De cortar à faca

O prolongamento do subsídio social de desemprego por mais seis meses, medida destinada aos desempregados mais pobres, vai ser cortado. O prazo mínimo de descontos para se ter acesso ao subsídio de desemprego vai passar a 450 dias. A majoração de 10 % do subsídio atribuído aos desempregados com filhos e o reforço do abono de família para os desempregados com rendimentos mais baixos também serão cortados. Acabam ainda os apoios à requalificação de cinco mil jovens licenciados em áreas de baixa empregabilidade e  o reforço de 14 milhões de euros destinado à linha de crédito bonificada para os desempregados criarem a sua própria empresa. Fim tem também a  redução de três pontos percentuais das contribuições pagas pelas pequenas empresas por cada trabalhador com mais de 45 anos
Ou seja, em plena crise a faca vai para oito medidas de apoio aos desempregados criadas há uns meses apenas. O Conselho de Ministros desta quinta-feira vai decidir a data em que as medidas vão ser retiradas. Avaliando pelos anteriores processos de calendarização e detalhe (IRS, obras públicas, transportes) prevê-se nova trapalhada. Seja como for, Sócrates acaba de lançar o maior apelo à manifestação deste Sábado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nem sequer foi uma boa exibição...

Sinceramente não acho que Cabo-Verde tenha feito uma boa exibição contra Portugal.Não podemos estar sempre a falar bem dos outros e a desculpá-los com o pouco tempo de «entrosamento», sobretudo sem nada saber sobre como e onde decorreu o estágio da equipa insular.Foi uma pelada, foi o que foi...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

AS PARASITAÇÕES PÚBLICO-PRIVADAS

Portugal recorreu às parcerias público-privadas (PPP) mais do que todos os outros países da UE em termos de percentagem do PIB, por exemplo, 3 vezes mais do que a França. As PPP tornaram-se na regra, quando os outros países europeus continuam a usar esses contratos excepcionalmente. Só que, como defende a ex-controladora financeira do Ministério das Obras Pública no Público, as PPP não são uma panaceia, não podem servir contratar todo o tipo de serviço público em todas as circunstâncias.
No final de 2009, as estimativas globais de investimento nos projectos contratados ascendiam, em termos acumulados, a 28 mil milhões de euros. Em 2017, caso avançassem todos os investimentos que anunciados ultrapassar-se-ia a fronteira dos 50 mil milhões, o equivalente a contratar um projecto de alta velocidade por ano. É esta a fórmula mágica paga pelo Estado e aplaudida pela clientela do poder que tem sido seguida pelos sucessivos governos nos últimos 15 anos.
Vale a pena recordar estas declarações de Carlos Moreno ao Jornal de Negócios. Este juiz conselheiro do Tribunal de Contas, recentemente jubilado, conhece bem a gestão de recursos financeiros em empresas públicas e PPP e afirmou que o Estado não tem força suficiente para se defender da pressão dos bancos nessas parcerias. Aliás, o Tribunal de Contas tem avisado que as PPP assentam em contratos opacos, em mecanismos de monitorização muito frágeis e numa negociação com um número muitíssimo restrito de empresas do regime. Como também refere Mariana Abrantes, essa opacidade verifica-se na fase de contratualização mas, sobretudo, na fase posterior, nas renegociações e nos reequilíbrios financeiros.
Como das estradas aos hospitais, das pontes às barragens, não sobra área da provisão pública que não tenha sido abandonada à avidez, quer o interesse público quer a transparência orçamental vão às malvas. O Estado paga uma renda durante décadas, prestações encarecidas por um risco que, afinal, é assumido só pelos contribuintes. Os privados investem, controlam os equipamentos públicos e têm lucros garantidos. Mas depois passam o tempo a queixar-se do peso excessivo do Estado...

Coligações governamentais

Perguntam-me se deve haver em Portugal um bloco central.Respondo que, quando for precisa uma coligação , ela deve ser de natureza mais geral..Mas acho mais urgente uma mudança de coligação na Alemanha com a saída dos liberais e a entrada do SPD.Daria outros resultados em termos europeus...

Bloco das tangas


Passos Coelho revelou que numa noite abdicou de contrariar o aumento de impostos, em troca do Governo adiar algumas obras públicas que defendia. Rápida mudança de convicções. E em menos de 24 horas o PSD alterou a sua ameaça de uma moção de censura (caso a Comissão de Inquérito concluísse que Sócrates mentiu), para a formalização do fim desses trabalhos. Aliás, o presidente social-democrata especializou-se em ser oposição de manhã e vice-primeiro-ministro à tardinha. Ou seja, o Bloco Central encontra-se numa relação do tipo é só uma noite (de cada vez). E não assume um compromisso.
É um laço tenso. Sócrates quer liderar os passos. Mas precisa do par e arrisca-se a que pareça que já não governa. O líder do PSD quer dois passos à frente e um atrás: tanto as piscadelas e a imagem de responsabilidade, como a imputação apenas ao governo das pisadelas aos portugueses. Mas ainda tropeça na pirueta. Enfim, até às presidenciais, haverá mesmo um tango, coreografia dura de rostos virados, braço de ferro bailado, em que ambos farão uma prova de resistência.
 Depois, PS e PSD ou vão do tango ao Kung Fu, ou oficializam a aliança. Mas nessa altura o país já estará de tanga. A não ser que, entretanto, uma outra resistência venha para a rua dançar.

Publicado aqui.

domingo, 23 de maio de 2010

Crime em Ponta Delgada

O felizardo do Pedro Correia encontrou, no último dia da Feira do Livro, o derradeiro exemplar do livro do Francisco José Viegas, Crime em Ponta Delgada, que considero uma espécie de fonte histórica sobre o clima político e social que se viveu na ilha de S.Miguel nos anos de braza da revolução e do separatismo.Tenho-o procurado em vão, para oferecer aos meus amigos, e não só.O Francisco anda a prometer-me uma nova edição , mas com aquele ar malandro de quem não se compromete...

sábado, 22 de maio de 2010

Uma boa iniciativa

Leio que o Ministro das Obras , António Mendonça propõe uma reunião tripartida entre Portugal, Espanha e França para sensibilizar Bruxelas a considerar a linha de TGV Lisboa-Madrid-Paris prioritária em termos de financiamentos comunitários.Defendi essa iniciativa no Ateneo de Barcelona, numa conferência organizada pelo Consul-Geral Futcher Pereira em Novembro do ano passado. Como, aliás, dei conta nos Bichos Carpinteiros.

Harold Pinter e Jorge Silva Melo no CCB

Hoje em dia vou mais vezes ao teatro do que ao cinema.Tenho um velho amor pelo teatro, e cheguei a escrever umas pecinhas inspiradas em Pirandello quando tinha vinte anos.O texto e a interpretação ocupam o núcleo central da minha atracção.O repertório de uma companhia, ou de uma cidade, fornecem-me matéria de reflexão sobre o estado da arte e da sociedade.Por todas essas razões assisti com intensidade à primeira parte do espectáculo no CCB com alguns dos últimos textos de Harold Pinter.Comemoração é um encanto de coisas banais sobre gente fútil.
Nova Ordem Mundial, sobre a tortura, logo a seguir, como no «alinhamento» de um telejornal em que tudo se mistura em poucos minutos, é um soco no estômago.Abraço para o Jorge Silva Melo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Bloco Central bem espremidinho

Não foram 7 dias, antes 15 anos...

mas tinha que ser agora, quando Bento 16 já foi embora?!

Sanções, procuram-se

Berlim e Paris não acertam com as sanções a aplicar ao flanco sul da Europa.O governo alemão quer seguir a via da multa financeira aos países com dificuldades orçamentais, acrescentando dívida à dívida como se costuma dizer.Já Sarkosy é adepto de uma sanção mais política: a suspensão do direito de voto nos conselhos de ministros da UE para aqueles Estados membros.Tudo em nome do euro.E do directório.

Gosto