segunda-feira, 7 de março de 2011

Sem árbitros?

Parece que Vítor Pereira recebeu várias negas de árbitros para o jogo Braga-Benfica.Porquê, e quais foram?Transparência também é isto.

Luis Nazaré falou verdade

Com a derrota do SLB em Braga acabou a ocultação da óbvia perda do campeonato nesta época.As boas exibições desde a eliminação da Liga dos Campeões ajudaram à ilusão.Mas Luis Nazaré tinha razão quando disse, antes do campeonato de inverno acabar, qua era o segundo lugar aquele que estava ao alcance da equipa treinada por Jorge Jesus.Esperemos agora que as atraentes exibições continuem nas três frentes em que a vitória é possível.E que se tenha em conta que um clube como o Benfica tem uma identidade própria que não pode ficar à mercê de meros passantes no clube.

sábado, 5 de março de 2011

O unilateralismo chegou à UE?

Hoje no Correio da Manhã, analiso alguns aspectos da ida de José Sócrates a Berlim, para concluir que na União Europeia não há espaço para qualquer unilateralismo.A UE é uma Comunidade.Quando deixar de o ser acabou.

A taxa de referência do BCE

A taxa de referência do BCE está fixada em 1% desde 2009 para permitir o refinanciamento do sistema bancário europeu, e por consequência manter o mais baixo que lhe é possível o preço do dinheiro, enquanto o preço das matérias primas e dos bens alimentares subiram e continuam a subir, acastelando as pressões inflacionistas.Inclusivamente o BCE tem socorrido a banca nacional a essa taxa de juro, e tem comprado em doses massiças os títulos de tesouro de vários Estados, entre os quais Portugal.Não resolveu o problema da dívida soberana desses Estadoa mas foi, e é, a instituição da zona euro que mais tem operado no mercado para atenuar os efeitos da crise financeira e das pressões inflacionistas.Pois bem, há na RTP alguém que nos quer convencer que foram as declarações de Trichet ante-ontem que impediram uma descida das taxas de juro nos mercados internacionais.Era o que nos faltava, acusar Trichet para desculpar Merkel.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Revisitar o fim do século XIX

Correia Pinto faz no seu blogue uma referência ao livro Longo Curso, pondo em evidência um artigo de Valentim Alexandre sobre Hintze Ribeiro, o epígono dramático de Fontes Pereira de Melo.De facto temos de reler com atenção a história da segunda parte da monarquia constitucional, aquela que vai do fontismo à bancarrota de 1892, e desta à negociação internacional com os credores em 1902.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Mandatos europeus

A visita de José Sócrates a Berlim foi mal preparada, e mal anunciada.O resultado do encontro com Angela Merkel foi virtualmente positivo.Mas só virtualmente.Politicamente só o futuro dirá o que se está a tecer nesta fase informal das decisões europeias.Seria uma diminuição perante os outros parceiros portugueses da zona euro, e da UE, aparecermos já comprometidos com todo o plano alemão nas próximas cimeiras.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Um feliz final de tarde

Ontem vivi um feliz final de tarde na reitoria da Universidade Nova de Lisboa, por ocasião do lançamento do livro O Longo Curso de José Medeiros Ferreira, organizado pelos meus antigos alunos-hoje distintos Professores universitários-Maria Inácia Rezola e Pedro Aires de Oliveira, e editado com tanta qualidade pela Tinta da China.A sessão presidida pelo Reitor António Rendas foi tudo menos pomposa.Foi muito agradável ver o anfiteatro pleno de amigos velhos e novos, e ouvir as palavras, jamais de circunstância, do Reitor, dos Professores Rui Santos, Fernando Rosas, Villaverde Cabral, Inácia Rezola e Pedro Oliveira.
Como contrapartida de tanta generosidade académica, publiquei, na mesma editora, um novo livro sobre Os Acores na Política Internacional.
Como disse na sessão ontem foi o dia de eu dizer Muito Obrigado!

terça-feira, 1 de março de 2011

Frases que dizem tudo

Você não é político, espero-disse Fátima Campos Ferreira a um dos seus convidados jovens .Há frases que são todo um programa

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Crise e qualidade da democracia

Quanto mais o país entrar em crise financeira melhor deve ser a qualidade da democracia em Portugal.Por isso hoje no Correio da Manhã alerto para os funestos resultados que uma atitude de soberba informática pode acarretar para a credibilização dos actos eleitorais. O regime democrático assentou até aqui na justeza do recenseamento e no rigor do apuramento parcelar e final dos resultados eleitorais presentes desde 1975 quando muitos não queriam eleições.Introduzir, por novidades experimentais ou por relaxamento nos procedimentos burocráticos, a desconfiança nos actos eleitorais seria um golpe fatal no regime.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

No aniversário de Politeia

Há blogues que merecem referência pela qualidade, pela distinção com que defendem os seus pontos de vista, pelo enriquecimento que trazem à blogosfera e ao debate de ideias em geral.É esse o caso de Politeia que celebrou o seu terceiro aniversário.
O Córtex-Frontal envia parabéns ao José Manuel Correia Pinto, seu autor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Coitada da Senhora Merkel

A chanceler Angela Merkel foi derrotada insofismavelmente nas eleições da Cidade-Estado de Hamburgo pelo SPD, de novo mais europeu. A chanceler Merkel perde eleições locais desde que optou por uma aliança com os liberais e abandonou a política federal do governo anterior de coligação com o SPD.Em vez de verem o que é claro como água, os intérpretes lusitanos da vida política alemã preferem juntar-se aos adeptos da visão delirante de uma Merkel castigada por uma política de solidariedade europeia que não existe.

Prova dos nove

Iniciei esta noite, conjuntamente com Santana Lopes e Fernando Rosas, a participação num novo programa da TVI-24-Prova dos Nove-, moderado por Constança Cunha e Sá.Todas as terças às 23h.Espero que gostem.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Afinal, Axel Weber...

Os governadores do BCE são nomeados para um mandato único de 8 anos.O de Claude Trichet termina em Outubro próximo. e todos os peritos davam por eleito o severo e ortodoxo alemão Axel Weber.Porém o próprio, ao perceber que o seu nome suscitava fortes reservas na zona euro, retirou-se da candidatura.
Abre-se assim a hipótese do Banco Central Europeu continuar a desempenhar um papel mais colaborante com os Estados da zona euro em dificuldades financeiras, a exemplo do que aconteceu historicamente com a construção das boas zonas monetárias.A começar pela dos USA.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A principal obrigação do BdP

No meu artigo de hoje no Correio da Manhã-Alinhar à direitaRecessão, disse ela...-chamo a atenção para as obrigações para com o Estado português do Banco de Portugal e do seu governador.Redefenir as missões do banco central nessa perspectiva depois da existência do SBCE é uma prioridade absoluta.Claro que o gabinete de estudos continua a ser necessário.Mas é pouco.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O resgate de Passos Coelho

Passos Coelho andava por aí sem estar no centro dos acontecimentos.A RTP1, sempre vigilante em defesa do situacionismo, foi resgatá-lo às linhas traseiras da actualidade.Judite de Sousa entrevistou-o ontem à noite. Os mercados ainda não reagiram.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Chuva de moção

A anunciada moção de censura do BE assanhou o país político, o que diz bem da cultura democrática de muitos. No nosso regime, o parlamento escrutina o governo e pode derrubá-lo a qualquer momento. No Cairo, é diferente. Nem com 230 deputados.

O aviso peca por parecer um duelo Louçã-Sócrates. É claro que o BE pretende a demarcação pós presidenciais do PS e rouba iniciativa ao PCP. Sim, dispensavam-se os anteriores “jamais, jamais” de vários dirigentes bloquistas. Mas a questão não é o oportunismo. Desse mal sofreu o BE não apoiando os cortes do governo às escolas privadas. De oportunismo padece o PSD que não apresenta uma moção porque não lhe dá jeito tomar já o poder. E o PS que, com uma maioria e adoptando como parceiro o PSD, preconizando políticas contra a sua origem e programa, chantageia dizendo que uma moção entrega o executivo à direita.

E será oportuno? A contestação nas ruas irá aumentar e estamos perante um brutal ataque a todos os elos mais frágeis da sociedade. Se o BE e o PCP não avançarem com moções- que neste quadro são serviços mínimos parlamentares- quando avançam? Este governo é o responsável pela actual situação. Merece censura (que não implica dissolução). E por mais que custe ao país político situacionista, tudo o resto é meramente circunstancial.

Publicado no Correio da Manhã

O estranho caso do sábio desperdiçado

A crónica de hoje de Ferreira Fernandes sobre Medeiros Ferreira que não se desperdiça aqui no Córtex.

Dilemas de circunstância

Se o governo executa à letra o Orçamento, o país entra em recessão.Se o governo não o executa, cai o governo.Esta será a história do ano 2011.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Excelente análise de Alfredo Barroso

Excelente e refrescante artigo de Alfredo Barroso no jornal I sobre o Partido Socialista no «centro do centro». Recentemente no «centro-esquerda».

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Uma precisão pouco rigorosa

Esta noite foi o PSD que se sangrou em responsabilidade.Mas pode ter exagerado na precisão:vai abster-se na moção do BE, cujo teor desconhece, mas que, já se sabe, também censura Passos Coelho.E se os termos do ataque ao PSD forem ainda mais radicais do que a censura ao governo? Não seria mais rigoroso Passos Coelho ter declarado apenas que o PSD não aprovará a moção de censura do BE ?Esta oposição não merece confiança!

A liga dos últimos

O CDS declarou que se iria abster na eventual moção de censura do BE, anunciada com um mês de antecedência por causa do derby com o PCP. Por favor não dêem razão ao Jorge Lacão

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Revoluções comparadas

Pressinto que a revolução no Egipto, mesmo que o não seja, vai suscitar estudos comparados sobre a dialéctica Povo-Forças Armadas.A transição portuguesa para a democracia voltará a ser estudada, independentemente da inversão dos termos: em Portugal foram as Forças Armadas a iniciar o processo e só depois se encheram as ruas.No Egipto primeiro foram as manifestações, e só depois as Forças Armadas ocuparam o lugar central.Mas a partir daqui o que se exige aos militares no Cairo é ums grande perícia política ao nível da grande estratégia e da gestão dos detalhes.Pelo menos igual à que demonstraram até aqui.A seguir.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PS-Agora do centro-esquerda moderno

Ficou livre o caminho depois da previsível derrota da candidatura presidencial de Manuel Alegre. Ontem José Sócrates sentiu-se à vontade para colocar o PS no centro-esquerda.Ainda moderno.Reformador tem direitos de autor ...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mostra-me a tua moção

A oposição está a dar provas de uma grande desorientação. Nem o joguinho do
Mostra-me a tua moção ( título do artigo no CM) resiste a qualquer teste de credibilidade mínima.O BE e o PSD estão a dar um espectáculo de incompetência política ao vivo.Basta abrir a televisão.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

As provas de Vital Moreira

Vital Moreira é de opinião que os resultados das presidenciais provam que o PS e o BE não são miscíveis. Eu acho que a fraca votação de Manuel Alegre-sobejamente prevista por estas bandas- não chega para provar nada, salvo aquilo que possa dar jeito no imediato.Mas, já agora, o que provará a derrota de Vital Moreira como cabeça de lista do PS nas eleições europeias? Que há um outro responsável?

Oliveira e Silva-Adeus amigo

Faleceu Oliveira e Silva, velho militante anti-salazarista que só conheci na Assembleia Constituinte, mas de quem me tornei amigo expontâneo.Fundador do PS, deputado eleito por Viana do Castelo, de uma seriedade natural, era firme consigo próprio e tolerante para com os demais.Idealista sem muitas ilusões sobre a natureza humana, foi um reforço de peso na luta que se travou na Constituinte a favor do regime democrático pluralista.Orientava-se por um sentido de dever ancestral e permanente.Convidado por Mário Soares para Ministro da Administração Interna do II Governo Constitucional não se considerou em condições de exercer o cargo, numa atitude de exigência rara perante a res pública.Dotado de invulgares qualidades políticas e pessoais imagino como terá avaliado muitos ministros do regime que ajudou a fundar.Quando nos víamos, de longe em longe, o abraço apertado era certo.Para nos percebermos não eram precisas muitas palavras.Adeus , velho amigo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Só no fim?

Anuncia-se que os bancos franceses vão congelar os bens do ex-presidente da Tunísia.Apresenta-se contas dos milhões acumulados por Mubarak durante trinta anos.Mas porque é que só no fim se abatem sobre os corruptos? Como é que se sabe agora, e não se sabia antes? Que tal alargar o âmbito temático das manifestações?

Quando perder é necessário

Foi bom Portugal ter perdido o particular de futebol contra a Argentina.Só lamento a desilusão dos emigrantes que encheram o estádio de Genebra.De resto a derrota é positiva.Obriga Paulo Bento, cuja mitificação estava em crescendo, a usar melhor o seu proclamado bom-senso.Dizer que está bem servido com Hugo Almeida e Helder Postiga revela mesmo algum desvario.De resto não tem culpa que Messi tenha pedido ao seleccionador da Argentina para jogar os 90 minutos.Falta de senso, claro está...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O joguinho das moções de censura

A impotência política manifesta-se agora no joguinho das moções de censura.Ora agora não apresento eu, ora agora não apresentas tu.A fraqueza de um país tem várias expressões.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

FMI ou FEE?

O FMI existe, tem vindo a evoluir,- embora de uma maneira insuficiente para remediar aos choques assimétricos da globalização-, apresenta-se nos países com carácter temporário e tecnocrático.O fundo de estabilização europeu é da ordem do virtual, nem nome alemão ainda tem, está associado a uma panóplia de obrigações permanentes-mesmo que a ele se não apele-,pretende salvar uma zona monetária que irá assim piorar em termos de crescimento económico geral.Sobretudo está carregado de pretensões unilaterais na condução politico-financeira da UE.
Não há, pois, nenhuma razão para preferir o FEE ao FMI, embora se deva evitar os dois.Mas um mais do que o outro.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Madison versus Lacão

Madison, um dos «pais fundadores» dos USA, dizia sobre o número de deputados que «mesmo a república mais pequena» devia ter um número de deputados suficientemente grande «para impedir as cabalas entre poucos».É o que se chama ver longe...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Europa das chancelarias

Voltou a tentação alemã das soluções uniformes.No meu artigo de hoje sublinho o método intergovernamental, e,o que mais é, o método das cimeiras bilaterais, com a Alemanha no centro, no tratamento das questões do «governo económico» da UE.Merkel deslocou-se a Madrid.Não sabemos ainda se é um bom ou um mau sinal não ser esperada em Lisboa. É a Europa das chancelarias em marcha, prevista desde a ratificação, por interdito referendário, do Tratado de Lisboa.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dobrar a esperança

Aqui no bairro circula uma informação que tem foros de cidade: vai passar a haver dois sorteios do euromilhões por semana.Aqui está como se dobra a esperança da multidão...

António Borges Coutinho(1923-2011)

Foi o Mário Mesquita quem me telefonou a dar a notícia do falecimento de António Borges Coutinho.Recuei aos anos sessenta em S.Miguel quando uns poucos activistas se reuniam na sua casa apalaçada para discutir a situação política numa perspectiva anti-salazarista. Borges Coutinho era sempre o mais animado e animador.Conheci-o depois da sua prisão e da minha.Separados por mais do que uma geração,notei que se interessava verdadeiramente pelas novidades e o modo de pensar das mais novas.Foi um resistente emblemático e actuante contra a ditadura.Quando esta foi derrubada o seu nome foi naturalmente sugerido para governador-civil do então distrito de Ponta Delgada.Pouco dado a tacticismos, o seu passado tão claro incomodou muita gente de má consciência.Numa situação tão explosiva como a que se viveu em S.Miguel em 1974-1975 a sua acção não foi de molde a acalmar os espíritos, mas portou-se sempre como um bravo, mesmo no dia em que uma manifestação de rua o cercou na sede do governo e exigiu a sua demissão.
Regressou com serenidade à condição de cidadão.Deixou alguns testemunhos dispersos sobre a apreciação que fez dos acontecimentos em que esteve envolvido, e que tenho citado como fonte histórica em alguns dos meus trabalhos.
Os Açores, e os portugueses em geral, devem-lhe uma homenagem e um reconhecimento pela sua luta pela liberdade e pela sua recta intenção como participante da coisa pública. sem pensamentos reservados.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Longo Curso

Os meus antigos alunos-hoje distintos historiadores e professores- Maria Inácia Rezola e Pedro Aires de Oliveira tiveram a ideia de dedicar e organizar um livro com colaborações científicas de académicos que trabalham temas nas áreas de estudo que desenvolvi enquanto fui professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.A Vera Tavares desenhou uma capa forte. A editora Tinta da china emprestou o seu talento em produzir livros de qualidade estética ímpar.A minha colega de blogue, e também produtora do Córtex-Frontal, Joana Amaral Dias deu aqui à estampa o frontispício O João Gonçalves replicou imediatamente.Grato a todos os que participaram nesta amiga dedicatória.É, de facto, um longo concurso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Homenagem ao meu colega de blog

A capa diz (quase) tudo

Greve geral no Egipto

Vejo as imagens da enorme concentração popular no Cairo em dia de greve geral.Sempre me perguntei porque nestas coisas nem sempre as mesmas causas produzem os mesmos efeitos.São os mistérios da macro-política.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Paralizados

O resultado das presidenciais imobilizou a dispersa esquerda na defensiva , e deu o sinal à direita para se concentrar e preparar a ofensiva de verão.As sondagens da noite eleitoral são «une vue d'esprit» que dura um fim-de-semana, como o que passou.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Um País de presidenciáveis

Estas eleições intercalares para o cargo de PR resultaram na derrota dos candidatos apoiados partidáriamente, e mais uma vez recompensaram os candidatos que se apresentaram como independentes.Silva Pereira, sempre simpático, explicou o apoio a Alegre pela falta de comparência de outros candidatos da área.Talvez estivesse a pensar em José Sócrates, António Guterres, António Vitorino, Jaima Gama,sei lá quem mais.
Portugal é um País de presidenciáveis, como escrevo no Correio da Manhã.Mas os presidentes só se apresentam quando podem ganhar.No intervalo deixam o terreno em poisio aos independentes e aos voluntaristas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Alguma coisa está mal

Cavaco Silva prescindiu do vencimento atribuído ao PR e escolheu manter as reformas a que temdireito.Há algo de errado nisto.Mas o quê?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A técnica da irresponsabilidade

O Cartão de Eleitor data das leis para a Assembleia Constituinte de Novembro de 1974, e da extraordinária e bem sucedida operação de recenseamento operada em Portugal naquela altura.O regime pode ter imensos defeitos mas tem um bem precioso no seu activo que é o da credibilidade do processo eleitoral.Tudo adquirido na génese do regime.
No último domingo houve erros que levaram a dificuldades de votação, e mesmo ao impedimento eleitoral de muitas pessoas, por causa do Cartão do Cidadão.Logo se exigiu a demissão do Ministro da Administração Interna.Ora começar pela demissão do ministro é a melhor forma de não se apurar qualquer responsabilidade material e deixar ao acaso a futuro correcção dos problemas que originaram o mau funcionamento técnico do acto eleitoral.A responsabilidade política tem coberto muita outra incompetência em Portugal.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Egoísmo fiscal gera egoísmo fiscal

A Alemanha de Merkel tem demonstrado o seu egoísmo nacional na questão da ajuda financeira aos países do arco periférico da UE.Mas essa atitude também se está a difundir para o interior da própria Alemanha.Os landers mais ricos como a Baviera, o Hesse e Baden-Wurttemberg estão a coligar-se para diminuir as respectivas contribuições orçamentais para o Fundo de Compensação Federal que presta assistência financeira a outras regiões da Alemanha unificada.Egoísmo internacional serve de inspiração ao egoísmo fiscal entre muros?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O voto identitário

O apelo ao voto identitário esteve presente nestas eleições sobretudo tendo por base afinidades de origem geográfica.Fernando Nobre insistiu na tónica de ter nascido no «Portugal Ultramarino», expressão com conotações bem conhecidas e que pode ter movido muitos portugueses a votar nele.José Manuel Coelho, insular, bem podia ter evidenciado a sua natureza cis-marina, mas carregou na naturalidade madeirense, o que lhe valeu uma grande votação naquela ilha. Defensor de Moura exibiu outro tipo de chamamento identitário: regionalista , apresentou-se como um autarca da setentrional Viana do Castelo, e pouco falou do seu mandato de deputado pela Nação.Quando as grandes divisões são escondidas esses albergues sentimentais podem funcionar bem.Todos têm orgulho na sua terra.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Abstenção técnica e táctica

A eleição directa do PR é uma das diferenças mais importantes do regime da Constituição de 1976 em relação à Primeira República, onde só um presidente eleito pelo Congresso chegou ao fim do seu mandato.O actual regime tem vindo a acumular defeitos mas há um que não tem:é o da instabilidade política.Ora a abstenção crescente nas eleições presidenciais pode induzir a tentação de questionar as «directas», quando não é isso que está em causa.O que está em causa é o uso minguado que o cargo tem oferecido-filho da estabilidade- e o facto de todos os titulares do cargo terem feito dois mandatos.Mas se um dia o regime entrar em sérias dificuldades-e já esteve mais longe-logo se verá como será decisivo o papel político e institucional do PR.Há quem nunca veja muito longe.

RAZÕES POUCO NOBRES

Em 2010, Nobre reunia muitas facetas promissoras para a sua candidatura. Até com mais vantagens do que Alegre em 2005. Ao contrário do cliché, o médico não foi o poeta das anteriores presidenciais, pois o Alegre de 2005 dificilmente poderia ser considerado um debutante da política. Era “o rebelde”, mas não o forasteiro. Ou seja, mais do que a “figura histórica do PS”, Nobre detinha a aura de independente que se revelara tão auspiciosa há 5 anos. Por outro lado, tinha obra e colhia uma expectativa positiva sobre o que de diferente poderia trazer para a política, vista por tantos como inquinada.

Nobre desbaratou este capital. Da imagem de empenhado médico humanista da sociedade civil, passou a um lugar confuso. Insistiu que nem era esquerda nem direita. Sobre questões essenciais, como Saúde ou Educação, nunca foi claro. Aproveitou mais o descontentamento dos portugueses do que lançou soluções. Posicionou-se como homem providencial. Mostrou um crasso desconhecimento sobre os poderes do Presidente garantindo, por exemplo, que se bateria pela redução do número de deputados. Tanto apresentou o residente de Belém como árbitro como enquanto decisor.

Nobre apresentou muito currículo e poucas ideias. Muito passado e pouco futuro. Daí que o seu resultado seja surpreendente. Como resistiu no meio de tanta gaffe e impreparação? Como, mesmo assim, captou votos da esquerda não alegrista e votos de descontentamento? A sua votação indicia como as presidenciais de 2016 terão largo espaço para outro independente. Mas não pelas melhores razões.

Publicado no Correio da Manhã.

O situacionismo continua

Hoje no Correio da Manhã A vitória do situacionismo.A reeleição de Cavaco Silva foi tão rotineira como o seu burocrático primeiro mandato.Muito mau o seu discurso de vitória .O pior de todos os seus discursos de vitória. Mau sinal.O problema reside nos tempos exigentes que vamos ter pela frente.
Também se pode ler com utilidade a Posição Frontal sobre as Presidenciais tomada pelos dois autores deste blogue.As esquerdas saem destas eleições de mãos a abanar e mais fracas.

Segunda semana de campanha

UMA REFLEXÃO

Nestas presidências, a abstenção será, mais uma vez, um dos candidatos silenciosos interpretado e escalpelizado por comentadores e analistas. Se alguns entendem que esse fenómeno se deve à dificuldade dos políticos em cativar os eleitores, outros defendem que é resultado do alheamento dos votantes. E se um argumento não tem que excluir o outro, vale a pena ter um critério que permita perceber melhor para que lado pende a balança.

As audiências dos debates e tempos de antena é um deles. Em 2005, só três debates presidenciais integraram o top 15 de audiências. Em 2010, sucedeu o mesmo. Já nestas presidenciais, os tempos de antena foram sempre o programa mais visto. Sem contar com as peças de campanha que todos os noticiários divulgaram diariamente. Estes números permitem considerar, pelo menos, que os eleitores não estão assim tão desinteressados. Podem abster-se, mas informam-se. Logo, será necessário que os protagonistas políticos repensem sobre as suas formas de intervenção. Sendo que, a fórmula mágica não mora nas redes sociais, como esta campanha também demonstrou. A mudança terá que ser outra. Mas esse assunto terá que ficar para outra altura. Paradoxalmente, este dia de alheamento por decreto dos eleitores não permite mais reflexão.


Publicado no Correio da Manhã.


APOCALIPSE PEQUENINO


Nesta recta final, assustado com a queda nas sondagens, Cavaco dramatizou o discurso. Nada mais normal do que queimar os últimos cartuchos. Mas há limites. A instigação do medo, a chantagem e a demagogia são alguns deles. Ontem, o candidato ultrapassou-os todos.

Há uns dias afirmou que o país não suportaria os custos económicos de uma segunda volta, atacando a essência da democracia e tentando contaminar o eleitorado com o seu próprio pânico de não ser eleito à primeira. Agora, diz que se a sua recondução não for garantida no Domingo, corre-se o risco de o juro da dívida aumentar. Enfim, o que Cavaco gostava mesmo era de uma Marinha Grande. Como não há, embarcou na linguagem das trevas. Se os portugueses não o elegerem já, serão castigados. O céu abater-se-á sobre as suas cabeças. Chegará a peste. Uma prédica destas só pode ser inspirada nas narrativas do Terramoto de 1755. E isso sim, é profundamente aterrorizador.

Publicado no Correio da Manhã.
O LOBO E A COELHA

As acções, a Aldeia da Coelha, o financiamento da campanha 2006, o Conselho de Estado, as comissões de honra, mostram que a matilha BPN não é só ex-colaboradores de Cavaco. Continua a ser uma parceira. O que é relevante, sobretudo, para quem alardeia beatíficas qualidades pessoais, em vez de posições políticas. E ao remeter explicações para o pós escrutínio que uma campanha também representa, o candidato revela o seu desdém pela transparência que a instituição máxima do regime obriga. Enfim, mais uma razão para lutar por uma segunda volta.

Mas Cavaco alega que isso seria demasiado dispendioso. E como tem a campanha, de longe, mais cara (embora prometesse contenção), percebe-se que sob o seu ataque à democracia e populismo, sob os custos económicos para Portugal, fala dos custos políticos que outra volta teria para si próprio. A única variável que, algum dia, o motivou. Essa sim, uma pesada factura para o país. Já descontando o buraco BPN, claro.

Publicado no Correio da Manhã.

CHEIRA A MOFO

Com orgulho latino, Cavaco gabou-se da mulher, cuja reforma é de 800 euros, depender dele economicamente: “Mas como ela está sempre ao meu lado, merece”, disse. De facto, a senhora ladeava-o sorrindo, merecendo a magnânime assistência. Já os que auferem reformas bem mais baixas (muitos) e que não têm cônjuges Presidentes (todos) ou os que defendem uma sociedade com mais equidade entre géneros não terão sorrido.

Num debate, o recandidato dedicou o seu minuto a elogiar mães e donas de casa. Mas não se referiu às mulheres na vida empresarial, académica, cultural, política. Ou aos homens que tratam da casa e filhos. Cavaco opôs-se à lei da paridade e à legalização da IVG. À violência doméstica respondeu com um silêncio sepulcral. Enfim, este mofo corresponde a uma certa perspectiva do país. O da moral e brandos costumes, ordeiro, à procura do pai providencial. Que faça por merecer ajuda. E lhe fique eternamente grato. O portugalinho pobre mas bem-agradecido.

Publicado no Correio da Manhã.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fui votar

Fui votar pelas 14h.Havia um certo movimento nas mesas de voto da freguesia de S.Mamede, em pleno concelho de Lisboa. Umas empinadas escadas de acesso fizeram-me antever as minhas dificuldades em subi-las e descê-las daqui a vinte anos, como as daquela senhora que se arrimava à bengala com determinação, e me deu hoje,discretamente, um grande exemplo de cidadania.Espero que ela ainda não tivesse tirado o cartão único para ter a certeza que o seu nome estaria nos cadernos eleitorais da Junta de Freguesia como dantes...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Córtex Frontal toma posição sobre as presidenciais

Há anos que prosseguimos um objectivo comum: ajudar a criar as condições para o crescimento de uma alternativa de esquerda plural ao situacionismo vigente.

Assim fomos apoiantes empenhados da candidatura de Mário Soares nas eleições passadas, e assistimos de perto à forma como as esquerdas perderam esse importante cargo, ocupado até aí por personalidades desse vasto espaço político. Todas as forças políticas da área apresentaram então candidatos, e o PS até gerou dois. A vitória de Cavaco Silva ficou desde logo assegurada pela unidade da direita e a provocada divisão à esquerda. A própria campanha de Mário Soares decorreu num ambiente de grandes dificuldades dada as medidas que o governo de José Sócrates tomava entretanto, e que diminuíram significativamente a base eleitoral de apoio do grande fundador do regime democrático em Portugal.

Cinco anos depois, embora com troca de papéis e até com novas alianças, as presidenciais voltam a demonstrar como as forças de esquerda desistiram de fazer delas um momento axial da sua estratégia de defesa dos cidadãos, do regime democrático, e de fomento de uma possível federação para o progresso de Portugal no Mundo… De certa maneira a esquerda refugia-se na Assembleia da República e desiste de disputar o cargo de Presidente da República. A lógica situacionista dos aparelhos partidários impôs-se uma vez mais sem curar de nenhuma perspectiva de vitória. Os candidatos ditos da cidadania vieram atestar que estas eleições terão de novo um vencedor antecipado.

Esta atitude defensiva e derrotista das esquerdas nas eleições presidenciais precisa de ser denunciada em tempo real para evitar falsos actos de contrição, sobretudo num momento tão grave para a vida colectiva dos portugueses como o presente. A crise que Portugal, e a Europa, atravessam também se deve à desistência na apresentação de alternativas de progresso e de promoção dos interesses públicos e gerais.

Estas eleições presidenciais de 2011 serão estéreis para o futuro de uma alternativa de progresso à esquerda, o que explica o silêncio e a desmobilização dos cidadãos como nós que avaliam muito negativamente o actual mandato de Cavaco Silva, co-responsável pelo sufoco em que vive actualmente a sociedade portuguesa na União Europeia

Faz falta uma robusta alternativa a Cavaco Silva nestas eleições. O nosso voto só faz sentido para impedir que estas eleições se transformem num perigoso plebiscito ao segundo mandato do actual Presidente da República. E para evitar a redução das hipóteses de renascimento e federação das forças de progresso social no futuro.


José Medeiros Ferreira
Joana Amaral Dias

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A TOCA DA COELHA




Presidenciais e mais presidenciais

Por muito que se considere a campanha desinteressante, o certo é que as presidenciais estão na ordem da semana.No que me diz respeito, ontem foi noite de TVI com Bagão Félix, Santana Lopes e a moderação de Constança Cunha e Sá.Hoje é o artigo no Correio da Manhã intitulado
O Perigo Plebiscitário.Não precisa de explicação.
Amanhã o Córtex-Frontal toma posição.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estado das instituições europeias

Muito importante a nova dinâmica entre as instituições europeias no meio da crise: Conselho Europeu bloqueado por Angela Merckel, Comissão paralizada não se sabe por quem, Banco Central Europeu a arcar com a resposta possível neste momento, mas que poderá ser decisiva para o futuro da zona euro.Bela despedida do presidente Trichet.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Saber escrever

Excelente, brilhante, cativante e comovedor texto de Manuel Halpern, que andou com o meu filho na escola, sobre a nova ordem ortográfica portuguesa.Sou dos que vai precisar pelo menos do período de transição.Por isso agradeço à Joana Lopes ter trânscrito o metatexto .

sábado, 15 de janeiro de 2011

Primeira semana de campanha

 É SÓ O COMEÇO

No primeiro mandato, Cavaco Silva primou pela cooperação estratégica com Sócrates. Geralmente, adoptou a atitude ‘deixem o governo trabalhar’. Na prática, só dele discordou em relação aos costumes, vetando diplomas correspondentes como, por exemplo, a lei do divórcio. Ou seja, nas políticas económicas e sociais esteve de acordo com este executivo. Foi cúmplice e contribuiu para a actual situação, abdicando dos poderes presidenciais que poderiam alterar o rumo do país. Chegou mesmo a emprestar Catroga, um dos seus homens-fortes, para negociar o orçamento. É verdade que, perante as políticas nada socialistas do governo, o presidente estaria tendencialmente de acordo. Mas não foi esse o principal motivo para adoptar essa estratégia. A razão maior foi garantir a sua reeleição. Para não levantar ondas que o prejudicassem, anuiu a tudo. Dúvidas restassem e repare-se nesta semana de campanha.
Quase subitamente, o candidato passou a criticar o governo, a demarcar-se das suas opções, a falar de uma crise política. Com que coerência ou até moral, é caso para perguntar. Mas isto é só o começo, como o próprio disse a outro propósito. Cavaco prepara o segundo mandato. Mais activo. Sobretudo, mais favorável a um atalho para a direita chegar mais depressa ao poder.
Publicado no Correio da Manhã.


 PECADILHOS PRESIDENCIAIS

Ao contrário de outros ocupantes de Belém, Cavaco não conseguiu expandir a sua base eleitoral. Logo, não poderia dar-se ao luxo de perder simpatias nos sectores mais conservadores. Mas nem a colagem que fez à visita do Papa a Portugal conseguiu apagar a raiva que a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo provocou na igreja católica. Daí que o recandidato se desdobre em piscadelas de olho a essas hostes. A ponto de muito criticar os cortes no ensino privado. Mas ontem, deu mais um passo. Como a igreja católica e outros cultos estão legalmente impedidos de apelar ao voto num candidato e, neste caso, pouco motivados em recomendar a cruz num “traidor”, Cavaco pediu a um padre que apelasse ao voto. Nele próprio, subentenda-se. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Mesmo que, pelo caminho, pise princípios como a laicidade do Estado. Ou mesmo esse valor básico que é um pouco de decoro, senhor.

 MOITA-CARRASCO

Além do objectivo de evitar a vinda do FMI (por motivos diversos), São Bento e Belém partilham, nestas presidenciais, outro denominador comum: o apelo ao silêncio. O Presidente requer, reiteradamente, que não critiquem os mercados. Que, perante a ofensiva, se “coma e cale”. E nada esclarece sobre o BPN. Já o Primeiro-Ministro entende que o melhor é “não falar” sobre a ajuda internacional. Também o Ministro das Finanças censura quem discute o BPN alegando que isso prejudica o banco. O Presidente agradece.
Pelos critérios de Cavaco, Sócrates e Teixeira dos Santos, sobre a crise, as respectivas respostas e o banco que ficará para a história como o escândalo do regime, os portugueses deveriam ficar quietinhos e calados. Vingassem estes critérios e sobre nada relevante se poderia falar, mesmo durante uma campanha eleitoral! Enfim, estes “xius” e “caludas” dizem tudo sobre a concepção de democracia de quem os profere. E sobre os que une.


ACÇÕES E PALAVRAS

O cidadão Cavaco Silva comprou e vendeu acções da SLN (sem cotação na bolsa, logo, por contrato) a uma empresa dirigida pelo círculo político da sua criação.Tão próximo que, já Presidente, nomeou Dias Loureiro conselheiro de Estado e fez a sua defesa pública. Com esse negócio, rapidamente lucrou mais do que o BPN ganhou nesse ano. Aliás, as vantagens de Cavaco (140%), somadas a muitas outras mercancias, sepultaram o banco e são agora ferozes prejuízos para o país.

Com os contactos que tinha no BPN, como accionista e magnificente economista, é difícil crer no candor de Cavaco. Além disso, sem dúvidas, promulgou a nacionalização do banco (excluindo a SLN) e incluiu nesta comissão de honra (!) vários desses correligionários. Cavaco bem pode persistir no acto de "remediado e honesto".
Não está em causa o miolo do seu colchão. Mas a sua transparência. Só garantida pela divulgação do dito contrato. O BPN não devia consumir estas presidenciais. Se o fizer, a responsabilidade é do candidato. Porque teima em nada esclarecer. Porque sobre outros temas também nada esclareceria, valendo-se do dom para falar sem nada dizer ou ficar calado. Mas, desta vez, os seus gongóricos tabus podem sair-lhe caros. E hipervalorizar a questão. Para aí em 140%.

O Euro e a Península

Desde o 25 de Abril que Portugal não suscitava tantas atenções das chancelarias e da imprensa internacional.Com efeito a zona euro joga-se por estes dias na Península Ibérica.É um extraordinário volte-face em relação à situação vivida pela Grécia e pela Irlanda em que só a sorte imediata desses países parecia em causa.O resto é para ler na rubrica Cabo Submarino que assino no Correio da Manhã.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A foice em seara alheia

Uma freira terá testemunhado um milagre atribuído à mediação do Papa João Paulo II.Falta outro para o processo de beatificação ser aberto no Vaticano.A Igreja Católica devia dispensar «milagres» para honrar os seus conforme entendesse e tem direito, mesmo que seja no paradigma da «imitação de Cristo».E não devia aceitar testemunhos de pessoas dependentes da hierarquia eclesial.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Paira um espectro sobre a campanha presidencial

O título de hoje no CM deve-se à possibilidade da entrada dos fundos associados em Portugal.Defendo a tese que Cavaco Silva espera que tal não aconteça até ao dia do voto final nas presidenciais.Conta para isso com a acção de forças diversas desde a própria acção governamental-até agora coroada de êxito- até aos efeitos retardadores de personalidades bem colocadas para o efeito como Durão Barroso, Vítor Constâncio e António Borges.A política não é uma linha recta.

Repúblicas bicentenárias

Um responsável da campanha de Cavaco Silva fez uma referência inculta e grosseira às repúblicas sul-americanas que certamente embaraça o actual PR no seu comércio institucional com os chefes de Estado desse continente nas sucessivas cimeiras ibero-americanas. Mas a má-educação revelada numa queixa à Comissão Nacional de Eleições não esconderá uma nostalgia metafísica por outra origem do Poder?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mourinho em português

Bati palmas cá em casa quando Mourinho explicou em Zurique que falaria em português na cerimónia de entrega do troféu de melhor treinador do mundo de futebol.Reconhecido poliglota, com gramática, a escolha foi o maior serviço à língua portuguesa desde o prémio Nobel a Saramago.E, nesta apagada e vil tristeza em que vivemos, serviu de sobressalto patriótico.Duvido , no entanto,que sirva de exemplo.Primeiro porque há sempre quem prefira dizer mal noutra língua o que os nativos dessa pensaram melhor.Depois porque o valor da língua em termos internacionais depende da excelência do trabalho dos que a usam como língua materna.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Recapitular

Aqui fica, na íntegra, o artigo publicado no Correio da Manhã :
A Esquerda perdeu o pé nas presidenciais há cinco anos e não conseguiu emendar o passo nestas. Enquanto a direita se apresenta mais uma vez unida à volta de um só candidato, a esquerda esbanja-se na apresentação de múltiplos talentos semi - presidenciáveis sem esperança de ocupar um cargo que foi seu durante décadas.
Esta subalternização da questão presidencial nestas eleições deve-se a variados factores, o primeiro dos quais tem a ver com o cálculo de probabilidades inerente a uma campanha em que o detentor do cargo volta a ser candidato. A esquerda está numa atitude defensiva, mascarada de contra-ataques pontuais.
A esquerda pode fazer muito melhor no período de campanha eleitoral se apresentar uma plataforma programática de entendimento para uma eventual segunda volta que recentre a discussão nas grandes questões nacionais enp modo de as resolver por um futuro PR.

A Esquerda na circunstância

A esquerda perdeu o pé nas presidenciais há cinco anos e não consegue acertar o passo nestas.

Esta é a súmula da coluna publicada hoje no CM.Que acaba com uma sugestão :
«A esquerda pode fazer melhor no período da campanha eleitoral se apresentar uma plataforma de entendimento para uma eventual segunda volta.»

domingo, 9 de janeiro de 2011

Vítor Alves-o meu capitão de Abril

Se tivesse que escolher o meu capitão de Abril preferido escolheria certamente Vítor Alves. Moderado, cordial, mas firme como uma rocha, aprendi a apreciá-lo no meio de algumas decisões e atitudes que definiram o futuro de Portugal em democracia.Fazia tudo com uma extrema elegância e tacto.Sabia como ninguém reunir meios adequados para os objectivos em vista, e mantinha a calma mesmo debaixo da maior pressão.Conheci-o em casa de Vítor da Cunha Rêgo que nos quis reunir no período quente de 1975.Depois fizemos parte do Governo presidido pelo inesquecível Almirante Pinheiro de Azevedo que lhe entregava a condução efectiva da discussão da ordem de trabalhos no Conselho de Ministros, tarefa que o oficial com o curso de Estado-Maior desempenhava com grande eficácia e proveito de tempo.No intervalo da actividade política era um companheiro de primeira.Lembro-me agora de umas ceias na Ribadouro, ou de uma rocambolesca ida ao Porto em que até fomos ao futebol ver um jogo do Boavista.Mais tarde pediu-me para ir com ele a Beja fazer campanha pelo PRD, círculo por onde era sacrificado candidato.Foi num dia de verão em que o planeta Terra já tinha aquecido tudo. Não havia vivalma nas ruas e praças da cidade alentejana.Nunca perdeu o humor nem se queixou da maldade dos homens.
Devo-lhe o reconhecimento público da influência que a minha comunicação enviada para o Congresso de Aveiro, em Abril de 1973, intitulada«Da Necessidade de um Plano para a Nação» tivera na elaboração dos textos programáticos do MFA, dos quais aliás ele fora um dos redactores.
A notícia da sua morte enche-me de tristeza.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Agora aos sábados na página dois

Com o Ano Novo passei a escrever no Correio da Manhã ao sábado na página dois.Passo a dispor de mais caracteres. Neste primeiro artigo, intitulado Um Ano Decisivo, chamo a atenção para as mudanças drásticas que podem ocorrer na vida portuguesa e europeia em 2011.Dá a impressão que se desenha uma nova versão da Europa Fortaleza da qual não faremos parte.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Serviços mínimos

Parece que os líderes partidários do PS e do PSD, José Sócrates e Passos Coelho, vão aparecer finalmente na campanha presidencial ao lado dos seus candidatos.Já conseguiram que se percebesse que nesta eleição estão ambos em regime de serviços mínimos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Os debates sobre os debates das presidenciais

Gostei de participar ontem num debate sobre as presidenciais na TVI-24, moderado pela Constança Cunha e Sá e com a participação de Santana Lopes e de Fernando Rosas.O tema BPN esteve presente, como não podia deixar de ser, mas não dominou o debate.Os intervenientes foram muito mais longe sobre o que devia ser a agenda desta campanha:que tipo de governo os candidatos patrocinariam no início, e no decurso, do respectivo mandato, que iniciativas os presidenciáveis tomariam perante a crise europeia e perante o tratamento negativo sistemático que os países do arco periférico daUE estão a receber,o que pensam dos projectos de revisão constitucional anunciados, que interpretação efectiva fazem dos poderes do PR, etc.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As relações do Banco de Portugal com o Estado

A valorização mundial do ouro trouxe à baila a política de gestão de activos e reservas do Banco de Portugal.Ninguém pede que o BdP se desfaça significativamente das suas reservas em ouro,até porque há compromissos internacionais na matéria, mas já é matéria de reflexão o facto do Estado não poder contar com o banco central em situações como a actual, sobretudo na vertente externa, e na distribuição excepcional de dividendos em momentos de aperto como o actual.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Porque será que a geração de 60 ainda incomoda tanto?

Confesso que passei os olhos pelo artigo da Helena Matos sobre as culpas cósmicas da «geração de 60», mas passei à frente.O período natalício remete-nos inconscientemente para o Pai Natal.Mas hoje ao ler o demolidor post de Joana Lopes perguntei-me a mim próprio porque será que a geração de 60 ainda faz figura de papão?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Um ano que passou rápido

O Francisco José Viegas, e o Pedro Correia, recordaram, ontem, a passagem do primeiro aniversário deste blogue.São dois leitores preferidos cá de casa, além de os lermos diariamente.Aliás, um dos objectivos do Córtex é ser um blogue de presença quotidiana, sem fazer disso um imperativo categórico! Muitas vezes não há tempo, ou matéria, para postar.Aliás começo sempre por dar uma volta pela blogosfera antes de me sentar na cadeira de editor.Mesmo assim, contando as minhas com as da Joana Amaral Dias que crismou o blogue, foram mais de 400 entradas neste ano.Que passou muito rápido.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Um Feliz 2011, para além de Janeiro

Tudo indica que o calendário das presidenciais termina em 23 de Janeiro.É assim que acabo o meu último artigo à sexta-feira no Correio da Manhã.Volto ao sábado na página dois.Com votos de um Feliz 2011, mesmo que não seja um ano muito próspero!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Trabalho para casa

Por muito que Cavaco Silva estivesse ao ataque, ontem, sobre as suas intenções em relação ao
Estado Social (Uma expressão falsamente de esquerda, que é uma homenagem póstuma a Marcelo Caetano), levou destes debates para casa um trabalhinho sobre o que o BPN significa: o viveiro de espertalhões influentes que o cavaquismo inaugurou na vida do regime democrático -nunca se tinha visto antes ex-governantes e afins enriquecerem tão vertiginosamente- mau exemplo que depois alastrou como erva daninha.Falta uma forte palavra de condenação e repúdio.Quem sabe se na mensagem de Ano Novo?

A pré-campanha acabou

Com o debate entre Alegre e Cavaco acabou praticamente a pré-campanha eleitoral.Só esse facto é favorável ao actual PR. Conseguiu manter o estilo institucional que tanto lhe agrada.Alegre foi melhorando com o decurso dos debates televisivos, mas sem alterar a sensação de que só corre até 23 de Janeiro.Falta menos de um mês.Mas um mês instuticional.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A noite de Manuel Alegre

Manuel Alegre joga hoje o resultado da sua candidatura à presidência, e o que valeu e significou o celebrado milhão de votos contra Mário Soares há cinco anos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Ai do Presidente

João Gonçalves é um magnífico apoiante.Neste caso de Cavaco Silva.Descobriu que o PR deu um Ai quando promulgou a actual lei do financiamento partidário que tudo retira ao Tribunal de Contas com uma Nota exculpativa, ou exculpante como lhe chamam os brasileiros mais sabidos sobre o que é sacudir a água do capote.

Um presidente errático

António José Seguro votou sozinho, na AR, contra a actual lei de financiamento partidário que vem revelando os truques de que é feita e os malefícios que pode trazer à saúde moral do regime.O PR promulgou a lei sem dizer Ai. O governo apresentou um diploma razoável sobre o condicionamento das subvenções estatais ao ensino particular e cooperativo.Os contratos de associação aplicam-se sobretudo a antigos seminários diocesanos reconvertidos em escolas.O PR ameaçou vetar o diploma e promoveu uma clarificação conceptual sobre a matéria antes de o promulgar.Tudo bem.Mas escapa a alguém o desnível geral das suas preocupações?

domingo, 26 de dezembro de 2010

A globalização fugidia

Hoje o Correio da Manhã faz-se acompanhar de um suplemento sobre o balança de 2010.Lá escrevo sobre A Globalização Fugidia.Com efeito a globalização está a fugir das mãos dos seus criadores no campo financeiro, comercial, tecnológico.Por enquanto só o campo militar parece centrado.Parece, pois a guerra de usura continua na periferia.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O ano dos orçamentos

Este ano a União Europeia exigiu muito mais de Portugal do que deu em troca.Alterou-se assim os termos do contrato entre Lisboa e Bruxelas.Foi O Ano dos Orçamentos, como escrevi no Correio da Manhã.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O problema do segundo lugar

As presidenciais, segundo as sondagens, estão a parecer-se com aqueles campeonatos em que já se sabe quem será o primeiro há muito tempo.O problema é que nestas presidenciais o segundo lugar não dá acesso a mais nada.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O regresso dos Livros Brancos?

Sempre foi minha convicção que o essencial da mancha humanitária constituida pela existência das prisões em Guantánamo seria dado a conhecer ao mundo pelos próprios norte-americanos.E sempre me pareceu que os comparsas estrangeiros da administração Bush não tinham consciência dessa tendência temporal dos EUA à transparência. Mas nunca imaginei que desta vez a transparência fosse arrancada pela Wikileaks, que confesso não saber o que é.
Ora, antigamente, os governos tinham o bom hábito de publicar Livros Brancos.A melhor resposta ao suspense provocado pela Wikileaks seria o anúncio por parte do governo dos EUA, e de outros como o nosso, da publicação de livros brancos com os documentos oficiais seriados sobre as matérias dispersas que chegam hoje em dia aos jornais.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

PISA e Pigmaleões

Há anos que se fala cá em casa dos resultados do PISA.Tenho uma ideia muito aproximada do que seja.Fiquei animado com os últimos resultados e achei oportunista a maior parte das reacções de regozijo, ou dúvida, que suscitaram.Muito se falou de responsáveis pela melhoria do desempenho escolar dos jovens de 15 anos objecto dos testes da OCDE.Como no My Fair Lady todos se esqueceram de Elisa Doolitle no sofá.Finalmente Daniel Sampaio na revista Pública chama a atenção para os sujeitos da oração: os alunos que foram testados.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os Estados ciberdependentes

A corrida ao ciber espaço foi como a corrida ao ouro da Califórnia.Demasiada areia para peneirar pepitas.Em vinte anos os EUA seduziram muitos Estados a servirem-se da «rede».Alguns, como Portugal, enfiam tudo o que podem nela, acreditando na civilização do écran. e rejeitando mais uma vez a civilização do papel e do livro-uma tendência assente na Contra-Reforma.Se os EUA,- mais precisamente o Departamento de Estado-foi apanhado na sua rede, que destino está reservado aos documentos oficiais de Estados como Portugal?Sempre alertei o José Magalhães para a «cegueira» que a Internet pode provocar...
Acabo assim o meu artigo no Correio da Manhã:
«Triste mesmo é não haver nenhum jornal nacional na lista (de distribuição) do sueco.Até Luis Amado só reage ao El País.»

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Carlos Pinto Coelho

Era um Homem cordial e entusiasmado. Esteve na RTP acreditando no serviço público. Apoiou e promoveu uma excelente grelha de programas que faziam da RTP uma das melhores do continente europeu.E sei bem do que falo em termos comparativos.Convidou-me para o primeiro programa do Acontece.Gostava de se rodear por quem apreciava.Era um federador nato.Capaz de reunir gente muito diferente. Como tão bem o escreveu o Pedro Rolo Duarte para quem vos remeto.Com um abraço à Clara Alvarez.

Decifrando...

Naquele telegrama do embaixador republicano dos EUA em Lisboa em que se fala do talento de Sócrates em cooptar, ou eliminar, elementos tidos por serem da ala esquerda do Partido Socialista, podemos supor que os cooptados foram, entre outros, Alberto Martins e Augusto Santos Silva? E os eliminados, gente como eu que tendo sido acusado pelos revolucionários de 1975 de ser um direitista sente ser sua obrigação distanciar-se da deriva opressora tolerada pelos recém instalados?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Michael Moore financia Wikileaks

Jornadas Universitárias

Estive alguns dias em S.Miguel a participar numas jornads universitárias .Foi compensador verificar como há muitos investigadores emergentes a trabalhar bem, apetrechados com conhecimentos adquiridos em várias universidades portuguesas e estrangeiras.Temos gente para depois da crise.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

As ilhas de excepção

Cavaco Silva, mudo e calado sobre tantas iniquidades, desde o BPN à não tributação das mais valias de grandes empresas, abriu uma excepção para contrariar a decisão da Assembleia Legislativa dos Açores de não aplicar os cortes salariais até aos 2 mil euros. Mas pior ainda é quem compara accionistas que antecipam dividendos milionários, furtando-se a um dos seus poucos deveres fiscais, a funcionários públicos que já eram mal pagos. Até porque a regra é isentar a tributação dos rendimentos do capital. Nem em crise há ressalva. E a regra é sobrecarregar os rendimentos do trabalho. Nem agora houve excepção. Enfim, a lógica do tudo-no-mesmo-saco visa pôr as vítimas da austeridade a acusarem-se reciprocamente, potenciando o sucesso do carrasco.
      Certo é que se estes e outros dividendos fossem taxados e existisse eficácia fiscal, não necessitaríamos da anorexia salarial. Logo, o problema não é a diferença açoriana. O problema é  a norma continental. Foi esta a posição política de Carlos César, discordando dos actuais cortes enquanto solução para a crise e do caminho do PS. Pena que o debate nesse partido não tenha sido mais frontal. Até porque 200 mil votos açorianos não dão projecção nacional e, certamente, aumentar salários não agrada aos patrõezinhos do continente. 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A nova AD não existe

A nova AD não existe, é o título do Cabo Submarino hoje no Correio da Manhã.Com efeito os tempos são outros e uma mera coligação PSD-CDS já matou a anterior e nada resolveu quando formou governo entre 2003 e 2005.Não basta recordar Sá Carneiro.

wikileaks

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As presidenciais na televisão

Cavaco Silva age como se fosse o candidato oficial do regime.Manuel Alegre como o dissidente.Será mesmo assim?Os debates na televisão, agora anunciados, irão dinamizar a campanha e esclarecer o qui pro quo? Duvido

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Resposta rápida

Tive a oportunidade de ver o lance da marcação do pénalti do Setúbal contra o FCPorto no Dragão.O árbitro Elmano Alves tremeu tanto por o ter assinalado que se enganou no jogador do Porto que amarelou, e precisou de mais tempo que o habitual para apitar a execução da grande penalidade, soavam os 90 minutos do jogo.Anulou o golo do empate com esse pretexto, e logo se viu que tinha desequilibrado psicológicamente o jogador do Setúbal, obrigado a rezar pela segunda vez. Manuel Fernandes, uma personalidade simpática no meio futebolístico, devia ter mudado logo de executante.Para não se queixar depois.Futebol é interdisciplinar.

Movimento diplomático

Uma consequência quase certa da inconfidência da wikileaks será um amplo movimento diplomático norte-americano.Por exemplo, para onde irá o diplomata que caracterizou a sociedade russa como sendo governada por serviços de informação através de uma oligarquia política e económica corrupta?

Quadro de Honra

Devia haver um site com uma lista das empresas que declarassem não proceder à distribuição de dividendos extraordinários em 2011, digo neste ano de 2010.
Esta sugestão ocorreu-me há dias ao ler uma esclarecedora entrevista de Vasco Melo ao suplemento de Economia do semanário Sol.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

No BCE sabe-se história da Moeda

O BCE resolveu comprar títulos de dívida dos Estados da zona euro.Finalmente os mercados «acalmaram».Foi com um banco central a comprar títulos de dívida que as grandes zonas monetárias se constituíram.A começar pela dos EUA.A história da Moeda devia ser obrigatória nos conselhos europeus.À hora das sandes.
Assim temos um espaço de tempo para se pensar melhor nas soluções governativas, o tema do meu artigo no CM.

Ernâni Lopes

Tinha uma grande consideração por ele.Em comum um sentido do interesse geral acima de qualquer outro critério público, uma vontade permanente de dar a Portugal as melhores condições de prosperidade e liberdade.Por isso nos entendíamos com facilidade.Nunca discutimos metafísica .Ernâni Lopes foi um dos primeiros a acreditar na adesão da República Portuguesa à então CEE e deu um contributo fundamental para o efeito.Mas manteve, contrariamente a muitos outros, um sentido crítico apurado, como pude apreciar num programa que tivemos em comum na Rádio Renascença durante a última presidência de Portugal.Tinha, às vezes, uma visão demasiado radical dos remédios que seria necessário aplicar para resolver as crises. Mas nunca desistiu de dar um rumo à sociedade portuguesa.Como nunca desistiu da vida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quem não é do Real, não é bom português?

Sigo o Barcelona-Real Madrid pela SportTv.Até ao intervalo um excelente jogo.Escusada a insistência dos comentadores em desenvolverem o ponto de vista do Real.Não é preciso tanto.Nem sequer fica bem.

Delete

Para quem como eu frequentou, quando fazia pesquisa histórica, os arquivo oficiais das principais potências ocidentais ainda não li nada de muito extraordinário nos telegramas e relatórios do State Department agora revelados.A diferença reside sobretudo no facto de esse tipo de documentos precisar, nesses países, de um prazo médio de trinta anos para serem tornados públicos.E claro com muitas anotações de Delete para pará grafos, ou documentos inteiros, devidamente assinalados, retirados por questões de segurança.Normalmente eram apreciações de personalidades políticas feitas pelos diplomatas em cada capital com a carga subjectiva subjacente. As malandrices pesadas ficam normalmente a cargo de outras agências...

domingo, 28 de novembro de 2010

Por pouco

O SLB até fez hoje uma boa exibição.Ainda por cima um pequeno detalhe impediu a declaração de Jorge Jesus que eu mais temia no fim do jogo com o Beira-Mar : a de que esta era a segunda vitória consecutiva do Benfica na Liga sem sofrer golos...

sábado, 27 de novembro de 2010

Descubra as diferenças segunda-feira

O jogo entre o Sporting e o Porto foi um tédio.O jovem Villas-Boas não parece fadado para dificuldades. Dois empates, duas expulsões do técnico portista.Um estudioso temperamental?
Estou ansioso pelo Barcelona-Real Madrid.Para ver as diferenças.

Gosto