Na Itália pós-fascista, um milanês construiu um poderio têxtil, uma mansão mussolini e um clã de três gerações. Não sem atropelos. Eu sou o amor revela com calma como um império aniquila valores e pessoas, nos negócios e na família. E como mundando uns, mudam os outros. O mundo industrial transforma-se com a globalização e corre uma narrativa paralela, de pormenor antropológico, sobre privilégios de classe e mudança social. O universo familiar também se metamorfoseia. Logo na inicial festa de anos do chefe de família, percebe-se como um patriarcado anula alguns dos seus próprios elementos e que algo leveda debaixo da aparência de lustres e espelhos: coligações, lealdades, sacrifícios. Sobretudo, ânsia de libertação. Aliás, Eu sou o Amor começa com um aniversário, como se festejasse a vida, quando à mesa se sentam mortos. E termina com um funeral, como qualquer coisa fenecesse mas quando, finalmente, algo nasce. O quê? A personagem que Twilda Swinton interpreta de modo ímpar e que passa de prisioneira de luxo a autora da sua vida.
Essa Emma foi reprogramada para ir de filha de um artesão russo a nora de um magnata europeu. Na pátria, deixou a sua identidade, o seu nome. O marido não lhe mudou só o apelido. Passou a ser outra, um autómato italiano perfeito, que cumpre meticulosamente o quotidiano agora ainda mais vazio com a adultez dos filhos. É uma boneca russa, condição reforçada, por exemplo, pelas cenas em que a criada ou o marido a despem como se fosse um modelo de trapos, pelo “Tu não existes” que esse lhe arremessa, ou pela breve audição da ária La mamma morta.
Mas esta mulher é também uma boneca russa porque tem, afinal, várias camadas. Uma das que sobreviveu à arrancada das origens, foram os paladares e aromas, memórias indeléveis. São elas os mediadores para o seu resgate, apaixonando-se por um jovem cozinheiro. Porém, a ênfase nos sentidos não corresponde à batida afirmação da sensualidade e remete para a importância simbólica das refeições nos rituais familiares, para os laços e responsabilidades numa tribo. Daí que a loiça se parta quando surge um prato com ingredientes secretos da Rússia. Quase tão impossíveis de despir como todas essas câmaras que Emma guardou debaixo da sua pele milanesa. Revelada essa multidão, ela diz à família: “Vocês já não sabem quem eu sou”. E quem é ela? O amor.
Esta última obra deste cineasta italiano é discreta, como a cozinha do amante. Sofisticada, sem a arrogância da nouvelle cuisine ou da nouvelle vague. Com raízes regionais, mas sem o agreste dos pratos típicos ou do neo-realismo. Não é perfeito. Mas o amor também não. E ainda bem.
A decisão do governo em usar a golden share da PT só pecou por tardia. O encaixe financeiro da venda da Vivo não justificaria a destruição de tanta capacidade de emprego qualificado, tecnológica e exportadora. O mercado funcionou. Considerou o interesse nacional e o futuro das pessoas. O brutal investimento na Vivo foi possível porque a PT nos impôs dispendiosos tarifários. Todos o pagámos. Agora que foi de sorvedouro a fonte, vendia-se?
Se a tendenciosa Europa declarar as golden shares ilegais, ficará claro que empresas estratégicas não podem ser privatizadas. Já incompreensível é o PSD. Reconhece que o negócio era ruinoso (melhor que certos jornais), mas condena essas acções. Alarma sobre a fuga de investimento, mas esquece-se que, sem golden shares, as empresas que foram públicas abalariam todas (incluindo as que ainda pretendem privatizar). Esta direita, cujo patriotismo é só do tamanho de um campo de futebol, defende a hegemonia espanhola e, como sempre, quer prejuízo público e lucro privado.
Seja como for, vê-se a força de uma operação bolsista. Esta provocou quatro divórcios. Ricardo Salgado separou-se das suas próprias posições (advogava centros de decisão nacionais). E de Sócrates. Já Cavaco Silva, distancia-se da sua antiga defesa das privatizações. E ainda deste PSD.
Contrariamente às aparências, Freitas do Amaral não se cansa da política.Regressou agora com o seu apoio à recandidatura de Cavaco Silva, e, como este, acha a situação do país insustentável.Para quem saiu do governo de José Sócrates por alegado cansaço físico, não há dúvida que recuperou depressa as energias.Assim Portugal o acompanhe na recuperação...
Depois da eliminação de Portugal no Mundial de Futebol, o ponto de situação institucional.Enquanto o PSD corre para a maioria absoluta, sufocando o CDS, o PS queda-se à espera do destino fatal.No Correio da Manhã.
Vou participar hoje numa sessão de homenagem a Manuel Tito de Morais, um resistente anti-salazarista cujo sentido do dever foi sempre adiante de qualquer ambição pessoal.O 25 de Abril também serviu para aquilatar esses diferentes pesos em cada um de nós.
Para quem seguiu de perto a selecção ,a eliminação perante a Espanha é mais natural do que parece.Só sofremos um golo na competição, mas também só marcamos num.Esse resultado perante a misteriosa Coreia do Norte enganou quem se quis deixar enganar.O resto foram burocráticos empates a zero.A passagem aos oitavos de final correspondeu aos mínimos olímpicos para um grupo que tinha Cristiano Ronaldo como cabeça de cartaz.Graças a Eduardo só perdemos por 1-0 contra a Espanha.Tudo isto vai custar muito caro à FPF na hora das contas...
Foram três semanas excepcionais, essas que passei na África do Sul para acompanhar a fase de grupos da selecção nacional.Venho bem impressionado de lá, embora estivesse no aldeamento turístico que foi assaltado logo no início!Porém, a resposta pronta e eficaz da polícia local e federal levou a que o sentimento de segurança renascesse entre os jornalistas que residiam no descampado. Aliás, a organização do Mundial revelou uma administração que respondeu aos desafios, tanto mais que havia preconceitos, e problemas reais, a ultrapassar.Dos quatro estádios que frequentei gostei particularmente do de Durban, belo, amplo e funcional.A entrada pela porta da Maratona é inesquecível.Espero que tenham lido as minhas crónicas para o Correio da Manhã que aliás continuam enquanto Portugal estiver na prova. Também tive oportunidade de contactar várias realidades sociais e étnicas do país, inclusive fazendeiros boers.Se todas as partes se continuarem a entender, Mandela pode ser mais feliz do que Gandhi.
Não sei o que a Alemanha, agora apresentada como um modelo de virtudes, aprendeu com o seu passado. Mas, a avaliar por esta notícia, não foi muito.
Responsáveis do partido conservador da chanceler alemã, Angela Merkel, defenderam hoje a exigência de testes de inteligência aos candidatos a imigrantes na Alemanha: «Devemos introduzir critérios que sirvam verdadeiramente o nosso Estado. Além de uma boa formação e de uma qualificação profissional, a inteligência deve entrar em consideração. Eu defendo testes de inteligência», afirmou ao jornal Bild Peter Trapp, porta-voz para os Assuntos internos da secção de Berlim da CDU de Angela Merkel. «Esta questão não deve ser mais um tabu», adiantou.
Eis um exemplo do que uma das mais recentes medidas do Ministério da Educação está a fazer ao país. Em 2007, a EB1 Capinha foi ampliada e requalificada, sofrendo um investimento directo de 250.000 € que permitiu requalificar as 4 salas de aula, a construção de um sala/atelier multimédia com 8 postos de trabalho ligados à internet e ferramentas multimédia, construção de uma cantina, remodelação dos sanitários, construção de um pátio interior para recreio e ginástica e requalificação total do espaço exterior da escola. Numa recente visita da Inspecção do Ministério da Educação ao agrupamento de escolas João Franco, o parque escolar da CAPINHA foi apelidado de FORMIDÁVEL, COM CONDIÇÕES EXEMPLARES PARA A APRENDIZAGEM.
Como o Ministério da 5 de Outubro vai fechar esta escola, não apenas este dinheiro vai pela janela, como se verificará num aumento exponencial dos custos directos com a alimentação (75%) e transportes escolares (525%), representando mensalmente um encargo adicional de 2.500€, verba suficiente para suportar o ordenado do(s) docente(s). Já para não falar das indemnizações por cessação dos contratos de trabalho do pessoal não docente.
Mas há mais. Mudando de escola, muitas destas crianças de 5 e 6 anos terão que fazer dezenas de quilómetros diários e perderão (ou dificilmente conseguirão conjugar) os apoios sociais e pedagógicos desenvolvidos pela autarquia local, que vão desde o Atelier de Tempos Livres e Multimédia às aulas de natação.
Por fim, note-se que este encerramento provocará, inevitavelmente, um êxodo populacional para outras localidades. Neste caso, é um decreto de morte desta povoação.
*informações cedidas por Rogério Emanuel Palmeiro, Presidente de Junta de Freguesia da Capinha.
Independentemente dos prós e contras das SCUTs e antes que o governo volte a mudar de opinião, agradeciam-se algumas respostas (a remeter para o Ministério das Obras Públicas):
1) Se grande parte das receitas arrecadas com as portagens nas SCUTS viriam dos utilizadores regulares, para que serve isentar esses mesmos casos?
2) Se essas verbas deixam de ser significativas, não seria melhor renegociar os contratos com os privados? Ou cobrar impostos temporários aos concessionárias das auto-estradas?
3) Tal como a via verde, o chip só tem utilidade para quem circula habitualmente em algumas estradas. E custa dinheiro. Mas se os utilizadores regulares são isentos, a quem interessa esse dispositivo, para além da empresa que o produz?
4) Porque motivo a condição de “residente”não é também aplicada aos utilizadores regulares das pontes sobre o Tejo, por exemplo?
5) E os “utilizadores excepcionais” como os turistas? Também serão obrigados a comprar um chip?
6) Os milhões que o Estado gastou com as SCUT e com os sistemas electrónicos de cobrança não pagariam boas estradas alternativas?
7) Será que este governo não pode também fazer-se à estrada, instalando previamente um chip, um que apite sempre que tentar entrar no país?
A estada de Fernando Pessoa na África do Sul, designadamente em Durban, não impregnou a sua literatura, ao contrário do lugar comum sobre "as raízes". Pelo menos, não deixou marcas como as impressas por Lisboa, capital que ascendeu ao estatuto de cidade literária, como a Praga de Kafka, pelas mãos do poeta. Mesmo assim, encontram-se na sua obra algumas referências a esse continente.
Pessoa fez quatro viagens entre Lisboa e Durban, mas só uma pela costa oriental de África. Aos 13 anos, passou pelo canal de Suez e avistou Zanzibar e Dar-es-Salam. Nas suas viagens pela costa ocidental, o autor da Mensagem conheceu a Cidade do Cabo e as Canárias.
Várias seitas judaicas disputaram o calendário samaritano ou fariseu, para dominar os respectivos grupos. Semanas de 10 dias, meses com nomes como Vindario: o calendário revolucionário francês simbolizava a queda do antigo regime e o início de outro. Os calendários organizam. Sobretudo, regem a ordem social. São um contrato. Daí que muitas guerras pelo poder correspondam a contendas de calendário. Controlando-o, controlava-se um povo.
Duas deputadas do PS querem mudar os feriados e invocam a produtividade, optando pelo modelo chinês quantitativo. Mas não qualitativo, seguido noutros países europeus com mais feriados/férias, onde se trabalha melhor menos horas. Propõem que fiquemos com seis feriados religiosos e três civis e que só estes sejam móveis evitando pontes, como se o Estado não fosse laico, o que foi reforçado pela igreja que invocou o direito a interferir. E falam do excesso de feriados, mas pretendem um novo intitulado “dia da família”.
Estas duas deputadas católicas não são Júlio César ou Gregório XIII. Também não querem mudar toda a organização cronológica. Só quatro feriados. Mas as suas propostas são pequeninas disputas da identidade colectiva. São o chamado fazer a folha. Enfim, é pegar neste calendário cor-de-rosa e virar a página.
Fiquei genuinamente satisfeito pela atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago. Por ele e pela língua portuguesa.
Por ele: embora o personagem não me seja inteiramente simpático, e tenha detestado e combatido a sua passagem pela direcção do Diário de Notícias, confesso que há aspectos na vida dele que me suscitam um profundo reconhecimento. Desde logo pela sua afirmação cultural individual: José Saramago nada deve ao sistema escolar português selectivo, elitista e abundantemente estéril como a ditadura do pensamento que o ergueu.
Nem os estudos secundários os completou o Nobel da língua portuguesa. Não foi pois o sistema formal do ensino que lhe suscitou a gramática e a criatividade artística. José Saramago, Prémio Nobel, é uma obra exclusivamente sua.
Esta vitória do ribatejano, precocemente envolvido na cidade de Lisboa e na necessidade de ganhar o pão de cada dia, sobre a fatalidade de uma vida mecânica e da segregação cultural deve-se certamente a um sopro especial do seu espírito, mas sobretudo à vontade de combater a injustiça social.
Seja como for, a criatividade literária e artística de José Saramago não lhe foi facultada ou induzida pelas escolas portuguesas do tempo da ditadura. Numa terra de doutores, ele afirma-se do lado do país para quem a escola não chegou.
Leu muito, é o próprio que revela. Na entrevista publicada no jornal madrileno ABC da última sexta-feira - uma entrevista muito interessante -, José Saramago repete por ordem os seus escritores de referência: Gogol, Kafka, Montaigne, Cervantes e o padre António Vieira.
Curiosamente, afasta Fernando Pessoa dos seus monumentos, mas Vieira lá está a explicar o gosto pelo barroco que me retrai.
Percebe-se o apoio estilístico no escritor, que acede à literatura um nada antes da ave de Minerva lhe aparecer no horizonte.
Deriva dessa serôdia colheita artística outro dos motivos da minha admiração pessoal por José Saramago.
Por acaso das circuntâncias creio ter assistido ao desabrochar de Saramago como grande escritor no início dos anos 80.
Nesses anos de "refluxo revolucionário" ou de "normalização democrática", conforme as perspectivas, passávamos grande parte das nossas férias de Verão na Arrábida, na Estalagem de Santa Maria, entregues à qualidade de vida e aos cuidados de Sérgio Gama e de toda a família.
O paraíso na sua eternidade ter-se-á modelado naqueles instantes.
Na ampla esplanada, os conhecedores escolhiam os seus lugares. Recatado, José Saramago trabalhava, e só o podia fazer até à meia-noite, hora certa para Sérgio Gama mandar todos para a cama ao desligar o motor que fornecia a energia eléctrica. Mais expansiva (ou mais crente), Isabel da Nóbrega descobre-nos o segredo: o ex-director do Diário de Notícias aceitara uma encomenda do Círculo de Leitores para escrever um livro sobre as diferentes regiões de Portugal e estava então a terminá-lo. Isabel da Nóbrega afiança-nos (a mim e a Maria Emília) que o José está a amadurecer e que as letras portuguesas se irão enriquecer.
Fiquei sensibilizado. Uma mulher verdadeiramente culta é por excelência uma anunciadora. Olhei de longe para Saramago e vi um homem que queria renascer de outra maneira na república. E de facto os anos 80 vão revelar aos portugueses um escritor pujante, trabalhador e original, que há-de conseguir o primeiro Nobel da Literatura para a língua portuguesa. Contra muitos, dentro e fora do País. Saramago é um insubmisso aos poderes constituídos. Ele personifica o esforço do indivíduo para se manter livre numa sociedade adversa.
Como escrevi no início deste artigo, fiquei satisfeito por ele e pela língua portuguesa. Por ele algo mais haveria a dizer e muito será ainda dito por outros. Pela língua portuguesa que levou cem anos para alcançar este reconhecimento internacional.
Recordo as más memórias das correntes pró e contra Aquilino Ribeiro, pró e contra Miguel Torga num país ainda provinciano e desconhecedor do que o mundo pensava dele. Depois as probabilidades de um Nobel deslocaram-se para a literatura brasileira, e de novo para a nossa.
Há males que vêm por bem: o atraso na atribuição do Nobel da Literatura permitiu que este chegasse quando a língua portuguesa mais dele precisava para a sua afirmação como língua internacional.
É verdade que a língua portuguesa é falada por cerca de 200 milhões de pessoas, mas é falada para dentro desse universo, sendo a sua saliência exterior quase nula.
O Brasil é a matriz dessa atitude: a língua portuguesa é um factor de comunicação e coesão internas sem que as elites brasileiras a promovam como língua internacional. O mesmo se passa nos países africanos, embora com a particularidade de a língua portuguesa ser uma das línguas oficiais da OUA.
O Estado português acaba assim por ser o mais interessado no reforço da sua língua oficial como língua internacional, e desde logo na Europa, onde está deveras ameaçada. E é bom aproveitar estes momentos de euforia nacional para alertar os mais distraídos sobre os perigos que se avizinham nesta matéria.
É verdade que o Prémio Nobel da Paz já agraciou duas personalidades que falam português, como Ximenes Belo e Ramos-Horta. Porém, agora, o da literatura pode afirmar a nossa língua no século XXI, como João de Barros e Camões contribuíram para que ela se não perdesse entre os séculos XVI e XVII.
* Artigo de José Medeiros Ferreira, no "Diário de Notícias" de 13 de Outubro de 1998 e aqui publicado a seu pedido.
O facto mais relevante da passagem do 25º aniversário da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Europeia foi a ida a Bruxelas de uma equipa de banqueiros portugueses para sensibilizar a Comissão para os seus pontos de vista sobre as recomendações de Basileia para uma maior regulação internacional da banca, sobretudo em termos de rácios.Tudo bem.Mas o sintoma de falta de confiança na diplomacia estatal é claro.Esperemos pelos resultados.Entretanto podem ler o meu artigo no CM de sexta-feira.Nele recomendo a publicação de um livro branco sobre as negociações monetárias e financeiras em que o Banco de Portugal e os governos portugueses estiveram envolvidos em 1992 e 1998 para a entrada no sistema monetário europeu, e que retiraram competitividade à economia portuguesa.
A chamada “Legislação Laboral Especial” proposta por Passos Coelho visa alargar para três e quatro anos a duração dos contratosa prazo, que hoje vão de 18 meses a dois anos, e permitir renovações ilimitadas desta deste tipo de precariedade laboral. Claro que o PSD diz que seria temporário, até 2013, 2014 (pelos vistos acreditam mesmo que a crise terminará por aí). O “raciocínio” que subjaz a esta medida é uma completa distorção. As actuais dificuldades das empresas não se resolvem precarizando (mais ainda?) o mercado de trabalho, mas antes com incentivos ao emprego, com crescimento. Como, aliás, o passado demonstra. E propostas nesse sentido, o PSD tem zero. Adiante.
Para que os empresários não receiem “arriscar na criação de postos de trabalho”, o PSD pretende que os trabalhadores fiquem com o risco, como se a actual legislação fosse responsável pela crise e contribuindo para agravar as condições de trabalho, fragilizando e desequilibrando ainda mais as relações laborais. E como a direita portuguesa passa o tempo a criticar o Estado mas não sabe viver sem ele, género “Bem prega Frei Tomás”, o PSD quer que sejam os cofres públicos a pagar os salários devidos pelas empresas, permitindo a acumulação parcial do valor do subsídio de desemprego com o salário quando este lhe é inferior. Que liberais.
Para Cavaco Silva a prioridade sempre foi a popularidade. Por isso ignora o essencial ou insiste num discurso anti-políticos, falso (governou 10 anos) e perigoso. Mas, agora, o PR vive para escapar à crise e ser reeleito. Vejam-se as declarações do 10 de Junho.
Este outro candidato poeta e patriótico falou da identidade algarvia e do seu “abraço permanente com o mar”, revelando um desfasamento do Algarve actual, da contemporaneidade, como sucedeu com a recente exaltação do turismo doméstico. Sobretudo, contradizendo-se já que clamou pela coesão, mas destacou uma só região e apelou à “repartição dos sacrifícios”, sabendo-se que os seus executivos muito aumentaram as desigualdades e que agora apoia os PEC. Aliás, o PR referiu-se à crise como inevitável, isentando de encargos os governantes (inclusive o próprio), como se a culpa fosse de (quase) todos em geral e de ninguém em particular. E afirmou, inconsequentemente, que "chegámos a uma situação insustentável", sem avançar soluções.
Eis um inquilino de Belém que defende férias “orgulhosamente sós”, mas Algarve para pesca, que não tem nem responsabilidades nem alternativas e cuja política é imobilista e eleitoralista. Na presente situação Portugal desespera por um PR. E apenas leva com um candidato dos anos 80.
No dia mundial da criança e no centenário da República, o Ministério da 5 de Outubro anunciou um encerramento massivo de escolas (900), invocando um mínimo de 21 alunos. Este critério é o grau zero na política da educação. Nada indica que mudar 15 mil crianças para escolas maiores garante mais resultados e a hiper-escola vai contra as melhores práticas. E bom senso. Muitas crianças perderão horas diárias em deslocações para estabelecimentos a abarrotar. Talvez a Ministra depois escreva “Uma aventura... numa escola abandonada”.
Mas Sócrates tem “Ordem para fechar”. Tem acabado com maternidades, postos dos CTT, caminhos de ferro, urgências. E escolas, único local para reunião de muitas populações. Só escapa a via rápida. Se for para apascentar construtores, já se considera o interior. Enfim, Mário Lino só estava incompleto. Não é o sul que é um deserto. Em breve, o país será um castelo de areia com um oásis litoral e uma imensa estrada que leva ao nada.
É esse o Estado Socrático: o Estado dos cidadãos de primeira e de segunda, em que todos pagam impostos, mas os que vivem no interior limitam-se a poder votar; o Estado dúplice, máximo nos deveres (nomeadamente fiscais) mas mínimo nos direitos. Um Estado injusto, iletrado, inseguro. Cujo governo deveria ser rapidamente encerrado.
Aviso todos os interessados, e mesmo os menos interessados, de que estou a enviar, directamente da África do Sul, uma crónica diária para o Correio da Manhã sobre o Mundial de futebol.Título da rubrica: Pontapé de Canto.Mais informações nos Bichos-Carpinteiros.
É um acaso.Estou na África do Sul para acompanhar o Mundial de Futebol ( imagino o estupor que tal coisa pode causar no João Gonçalves!), e escrevo hoje no Correio da Manhã sobre o périplo não-europeu do primeiro-ministro â Venezuela, ao Brasil e a Marrocos.A U.E.começa a exigir mais do que dá.Há que ir buscar fora. Nota: detesto os dogmáticos europeístas portugueses, filhos dilectos da mentalidade acrítica dos africanistas seus pais.
O ano passado ainda tivemos o discurso autêntico do António Barreto.Este ano nem isso.Pompa e ainda maior circunstância.Os sinais políticos do Dia não vieram dos discursos.
O meu artigo de hoje no Correio da Manhã entra em diálogo com Mário Soares sobre que« erros graves», o PS tem cometido ultimamente, e sobre o facto de eu acentuar erros distintos dos apontados pelo insubstituivel fundador do PS.
O anúncio do fecho de cerca de 500 escolas pelo país fora pode animar as perspectivas de redução da despesa mas é uma má notícia para a educação e para a coesão territorial e social.Sobretudo o critério do número de alunos parece-me escasso para tomar uma decisão dessas. Esse dado deve ser combinado com outros, como a distância e o tempo que as crianças vão ser obrigadas a percorrer para receberem a instrução noutra escola e noutro lugar.Embora a responsabilização dos municípios seja indispensável para a manutenção de um máximo possível de estabelecimentos de ensino abertos.Confio na recta intenção da ministra Isabel Alçada.
O tema é recorrente: de vez em quando fala-se dos portugueses convidados para participarem nas reuniões do Clube de Bilderberg. Durante muitos anos os jornais não referiam o meu nome e não vinha mal ao mundo por isso.Mas desde que alguém consultou a lista, que é pública, lá me telefonam para confirmar. Ontem foi o jornal I.Acontece que fui, de facto, convidado duas vezes, em 1977 quando era Ministro dos Negócios Estrangeiros, e , em 1980, quando já o não era.Nessa última vez, alguém do Steering Committee, perguntou-me que nomes eu sugeriria, de outras correntes políticas em Portugal,para futuras reuniões.Lembrei-me de Francisco Balsemão, entre outros, como se escreve na imprensa.Não sei se foi por isso, se por mera coincidência, o certo é que o futuro primeiro-ministro acabou por ser o grande cooptador dos portugueses que participam nas reuniões daquele pacífico clube.Tenho a impressão de que leva poucas negas...
Manuel Alegre esteve bem na primeira fase da entrevista dada a Judite de Sousa, que não foi particularmente acutilante.Pareceu-me sereno, como se tivesse atingido um objectivo íntimo.Depois cansou-se das perguntas e tratou Cavaco Silva como um colega de infortúnio.Mas vai ter de explicar melhor qual será o seu contributo para mudar a situação de Portugal.
Israel está a empurrar a poderosaTurquia militar, membro da Nato, para o campo dos seus inimigos na região.Mais do que um crime é um erro, como se diz.
Os políticos alemães não são como os portugueses.Se é necessária uma crise política para ultrapassar um impasse eles vão em frente.Não se agarram à fragilidade.O Presidente da República Federal , Kohler, teve várias atitudes polémicas no respeitante à guerra no Afeganistão.Demitiu-se.Os «europeus» como nós não conseguem compreender.Mas a crise na Alemanha é de carácter internacional.Vai continuar até Ângela Merckel mudar de coligação, pelo menos.
No sábado não fiquei com uma imagem muito clara do tamanho da manifestação promovida pela CGTP em Lisboa, e até me pareceu que ela tinha ficado um pouco aquém das expectativas dos seus organizadores.Mas hoje já ouvi tantas vezes citada essa manifestação no programa Prós e Contras que concluo que a sua importância política se revelou maior do que o tamanho.
O Cardeal expressou-se mal sobre a contabilidade dos votos que Cavaco Silva teria ganho caso fosse mais coerente com os seus valores religiosos no caso da promulgação da lei sobre casamento entre pessoas do mesmo género. Com os Torquemadas à solta, Cavaco apareceu, imóvel, mais centrista.
Para quem, como eu, participou, há 5 anos, na campanha presidencial de Mário Soares, não é difícil prever o que se vai passar com a candidatura de Manuel Alegre, agora com o apoio dos dirigentes do PS.
A sondagem do Diário Económico, que «dá» o PSD a caminho da maioria absoluta, e o PS a quedar-se nos 28%, leva-me a relembrar o que aqui escrevi sobre as últimas eleições na Hungria que deram uma vitória estrondosa à direita depois das medidas do FMI terem sido aplicadas com «coragem» por um governo socialista.Qual será então a recompensa para esses políticos tão bravos?
Os Ladrões de Bicicletas e o Politeia, dois blogues a ler sempre, exibem um video com uma importante intervenção de Cohn Bendit no PE. Este chama a atenção para a desrazoabilidade do que se está a pedir ao governo grego, e cita o exemplo de políticos que perderam eleições por muito menos.Aponta para Durão Barroso, que faz sinais, negando.« Não,Barroso nunca perdeu eleições.» enfatiza Cohn Bendit.Assim se mata um político.
Estive quarta-feira no programa de debate da RTP-Açores, Prova das 9, excelentemente conduzido pelo jornalista Rui Goulart, e com a participação dos comentadores fixos Gilberta Rocha, Álvaro Borralho e Bastos e Silva.Há sempre um convidado diferente.Desta vez fui eu. O clima de cordialidade criado é um incentivo à troca de opiniões diversificadas.Raramente os intervenientes falam uns sobre os outros, sem deixarem de defender os seus pontos de vista com vigor.Um exemplo para muitos moderadores e para alguns programas do género.
Uma dos destaques do relatório da Amnistia Internacional sobre os direitos humanos no mundo em 2009 para Portugal é violência contra mulheres e raparigas, onde constam os 16 mil casos registados no ano passado pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).
Ainda ontem, Teresa Magalhães, autora do livro "Violência e Abuso - Respostas simples para questões complexas" (que é hoje lançado) e responsável da Delegação Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal. recordava como ainda banal e contagioso este tipo de agressão: "Viram os pais fazerem às mães, os vizinhos a fazer às vizinhas, e acham que é assim que se tratam as mulheres"; “Há muitas mulheres que continuam a achar "normal apanharem dos maridos"."As nossas famílias são espaço frequente de violência".
Hoje, um estudo da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas conclui que raramente os tribunais recorrem à vídeo-conferência - prevista na lei de protecção de testemunhas nos casos de violência doméstica - obrigando as vítimas a testemunhar na presença dos agressores.
Por lapso, a primeira opção da sondagem à vossa esquerda ficou "Entre Julho e Outubro de 2010". Deveria ser 2011. Na verdade, o erro corresponde à minha própria preferência. Já está corrigido, mas a votação voltou à estaca zero. As minhas desculpas a todos os que já tinha votado. Podem repetir ; )
A primeira sondagem do Córtex Frontal perguntava quem governa o país. A maioria (42%) respondeu que “Todos e Sócrates aos domingos, dias santos e feriados".
A distribuição dos restantes votos foi a seguinte:
Mercados e agências de rating- 17%
Bruxelas- 13 %
Ninguém- 13%
O PSD- 2%
Agora, a nova sondagem pergunta quando serão as próximas legislativas.
Ou seja, em plena crise a faca vai para oito medidas de apoio aos desempregados criadas há uns meses apenas. O Conselho de Ministros desta quinta-feira vai decidir a data em que as medidas vão ser retiradas. Avaliando pelos anteriores processos de calendarização e detalhe (IRS, obras públicas, transportes) prevê-se nova trapalhada. Seja como for, Sócrates acaba de lançar o maior apelo à manifestação deste Sábado.
Sinceramente não acho que Cabo-Verde tenha feito uma boa exibição contra Portugal.Não podemos estar sempre a falar bem dos outros e a desculpá-los com o pouco tempo de «entrosamento», sobretudo sem nada saber sobre como e onde decorreu o estágio da equipa insular.Foi uma pelada, foi o que foi...
No final de 2009, as estimativas globais de investimento nos projectos contratados ascendiam, em termos acumulados, a 28 mil milhões de euros. Em 2017, caso avançassem todos os investimentos que anunciados ultrapassar-se-ia a fronteira dos 50 mil milhões, o equivalente a contratar um projecto de alta velocidade por ano. É esta a fórmula mágica paga pelo Estado e aplaudida pela clientela do poder que tem sido seguida pelos sucessivos governos nos últimos 15 anos.
Vale a pena recordar estas declarações de Carlos Moreno ao Jornal de Negócios. Este juiz conselheiro do Tribunal de Contas, recentemente jubilado, conhece bem a gestão de recursos financeiros em empresas públicas e PPP e afirmou que o Estado não tem força suficiente para se defender da pressão dos bancos nessas parcerias. Aliás, o Tribunal de Contas tem avisado que as PPP assentam em contratos opacos, em mecanismos de monitorização muito frágeis e numa negociação com um número muitíssimo restrito de empresas do regime. Como também refere Mariana Abrantes, essa opacidade verifica-se na fase de contratualização mas, sobretudo, na fase posterior, nas renegociações e nos reequilíbrios financeiros.
Como das estradas aos hospitais, das pontes às barragens, não sobra área da provisão pública que não tenha sido abandonada à avidez, quer o interesse público quer a transparência orçamental vão às malvas. O Estado paga uma renda durante décadas, prestações encarecidas por um risco que, afinal, é assumido só pelos contribuintes. Os privados investem, controlam os equipamentos públicos e têm lucros garantidos. Mas depois passam o tempo a queixar-se do peso excessivo do Estado...
Perguntam-me se deve haver em Portugal um bloco central.Respondo que, quando for precisa uma coligação , ela deve ser de natureza mais geral..Mas acho mais urgente uma mudança de coligação na Alemanha com a saída dos liberais e a entrada do SPD.Daria outros resultados em termos europeus...
Passos Coelho revelou que numa noite abdicou de contrariar o aumento de impostos, em troca do Governo adiar algumas obras públicas que defendia. Rápida mudança de convicções. E em menos de 24 horas o PSD alterou a sua ameaça de uma moção de censura (caso a Comissão de Inquérito concluísse que Sócrates mentiu), para a formalização do fim desses trabalhos. Aliás, o presidente social-democrata especializou-se em ser oposição de manhã e vice-primeiro-ministro à tardinha. Ou seja, o Bloco Central encontra-se numa relação do tipo é só uma noite (de cada vez). E não assume um compromisso.
É um laço tenso. Sócrates quer liderar os passos. Mas precisa do par e arrisca-se a que pareça que já não governa. O líder do PSD quer dois passos à frente e um atrás: tanto as piscadelas e a imagem de responsabilidade, como a imputação apenas ao governo das pisadelas aos portugueses. Mas ainda tropeça na pirueta. Enfim, até às presidenciais, haverá mesmo um tango, coreografia dura de rostos virados, braço de ferro bailado, em que ambos farão uma prova de resistência.
Depois, PS e PSD ou vão do tango ao Kung Fu, ou oficializam a aliança. Mas nessa altura o país já estará de tanga. A não ser que, entretanto, uma outra resistência venha para a rua dançar.
O felizardo do Pedro Correia encontrou, no último dia da Feira do Livro, o derradeiro exemplar do livro do Francisco José Viegas, Crime em Ponta Delgada, que considero uma espécie de fonte histórica sobre o clima político e social que se viveu na ilha de S.Miguel nos anos de braza da revolução e do separatismo.Tenho-o procurado em vão, para oferecer aos meus amigos, e não só.O Francisco anda a prometer-me uma nova edição , mas com aquele ar malandro de quem não se compromete...
Leio que o Ministro das Obras , António Mendonça propõe uma reunião tripartida entre Portugal, Espanha e França para sensibilizar Bruxelas a considerar a linha de TGV Lisboa-Madrid-Paris prioritária em termos de financiamentos comunitários.Defendi essa iniciativa no Ateneo de Barcelona, numa conferência organizada pelo Consul-Geral Futcher Pereira em Novembro do ano passado. Como, aliás, dei conta nos Bichos Carpinteiros.
Hoje em dia vou mais vezes ao teatro do que ao cinema.Tenho um velho amor pelo teatro, e cheguei a escrever umas pecinhas inspiradas em Pirandello quando tinha vinte anos.O texto e a interpretação ocupam o núcleo central da minha atracção.O repertório de uma companhia, ou de uma cidade, fornecem-me matéria de reflexão sobre o estado da arte e da sociedade.Por todas essas razões assisti com intensidade à primeira parte do espectáculo no CCB com alguns dos últimos textos de Harold Pinter.Comemoração é um encanto de coisas banais sobre gente fútil. Nova Ordem Mundial, sobre a tortura, logo a seguir, como no «alinhamento» de um telejornal em que tudo se mistura em poucos minutos, é um soco no estômago.Abraço para o Jorge Silva Melo.
Berlim e Paris não acertam com as sanções a aplicar ao flanco sul da Europa.O governo alemão quer seguir a via da multa financeira aos países com dificuldades orçamentais, acrescentando dívida à dívida como se costuma dizer.Já Sarkosy é adepto de uma sanção mais política: a suspensão do direito de voto nos conselhos de ministros da UE para aqueles Estados membros.Tudo em nome do euro.E do directório.
Ontem, na entrevista ao primeiro-ministro, Judite de Sousa e José Alberto de Carvalho chegaram fatalmente aos cortes nos ordenados dos políticos.Eles que devem ganhar mais do que qualquer governante.Há aliás muita gente em Portugal a opinar e a dispor do sacrifício dos outros como quem tem bula para o que der e vier.E não me refiro só aos jornalistas.
O PCP apresentou uma moção de censura dentro da mais estrita lógica partidária.Não esperou pelo fim da comissão de inquérito, não esperou por nenhum outro apoio parlamentar.Apresenta as suas razões contra o governo com chumbo certo.Para se desobrigar de votar alguma outra que apareça com pressupostos diferentes? Para guiar a contestação social na rua?
Não sabia que Saldanha Sanches estava doente.A última vez que o vi foi na ópera.A primeira na cantina da cidade universitária em 1963.Pertencia a um grupo de estudantes vanguardistas e muito cultos como Salgado Matos ou João Bernardo que discutiam até à exaustão os mais árduos temas ideológicos da altura.Voluntarioso, foi preso, em 1964, de uma forma assaz diferente da tipologia da repressão exercida sobre os estudantes pela polícia política: atingido a tiro quando distribuía, na baixa de Lisboa, propaganda revolucionária.Foi expulso de todas as universidades portuguesas em 1965, num processo disciplinar movido pelas próprias autoridades universitárias em que também fui atingido. Foi então que lhe perdi o rasto.Presumo que desiludido com a actividade política depois do 25 de Abril retomou a carreira universitária na sua madrasta Faculdade de Direito. Nunca o vi deixar-se amachucar nem por uma coisa nem por outra.Seguia uma espécie de destino pessoal que lhe dava muita força e altura de vistas.
Um blogue dedicado a datas recorda que os Bichos Carpinteiros fazem hoje cinco anos.Tem mais do que a maioridade em termos blogosféricos.É meio-irmão do Córtex, e continua a receber visitas, e colaboração sentimental.De vez em quando perguntam-me por ele.Lá está.Com o nome de todos os colaboradores que lhe queiram dar vida.
No que diz respeito à União Europeia, a crise da zona euro veio demonstrar que das novas figuras das reformas do Tratado de Lisboa fica apenas, e por enquanto, a ponderação de votos no Conselho de Ministros.A justaposição de presidentes da União e do Conselho é um desastre cumulativo.O próprio presidente da Comissão perde a pouca força política que adquiriu com Jacques Delors.Como sempre ninguém é responsável por coisa alguma quando as coisas correm mal a nível europeu.Nem o directório funciona.Está na hora do Parlamento Europeu, mas quem acredita?
O papa citou o cardeal Cerejeira, homenageando a ditadura de Salazar. O Estado surgiu curvado em vassalagem e oportunismo. A comunicação social rejubilou incessantemente com detalhes patéticos. Meio país entreteve-se com a bola, a festa que foi e o mundial que virá. O governo, engajado com o PSD e Bruxelas mais feudal que federalista, optou por castigar quem ganha 5 e poupar quem leva 5000, garantindo que não há alternativa.
No centenário da República, quase quatro décadas após o 25 de Abril, eis Portugal dirigido por gente sem rasgo ou coragem, a insistir na pá que nos cava o túmulo e que já perdeu a vergonha ou até o medo do ridículo. Sócrates diz que a nossa economia está bem, mas como os outros estão a controlar o défice, temos de fazer o mesmo. Passos Coelho pede desculpas pelas medidas que defende. Tudo isto seria hilariante não fosse o aumento de impostos praticamente igual para todos, o aumento geral do IVA ou os cortes do défice sempre à custa dos salários e nunca dos lucros, levar quem apertou o cinto tantos anos, a ter de agora apertar a garganta. Assim, não é cómico. É uma tragédia. Provavelmente, grega.
Gosto de feiras do Livro, em particular a de Lisboa, que se realiza numa quadra do ano em que as quatro estações são possíveis.Frio, chuva, sol tropical e vento crespuscular fazem parte do certame.Este ano só tinha dado duas pequenas escapadelas ao Parque.Ontem estava um frio de rachar.Levei a minha neta que associa a Feira a palhaços e cambalhotas, mas já gosta de levar o seu dinheiro para comprar um livro da sua escolha. Ontem foi a correr.Hoje foi noticiado que a Feira do Livro em Lisboa vai funcionar mais uma semana.Voltarei.
As decisões para combater a crise financeira e bancária são tão erráticas que ninguém poderá saber ao certo quais serão as certas e as erradas.Mas o pedido de desculpas de Passos Coelho pelo aumento de impostos a decretar pertence de certeza ao mundo do patético.
O Correio da Manhã, na sua edição de ontem, noticia que os radares da FAP detectaram um «eco» nos céus de Fátima a poucas milhas do helicóptero que transportava o Papa o que levou à descolagem efectiva de caças F16 para o que desse e viesse. Mas o fenómeno foi da natureza do invisível.Mais um pouco e era um milagre captado por um radar...
Para responder, vote na sondagem no lado esquerdo.
a) Ninguém
b) Bruxelas
c) A banca
d) O PSD
e) Os mercados e as agências de rating
f) Esses todos e Sócrates aos Domingos, dias santos e feriados.
Ao ler as palavras do Cardeal Patriarca e de BentoXVI na celebração do Terreiro do Paço reparei que nenhum deles se referiu ao Cristo-Rei ali tão perto e monumental, na outra margem do rio que foi citado.Terá algum significado a omissão?Tratou-se de uma arbitragem entre dois lugares de culto? Muito gostava de ouvir o parecer do Tomás Vasques...
Hoje, o debate é sobre os cortes no investimento público, salários, 13º mês. E, claro, sobre a visita papal. Lá estarei com o João Adelino Faria, o Carlos Abreu Amorim e o Emídio Rangel, na RTP N, 23 horas.
"Por acaso teria sido uma boa ideia referir o facto de hoje termos tidos grandes notícias de crescimento económico em Portugal e isso poder associar-se à visita do Papa a Portugal», disse Sócrates aos jornalistas.
Estou a ouvir o primeiro discurso de BentoXVI em Portugal.Confesso que tenho um «fraco» pela frieza de pensamento de Ratzinger, e já li o suficiente para o apreciar como intelectual.O discurso foi mais do que politicamente correcto: fez uma referência ao centenário da República em Portugal, o que muitos fundamentalistas não lhe vão perdoar,elogiou a separação da Igreja e do Estado, disse claramente que não foi a Igreja Católica quem impôs Fátima, mas Fátima, ou seja a religiosidade popular, quem se impôs à hierarquia católica.Um racionalista crente ainda me faz mais confusão.
-Todos falam na derrota deAngela Merkel nas eleições regionais do Norte-Vestefália, quando a grande derrotada foi a coligação federal CDU-FDP.Os liberais ainda não perceberam o que se espera de um governo em tempos de crise, e são os vencidos do dia.Os milhões de votantes renanos viraram-se para a esquerda, e deram a vitória ao SPD, aos Verdes e ao Die Linke.E não foi por pouco. _ Ninguém quer perceber o que significa a presença de tropas da NATO -ingleses, franceses, norte-americanos-nas celebrações russas da vitória dos Aliados na II Guerra Mundial em Moscovo.Como não perceberam o alargamento da NATO na Europa Central e Oriental.Esperemos que não tenham de «ver, claramente visto.».
Nem a diplomacia, nem o facto de a religião católica ser a mais expressiva no país (10% de praticantes), justificam a violação dos princípios laicos constitucionais. Mas Governo e autarquias financiam a visita de Bento XVI e dão tolerâncias de ponto. A papa não é para todos: os funcionários públicos gozam férias, os outros têm que tirar um dia para ficarem com os filhos (escolas públicas fechadas). Como mais serviços serão reduzidos/entupidos, por exemplo trajectos e transportes, quem trabalhar terá outras dificuldades. Nomeadamente, ir parte a pé. Deve ser promessa. Já o Presidente da República recebe Ratzinger como chefe de Estado e como líder religioso (oficializando o catolicismo).
Eis o regresso da moribunda mas não saudosa (como se vê) cooperação estratégica: um rombo político. E económico. Parar o país um só dia é perder dezenas de milhões de euros. Somem-se outros gastos (segurança, festarola) e compare-se aos cortes nos subsídios de desemprego. É fazer as contas…em S. Bento e em Belém, onde vai, na véspera da visita papal, uma procissão de ex-ministros das finanças contra as obras públicas. Cavaco, que os recebe e aplaude, podia também contabilizar esta santa subtracção aos nossos cofres. Até porque no mealheiro do santuário de Fátima o Estado não toca…
O processo de decisão sobre as chamadas grandes obras públicas dava um ensaio sobre a importância do mundo virtual na política.Só o facto de não existir quase nada de material no terreno permite tanta discussão política e técnica, e tantas decisões variadas em obras de estaleiro como o aeroporto, a terceira travessia do Tejo, o TGV, etc.Governo, oposição, economistas, financeiros, o próprio PR., debruçam-se sobre um mapa de intenções e esgotam-se a redesenhá-lo. Este espectáculo dura há anos.Ainda nos lembramos da decisão sobre a localização do novo aeroporto. Da Ota a Alcochete gastou-se um tempo precioso.Agora o aeroporto foi adiado.Depois foi a localização da terceira travessia do Tejo, e sempre o TGV, embora mudando frequentemente de trajecto, com a excepção óbvia da linha Madrid-Lisboa.Depois de Bruxelas, e de Ricardo Salgado, terem abandonado à sua sorte as grandes obras públicas virtuais, José Sócrates manteve a única para a qual tem um aliado de peso, no TGV, e talvez na discussão europeia que se aproxima: a Espanha.
A derrota do Partido Trabalhista na Inglaterra não foi tão severa como a do Partido Socialista na Hungria, mas insere-se na mesma lógica de despedimento da esquerda governamental europeia.No caso do Partido Trabalhista é a terceira-via de Tony Blair que se esgota nas mãos de Gordon Brown.Regressem com novas ideias, e descolonizados.
Nos últimos anos, Vila-Matas parece estar sempre a escrever o último livro da sua vida. Cada um é uma espécie de póstumo em que ao quotidiano ficcionado (pormenores da vida ao sabor de uma “imaginação vaidosa” ), acrescenta-se uma lista de autores como Barthes, Faulkner, Balzac, Céline, até Agatha Christie, para não falar no já inevitável Fernando pessoa e na sua centenária irmã (que não levava a sério os heterónimos do mano). A receita da “literatura sobre literatura” foi inventada por Borges. Nas mãos de Matas fica uma versão intelectual light. Entre o cardápio de livros e as crónicas do umbigo. Não é mau. Mas não mata saudades das suas primeiras ficções.
Ontem, no programa Directo ao Assunto, a Joana Amaral Dias recordou que a Grécia pediu a adesão à então CEE após se ter desembaraçado da ditadura dos coronéis em 1974.Foi mesmo o primeiro país saído de uma ditadura ocidental que o fez, e, apoiada sobretudo pela França, entrou no «clube dos ricos» em 1981.A CEE dava assim um passo em frente como «clube democrático» europeu, e não se contentava com um«mercado comum», mais ou menos transparente. Em 1986 entraram Portugal e a Espanha , depois de uma negociação longa e exigente.O facto da Comunidade Europeia ter integrado esses Estados que tinham sido ditaduras, encorajou as de leste a ter essa meta em consideração. Pelo caminho que as coisas estão a tomar em Atenas, quem sabe onde irá parar o regime político na Grécia?Será que uma ditadura dos coronéis volta a dar jeito a alguém no flanco mediterrânico?
Como é hábito, hoje às 23 horas, estarei com o João Adelino Faria, o Emídio Rangel e o Carlos Abreu Amorim na RTP Notícias para discutir os investimentos públicos, a situação na Grécia/consequências para Portugal e a candidatura de M. Alegre.
Ouvi o discurso de Manuel Alegre na rádio.Dedicarei o meu artigo de sexta-feira no Correio da Manhã ao tema. Como primeira impressão diria que Alegre se está a colocar na situação de Mário Soares há cinco anos.Veremos o resultado.
Nós, cidadãs e cidadãos da República Portuguesa, motivados pelos valores da liberdade, da igualdade, da justiça e da laicidade, manifestamos, através da presente carta, o nosso veemente protesto contra as condições – oficialmente anunciadas – de que se revestirá a viagem a Portugal de Joseph Ratzinger, Papa da Igreja Católica.
Embora reconhecendo que o Estado português mantém relações diplomáticas com o Vaticano e que a religião católica é a mais expressiva entre a população nacional, não podemos deixar de sublinhar que ao receber Joseph Ratzinger com honras de chefe de Estado ao mesmo tempo que como dirigente religioso, o Presidente da República Portuguesa fomenta a confusão entre a legítima existência de uma comunidade religiosa organizada, e o discutível reconhecimento oficial a essa confissão religiosa de prerrogativas estatais, confusão que é por princípio contrária à laicidade.
Importa ter presente que o Vaticano é um regime teocrático arcaico que visa a defesa, propaganda e extensão dos privilégios temporais de uma religião, e que não reúne, de resto, os requisitos habituais de população própria e território para ser reconhecido como um Estado, e que a Santa Sé, governo da Igreja Católica e do «Estado» do Vaticano, não ratificou a Declaração Universal dos Direitos do Homem – não podendo portanto ser um membro de pleno direito da ONU – e não aceita nem a jurisdição do Tribunal Penal Internacional nem do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, antes utilizando o seu estatuto de Observador Permanente na ONU para alinhar, frequentemente, ao lado de ditaduras e regimes fundamentalistas.
Desejamos deixar claro que, se em Portugal há católicos dos quais uma fracção, mais ou menos importante, se regozijará com a visita de Joseph Ratzinger, há também católicos e não católicos para quem o carácter oficial da visita papal, o seu financiamento público e a tolerância de ponto concedida pelo Governo, são agressões perpetradas contra os princípios de laicidade do poder político que a própria Constituição da República Portuguesa institui.
Esta infracção da laicidade a que estão constitucionalmente vinculadas as autoridades republicanas torna-se ainda mais gritante e deletéria quando consideramos que se celebra este ano o Centenário da Implantação da República, de cujo legado faz parte o princípio de clara separação entre Estado e Igreja, contra o qual atentará qualquer confusão entre homenagens a um chefe de Estado e participação oficial dos titulares de órgãos de soberania em cerimoniais religiosos.
Declaramos também o nosso repúdio pelas posições veiculadas pelo Papa em matéria de liberdade de consciência, igualdade entre homens e mulheres, auto-determinação sexual de adultos, e outras matérias políticas.
Porque nos contamos entre esses cidadãos que entendem que a laicidade da política é condição fundamental das liberdades e direitos democráticos em cuja defesa e extensão estão apostados, aqui deixamos o nosso protesto e declaramos a Vossa Excelência o nosso propósito de o mantermos e alargarmos através de todos os meios de expressão e acção ao nosso alcance enquanto cidadãos activos da República Portuguesa.
Já não bastava o Papa. Para a semana, também há beija-mão lá para os lados de Belém, quando Cavaco Silva receber a excursão tipo viagem a Santiago de ex-ministros das finanças. É muito, muito, mas mesmo muito lindo. Estes ex’s, responsáveis pela situação em que nos encontramos, apresentam-se agora como os grandes salvadores da pátria. Estes (quase todos economistas) cujo rating é para aí um C-, visto que tal como os seus colegas, foram incapazes de prever a crise e muitos estiveram directamente envolvidos nas suas causas, se calhar até esperam que lhes agradeçamos disporem do seu rico tempinho para irem debitar mais umas (perigosas) banalidades. Estes senhores que nem no fim do jogo sabem fazer prognósticos (Cavaco já promulgou o decreto-lei para a concessão do troço ferroviário de alta-velocidade) querem, afinal, o quê?
Protagonismo, ribalta? Talvez. Já as intenções eleitoralistas do Presidente da República são, essas sim, muito fáceis de prever.
Se quer ver mais do mesmo, desista de ‘Parnassus'. Se está disposto a deixar-se levar num carrossel cujo cavalo, a qualquer momento, salta fora e leva-o para outra dimensão, seja bem-vindo.
O autor, Terry Gilliam, é conhecido pelas colagens surrealistas e psicadélicas das suas animações para os saudosos ‘Monty Python'. Além disso, criou um cosmos cinematográfico. ‘Parnassus' prolonga a batalha contra o cinzentismo do seu épico orwelliano ‘Brazil' (1985) ou as quimeras "infantis" das 1001 noites de ‘A Fantástica Aventura do Barão Munchausen' (1988). Agora, munido da artilharia digital, Gilliam torna o incrível em crível.
‘Parnassus' era um homem sábio que, quase imóvel num convento, contava histórias. Acreditava que elas são o tecido que sustêm o universo. Ele existe se existir ficção. Porque é na fantasia que está a verdade. Três mil anos depois, ‘Parnassus' continua vivo. Mas decrépito, porque, no século XXI, poucos se interessam por histórias e a sua arte reduz-se a um teatrinho caduco e itinerante. Mesmo que ‘Parnassus' convide a transpor um espelho, género o de ‘Alice', atrás do qual está a imaginação do próprio espectador. Que proponha que cada um conte a si mesmo a sua história.
Pior é o outro motivo pelo qual ‘Parnassus' está decadente. Como numa fábula de ‘Fausto', fez um pacto com o Diabo e trocou a filha pela imortalidade. O mago devolve ao público a alma, mas arrisca-se a perder a sua. É desta luta entre o Mal e o Bem, entre o Diabo (formato Tom Waits) e Deus (formato sem-abrigo), entre o materialismo e a imaginação que se enrola o enredo. O fantástico de Gilliam expande-se. Há quem reduza este filme a Heath Ledger, que morreu durante as rodagens. Mas é a imagem a estrela desta longa-metragem.
Até pode ser que Ledger seja como James Dean e todos os que, como diz uma personagem, têm vida eterna porque nem a morte é permanente. Ou porque plantaram árvores, filhos (renegados por ‘Parnassus') e livros (histórias). Tal como Gilliam, cuja capacidade narrativa se revela, inclusive, na tenacidade inventiva com que conseguiu terminar a obra, tendo perdido o actor.
‘Parnassus' é o próprio realizador, gerador de paisagens, estéticas e heróis excêntricos. Talvez inspirado no Parnassus mitológico, o fundador de Delfos, que via o futuro no voo dos pássaros, o pai dos poetas. No século XVI, Rafael pintou-o como o paraíso da Renascença. No século XIX, escritores deram o seu nome a uma corrente que defendia a arte pela arte, a forma como a essência e objectivo da arte, em oposição à arte útil.
É esse o ‘Parnassus' de Gilliam. Aquele que ainda existe porque sobre ele se continuam a contar longas histórias.
A História, inclusive a do século XX, acumula momentos de absoluta irracionalidade. Depois, a Humanidade pergunta "como foi possível?" e tenta justificar o ilógico. Tal como agora.
Economistas e agências de rating perderam toda a credibilidade. Às portas da crise, aconselharam investimentos tóxicos ou em países que logo faliram. Seguiu--se uma sangria. Como explicar que hoje determinem a credibilidade das Repúblicas? Ou que Portugal, com uma dívida pública abaixo da média europeia, seja o alvo? Ou que se poupe e ajude com dinheiros públicos os causadores da crise, enquanto se castiga trabalhadores e desempregados, vítimas vistas como parasitas? Como explicar que, contra todas as provas, muitos governantes ainda acreditem no mercado e por ele sacrifiquem os mais fracos?
Como é que Sócrates e Coelho falam do "ataque especulativo sem fundamento" e apresentam cortes nos subsídios de desemprego como salvação? Uma especulação sem fundamento, uma crença, leva à penitência de mais uns ‘bodes expiatórios’? Como explicar que o primeiro-ministro aplique essa medida embora desconheça os seus efeitos financeiros, e ainda que os efeitos sobre muitos sejam certinhos? Explica--se pela cobardia e irracionalidade. Mas não basta explicar. E melhor do que lamentar a História é mudá-la. Bom 1º de Maio.
Inês de Medeiros anunciou que renuncia ao direito que lhe foi concedido pela AR do pagamento de viagens para Paris, cidade onde reside, dando um exemplo de alguém que se preocupa mais com o prestígio do parlamento e do regime democrático do que com qualquer outro aspecto de natureza pessoal ou política.Uma demonstração de bons reflexos cívicos.Depois desta atitude de Inês de Medeiros a AR pode regulamentar situações semelhantes sem ânimo persecutório ou aparência de favorecimento.
Finalmente os países da zona euro resolveram-se a suprir as deficiências do orçamento comunitário e das atribuições do Banco Central Europeu concedendo um grande empréstimo à Grécia, não só para socorrer esta, mas sobretudo para salvar a moeda continental.Foram a reboque dos acontecimentos, perdendo tempo e câmbio. A parceria com o FMI era fatal.Portugal teve uma experiência semelhante, em 1977-1978, com a «Operação Grande Empréstimo» de concepção norte-americana que esbarrou com a proposta tecnocrática europeia no sentido de a enquadrar num acordo stand-by com o FMI.Não culpem sempre os EUA que já resolveram as rupturas orçamentais de Estados federados como o de New York e o da Califórnia sem internacionalizarem a crise.Cada um tem a zona monetária que merece?
Da leitura dos jornais retiro que há muita gente a querer governar o país de fora sem se responsabilizar pelos resultados das suas propostas. Façam lá um sacrifício, ponham as mãos na massa...
O Córtex Frontal desempenha funções mentais complexas geralmente designadas de cognição, desde processos de tomada de decisão até memória de longo prazo. Está associado ao raciocínio, planeamento, discurso, movimento, emoções e resolução de problemas.