Há dois anos que Jorge Jesus queria ver Nuno Gomes pelas costas.Talvez porque o antigo capitão não oferecesse mais valias, talvez porque marcasse golos sem ser de livre ou de pénalti, havia qualquer coisa que não entrava nos esquemas laboriosos e artificiosos do actual treinador.
Tudo indica que Nuno Gomes vai fazer a próxima época no Braga.É uma opção racional em termos dos seus objectivos desportivos: marcar golos e manter-se no radar dos selecionáveis.Só merece a maior sorte na continuação da sua carreira de desportista.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
São tudo independentes?
Além do recrutamente intensivo em faixas etárias post-estágio, a coligação apresenta um número elevado de governantes independentes. Mas serão tudo independentes, ou há muito pessoal que apenas desesperava de ver os partidos de direita na oposição sem valimento político ?
11-25-35 (36)
Sempre achei um problema mal posto aquele do número de ministros, ministérios com leis orgânicas, secretários de Estado com conta peso e medida.Mas já que o primeiro-ministro deu tanta guita à questão quando o número de secretários de Estado estava fixado em 25, não nos quererá dar uma palavrinha sobre a derrapagem em mais de dez figuras dessas? Em termos de leis orgânicas que seja.Ou de qualquer critério que leve a eliminar a nomeação de um Secretário de Estado sem se dar pela sua substituião.Qualquer coisa que nos oriente, enfim.E seja tangível.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Vindo do Canadá para a feira do artesanato
O ministro Álvaro Santos Pereira gravou o seu nome proprio na visita que fez a uma feira do artezanato.Impressionado com a informalidade com que certos professores universitários, no estrangeiro, se apresentam aos estudantes , declinando o seu nome próprio, e tendo constatado ,com naturalidade, que o seu ainda não era conhecido na feira, ergueu bem alto o de Álvaro.Esse nome já o ganhou.Politicamente.O de ministro segue imediatamente.
domingo, 26 de junho de 2011
A demência da Europa
Todos os últimos conselhos europeus podem ser contados assim: “Correu muito bem porque não somos a Grécia. Os nossos parceiros fizeram-nos muitos elogios. Ainda assim, devem ser aplicadas medidas adicionais.” Ou seja, não foi surpresa ver Passos Coelho a afirmar que “do ponto de vista de Portugal não podia ter corrido melhor” enquanto, simultaneamente, anunciava um novo PEC.
Mas nesta reunião havia alguma coisa que poderia dar para o torto para o “nosso lado”? Mesmo que houvesse, não são os sorrisos de Merkel ou as palmadinhas de Sarkozy que resolvem o que quer que seja. Ou já esqueceram as loas da Alemanha a Sócrates? Face aos programas de austeridade, os líderes europeus batem sempre palmas. As questões surgem depois: quando se trata de os executar. Sobretudo, de avaliar os seus resultados. Enfim, “A UE parece ter adoptado uma nova regra: se um plano não está a funcionar, é preciso cumpri-lo.” Quem o diz não é um perigoso radical extremista de esquerda. É a insuspeita revista The Economist, que acrescenta que “O estado de negação da Europa tornou-se insustentável”. Exacto. É esse estado que faz com que os conselhos europeus sejam sempre um sucesso. E que seja a realidade a falhar.
Publicado no Correio da Manhã
sábado, 25 de junho de 2011
Primeiros Passos
Passos Coelho foi debutar a Bruxelas, um clube onde se dança cada vez menos.O entusiasmo pelas cimeiras atingiu o seu ponto mais baixo, e todos calculam apenas como podem perder o menos possível.A presença de Passos Coelho só pode ter contado para a fotografia.Daqui a dias já ninguém quer ser tradado por tu nessas andanças.Os Primeiros Passos do primeiro-ministro apenas indicaram uma mudança interna na hierarquia do PSD, e uma enorme vontade de desmantelar o Estado português como ele se foi construindo desde a Regeneração.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Aos comandos do Estado de Direito
Estes tempos vão obrigar a grandes cautelas sobre o respeito das normas do Estado de Direito.Não é só o programa da troika que pode trazer problemas. Alguém terá de cuidar de limpar os pés do primeiro.ministro depois do anúncio deste de que não nomeará governadores civís.Ficamos com os secretários, uma versão «classe económica» da administração? Mas é só isso?Ou apenas coisas mal-feitas?
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Uma viagem em económica
Não me impressiona nada que Passos Coelho queira viajar em económica.Acho pouco adequado, é tudo.As condições oferecidas pela TAP são cada vez piores para o geral dos passageiros nessa classe geral.Já não há refeição quente, e se o primeiro-ministro se defrontar com um obeso como parceiro de viagem, fica mais amachucado do que o normal.Admito que ele vá a Bruxelas tratar dos interesses nacionais num tom mais autêntico do que as arengas paternalísticas de Durão Barroso.Tenho por isso o direito de exigir boas condições de circulação de oxigénio na cabecinha do primeiro-ministro antes das cimeiras em que participa para defender um país frágil.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Assunção Esteves não é só uma Mulher
A eleição de Assunção Esteves constituíu uma expressiva vitória de Passos Coelho, depois do imbróglio Fernando Nobre.Como não podia deixar de ser o facto de se ter pela primeira vez uma Mulher na presidência da Assembleia da República concentrou os comentários do dia.Mas convém ver mais fundo. Com essa escolha da transmontana, sua patrícia, Passos Coelho salta por cima dos «senadores» insulares, e reformula uma nova hierarquia no interior do PSD, com expressão institucional.Ser mulher apenas ajudou à operação.
Índice de situacionismo
A mentalidade Situacionista faz Portugal chegar tarde a tudo, e da pior maneira, como se ningém tivesse culpa de nada.Felicito pois o Pacheco Pereira por manter o seu Índice de Situacionismo nesta nova legislatura.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Não houve novidade nos discursos
Não me parece que os discursos da Ajuda tenham saído do registo dos últimos meses.Talvez o Primeiro-ministro tenha dado um passo arrojado com aquela ideia de promover um movimento para os cidadãos se libertarem das teias em que o Estado os envolve , e que pelos vistos os embaraçam nos seus movimentos empreendedores.Mas talvez seja melhor assegurarem-se dos novos estímulos que o Ministério da Economia dispensará à coluna de voluntários...
FALSA PARTIDA
Não se sabe como é que realmente foram as negociações entre PSD- CDS. Certo é que relativamente ao substantivo assunto da segunda figura de Estado, não correram bem, talvez porque as contrapartidas exigidas por Paulo Portas fossem onerosas. Mas, depois de Passos Coelho ter prometido a presidência da Assembleia da República a Fernando Nobre, em troca de o médico encabeçar a lista por Lisboa, uma coisa ficou demonstrada: antes de ganharem nas urnas, já os sociais-democratas se julgavam proprietários do aparelho de Estado, prometendo lugares. Ainda por cima, fazendo essa oferenda a pessoas sem o perfil certo. Afinal, como é que alguém com um passado político incoerente, sobre quem pairará sempre a dúvida de franco-atirador, que conquistou votos com um discurso anti-partidos e não tem experiência parlamentar, pode presidir aos respectivos trabalhos e substituir o Presidente da República em caso de impedimento ou vacatura do cargo?
Como Nobre não se afasta pelo seu próprio pé, é assim que Passos Coelho começa. Mal. Inicia rompendo com uma boa tradição de presidência da Assembleia da República e arriscando uma derrota política. Nobre e Passos Coelho desqualificaram o parlamento e expuseram-no a uma humilhação. Agora poderão ser eles os vencidos e vexados. Azar.
Publicado no Correio da Manhã.
Assunção-um nome que leva ao céu
Se há nomes que marcam «gerações»-um produto na moda- vamos entrar na era das Assunções.É meio caminho para o céu...
Alguém sabe a quanto monta a cláusula de rescissão de Jorge Jesus?
Antes que a política tome conta dos noticiários, alguém sabe a quanto monta a cláusula de rescisão de Jorge Jesus?
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Uma velha regra em vigor
Lembrei-me agora daquela sábia prevenção aos incautos: há convites que mais obrigam quem os recebe de quem os faz.
Quanto vale o partido mais votado?
Os «institucionalistas» inventaram que o PSD tinha o direito a indicar o nome do Presidente da Assembleia República.É uma posição simples que os deputados da maioria não seguiram para além de um número insuficiente.É tudo muito institucional, mas o que está em causa é se se vai formar rapidamente uma nova oligarquia indicada pelo «chefe», ou se os deputados da maioria vão marcar pontos, mesmo que a lógica seja meramente parlamentar.Que é como quem diz «institucional». mas não no sentido de uma disciplina concertada por «coteries».Uma maçada para futuras negociações« entre poucos». como diria um fundador da democracia moderna, Madison...
Teste de boa-fé
Leio que o luxemburguês Jean-Claude Juncker declarou «não perceber essa perversidade europeia que exige à Grécia co-financiamentos» nos programas comunitários.Aqueles que me seguem um pouco neste blogue, no Correio da Manhã. na TVI-24 na Prova dos Nove, sabem que tenho vindo a defender sozinho uma ideia simétrica para os programas comunitários em Portugal.
Desenvolvi o tema num artigo para o último número publicado da Revista de
Política Internacional dirigida por Carlos Gaspar.Como é uma pequena ideia capaz de trazer grandes resultados para o investimento em Portugal, sem aumento do orçamento comunitário já afectado e não-executado, e sem aumento da despesa pública nacional, ninguém se interessou por proposta tão construtiva.
Desenvolvi o tema num artigo para o último número publicado da Revista de
Política Internacional dirigida por Carlos Gaspar.Como é uma pequena ideia capaz de trazer grandes resultados para o investimento em Portugal, sem aumento do orçamento comunitário já afectado e não-executado, e sem aumento da despesa pública nacional, ninguém se interessou por proposta tão construtiva.
domingo, 19 de junho de 2011
O governo ministerial é fraco
O governo na sua dimensão ministerial, logo política, é fraco.Nem sequer é o espelho dos seus líderes.Vamos ver os secretários de Estado.Pode ser que melhore.Por exemplo, o Francisco José Viegas é por si só a verdadeira lei orgânica da Cultura deste governo. Seja ou não ministério.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Eu tenho um pesadelo
Cavaco Silva está imparável. Por estes dias, quem assista ao que o próprio agora chama de “o ruído dos noticiários”, poderá pensar que está a ver um canal memória. O Presidente acredita que “os portugueses querem curar a doença que os afecta”, que quem vive no interior é um exemplo porque tem um “espírito indomável”, “espírito de sacrifício”, “frugalidade” e que a solução é o regresso à agricultura. Por falar em memória, esse carpir pela lavoura não será uma furtiva lágrima de crocodilo?
Mas o melhor regresso ao passado (mais recente) foi o processo que o inquilino de Belém moveu contra o director da revista Sábado porque num editorial constava: “Tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas”. Quando se pensava que, finalmente, nos tínhamos visto livre da verve censória de Sócrates, zás. Eis o Presidente a por jornalistas em tribunal, ignorando que quem exerce o poder tem muitos mecanismos de defesa ao seu dispor e não pode ultrapassar o direito à crítica, por muito que lhe custe perder prestígio.
Realmente, começou um novo ciclo político. E muito bem, já se vê. Afinal, é o sonho tornado dura realidade: uma maioria, um governo e um Presidente.
Publicado no Correio da Manhã
quinta-feira, 16 de junho de 2011
«Coragem, mudança e moderação».E muito espectáculo.
A cena da assinatura do acordo PSD-CDS foi patética.Se foi desorganização é mau sinal.Se foi uma «cena» comunicacional as do governo anterior eram mais bem feitas.Aqui não há mudança de natureza.Fica a frase de Paulo Portas«Coragem, mudança e moderação«.Vinte valores em marketing. A «moderação» destinava-se a quem?
quarta-feira, 15 de junho de 2011
«Com toda a autenticidade»
Paulo Portas fez a primeira declaração política do lado dos coligados.«Com toda a autenticidade», explicou que se Fernando Nobre for o candidato do PSD a presidente da AR leva um grande chumbo.O que vale é que o PR não tem uma especial pressa na eleição da segunda figura de Estado.É uma espécie de«bem não transacionável.»
terça-feira, 14 de junho de 2011
Quem recebe primeiro?
Creio que em breve se estará a discutir um calendário de prioridades no reembolso possível dos credores da Grécia.Renovar as maturidades, como propõe a Alemanha, parece um critério objectivo.
Mais de trinta anos
Conheço o João Gonçalves há mais de trinta anos no Movimento dos Reformadores.Os Reformadores propuzeram em 1979 uma revisão constitucional seguida de referendo, sem esperar por novas gerações ,pois o poder constituinte não se pauta por esse critério.De seguida estivemos com o General Eanes contra Soares Carneiro, depois perdemo-nos de vista, fora uns encontros no S.Carlos.
A blogosfera veio trazer novos laços.Não que eu partilhe o tipo de entusiasmo do João por mim mesmo, como também não lhe perdoo o facciosismo da última campanha eleitoral que o levou a tresler algumas das minhas intervenções no programa Prova dos Nove da TVI-24. Ser injusto faz parte do seu talento.Mas pronto.Confio que o Portugal dos Pequeninos, que agora faz 8 anos, redobre de espírito cáustico nestes novos tempos do poder.
A blogosfera veio trazer novos laços.Não que eu partilhe o tipo de entusiasmo do João por mim mesmo, como também não lhe perdoo o facciosismo da última campanha eleitoral que o levou a tresler algumas das minhas intervenções no programa Prova dos Nove da TVI-24. Ser injusto faz parte do seu talento.Mas pronto.Confio que o Portugal dos Pequeninos, que agora faz 8 anos, redobre de espírito cáustico nestes novos tempos do poder.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Os caminhos da Senhora II
Os empréstimos outorgados aos países do leste europeu nos anos noventa estiveram sujeitos a um entendimento, dito «Entendimento de Viena» que comprometia em certos termos os bancos credores desses países a renovarem os prazos de amortização dos empréstimos concedidos em caso de dificuldades de pagamento Esse modelo está a ser estudado para a Grécia.Por sugestão alemã.A seguir.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Direto ao Assunto
Hoje, o Direto ao Assunto (no seu novo horário às 22 horas), já conta com o João Adelino Faria e o Carlos Abreu Amorim, ambos regressados da campanha eleitoral.. Serão discutidos os resultados das eleições, o futuro do PS e a formação do novo governo.
FALHA TECTÓNICA
A grande novidade destas eleições é o resultado do BE: pela primeira vez, desceu. Aliás, inaugurou a derrota em modo operático: uma queda equivalente à sua maior subida (a de 2002 para 2005). Já o PC manteve-se igual a si próprio e só pode agradecer ao mundo sindical.
A esquerda permitiu que a direita provocasse a crise e ainda lucrasse com ela. Permitiu que, vivendo a Europa numa situação despoletada pela voragem liberal, se invertessem as responsabilidades e se convencessem os cidadãos que a culpa é da falência do Estado Social. Há muito que a esquerda, sobretudo a mais crítica, devia ter ido além do cavalgar o descontentamento e disponibilizar-se para ser poder. Só que, em vez de filhos, fez órfãos: os cidadãos não sentiram que essa ala política os protegesse nem antes nem durante a crise. Logo, além de mau, o resultado é merecido.
Este fenómeno não se restringe a Portugal. Mas por cá, o BE somou-lhe desacertos próprios, desde a estratégia para a Câmara de Lisboa até à das presidenciais, passando por desastres internos e, claro, pela moção de censura mal conduzida. Enfim, o Bloco provou que uma tragédia geralmente se deve a um somatório de erros e não a uma nota só.
O que resta a este lado? Fazer depressa e bem o que já devia ter consolidado: criar plataformas de compromisso, de preferência articuladas na Europa, que obriguem o PS a mudar em troca de uma maior responsabilidade governativa da restante esquerda. Difícil? Muito. Mas é a única saída.
À espera da nova época
Isto não vai dar certo.Também para o SLB.Temo o pior para a próxima época.Coentrão rende-se aos encantos madrilenos e tem quem o traduza para castelhano, língua que falará numa nova oportunidade ministrada por Jorga Mendes.Robero tem a confiança da SAD, ou faz parte do crédito mal-parado.Weldon é colocado no mercado secundário, onde sempre esteve.Nuno Gomes foi desligado do serviço por conselho desse novo benfiquista que é Jorge Jesus que nos levará para o abismo, mesmo que acerte nas marcações defensivas e no marcador de livres..Aposto que o Nuno Gomes se jogar na próxima época no Braga ou no Guimarães ganha a «Bola de Prata»!Vai ser bonito, vai...
terça-feira, 7 de junho de 2011
Cavaco Silva entre o político e o institucional
Ninguém o disse, porque somos todos juízes do tribunal constitucional, mas Cavaco Silva foi um dos vencedores das eleições.Nota-se aliás nele uma maior desenvoltura.Começou ontem com a indicação política das diligências para a formação do governo.O sorriso não engana
Um deles estava a mais
O Portugal castiço vibrou com as vitórias sucessivas de José Sócrates em 2005, e de Cavaco Silva em 2006. O país ter-se-ia dotado de duas personalidades« fortes» para uma década.Os possidentes começaram a fazer planos quinquenais. A deslocação do novo aeroporto da Ota para o Poçeirão foi um exemplo.Mas não era preciso ser um génio para perceber que um dos dois políticos estaria a mais. A crise de 2008 para a qual o produto não estava preparado fez o resto.Ficou Cavaco Silva.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Um dos vencedores da blogosfera
A blogosfera é muito diversa em géneros e personas, e por isso impossível de hierarquizar.Mas hoje apetece-me distinguir alguém que manteve uma serenidade e uma altura de vistas em todo este período eleitoral em que tantos soçobraram no facciosismos.Falo de Luis M Jorge e do seu Vida Breve.Desde aquela da História Secreta de Portugal ao post de hoje intitulado Reconciliação, sempre a mesma qualidade e lucidez.
Um governo de Altos-Comissários ?
A vitória do PSD foi mais expressiva do que as sondagens deram a entender, mas se calhar estamos perante uma consequência do apregoado «empate técnico» dos «estudos de opinião».
Passos Coelho parte em boa situação para negociar com Paulo Portas que não pretende ir para as Finanças nem para os Obras Públicas, o que permitirá vários brindes ao CDS.O meu maior receio é que o governo, independentemente do número de ministros que venha a ter, seja apenas um governo de Altos-Comissários...
Passos Coelho parte em boa situação para negociar com Paulo Portas que não pretende ir para as Finanças nem para os Obras Públicas, o que permitirá vários brindes ao CDS.O meu maior receio é que o governo, independentemente do número de ministros que venha a ter, seja apenas um governo de Altos-Comissários...
Só uma demissão esta noite?!
José Sócrates ganhou a maioria absoluta na primeira eleição em 2005 quando era SG do PS apenas há poucos meses .O PS perdeu a seguir as eleições presidênciais e as europeias.Voltou a ganhar as legislativas em 2009 mas já longe da maioria absoluta.Nunca apreciei o estilo e o modo de fazer política do ex-ministro do Ambiente que fez da co-incineração dos lixos um assunto de «autoridade de Estado» para se distinguir do Primeiro-Ministro Guterres.Afirmei-o desde cedo com outros, muito poucos então..Hoje José Sócrates demitiu-se sozinho.Mas esta noita muitos mais deviam ter apresentado a sua demissão.Dentro e fora do PS.
domingo, 5 de junho de 2011
GRANDE PEPINEIRA
O pepino assassino é um bom símbolo do estado da Europa. Confrontada com as infecções com E. Coli, a Alemanha decidiu, sem provas, culpar o produto espanhol. Estava encontrado o legume expiatório, só por acaso oriundo de um dos PIGS. Os tais que, por risco de contágio, devem ser isolados e entregues à sua sorte. Portanto, em vez de resolver um problema de saúde pública, os alemães criaram mais um problema político. Dupla incompetência.
Pelo caminho, ceifaram-se uns quantos agricultores quando, mediante o projecto da união e perante a crise, seria essencial aplicar medidas que protegessem o mercado interno. Mas qual quê. Em grande parte graças à Alemanha, a Europa é hoje governada sob o lema “cada um por si”. Daí que cobre juros mais altos aos estados-membro do que o FMI. E daí que, demonstrada que fosse a origem alemã da bactéria, dificilmente existiriam restrições às suas exportações.
Caramba, mas um pepino? Sim, isso mesmo. Afinal, a fúria eurocrata começou com a normalização desses produtos, nomeadamente do dito vegetal homicida nesse inesquecível regulamento nº1677/88 da CEE. Ou seja, o início da história da UE foi marcado pelo adestramento dessa cucurbitácea. Não se admirem que o fim passe pelo seu contra-ataque.
Publicado no Correio da Manhã
Pelo caminho, ceifaram-se uns quantos agricultores quando, mediante o projecto da união e perante a crise, seria essencial aplicar medidas que protegessem o mercado interno. Mas qual quê. Em grande parte graças à Alemanha, a Europa é hoje governada sob o lema “cada um por si”. Daí que cobre juros mais altos aos estados-membro do que o FMI. E daí que, demonstrada que fosse a origem alemã da bactéria, dificilmente existiriam restrições às suas exportações.
Caramba, mas um pepino? Sim, isso mesmo. Afinal, a fúria eurocrata começou com a normalização desses produtos, nomeadamente do dito vegetal homicida nesse inesquecível regulamento nº1677/88 da CEE. Ou seja, o início da história da UE foi marcado pelo adestramento dessa cucurbitácea. Não se admirem que o fim passe pelo seu contra-ataque.
Publicado no Correio da Manhã
Uma boa vingança de Eduardo Souto Moura
Gostei de tudo na atribuição do Prémio Pritzker a Eduardo Souto Moura que conheci pessoalmente em casa de uns amigos muito especiais no Algarve, em plenas férias.Em primeiro lugar a distinção à escola de arquitectura do Porto que tais arquitectos deu.Conheço vários , um deles Mário Borges eterno exilado em Genebra onde foi responsávei pelo novo edifício da Cruz Vermelha Internacional ; depois as declarações do premiado que não escondeu o que lhe ia na alma de português ao ver uma chancelerina de uma grande potência ocupar-se a contar-mal- os dias de férias dos portugueses sem lhes contar o ordenado.«Foi uma boa vingança», disse, possivelmente porque arquitectou alguma obra de arte num momento de ócio feriado.
Também apreciei a presença e o discurso de Obama.De Jefferson ao estádio de Braga tudo fez sentido.Visto de longe a perspectiva é mais ampla sobre Portugal.
Também apreciei a presença e o discurso de Obama.De Jefferson ao estádio de Braga tudo fez sentido.Visto de longe a perspectiva é mais ampla sobre Portugal.
Paulo Bento
Paulo Bento fez um bom trabalho de recuperação da selecção este ano.Mas ontem deu-me a impressão de acabar a época um bocado cansado.
sábado, 4 de junho de 2011
Ordem para emigrar
Hoje no CM, em vez de me queixar do dia de reflexão, dedico-me a analisar para onde irá tanta disponibilidade de mão-de obra e tanta mobilidade de recursos humanos incentivadas pelo «Memorando de Entendimento» num país em depressão programada.Não se percebe como vai o mercado interno absorver tanta flexibilidade .A ordem da troika, percebendo bem as imperfeições da zona monetária onde Portugal está inserido, é clara: trata-se de incentivar a emigração para o mercado externo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Os caminhos da Senhora
Merkel está a tentar dar um passo em frente na co-responsabilização dos credores privados da dívida grega ao avançar com a ideia de que os novos empréstimos públicos europeus à Grécia devem ser acompanhados do contributo dos credores privados, em termos a estudar e discutir, mas que pode passar por novas maturações dos títulos de divida.À primeira vista é mais um obstáculo a um novo plano grego, mas é assim que a história faz o seu caminho na direcção mais adequada.A de uma conferência entre Estados devedores e credores, com a arbitragem do BCE e da Comissão, para reavaliar metas, calendários e taxas de juro.Bismark teria conseguido...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Direto ao Assunto
Hoje, o Direto ao Assunto será dedicado à campanha eleitoral. Na RTP N, agora às 22 horas.
Qual elefante?
Lembram-se das queixas de demasiados fait-divers nas campanhas? Recordam-se das lamentações sobre os tabus de Cavaco? E do que se dizia ser a silly-season? Realmente, era difícil imaginar que chegaríamos a este ponto mas, observando esta corrida a S.Bento, conclui-se que chorávamos de barriga cheia. Em democracia, o país nunca precisou tanto de discussão política como agora. E nunca teve tão pouca. PS, PSD e CDS entretêm-se com nomeações, aborto, listas de deputados, imigrantes em comícios, sondagens, cenários pós-eleitorais. Já sobre o compromisso que estabeleceram com a troika para aplicar em Julho, sobre o essencial, dívida, juros, desemprego, recessão, falência, bancarrota, Grécia, Irlanda, Europa, nada dizem. Há um elefante no meio da sala e esses partidos tapam-no com um guardanapo enquanto discutem a mosquinha na parede.
Até o futebol
O futebol em Portugal, visto do exterior ainda é um «cluster» de excelência:alguns treinadores excepcionais, alguns jogadores superdotados, algumas equipas que ganham títulos europeus, uma boa selecção sempre aquém das esperanças depositadas, uma óptima classificação nos «rankings» da FIFA e da UEFA.Mas visto de dentro notam-se os pés de barro: diminuição de espectadores nos estádios, média alta de faltas marcadas durante um jogo( 32, segundo a notícia do Público), violência tolerada das claques, muitas dúvidas sobre o que se passa nos bastidores, classificações e metas alcançadas com antecedência, desde o campeão até às equipas que baixam de divisão.
Reside na Liga de Honra uma das poucas variáveis do «déja vu».Acho até que a Liga devia aumentar o número de clubes que desce e sobe de escalão profissional. Se descerem e subirem por época quatros equipas de cada liga tudo de torna mais competitivo e móvel, atenuando vícios e quiçá combinações.Experimentem.
Reside na Liga de Honra uma das poucas variáveis do «déja vu».Acho até que a Liga devia aumentar o número de clubes que desce e sobe de escalão profissional. Se descerem e subirem por época quatros equipas de cada liga tudo de torna mais competitivo e móvel, atenuando vícios e quiçá combinações.Experimentem.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Prazos e regular funcionamento das instituições
Anda por aí outra arbitrariedade no ar: os prazos apertados e pretensamente necessários impostos pela «troika» ao governo português, que não se conjugam com o calendário eleitoral e político interno.Cuidado com os entorses ao «regular funcionamento das instituições democráticas», cujo primeiro responsável é o PR.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Prova dos 9
Como previ no Programa da TVI-24 «Prova dos Nove», moderado pela Constança Cunha e Sá, a mania da falsa concretização do número de ministros por parte de Passos Coelho acabaria por lhe trazer problemas escusados, e só não lhe trará mais se não constituir governo.Até porque na República Portuguesa não há a diferença que existe no Goveno de SM Britânica entre ministros do «Gabinete» e os «outros».
domingo, 29 de maio de 2011
Lista de incompatibilidades
É incompatível com o espírito de livre opinião procurar pretextos ocasionais para silenciar vozes incómodas.A malta do CDS deve rebater Marcelo Rebelo de Sousa, não querer calá-lo. Arrajem lá uns argumentos.Não devem faltar...
Barcelona FC
É a melhor equipa de futebol da actualidade, ou pelo menos é aquela que mais prazer me dá ver jogar, e isso é fundamental num espectáculo televisivo como se tornou o futebol.Também gosto da sua filosofia de formação precoce de jogadores , criando desde cedo uma cultura própria bem simbolizada no seu treinador, e evitando o amontoado de transferências de mercenários sortidos .Ah, e obrigando os jogadores estrangeiros, no contrato, a aprender as duas línguas da Catalunha...Isto não é só futebol! Mas é assim que se ganha.
sábado, 28 de maio de 2011
Regressar ao passado
Hoje explico o erro de Passos Coelho em ter admitido a realização de um novo referendo sobre a IVG, tendo em conta a sua posição anterior favorável ao SIM, e o facto de nada disso constar do mastigado programa do PSD.Se tivesse sido mais directo na Rádio Renascença teria ganho em credibilidade, e evitado iludir o auditório daquela rádio.Foi um regresso ao passado.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Anne Sinclair à presidência?
Anne Sinclair tem defendido um francês, que se preparava para se candidatar à presidência da RF, em pleno Estado de New York, com unhas e dentes e muito património.São as autoridades judiciais que impõem uma caução inimaginável para o comum dos detidos, são os vizinhos da grande Maçã que se mostram hostis perante DSK em detenção domiciliária, é o silêncio das autoridades gaulesas perante as condições de detenção de alguém que Sarkosy escolheu para director do FMI em nome da França e da Europa.O General De Gaulle já teria manifestado algum mal-estar.Uma personalidade destas não deixa mal, nem o seu marido, nem o seu país
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Roubaram-nos a Taça Latina
Tudo indica que a Taça Latina voltará a ser organizada num continente europeu diminuído na utilização competitiva dos aeroportos nórdicos à merçê dos vulcões islandeses.Vejam os temores sobre a final das «Champions» em Wembley!
Pois agora a FIFA não quer oficializar a Taça Latina organizada pelos países mais próximos da civilização romana, ainda fumegavam os destroços da II Guerra Mundial na Europa competitiva.É um rude golpe nas minhas memórias de infância.Lembro-me perfeitamente das fotografias da vitória do Benfica sobre os franceses dos Girondinos em 1950, ainda mal sabia ler. Lembro-me do capitão Francisco Ferreira a erguer a taça.Na altura o SLB perdia cá dentro os campeonatos para o Sporting dos «cinco violinos».Agora perde nas estatísticas da FIFA, móveis como os critérios do Eurostat, para o Porto...É só sofrer!
Pois agora a FIFA não quer oficializar a Taça Latina organizada pelos países mais próximos da civilização romana, ainda fumegavam os destroços da II Guerra Mundial na Europa competitiva.É um rude golpe nas minhas memórias de infância.Lembro-me perfeitamente das fotografias da vitória do Benfica sobre os franceses dos Girondinos em 1950, ainda mal sabia ler. Lembro-me do capitão Francisco Ferreira a erguer a taça.Na altura o SLB perdia cá dentro os campeonatos para o Sporting dos «cinco violinos».Agora perde nas estatísticas da FIFA, móveis como os critérios do Eurostat, para o Porto...É só sofrer!
terça-feira, 24 de maio de 2011
Reperfilar a dívida grega
O PASOK ganhou as eleições na Grécia contra um governo de direita liderado pela Nova Democracia acusado de ter levado o país à beira da bancarrota.As medidas do PASOK passaram por medidas da ética da responsabilidade já que só quem não conhece a esquerda grega pode imaginar alguma convicção no que estão a fazer.As medidas não vão resolver o problema, nem sequer do ponto de vista estrito dos credores.Até Jean-Claude Juncker, o presidente do euro-grupo, já começou a falar de um reperfilar «soft» da dívida grega. Chegar-se-à a tempo de uma conferência financeira internacional que consiga estabelecer um método equilibrado de defender as possibilidades de pagamento dos Estados e os interesses dos credores? Ou o preço será a saída de alguns países da zona euro, seguido do «Agio do Euro», mais a renegociação das modalidades de pagamento das dívidas soberanas?
Ilusões Ibéricas
A derrota do PSOE nas regionais fez-me lembrar uma das previsões de Cunha Rego sobre as consequências políticas do Euro, logo no início. Zapatero imolou-se na tomada de medidas de austeridade, ainda mais do que José Sócrates por cá .Mas que ninguém se alegre na península.O que vem aí dará cabo de vários partidos.Os contentinhos só têm de esperar em ser governo.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Passos Coelho respondeu à chamada
Passos Coelho, que eu tinha por mais pró-britânico, respondeu também à chamada da Senhora Merkel sobre a questão dos feriados nacionais.Ele promete dar voltas à cabeça para tirar um ou dois feriados por ano, o que deve levar à constituição de um «grupo de missão».Ora os feriados portugueses, aliás dentro da média europeia mesmo contando com os concordatários, situam-se, com a excepção do 15 de Agosto, na época baixa, e até permitem animar, no intervalo, o turismo doméstico.Não comece já a dobrar para além do necessário...
domingo, 22 de maio de 2011
«Se a Alemanha cair no erro da uniformização excessiva...»
Lembrei-me desta frase de um diplomata português em posto em Berlim em Novembro de 1941.Versava, em termos elogiosos, a concepção de uma «Nova Ordem Europeia», em que apenas criticava essa inclinação- »abstracta» como lhe chamaria o insuspeito Salazar na ocasião- para «cair no erro da uniformização».
A apresentação da lista dos nossos feriados e dias de férias dos trabalhaores ao Embaixador alemão pelo MNE, noticiada pelo Expresso, dá a ideia da uniformização em marcha.Vai acabar mal, não acham?
A apresentação da lista dos nossos feriados e dias de férias dos trabalhaores ao Embaixador alemão pelo MNE, noticiada pelo Expresso, dá a ideia da uniformização em marcha.Vai acabar mal, não acham?
sábado, 21 de maio de 2011
Os erros do PSD
Os erros do PSD no período pré-eleitoral foram impressionantes.A maior parte derivada de preconceitos ideológicos , como o ataque à iniciativa Novas Oportunidades.Veja a lista no Cabo Submarino de hoje.
Uma hora de reflexão, por piedade
Dirigo-me à liga dos provedores para pedir encarecidamente às estações de televisão a oferta de uma hora de reflexão aos espectadores antes de serem bombardeados com as sentenças sobre vencedores e vencidos dos debates pelos comentadores.Os próprios comentadores devem precisar de algum tempo, imagino.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Pauvres gens.
A s vítimas futuras de Dominique Straus-Kahn serão o FMI, a zona euro, a UE, a evolução para uma governança mundial, o PSF, tal era a envergadura que o personagem estava a tomar.É pois muito triste ver autênticos pigmeus políticos apressarem-se a disputar o cargo de um homem que ia a caminho do seu destino, ou de uma tragédia instintiva.Um grande vazio espera os seus sucessores.
Portugal a Arder
Participei ontem no lançamento do novo livro da co-autora deste blogue, que reune artigos publicados durante mais de um lustre pela Joana Amaral Dias.Para «cometa da comunicação social», ela dura mais do que muitos aparelhistas do sistema satelitário.E tem mais futuro.
A editora Objectiva fez dos títulos inventados pela JAD um mapa do
Portugal a Arder , mas poupando os Açores...
Sobre o livro podem ler o meu Prefácio.!
A editora Objectiva fez dos títulos inventados pela JAD um mapa do
Portugal a Arder , mas poupando os Açores...
Sobre o livro podem ler o meu Prefácio.!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Encontro com Eduardo Lourenço nos Açores
Estive uns dias em S.Miguel onde apresentei o livro do meu amigo Teixeira Dias sobre a História do Povo Açoriano, com o anfiteatro da Biblioteca Pública de Ponta Delgada cheio, proferi uma conferência sobre a UE por iniciativa dos estudantes de Estudos Europeus da Universidade dos Açores, e dei aulas no Mestrado de Relações Internacionais.
Por jubilosa coincidência encontrei Eduardo Lourenço em Ponta Delgada, convidado por Mário Mesquita, para falar de Antero de Quental a propósito do livro de Ana Maria Martins sobre a mítica viagem de Antero à América.Fosse na saudosa biblioteca do Liceu onde passei horas infinitas enquanto aluno, fosse nos restaurantes aonde coincidimos, fosse no hotel ao fim da noite , encontrei sempre um Eduardo Lourenço em pleno exercício directo do pensamento, da tertúlia e da alegria de viver.Um momento mágico.E ainda recordamos outros em que estivemos juntos dos States à China...
Por jubilosa coincidência encontrei Eduardo Lourenço em Ponta Delgada, convidado por Mário Mesquita, para falar de Antero de Quental a propósito do livro de Ana Maria Martins sobre a mítica viagem de Antero à América.Fosse na saudosa biblioteca do Liceu onde passei horas infinitas enquanto aluno, fosse nos restaurantes aonde coincidimos, fosse no hotel ao fim da noite , encontrei sempre um Eduardo Lourenço em pleno exercício directo do pensamento, da tertúlia e da alegria de viver.Um momento mágico.E ainda recordamos outros em que estivemos juntos dos States à China...
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A oitava vida de Portas
Paulo Portas devia agradecer a todos os seus adversários pois possibilitaram-lhe algo inédito desde que deixou o centro de sondagens da Universidade Moderna: que não se queixe das ditas. A esquerda tem estado mais preocupada em disparar sobre o PS e o PSD. Já Sócrates aparece, naturalmente, enquanto o responsável pela crise e P. Coelho como um pasmo. Ambos, porque podem precisar de Portas para formar governo, atacam-se mutuamente e poupam-no, embora razões para o criticar não faltem: os escândalos associados à sua passagem pelo governo, as suas contradições face aos PEC’s e à troika, a manipulação descarada de dados nos debates. Enfim, o ex-ministro da defesa tem sido protegido. Por isso, recentemente dizia que aspirava ser Primeiro-Ministro. Como em todas legislativas, todos os candidatos aspiram, inclusive o dirigente do Partido da Terra. A diferença é que Portas pode afirmá-lo e ninguém se ri, a não ser ele mesmo. E é de prazer.
Publicado no Correio da Manhã
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Direto ao Assunto
Hoje, o Direto ao Assunto passa a ser diferente. Vai para o ar às 22 horas e, visto que o Carlos Abreu Amorim está em campanha eleitoral, conta com a participação do Pedro Lomba. Até logo.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Compromisso Histórico?
Muito interessante este debate na TVI entre Passos Coelho e Jerónimo de Sousa.Pouparam-se tanto entre si quanto bateram no PS. Deixaram um cheirinho a «Compromisso Histórico» à italiana.
Perder tempo
Já percebi que o SLB vai perder um tempo precioso-e bastante numerário- a tentar «equilibrar o plantel», uma conclusão mais do que tardia para um fim de época que parecia quase glorioso, não fossem os adversários. Uma coisa é certa: Jorge Jesus ´demonstrou nada ter a ver com a cultura histórica do Benfica.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
2 mais 2 são quatro?
O plano de privatizações da troika mais o «plus» do programa do PSD na matéria, vai requerer um grade concurso de capitais que não será possível encontrar internamente.A visita de Passos Coelho a Londres já se prende com esse contributo?
domingo, 8 de maio de 2011
Uma boa iniciativa
O blogue Aventar teve a ideia de traduzir para português o memorando de entendimento que o governo assinou com a «troika».Foi uma boa iniciativa, embora com alguns riscos, tendo em conta a natureza do documento que sempre precisará de uma versão oficial na nossa língua (penso eu!).
TROIKA PARA TÓTÓS
Ajuda Externa: Empréstimo (dá lucro) para garantir pagamento aos credores.
Acordo: imposição de políticas.
A renegociação da dívida é impossível: guarda-se para quando só sobrarem os ossos.
Defesa do Estado social: privatização do que é rentável, diminuição do que não é.
Democracia/Eleições: romance histórico.
Flexibilidade laboral: menos subsídio de desemprego, horários mais longos, despedimento rápido e barato.
Há limites para os sacrifícios (Cavaco Silva): O céu é o limite (poesia).
Incentivos aos desempregados: Vão trabalhar, malandros (ou aldrabões, segundo o vice-presidente do PSD)
Não há corte no 13º e 14º mês: Aumento dos impostos, da electricidade e dos transportes, menos horas extraordinárias pagas, salários e pensões congeladas- “É fazer as contas” (A. Guterres).
Não há despedimentos na função pública (Sócrates): Menos oito mil funcionários ano (Troika)
Negociação: charada do PS, PSD e CDS, para fingirem que sem eles tudo seria pior.
Mais sociedade: visa a redução dos custos de trabalho e a privatização dos sectores do Estado que dão lucro- (Menos Sociedade ou país de tanga- Durão Barroso).
Manter a solvabilidade do sector financeiro: todo o apoio à banca sem contrapartidas.
Primeiro-Ministro: megafone da troika
Programa Eleitoral PS/PSD/CDS: ficção pouco científica.
Publicado no Correio da Manhã.
Acordo: imposição de políticas.
A renegociação da dívida é impossível: guarda-se para quando só sobrarem os ossos.
Defesa do Estado social: privatização do que é rentável, diminuição do que não é.
Democracia/Eleições: romance histórico.
Flexibilidade laboral: menos subsídio de desemprego, horários mais longos, despedimento rápido e barato.
Há limites para os sacrifícios (Cavaco Silva): O céu é o limite (poesia).
Incentivos aos desempregados: Vão trabalhar, malandros (ou aldrabões, segundo o vice-presidente do PSD)
Não há corte no 13º e 14º mês: Aumento dos impostos, da electricidade e dos transportes, menos horas extraordinárias pagas, salários e pensões congeladas- “É fazer as contas” (A. Guterres).
Não há despedimentos na função pública (Sócrates): Menos oito mil funcionários ano (Troika)
Negociação: charada do PS, PSD e CDS, para fingirem que sem eles tudo seria pior.
Mais sociedade: visa a redução dos custos de trabalho e a privatização dos sectores do Estado que dão lucro- (Menos Sociedade ou país de tanga- Durão Barroso).
Manter a solvabilidade do sector financeiro: todo o apoio à banca sem contrapartidas.
Primeiro-Ministro: megafone da troika
Programa Eleitoral PS/PSD/CDS: ficção pouco científica.
Publicado no Correio da Manhã.
sábado, 7 de maio de 2011
Ao sábado no Correio da Manhã
O meu artigo de hoje intitula-se Luta de Fundos, e analisa o «mix» que as relações entre o FMI, a Comissão Europeia e o BCE revelaram.O FMI tem vindo a contribuir cada vez mais para ajudar a zona euro, uma ironia internacional digna de registo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Está tudo dito
Na entrevista à RTP (4 Maio) Passos Coelho não revela se assina a imposição da Troika
Umas horas depois, no programa de humor 5 para a meia-noite, já diz que assina
Umas horas depois, no programa de humor 5 para a meia-noite, já diz que assina
Boletins de voto personalizados
" Já escolhi em quem vou votar no próximo dia 5 de Junho: na 'troika' "
António Costa, director do Diário Económico
António Costa, director do Diário Económico
Economia Social
As medidas de fragilização dos contratos de trabalho, a redução dos subsídios de desemprego, o fim das facilidades para a compra de casa própria, a recessão programada da economia portuguesa com o cortejo do aumento do desemprego, conjugam-se para uma estratégia imperativa de um novo ciclo de emigração emPortugal.Algumas medidas «fracturantes» também ajudam a essa «leveza» individual para emigrar: divórcio rápido, IVG, etc.São muitos os caminhos da economia social da globalização ...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Dublin por um canudo
Não sei bem se o SLB tem um departamento de futebol.É verdade que o Shéu conseguiu não ser suspenso durante toda a época, e percebe-se perfeitamente quais são as suas funções na «estrutura». Mas temo que só se perceba que o vazio não compensa quando o Benfica for eliminado da Liga dos Campeões, logo em Agosto Venha o Scolari!Ou o Mourinho...
Fitas
Quero ver como o PSD e o CDS se vão distinguir nos seus compromissos voluntários com o «Memorando de Entendimento».Deve ser obra barroca.
terça-feira, 3 de maio de 2011
O «plus» da ajuda externa
As medidas deste PEC têm um «plus»: já incluem o refinanciamento do sistema financeiro português.Um detalhe a juntar aos próximos.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
PRÓ-GRAMA
Ganhe o PS ou o PSD, o programa que irá governar o país é um e apenas um: o do FMI. Aliás, essa imposição política será conhecida um mês antes das eleições transformadas, portanto, num plebiscito. Abandonadas as ideias, sobraria a personalidade. Assim, PS e PSD, mais do que nunca, procurariam teatralizar grandes diferenças para se distinguirem. Qual escolher?
Os portugueses preferirão alguém que é o responsável pelos últimos seis anos, ou alguém que nunca assumiu responsabilidades? Incompetência ou inexperiência? Escolherão um currículo com licenciatura ao Domingo ou um CV resumido a “jotinha-líder”? Optarão por um estilo animal-feroz ou por um género mais Páscoa-Feliz? Preferirão um líder que finge que tem programa apresentando o anterior (com prazo de validade expirado), ou um líder que finge que tem programa chovendo propostas (com prazos de validade inferiores ao de um iogurte)? Um verdadeiro dilema, não é?
Não. O próximo inquilino de São Bento não será Primeiro-Ministro, nem sequer um gestor. Tratar-se-á apenas de um porta-voz. Logo, sem ideias e sem personalidades, as craveiras do PS e PSD descobriram uma terceira via para se diferenciarem: insultos. O concurso já abriu e é bastante foleiro. Mas foi o que se arranjou.
Publicado no Correio da Manhã
quarta-feira, 27 de abril de 2011
AMOR À PATRIA
Em toda a Europa, discutem-se novos caminhos para a sua construção, a intervenção em Portugal (nomeadamente considerando o fracasso na Grécia e na Irlanda), debate-se a criopreservação da democracia que essas operações têm implicado. Por cá, impera o consenso. E ainda se pede à troika que interfira estruturalmente no Estado, desde direitos sociais a questões fiscais. Roga-se-lhe que, sem ser eleita, governe o país.
Há quem pense que este coro se deve ao messianismo sebastiânico. Outros acreditam que se trata da espinha partida por quase meio século de ditadura. Alguns crêem que se deve a esse provinciano deslumbre pelo estrangeiro. Ou que, simplesmente, é uma admissão de incompetência. Nada disso. É tudo por amor. “Compromissos Portugal”, governos de salvação nacional, garantir o apoio dos maiores partidos para que o resultado das legislativas não altere as imposições externas, desprezar a vontade popular, tudo isso e muito mais é por amor. Afinal, adaptando uma velha tirada, se tivessem graça e franqueza (uma elevada improbabilidade, reconheça-se), à pergunta “Comprometeram-se pelo país por amor ou por interesse?” esses pastores unanimistas responderiam: “Deve ter sido por amor, porque interesse não tínhamos nenhum.”
Mais uma pausa
Mais uma pausa minha aqui no Córtex.Mas ainda tive tempo de ir à Bertrand avistar o promontório do Moledo na perpectiva de António Sousa Homem, e da sua sobrinha Maria Luísa, ambos muito bem representados por Francisco José Viegas e pela Joana Amaral Dias...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma boa ideia
Com a dissolução da legislatura as comemorações do dia 25 de Abril foram obrigadas a romper com hábitos instalados.A ideia de Cavaco Silva em convidar os antigos presidentes a discursar em Belém apaziguou os espíritos desconfiados.Estou com curiosidade em seguir a liga dos presidentes.
sábado, 23 de abril de 2011
Por que cai o Presidente?
O Presidente deu um grande tombo no barómetro da Markteste.O maior desde o ano dois mil, onde havia menos que contar.Mas não deixa de ser surpreendente que Cacaco Silva mal tenha dissolvido o parlamento por uma espécie de dupla unanimidade dos partidos e dos conselheiros de Estado se veja envolvido neste descontentamento cruzado.Por que cai o Presidente? Deve ter ficado algo por esclarecer.Um vazio qualquer de poder...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O meu deputado inesquecível
Conheci Jorge Strech Ribeiro nos idos dos anos sessenta, entre Lisboa e Coimbra.Mais Vává do que o Choupal, para dizer a verdade.O teatro dava para muito mundo nessa altura.O Citac e o Teuc despertaram mais vocações políticas e revolucionárias do que teatrais.
Até 1980 praticamente não mais me cruzei com o «Strech».Mas lembro-me muito bem de uma «negociação» nesse ano para apoio do General Eanes.
Foi porém em 1995 que a nossa amizade geracional retomou todo o seu sentido no grupo parlamentar do PS.Responsabilidade e firmeza marcaram um número informal e impreciso de consciências livres e alertadas que discutiam, apresentavam projectos, declarações de votos, votações ditadas pela liberdade de consciência.Foram dez anos de combates suplementares, mas onde ainda havia liberdade, entusiasmo e alegria de viver.
O meu tempo de deputado terminou em 2005 no momento certo para mim.Mesmo assim, embora não alimentasse qualquer ilusão sobre os novos tempos, sabia que lá no fundo o Jorge Strech não se conseguiria domesticar inteiramente e manter-se-ia até ao fim como um rebelde tranquilo.
Agora desapareceu das listas em que ninguém o tivesse saudado como mereceria.
PS-Marques Júnior que se alimentava das mesma seiva também foi abatido ao efectivo.Mais ou menos pela mesma cultura dominante.
Até 1980 praticamente não mais me cruzei com o «Strech».Mas lembro-me muito bem de uma «negociação» nesse ano para apoio do General Eanes.
Foi porém em 1995 que a nossa amizade geracional retomou todo o seu sentido no grupo parlamentar do PS.Responsabilidade e firmeza marcaram um número informal e impreciso de consciências livres e alertadas que discutiam, apresentavam projectos, declarações de votos, votações ditadas pela liberdade de consciência.Foram dez anos de combates suplementares, mas onde ainda havia liberdade, entusiasmo e alegria de viver.
O meu tempo de deputado terminou em 2005 no momento certo para mim.Mesmo assim, embora não alimentasse qualquer ilusão sobre os novos tempos, sabia que lá no fundo o Jorge Strech não se conseguiria domesticar inteiramente e manter-se-ia até ao fim como um rebelde tranquilo.
Agora desapareceu das listas em que ninguém o tivesse saudado como mereceria.
PS-Marques Júnior que se alimentava das mesma seiva também foi abatido ao efectivo.Mais ou menos pela mesma cultura dominante.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
O FMI ainda é expulso da UE
O relatório semestral do FMI, publicado a 15 deAbril não traz boas notícias para o sistema bancário europeu no seu conjunto.O relatório chama a atenção para um «muro da dívida», cuja maturação ocorrerá dentro de dois anos,com acrescidas necessidades de refinanciamento, sobretudo da banca privada alemã e da irlandesa.O racio do capital próprio dos bancos também não se apresenta saudável.
Chama-se a isto viver perigosamente.
Chama-se a isto viver perigosamente.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Cabeça de lista por Leiria
Na tipologia dos cabeças-de-lista, há muito que ganhou direito de malícia o número um pelo círculo de Leiria, pelo menos no que diz respeito às listas do PS.Não sei quantos já passaram pelo lugar.Agora é Basílio Horta que se estreia nas lides.Mas não é caso para escândalo.Começou por ajudar o Drº Mário Soares a meter o socialismo na gaveta no governo PS-CDS-o que terá feito com maior convicção do que muitos.Democrata -cristão para a eternidade, sempre dará alguma consistência ao aguerrido grupo de deputadas independentes que estão dispostas a trocar uns feriados laicos por alguns outros concordatários.
Pés de lista
Não sei como designar a metade dos cabeças de lista do PSD que ficou enquadrada pelo plano inferior do camara-man, numa destas estações mais sucintas.Pés de listas? Mas as caras não valem nada?Ainda vi Francisco José Viegas a descer do Marão sem gravata, mas juro que não vi metade da missa.E como gosto de umas fotografias para mais tarde recordar!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Milagre da Lapa
Os navegantes portugueses transformaram o Cabo das Tormentas no Cabo da Boa Esperança. Para os militantes da Lapa, Passos Coelho alcançou o contrário. Em poucos meses passou de “o próximo primeiro-ministro” a “mais recente aquisição da geração à rasca”. Depois de seis desgastantes anos de governação socialista, com o país a rapar o fundo ao tacho, após os sucessivos escândalos-Sócrates, o timoneiro do PSD conseguiu descer nas sondagens. E não é que tudo se deve ao seu mérito? Como o melhor que os sociais-democratas arranjaram foi alguém cujo CV tem como maior destaque “ex-líder de uma jotinha”, talvez não devesse surpreender. Mas comove.
Passos Coelho caiu em todas as ratoeiras que Sócrates causalmente lhe lançou. E ainda conseguiu entalar-se sozinho. Desde um aberrante projecto de revisão constitucional ao programa que não nasce, das contradições com os PECs à peta do “foi só um telefonema”, desde Nobre ao IVA, o “homem invulgar” já estrebucha para se manter à tona dentro ou fora do seu partido e arrisca-se a ser tanto primeira vítima da nova época balnear, como o salva-vidas de Sócrates. É obra e os debates televisivos ainda nem sequer começaram. Mas calma: alguém que afirma que Passos Coelho é um grande estadista. É Alberto João jardim e isso diz tudo.
Publicado no Correio da Manhã
sexta-feira, 15 de abril de 2011
The dark side da didadania
Fernando Nobre nem sonha com os dias que estão para vir.A mercancia daria para um honroso cargo de deputado ,quiçá com uns perfumes do lado na cidadania.Assim Mota Amaral e Jaime Gama irão ser eternanente lembrados. E depois não se troca um Pacheco Pereira por maus fígados
quarta-feira, 13 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
FOI SÓ UM PESADELO
Num país distante, há muitos muitos anos, governo, Presidente e o maior partido da oposição seguiram a linha política X para resolver os problemas nacionais. Mas essas medidas só criaram mais dificuldades. Ainda assim, o governo queria mais X. Já o Presidente declarou que, afinal, essa linha estava errada pois existiam limites para os sacrifícios impostos aos cidadãos. Solução? Pedir intervenção internacional, nada mais, nada menos do que a linha política X + X.
O maior partido da oposição também achou que a população não aguentava mais X porque “mais X” não era “suficientemente X”. O governo caiu. A intervenção X+X acabou por ser chamada. Nessa longínqua pátria, o governo que fora criticado por tentar adoptar mais X sem dialogar foi depois aplaudido por pedir X+X sem dialogar. O executivo que afiançara ser bom governar com X mas inadmissível com X+X, jurou então que queria ganhar eleições para governar com X+X. Deste modo, um mês antes do escrutínio, o destino do país estava decidido. Governo e maior partido da oposição apresentaram-se a eleições discutindo apenas quem tinha a responsabilidade de X e a de X+X, embora ambos a tivessem, claro. E nunca mais se lembraram das consequências dessa cruz em cima dos cidadãos. Muito menos do restante alfabeto.
Publicado no Correio da Manhã.
PASSIVO-AGRESSIVO
As legislativas de 2011 fazem sentido para todos os que são contra a austeridade. Para os que a defendem, esse pedido pode até ser legítimo mas só se compreende pela vontade de “ir ao pote” (para empregar a expressão de Passos Coelho). Já para Cavaco Silva, que advoga a actual política (lembremo-nos de Eduardo Catroga), ocupa Belém com a inerente função de árbitro e recentemente garantiu que seria insustentável somar crises, nada dizer e limitar-se a marcar legislativas não é incompreensível. É inaceitável. Para isso qualquer burocrata bastaria.
No mínimo, mediante a maior crise em democracia, Cavaco deveria ter procurado formar outro governo sem dissolver o parlamento. Mas o seu erro não foi só pela ausência. Foi também por excesso. Afinal, ajudou à combustão com os discursos de vitória e de tomada de posse; com a imprópria nota dirigida a uma agência financeira; e com a sugestão que o governo de gestão pode chamar o FMI (o que muito agrada ao PSD).
Enfim, o Presidente tem-se calado quando devia falar e falado sobre o que devia guardar silêncio. Em vez da prometida magistratura activa, o país foi presenteado com uma magistratura passivo-agressiva. A única estratégia que nunca, mesmo nunca, deve ser adoptada em qualquer tipo de crise.
UM APELO ESPERANÇADO
Nesta altura, o país tem muitas dúvidas. E uma certeza: vença este PS ou o PSD, prosseguirá a austeridade que leva a mais austeridade, o PEC IV, V, N. Será inevitável? A última coisa que apetece é acrescentar mais crise. Mas, além da financeira, da economica- social, da dívida soberana, da Europa, existe a crise da esquerda. Do seu projecto. Daí que essa ala não tenha impedido nem as outras crises, nem que aqueles que as provocaram lucrem agora com elas.
Logo, ao PCP, ao BE, a muitos socialistas, sindicalistas, independentes e à esquerda órfã, a que continua não representada, não basta continuar a gritar que vem lá o Lobo. Devem juntar-se e, a partir das propostas já avançadas e outras que surjam, criar plataformas de compromisso. Essa base, articulada com a contestação a nível europeu, pode até apresentar ao PS um conjunto de condições mínimas para uma maioria de esquerda parlamentar. O actual PS nunca a aceitará? Provável. Mas nada dura sempre, o Largo do Rato não poderia continuar a vitimizar-se, o ónus da recusa seria seu e a semente ficaria lançada. Sobretudo, numas eleições que serão crispadas e profundamente marcadas pelo medo e pela lógica do voto útil, essa esquerda criadora mostraria que existe alternativa à barbárie. Essa mesmo que, de outro modo, triunfará.
Publicado no Correio da Manhã.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Uma pausa
Esta semana é um tempo de pausa nas minhas aparições públicas aqui no blogue e na televisão.Volto em breve.
Tempo republicano
Zapatero decidiu não se apresentar como candidato do PSOE a primeiro-ministro na próxima eleição.Fê-lo sem dramatismos inúteis, marcando um tempo e uma prática republicana na Espanha monárquica, dando todas as condições para a renovação do seu próprio partido.Uma lição a reter.A cultura política democrática é uma coisa muito bonita.
sábado, 2 de abril de 2011
A crise por unanimidade
Depois do intenso dramatismo opinativo da semana passada sobre os malefícios da instabilidade política seguiu-se a tranquila dupla unanimidade-dos partidos e dos conselheiros de Estado-sobre a dissolução da AR e a marcação de novas eleições, como forma de ultrapassar a demissão do primeiro-ministro.Como escrevo no Correio da Manhã: «A conclusão é clara: todos queriam eleições antecipadas». O PR nem teve de esfregar as mãos.Guarda a «magistratura activa» para outra ocasião?
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